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domingo, 29 de maio de 2016

A Música (dos) que nos deixam ( recordando os Acoustic Alchemy)

Descobri finalmente um video com os pioneiros da banda de smooth jazz Acoustic Alchemy. Aqui, num excerto do Documentário "Best Kept Secret".
Esta banda, mais precisamente um dueto de guitarras com a sua banda de apoio, foi-me apresentada quase por acaso pelo Sr. Vítor da saudosa loja Tubitek, através do CD "Against the Grain" de  1994. Logo tratei ir encontrando o resto da discografia, encantada pela frescura e inteligente mistura de géneros dos instrumentais que compunham , desde o flamenco à bossa nova, passando pela música das Caraíbas, músicas com "toque" de Django Reinhart e até música clássica (o belíssimo "Arc en Ciel", por exemplo).
O grupo começou,penosamente (porque desenvolviam um género pouco popularucho /pouco in na altura do pós-punk) em 1981,mas só gravou o primeiro álbum em 1987, "Red Dust  and Spanish Lace", onde surgiu a primeira versão deste tema que aqui apresento ,"Mr Chow", descrito por alguns críticos como "Chinese jazz reggae" porque precisamente mistura o ritmo do reggae com elementos da música chinesa.
A publicação desses primeiros discos só se deu graças ao emprego que o dueto-- Nick Webb (guitarra de cordas de aço) e Greg Carmichael (guitarra cordas de nylon)-- conseguiu de músicos residentes nas viagens de algumas companhias de aviação, nomeadamente a Virgin Airlines ou a American Airlines. Imaginem isso hoje, na época das  companhias low Cost que nem um pacote de amendoins oferece...
De qualquer forma,  este dueto durou até 1998, ano da morte do malogrado N. Webb (o membro do duo que aqui explica como compuseram o tema),  quarenta e poucos anos, a 5 de Fevereiro,vítima de um galopante cancro pancreático. 
No entanto, nesse mesmo ano ainda lançaram mais um álbum, "Positive Thinking", Já com Webb muito doente e todos os músicos fechados uma ou duas semanas numa casa em Bath, para levarem o novo naipe de excelentes temas a bom porto. Webb estava tão fraco que já não conseguiu tocar na maioria das sessões de gravação, como explica Carmichael no  folheto do próprio álbum, mas não desistiu de dar apoio para que os seus amigos músicos acabassem o que havia a fazer. 
Assim se vê o que é um verdadeiro músico, alguém que ama a sua arte acima de tudo, apesar de ser um dedicado pai de família, não se agarrando a lamentações sobre o Destino e agarrando a Vida até ao fim, mesmo que a contas com A maldita doença!
Hoje o grupo continua, com  Carmichael   a fazer dueto com outro guitarrista e acompanhados por outros membros da banda, mas  deixo-vos aqui com o virtuosismo humilde daquele que foi o principal mentor e compositor do grupo, com esta música que perdura em frescura e garra. Intemporal. Até sempre, Nick Webb.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Detalhes de um dia memorável (dia de Pérola) :) Apenas fotos com legendas, pois o blogger continua a impedir-me de redigir (?!)

O Livro... ;)


Um dos recantos que convidavam a ler após a apresentação...



E um sorriso urbano ao pôr-do-sol... (c) fotos Margarida Alegria (Novembro de 2013)


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Uma musiquinha... Lenine -" Paciência" (Acústico ) (1º de 3 posts do dia)

O link para o video está AQUI- estranhezas do Youtube...- Lenine- "Paciência" (versão acústica HD), com a participação da harpista Cristina Braga

Não há fome que não dê em fartura, como se costuma dizer. Depois de um período  ora com  falta de tempo ora com dificuldades para postar, hoje vou tentar postar três vezes, dê no que der, depois de mais um insucesso de blogger ontem.
Para começar, depois de algumas horas de "batalha" e de ouvido semi-atento ao debate do Parlamento sobre a moção de censura do PS, um  post com um pouco de Paciência, que é a música adequada ao dia, como foi em outros. Abaixo deixo a bela letra da canção do brasileiro Lenine, se quiserem cantarolar.
A PACIÊNCIA é um bem cada vez mais raro. Por acaso  costumo ter bastante, mais do que deveria, até, mas cada vez mais -- e em especial nos últimos anos -- vou concluindo que nem sempre compensa.
Explico: geralmente  a Paciência-- com as situações, com as atitudes, com as outras pessoas e até connosco próprios-- é uma espera esperançosa que algo mude, com o tempo e com esta resposta de Paz que é a paciência. Uma situação exasperante pode acabar por passar, apenas por sermos pacientes; uma criança que faz birra acaba por acalmar, se tivermos paciência; a atitude negativa de alguém pode "baixar as armas" perante a nossa paciência. Em suma, aspectos dessincronizados e negativos da Vida podem vir a ser suavizados, anulados e até transformados no seu oposto, apenas pela paciência constante, resiliente.
Porém nem sempre tal se verifica: a situação pode ainda piorar, porque insensível à nossa paciência e tolerância; a criança caprichosa pode reagir de outra forma, fazendo birra ainda maior e mais abusiva; a pessoa "armada" de atitude negativa pode interpretar a nossa paciência  como sinal de que tudo pode (continuar a)  fazer e que não precisa de mudar nada...
E por isso às vezes digo "Basta!", não vale a pena. Políticos demagógicos continuarão a cumprir as suas agendas de interesses oportunistas e rotineiros, situações difíceis tenderão a degradar-se, pessoas com as quais se desperdiçou paciência e compreensão confirmam que nada entenderam e que não vale a pena gastar nem mais palavras, nem mais tempo, nem mais paciência. Está entranhado em todos eles e em todas essas atitudes que não sabem ou simplesmente nem querem mudar, ora por tola "estratégia", ora por incapacidade, ora por mera estupidez. Ou por isso tudo junto.
Exceptuando com crianças pequenas, que ainda não têm algumas aptidões para se auto-avaliarem, não se pode ajudar quem não quer ser ajudado, não adianta ter paciência com quem não a entende, não adiantam gestos de compreensão para quem em tudo vê ciladas e segundas intenções. Para quem só se vê a si próprio, ou nem isso (apenas a sua distorcida auto-imagem). Dar alguma coisa a quem não sabe receber e a quem nada sabe dar (sem ser por interesse) é um total desperdício. Nem que seja dar os nossos ouvidos, a nossa atenção, o nosso perdão e paz, a nossa simples paciência.  Há quem nunca aprenda,  quem nunca aprenderá, quem se recuse a aprender e a reconhecer. E que,ainda menos que reconhecer, pelo contrário distorce (triste...só se engana a si mesmo).  E há situações , atitudes e pessoas que  só por milagre se modificarão.
E pronto, já perdi palavras demais com este tema, mas ainda remato o texto   a partir da balada.
Como canta Lenine, "a vida é tão rara"... notamos que o mundo quer de nós "um pouco mais de paciência", vamos recusando a pressa absurda da vida que "não pára", "fazendo hora",no entanto, apesar de  toda a paciência que nos esforçamos por ter, concluímos que não é muito o tempo que temos para perder e há muitas outras estradas fantásticas e/ou misteriosas à nossa espera.
"A vida é curta!", disse alguém. Pois.
E ficamos uns minutos a olhar para o horizonte, a lembrar tanta coisa estranha e absurda do mundo à qual demos a  paciência e que não a mereceu. Depois, sentados à soleira da nossa vida esforçada, suspiramos e acabamos a encolher os ombros, pacientemente...
( e abaixo segue a letra)
(talvez lá para meio deste mês volte a ter mais paciência, quem sabe...)
Margarida Alegria (3 de Abril de 2013, in blog "Alegrias e Alergias")


