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terça-feira, 9 de abril de 2013

Os birrentos e a decisão do Tribunal Constitucional


fotos (c) Margarida Alegria (2-3-2013, Porto)
E pronto. Já aí está a vingançazinha dos meninos birrentos do governo e seus satélites, depois de terem estado  a afiar as facas e a chorar baba e ranho no fim-de-semana (nem os acalmaram serem assoados pelo grande  e alvo lenço do comentador da sua ala política, Marcelo Rebelo de Sousa, que  lhes explicou que uma medida do TC tinha de ser acatada, paciência), depois do Tribunal Constitucional(TC) ter declarado anticonstitucionais (o que todos menos esses meninos já previam) várias medidas constantes no Orçamento de Estado para 2013. Nomeadamente, o corte do subsídio de férias dos funcionários públicos (que, lembro, não é um bónus para além dos 12 salários, mas uma compensação para os magros salários praticados e para o facto de não serem pagos semanalmente), a medida que o TC tinha deixado passar no orçamento do ano passado, só porque o ano já ia avançado; o corte desse subsídio aos reformados e pensionistas ; e, talvez a medida mais torpe de todas, a taxa extra sobre os ("luxuosos", se calhar...) subsidios de desemprego e de doença.  Faço minhas as palavras requintadas de João Quadros e Bruno Nogueira no programa de humor de hoje do Tubo de Ensaio. (na mouche!) na rádio TSF.
Pois bem, hoje passou o período de curto luto desses inqualificáveis revanchistas e anti-democráticos políticos pela decisão do TC. Um luto muito agitado diga-se, que mais lembrava um funeral cigano, com carpideiras a preceito que, em vez de se vestirem de negro e rasgarem os xailes, vestiam fato e gravata e bradavam nas TVs contra o TC e mostravam gráficos e quadros do que se devia agora cortar . Leia-se: do que se devia cortar no Estado social,  isto é, Saúde, Educação, Segurança social, ai que coincidência! Já nas PPPs e Rendas imensas das empresas de fornecimento de energia, nas Consultadorias para pensar pelos  Ministérios, nos Institutos quase fantasma,nos "Observatórios" para cada treta e nos subsídios a Fundações privadas?? nem pensar!.
Os portugueses conseguiam ouvir de suas casas, mesmo com TVs desligadas, a gritaria desses arautos do neoliberalismo austeritário, quer os de cá quer os de Bruxelas ou de Berlim, já muito aflitos e também chantagistas,  dessas carpideiras do "custe o que custar" a bater no peito e a rasgar as vestes:
-Aiiiiiiiiiiiaiiaiaiaiiaiaiaiii! Minha mãeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Ai que mataram o meu paiiiiiiiii Orçamentoooooooooo!
-Aiiiiiiiii que agora  estamos com os calores e à falta de leque vamos é pegar naquele relatório do FMI, aquele cheio de erros e dados manipulados e desatualizados e que já estava no lixo e vamos abanar-nos com isto! Aiiiiiiiiiiii meu irmão Gaspar, meu irmão Coelho, que ficaram órfãos do Pai orçamento!!! Ai que ele ia bater mais e mais nos portugueses e  até podia  ser ilegal e estar cheio de erros e contas mal feitas, mas era o Orçamento dos Orçamentos! Que importa se ia matar  e arruinar mais portugueses? aiiiii que estava tudo a ir tão bem! tantas empresas mais a fechar, coisas tão lindas e perfeitas, tanto "minino" boy a arranjar tacho junto dos ministérios!
E lá distante os ventos traziam mais lamentos bem audíveis:
-Aiiiiiiiiiiii Ke Portugal vai desobedecerrrrrrrrr à austeritaaaaaaaT! Aiiiiiiii Meu Deus, a minha vida e carreiraaaaaa, a minha avó eleiçãozinhaaaaaaa aqui no meu país, que era tão kerrrrrida!!! Aiiiiiiii...
