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domingo, 10 de junho de 2012

Maria Keil : artista múltipla. Adeus...! ( Agosto de 1914- 10-6-2012)

                 (Uma das ilustrações de um livro da 2ª Classe, por Maria Keil)
Faleceu hoje,  dia de Portugal,aos 97 anos, Maria Keil. Apesar de um nome que não soa a português, era bem portuguesa na Arte e no sentir. Ilustradora, pintora, escritora, ceramista, decoradora ..... e tanta coisa mais na multiplicidade de áreas das artes plásticas que experimentou dentro das hipóteses do seu tempo. São dela muitos dos azulejos que decoram algumas das estações de Metro de Lisboa. Um dos painéis, há escassos anos, sofreu uma destruição ignorante pelos empreiteiros que renovavam uma das estações. Foi das últimas vezes que ouvimos falar de Maria Keil e da sua obra, pelas piores razões, pois nem tinha sido consultada para a remodelação... (coisas que só por cá...)
De resto houve um belo calendário (há uns 3 anos?) com uma selecção das suas iliustrações, de uma colecção que continua, ano a ano, com ilustradores portugueses.
A primeira vez que contactei com o seu traço e expressividade foi nos meus livros da 1ª e 2ª classes. Livros que ilustrou em colaboração com Luís Filipe Abreu. Jamais me esqueci. Uma delas é a que está reproduzida acima e se bem me lembro acompanhava um texto sobre um Domingo passado no parque por um grupo de amigos. Algumas ilustrações eram bastante impressionistas no estilo, o que contrariava a tradição dos manuais escolares "à Mocidade Portuguesa". Sei que esses livros/manuais marcaram assim uma mudança de mentalidades que se pressentia, ninguém podia ignorar. Neles deixaram de figurar , como antes (pese embora a excelência de anteriores ilustradores) os textos mais ou menos patrioteiros, ou que falavam dos pobrezinhos como agora se fala dos sem abrigo que são filmados na sopa dos pobres; e  desses novos manuais eclipsaram-se os meninos de bandeira, de cinto com "S" na fivela e braço estendido em saudação a Salazar.
Nas ilustrações de Maria Keil, os meninos não precisavam de simbolizar a pátria, ou o Futuro ou a perfeição. Os meninos desenhados por Maria Keil tinham o direito a serem apenas meninos, mesmo se  simples confluências de traços doces e de pinceladas de aguarela expressiva, nos limites de um papel.

                                    
                  (Aqui a temos, numa foto mais ou menos recente, numa entrevista, revelando o seu humor.)
 Para lerem e para  melhor conhecerem Maria Keil, deixo UM PERFIL completo e interessante  da artista divulgado no Público, em 2007, AQUI (clicar) 
                                         
                 (pormenor de um dos painéis de azulejos de Maria Keil)
Ao que dizem era uma mulher de fibra, artista plástica não só nas tintas e traços, mas na visão do mundo que tentava dar, na cultura, na geração que representou (a de Carlos Botelho, por exemplo) , no testemunho cívico que sempre procurou manifestar até ao fim, muitas vezes com coragem polémica. Com vivacidade,  apenas pequena e " frágil na aparência", no que dizem ter aliado a perspicácia e a crítica à ternura.
As pessoas não duram sempre. Nem os grandes artistas duram sempre. Este ano  continua com uma estranha fila de pessoas que  vão deixando Portugal órfão. Outros partiram precocemente,  já com Maria Keil tivemos a sorte de a ter  longos anos entre nós. Resta saber se a soubemos valorizar e se a merecemos, a ela que parte neste 10 de Junho, Dia de Portugal, o dia de Camões.
Descanse em Paz, Maria Keil e desenhe crianças,adultos, gatos e pássaros feéricos ,noutro mundo onde estiver agora.*
( curiosa  e linda a forma como ela imagina o Além, na reportagem linkada:  diz que provavelmente as pessoas boas, quando morrem, se transformam em ouro e pedras preciosas! :))
Margarida Alegria (10-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança(2 de 2) :1 de Junho 1975


("Dia Mundial da Criança: 1 de Junho  1975(A Flor da Liberdade; 1975, 16 mm P/B; realização:Júlia Guarda Ribeiro; reedição: Paulo César Fajardo, 2005)
O SEGUNDO DE DOIS VIDEOS PARA O DIA MUNDIAL DA CRIANÇA. Este documentário retrata o primeiro festejo do dia Mundial da Criança após a revolução do 25 e Abril ('74), em Leiria, no dia 1 de Junho de 1975. Na Cooperativa "A Flor da Liberdade"). As bobines originais andaram desaparecidas durante 30  anos até que  em 2005 o filme foi reeditado.
Hoje  estas crianças serão, portanto, adultas,mas é belo observar que crianças são  sempre crianças, em qualquer época e lugar. O que sonharam então para  o Futuro ter-se-á  realizado? E que Futuro dão  agora , em adultos , aos  seus descendentes? Continuará  a  existir  infância  e o seu Dia dentro de poucas décadas, ao  deixarmos a sociedade  e a felicidade  dos povos degradar-se como agora?
Ficam as questões.
Como peculiaridade,  observem e recordem o modo   de vestir, de  sentir, de brincar, de festejar.
Bom Dia  Mundial da Criança a todos que  o são , em idade ou por  dentro! :)

Dia Mundial da Criança(1 de 2) :"Direitos Humanos para Crianças"