Lenine - "Paciência"

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
2x:
Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não pára não...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Depois do Rio, o Mar... (Música para o serão)


The Waterboys- This is the Sea"
Como    a letra da canção  sugere, a vida não é apenas como (segundo a vulgar analogia) um belo  e simples rio, por onde fluimos com os nossos projectos, sonhos e receios, com maior  ou menor corrente, mas desaguando pacificamente no Oceano.
Há  Eras e momentos  marcantes da vida individual e/ou colectiva em que, sem que nos tivessemos equipado com bóias ou coletes,  damos por nós  directamente    no mar  , longe do nosso trajecto fluvial, sem cais que nos acolha...
Portugal, a Europa, boa parte de nós... encaramos um momento desses.
Incerto, medonho, avassalador...
Pensaramos saber tudo da nossa própria navegação.

 "But that was the River... This is the Sea.."
Enfrentemo-lo pois, olhando a onda de frente. Poderemos sair um tanto machucados e molhados. Só não sejamos condescendentes com monstros que nos sonham tragar,  com as rochas  mais duras e escorregadias que não são porto seguro, nem com as voláteis medusas, viscosas e traiçoeiras teias marítimas.
Um arrepio percorre-nos a espinha, mas assim como rio era "nosso", assim também será o Mar.
"Behold the Sea!"
Boa noite...
"Alergia" (6-11-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Aqui a letra:
"This is the Sea"
These things you keep
You'd better throw them away
You wanna turn your back
On your soulless days
Once you were tethered
And now you are free
Once you were tethered
Well now you are free
That was the river
This is the sea!

Now
if you're feelin' weary
If you've been alone too long
Maybe you've been suffering from
A few too many
Plans that have gone wrong
And you're trying to remember
How fine your life used to be
Running around banging your drum
Like it's 1973
Well that was the river
This is the sea!
Wooo!

Now
you say you've got trouble
You say you've got pain
You say've got nothing left to believe in
Nothing to hold on to
Nothing to trust
Nothing but chains
You've been scouring your conscience
Raking through your memories
Scouring your conscience
Raking through your memories
But that was the river
This is the sea yeah!

Now
I can see you wavering
As you try to decide
You've got a war in your head
And it's tearing you up inside
You're trying to make sense
Of something that you just don't see
Trying to make sense now
And you know you once held the key
But that was the river
And this is the sea!
Yeah yeah yeah yeah yeah yeah yeah!

Now I hear there's a train
It's coming on down the line
It's yours if you hurry
You've got still enough time
And you don't need no ticket
And you don't pay no fee
No you don't need no ticket
You don't pay no fee
Because that was the river
And this is the sea!

Behold the sea!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Pronto! Cá está um Zé Povinho mais alegre! :))


(Zé Povinho Centro de Emprego (s2007p35b2)  prod. Mandala, 2007)
Post  a pedido de "Dona Pérola Ferreroroché"! :)
Mas  lá estão também os "artistas" do costume! Não há escapatória...
Já viram que então já se falava em Crise   e desemprego? Só algumas das "moscas" mudaram! Estão há muito a manter-nos em "banho-maria" de Crise! Entretanto vão tendo sempre dinheiro para outras coisas!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

CARTOON(Jejé e C.ia): Kontratuz estranhus nos caminhos!

(c) Margarida Alegria-2012 (in Blog "Alegrias e Alergias, 7-6-2012)

Pois tinham-nos dito que o nosso Jejé tinha ido para um colégio semi-interno lá por Paris, mas afinal ainda paira por cá de vez em quando. Às vezes regressa mesmo em pessoa, outras vezes aparece o seu "fantasma", quando outros têm de dar a cara  sozinhos pelas muitas asneiras que  ele fez antes de o tio Mário se fartar e o mandar para lá, talvez para se corrigir,ou  talvez  simplesmente para que os outros se esquecessem das suas traquinices.
Nas últimas semanas andou por aí a polémica das "Estradas de Portugal", com um secretário de Estado atrapalhado em comissões parlamentares e pelas TVs, a tentar fugir às  muitas perguntas que lhe faziam. Não sei quê de contratos extra feitos às escondidas do Tribunal de Contas, a dar mais benesses a quem se tornou dono das ex-scuts do país.
Ver AQUI uma das notícias, para entender melhor(e para memória futura):
Ou esta:

Ah, mas isso é no mundo dos adultos, que confusão a minha, pois.
E também há outra trapalhada de adultos (?) que mete espiões, telemóveis, aspiradores (!) e e-mails, aulas de Salsa e muito disparate.. ah...mas disso se falará aqui mais tarde...
Para já, divirtam-se mais um pouco com os nossos garotos, já que nos fazem pagar por certos crimes de outros, queiramos ou não...pelo menos os cartoons são grátis! Não fiz qualquer contrato PPP, descansem...
Margarida Alegria (7-6-2012 in blog "Alegrias e Alergias))

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança(2 de 2) :1 de Junho 1975