-Aiiiiiiii que Portugal não vaiiiiiiiiii querer continuar a ser tão sangradiiiiiiinho como era! Aiiiiiiii, minha mãe lagarde, que isto nãooooo se faz, nós tão keriiiidos e tão compreensivos para os bons alunos e cheios de pena e de lágrimas de crocodilo pelos desempregados portugueses! Aiiiiiiiiiiiiiiiiaiaiiaiaiaiia!
Passado o funeral e sacudida a última lágrima, o maior órfão do Pai Orçamento Inconstitucional de Estado 2013, o menino Vítor Gaspar, tomou uma resolução. Depois de acender uma vela e rezar pela alma da mais recente santa Margaret, pedindo assim inspiração a essa padroeira da Austeridade,-- protectora dos sem-abrigo do Reino Unido, ontem falecida e já canonizada no templo  de Bruxelas (mesmo que fosse contra a União Europeia)-- fechou-se no gabinete e, ao fim de escassas horas, ao contrário do sucedido no Vaticano, saiu da  chaminé vingativa  da sua caneta um espesso fumo negro de decisão tomada. Negro de mais morte e de mais destruição: redigira e assinara um despacho.
 O que ordena no despacho? O bloqueio,isto é, o congelamento,  com mínimas excepções (  o pagamento de salários, o custear de actos jurídicos e de casos já em processamento) , das despesas correntes  dos ministérios (já tão esmifradas), sem autorização prévia do Ministro das Finanças. Dele e apenas dele, o Todo-Poderoso e dono da razão!
( Bem, mas afinal não estava tudo a ir por bom rumo e a " correr como previsto", nao fora o acordao do TC? Como previsto para quê? para quem? E congelar os gastos dos ministérios por causa de um chumbo que iria apenas contribuir com um 0,5 % do PIB? As dúvidas são legítimas)
Em poucas horas e de entre as várias reacções, o   presidente dos Reitores, António Nóvoa, já veio dizer que isso pode "congelar" por completo o futuro das Universidades ( laboratórios, papel, comida nas cantinas), o Bastonário da Ordem dos Médicos já responsabilizou o Ministro das Finanças, caso venham a morrer doentes nos hospitais, fruto desta medida ciclópica (mesmo que em tom suave, pedindo bom senso e que o governo terá de escolher entre manter vivos os portugueses ou renegociar o Memorando com a Troika). Para já, mesmo antes desta medida, já se tinha a notícia de que a vacina do BCG para as crianças estava esgotada e indisponível... Se agora o refornecimento estiver pendente da assinatura do maquiavélico Gaspar, o que sucederá?
Nem há mais palavras! Não escutam ninguém, estão cegos de fanatismo austeritário, o que cada vez mais aumenta a convicção de alguns de que fazem isto não porque acreditem piamente que vão salvar Portugal com estas medidas, mas porque estão completamente subservientes aos que servem de  verdade: os que querem arruinar os países mais pobres da Europa, para assim conseguirem mais proveitos para os que estão a enriquecer com esta "Crise".
Tanta estupidez, tanta cegueira, tanto fanatismo, já perdeu toda a tolerância da maioria dos portugueses.
No passado dia 2 de Março, por entre os muitos cartazes  de manifestantes que se destacavam e alguns que fotografei, estava o que vemos acima, a explicar a Gaspar o que era isso do Bom Povo Português: "Somos ordeiros,não somos  cordeiros - Chega de sacrifícios!".
Entendam: o povo é tolerante e calmo, mas não quer ser levado para um matadouro que não serve a ninguém (só aos que lucram do costume, os "intocáveis" do sistema financeiro e político e mesmo assim, no médio e longo prazos, até esses perderão).
Para o Gaspar, havia um cartaz apropriado, adequado a quem já só vê os seus modelos e está fora da realidade, quem se injecta de teorias económicas suicidas, delira em "trips" de despachos vários, sentindo-se todo-poderoso, um cartaz que agora se começa a entender melhor:
(c) Margarida Alegria (2-3-2013, Porto)