("Direitos Humanos para Crianças",desenho animado 2008--Realização: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Brasil)
Para assinalar   o Dia Mundial da Criança, no Ano amargo de 2012 (que  vê os direitos antes alcançados a  regredir para crianças e adultos) , dois  videos, aqui no blogue.
O primeiro é esta  animação, que põe quatro crianças de diferentes contextos sócio-culturais  a tentar  promover,  no seu estilo simples  e  fantasioso,  a  defesa   dos Dreitos  Humanos, especialmente o direito  a estudar  , entre outros....

domingo, 11 de março de 2012

Parque Escolar: morte já adivinhada de mais um elefante branco

                      (c) Margarida Alegria, Novembro de 2010-clicar na imagem para ler melhor)

Enquanto termino o cartoon prometido (está quase! conto que saia esta noite! Desta vez é a valer!), deixo este aqui antiguinho, mas sempre muito actual. Foi então feito à pressa , em estilo rascunho escolar e um tanto torto, mas ilustrava um texto da Alergia num outro blogue (já encerrado), para comentar a soberba com que o Ensino Público era tratado na altura pela "pujante e iluminada" Parque Escolar, empresa pública agora moribunda e finalmente passada a pente fino por uma auditoria do MEC.(ver AQUI o post publicado então, de 13-11-2010, e ainda ESTE  OUTRO POST com video do "Bioterra" , ou ainda ESTE OUTRO onde a Alergia alertou para as Contas estranhas da Parque Escolar  -Se quiserem comentar, façam-no apenas neste blogue "Alegrias e Alergias", s.f.f.).
Como se vê agora, os gastos foram mesmo sumptuários (mais caras do que no DUBAI; leiam aqui), com disparo das despesas bastante acima do previsto, ao que dizem  mais de 400%!!!!
Isso sim, foi gastar acima "das nossas possibilidades"! que não foi o povo. Foi um molho de políticos,  "gestores" e técnicos irresponsáveis.
Como se vê também -- detesto ter razão antecipada nestas situações!-- esses gastos foram apenas com o construído, faltando ainda restaurar mais de metade das escolas planeadas e ficando assim suspensas essas obras previstas, deixando ao frio e chuva muitas salas de aula neste país.
Mais uma vez, a tradição portuga de "começar a casa pelo telhado".
Mais uma vez, outro "Elefante Branco" no país, a comprovar como, por cada governo que passa e desgoverna Portugal, há sempre uma ou duas obras sumptuárias e por vezes de utilidade duvidosa a arruinar os cofres Estatais. Ora vejamos só as mais recentes e de que me recordo:
- Nos Governos de Cavaco Silva, tivemos os "buracos sem fundo" do Centro Cultural de Belém,--que mais tarde foi bem aproveitado, mas que escusava de ter estragado o panorama de Belém e ser tão gigantesco (mas que na altura nem tinha fim definido em vista!)-- e a barragem do Alqueva (projecto que agora se quer abandonar, na parte que mais interssava para promover a agricultura);
- Nos governos de Guterres, tivemos a Expo 98, que todos recordam ter sido "um bodo aos pobres" dos empreiteiros, pois, com, a pressa em acabar dentro do prazo, cada camião de cimento e subempreitada via, de dia para dia, o seu preço duplicar! A Expo enriqueceu muita gente! Também da Era Guterres e continuando pelos governos seguintes tivemos os estádios novos para o Euro 2004, com o mesmo tipo de gasto de última hora tão do agrado dos construtores (mais uma vez à custa do dinheiro do Estado, que tanto detestam que interfira para não sei quê...). E agora até já tentam leiloar alguns e falam e demolir um ou outro!
Durão Barroso e Santana Lopes não tiveram muito  tempo para grandes estragos, fora os tais estádios, mas S. Lopes como PC de Lisboa já se preparava para despejar obras no parque Mayer, o que até poderia ser interessante, não fosse o projecto de Ghery ter sido pago sem sair do papel. No Porto, poe causa da  capital da Cultura 2001, houve pretexto para outro vazadouro de dinheiro na Casa da Música e para estragarem uma meia dúzia de praças e jardins do Romantismo. A Casa da Música até pode ser um sucesso arquitectónico, mas se tivesse sido construída perto do  belo Parque da Cidade  (rodeada  de relvados) não teria ar de meteorito invasor caído numa praça à séc. XIX. E não teria precisado de tantas complicações para as obras das caves de estacionamento, que deram a maioria das dores de cabeça aos engenheiros portugueses que a tiveram de concretizar . E, finalmente, preservaria o singular edifício do centro de recolha dos eléctricos da STCP (demolido, pois...), que hoje poderia ser um belíssimo e menos acanhado museu do Carro Eléctrico. Por Lisboa, a linha de Metro em zona de água, no terreiro do Paço, foi (e continua a ser) outro escoadouro de dinheiro... além de perigoso;
- Uff! e ainda não terminei...Chegado o consulado de Sócrates, tivemos os sonhos do TGV e de super-aeroporto da Ota a continuar pelas mentes dos desgovernantes, mas felizmente não concretizados. Mas tivemos já uma terceira auto-estrada Porto -Lisboa para moscas verem , túneis e barragens q.b., um Aeroporto de Beja para concorrer com as ditas moscas num espaço aéreo e afluência  à  moda alentejana e, como os dinheiros públicos começavam a escassear, a UE cortava dinheiros dos Fundos e a crise batia à porta, descobriram a nova árvore de patacas provisória, para satisfazer as clientelas de empreiteiros, na reabilitação do parque escolar: construção de gigantescos, incompletos e mal pensados Centros escolares (vide "Caixotes" escolares), uns armazéns de alunos do interior, que agora obrigavam os municípios a gastar mais dinheiro em transportar os ditos, e a restauração  (de boa parte ) das escolas existentes.
Tudo bem. Muitas escolas  precisavam de obras.É verdade. Algumas eram provisórias há décadas! Perante a crítica ao seu restauro sumptuário, houve quem me dissesse: "ah, dantes criticavam porque não havia obras, mas aí estão as obras, que querem mais, também?!"
Pois bem. Uma coisa é precisarem de obras. Outra é ter de deitá-las completamente abaixo, como fizeram à maioria (exceptuando as históricas, das principais cidades). Aliás, muitos dos nossos empreiteiros não conhecem outra forma de restauro: o deitar tudo abaixo. Uma coisa é reforçarem o isolamento térmico, prolongarem alas para aumentar a capacidade, outra é terem de fazer casas de banho onde eram salas e salas onde eram casa de banho, espaços exteriores onde eram interiores e vice-versa. Uma coisa é melhorarem os materiais e o aspecto, outra é colocarem materiais de luxo, com madeiras no exterior, apliques de luz só de embelezamento,corredores sem fim cheios de recantos(isso é  boa arquitectura funcional?!) chão de pedra caríssima mas de difícil manutenção( viram aquela reportagem de um Centro escolar do interior que teve de comprar sapatos especiais para TODA a gente para ninguém riscar o pavimento claríssimo que ficava com riscos negros ao mínimo toque de sola?), colocar janelas diminutas que implicam o acender as luzes constantemente, janelas seladas porque tudo se enche de ar condicionado e de aquecimentos centrais caríssimos! Cortar árvores frondosas e bonitas para plantar outras raquíticas noutros recantos, etc. etc.
