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quinta-feira, 20 de junho de 2013

CARTOON: dedicado a quem optou por não fazer greve no dia 17 de Junho

(c) Margarida Alegria (in Blog "Alegrias e Alergias"-Junho 2013)
Já aqui mencionei o  "imenso"  e misterioso cartoonista (ou, à portuguesa, "cartunista") norte-americano Gary Larson, que nas últimas décadas do século XX fez as delícias de milhões de leitores de jornais e a fúria de outros tantos, que não entendiam o seu humor corrosivo. Foi por exemplo NESTE POST AQUI, OU NESTE, que construi uns cartoons a "dar ares do humor "à Gary Larson", isto é, essencialmente transportando as hipocrisias e as incoerências de certas situações dos nossos dias, para um outro contexto socio-temporal. Ou até  passar as aberrações da sociedade humana para o mundo de outros seres, como extra-terrestres, ou animais.
Ainda não tinha experimentado usar os animais em cartoons desse "estilo", por isso aqui vai, mas claro muitos furos abaixo desse grande mestre. O tema que me motivou foi a , para mim, incompreensível falta de solidariedade dos colegas que na passada segunda-feira, dia 17 de Junho, optaram por não fazer greve de professores. Podem ter pretextos económicos, mas isso não pega: todos teremos muito mais a perder e muito mais tempo ou para sempre, se estas medidas loucas do Desgoverno foram avante e já muito mais dinheiro perdemos nós, com os diversos roubos institucionais levados por cortes vários destes últimos anos. Podem dizer que assim agiram com "pena" dos alunos que iam fazer exame, mas muito mais amigos seriam dos alunos se dessem exemplo de resistência a iniquidades e assim lutassem pelo futuro deles, para que não sejam continuamente atirados para a precariedade ou para a emigração, como futuros trabalhadores.
A propósito disso, dois artigos hoje no  jornal "Público", a falar desta greve: um bem fundamentado e "por dentro" dos problemas, do nosso colega António Jacinto Pascoal e outro a defender a versão do "coitadinhos" dos alunos (com o título "A adversativa") de um tal Jorge Reis-Sá, que se apresenta como "escritor". Nunca ouvi falar de livros seus, mas fixei-lhe o nome, para ter o cuidado de não vir a adquirir nada desse dito autor. Essencialmente porque para mim, por melhor ou pior que escreva, "escritor" também deve ser alguém que, mesmo que não seja um exemplo  moral ou cívico para os demais, tem pelo menos uma visão Universal do sofrimento Humano e da condição do "bicho-Homem" no Mundo, alguém que se preocupa e se revolta contra as verdadeiras Injustiças e não alguém que cai depressa nos lugares comuns ditados por comentadores de praça com mentalidade de "Tias".
Ia deixar para outra ocasião o comentar mais detalhado desse choradinho que  J. R-S. escreveu, mais uma vez sob a falácia que não aderir a esta greve era mostrar que se "respeitava os alunos". Mas opto por  abrir aqui um parêntesis ao comentário do cartoon que fiz, para desmontar  o essencial da  "argumentação adversativa" do (julgo que) jovem Jorge Reis-Sá. Poderia lembrar-lhe a famosa carta do estudante grego de Pireu, que circula na Net, que explica que não foram os professores (nesse caso gregos) que empobreceram a sua família e cortaram as "asas" a todos os seus sonhos, poderia lembra-lhe, o que não custaria racicionar, que qualquer aluno que estuda e que tem o contratempo de ver a prova mudada para outra altura não está perante um drama (fica o estudo feito, pode rever matérias) nem que irá por isso ficar de fora na entrada na Universidade... Poderia ainda recordar-lhe que as greves são sempre formas extremas mas legítimas de pressão, causando inevitáveis contratempos a uma parte dos cidadãos;  e  que quem causou a urgência da data foram o governo e o MEC e só se manteve a greve porque N. Crato continuou a mentir para os telejornais e o MEC se manteve intransigente a qualquer negociação e quis até que os sindicatos(ao que parece a FNE, que dignamente recusou) assinassem compromissos absurdos a trair os professores. Podia finalmente lembra-lhe que a luta é dos professores e não apenas dos sindicatos e que os professores, nas escolas, já sofreram em demasia e em excessivo silêncio (ou revolta sublimada) a catadupa de normas, leis, alterações aos horários, aos programas, aos currículos, por sucessivos governos carrascos e/ou incompetentes, que os têm vindo a espezinhar e à dignidade da sua profissão. E que até nem perturbaram muito o ano escolar aos alunos com outros protestos, mas que, com o "esticar da corda" abusivo da tutela, acabam por se ver nesta altura do ano como os maiores prejudicados a todos os níveis (salários, férias, repetição de reuniões...), eles sim "reféns" da imposição unilateral dos desvarios das Troikas (a estrangeira e a nacional).
Centro-me apenas nos argumentos centrais de Jorge Reis-Sá: diz que é filho de professores e que pensa que os seus pais (ele já falecido, ela aposentada) nunca fariam esta greve... por causa dos alunos (a tal teoria nojenta de Crato dos "alunos- reféns"...). Apenas replico, com o que os meus pais fariam. É que sou filha de uma professora  do segundo Ciclo e o meu pai (também já falecido, como o de J R-S)  foi professor nos seus últimos anos, mas na faculdade. Antes disso, lidou directamente com operários e com mineiros (descendo com eles à profundeza das minas,para ensinar e ajudar, o que nem todos os Chefes com o seu estatuto fazem, ganhando assim enorme confiança e respeito de profissionais de trato muito difícil como são os da metalurgia). E, contrariamente a JR-S, sei que os meus pais, embora não sendo adeptos habituais de greves ou de manifestações, se estivessem na situação destes professores que hoje andam a ser humilhados, FARIAM, sim, greve. E sabe JR-S porquê? Porque a minha mãe, agora aposentada, sabia que estar do lado dos seus alunos era dar-lhes aulas bonitas que os despertassem para o saber e os tirassem da ignorância e não um mero aplicar oficial de um Exame, apenas UM no meio de dezenas que eles irão fazer na vida de estudantes. Para ela, ser pelos alunos era estar com eles, no dia-a-dia, dando-lhes a ciência, mas também a educação , quando era preciso, para que se tornassem verdadeiros e completos cidadãos, homens e mulheres DE Bem e DO Bem. Atentos aos livros, ao Conhecimento, mas também ao sentido de justiça, à atenção e compaixão pelos demais. Nunca querendo que se tornassem meras Máquinas de fazer exames, como se fosse aí ,nesses testes, que se sintetizava o saber, muito menos a Vida. A minha mãe ensinaria a esses alunos que, mais importante (ainda) que os testes e os exames finais, era o Exame da Vida, o de todos os dias, o que nos leva pelas nossas por vezes difíceis opções ( na capacidade de trabalho , sim, mas também nas atitudes, nos gestos de paz e de solidariedade, no sabermos "entrar na pele dos outros", no combate às injustiças) a distinguirmo-nos como Seres Humanos, como algo de superior e Diferente a meros mamíferos bípedes orientados para o "Sucesso" e para o estúpido e fascizante conceito de "Vencedores", por contraponto aos "Losers"/Perdedores, seja o que isso for, neste novo darwinismo social.
Já o meu pai era dos que tinha as maiores dores de cabeça enquanto não garantia aos trabalhadores que liderava todas as condições de segurança e bem estar num trabalho exigente e perigoso (e contra que poderosos teve de se debater em discussões imensas, quando tentavam minorizar os riscos, por mera poupança economicista!), as constantes melhorias de vida pessoal e familiar que considerava que lhes eram devidas (casa, apoios sociais escola para os filhos), chegando, quando em terras de África, a sacrificar o seu próprio descanso de Domingo para ir caçar (actividade que até não apreciava) e assim vir a fornecer  um suplemento alimentar de algumas proteínas aos trabalhadores que tinham a desgastante função de ir extraír as riquezas às entranhas da Terra... Tenho a certeza que muito se enervaria  com o aviltamento que as Escolas Portuguesas e os professores têm sofrido às mãos destes carrascos políticos e quanto o desgostaria ver o País que amava e que não chegou a ver em pleno desenvolvimento, a recuar em direitos e em condições de vida, por causa de umas atitudes acobardadas e submissas perante poderezitos transnacionais de uns "mercados" agiotas e políticos de terceira escolha que certamente ele desprezaria. Embora não fosse de se meter em políticas, era sobretudo  alguém que via nos outros seres humanos os seus irmãos, ensinando-nos a tratar todos bem, independentemente da condição social; e lembro-me de ele exclamar, muitas vezes,  esperançado já depois do 25 de Abril: "Portugal ainda há-de ser um grande país! Vão ver...". Estaria contra estas políticas e faria greve, caso fosse professor destes Ciclos, pois colocava-se sempre em apoio dos mais desfavorecidos.
 E note-se que os desfavorecidos nesta história são, para além da Escola portuguesa em geral, os professores, seus alicerces fundamentais, ameaçados de desemprego e precariedade após décadas de dedicação, como se a Constituição democrática já não existisse e tivessemos recuado um ou dos séculos.