Às tantas... quem sabe ? :(

Margarida Alegria ( 9 de Abril de 2013, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Futuro ("à moda das Bestas")... está já aí... :((

(uma foto, colhida por aí, das manifestações "Occupy Wallstreet)
Nunca me preocupara muito com essa coisa de  vivermos num tipo de "sociedade capitalista". Sempre tive a noção que, mal ou bem, sempre precisámos de dinheiro ou algum sistema de troca, para a sociedade funcionar. O dinheiro não será um mal em si. Dos tempos de Escola. aprendi que a sociedade Ocidental a que pertencemos fez uma longa caminhada dos tempos dos castelos isolados para o da vida em cidades, com uma maior abertura social e comercial, com toda a complexidade que isso acarretou. Aprendi que passámos dos tempos mais obscuros do Feudalismo, dos suseranos todo-poderosos e dos seus servos da gleba semi-escravos, para o Capitalismo, com a afirmação de uma nova classe intermédia centrada no valor do trabalho e das trocas comerciais. Sim, a tal burguesia. E assim estávamos há uns séculos, com novas classes intermédias de transição, como a alta-burguesia, a pequena burguesia... Não era um sistema ideal, mas dentro de alguns parâmetros de decência  dos ideais posteriores da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade,Fraternidade) e com o desenvolvimento da ideia de Estado Social, que sobrecarregava de impostos mas em troca de melhores condições para todos--- Saúde, Educação, segurança social, estradas e transpostes públicos--. podia ser um sistema equilibrado, quando reforçado pelo sistema político chamado democracia. Pelo mundo fora, quanto menos democrata fosse um regime, pior era a qualidade de vida desse país.
Recentemente, alguns países como a China vieram inverter (e perverter) essas noções: oos chineses descobriram que podiam aliar capitalismo e desenvolvimento económico à continuação de um regime sem liberdade, totalitário.
Ora isso veio mexer com muitas cabecinhas "mal formadas" do Ociedente, ora pactuando com esses regimes e deslocalizando para lá empresas em troca de trabalho escravo (os servos da gleba actuais, amarrados não aos campos ,mas às fábricas), ora defendendo a ideia que o Estado Social Europeu e dos países mais desenvolvidos é "perdulário", "gordo", etc... e que os trabalhadores é que pesam nos custos das empresas e atrasam o desenvolvimemto e a riqueza (uma grande mentira propagada por "especialistas" patetas, portanto). O que  se pensarmos bem corresponde à velha história do homem que achava que o burro que lhe carregava as mercadorias é que era caro pelo que comia, deixou de lhe dar de comer, o burro morreu e ficou sem burro para os carregamentos. Gente mais estúpida não pode haver, mas continuam com largas horas de antena nas TVs e jornais.
Por outro lado, já que o trabalho deixou de ser um  valor em si, proliferaram os que enriquecem sem ser pelo trabalho, artificialmente, nas Bolsas de Valores e Internets. Que se arrogam credores de empresas que nem sabem o que fabricam ou cujos trabalhadores nunca conheceram, ou que fabricam  produtos que nem compram no dia -a-dia.
Isto para comentar o cartaz do idoso acima: o capitalismo, na busca doentia do lucro de uns poucos por desprezo ao bem-estar da maioria, realmente deixou de FUNCIONAR. Está caduco, corrupto e só está a levar ao empobrecimento dos seres humanos e à quebra da qualidade de vida. E não... não eram os custos sociais que "pesavam". Todos vemos e sabemos que o tal "Não há dinheiro" (PIM!) é uma frase falsa e demagoga: o dinheiro existe, não foge por frinchas do chão, está é cada vez mais concentrado em poucas mãos e , o que ainda é pior, tem ido parar às mãos de pessoas que não sabem o que é trabalho, nem o que são dificuldades, o que é viver do seu salário honesto.E que multiplicam o dinheiro real dos outros em dinheiro virtual que vai para os seus cofres. Há dinheiro, mas na mão de BESTAS, em suma.
Perguntei há tempos à  "minha" cabeleireira, mulher esperta e perspicaz, se sentia muito a quebra de clientes, por tantas professoras e outras pessoas que usavam os seus serviços terem passado a poupar nas idas mensais ao seu salão.  Respondeu-me, com sabedoria: sim, havia as clientes semanais que passaram a mensais, as mensais que passaram a ir raramente...mas por outro lado "havia aquelas a quem as crises passam sempre por baixo" e ainda (reparem bem) aquelas que passaram a ter muito dinheiro para gastar em cabeleireiros e não só. POIS... o dinheiro não se evola no ar, vai para algum bolso. Se o dinheiro não andasse assim a mudar de mãos, sob os "panos",  não existiriam crises.
Com tal iniquidade instalada e reforçada por governos ignorantes, cobardes, quando não cúmplices dessas jogadas, o pleno instala-se e há que tirar o pouco que muitos têm, nem que seja espezinhando-lhes os direitos.
Pois sim, em Portugal, país modesto e pacato mas de gente trabalhadora, está a levar-se para a frente essa destruição da Democracia, esse limitar da Liberdade de todos, o substituir da Igualdade pelo falso Mérito a disfarçar desigualdades e o fim da Fraternidade, substituida pelo Assistencialismo de um "favor" que se faz e não dos direitos Humanos e sociais que todos devem ter.
Portanto, o Capitalismo continua, desta vez em mau funcionamento porque se tornou "Selvagem" e sem leis que não só a do vale tudo para obter lucros. E o que é mais curioso é que se aliou a um regresso de um tipo de Feudalismo novo (as organizações sindicais não exageram ao chamar-lhe isso, como os "analistas" dizem!), com uma mão-cheia de suseranos que agora são grandes empresas todo-poderosas e os servos  da gleba mal pagos nos seus ofícios, mais ou menos qualificados, no que falsamente chamam de lei  de  oferta e procura do Mercado.
Faço aqui o balanço de algumas notícias recentes, todas dos quatro primeiros dias desta semana! E são apenas algumas dessas revoltantes notícias... (clicar nos títulos para ler o que elas dizem, nos jornais).
Ora espreitem e pensem:

"Novo código do Trabalho entra hoje em vigor" (ontem, "Diário Económico "dia 1-8-2012)
" O bê-a-bá do novo Código de Trabalho" (agência Financeira, 1-8-2012)
E lemos ainda  sobre outra "bela" promulgação, que, não se sabe como, tantos os Troikas como os  nativos seguidores alegam ser uma das medidas "fundamentais" para dinamizar o País e ajudar a pagarmos as dívidas  aos Mercados e  corrigir o défice (?!?!):
 Pois. Vai ser outra "fonte de riqueza" para uns, enquanto o país cumpre o objectivo de empobrecer "custe o que custar", ao permitir a hipótese de despejar até os inquilinos mais  idosos. Reparem neste excerto:
"Uma nota publicada no portal da Internet da Presidência da República diz que Cavaco Silva decidiu promulgar o diploma depois de o Governo ter dado publicamente garantias de que vai “assegurar a estabilidade contratual e a proteção social” dos arrendatários em situação mais vulnerável. A lei agora promulgada prevê a atualização das rendas mais antigas, incidindo nos contratos celebrados antes de 1990, e deverá afetar cerca de 255 mil contratos de arrendamento, segundo os dados que constam do Census 2011 do INE."
Daí os próprios jornais ironizarem, como faz Pedro Carvalho, no Diário Económico:
Recomendo a leitura de todo o artigo, mas deixo aqui em excerto uma amostra da gravidade desta promulgação(os sublinhados  a negrito são meus):
"O grande problema desta nova lei é que prevê um período transitório de cinco anos que protege os idosos, deficientes e carenciados, ou seja, a maior parte dos inquilinos que beneficiam de rendas congeladas. Passando estes cinco anos, ninguém sabe o que vai acontecer a estes inquilinos quando forem obrigados a pagar pelo arrendamento o valor de mercado, ou quando forem despejados das suas habitações.
A ministra terá dado a Cavaco garantias de que o Governo assegurará a protecção social dessas pessoas daqui a cinco anos e o Presidente da República, com base nessa "garantia", promulgou o diploma."

Traduzindo, essa parte da lei ainda não está decidida nem regulamentada. O habitual. Fica ao sabor da onda do Futuro.