E uma coisa é as escolas precisarem de obras, outra é começarem os restauros por escolas que não precisavam tanto , mas  que ficavam em zonas nobres, para encher o olho eleitoral, sujeitando-se aos cordelinhos de interesse de prioridades estranhas dos governos centrais e locais... E agora muitas de que precisavam mais ficaram  sem direito a obras. As que estão com obras a decorrer viram projectos alterados. Alterados, não pela escolha de materiais e acabamentos mais económicos e sensatos, para não ofender os senhores arquitectos e fornecedores, mas pelo que deveria continuar no projecto: mais salas de aula e laboratórios riscados dos planos, auditórios de tamanho decente a terem que ficar mais exíguos, bibliotecas convidativas e maiores a ficarem reduzidas a metade do espaço...
Mais uma vez, os justos a pagarem pelos pecadores.
Concordo que os alunos possam ter escolas bonitas, confortáveis, espaçosas, mas daí a transformar os seus átrios em Centros Culturais de Belém, em desaproveitar o que elas tinham de bom  e de bem pensado e  torná-las muitos mais dispendiosas em manutenção, é um perfeito disparate! Uma infantilidade de novo-rico! Um país pode construir coisas belas e eficientes sem cair em luxos, o que estou a dizer não é apelar ao miserabilismo. E depois, muitas dessas escolas, afinal, tiveram chuva a entrar e tectos falsos a desabar, pouco depois das ditas obras!
Na minha modesta opinião uma Escola devia cumprir os seguintes ideais : ser FUNCIONAL e segura,  ter bastantes salas de aula, espaçosas arejadas e luminosas, para as turmas, ter espaços comuns convidativos para o lazer, tempos livres, actividade extra-curriculares; um bom ginásio, com balneários decentes e práticos, uma boa biblioteca, que deveria ser o coração da Escola, gabinetes sossegados para os professores poderem ter ao menos uma gaveta ou cacifo e recanto decente para reuniões, para corrigir trabalhos em silêncio, tutoriar alunos,etc, já que são tantas as horas não lectivas que agora obrigam os docentes a estarem enfiados nos estabelecimentos, um gabinete de enfermagem (com enfermeiro, já que médico, nem em sonhos...), uma cantina ampla, com cozinheiras próprias a servir comida  nutritivamente equilibrada e saborosa(e não a dar negócio a umas empresas com comida pouco convidativa e até menos saudável que dantes!), jardins e parque de jogos, para que as crianças possam correr e brincar nos tempos livres...
A Escola-edifício em si deveria ter uma capacidade máxima de 500 alunos, em um turno, de preferência, para que todos ganhem estima pelo espaço escolar e pela aprendizagem em tranquilidade. Deveria ter simplesmente janelas amplas e bem isoladas, adaptadas ao clima de cada região, com a orientação solar muito bem pensada, de forma a poupar no aquecimento nas estações mais quentes, mas com resguardo q.b. no Inverno. poucas escadas ,chão  , paredes  e estores de material resistente e fácil de limpar,  quadros dos tradicionais, com apenas algumas salas de quadro interactivos e multimédia (não é preciso multiplicá-los, para depois não haver quem lhe possa fazer a manutenção, serem só pontualmente usados e se estragarem com facilidade.O auditório, a  biblioteca e suas secções providenciariam as necessidades e até os gastos e estragos seriam bem controlados). E espaços para teatro, música, ateliers de Arte, mesmo em escolas não artísticas, para poder desenvolver outras competências , as criativas, nas crianças e jovens  nas muitas horas que têm de "acampar na escola". E aumento da auto-suficiência energética, quem sabe (isso sim um bom gasto que compensaria) com painéis fotovoltaicos nos telhados, que ajudassem a poupar as contas de energia (as escolas restauradas têm também estores eléctricos e algumas elevadores, para além dos famosos ares condicionados! As contas triplicaram, agora é desligada a climatização e os alunos abafam com janelas que não se podem abrir!).
  Passámos do 8 para o 80... Dantes era a conta-gotas que uma escola conseguia ser renovada, sendo muitas vezes os projectos policopiados de escolas estrangeiras (como muitas delas que decalcaram escolas nórdicas, ficando depois com umas saletas muito estranhas e compridas, que não serviam para nada e que mais tarde se descobria serem salas projectadas para guardar... esquis (verdade!). Agora quiseram mudar tudo, dar traço artístico e nacional às escolas, e tudo bem...mas vêmo-las a ser construídas como mansões de luxo, todas cinzentas e castanhas como é de moda. Mas depois com altos preços de luxo de arquitecto também!
Como Cereja no topo do bolo, o Consulado perdulário e ultra-materialista de Maria de Lurdes Rodrigues e Sócrates,-- que consideravam que educar o povo era enchê-lo de computadores e gadgets, mesmo que sem conteúdo e deprezando o Conhecimento (o ódio à aprendizagem e aos professores que dela eram símbolo foi evidente ao longo de seis penosos anos!)-- criaram para amiguitos a Parque Escolar, de forma a gerir todos esses dinheiros públicos e depois vir a cobrar rendas avultadas às escolas (o que caricaturo na b.-d . acima), deram-lhes um grande poderio e consolavam-se a inaugurar apressadamente muitos caixotes novos, em épocas eleitorais. E aos Domingos, pois escolas vazias  de alunos evitavam  o embaraço de "gemadas" capilares na ministra sinistra e vaias monumentais ao  vaidoso Sócas. A conta, como costume, ficaria para o Futuro pagar.
Porém o futuro chegou (mais cedo do que contavam). O dinheiro encolheu. A auditoria foi feita. A administração da PE (empresa pública!) demitiu-se(LEIAM AQUI) . Não terá direito a indemnização, pelo que consta (VER AQUI). Acho bem. Parece que a "Parque Escolar" será extinta (LEIAM AQUI)... a ver vamos... as mordomias são tentadoras. a clientela é de todo o "centrão"... mas que antes se apure tudo o que falhou e quem "prevaricou". As obras quase pararam, mesmo em escolas em obras, pois os empreiteiros não estão a ser pagos(Ora cliquem e LEIAM também...). O caos instalou-se de vez. Aguardamos para ver se se apurarão responsabilidades maiores , se alguém será julgado, se alguém indemnizará a desbunda ao dinheiro Estado  (Leiam AQUI  a  linda gestão...)
E parece que as escolas restauradas terão de albergar mais alunos que o previsto, talvez das escolas vizinhas que não viram obras: por isso lá passaremos a ter ainda mais Mega-agrupamentos Escolares, sobrelotados, com salas onde os alunos se comprimem e onde faltam carteiras para todos, com todos os problemas de desumanização, de alienação e de indisciplina subsequentes... Nem nisso resultaram as obras em melhoria, pois agora querem poupar para pagar à eterna senhora Troika e até as nossas crianças têm de empobrecer...mais.
Entretanto, centenas de escolas esperam, com os seus espaços arrasados pela tirania pomposa das  escavadoras ou com espaços por reabilitar, milhares de crianças portuguesas esperam, dentro de contentores "provisórios" ou dentro de salas húmidas que terão de durar mais outra vintena de anos. Esperam por obras, até mais ver...
 E Portugal espera. Portugal é que foi o lesado, mais uma vez.
Nada a que Portugal não esteja já muito habituado... :((
(pronto... alonguei-me mais do que queria. Mas este tema deixa-me irritada como mais outro caso da tal falta "de visão estratégica" para o país, como se diz aí... Aguardem mais um pouquito pelo cartoon que está "no prelo"! E sem "custos excedentários"!Garanto que vale a pena, modéstia à parte ,eheheheh... Acabei por protelá-lo pois tive uns problemitas técnicos e também aproveitei mais o sol e o descanso, este fim-de semana, que convidava a passear ao ar livre. Ah o sol, pelo qual ainda não somos taxados...Até já !).
Margarida Alegria (11-3-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ALERTA! É preciso fazer qualquer coisa!