 Note-se que não  poder fazer um exame na data prevista NÃO é ser-se desfavorecido: aluno desfavorecido é o que viu outros afinal a fazer exame e a prova a não ser anulada ou adiada; aluno desfavorecido é o que foi vigiado por quem não sabia as regras para tal função, o que viu o silêncio necessário à prova a ser perturbado, o que teve de fazer o exame só porque o seu nome tinha a letra "A" e agora vai ver os outros a fazer exame noutra data, com  textos diferentes, quem sabe se mais fácil(a dúvida ficará sempre); aluno desfavorecido é o que deixou de poder receber bolsas de estudo só porque os pais devem ao Fisco ( que é agora, o "Coração", o Alfa e  o Omega de todas as acções em Portugal, qual deus todo-poderoso); aluno desfavorecido é o que já não tem passe com desconto nos transportes e tem de fazer quilómetros a pé, sob sol ou chuva; aluno desfavorecido é o que já não tem direito à refeição gratuita na cantina e por isso desmaia de fome; aluno desfavorecido é o que é colocado a trabalhar, mesmo menor, para ajudar os pais, abandonando assim o seu percurso regular na escola; aluno desfavorecido é o que se acotovela em salas exíguas, feitas para 22 alunos e agora com turmas de 30; o que já deixou de ter ocasião de apresentar todas as suas dúvidas nessas turmas sobrelotadas; o que deixou de ter hipóteses de aprender melhor as disciplinas das Artes quase abolidas do currículo; é o que vê a família a definhar na miséria, ou na precariedade, ou a emigrar; é o que vê os avós a terem de ajudar no sustento dos filhos e netos e a verem as reformas a sofrer cortes por isso a não terem dinheiro para as consultas médicas ou para os medicamentos ou até para uma alimentação condigna; aluno desfavorecido é o que anda a  ajudar vender ou leiloar os bens da família, para ter alguns euros para o essencial; aluno desfavorecido é o que não tem as mesmas hipóteses de comprar livros ou outro  material escolar que uma escassa minoria; o que viu a família a perder a casa, o emprego, o direito à água corrente , ao gás canalizado ou à electricidade (por não poder pagar as contas); aluno desfavorecido será o que nos próximos anos ainda verá as condições para o seu estudo piorarem, em turmas maiores, com menos professores (e esses ainda mais exaustos, porque mais sobrecarregados,com sabe-se lá quantas mais actividades lectivas e turmas, enquanto outros são falsamente considerado excedentários e são enxotados para a mobilidade especial)...
Bem, deixo o "escritor" Jorge Reis-Sá em paz, com os seus escritos, pois para tudo neste país é preciso sorte e ele pelo que entendi tem a sorte de já se intitular "escritor" sendo tão jovem. Outros  escritores bem conhecidos e Humanistas sempre  reclama(ra)m não poderem ter esse estatuto nos seus documentos oficiais e profissionais, mas como hoje pode ser escritor quem redige  uns discursos ou umas piadas para um qualquer ministro lançar em conferências de Imprensa ou colóquios ("escritores-sombra" lhes chamam), quem sou eu para lhe tirar a etiqueta. Mas que dispensarei ler os seus livros... isso sem dúvida.
Voltemos por fim ao cartoon: outros dos argumentos principais para  alguns professores não aderirem a estas lutas dos seus colegas pelo emprego ( não, não foram só alguns professores do primeiro ciclo: na minha escola foram mesmo professores do Secundário... onde uns escassos 6% de  "distraídos" acabaram por assegurar a prova aos primeiros 20% de alunos da lista) são os que esta mosca e esta abelha proferem.
A mosca que já é efectiva e com lugar cativo numa escola e que  julga que por isso não será atingida pelo drama da mobilidade especial e/ou geográfica. É o que podemos chamar de argumento "Vistas curtas anti-solidário". Até poderia não ser visada, mas há milhares de seus colegas, contratados (os que restam) e até efectivos "dos quadros" que verão a porta da rua, fabricada à medida não pelo diminuir da procura como falsamente uns apregoam, mas por fabrico de condições ainda mais apertadas nas escolas em qualidade e quantidade por parte do MEC (aumento, novamente de nº de alunos por turmas, abolição não pedagógica ou didacticamente justificadas de algumas disciplinas, amontoado de escolas num mesmo agrupamento, que faz alguns professores correrem de escola em escola, por vezes a quilómetros para completar horário, até à apoplexia, um belo dia...). Conclusão: a mosca, é um insecto egoísta e de vistas curtas, pese os mil-olhos que lhe atribuem. Não vai além da visão da busca do próprio jantar, mesmo que ele se venha a reduzir cada vez mais a mero detrito do lixo, ou até a m****.
Quanto à abelhinha laboriosa: perora o argumento super-tonto, aliás baseado mas distorcido a partir de um verdadeiro. Ou seja, que os professores dão à sua profissão muito mais que as 35 horas semanais. Só não sabe isso quem tem cegueira ideológica e muito má vontade. Só que o facto de serem tão abnegados que se dispõem a isso até ao ponto da exaustão, sacrificando horas de sono, fins-de-semana, momentos com as suas famílias, não implica que os que os empregam ainda se julguem no direito de os sobrecarregar ainda mais e em decrescentes/ piores condições. Colocar o seu horário em 40 horas, como os horários do  sector privado (muitos dos quais nem são de tantas horas, podendo adaptar), como LETRA DE LEI, é certo e sabido que se trata do primeiro passo para mais uma data de tropelias que serão feitas nas horas lectivas e não lectivas que os vão obrigar a permanecer nas escolas, até à insanidade e ainda com menos tempo para preparar o essencial, as suas aulas(investigar, ler, preparar materiais e sequências/planos de aula...) . Não,  mais uma vez lembro que o essencial não são os Exames fugazes. Quem se lembra com todo o detalhe dos próprios exames que fez? No entanto há professores e algumas das suas aulas que nos marcaram que jamais esqueceremos pelo que nos ensinaram. 40 horas "oficializadas" agora, sem atender à especificidade da profissão e como se leccionar equivalesse a ensacar batatas (com todo o respeito por quem faz esses trabalhos mais mecânicos e também necessários) será abrir caminho para ainda mais arbitrariedades dos MEC futuros.
Aquela abelha do cartoon, outra com falta de visão "periférica" acha que o "horário de 40 horas" APENAS vem oficializar parte das horas que já dá ao país. Aliás o ministro, na entrevista de ontem já aludiu a essa sinuosa argumentação,  com a vozinha aveludada que já não convence ninguém, como se estivesse apenas a regularizar algo... Ao não entender o que está em causa, a abelhinha não poderá vir a queixar-se mais tarde de novas sobrecargas de trabalho, do não ter tempo para nada, nem mesmo para o ensino e correcções, nem de estar a sofrer um AVC ou de o coração ceder e, com sorte, acabar num hospital. O seu argumento é o que se pode chamar, portanto, argumento "Tiro no próprio pé".  Esta abelha obreira mais lembra antes uma "barata tonta".
Lembro também à abelhinha, caso seja do ensino Público, que os directores das escolas privadas já estão a querer oficializar para os seus escravos... digo, seu docentes, horários lectivos de 30 horas e tarefas diversas fora das sua especificidade profissional--- e não é "só" burocracia-- e diminuição dos limites salariais de topo de carreira, muito abaixo do legalmente estipulados.  Está a ver abelhinha laboriosa? Hoje no privado. Amanhã um qualquer novo ministro de palavras traiçoeiras virá a querer impor a uniformização, também nisso, entre sector Público e Privado, não para melhorar condições nivelando pelo menos pesado, mas aplicando essas regras esclavagistas das escolas Privadas ao Ensino Público. Entende agora? Já vê para além da sua colmeia, do número de favos que constrói por semana?
Enfim, dona Mosca e dona Abelha, considerando que vivem no mundo limitado e confuso dos Insectos, estão parcialmente perdoadas. Ainda para mais vendo o destino muito próximo, de que vão ser afinal as primeiras a sofrer  não a mobilidade especial, mas a "IMOBILIDADE eterna" patrocionada pela Dona Aranha, que bem vos enganou. Muito mais  triste é saber que atitudes semelhantes estão a decorrer noutro Mundo, o dos Humanos, suposto seres inteligentes e desbravadores de  mares e de Universos... essas maravilhas do Conhecimento que os professores  tanto se esforçam por ensinar aos seus alunos...
Margarida Alegria (20-6-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
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NOTA: sei que o grupo de insectos é uma ORDEM e não um "Reino", pelo menos no que lembro que me ensinaram de Zoologia (na Escola e em aulas de que muito gostava, apesar de ter mais queda para as Letras). Daí ter colocado as aspas no cartoon. O termo aqui  é mais "literário" que científico. É que  a palavra "Reino" lembra melhor as actividades sociais e a vida em comunidade que todos deveriamos desenvolver e melhorar... (M. Alegria)
Nota 2: Não esqueçamos que, no caso dos humanos, há mais hipóteses de redenção. As greves às avaliações continuam nas escolas, com imenso êxito e assim bloqueando o final do ano e a definição das avaliações dos alunos, antes de irem de férias. O MEC esse é que queria ir de férias depois das malfeitorias de Maio e Junho( novamente pelo Brasil? Ou pelo Chile?...) e não o poderá fazer.