("Dia Mundial da Criança: 1 de Junho  1975(A Flor da Liberdade; 1975, 16 mm P/B; realização:Júlia Guarda Ribeiro; reedição: Paulo César Fajardo, 2005)
O SEGUNDO DE DOIS VIDEOS PARA O DIA MUNDIAL DA CRIANÇA. Este documentário retrata o primeiro festejo do dia Mundial da Criança após a revolução do 25 e Abril ('74), em Leiria, no dia 1 de Junho de 1975. Na Cooperativa "A Flor da Liberdade"). As bobines originais andaram desaparecidas durante 30  anos até que  em 2005 o filme foi reeditado.
Hoje  estas crianças serão, portanto, adultas,mas é belo observar que crianças são  sempre crianças, em qualquer época e lugar. O que sonharam então para  o Futuro ter-se-á  realizado? E que Futuro dão  agora , em adultos , aos  seus descendentes? Continuará  a  existir  infância  e o seu Dia dentro de poucas décadas, ao  deixarmos a sociedade  e a felicidade  dos povos degradar-se como agora?
Ficam as questões.
Como peculiaridade,  observem e recordem o modo   de vestir, de  sentir, de brincar, de festejar.
Bom Dia  Mundial da Criança a todos que  o são , em idade ou por  dentro! :)

domingo, 6 de maio de 2012

Minha Mãe

(Madame Vigée-Lebrun , auto-retrato com a sua  filha.- Museu do Louvre)