É PRECISO AGIR, mostrar que as Escolas  em Portugal não podem continuar a viver num caldo de violência, intimidação e medo! Que nem a tutela nem as direcções podem continuar a varrer estas questões para debaixo do tapete!
Anteontem, um professor foi barbaramente espancado por (TRÊS) familiares de uma aluna à qual simplesmente mandara sair da sala de aula devido ao comportamento incorrecto (ver a notícia AQUI). A direcção da Escola abriu investigações,mas fecha-se "em copas" e não condena desde logo abertamente o sucedido(mesmo que depois deva apurar os detalhes dos factos) A Comunicação social, ou parte dela, anda atrás do escândalo e já está a criar confusão, emporcalhando o bom nome do professor, estimado por todos e que jamais agrediu aquela aluna ou outros, com testemunhos difamatórios  e "criativos"de alunos de cara tapada...
Toda a gente sabe como acabou o caso da investigação ao suicídio do professor da Escola de Fitares que, no ano passado, não resistiu à angústia de  ver e sentir as suas queixas na Escola serem sistematicamente ignoradas.
Há poucos dias, só este mês de Janeiro, duas professoras do mesmo departamento e da mesma escola em Coimbra também se suicidaram.
Entre os alunos também é o descalabro: o inquérito à morte do pequeno Leandro, o ano passado, por suicídio após iterado bullying de colegas maiores que ele... também foi arquivado, pelas constantes faltas de provas, a desculpa do costume.E a vítima acaba quase dada como culpada!
Como ele, milhares de alunos sofrem maldades dos seus colegas, há relatos e filmagens colocadas no Youtube e raramente resultam punições. Mesmo a tareia que umas adolescentes deram noutra, ostensivamente filmada, teve algumas penas em tribunal, mas suspensas... e o "cineasta" já de 18 anos e com reiterada história de delinquência, viu a pena suspensa , caso... reingressasse na Escola! Mal saiu do tribunal com tal perdão, insultou e pontapeou uma jornalista! E depois... tudo na mesma como a lesma! :((
Os funcionários não docentes também são vítimas e por isso já receiam intervir numa cena de pancadaria a que assistam, dentro da escola até, pois apanham também ou,  quando agem, tantas vezes são alvo de queixas por alunos e pais... chamados às direcções e  até processados. Já há muitos anos me dizia uma vez uma funcionária: " pois é... eu tenho filhos para criar, mais vale olhar para o lado do que arranjar chatices". Por essa altura parece que uma colega, ao deparar com alunos a fumar nas traseiras da escola, apanhara com um cigarro em brasa na cara, atirado por esses  "alunos". E agora ,com as troikices que gerem o país, até vão poupar tostões evitando a contratação de funcionários preparados pedagogicamente, colocando na sua vez, em constante rodopio temporário, adultos beneficiários de RSI,o tal serviço "comunitário" (de seis em seis meses?), tal como já vinha fazendo com pessoas do Fundo de Desemprego. Como vão as Escolas gerir mais essa vertente de instabilidade? Se algo correr mal, a nível da indisciplina escolar e inseguraça, em consequência de tais "colocações", a quem vamos pedir contas? Ao ministro-segurança-Portas? Ao ministro da Assistência, digo, da Segurança Social? Ao MEC Crato? Ao ministro Álvaro do (des)emprego?
Alunos, professores, funcionários auxiliares... todos vítimas da mesma violência, com vários estilos e matizes, mas tendo em comum o que o Sistema perverso permite,HÁ MUITOS ANOS mas a agravar-se sempre,  o tal  sistema que finge paixões por Educação e buscas de "excelência " e mérito...
Até quando vão continuar em crescendo notícias destas? Não é abafando-as que deixam de existir estas tragédias, esta tragédia profunda no nosso país doente. Só se fará algo quando houver um HOMICÍDIO em directo? (e nisto já nem classifico os  tais suicídios como homicídios indirectos, o que quase de certeza foram!).O professor agredido tem 63 anos e ficou com diversos hematomas, que o poderiam ter matado!
Deixo aqui  o link  do post divulgando o apelo feito por uma professora corajosa, publicado noutro blogue ("A Educação do Meu Umbigo"):
Professores, ou não, alunos ou não, pais ou não, temos de fazer algo como CIDADÃOS a ver mais este rombo revoltante no nosso Portugal. A pergunta é simples: o que  podemos fazer nós, cidadãos que nos indignamos com casos destes? (não incluindo propostas de retaliação com sovas semelhantes ou guerras étnicas...). Isto não é corporativismo! É tempo de os alunos pacíficos poderem ter um bom ambiente nas escolas. Para aprenderem e desenvolverem em harmonia todas as suas capacidades. Não pode toda a comunidade escolar ficar refém da indisciplina e da delinquência, dentro e fora da Escola!
Tinha quase prontos os novos cartoons, sobre outro assunto nacional, que tencionava publicar hoje aqui, mas considero esta questão mais urgente. Ficam para amanhã, que o humor não se perde. Por favor dêem sugestões para se tentar algo de concreto para enfrentarmos este problema. Já vimos que pouco ou nada podemos esperar dos poderes instalados, central ou localmente. É tempo da CIDADANIA  ter palavra e acção, a acção cívica esperada  por quem não se conforma com esta degradação. Meditem, divulguem, proponham, por favor...
Margarida Alegria (2-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Adeus, Cheeta! :(