sábado, 4 de maio de 2013

CARTOON: Kem Ké um Xuápe? (Série Jejé e Companhia)

(c) Margarida Alegria (Maio de 2013)- a imagem ficou muito reduzida, neste espaço. Clicar sobre a imagem para ler melhor

Há muito que não publicava um cartoon da série destes garotos... ia dizer "reguilas", mas acho que já estão no patamar do delinquente.
Este é o primeiro de um conjunto de cartoons a que chamo internamente de "Clandestinos" (um dia talvez explique melhor). Digo apenas que tenho descoberto que, quando se tenta aproveitar os tempos mortos de alguns momentos de  tortura  taylorista, é bem mais fácil ocupá-los com a criação de cartoons do que com a criação de texto.
Um cartoon coaduna-se melhor com a constante interrupção, pois está desde logo desenhado na íntegra na nossa cabeça antes de o passarmos para o papel. Depois, em períodos de 10 minutos ou menos ,intervalados, lá vamos fazendo o esboço geral da imagem, depois o desenho mais detalhado, depois o passar a tinta, por vezes o colorir.
Com a escrita é diferente. Por mais pensada que tenhamos a ideia  antes de chegar ao papel, depois o escrito ganha vida própria e temos de estar em total concentração e abstracção em relação ao que nos rodeia. Uma interrupção pode deitar por terra o desenvolvimento de uma ideia nova ou da estrutura de uma frase... um pouco como estar num belo sonho e ter de acordar de repente, tentando depois, em vão, tactear por entre palavras e imagens às quais queremos voltar. É de facto verdade aquela ideia que se tem de que é preciso retirarmo-nos do mundo, para uma cabana isolada, na companhia do papel e caneta e uma panela de sopa. De outra forma torna-se tudo  muito mais lento. Mesmo se estivermos diante do computador, como agora estou, temos de evitar todas as distracções, e então da possibilidade de intercalar com outras tarefas nem falar: é quase impossível!
Falando em escrita, fiz agora um intervalo de passatempos mais interessantes que as nacionais aflições com estes constantes sobressaltos com o nojo e o banditismo de punhos de renda que todos os dias nos é despejado pelas notícias. E cá vim publicar o meu cartoon "clandestino" de há dois dias.
Ontem foi  mais uma inenarrável comunicação de cortes e sangria aos cidadãos pelo nosso PM (ver  e ouvir AQUI).
O ar seráfico do dito bem tentava abafar os escândalos da semana, de entre os quais se destacou a descoberta que actuais e antigos governantes incentivaram (ora como governantes ora como "gestores" de empresas públicas, -- eles fazem "swap" de funções nas danças das cadeiras-- especialmente na área dos transportes)  mais uns  contratos ruinosos ( ruinosos  para o Estado,claro!) com empresas financeiras (G-Sachs,- por falar nisso,  alô Borges, mais um boneco na colecção! -- JPMorgan, Santander... lalará...), contratos que dão pelo nome de "SWAPS". O Tribunal de Contas alertava há anos para os perigos destes contratos, mas como costume ninguém lhe deu ouvidos...
Ver aqui uma das notícias (que remete para outras, para quem quiser, como para este detalhe AQUI):
"Perdas potenciais com "swaps" reduzidas em 500 milhões" (in Público, 30-4-2013)
Não entendo muito disso, mas parece que um "swap" é mais uma daquelas habilidades nas quais , caso a coisa corra mal, quem paga o buraco é o Estado (leia-se, os cidadãos). Este governo, vá lá,  até afastou dois secretários de Estado perante a divulgação do escândalo, mas outros tantos terão continuado em funções e apenas se vê a ponta do Icebergue, que , como costume, envolve todos os partidos do chamado "Centrão" que vão alternando no poder. Agora tentam renegociar esses contratos, para minorar os danos, mas pelo que se sabe ,para já, a desgraça ronda os 3 mil milhões de Euros. Coisa pouca, ou, como dizem os americanos... "amendoins".
O que são 3 mil milhões, perante um buraco a pagar na vez dos bandidos do caso BPN de uns ... 7 mil milhões (mas sempre a aumentar)?
Mesmo para isso, entende-se agora, é que os nossos jovens desgovernantes insistem  em fazer um corte PERMANENTE do orçamento do Estado Social, na casa dos 4 mil milhões (soube-se ontem que subiram a parada para 4.800 milhões...). Assim , roubando ainda mais pensionistas e funcionários públicos, mandando mais uns milhares para o desemprego ( mais 30 mil, para já, ao que chamam "rescisões amigáveis", fora os que seguem para mobilidade especial como se não passassem de sapatos velhos a deitar fora),aumentando a idade da reforma,  cortando ainda mais na qualidade da Educação, da Saúde, da Segurança social, haverá mais de 4 mil milhões de Euros POR ANO, para gastar à "tripa forra" nestes "erros" de gestão, nestes casinos paralelos de jogo com dinheiros públicos e em muitas outras negociatas mais ainda por inventar pelos amigos  "empreendedores" do privado. Ou entendi mal a jogada?
É difícil ainda conseguir fazer humor no meio desta pirataria sem freios, mas ainda é das atitudes que nos podem manter de cabeça erguida. Tinha de fazer este cartoon.
Agradeço, para a ideia do cartoon, ao Carlos Fonseca do blogue Aventar, onde este explicou as principais diferenças entre os diferentes tipos de "Swap".
Pronto: agora volto para  finalizar os meus escritos, bem mais interessantes , sobre personagens humanamente muito acima destes políticos e gestores de trazer por casa, sobre situações muito mais cheias de Esperança, sobre lugares de vida até mais complicada a certos níveis, mas onde há ainda quem ouse resistir e mudar o que está errado.Tive de interromper a sua conclusão há quase dois dias--- as tais interrupções inconvenientes de outras tarefas e solicitações!-- e quero que fique como o imaginei. Tem sido um texto construído com paciência,aos poucos,  ao longo de vários dias, quase "tijolo a tijolo",  pois os seus temas são muito mais elevados e nobres que estas autênticas poeiras nojentas e tóxicas lançada por um (resto de) país, por  uma democracia decrépita e por uma Europa em  rápida erosão.
Margarida Alegria (4-5-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
É verdade: este foi o Post nº 300 do blog!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Excelência" do ensino Privado?!-A reportagem sensação do dia:Dinheiros públicos, vícios privados