O meu pai tinha uma forma linda e carinhosa de tratar a própria mãe ( minha avó, portanto).
A minha avó não era uma pessoa fácil. Muito autocentrada, tirânica até, nunca "ligou meia" aos netos ,contradizendo a ideia que se tem de "avozinha" (felizmente tinhamos outra, mas que nos durou muito menos...). Talvez apenas a neta mais velha tenha recebido uma prendinha dela, nos primeiros anos. Não se lembrava de nos fazer um carinho, era imperial, de dentro do seu arrebitado  metro e 40cm ; e  só falava de si: das classificações que tivera,dos cargos que tivera, das propriedades que tivera e sonhava ter, do que fizera, do elogio que um tal bispo lhe tecera... histórias que escutávamos todos os santos domingos e já sabiamos de cor.
O meu avô era, por contraste e equilíbrio,não tenho dúvidas, um Santo. Um Santo quase silencioso e sofredor. Profissionalmente fora seu superior e tivera  ainda melhor currículo, mas só tinha olhos para ela, deixando-a brilhar sozinha, contemplando-a embevecido do cimo do seu quase "o dobro" de altura. Mesmo assim os filhos veneravam-na e moviam céus e Terra por ela.
Ouvi sempre o meu pai a tratá-la, não apenas por "Mãe" (jamais por "Mamã", que não se usava!), mas ou por "Mãezinha" ou, o que era mais especial e delicioso , por "MINHA MÃE". Ele era "Oh, minha mãe, não faça uma coisa dessas!", "Minha mãe, sente-se aqui.", "Minha mãe deixe que eu trato disso."..
Aquele determinante possessivo fazia a diferença e reequilibrava o paradoxo espalmado naquela senhora. Fora mulher de armas e excelente profissional, mas à família não dera vida fácil, por feitio, embora cumprindo todos os deveres inerentes. Concluo, portanto, que deve ter sido uma boa mãe, pois para tantos filhos -- que em pequenos muito enfeitara com laçarotes e cabelos frisados "à menina", em foto de os embaraçar para o futuro(aguardando sempre por uma filha, que acabou por chegar) --continuava a ser a "MINHA Mãe". Não era a mãe de outros, não era uma mãe qualquer: a mãe era DELES e de mais ninguém.
Os meus irmãos e eu, tivemos, quanto a mim, uma sorte muito maior, quanto à Mãe que "os Fados" nos atribuiram, não só porque era e é a NOSSA/MINHA Mãe, não só porque foi uma professora exemplar, uma mãe dedicada e atenta, mas porque além disso foi e É ainda (graças a Deus!) uma pessoa de excepcional Humanidade. Talvez graças, também, à acção da SUA Mãe...
Como me disse um dia  uma amiga que a conhece e foi sua colega: "A tua Mãe é daquelas pessoas que ilumina uma sala  , quando entra!"
E tem razão.
 Ilumina, não como certas pessoas que têm daquelas atitudes imperiais em altas vozes e como  que "se fazem  anunciar" à chegada, mas por trazer sempre um conforto bom com a sua  mera presença. Longe de a atitude do "Cheguei vi e venci", pois até é bastante tímida ( agora com a idade, menos...), mas por recentrar tudo o que é importante, quando chega, mesmo que nada diga.
 Ilumina não só porque é bonita (e é-o , sem dúvida, não o digo por ser a "MINHA" Mãe...) e não só porque tem um sorriso rutilante e inesquecível, mas porque do seu interior brota um sentido optimista mas muito franco de ver as coisas, de encarar os problemas. Não um optimismo pateta de "laissez faire", mas aquele que resulta de olhar os outros com a atenção e o respeito que merecem, seja de que condição social for, fosse o estado de espírito dominante soturno que estivesse na dita "sala". Apesar da carga de problemas que carregava na vida, podiam estar todos a falar, por exemplo, da maçada da chuva, quando chegava e chamava a atenção para as flores que brotavam, o arco-íris que não tardaria, isto metaforicamente falando, claro.
Por isso lhe imploraram a certa altura para dirigir um Conselho Directivo numa escola difícil, no pós-revolução, pois  era a única que conseguia conciliar todos, mas a todos também ouvir e fazer justiça e levar a escola a viver para o que devia: ensinar (coisa que agora se está a perder de novo, a destruir,com a reentrada da política nas escolas via "directores" e Conselhos gerais cheios de autarcas).
 Dava-se bem com colegas da sua geração, mas era acarinhada e recebida em braços pelos colegas mais novos, que sempre se sentiam à vontade ao pé dela, ultrapassando barreiras de idade e de pontos-de-vista. Era capaz de dar um raspanete a uma funcionária por uma tarefa trapalhona, para mais tarde ser coberta de beijos e recordada com veneração pela mesma, tudo porque também sabia fazer o elogio justo na devida hora e tratava todos como seres humanos e iguais que somos na Criação.
Quando as pessoas diziam como era bonita, logo corrigia que a irmã, essa sim era bonita,-- realmente uma estampa de revista, de feitio mais coquette e rainha dos bailes. Porém quem via a minha mãe raramente a esquecia (não esquecia qualquer uma das duas!) , talvez pelo expressivo olhar, talvez pelo sorriso acolhedor, por todo um conjunto, uma presença com personalidade. Sendo considerada uma Sensata amiga, uma pacata filha e irmã, sempre tivera vários pretendentes a arrastar-lhe a asa, mas não ligara a nenhum, o mesmo acontecendo, curiosamente ao meu pai, com imensas a fazer-lhe olhinhos, mas mantendo-se respeitoso, distante e sonhador. Um dia, embora já se conhecessem através de irmãos, o meu pai fez com ela o trajecto a pé até à Biblioteca para onde ambos iam estudar em pós-licenciaturas, voltaram a fazer tais percursos (devidamente anotadinhos em agenda/mini diário, como mais tarde, nós filhos,  viemos a descobrir, espantados!) e foi um Amor para a vida. Mas isso é outra história...:)
A minha Mãe teve de largar os seus projectos de carreira universitária, seguiu o meu pai por vários recantos perdidos do "mundo" e do País, criando a família com uma notável vocação de Mãe. De Educadora.
Portanto, neste dia da Mãe, que poderia  ser num outro qualquer do Ano, este post não é, tenham lá paciência, dedicado a todas as mães, mas sobretudo à mãe que é a minha: à MINHA Mãe.
Impossível de sintetizar tudo o que foi e é para nós, seus filhos( vou fazê-lo saltitando no tempo, em vagas, centrando-me nas partes felizes): enquanto era "apenas" dona de casa, era a mãe atenta mas não excessivamente controladora, aquela a quem voltávamos , para contar os nossos pequenos dramas. Sabia sempre dar-nos um bom conselho, ajudava-nos a "ler" o que viveramos na escola. Incentivava-nos a nos abrirmos, sem forçar. A Lermos o mundo. Ver notícias em casa não era um tempo de silêncio: gostávamos desde cedo de comentar o que viamos, expor dúvidas pelo que se passava, interpretar as incoerências da Humanidade. Os nossos pais, ao contrário de muitos, incentivavam-nos a conversar às refeições, que eram quase sempre tempos vivos, proveitosos e alegres, como testemunhavam os nossos amigos.
Por vezes o voltar para a mãe era apenas para corrermos silenciosos para o seu abraço imenso, para lhes darmos as mãos, as suas enormes e confortáveis mãos que ,por vezes geladas da má circulação e de pouco tempo para  manicures, envolviam as nossas mais pequenitas.
Era os pedaços de papelão embebidos em água para nos sarar os "galos" na testa e lá parávamos o choro e andávamos a passear todos contentes até o papelão secar e cair. Um tinha um galo... todo o "rancho" pedia um papelão para os "galos" imaginários e solidários!
Era a supervisão distante dos trabalhos de casa, só maior para quando houvesse dúvidas, mas sempre atenta a que não fizessemos batotas nas contas, nas provas dos nove...
Nunca andou a aborrecer professores, a não ser que visse que algo nos angustiava e queria alertar os docentes para isso. Mas o professor era sagrado e deveriamos respeitar todos, por mais diferentes que fossem, tivessem o método que tivessem. Errados que pudessem estar, pois temos de conhecer todos os lados de um mundo assimétrico, nem sempre justo.  Dizia-nos:" se estiverem com dúvidas nas matérias, peçam-me ajuda, veremos o que se pode fazer, nem que eventualmente precisem de explicações, embora eu saiba que são todos inteligentes e não têm motivos para ter negativas. Mas AI DE VÓS que eu venha a saber que foram mal educados com algum professor ou funcionário! Para isso não há desculpa possível!"
Era o escutar as nossas fantasias, enquanto mascava as pontas das linhas ou com alfinetes na boca, enquanto nos costurava um vestido, cosia bibes, aplicava joelheiras e cotoveleiras na roupa dos meus irmãos, transformava um vestido numa saia de alças para as meninas, ou um velho vestido das meninas num vestidinho "novo" para as nossas bonecas.
Era a sua arte de receber as outras "madames" e ter de aceitar convites para chá quando preferiria estar connosco, mas também  a capacidade de conversar com as pessoas mais humildes.
Há poucos meses revisitámos uma nossa antiga casa e foi debruçar-se à janela do que fora o "quarto da costura", foi um regresso no Tempo: curiosamente o mesmo gesto que tinha diariamente, para espreitar se as nossas brincadeiras no quintal estavam a decorrer sem sarilhos.
O meu pai defendia que a nossa casa era em primeiro lugar para ser gozada por nós e só depois para os outros, por isso não era nunca daquelas casas-museu exageradamente perfeitas, que as crianças não podem percorrer no dia-a-dia. No entanto, faziam sempre o possível para que tivessemos sempre um recanto para nós, para desarrumarmos à vontade e brincarmos(coisas que agora tantos pedo-psiquiatras aconselham mas então era a sua sabedoria de pais que intuia): um quartito "de brinquedos", um anexo de quintal, uma grande sala na cave, um jardim-- houve sempre alguns espaços para nós nas casas que habitámos. Cabiam lá os nossos brinquedos, as nossas aventura imaginárias a imitar séries de TV, as festitas de adolescentes, os muito  e variados animais domésticos. De galinhas a gatos, de peixes a ratinhos brancos, de pombos a... salamandras(nem tudo ao mesmo tempo, calma!). Apenas demorámos a  que deixasse termos um cão, pois fora mordida em criança, mas lá acabámos por ter um, que até salvou de morrer e ao qual se dedicou com alma  de enfermeira Nightingale, até durar muitos anos mais! Para tudo dirigia a sua carência profissional da Biologia, desforrando-se no cuidar das plantas, no incentivar-nos a construir um lago minúsculo para rãe e girinos. Chegou a operar o papo de uma galinha!
Quando achou que já cresceramos bastante e viviamos numa cidade, foi leccionar (e em bom tempo o fez, antes de passar a ser "pai e mãe", como dizia...) e então repartiu a sua sabedoria e o seu sorriso maternal por muitas crianças, que passaram a venerá-la e às ciências, fazendo aulas de campo, observando os frascos que levava de casa com os nossos bichinhos apanhados no campo e já em formol-- do qual se destacava aquele que chamávamos de "Clerasil", um sapo gigante! Os meninos traziam-lhe os livros que tinham em casa sobre animais e a Natureza, tantos deles prendas de aniversário antes nem sequer abertas ou exploradas, e muitos enveredaram pela via científica pelo que neles a MINHA Mãe despertou, como mais tarde tantas vezes o testemunharam em encontros fortuitos. Biólogos, médicos, mas também juizes e  de outras áreas que tanto hesitaram se seguiriam letras ou Ciências. Foi das primeiras a dedicar bastante tempo a ensinar aos meninos o que era habitat e Ecologia. Ainda não havia quaisquer anúncios   televisivos de macacos "Gervásios" nem de sociedades ponto Verde e já a minha mãe procurava  ensinar-nos a reciclar, a filhos e alunos, procurando vidrões e as farrapeiras que recolhiam papel. Muita viagem fiz com ela a descobrir aonde ainda existiria uma "Farrapeira" nas redondezas!
Já a tinhamos menos em casa, mas continuava a ser a Nossa/ MINHA Mãe, assim como agora é a avó mimada pelos netos. Então era ela a poder a partilhar os seus próprios dramas diários, o aborrecimento por ter precisado de ralhar a um aluno, a felicidade pela aula com experiência de dissecação ou  de microscópio que correra muito bem , mas sempre sempre ainda  com tempo para nós. Só não tinha muito... para ela.