Daí a cinco anos já Cavaco está a cuidar dos bisnetos na Quinta da Coelha (ou outra melhor que arranjar entretanto, como idoso muito poupado ao longo da vida que é e  foi e assim não sujeito às agruras desses gastadores que andaram  a viver "à-pala" dos outros e do Estado em tugúrios de rendas baixas congeladas). E a Ministra estará em novos voos do seu currículo, numa qualquer  Grande Empresa Público-privada agora sob alçada de medidas suas . Vejamos: pela simpatia que parece ter pela EDP, na tibieza  e  na ausência de amor ao património Natural reveladas no vergonhoso caso que opõe os ambientalistas e Unesco à EDP e a construção da Barragem de Foz-Tua, paisagem ímpar, parece-me que optará por algum lugar de  administradora (não -executiva) pela empresa do sr. Mexia e do sr. Catroga.
Os velhinhos e deficientes, esses, terão de passar por um duro crivo de comprovação oficial  da sua pobreza e serão deixados aos ventos dinâmicos e inesperados das leis do Mercado. Ou talvez não. Se confiarmos na palavra e promessas sempre seguras destes governantes.(cof cof!...)
Por estes dias já estamos a ver os resultados destes cortes desvairados (Não falo aqui no que se passou ontem com os dados de professores que graças a manobras sádicas do MEC vão para a Mobilidade,  assunto que deixo para outro post):
Não, não foi nenhum acaso infeliz. As regras de "austeridade" levaram o Ministério da Saúde  a obrigar ao racionamento os horários para os utentes, em muitas localidades país fora. O de Castanheira de Pêra, em vez de encerrar às 20h, como dantes, passou a fechar às 18h. Leiam a notícia(que é incompleta em relação à versão papel ou do Público para assinantes), mas noutra fonte pesquisei o seguinte:o senhor ter-se-á sentido mal, acorreu ao Centro no seu próprio carro, mas terá chegado uns minutos depois da hora...Foi encontrado já sem vida, dentro do automóvel.  Acrescente-se que  não é a primeira vez que se perde uma vida por ali, nos últimos dias, tendo os bombeiros acudido a alguém  que vivia no centro da vila. já tarde demais.
Revolta, sente o cidadão minimamente racional e sensível. Já o Ministro da Saúde deverá ter encolhido os ombros e rezado um terço por alma dos dois infelizes(ou até uma novena, pois dizem que no fundo é bom rapaz). Um outro governante mais acima da hierarquia até nos chamará de piegas por falarmos deste caso de puro azar. Pois é...quem mandou ao homenzinho viver numa terreola como Castanheira de Pêra ou outras das centenas condenadas a voltar à pobreza e desertificação? Quem lhe mandou sentir-se mal àquela hora e não  dentro do horário? Portugueses "bandalhos" e incumpridores!  Sentiu-se mal "acima das suas possiblilidades", pensou que a Saúde que os impostos que todos pagam era igual para todos, mas não.
 A ARS decidira que depois das 18h não compensava ter médicos ou sequer paramédicos naquele CS. O homem foi perdulário e... não deve ter entendido o sentido patriótico do sacrifício nacional. Em troca, foi ele um dos  milhares ou milhões de cordeiros imolados no Sacrifício ao deus-dinheiro, mas isso já não interessa a quem decide estas coisas.
Ficamos também a saber que, ao contrário do Sol, a Austeridade  dos últimos anos quando nasceu não foi para todos:

(Já nem  falo dos outros dos escândalos de os cortes dos subsídios da Função Pública não foi aplicada a todos...)
E de entre estes Turbo-gestores, salienta-se um  caso:

O mais curioso é que o cavalheiro em questão "desvaloriza o assunto" (pois, para ele ganhar mais ou menos uns milhares não faz diferença...) e  alega até desconhecer essa totalidade de cargos(!!!), que isso resulta de ser accionista nessas empresas.
Não venham dizer que estas notícias são movidas pela Inveja lusa. O que isto escandaliza é pelo desequilíbrio social, a falta-de-vergonha na cara e o sabermos que nem um génio da Lâmpada poderia gerir bem todas essas empresas. Enquanto isso, tantos licenciados e doutorados que se vêem obrigados a emigrar neste país ingrato, nação madrasta para a maioria...
No entanto, com alguma consciência de Justiça social e equidade, poderiamos ter algumas realidades resolvidas de outro modo. Vejam um exemplo:

"Apoio social- Rede Europeia Anti-Pobreza quer casas para sem-abrigo
Aos mais pobres e aos sem-abrigo deveria ser permitido ocupar edifícios devolutos que, com "um pouco de vontade política", poderia abrigar milhões de pessoas. Os Estados poderiam ainda aumentar os impostos sobre estes imóveis para terem uma fonte de receita, propõe a Rede Europeia Amti-Pobreza, no 11º Encontro Europeu de Pessoas em Situação de Pobreza que decorreu em Bruxelas, na Bélgica. "
(Público. 31-7-2012- texto completo)

 Transcrevi a notícia completa  e breve da versão em papel. Mas para saber mais, procurar online aqui:


Ai... isso seria promover os "okupas" e tal... Pois. É preferível ter  as casas entaipadas  e a cair e entregues à delinquência , à bicharada e ao risco de incêndios. No tal país onde assim se prefere a arrendar casas ou restaurá-las. Era preciso mudar as leis e serem mais arrojadas e coisa e tal... Não vi regras criadas para a penalização dos donos de casas devolutas, na nova lei das rendas. Mas posso estar enganada.
Isto são ideias de "perigosos anarcas"... ou e "comunistas"... Enfim, depois admirem-se com o ressurgir dos extremismos Europa fora. Está mais que estudado que sempre que aumenta o equilíbrio de direitos sociais e de bem -estar da sociedade, os "comunismos" e  extremismos diminuem nos países que assim  se desenvolvem.
Os nosso indigentes (em destreza cultural e sensibilidade) desgovernantes, pelo contrário, optaram pelo regresso ao Feudalismo. Mas o  novíssimo "Feudo-capitalismo", claro, pois  no fundo a vida é uma constante espiral de continuidade... no retrocesso.
(no entanto penso que há pormenores dos tempos feudais que não gostariam de ver ser-lhes aplicados um dia  a eles, pois não? Como nos casos do que os povos, após as guerras, faziam aos "personagens" autores   de traições...)
Margarida Alegria (2-8-2012. in blog "Alegrias e Alergias")
Nota: este post devia ter saído ontem, dia 2 de Agosto, mas o editor do Blogger portou-se mal..

domingo, 8 de julho de 2012

Só sabe cortar na Educação e na Saúde, sr.Passinhos?- Passos Coelho exijo uma resposta.... JÁ!


(do canal Pedro Frias TV-"Passos Coelho exijo uma resposta... JÁ!")

Recomendo o visionamento,VIVAMENTE!
Coloca  vários dedos na ferida  "Fundações".
Para que não venha  o nosso suposto Primeiro Qualquercoisa  dizer que ao não poder cortar/roubar  nos subsídios   da  Função  Pública, terá de fazer mais cortes na Educação e na Saúde, tentando assim acirrar portugueses  mal informados contra os funcionários .É inadmissível da parte de um senhor que tanto fala na necessidade de união e de sacrifício de TODOS os portugueses.
Pedro Frias não teve meias palavras e fez uma bela pequisa, NUM dos capítulos apenas em que se devia realmente cortar financiamentos. Mas  claro que isso seria  para uma governação inteligente   e corajosa  e  não  para  uma  fanática  e armada em forte contra os mais fracos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Amêndoas amargas de Páscoa 2: "2015"... disse ele!




(Entrevista à Rádio Renascença-excertos-, 5 de Abril de 2012: Súbsídios de Natal e de Férias)

Bem, do teor desta entrevista já aqui falei no post anterior. Publico aqui para o novo malabarismo ficar para a posteridade.

Foi nela que Passos Coelho deu mais uma vez o dito por não dito, deixando o resto para ser justificado pelo seu ministro das Finanças.

Outra razão pela a qual publico o video é para deixarem de parte, num segundo visionamento, a parte que afinal pouco interessa, pois HOJE é uma coisa e AMANHÃ é outra, ao estilo dos bons manipuladores e mistificadores. Refiro-me à parte das PALAVRAS. Muita gente há aí que num momento promete uma coisa para pouco depois faltar à promessa e trair. Não valorizam as palavras que dizem ou ouvem, só para as distorcerem, eventualmente.

Em vez das palavras, num segundo visionamento,observem como eu fiz a parte da linguagem gestual. Aqui é bastante contida, mas em outros excertos o nosso Primeiro coçava a cana do nariz enquanto falava(aqui, não está esse bocado)o que dizem é sinal que não se está muito seguro do que se diz, que se está a aldrabar.

SIM! Vamos fazer de conta que somos daqueles observadores de comportamentos como os investigadores das séries, por exemplo "LIE TO ME". Conhecem?

Só com mais estudos poderiamos estudar os movimentos das mãos enquanto fala,em tom "fatiado", sobre a tal camada de portugueses que está a empobrecer. O abrir e fechar dos dedos, para um especialista, também teria o seu quê de eloquente.Não me arrisco, por puro amadorismo. Mas pelo menos há um gesto mais que famoso e que é usado precisamente após uma das jornalistas lhe perguntar se poderia pagar os subsídios ao longo dos meses do ano, aos poucos. Passos Coelho responde que talvez, que será possível pensar em tal,mas, ao mesmo tempo,( REPAREM NOS DEDOS! ) RODA A ALIANÇA em volta do dedo anelar. Sabem o que tal significa, segundo os especialistas? Que há hipótese de traição, dúvidas no casamento, por exemplo!

Eu leio isso como uma nova e possível traição futura que no fundo conta praticar, contra a sua ALIANÇA com os PAÍS. Faz todo o sentido, naquele exacto momento em que executa o gesto e com as palavras que profere, não concordam?!