(Dinheiros Públicos, vícios privados" , reportagem TVI de Ana Leal, 3-12-2012, via blogue "Aventar")
Foi a reportagem-choque  de hoje, no "Repórter TVI". Não a vi directamente, acabei de  visionar online e, mesmo já contando com algo de grave,  fiquei ainda assim estupefacta e revoltada. Apenas a "ponta do icebergue" da escandalosa promiscuidade entre políticos /ex-governantes e os lucros de grupos privados  obscuros, neste caso da área  da Educação (??). Parabéns à jornalista Ana Leal e aos corajosos professores e pais que deram a cara, para denunciar a pouca-vergonha.
É esta a propagandeada "excelência" e  boa gestão  das  escolas privadas  que os nossos desgovernantes querem promover, destruindo a Escola Pública? Quem entrega os filhos a dirigentes como os que aparecem na reportagem?  A quem não inspira confiança nem sequer para lhe comprarmos um rádio de pilhas?
E o Ministro ainda lhes deu MAIS dinheiro, mal chegou ao poder e contra o parecer da própria Troika (que nem sonharia com estes escândalos bem portuguesinhos)?
Falta de verbas para o essencial, para poder comprar carros de luxo e outras empresas, pressão para fabricar notas e manipular rankings, contratos ilegais, exploração laboral, ameaças... há de tudo um pouco, mas, como disse, muito mais podridão deve existir para além do que aqui se aflora.
A não perder e a divulgar, por todos que ainda andam ceguinhos  e confiantes na bondade e nas "privadas virtudes" da entrega de tudo o que é público a mãos " mais competentes" privadas! É o que se vê nesta reportagem, que mais uma vez nos dá vómitos de pertencermos ao mesmo país que certos senhores que dele se apoderaram sem pejo, para "se governarem". Passando por todos os quadrantes do centrão, que o bolo da Educação é mais um naco apetitoso para a vampirização de Portugal, tal como antes a Saúde e também o apoio a idosos, ou seja, os tais três pilares do Estado Social que uns fedelhos acenam querer Refundar/Afundar.
Pronto , fico por aqui. Vejam e divulguem o mais que possam...E que não caia no esquecimento.
Margarida Alegria (3-12-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Afinal este coelho também aprecia a caçarola! (ou: há sempre um tacho manhoso no historial dos políticos...)

(o que está dentro do tachito não é guisado, mas "brigadeiros". Mas não faz mal... a cor de tudo o que se vai contar é...semelhante!)
Como eu gostaria que o assunto deste post não fosse bem mais sério que as imagens que o acompanham e do tom sarcástico que não vou conseguir evitar, depois de a tanto custo o Humor conseguir sobreviver, nos tempos que correm!
Já deu perceber que não confio no Coelho que nos desgoverna e que o considero um perigo nacional, pois junta a impreparação (que só por má vontade não se detecta) e a ignorância incompetente,ao fanatismo ideológico do mais perigoso que pode existir, num mundo já em convulsão.
Já sabiamos todos que andou a cabular até aos 36 anos, idade em que lá tirou  o curso superior (e ... numa Universidade privada... cofo cof...), pois não era propriamente um daqueles  moços pobres que tivesse precisado de arregaçar as mangas para ajudar a sustentar os pais e irmãos  como aprendiz numa qualquer oficina , obrigado assim a adiar o seu sonho de estudar. A "oficina" onde foi iniciado é, como todos também já sabemos, daquelas com letra inicial "Jota", onde, em vez de varrer o chão, carregar caixotes ou lavar carros, desenvolveu a arte de bem agradar aos líderes, com exímia aplicação de latas de graxa, a arte de arregimentar outros moçoilos e moçoilas que gostam da" night", para colar cartazes arduamente, distribuir autocolantes nas Escolas ou esferográficas pelos Mercados (os do peixe e da fruta, mesmo... os "outros" mercados só querem saber destes jovens mais tarde) e agitar bandeiras e gritar palavras de ordem em comícios pouco motivadores.
Como poderia o pobre ter tempo para completar o curso superior, certamente sonho para os seus progenitores?
Todos sabemos também que, com tão estafantes ocupações como a propaganda eleitoral e a luta por um futuro na política, pouco tempo sobraria também para ninharias como aquela com que agora atira o seu desprezo à cara do povo português: mandando idosas pegar na enxada, chamando piegas a quem se queixa da dura vida, ou incitando a emigrar quem ainda tem alguns sonhos para o Futuro. Refiro-me,como é óbvio, à ocupação tão fora de moda entre políticos que se prezem : a ninharia que é O TRABALHO (não confundir com... Emprego ou cargos).
Por isso, foi "natural" que o intrépido delfim então líder da Juventude do seu partido (da JSD) recorresse,-- para sustento da família que então já tinha de sua própria criação (isto de gastar a juventude entre comícios, festarolas e discotecas  cercadas por moçoilas acaba por dar nisso...)--, a um dos seus padrinhos partidários. O veterano Ângelo Correia lá lhe deu o tachito como administrador de uma das suas empresas, ao que dizem, de reciclagem (já Sócrates também andara por este ramo, num tal aterro da Beira agora em tribunal... enfim, isto do lixo é que está a dar!). Este cargo estava patente na sua biografia.
Mas NÃO, senhores! O que nunca pensei, APESAR DE TUDO e  apesar de não simpatizar com o figurão e de achar repelente as políticas com que está a destruir e submeter o país, foi que andasse metido em negociatas de cariz mais duvidoso... SIM EU AINDA ACREDITAVA que AO MENOS NISSO Passos Coelho se  distinguia do seu predecessor Sócrates e de outros "artesãos" da PROMISCUIDADE entre a Política e o Mundo Empresarial! :((
Tomara-o por pessoa de currículo pobre (paupérrimo!)  mas minimamente HONESTO, sério...E isto fechando os olhos com força às suas promessas "pinoquianas" pré-eleitorais e ao como veio a fazer precisamente o oposto do que assegurara em discursos e em contacto com o povo! Com muito boa vontade, passo adiante ESSE tipo de desonestidade, ou "Inverdade", como dizem...
Uma coisa era ter um amigo mais velho que ... deu a mão ao rapaz num aperto, quando precisava de emprego... vá lá, fechemos os olhos...(A. Correia tem azar! Outro dos seus famosos apadrinhados foi nada menos que o Duarte-acusado-de assassinar-velhinhas-Lima, o promissor deputado enredado em mil e um escândalos e esquemas e burlas em Portugal e Além-mar).
Outra bem diferente é estar envolvido e ao que parece mais do que a conta, com uma empresa que se "especializou" em ir buscar verbas europeias para a Formação, no (para usar palavras em voga) "esbulho" do érário público, no "esmifrar"  do dinheiro que é de e para todos e que deveria ser bem gerido e gasto.
Trata-se de uma investigação saída hoje no jornal Público, pelo jornalista António José Cerejo, o mesmo que outrora ousou fazer várias outras investigações noutro Reino, o  dos "socretinos". Lia-a de fio a pavio e  o meu suspiro de revolta deve ter sido igual ao de milhares ou milhões de portugueses que a "esmiuçaram". Curiosamente, fala-se por aí que o jornal anda a convidar ao cancelamento de contrato com vários colaboradores, sendo Cerejo um dos mencionados. Terá havido alguma pressão para tal, depois de o corajoso jornalista começar a levantar as pedrinhas que tapam os factos desta sua pesquisa? Com Relvas ao barulho(sim! Já lá vamos..), --- um Relvas não só NÃO demitido mas aí de regresso dos trópicos bronzeado e  "pronto para as curvas"-- não admiraria nada...
A notícia saíu no jornal de papel, em seis páginas bem recheadas de factos, depoimentos, gráficos e valores. Também está na versão online para assinantes, por isso só posso deixar aqui o link e alguns excertos como amostra:

Empresa de que Passos foi gestor ficou com a parte de leão de fundos geridos por Relvas entre 2002 e 2004

Mas o título do jornal de papel é mais esclarecedor:

Passos administrou empresa que cresceu com fundos geridos por Relvas

E uns excertos:

"A Tecnoforma viveu o seu período de maior sucesso no tempo em que Passos Coelho foi seu consultor, Relvas geria o programa Foral, Paulo Pereira Coelho era o gestor do programa na Região Centro. Em comum tinham o facto de terem sido dirigentes da JSD, tal como outros elementos chave do sucesso da empresa. No Centro a Tecnoforma chegou a ter 82% do financiamento aprovado a privados"
...
"Passos Coelho sempre disse que foi apenas consultor da Tecnoforma e que a deixou em 2004, quando foi trabalhar com Ângelo Correia. Afinal foi administrador até 2007. "Confusão minha", disse ao PÚBLICO"
...

"Anafre entregou negócio de 2,4 milhões à Tecnoforma"

Está bem, vou resumir em tópicos, para quem quiser entender melhor e não tiver acesso(versão muuuuuito sintética e com a minha própria escolha vocabular):

-Em 2002, Passos Coelho foi nomeado Consultor  para a área de Formação (o que será isso?) na empresa privada Tecnoforma. Nota 1 : ainda NÃO tinha concluído o curso de Economia. Nota 2: essa empresa estava eivada de elementos fortemente ligados ao PSD.Nota 3: foi então ainda ANTES de A. Correia lhe der dado o outro tacho...

- Entre 2002 e 2007 essa empresa foi-se candidatando a facultadora de cursos patrocionados pelo programa Foral (lançado por Guterres em 2001), com projectos destinados à Formação profissional de funcionários autárquicos. Boa parte desses projectos costumavam ser apresentado pelas próprias autarquias e outros organismos públicos;

porém, entre 2003 e 2004, boa parte dos projectos vitoriosos, especialmente na zona Centro(onde chegaram a abarbatar 100% dos projectos/fundos!) pertenceram à Tecnoforma; isto nos anos de Governo de Durão Barroso, no qual o nosso inefável Relvas era, nada mais nada menos Secretário de Estado (!!!) com a tutela da Formação Profissional e, por isso, do programa "Foral"(tradução: seleccionava e dava o dinheirinho para os projectos).

- O gestor da Tecnoforma à época, Paulo Pereira Coelho, era também Presidente da CCDRC(Comissão de Coordenação e Desnvolvimento Regional do Centro- organismo do Estado, para quem não sabe, e que então ajudava na selecção "concursal" ), ex-líder da JSD(na época em que Passos também a liderou ),  em Coimbra,ex-deputado do PSD e ex-sócio de Relvas numa "empresa de consultadoria sem actividade" (???) ;

- Junte-se (depois do jogo do empurra  nas respostas dos governantes e outras personagens que são referidas na reportagem)  o dirigente da empresa e também ex-dirigente da JSD, João Luís Gonçalves e ainda ..... o nome tão recortadamente português de um tal António Silva, um vereador autárquico(de 1998 a 2007) em Mangualde  que por ser "um tipo muito dinâmico" (P. Coelho dixit!)conseguiu arrecadar tanto sucesso para a empresa na zona Centro! Ah, esse Silva era Director Comercial da Tecnoforma, esquecia-me de mencionar...

- para além de Consultor, PPC veio a ser também um dos administradores da empresa, até 2007, embora já não se recordasse disso (pensara ter saído em 2004, o que pode revelar quão empenhado era no assunto, mas à data ainda assinava umas coisas, como pagamentos e tal...). E também desconhecia que uma procuração que tinha para representar a empresa, assinar por ela etc, estava ainda válida ( JLG, director, apenas a revogou em Agosto de 2012, quando o assunto veio a lume...coincidências...)

- A ideia da reportagem surgiu de uma referência, já há uns meses, por Helena Roseta, da forma como a Ordem dos Arquitectos  a que presidia fora pressionada para formar parceria com  a Tecnoforma em acções de formação de arquitectos das autarquias. A Ordem concorria a verbas do Foral DESDE que contratasse a ... Tecniforma! Quem era o secretário de Estado que então propusera tal "pacto"? Sim, Relvas, como entenderam! E é lógico que o Relvas agora ministro já entupiu mais um tribunal com uma queixa contra Roseta...

- Curiosamente, leia-se a pérola que pode passar despercebida em toda a reportagem, na resposta por escrito de Relvas: a aposta da Tecnoforma no Centro, para além de se dever ao tal dinamismo do seu  homem de Mangualde devia-se também ao facto de  a região de Lisboa "ter menos fundos", por ser classificada (na UE) como zona mais rica. Muito bem: prova provada de que o que estas empresas procuram são os fundos em si e nada de planeado consoante as necessidades do País, não acham?

- Mas o voluntarioso ministro Relvas deixa-nos também mais descansados com as suas garantias ao jornalista: "Tenho a certeza absoluta, conhecendo as pessoas como conheço, de que nada de ilícito ou obscuro aconteceu." Ufffff!

FICAM AQUI UMAS PERGUNTAS (deste blog) SOBRE ESTES FACTOS RELATADOS e  para as  quais   seria interessante obter resposta :

- "Tecnoforma" não parece mais um nome de empresa de... Mobiliário?

- afinal pode-se ser Consultor autorizado ANTES de se ser Licenciado? Que tipo de ... "especialista" é este?

- O que faz afinal um "Consultor para a área da Formação"? Coelho foi muito solicitado durante o seu tach... digo, cargo?

- As tais centenas de cursos bem pagos pelo programa Foral... foram dados? Funcionaram, ou foi como nos tempos áureos do Fundo Social Europeu e das formações fantasmas que proliferaram pelo país após a adesão à CEE e que incentivaram o comércio de Jipes e outros carros de luxo?

- Em que espécie de formação concreta se especializou a empresa? Que formadores tinha e com que habilitações? Precisavam de ter cartão partidário de uma certa cor?

- E o que é uma "empresa de Consultadoria sem actividade"?!

- Por que razão , a partir de 2005, a empresa deixou de ganhar muitos concursos para o Foral? Afinal as formações de anos anteriores não correspondiam às expectactivas? Fora tudo mero favoritismo? Ou agora havia outras empresas (afectas, por exemplo, à... Juventude Socialista/JS) ansiosas por deitar a mão ao bol... digo, ansiosas por demonstrarem a competência dos seus "cursos"? Que projectos e de que empresas ganharam mais concursos entre 2005 e 2009 (ano do fechar da torneir... digo,   ano da extinção do Programa Foral)?

- E por último: Mangualde deve ser a melhor autarquia do país, com os funcinários mais bem formados, para não falar em tantas outras autarquias do Centro... por que não se ouve mais falar na Câmara de Mangualde? Como esse concelho deve estar desenvolvido e não nos dizem nada! É injusto, com tanto dinamismo do António Silva...