Claro que nem sempre o relacionamento com ela foi "rosas"! Claro que houve  discussões e choque de gerações, como com todas as mães. Tinha de haver. As gerações encontram-se e prolongam-se, mas estão irremediavelmente apartadas pelo Tempo: há modos de pensar que se adaptam e mudam e a MINHA Mãe acabava por aceitar as mudanças, mas nós também não a obrigávamos a pertencer à nossa geração. Queriamos nela  a senhora da geração anterior, a Mãe que era  e também amiga, mas não a amiga com vergonha de mostrar a sua autoridade de mãe. E longos anos já de ... pai e mãe em simultâneo. Quantas vezes não tinha a razão do seu lado, mas ganhava a discussão, graças a sua poderosa capacidade de argumentação... só no fim pensávamos: "'pera lá! Mas EU é que estava certa!".
( Poderia ter sido também uma boa advogada...!). :))
Já o meu pai era o sonhador romântico que nos ensinava a gostar de livros , de desenho e banda-desenhada, de aprender sempre  muito pelos livros e  a ter sempre curiosidade em aprender tudo. Era, como bem diziam, um homem bom como já "não se fabricam" e...enciclopédico. Uma lâmpada fundia e com a lâmpada na mão o meu pai explicava como funcionava, apontando para os filamentos e porque falhara. Enquanto durava a explicação, a minha mãe, a educadora prática, ia buscar uma lâmpada nova e colocava-a. Complementavam-se. O meu pai, ao contar contos de fadas, era preciso e romântico nos detalhes, fiel à história, do príncipe e da princesa, das Fadas,  do coelhinho que ia às couves e ficava sem casa. A minha mãe, por seu lado, para escândalo do rigor meu pai , fazia-nos delirar com os detalhes inesperados que introduzia nas histórias: o coelhinho ia às couves mas de permeio parava num recanto para... fazer cocó! ENA! ahahah! delirio e risos nossos, protestos do meu pai! O meu pai cantava muito bem, voz de barítono bem colocada, mas para canção de embalar, sobretudo se estivessemos com febre, tinha de ser a nossa mãe e mais ninguém, sempre a mesma cantilena sem letra (oh larô Larô. Larito...), fora de afinação não por má voz mas por uma cicatriz no ouvido, mas SÓ ela a podia cantar! Mais tarde descobrimos , num filme clássico , a preto e branco,que a anónima melodia era de... uma marcha militar!
Era  e é , portanto,  muito especial, a minha mãe. Talvez nos devesse ter obrigado a certas coisas, mas pelo menos obrigou a tantas  outras que muito agradeço: o sair do reduto do lar para ir a campos de férias formativos no Verão, para me tirar um pouco da "casca" e conhecer jovens de todo o país, sobretudo realidades diferentes ( conheci adolescentes com uma visão arejada e culta que tomara agora a tanto deputado de aviário quem nem sabem o nome dos preisdentes); obrigar a apanhar os autocarros para a baixa e ir a pé para a escola, obrigar a comermos tudo do prato, sem caprichos, nem que levássemos horas...

