(c) Margarida Alegria (Dezembro de 2012, b-d em 5 pranchas)
E aqui está a minha prenda de Natal (agora extensiva ao Ano Novo) para os meus leitores. Como repara muito bem o "Rafeiro perfumado", é uma promessa em atraso. Mas eu posso atrasar-me, porém procuro sempre cumprir as promessas...
Nem imaginam a saga paralela que foi criar esta Banda-desenhada... em CINCO pranchas, como podem ver! Nem vos digo , nem vos conto. Bem, ok. vou contar... Primeiro começou por ser um pequeno molhe de cartoons individuais. Depois passou a história unificada. Foi essa versão de "apenas" três páginas que eu tinha quase pronta (faltava passar a tinta, que já não é "pêra doce") no dia 23... No entanto novas ideias foram surgindo como cogumelos, numa espécie de síntese do ano de 2012 difícil por que Portugal e os portugueses passaram. Assim, com a correria de Natal, acabei por só poder repegar nos cartoons, para os completar, no dia 27 , fazendo as alterações e acrescentos em desenho. Depois só faltaria o passar a tinta e a publicação em post.
Pois sim. Devido à onda de BUR(R)OCRACIA oficial, patarata,sôfrega e geralmente desnecessária levada a cabo nos mais recentes anos e meses da nossa desgovernação,-- na ganância aflita de sorver indevidamente os tostões que restam aos pequenos cidadãos, para tapar e compensar os buracões abertos pelos amiguinhos "grandes" cidadãos impunes--, passei boa parte as horas livres que teria para o tranquilo completar da b-d e de novos posts a calcorrear as vias sinuosas desse mundo dos papéis, um mundo que aparentemente se tornou simplex mas só para receber dos contribuintes mas que cada vez mais se torna "complicadex" se for para lhes dar alguma coisa, ou para que estes desgraçados comprovem que não devem mais nada ao Estado-ladrão, outrora apelidado Estado-"pessoa de bem"!
Por isso, apenas ontem (dia 31) acabei de passar a tinta a última das pranchas , depois de tantas interrupções e, como podem calcular, foi fartinha destas cinco páginas, destes garotos e das suas tropelias que dei o último retoque! Já sabia tudo de cor e ao humor que tentei dar à "peça" juntava-se a minha raiva aos modelos inspiradores destas aqui inocentes criaturas!
Sim, pois apenas essa raiva ainda ajuda a conseguir extrair algum humor dos dias que correm, de todas as malfeitorias que vimos no ano de 2012 a serem praticadas no País e também no Mundo. Havia um cartoon da "Mafaldinha" onde um edifício das Finanças era associado a um espremedor de citrinos gigante, sentindo o pai da Mafalda "sumo de limão a correr nas veias". Imaginem por isso os "gags" que criei para esta historieta como uma espécie de retribuição: assim como neste ano (e no próximo...) nos andaram a espremer até ao tutano boa parte do que ganhámos e também poupanças suadas, espremi tudo o que pude do lado cómico das criaturinhas (nem as associo a seres humanos, à maioria delas!) de carne e osso que inspiraram este mundo paralelo do Clube do Pepê e da Companhia do Jejé. Não me sinto nem de longe "vingada", mas a amargura escondida sob cada sorriso que possa provocar é o "sumo" vital que merecemos espremer dessa pandilha.