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Entendem agora porque me sinto ainda mais desalentada com a situação do país. Para além de maus governantes que não param de nos enxamear, descobre-se  com esta reportagem que NEM  NESSE ASPECTO PPC se distingue dos demais! Gosta também do tacho, não de um mero emprego honesto, mas de uma autêntica tacharada aonde se acomodar, sem saber ao certo, pelo que parece, o que lá andou a fazer, ou pelo menos quanto tempo andou (com alguns anos omissos no seu CV). Esse tacho, arrisca-se agora a ser uma CAÇAROLA, onde lentamente acabe por ser cozinhado em lume brando. A investigação jornalística ainda está no adro, afinal o rapaz tem "telhados de vidro" no Currículo. Quando terminar, prevemos que o Coelho termine assim:


(coelho na caçarola... não temos aqui a receita, lamento...)
Isso anima um pouco quem desgosta e contesta a sua actuação submissa a Merkel e traidora da nossa soberania. Mas enquanto esse dia não chega, aí está para já o novo  Roub... digo, Orçamento de Estado, saído de um Conselho de Ministros-maratona de 13 horas ( e, sendo a um Domingo, será que estes "artistas" ousaram cobra-nos horas extraordinárias por essa reunião de "Esmifranço" dos contribuintes? Qual a razão de força para não reunirem à semana, hen?) e por isso o nosso Coelhito vai surgir-nos nos próximos tempos não como o requintado pitéu da foto de cima mas mais como... o da foto que se segue:
("Coelho Porta-anéis", de um catálogo online algures...)

E, escusado seria dizer, os anéis serão os nossos, dos portugueses!
Enquanto  Vítor Gaspar  e seus "extremamente inteligentes" conselheiros para a Ruína não sugerirem para o  catálogo... um... "porta-dedos"...
POIS... :(((
Alergia (8-10-2012, im blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 6 de outubro de 2012

A imagem do dia de ontem, 5 de Outubro, dia da República Portuguesa (e dia dos Professores)

Ah, desculpem... Confundi...  as semelhanças...Uma casa em geral de pernas para o ar e uma casa-de-banho em particular seria algo de dramático . De consequências previsíveis e sempre péssimas, para os que estão do lado de baixo...
Felizmente esta é apenas uma fantasia para exposição.
A imagem de ontem foi esta:


pela cara satisfeita ao içar a bandeira da República Portuguesa, nas comemorações de ontem, o nosso Presidente da República dá a entender que, das duas uma:
- Ou não se apercebeu que a bandeira estava ao contrário, o que se vê pela a imagem do escudo e das  cinco quinas, dai o sorriso igual ao que retribuiu às vaquinhas açorianas;
- Ou até se apercebeu e está satisfeito, por assim demonstrar aos mercados, à "Troika" e aos restantes "lá fora", que Portugal continua o "bom aluno" totó de sempre e que está submisso, de valores invertidos, não independente (ontem Ramalho Eanes mencionou que a bandeira Invertida significa país dominado; outros explicam que no mar tal bandeira significa pedido de socorro...) pose que foi iniciada já nos seus tempos de PM em que incentivou o desmantelamento da produção do país, em troca dos subsídios da Comunidade Europeia...;
Tendo em conta a total indiferença que votou às duas senhoras que também protagonizaram a cerimónia--a que interrompeu o seu discurso aos brados de que já  não tinha como sobreviver e a outra , cantora lírica, que cantou o "Acordai" de Lopes Graça, enquanto Cavaco Silva continuava o seu discurso hipócrita de louvor aos professores  cuja humilhação por Lurdes Rodrigues ele apoiou, desde 2005-- deve ter sido a segunda hipótese a que lhe motivou o rasgado sorriso, infelizmente.
Não há mesmo palavras que bastem...para esta vergonha e esta revolta colectiva que sentimos.
Deixo aqui, no próximo parágrafo, o que acabei de responder em comentário num post anterior e que alargo a todos os portugueses indignados: que não se conformem!
"Um país que era "apenas" melancólico a tornar-se assombrado. E com tanta gente heróica a tentar aguentar-se de cabeça mais ou menos erguida( na família, no comércio, os heróis da indústria que não fecha e os que ainda conseguem exportar, apesar das medidas patéticas e criminosas...), enquanto umas autênticas bestas andam aí a defender o desmantelamento de Portugal!
Faltam as palavras e falta o ânimo para os descrever, a estes traidores  inclassificáveis e a todos estes que levaram o país à ruína, por décadas.
Devemos indignar-nos. É compreeensível e lógico que esmoreçamos...mas devemos manter alguma resistência,
pois agora Portugal depende de cada cidadão, com a sua acção, a palavra (e já não bastam palavras), a coragem individual mas também solidária.
Estou cada vez mais convicta que isto não é só uma crise económica. É uma autêntica Guerra económica  e social de uma élite que ainda quer ser mais poderosa e rica à custa da miséria da maioria. É uma autêntica Guerras de VALORES de quem acha que uns humanos valem mais do que os outros, uns têm "mérito" e outros não, quando afinal o exemplo que dão é de "Dona Cunha", nepotismo e amiguismo e não de mérito de qualquer espécie.Temos de nos aguentar e não fugir, não escondermo-nos ou "jogar a toalha" como dizem no Brasil.
Aprendi que é nos momentos mais conturbados da minha vida que me torno mais resiliente (a quebra vem depois...!) e que faço das tripas coração para me rebelar contra as injustiças. Estamos a viver um momento crucial em que devemos renegar o Mal, a Mentira e a falta de Ética, com todas as forças! Faltam palavras, mas não podemos esperar por "salvadores" providenciais. Os salvadores dos portugueses só podem ser os portugueses, os verdadeiros portugueses..."
É o meu contributo para reflectirmos sobre o momento que vivemos.Denunciar, comentar, protestar, meditar... Claro que não basta...
Alergia (6/10/2012, in "blog "Alegrias e alergias")
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Nota da "Redacção" do blog: havia o quarto e último cartoon da Alegria sobre a abolição de feriados, finalmente terminado (coisa de dificuldade em... desenhar carros! eheh). Porém, tal como uma série de outros cartoons já prontos, terá de aguardar a ultrapassagem de um contratempo técnico para a introdução dessas imagens no blog. Aguardem, que não tardarão! Entretanto vão-se "entretendo" com outros posts sem... "bonecada".

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Hey, MAGOO, YOU DID IT AGAIN! :/

Lembram-se da frase deste título, que pontuava o final de cada episódio animado do Mr. Magoo, o pitosga dos desenhos animados?
Sim, devido à sua recusa de uns bons óculos, o velhote metia-se em belos sarilhos: pensava estar a entrar numa festa, por exemplo, mas estava num covil de ladrões; julgava rodar  o carro numa estrada, mas estava nos trilhos de um comboio; acabava a cair num precipício, enquanto pensava estar a contemplar a  paisagem junto à estrada, vislumbrando transeuntes na passarada.
Pois bem, mesmo depois da asneirada da nova ideia da TSU, esmagada por manifestações populares, oposições, empresários e até companheiros de coligação, depois da insensatez de não terem escutado ninguém, de comunicar a 7 de Setembro a nova medida de forma atabalhoada e sem consultar ninguém, os nossos "Young Turks" governamentais foram repetir a dose de... estupidez PITOSGA!
Sim! Vão (de novo!)  lançar novas medidas sem comunicar a quem devem, ou melhor dizendo, JÁ comunicaram a Bruxelas as novas medidas, que Durão Barroso diz já terem sido aprovadas pela Comissão Europeia, SEM que os líderes da Oposição ou os Parceiros sociais as conheçam primeiro. Aliás, sem que primeiro o POVO PORTUGUÊS as conheça.
VER AQUI a notícia de hoje:
"Bruxelas já aprovou medidas alternativas às mudanças na TSU"(in Público)Resta saber que nova bomba a rebentar-nos nos bolsos foram preparadas. Já contávamos, as tais que tirariam o mesmo mas de outra maneira, mas ainda assim...
E isto depois de também girar  a notícia de que o agora submerso Vítor Gaspar já protelou pela terceira vez a sua ida ao Parlamento (VER AQUI).(jornal Económico)
Só há duas diferenças não menores entre este o Magoo desenhado e estes "esboços" de governantes: Magoo, por um lado, é um ANCIÃO, símbolo não só de certa sabedoria intrínseca de quem já deu muito ao mundo e não se julga dono da verdade, mas também de alguma condescendência dos outros quando faz disparates em casa ou na rua. Por outro lado, é também o portador de uma enorme SORTE (diria que "sorte macaca" até), que o livra das consequências dramáticas dos seus actos míopes.
Já estes meninos desgovernantes e seus "integentíssimos" conselheiros (peritos em jogos bolsistas , de uma espécie de "Second Life" pela Wall Street, bancos trans-fraudulentos e "Fundos" internacionais que emprestam o que não produziram), apesar de avisados, alertados por mais de um milhão, parecem querer lançar o País de vez no precipício da Miséria e da repetição da tragédia Grega. Sem Happy End e sem tempo para a risada final "Oh, Magoo, You did it again!".
Precisamente porque até nisso o simpático Magoo é diferente: faz esse comentário quando percebe que arriscou a vida e tudo o mais nas suas peripécias de altas dioptrias.
Enquanto que  os nossos jovens (e menos jovens) pitosgas não têm a humildade para tanto: clamam que pitosgas,instalados,  cobardes e  profundamente "ignorantes" são todos os outros que os tentam demover.
(Ou , como diz  Rui Tavares na sua acutilante crónica de hoje no Público, de título "O inteligente mais estúpido": "O mais perigoso ignorante é aquele que ignora a sua ignorância."
Mr. Magoo, o senhor sim, está perdoado!
Alergia (1 de Outubro de 2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Futuro ("à moda das Bestas")... está já aí... :((