Porém não existem "cursos" para se ser mãe e pai. Todos erram, todos erramos, não há pais perfeitos, por melhores que sejam. Àparte  o caso daquelas mães desnaturadas que envenenam os filhos, "Mãe só há uma" e todos devemos estimar e acarinhar as nossas Mães, por muitos choques que  tenhamos com elas. Tudo porque é a NOSSA Mãe e Ponto final.
Acredito que as mães fazem o que sabem pelos filhos. Cabe-lhes fazerem o melhor que podem segundo as circunstâncias. Sobrevivemos às agruras da Vida com elas, por causa delas, apesar delas, por vezes. Mas é assim há gerações e gerações. Não devemos imputar-lhes as nossas frustrações. No meu caso sempre nos demos bastante bem, talvez por afinidade de feitios, embora não chegue ao seus calcanhares de "Sábia", mas também fez sempre menos cerimónia comigo do que com os meus irmãos, o que não é propriamente uma vantagem, bem longe disso. Mas foi assim que a Vida se traçou...
 Tantas e tantas recordações soltas! (que não quero que se percam na linha do Tempo) Também as dos gestos inesperados e especiais que tinha, com toda a sua generosidade, rasgos ousados do fundo da sua timidez: o deixar que muitas crianças amigas nossas vizinhas lá passassem tardes inteiras ,almoçassem e até experimentassem connosco cozinhados para lanches, a sujar a cozinha. "A sua casa deve ter mel!" Dizia-nos uma vizinha e amiga. O trazer o netito do merceeiro lá a casa para o garoto ver o que era um computador, então o ZX-Spectrum do meu irmão; como moveu mundos e fundos para ajudar uma senhora  quase desconhecida que estava para ser despejada da casa que sub-alugava (descobrindo a existência da APAV, então a dar os primeiros passos); as longas horas de conversa a tentar aconselhar amigas minhas que  a procuravam para desabafarsobre as suas dúvidas na escolha do curso;  e atitudes para  com completamente desconhecidos, como daquela vez em que havia uma greve de transportes e, subindo de carro uma longa avenida, se condoeu e parou para oferecer e dar boleia a uma  humilde avó  que subia o passeio a custo a pé com os seus netos!
Tantos e tantos momentos que jamais esquecerei. A MINHA Mãe, minha grande confidente e Amiga. A boa vizinha, a professora querida de outros, mas a MINHA Mãe...
Hoje já não aparenta a "mulher de armas" que foi. Os anos, as noites mal dormidas, a exaustão de a todos atender acabam por pagar o seu preço.
É um passarito jovial e diz sempre que" tudo é maravilhoso", desde o acordar, até algo que saboreia, da alegria em cumprimentar as meninas da caixa do supermercado até à amorosa  criança com quem mete conversa. "Foi tão bom falar consigo!".exclama, "como é tão bom tomar este café aqui!".  Raramente tem um momento "para baixo". Com a vida que levou, o problemas que nunca cessaram de lhe bater à porta, as autênticas tragédias que sofreu,  teria muitos motivos por ter desistido de lutar, por ter desanimado e deprimido em tantas alturas,para se tornar amarga e revoltada,  mas foi sempre a campeã da resistência.
Como tenho saudades dos seus conselhos, das recordações que me narrava e como me teriam sido tão úteis mesmo agora, essas conversas, eu feita adulta (que remédio!), em tantas ocasiões que vivi!
Hoje quem a vê nem sonha  que passou  o que passou, todos gostam de vir retribuir os beijinhos e abraços e cumprimentos que distribui por conhecidos e não-conhecidos com quem nos cruzamos, conseguindo pôr muito sorrisos em muita cara macambúzia que se ilumina depois da perplexidade inicial quando saúda! Agora tantos quase desconhecidos  vêm perguntar pela mãezinha, aquela senhora que distribui cumprimentos e elogios por quem passa , aquela que agora é de novo menina, onde descobrimos, com espanto, a garotita traquinas  e dançarina que deve ter sido antes de se tornar na jovem e mulher sensata e mais reservada.
Apesar de todas as mossas da vida, posso concluir que a MINHA Mãe, foi e é uma mulher feliz, sem rancores para com tudo aquilo com que a vida  a surpreendeu. Ela é sem dúvida a Nossa/Minha grande Heroína, o nosso modelo de vida, em toda a sua simplicidade e franqueza. Reina nela uma  tranquilidade luminosa, não derivada  de  qualquer  irresponsabilidade ou inconsciência mas precisamente por ter a mente limpa de remorsos, por ter procurado fazer sempre o que é bem, sem maltratar os semelhantes.
Ensinou-nos a ver o mundo com compaixão e  a sabermos distinguir que nem todos têm o que têm só graças ao "mérito", como se diz agora, que há muitas voltas na vida e que o Ser humano merece ser bem tratado não por ser inteligente ou famoso,ou por ter  sorte no destino,  mas porque é um nosso "irmão",  que com todos devemos ser atenciosos e justos, embora não devamos pactuar com o que vemos de errado.
Hoje goza o descanso de ser" filha" dos filhos  e de  ser avó ,agora ela apoiada, acarinhada, mimada até, uma "menina" linda sempre fresca e jovial, com pequenas rugas e manchas da idade quais marcos no mapa da sua vida quase sempre imprevisível. As mãos mais enrugadas mas sempre grandes, agora já com tratos de manicure.
 Mas sobretudo sempre e sempre aquele sorriso e aquela "presença que ilumina"  cada lugar onde entra!
 Muito mais havia a recordar, mas o texto vai longo e já tive que o "costurar". Acarinhem  e louvem as vossas mães neste dia, mas, usando a expressão do  meu pai, contra ventos e marés, esta foi e é  não uma qualquer e não a VOSSA, mas " a MINHA Mãe".
Margarida Alegria (6-5-2012, Dia da Mãe, in blog "Alegrias e Alergias")
(POST Scriptum: eu sei que fiz batota com a data da postagem, tendo passado dois dias desde que  escrevi o seu miolo até postar de facto, depois de tanto acrescentar, remendar e cortar ao texto. Tenham lá paciência. De cada vez que vinda rematar o post acabava a recordar mais coisas de lágrima no olho e a acrescentar detalhes, muitos dos quais acabei por retirar. Afinal, sempre é um texto sobre a MINHA Mãe, condescendam... A imagem que escolhi era, se a memória não me trai, uma das que surgia nas  tampas das caixas de chocolates que a minha mãe reaproveitava para guardar carrinhos de linhas).

terça-feira, 6 de março de 2012

Jack Johnson - better together


(Jack Johnson- "Better Together")
Uma música para desejar boa noite, de uma blogger cansada e apressada.
Amanhã saem dois posts fresquinhos. Um para resmungar com algo muito sério, outro para fazer sorrir (sim... e  em cartoon!).
Deixo a tranquilidade das ondas Havaianas  com a canção  optimista de Jack   Johnson.
Até amanhã.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Recordando intervenções "piegas"-- Best of 2010-2011



("Pedro Passos Coelho- Best of 2010-2011",compilação por Blog Aventar)

Como o recente discurso do PM Passos Coelho, o tal em que aconselhava os portugueses a serem mais exigentes, menos complacentes e menos "piegas", já foi devidamente escalpelizado em diversos blogs(que é um insulto, que vindo de quem não passa dificuldades e não conhece nada da vida real não tem cabimento, etc...), vou relembrar aqui uma excelente compilação em video feita pelo "Aventar", dos excertos do PPC pré-Primeiro-Ministro, onde revela uma "pieguice" total, a lamentar-se dos que têm a barriga e cinto maiores, tirando em impostos o que falta a um povo que não aguenta mais aumentos absurdos, e por aí fora. O video é um "prato cheio"....

Completamente piegas, este choradinho, caro Pedro! Dizer que Portugal está "de calças na mão" é de uma demagogia que não soa bem aos estrangeiros e aos mercados a quem tanto gosta de agradar agora, não acha? E dizer que o país "não precisa de MAIS austeridade" é de uma falta de exigência e coragem extrema, confesse! ;)

E até o seu cantarolar de "lalará-lá lá lá..." que aqui conseguimos escutar... é de uma complacência paternalista que não leva o país a lado nenhum! Nem muito menos os nossos ouvidos! Cantarolar quando os comissários da Troika estavam por aí a chegar, para nos salvar e dar ordens, coitados, a trabalhar enquanto os portugueses estavam a festejar feriados ( em dias diferentes dos feriados que os Troikas têm nos seus países, que escândalo! ) parece mesmo mal, caso Sr. PM!

Ah, estou baralhada...mas mais paternalista é o senhor agora com o tal discurso sobre os portugueses "piegas", não é? Comparar portugueses a estudantes preguiçosos e a si próprio como o professor mauzão e exigente... bem, se não é paternalista e "piegas" é pelo menos paternalista e... auto-convencido, não acha?