Uma outra hipótese mais prosaica é de que... a senhora Passos Coelho se deve precaver....mas nada impede que sejam ambas as "inverdades", pois não?

Portanto, estejam de olho a próximas entrevistas. Como elas têm sido ao ritmo de uma por semana (hoje houve outra quase despercebida), não faltarão muitas para treinarmos! Mesmo que tenhamos de emigrar, teremos mais hipóteses de trabalho e de virmos a ser uns bons CSIs! ;)

NOTA: por falar em expressões, reparem no ar de gozo com que as duas jornalistas vão escutando mais este chorrilho de desculpas de mau pagador do PM...há um misto de desdém para com mais um fabricante de "in-verdades" e de condescendência para com um miúdo que não conhece a realidade dura do país a quem atira novas medidas cruas a cada minuto. E mais uma dessas medidas foi andar a decidir em Conselho de Ministros às escondidas do País, aquela do congelamento das reformas antecipadas... mas isso fica para outro post. O que usa para justificar tal obscenidade em democracia não tem pés nem cabeça....


"Alergia" (10-4-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Anti-AO: e a bola de neve cresce e cresce! ;)

(cães "bola-de-neve"- escolhi a imagem porque a achei digna de divulgação! :)))

A "Bola de neve" anti-AO continua a rolar! :))
Como já o desejava neste Post AQUI, uns e outros , nos vários pontos de Portugal e do mundo da CPLP, vão saindo da casca para criticar a viva voz o rocambolesco "Novo" Acordo Ortográfico '90.

Primeiro, nos anos mais recentes, restavam vozes isoladas, destacando-se a luta legislativa e corajosa de João Pedro Graça e da sua ILC contra o AO. Havia petições a correr online, olimpicamente ignoradas pelos governantes (incluindo deputados). Havia a resistência do jornal Público e de outras publicações, não adoptando a nova grafia, que lembremos, ainda não é lei de facto, não tendo sido o AO, lembremos também, assinado por todos os países da CPLP. Mas o resto definhava: numa estranha metáfora do que se passa a nível de quase toda a (ausência de) resistência geral no país, as pessoas lá se iam conformando, encolhendo os ombros, "ai enfim, ELES é que mandam... que é que havemos de fazer...?". Mais revoltante era a forma como tantos professores, especialmente de Português, já se submetiam e até tentavam convencer os outros da bondade do AO, com comparações que nada têm de semelhante com o "ph" de "Pharmacia" abolido pelo acordo de 1947! Eu sei que a grande pressão que sofremos com a ameaça da aplicação do AO em exames estava pendente, mas foi incrível e vergonhosa a forma subserviente como a chamada Associação de Professores de Português, aliás dirigida por alguém que não cursou Poetuguês na Faculdade, se curvou perante o AO, quase desde o início da polémica. E quando falo na ausência de acção de muitos professores de Português, refiro-me ao não partirem deles, tantas vezes, os protestos escritos e abaixo-assinados. Deveria ter surgido uma recusa conjunta em aplicar o AO, no meio de tanta indefinição ( tanto da situação como sobretudo das incongruências linguísticas geradas pelo novo AO)...

Após a pedrada no charco da medida rebelde de Vasco Graça Moura (LER AQUI)no Centro Cultural de Belém a que passou a presidir (aqui também noticiado), a bola de neve recomeçou a rolar: seguiu-se a Faculdade de Letras de Lisboa a retirar também o conversor ortográfico dos seus computadores. Mais tarde um jornal angolano e outro em Macau vieram posicionar-se ostensivamente contra o AO. *

Há dias a própria Academia de Ciências (AC)se pronunciou(não encontro agora a reportagem da tv). Academia essa cujo dirigente (?), o português Malaca Casteleiro foi, juntamente com o já falecido linguista brasileiro Houaiss, o principal criador deste atamancado Acordo, sendo que a versão original de 1990, depois corrigida face às maiores críticas, incluia aquela ideia peregrina de acabar com os acentos nas palavras exdrúxulas (lembram-se?! Pois. O certo é que o estrago estava feito... ainda hoje muita boa gente pensa que o AO serve para "acabar com os acentos-- leia-se TODOS!-- das palavras).