("Cheeta no listen to Jane!")

Mais uma para o já longo obituário de Inverno... Desta vez, faleceu Cheeta (ou em Inglês, Cheetah), que não era "uma" mas "um chimpanzé, nada mais do que o mais famoso do Mundo.

Famoso, por ter sido estrela em vários filmes dos anos 30 (entre 1932 e 1934) do "Tarzan" protagonizado por Johnny Weismuller e Maureen O'Hara.

Eu era muito pequena e das peripécias desses filmes lembro-me pouco: Tarzan a viajar de liana em liana e a lançar o seu grito,Tarzan a lutar contra crocodilos, ou a bater no peito(mais uma vez com o grito que oscilava entre um infeliz com dores de dentes e um cantor de ópera a fazer gargarejos terapêuticos), uma Jane a refilar com Tarzan antes de ser beijada, Jane a nadar no rio e a sair milagrosamente de cabelo já seco, mais tarde um filho ( para cumprir o american dream da família nuclear, pois claro!), de nome "Boy"...

Mas a estrela, a maior estrela era sem dúvida, pelo menos para a criançada, o chimpanzé Cheeta, que pouco mais fazia que brincar com o Boy ,bater palmas, tapar os ouvidos ao que dizia Jane (por ordem de Tarzan!) e,sobretudo, soltar a sua famosa gargalhada, numa fiada de enormes dentes ou projectando os lábios num ulular simpático e gozão! (a família feliz da Selva africana: umas tangas, muito ar livre e muito Amor. Poderá ser o nosso ideal em tempos de crise, no tal regresso ao "essencial"? Será por isso que PPCoelho quer que emigremos para África?)

(Cheeta, já no Santuário animal da Flórida, com foto "de família)


Desde os anos 60 a viver num Santuário de Vida Animal, na Flórida, parece que Cheeta tinha interesses variados, o que também pode ter contribuído para ficar muito tempo neste mundo: pintava com os dedos, gostava de música e... de futebol. E gostava, sobretudo , de ver as pessoas a rir.

Dera risos ao mundo e gostava de os ver nos outros.

Tinha cerca de 80 anos e faleceu na véspera do dia de Natal passado, não resistindo a uma crise renal.