Pois no que diz respeito a professores "exigentes", quem o poderá classificar são os seus "alunos", os portugueses, num futuro mais ou menos distante. Acredita mesmo, caro Pedro, que, com as suas desmedidas e discursos que só esmagam os mais desfavorecidos , será recordado como "EXIGENTE"? E acha que basta exigir e exigir, como os professores (que os há) que sobrecarregam os alunos com toneladas de trabalhos de Casa, ignorando a razoabililidade de tempo e de carga horária?

Alerto-o apenas para isto: quando um aluno diz isso dum professor, não o qualifica de mauzão(esses seriam os profs. sádicos), e, para além de o recordar como EXIGENTE", o aluno com boa memória acrescenta sempre "era um professor exigente MAS... JUSTO!".

(pois... se quiser explico melhor, embora não precisasse: crê mesmo que anda a ser um governante/professor JUSTO, sr. PM? Ou não passa de um candidato a bom aluno da Troika e da UE, sem uma única ideia para o país, como caberia a um verdadeiro bom aluno e não àqueles que vivem da "graxa" aos profs? -- desculpe as analogias, mas foi o Sr. que começou...)

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ADENDA (para o anedotário nacional): há escassas horas ouvi a notícia de que Cavaco Silva, por terras da Finlândia, disse que Portugal estava a cumprir os ditames da Troika e que os comissários da mesma voltavam em breve a Portugal para nova Avaliação às nossas Finanças. Mas acrescentou que vira fotos recentes desses senhores e--- bom SINAL!-- eles estavam a... esboçar SORRISOS! (ver AQUI a notícia escrita) Quer dizer, antes o nosso PR gabava os sorrisos felizes das vacas açorianas que pastavam... e agora encanta-se com os sorrisos dos senhores da Troika?! Creio que andam a maltratar este senhor, com excesso de viagens e de trabalho: deve ter tanta saudade dos sorrisos dos netos, que se comove com qualquer sorriso que vislumbra! Dêem férias a Cavaco , por favor! :((

"Alergia" (8-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Boa Noite! Cartoon !(Em breve o arquivo do Jejé e C.ia)

(c) Margarida Alegria, Março de 2011 ("bincá' auz tejoureiruz", in "Jejé e Companhia")
Desejo a todos uma boa noite! Tenho mais cartoons na "forja", mas, como estou com uma valente dor de cabeça, hoje deixo a recordação do primeiro Cartoons  do "Jejé e Companhia", publicado em Março de 2011 e que alguns já conhecem. Prometo criar  muito em breve uma segunda página de arquivo (ver separador no topo desta página) só para os cartoons da série Jejé, embora agora o "Pepé" se tenha tornado o personagem central (ingressando no acampamento dos escuteiros-troikas,lembram-se?), enquanto o outro rumou para um colégio interno, no estrangeiro. Assim ficarão a conhecer toda a sequência, incluindo os que não cheguei a poder publicar "algures"(se bem se lembram, o último cartoon dizia "Continua"), por motivos totalmente  alheios à minha vontade.
Note-se, por curiosidade, que, volvidos oito meses, bastaria substituir aqui o Jejé e o Teté dos Mealheiros, pelos congéneres Pepé e Vitinho do Desvio, que a cena se enquadrava na actualidade, na perfeição.
Tal como no caso dos pastéis de nata  (ou melhor, do MacNata, que a Alergia já debateu),  é o que se pode chamar de verdadeiro franchising de desgovernos. Só devem poder mudar um pouco a decoração dos gabinetes...
Ou, como se costuma dizer... "mudam-se as moscas.."
Até amanhã,então, com mais posts cheios de "sustância", uns "sérios" e outros de cartoons muito actuais! ;)
Margarida Alegria (30-1-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Why can't we be friends?