O que disse agora a AC, pela voz de outro seu membro? Que a imposição do AO feita na resolução da Assembleia e pelo Governo socretino não deveria ter ido para a frente, pois os governantes nem sequer consultaram a AC sobre a urgência de generalizar a aplicação da AO. Que a própria AC se admirara com tanta pressa dessa imposição pela via política....(!!!) Ou seja, chego à conclusão que o nosso azar nacional foi o senhor M. Casteleiro ter andado tão entusiasmado a visitar o Brasil, talvez ourado pelos encantos tropical, nos idos anos 90, trazendo em troca, no bolso, o famigerado AO! ...:P

Agora temos um novo paladino, desta vez na área das leis, o que nos deixa mais esperançosos, pois são os juristas que têm uma substancial parte do poder em Portugal. Noticia de hoje, no Público:




Diz que a nova Ortografia fere a Constituição da República e que "uma língua não se muda por decreto.". Apresentou, por isso, uma queixa na Provedoria de Justiça.

O novo paladino chama-se Ivo Miguel Barroso e é professor de Direito na FDUL.

Continuemos portanto a fazer o que está ao nosso alcance e esperemos que mais organismos e individualidades de destaque tomem posição contra o absurdo AO- Ver a sintese da situação nesta notícia AQUI-- (pois infelizmente é o que ajuda um protesto como este a ter maior impacto, num país tão mal informado e ainda tão conformado).

E que a bola de neve seja como aqueles dois cães a escoltar alegremente o AO para fora dos textos do Português! ;)

"Alergia" (13-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias").
* Obrigada, Ana C.!

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ADENDAS, em 14-2-2012 (para quem ainda não estiver convencido sobre a argumentação Anti-AO). Os destaques a negro são meus:

- Retirado da excelente crónica de Nuno Pacheco, do Público de ontem, dia 13:

Excertos do longo editorial do "Jornal de Angola"-- "Sabemos que somos falantes de ums Língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular.Do "português tabeliónico" aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades."

"Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula."

"O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é "contaminada" pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o Português seja uma língua de trabalho da ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras."

- De Paulo Franchetti, critico literário, escritor e professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Brasil), em entrevista ao blogue "Tantas páginas"-- "O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente mal feito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos talvez dcorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras)"; e " A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo , agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de de grafias duplas permite inclusive a criação de híbridos"; E ainda "Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita do material didáctico adquirido pelas famílias, adequação dos programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas."

Também no Diário de Notícias de 13 de Fevereiro (em papel), foi publicado um artigo de opinião conjunto dos professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, José de Faria Costa e Francisco Ferreira de Almeida, que apresenta a argumentação jurídica contra a adopção do novo AO( talvez demasiado jurídico para os "leigos", com termos rebuscados da jurisprudência como "postergar normas cosntantes","se justifica,quanto antes sobrestar na decisão". Infelizmente não há versão online, mas retiro apenas umas passagens pequenas: "A língua deve ser olhada e valorada como um território de tendencial espaço livre de direito"; e "Com o Acordo Ortográfico, Portugal , acometido de um juridiciante voluntarismo excessivo, tristemente capitulou perante um patente abastardamento da língua portuguesa, coonestando, à guisa de autoflagelação, uma arremetida contra importante vertente do seu riquíssimo -- velho, de quase nove séculos -- património histórico e cultural."

"Autoflagelação" é um termo adequado: até parece que devemos ter vergonha de a nossa ortografia ser mais "antiquada" ou "menos moderna", expressão tão acarinhada políticos como Sócrates, um dos principais responsáveis por esta apressada implementação do AO na Administração , nos escritos, nas escolas.... Mais uma trapalhada socretina que urge desfazer. Ou vão, como em tantas outras políticas erradas desse senhor, dar o triste facto como consumado e não mexer? Se é para poupar dinheiro, mais vale não estar agora a inventar uma nova estrutura de Administração local, dando cabo das Comissões de Coordenação (CCDRs) e Freguesias, armados em "aprendizes de feiticeiro" de realidades que não dominam (para "cortar gorduras"... inventaram MAIS UM INSTITUTO Público, o do "Território"?! Pois...). Parar o Disparate Ortográfico sairá bem mais barato ao país que isso. E sobretudo será um gesto de identidade Cultural para toda a CPLP. Senhor Secretário de Estado , escritor e editor, J. Viegas: onde pára? Senhor MEC Crato, inimigo de "eduquês" e de utras formas de estupidez, pelo que proclamava: não se pronuncia? Ah, certo... quem tem de decidir é a Troika, a troika esqueceu-se de falar nisto, não foi?.

"Alergia" (14-2-2012)