Havia polémica quanto à sua identidade como o verdadeiro chimpanzé dos filmes de Tarzan. De qualquer forma, ficou consagrado como tal, proporcionando belas visitas de crianças e adultos, sorrindo e fazendo sorrir. E, batendo todos os recordes de longevidade, ultrapassando O DOBRO da esperança média de vida dos seus congéneres.

Portanto, recapitulando, era ele (ou outro?) a maior estrela em "Tarzan", com suas palmas e sorrisos. Mencione-se ainda hoje o nome "Cheeta" e qualquer pessoa que visse TV há umas décadas sabe de "quem" se está a falar. O que comprova que, para a sobrevivência de qualquer um na memória dos outros, mais que beleza e inteligência, candura, coragem , elegância e força, ou até mais que qualquer enredo, o que perdura é a alegria contagiante, um BOM E VERDADEIRO SORRISO, a descontracção de uma bela gargalhada!
Até sempre, Cheeta!

"Alergia" 28/12/2011 (in "Alegrias e alergias"- blogue)
E aqui mais um retrato:
(Cheeta já nos seus últimos anos de vida. Ainda parece feliz...)





sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal 1: qual quê "It's a Wonderful Life"?! :((


("It's  a Wonderful Life" de Frank Capra, nova versão para o Final, por "monta72", noYouTube)

Há bocado chorei de raiva,como não fazia há muito tempo...
Tinha ido visitar o "Berço da  Caridade",  a casa para bebés e crianças pequenas abandonadas, uma das várias casas pertencentes à obra fundada pelo padre Gil. Era algo a que estava habituada a fazer, com relativa regularidade quase anual, por  esta época. Não me envergonho de dizer embora nunca o tivesse contado a ninguém, para além  de familiares mais chegados (devemos ter vergonha de muitas coisas,mas jamais de nos lembrarmos dos outros),porém  agora preciso de o fazer: fazia-o há muitos anos, desde a minha adolescência, nesses tempos indo com amigos passar algumas tardes de sábado a brincar e lanchar com esses pequeninos e o grupo de senhoras que de alma e coração os criavam como de verdadeiros filhos fossem. Tinham uma vivenda confortável, em zona calma residencial da cidade, com quintal simpático e arborizado. A maioria eram bebés de colo mas havia sempre uma ou outra criança mais velhinha, aé aos 7 ou 8 anos . Centenas de crianças foram ali salvas da miséria e/ou da ausência de Amor e Carinho.  O termo "Caridade"da casa não representava a "Caridadezinha" de estilo Senhoras da Mocidade Portuguesa, como a que parece estar por aí em voga, de novo. Era a "Caridade" no sentido bíblico de S. Paulo, como sinónimo de Amor, aquela que vale mais que falar muitas línguas e que até ultrapassa a força da Fé e da Esperança.
Pois bem: chegada lá hoje, foi o choque! Pensei até que me havia enganado na porta e  percorri toda a rua. Mas era uma realidade: a vivenda, uma sólida construção dos anos 60, tinha as paredes laterais derrubadas, o portão estava selado a cadeado, o belo jardim abandonado. Na parede fronteira, um cartaz de "Vende-se", já desleixado.
Há algum tempo ouvira rumores que a obra estava em dificuldades financeiras, como tantas outras neste tempo de nojenta crise. Mas como sabia que a obra vivia apenas dos apoios que lhes davam as boas-vontades, confiei que não falhassem os gestos amigos que impedissem o pior. Frei Gil já falecera há muitos anos e a obra sobrevivera sempre, tanto esta casa como as outras para adolescentes e jovens.
Hoje porém, verifiquei que algo não correra tão bem e então as lágrimas correram-me, de raiva, como já disse, para com este mundo dominado por bestas. E chorei de raiva, também, por não me ter preocupado muito antes, pelo meu tipo de apoio apressado, fugaz, envergonhado e natalício, sem tempo para cuidar mais daquelas crianças ao longo do ano.
A zona é considerada nobre, sempre muito cobiçada pelos novos-ricos e pelos cultores do betão. Se bem me lembro a casa era cedida por um benemérito amigo, há já décadas e décadas. Ao observar a forma como agora estava tratada, não era difícil adivinhar o que acontecera, pois conheço dezenas de casos semelhantes: o dito benemérito lá falecera , chegara a "vez" de algum herdeiro distante e mais insensível que reclamara o que "era dele/a", a contar os tostõezinhos e o lucro. Lá despejara as pobres senhoras e as crianças(espero que ao menos com uma boa indemnização, mas duvido muito!), sem pudor, lá tentara as obras, num primeiro momento e não tivera dinheiro para tanto, tendo agora posto a casa à venda,  mais uma casa outrora bem cuidada e cheia de vida e risos entregue ao musgo do tempo e da ganância humana! Aquela casa era  e fora o lar de muitas crianças, agora é apenas um lugar. Um lugar esventrado e inútil.
O que mais me impressão causou, ainda para mais, foi não conseguir encontrar vizinhos que me soubessem explicar o que acontecera, para onde haviam mudado e Se tinham nova casa. Indaguei em algumas portas em redor e em moradores que passavam, mas ninguém sabia o que acontecera àqueles vizinhos há tantas décadas ali, num lugar que fora tão acarinhado por tantos. Só que já há alguns meses já por  lá não estavam.
É assim a memória do Mundo. É assim a sua capacidade de Atenção... E eu fora, indirectamente, cúmplice também ...:'((
Regressei a casa, desanimada, para ainda ver mais uma medida pseudo-troika dos desgovernantes, na calha para o ano que vem e já a saltar para os jornais:"Duração do subsídio de desemprego pode vir a ser reduzida até 75 %" (e isto até para desempregados acima dos 40 anos, hoje em dia já considerados não recicláveis pela maioria do nosso patronato).
E ainda a notícia de novos aumentos dos transportes, que se prevêem enormes! (mas que simpaticamente os desgovernantes dizem ser "SÓ" para Fevereiro). Grandes governantes!
São estes trastes  todos que nos custa aceitar como humanos que querem para sempre destruir o Natal e a vida das pessoas, estes herdeiros de casas que despejam sem um pingo de alma, todos esses especuladores do lucro que levam empresas e países à falência e  todos os seus ajudantes "Reis Magos", Gaspar, Pedro "Baltazar" e Relvas "Melchior.
Já nem me preocupam os "infelizes" que desprezam o Natal de outras formas, só porque são egocêntricos elevados à máxima potência, odiando o sentido do Natal junto dos seus, mas desejando boas Festas a desconhecidos, aos importantes e aos estrangeiros. Esses são patéticos,uns tristes, não há muito a fazer, se eles próprios não quiserem mudar, fazer Natal (para si, mas acima de tudo por o fazerem  PARA os OUTROS).
O que me apetecia, neste momento é que acontecesse a esses Tios Patinhas /Mr. Scrooge das altas Finanças e de muita Avareza,a todos esses comedores de dinheiro e heranças e aos seus amigos dos ratings e Bolsa, o que aquele criativo no  video  do Youtube acrescentou ao final do famoso "Do Céu Caíu uma Estrela" ("It´s a wonderful Life"), de Capra. ORA VEJAM ATÉ AO FIM! Pode parecer terrível, mas julgo que por vezes esses Monstros do Dinheiro, esses Srs Potter (o "Scrooge" do filme, o único que não se arrepende ou sente piedade pelos outros, pois substituiu o coração por um cofre). Confesso que seria um Natal mais justo  para todos, PELO MENOS UMA VEZ que fosse, malditos sejam! :(((não se assustem, segue já a mensagem mais positiva e natalícia para a quadra. Agora tinha de desabafar a minha amargura!)
Margarida Alegria (24/12/2011)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A "Ver" com ouvidos de ouvir