(uma foto, colhida por aí, das manifestações "Occupy Wallstreet)
Nunca me preocupara muito com essa coisa de  vivermos num tipo de "sociedade capitalista". Sempre tive a noção que, mal ou bem, sempre precisámos de dinheiro ou algum sistema de troca, para a sociedade funcionar. O dinheiro não será um mal em si. Dos tempos de Escola. aprendi que a sociedade Ocidental a que pertencemos fez uma longa caminhada dos tempos dos castelos isolados para o da vida em cidades, com uma maior abertura social e comercial, com toda a complexidade que isso acarretou. Aprendi que passámos dos tempos mais obscuros do Feudalismo, dos suseranos todo-poderosos e dos seus servos da gleba semi-escravos, para o Capitalismo, com a afirmação de uma nova classe intermédia centrada no valor do trabalho e das trocas comerciais. Sim, a tal burguesia. E assim estávamos há uns séculos, com novas classes intermédias de transição, como a alta-burguesia, a pequena burguesia... Não era um sistema ideal, mas dentro de alguns parâmetros de decência  dos ideais posteriores da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade,Fraternidade) e com o desenvolvimento da ideia de Estado Social, que sobrecarregava de impostos mas em troca de melhores condições para todos--- Saúde, Educação, segurança social, estradas e transpostes públicos--. podia ser um sistema equilibrado, quando reforçado pelo sistema político chamado democracia. Pelo mundo fora, quanto menos democrata fosse um regime, pior era a qualidade de vida desse país.
Recentemente, alguns países como a China vieram inverter (e perverter) essas noções: oos chineses descobriram que podiam aliar capitalismo e desenvolvimento económico à continuação de um regime sem liberdade, totalitário.
Ora isso veio mexer com muitas cabecinhas "mal formadas" do Ociedente, ora pactuando com esses regimes e deslocalizando para lá empresas em troca de trabalho escravo (os servos da gleba actuais, amarrados não aos campos ,mas às fábricas), ora defendendo a ideia que o Estado Social Europeu e dos países mais desenvolvidos é "perdulário", "gordo", etc... e que os trabalhadores é que pesam nos custos das empresas e atrasam o desenvolvimemto e a riqueza (uma grande mentira propagada por "especialistas" patetas, portanto). O que  se pensarmos bem corresponde à velha história do homem que achava que o burro que lhe carregava as mercadorias é que era caro pelo que comia, deixou de lhe dar de comer, o burro morreu e ficou sem burro para os carregamentos. Gente mais estúpida não pode haver, mas continuam com largas horas de antena nas TVs e jornais.
Por outro lado, já que o trabalho deixou de ser um  valor em si, proliferaram os que enriquecem sem ser pelo trabalho, artificialmente, nas Bolsas de Valores e Internets. Que se arrogam credores de empresas que nem sabem o que fabricam ou cujos trabalhadores nunca conheceram, ou que fabricam  produtos que nem compram no dia -a-dia.
Isto para comentar o cartaz do idoso acima: o capitalismo, na busca doentia do lucro de uns poucos por desprezo ao bem-estar da maioria, realmente deixou de FUNCIONAR. Está caduco, corrupto e só está a levar ao empobrecimento dos seres humanos e à quebra da qualidade de vida. E não... não eram os custos sociais que "pesavam". Todos vemos e sabemos que o tal "Não há dinheiro" (PIM!) é uma frase falsa e demagoga: o dinheiro existe, não foge por frinchas do chão, está é cada vez mais concentrado em poucas mãos e , o que ainda é pior, tem ido parar às mãos de pessoas que não sabem o que é trabalho, nem o que são dificuldades, o que é viver do seu salário honesto.E que multiplicam o dinheiro real dos outros em dinheiro virtual que vai para os seus cofres. Há dinheiro, mas na mão de BESTAS, em suma.
Perguntei há tempos à  "minha" cabeleireira, mulher esperta e perspicaz, se sentia muito a quebra de clientes, por tantas professoras e outras pessoas que usavam os seus serviços terem passado a poupar nas idas mensais ao seu salão.  Respondeu-me, com sabedoria: sim, havia as clientes semanais que passaram a mensais, as mensais que passaram a ir raramente...mas por outro lado "havia aquelas a quem as crises passam sempre por baixo" e ainda (reparem bem) aquelas que passaram a ter muito dinheiro para gastar em cabeleireiros e não só. POIS... o dinheiro não se evola no ar, vai para algum bolso. Se o dinheiro não andasse assim a mudar de mãos, sob os "panos",  não existiriam crises.
Com tal iniquidade instalada e reforçada por governos ignorantes, cobardes, quando não cúmplices dessas jogadas, o pleno instala-se e há que tirar o pouco que muitos têm, nem que seja espezinhando-lhes os direitos.
Pois sim, em Portugal, país modesto e pacato mas de gente trabalhadora, está a levar-se para a frente essa destruição da Democracia, esse limitar da Liberdade de todos, o substituir da Igualdade pelo falso Mérito a disfarçar desigualdades e o fim da Fraternidade, substituida pelo Assistencialismo de um "favor" que se faz e não dos direitos Humanos e sociais que todos devem ter.
Portanto, o Capitalismo continua, desta vez em mau funcionamento porque se tornou "Selvagem" e sem leis que não só a do vale tudo para obter lucros. E o que é mais curioso é que se aliou a um regresso de um tipo de Feudalismo novo (as organizações sindicais não exageram ao chamar-lhe isso, como os "analistas" dizem!), com uma mão-cheia de suseranos que agora são grandes empresas todo-poderosas e os servos  da gleba mal pagos nos seus ofícios, mais ou menos qualificados, no que falsamente chamam de lei  de  oferta e procura do Mercado.
Faço aqui o balanço de algumas notícias recentes, todas dos quatro primeiros dias desta semana! E são apenas algumas dessas revoltantes notícias... (clicar nos títulos para ler o que elas dizem, nos jornais).
Ora espreitem e pensem:

"Novo código do Trabalho entra hoje em vigor" (ontem, "Diário Económico "dia 1-8-2012)
" O bê-a-bá do novo Código de Trabalho" (agência Financeira, 1-8-2012)
E lemos ainda  sobre outra "bela" promulgação, que, não se sabe como, tantos os Troikas como os  nativos seguidores alegam ser uma das medidas "fundamentais" para dinamizar o País e ajudar a pagarmos as dívidas  aos Mercados e  corrigir o défice (?!?!):
 Pois. Vai ser outra "fonte de riqueza" para uns, enquanto o país cumpre o objectivo de empobrecer "custe o que custar", ao permitir a hipótese de despejar até os inquilinos mais  idosos. Reparem neste excerto:
"Uma nota publicada no portal da Internet da Presidência da República diz que Cavaco Silva decidiu promulgar o diploma depois de o Governo ter dado publicamente garantias de que vai “assegurar a estabilidade contratual e a proteção social” dos arrendatários em situação mais vulnerável. A lei agora promulgada prevê a atualização das rendas mais antigas, incidindo nos contratos celebrados antes de 1990, e deverá afetar cerca de 255 mil contratos de arrendamento, segundo os dados que constam do Census 2011 do INE."
Daí os próprios jornais ironizarem, como faz Pedro Carvalho, no Diário Económico:
Recomendo a leitura de todo o artigo, mas deixo aqui em excerto uma amostra da gravidade desta promulgação(os sublinhados  a negrito são meus):
"O grande problema desta nova lei é que prevê um período transitório de cinco anos que protege os idosos, deficientes e carenciados, ou seja, a maior parte dos inquilinos que beneficiam de rendas congeladas. Passando estes cinco anos, ninguém sabe o que vai acontecer a estes inquilinos quando forem obrigados a pagar pelo arrendamento o valor de mercado, ou quando forem despejados das suas habitações.
A ministra terá dado a Cavaco garantias de que o Governo assegurará a protecção social dessas pessoas daqui a cinco anos e o Presidente da República, com base nessa "garantia", promulgou o diploma."

Traduzindo, essa parte da lei ainda não está decidida nem regulamentada. O habitual. Fica ao sabor da onda do Futuro.

Daí a cinco anos já Cavaco está a cuidar dos bisnetos na Quinta da Coelha (ou outra melhor que arranjar entretanto, como idoso muito poupado ao longo da vida que é e  foi e assim não sujeito às agruras desses gastadores que andaram  a viver "à-pala" dos outros e do Estado em tugúrios de rendas baixas congeladas). E a Ministra estará em novos voos do seu currículo, numa qualquer  Grande Empresa Público-privada agora sob alçada de medidas suas . Vejamos: pela simpatia que parece ter pela EDP, na tibieza  e  na ausência de amor ao património Natural reveladas no vergonhoso caso que opõe os ambientalistas e Unesco à EDP e a construção da Barragem de Foz-Tua, paisagem ímpar, parece-me que optará por algum lugar de  administradora (não -executiva) pela empresa do sr. Mexia e do sr. Catroga.
Os velhinhos e deficientes, esses, terão de passar por um duro crivo de comprovação oficial  da sua pobreza e serão deixados aos ventos dinâmicos e inesperados das leis do Mercado. Ou talvez não. Se confiarmos na palavra e promessas sempre seguras destes governantes.(cof cof!...)
Por estes dias já estamos a ver os resultados destes cortes desvairados (Não falo aqui no que se passou ontem com os dados de professores que graças a manobras sádicas do MEC vão para a Mobilidade,  assunto que deixo para outro post):
Não, não foi nenhum acaso infeliz. As regras de "austeridade" levaram o Ministério da Saúde  a obrigar ao racionamento os horários para os utentes, em muitas localidades país fora. O de Castanheira de Pêra, em vez de encerrar às 20h, como dantes, passou a fechar às 18h. Leiam a notícia(que é incompleta em relação à versão papel ou do Público para assinantes), mas noutra fonte pesquisei o seguinte:o senhor ter-se-á sentido mal, acorreu ao Centro no seu próprio carro, mas terá chegado uns minutos depois da hora...Foi encontrado já sem vida, dentro do automóvel.  Acrescente-se que  não é a primeira vez que se perde uma vida por ali, nos últimos dias, tendo os bombeiros acudido a alguém  que vivia no centro da vila. já tarde demais.
Revolta, sente o cidadão minimamente racional e sensível. Já o Ministro da Saúde deverá ter encolhido os ombros e rezado um terço por alma dos dois infelizes(ou até uma novena, pois dizem que no fundo é bom rapaz). Um outro governante mais acima da hierarquia até nos chamará de piegas por falarmos deste caso de puro azar. Pois é...quem mandou ao homenzinho viver numa terreola como Castanheira de Pêra ou outras das centenas condenadas a voltar à pobreza e desertificação? Quem lhe mandou sentir-se mal àquela hora e não  dentro do horário? Portugueses "bandalhos" e incumpridores!  Sentiu-se mal "acima das suas possiblilidades", pensou que a Saúde que os impostos que todos pagam era igual para todos, mas não.
 A ARS decidira que depois das 18h não compensava ter médicos ou sequer paramédicos naquele CS. O homem foi perdulário e... não deve ter entendido o sentido patriótico do sacrifício nacional. Em troca, foi ele um dos  milhares ou milhões de cordeiros imolados no Sacrifício ao deus-dinheiro, mas isso já não interessa a quem decide estas coisas.
Ficamos também a saber que, ao contrário do Sol, a Austeridade  dos últimos anos quando nasceu não foi para todos:

(Já nem  falo dos outros dos escândalos de os cortes dos subsídios da Função Pública não foi aplicada a todos...)
E de entre estes Turbo-gestores, salienta-se um  caso:

O mais curioso é que o cavalheiro em questão "desvaloriza o assunto" (pois, para ele ganhar mais ou menos uns milhares não faz diferença...) e  alega até desconhecer essa totalidade de cargos(!!!), que isso resulta de ser accionista nessas empresas.
Não venham dizer que estas notícias são movidas pela Inveja lusa. O que isto escandaliza é pelo desequilíbrio social, a falta-de-vergonha na cara e o sabermos que nem um génio da Lâmpada poderia gerir bem todas essas empresas. Enquanto isso, tantos licenciados e doutorados que se vêem obrigados a emigrar neste país ingrato, nação madrasta para a maioria...
No entanto, com alguma consciência de Justiça social e equidade, poderiamos ter algumas realidades resolvidas de outro modo. Vejam um exemplo:

"Apoio social- Rede Europeia Anti-Pobreza quer casas para sem-abrigo
Aos mais pobres e aos sem-abrigo deveria ser permitido ocupar edifícios devolutos que, com "um pouco de vontade política", poderia abrigar milhões de pessoas. Os Estados poderiam ainda aumentar os impostos sobre estes imóveis para terem uma fonte de receita, propõe a Rede Europeia Amti-Pobreza, no 11º Encontro Europeu de Pessoas em Situação de Pobreza que decorreu em Bruxelas, na Bélgica. "
(Público. 31-7-2012- texto completo)

 Transcrevi a notícia completa  e breve da versão em papel. Mas para saber mais, procurar online aqui:


Ai... isso seria promover os "okupas" e tal... Pois. É preferível ter  as casas entaipadas  e a cair e entregues à delinquência , à bicharada e ao risco de incêndios. No tal país onde assim se prefere a arrendar casas ou restaurá-las. Era preciso mudar as leis e serem mais arrojadas e coisa e tal... Não vi regras criadas para a penalização dos donos de casas devolutas, na nova lei das rendas. Mas posso estar enganada.
Isto são ideias de "perigosos anarcas"... ou e "comunistas"... Enfim, depois admirem-se com o ressurgir dos extremismos Europa fora. Está mais que estudado que sempre que aumenta o equilíbrio de direitos sociais e de bem -estar da sociedade, os "comunismos" e  extremismos diminuem nos países que assim  se desenvolvem.
Os nosso indigentes (em destreza cultural e sensibilidade) desgovernantes, pelo contrário, optaram pelo regresso ao Feudalismo. Mas o  novíssimo "Feudo-capitalismo", claro, pois  no fundo a vida é uma constante espiral de continuidade... no retrocesso.
(no entanto penso que há pormenores dos tempos feudais que não gostariam de ver ser-lhes aplicados um dia  a eles, pois não? Como nos casos do que os povos, após as guerras, faziam aos "personagens" autores   de traições...)
Margarida Alegria (2-8-2012. in blog "Alegrias e Alergias")
Nota: este post devia ter saído ontem, dia 2 de Agosto, mas o editor do Blogger portou-se mal..