Para mim, os verdadeiros "garotitos" desgovernantes não suscitam qualquer simpatia. Bem pelo contrário e sei que estou longe de ser a única que assim se sente. Evito ao máximo escutar e ver o mentiroso-mor que dirige a ópera-bufa, precocemente envelhecido pelos remorsos que terá de engolir todas as noites,de olhos descaídos e contraíndo os lábios, com o seu ar servil aos mercados( mercados que se vão rindo por o seu habilidoso plano de saque de nações correr tão bem, graças a tristes figurões como este) . No entanto, acabei, por força da insistência dos telejornais, por ver excertos da sua patética mensagem natalícia (da outra, do seu alter-ego do Facebook só li os relatos), onde surgiu cada vez de ar mais térreo e robotizado, sob camadas e camadas de maquilhagem para lhe disfarçar a "cara lavada" que já não consegue ter perante o País. Também não consigo suportar as falinhas mansas de vendedor -de-banha-da-cobra do inefável sempre-em-pé Relvoso, assim como já nem suportava a voz corneteira do Sócas, outro arrivista da mesma cepa. Quanto ao seu número "dois", ao contrário de alguns que com alguma ternura lhe gabam a "finesse de humor", também não suporto (nem nunca suportei) o sorrisinho sádico desse desgovernante do Erário Público, cada vez mais impiedoso xerife de Nottingham de saque aos nossos bolsos, com a sua pose de falsa eficiência e as suas enormes olheiras de alucinado. Dispensava bem a tal despesa enorme que alega que o país fez para o educar(???)-- a mentirosa agulhadazinha cínica no grande "gasto do Estado" nas áreas sociais, como a Educação, se bem repararem.... Se era para se tornar este tipo de "génio" de economia, de saber de gestão inferior a qualquer humilde merceeiro, então deveria ter ficado pelo Primeiro Ciclo e, quem sabe, ingressar aos dez anos por qualquer "ensino-dual" do seu tempo, um aprendiz de sapateiro, mas não de "feiticeiro", como se tem revelado. Nunca me inspirou simpatia, considerei sempre a sua lentidão a falar como fabricada e arrogante para com os portugueses uma paternalista concessão (do cimo da sua estrangeirada e snob pose ) perante os apelos "Marcélicos" para que fosse pedagógico (e não estava enganada: é vê-lo falar bem lesto com os seus amiguinhos dos mercados ou o seu mentor homólogo da Alemanha). Felizmente já deixou de iludir muitos mais.... Não tolero mais o outrora "enfant-terrible" do jornalismo e da política, que parece não ter entendido que o destino de Portugal ,que também lhe compete dirigir ,não é um brinquedo. Portugal não é como um jornal ou revista que se inicia, com que se brinca por desfastio e se encerra quando passou de moda. Que não venha mais com os seus apelos bacocos ao patriotismo em discursos grandiloquentes de bem estudada retórica, quando opta por andar em passeatas e calar quanto podia insurgir-se e agir contra aquilo de que diz discordar: essa máscara do provedor dos reformados já não cola, como os reformados vão notar no roubo oficial às suas pensões, neste ano que se inicia. É mais um agarrado ao belo prazer do Poder, como tantos outros. A única coisa que poderá continuar a branquear serão os seus dentes...E não tolero os "laterais", génios da Lâmpada que só põem o pé fora do aconchego dela quando têm as costas quentinhas: os Tonis Bórgias "Da Mânchúria" (ver post sobre o "candidato da Manchúria"), os "Ulrico-ricos" ´dos "aguenta aguenta", mas que não fosse a "crise" e suas benesses de "Nova Oportunidade" hoje não "aguentariam" as suas empresas da especulação...Não suporto, por fim, as Cavacais figuras mumificadas contempladoras de vaquinhas, figuras que deveriam ser o garante da democracia e da Constituição (a nossa Lei básica!), o último reduto para a população desvalida, mas que optam por assobiar para o lado e ver o tempo passar, à espera que ele , Tempo, seja o único "escultor" de todo o nosso Presente e do Futuro dos nossos desgraçados descendentes. "Figurões" que adiam toda a sua acção de justiça para futuros e patéticos volumes das Memórias. Outros secundários também andam a fazer asneira, mais ou menos conscientemente, embora com pose menos irritante. Mas pelo simples motivo de aceitarem colaborar nesta farsa de democracia, não deixam de ser responsáveis. Um deles até diz que a profissão de professor é "a mai' linda do mundo", mais vai prosseguindo com medidas que enviam cada vez mais docentes para o desemprego e leva o Ensino ao retrocesso. Não os vejo a demitir-se, ou a enfrentar os chefes, pois não?
Consegui colocar boa parte destas personagens no enredo do "Presépio-- quase-- vivo de Natal", nacionais e algumas internacionais. Quem acompanhou as principais notícias e "frases famosas" da política entenderá. É uma ínfima súmula. Pena que ficaram de fora umas tantas personagens, mais transnacionais, quais amibas informes, desde os já mencionados conselheiros "Bórgias" mensageiros da lei supra-nacional de empobrecer os 99% habitantes do planeta, passando pelos arrogantes Ulricos-agiotas sorvedores de ajudas públicas, aos Dias-desmemoriados dos Loureiros e outros membros das quadrilhas várias que nos assaltaram o érário público por décadas e décadas. Nem couberam os anteriores responsáveis públicos que agora ditam receitas, mas que auferem belas comissões dos cargos honorários e/ou vitalícios.Vá lá: consegui colocar o Jejé que não escapou ao castigo final de orelhas de burro. Vantagens da ficção: talvez um dia me dê para,simbolicamente, implodir esta "turminha" de garotos ignorantes, desenhando um reformatório tipo prisão para o Jejé e sua súcia, ou um Inferno sem fim para todos os outros, pelo que vejo andarem a causar em tanta gente inocente, gente que até aqui (sobre)vivia do seu trabalho honesto e que uns tantos arquitectaram apelidar de "perdulários" que viviam "acima das suas possibilidades", num mundo que não permitia nada melhor do que se submeter ás regras bancárias para quem queria ter o mínimo para a sua família e sua vida.