Como é viver sem nunca ter visto a cor do céu, o rosto das pessoas, o mundo que nos rodeia?
Uma excelente grande reportagem da TSF, "Vermelho da Cor do Céu" (2011), de Ana Catarina Santos e  sonoplastia de Luís Borges,que nos transporta para o mundo de quem é invisual desde nascença.
Como "VÊEM" tudo? O que gostariam mais de poder ver ? De que cor é os seus sonhos?
Para melhor acompanhar esta reportagem radiofónica, aconselha-se a que vendem ou fechem os olhos e atentem às vozes, às personalidades que nelas são retratadas. A foto aqui é apenas circunstancial.
 A NÃO PERDER!Para ficarmos com uma noção nova e diferente do que é a diferença e de como as cores e a sua importância podem ser  sentidas de outra forma. E de como a nossa pobre noção de Beleza é tantas vezes, como dizem os ingleses "skin deep", superficial.
Para repararmos como somos tantas vezes na Terra uns pobre patetas repletos de "riquezas" que desvalorizamos, mas a tactear em desentendimentos, guerras e até em tontas infelicidades.
(Aproxima-se o Natal, fico uma sentimental, pois para mim o importante nesta data não são as prendas ou a "hipocrisia" proclamada por alguns, tantas vezes bem mais hipócritas do que essa ideia feita, mas o encontro dos Humanos com o seu Eu mais profundo, através de verdades como o encontro e o riso das crianças.A verdade do  nosso lado de Criança também. Festejando o aniversário de uma criança que veio  pobre e desamparada a um mundo hostil, mas felizmente ainda repleto de gente boa e confiável.Era com essa gente que ele contava para mudar o nosso modo de viver. É em pessoas com capacidade de serem bondosas e capacidade de sentirem "por dentro dos outros"que eu quero contar, não desejando mal nenhum às restantes, ... mesmo que por vezes fosse melhor que algumas  se engasgassem a saborear uma pipa de m**** da sua própria colheita "vintage".
Sim, lamechas e exagerado nalguns pontos, eu sei. Fora de moda. Nem sempre as maiores verdades estão na moda, num mundo pejado de máscaras.Esta reportagem ajuda a tirar a máscara. Basta fechar os olhos,  ou pôr uma venda.OUÇAM. "VEJAM")
Margarida Alegria (16-12-2011)

sábado, 26 de novembro de 2011

Exageros de diagnóstico nas dislexias e similares

Em mais um número sumarento, a excelente revista "Sciences Humaines", nº 232-Dezembro de 2011, lança pistas sobre recentes estudos  a propósito  da disgrafia, dissortografia ,  discalculia e todas as restantes "dis" ("dys"). Surge agora o debate de como afinal é desaconselhado o  super-diagnóstico destes problemas, pelos psicólogos, perante a ansiedade dos pais.Na realidade, há poucas décadas, não se falava muito nestes problemas, o que era mau, pois muitas crianças eram estigmatizadas por "darem erros " ortográficos crónicos, ou por terem dificuldade em fazer cálculo mental ou entender um texto escrito, quando o liam sozinhas.Agora caiu-se no extremo oposto, andando os pais a correr para psicólogos e outros especialistas e ansiosos por sair de lá com um papel que ateste a dislexia do rebento, ansiosos por sacudir o dito papel perante os professores, que não entendem os seus filhos. Há uns anos tal dava até abusos no requerimento ao direito ao estatuto de aluno com NEE, o que afinal acabava por também estigmatizar. Sendo alguns casos bastante severos, outros há que poderiam ser colmatados naturalmente, com o tempo, pois por vezes só com a prática da leitura, do cálculo e da escrita é que o aluno pode proceder à auto-correcção.
O artigo, pequeno e a remeter para alguns artigos de revistas de Psicologia, sublinha a forma como se multiplicaram os diagnósticos no famoso DSM-IV (o mais célebre classificador internacional de patologias). Especialistas em neuropediatria e psicologia denunciam a arbitrariedade que existe em tais diagnósticos, pois a aprendizagem de uma criança não depende apenas de um diagnóstico destes, mas de todo o seu enquadramento de crescimento, de emoções,da sua curiosidade  e motivação específica, da complexidade dos raciocíniod mentais exigidos na aprendizagem...
Dizem muitos que o excesso de diagnóstico (sobretudo depois de ter surgido a moda  francesa da "multi-dys" --ou seja, a presença simultânea na mesma criança das variantes dislexia, disgrafia, etc.) pode ser contraproducente e estigmatizar ainda mais a criança, encerrando-a numa categoria, impediditiva, por seu lado, de qualquer possibilidade de evoluir.
O texto não está, infelizmente na versão online, mas deixo aqui o título, com link para a revista em geral, um link a guardar, a meu ver.
Como disse acima, uma revista sempre com muito que ler e pensar e, acrescento, geralmente MUITO À FRENTE das teorias que por cá ainda se debatem (ver por exemplo um artigo sobre a "febre" da avaliação, so como mero exemplo!).

sábado, 19 de novembro de 2011

Políticos "em papas": para infantilizar ainda mais a nossa democracia?



Tivemos uma semana de debates sobre o Orçamento "troikano" para 2012, no Parlamento.

Porém, essses debates parecem ser cada vez menos relevantes,talvez porque tudo já está mais ou menos decidido para levar Portugal à total recessão, como confirmaram, nesta mesma semana, as Conferências de Imprensa do Ministro (sinistro) Gaspar e do trio de funcionários da "Troika" que cá vieram carimbar mais um cheque de empréstimo.

Estes senhores estrangeiros --o da segunda conferência, pois o da primeira não descobri ainda se é estrangeiro ou não, com a lendidão com que escolhe as palavras em Português e as soletra e ainda na forma colorida como cria neologismos (lembram-se do recente "conflituacional"?) --explicaram, por entre copos de água,que nos portáramos bem pois eramos um povo "bom"(menino) e que como prémio extra deveríamos empobrecer ainda mais até à escravidão. Não sabemos o que fizeram depois da conferência, se desta vezes foram a pé ou de carro, mas de certeza que receberam por seus turno os seus próprios cheques gordos e abalaram de avião, para os seus países bem comportados do Norte.

Posto isto, todos estes debates no Parlamento, com o enfraquecimento da Oposição sobretudo devido à pose suave-"violenta" do inseguro Seguro(qual prato nº 33 de galinha "agri-doce" de restaurante chinês), acabam apenas por servir de entretenimento, com forte colaboração e gáudio das edições e selecções feitas pelos OCSocial, contribuindo para o enriquecimento não do debate político mas do anedotário nacional.

Salientaram-se as gaffes insensíveis do "fim da crise " do Ministro Álvaro, o "só por cima do meu cadáver" do ministro Crato e, num final de semana em grande, a questão da fruta para bebés da ministra Cristas.

Poderia haver alguma razão de parte a parte no debate, mas a forma como foi destacado o caso, não ficando nós a saber quais as medidas de fundo para reabilitar a nossa agricultura, só por exemplo, levam a crer que a indigência da política nacional já está a raiar, senão um "grau-zero" do ridículo, pelo menos um "grau-lactente" da relevância.

E mais, a questão do IVA a 23% que englobava também os problemas mais graves da restauração e da Cultura, ficou quase literalmente, abafada por PAPAS!

Assim, o deputado Tó Zé Seguro defendia que os boiões de papas de fruta para bebé não deveriam ver a taxa de IVA aumentada para os 23%, ao que a ministra Sãozinha Cristas retorquiu que em épocas de crise era bem mais saudável voltar a dar fruta natural às crianças, fruta taxada a 6%. Agora parece que o Tó Zé volta a insistir no não elevar do IVA das papas (ler:SEGURO DEFENDE MANUTENÇÃO DO IVA NA RESTAURAÇÃO ALIMENTAÇÃO PARA BEBÉS E CULTURA, in Público) e ficamos com a cabeça quase "em papas" só para saber como vai continuar a saga, e se vão ou não chamar uma equipa da Nestum e da Cérelac para escreverem um parecer, ou, à falta desses especialistas, uma equipa liderada por , sei lá, João Duque, pois até já deve ter tido filhos pequenos.

Foi sem dúvida o momento mais emocionante (bem, àparte aquele em que o ME disse que só por cima do seu cadáver aboliria a História e a Geografia das escolas-- hum, realmente, se morresse não poderia tomar depois essa medida... ah, mas punham lá outro não é? E um que não se importasse de ser iconoclasta e de profanar sepulturas! hug...Drácula a futuro ME?!), ver os jovens Tó Zé e Cristas em debate! O primeiro a arremessar à segunda um boião de papa, em gesto eloquente de "abstenção violenta" e a segunda a contra-atacar com uma maçã Golden reluzente.... talvez com a ajuda , ao estilo funda de David, de uma das gravatas que mandou retirar do seu Ministério! Não sei. Não vi o debate, mas deve ter sido exuberante.

Agora a sério: isto foi para infantilizar ainda mais a política portuguesa?

"Alergia" (19-11-2011)