Nada como uma grande mentira a inspirar culpabilidade indevida em povos tradicionalmente católicos, educados para as penitências e a noção(a meu ver honrada, em geral) de peso de consciência que outros povos dispensam (a meu ver erradamente). Basta distorcer a origem do Mal: envenenando a consciência dos cidadãos para a ideia que o terem comprado uma casa a prestações ou um carro melhor era o "Pecado Original", deixam livre a porta de saída, até com passadeira vermelha, para quem andou verdadeiramente a endividar-nos em nome do Estado mas com fito no seu próprio aumento de pecúlio, agora guardado com zelo em "off-shores". Entretanto o povo vai pagando e empenhando o que tem e não tem, para o sorvedouro sem fim.
Na Escolinha de fantasia dos meus cartoons, estes meninos mal-comportados podem vir a ser reprovados e castigados. Na vida real, os castigados são outros, sempre os mesmos, conhecidos pelo epíteto de "mexilhão". Mas até quando?
Esta banda-desenhada foi, portanto, a catarse possível do ano de 2012, a minha homenagem camuflada a um povo sofredor, o português, como tantos outros neste momento, num Mundo que parece retroceder, quase derrotado pela iniquidade. Do outro lado do globo, por exemplo, vemos um filme parecido, neste momento: um presidente Obama que tenta negociar um aumento de impostos aos ricos para evitar os cortes em... em quê, adivinhem lá? Nas áreas sociais, pois está claro!
Cada vez mais cresce a sensação que o La Frieira ou o homólogo La Féria são apenas humildes encenadores de palco, perante um Teatro bem maior e Internacional onde somos figurantes: uma peça obscena e arrepiante, de destruição de Direitos Humanos e sociais, centrada no Tema não do Deus-criança, mas do Deus -Dinheiro... uma peça escrita nos bastidores por autores que se pretendem obscuros, os poucos que vão lucrar com todos os anos que conseguirem que a peça esteja em cena...
Até quando, volto a perguntar?
(Margarida Alegria, 1 de Janeiro de 2013)
NOTA: Podem ver que o espírito de Ano Novo não é o melhor. Mas ainda acredito que melhores tempos virão. Quanto a posts, tenho o tal dos mirabolantes últimos.... três meses do ano 2012 e seus sinistros protagonistas. Pois bem, vai passar a ser o Post da "Revista" do ano, porquanto o quanto lhes fui acrescentando e acrescentando os eventos, à medida que o ia reescrevendo e esperando por poder publicar. Só terei de alterar um pouco o título... Mas entretanto dou tempo para que possam digerir este aqui.
Por falar: vou concorrer ao novo (2ª edição) conrcurso de Blogues do Aventar 2012, na CATEGORIA HUMOR /SÁTIRA e ainda numa outra que não decidi (provavelmente na de "Actualidade política-blog individual"). Depois aviso, assim como quando começarem as votações, se quiserem fazer o favor de votar no "Alegrias e Alergias". Farei um post especial de propaganda,daqueles muito ufanos ("votem em mim"...ai a auto-propaganda, que mal, que feio!... venham, anónimos rancorosos, divertir-me ! eheheh!...) coisa e tal... já sabem! ;)
E mais uma vez... BOM ANO!
ADENDA (para quem não conhecia o blog): quem quiser visitar os restantes cartoons e bandas-desenhadas do "Alegrias e Alergias " ou clica na etiqueta "Cartoons" em baixo de um dos posts que a contenha (à etiqueta) ou vai ao menú "Etiquetas", na coluna da direita do blog, repara na quantidade de posts que existem com "Cartoons" , clica na palavra e vai dar à lista de posts respectivos. A maioria dos cartoons publicados são meus. Mas atenção... para recuar e ver TODOS esses posts, não esquecer de ir clicando em "Mensagem mais antiga" (sob o último post da lista, canto inferior direito) e ver todos que fazem parte da lista.
Quanto aos separadores (em cima) "Outros Cartoons da Alegria" e "Jejé e companhia": são arquivos de cartoons diversos ou desta série "Jejé", mas publicados noutras bandas (Facebook e/ou outros blogues). Lá é explicado. Essas páginas já estão mais completas, neste momento, mas ainda estão em construção...