(Muppett Show , de Jim Henson,"Why can't We Be Friends"- do episódio 401)
Gosto especialmente deste video , desta versão da canção. Ora façam  o  favor de ver  recordar e sorrir.;)
E agora é ler devagar:
É uma verdade incontestável  que as guerras não fazem bem a ninguém, a não ser aos  que enriquecem com ela ( os que tantas vezes as causam, com calculismo e irresponsabilidade, por estarem protegidos à sombra de qualquer bananeira,  longe da frente das batalhas). E mesmo assim, avaliados os danos, estes são sempre bem mais pesados do que quer que  se possa ter lucrado.
Sempre gostei muito dos Marretas ,da época áurea do seu Show, tendo este video em particular um valor extra que não vou especificar. Mas  isso é para mim, pois tenho vindo a aprender que aquilo que valorizamos é  muitas vezes apenas um interesse passageiro  ou mera curiosidade para outros, até um instante de mero divertimento fútil. Deveriamos todos,seres humanos, uma mesma espécie, andarmos numa sintonia comum,  ou pelo menos  num número diferente da mesma frequência , hertziana ou..."Heart-ziana", no que respeita a certa harmonia de ideais, de sonhos.
Porém tal não acontece: julgamo-nos mais perfeitos uns que os outros, com mais razão uns que os outros, desprezando os pontos comuns que desenham a frágil Paz. E daí tão facilmente surgirem as guerras, colectivas ou privativas.
Um povo julga-se superior e mais "cumpridor". GUERRA. Um outro acha-se no direito a um certo terrritório. GUERRA. Um país quer obrigar outro a fazer algo. GUERRA. Outro quer impor aos restantes a sua cultura, a sua forma de ver o mundo... GUERRA. Sempre e sempre se encontram as dissidências, apesar de tantos organismos (pagos a peso de ouro e cheios de pergaminhos e comendas) que são criados para tentar manter, senão a união, pelo menos a paz e o não-confronto.
   Se isso é entre povos, que dizer então entre pessoas? Um implica com a cara do outro... GUERRA. Outro leva a mal o que Um disse: GUERRA. Um perde a paciência e resmunga com Outro: GUERRA. Outro resmunga e perde a paciência com Um: GUERRA. Um tem gosto musical diferente, usa roupa diferente, não quer o mesmo penteado, acha que o outro desafina sorri pouco ou fala pouco, sorri muito ou fala muito... tudo e tudo pode ser motivo para encontrar diferenças, quebrar pontes, por vezes tão a custo construídas, mas de bela arquitectura. Tudo é pretexto para Guerra, para tonto desentendimento, para atitudes radicais e pouco frutuosas... Como depois reclamar pela paz no Mundo, por ideais gloriosos e pomposos, ao nível Universal, se depois só há espaço nos corações e nas mentes para a desconfiança do vizinho, para a zanga com o colega, o corte com o familiar, a fúria com quem é amigo?
Isto só mostra como o ser Humano é pequenino, face à grandeza que tem em mãos, a grande  responsabilidade  de tomar conta de um Mundo que não merece. Mas mesmo assim tem esse poder, o de estabelecer harmonia na Terra, de desenvolver uma Humanidade mais justa. Só que precisa de descer do pedestal e agir CADA DIA que passa. A Paz não é um bem absoluto que guardamos no bolso, ou sequer num cofre. A Paz constrói-se e conquista-se, tantas vezes no meio de lágrimas e do esquecer dos orgulhos ocos e mesquinhos.
  Sempre pensara assim. Só que nos últimos tempos descobri que na Vida funcionamos como um grupo de remadores de um grande barco. Porém com uns virados a remar para um lado, estando  outros a remar para a direcção oposta. Não me refiro a lados políticos, mas dos rumos da paz. Cheguei à teoria pessoal que ,enquanto uns  seres humanos  (ou povos inteiros) nascem para tentar conciliar, --construir laços, tentar não fazer grandes ondas (para além dos debates de opinião) com uns e com os outros, tentando encontrar os tais pontos comuns que nos unem --, outros parece que nasceram em e para as guerras, ou pelo menos para os constantes desentendimentos e conflitos, vendo  ofensa no mínimo que é dito, procurando significados ocultos e/ou perversos nos "discursos" mais claros e transparentes, revirando cada pedra em busca de serpentes, enquanto não reparam na verdadeira serpente, a mais venenosa, aquela que se instalou nos seus corações: a serpente da desconfiança, do medo, da escuridão. E é essa "serpente" que, tal como no mito bíblico,em momentos de crise,leva a trair a promessa,  leva a trair a confiança do que se contou, do que se confiou de muito pessoal(não  coisas genéricas, mas muito concretas e privadas!). No ano que passou deparei com essa "serpente" a dominar algures e... não foi bonito.Creio que se deve a feridas pessoais, mas gostaria bem que tal "serpente" fosse erradicada e posta num" Museu do que Não é Importante"...Porém, como li outro dia, a propósito da amizade, não é  que existam pessoas a  não MERECEREM a nossa amizade(quem somos cada um de nós, de especial?).São pessoas que não estão PREPARADAS para a nossa amizade. Infantilidade, talvez. Insensibilidade, quem sabe. Medo de viverem SEM conflitos, a hipótese mais provável. Assim como há povos que demoram séculos a estarem preparados para viverem em paz. Portugal, por exemplo, não demorou muitos séculos a aprender, embora muitas vezes substitua a paz activa pela apatia colectiva e fatalismo.
Em suma: é mesmo muito difícil isto da convivência entre pessoas e povos, mas não é tarefa impossível, se todos remarmos na mesma direcção, a da paz e do bem comum, seja qual for o abismo de ideologias,  de tradições, de feitios e de percursos pessoais.
Às vezes é preciso virem uns bonecos, uns fantoches peludos como os Marretas, para nos lembrarem quanto os conflitos são ridículos e inúteis e que mais valia entoarmos uma canção e andar a lançar alegres fulminantes. Reparem que quem abriu fogo "a sério" foram os velhotes resmungões, ou seja, as gerações mais caducas, que já pouco têm a perder! Foi sempre assim na História do Homem e os Marretas parodiam isso na perfeição. Mas somos geralmente cabeças muito DURAS!
Vivemos dias negros na Europa e no Mundo, há quem fale em (mais!) guerras mundiais no horizonte (para não variar...) e há quem diga que se deveria saltar à frente do Ano de 2012, que agora começa. Discordo: cada etapa é precedida de outra e mesmo as mais difíceis devem ser superadas, para não nos "excluirmos" da corrida. Apesar de tudo acho que só será um ano Negro se o permitirmos.
A nível Geral, será difícil evitarmos os momentos de desânimo e até algum desespero. Mas esses já nem bem me interessam tanto, pois, bem ou mal, a Humanidade tola cá vai sempre continuando a fazer "das suas" na Terra.
 Já a nível pessoal, no que a mim e aos mais próximos diz respeito, familiares , amigos ,  vizinhança, julgo que PODEMOS FAZER a DIFERENÇA, sim.E com ela melhor enfrentar o Ano Negro Nacional e internacional. Especialmente no que respeita aos amigos. Há quem diga que a amizade é o que de mais belo e altruísta existe no mundo, pois que totalmente GENEROSO e sem atitudes de "interesse". De facto: até no Amor as pessoas buscam qualquer coisa em troca, seja intimidade, companhia, protecção, o ser centro da atenção para alguém. No amor de mãe/Pai, é o orgulho de transmitir os genes, de perpetuar, o revermo-nos nos filhos. Mas na Amizade não: haja embora momentos mais graves e outros mais leves, momentos de afastamento e outros de convívio, o que se busca no amigo é só a sua amizade. Patético por vezes, eu sei! Olhem para aquele/aquela "palerma" que está ali.Com pouco em comum comigo, aparentemente. Não me era nada, não o/a conhecia de parte alguma e, num certo momento, tornou-se meu amigo/minha amiga! Milagre! 
Não falo dos "conhecimentos", dos contactos", ou sequer da amizade popular em redes sociais.Não são "caçadores-de-talentos" ou  especialistas em relações públicas, mas tornam-se um pouco especialistas... em nós. Falo de quem é capaz de gostar de nós, mesmo com alguns defeitos de parte a parte, sem saber bem porquê e por outro lado sabendo, sem explicar; pessoas que, mesmo depois de distância de meses ou anos, nos recebe de braços abertos, como se nos tivessemos visto já "ontem", alguém que não nos  mede pelo aspecto (alto/baixo/magro/gordo...), que não liga nenhum "radar" para ver segundas intenções ocultas, alguém pronto a escutar, mas em quem podemos confiar, alguém que escutamos também com paciência e carinho, mesmo que não possamos ajudar.Alguém que tenta aceitar e entender mesmo o quase inaceitável e incompreensível em nós. Mesmo que discutamos por vezes, acabando a rir-se connosco. Pessoas a quem podemos simplesmente dizer, com a nossa presença: Estou aqui. Alguém se preocupa. Conta comigo. E sei que também contigo posso contar. Podemos conversar. Ou podemos escolher o silêncio eloquente. De uma ou outra forma estaremos a "Dizer-nos".
Pois a Amizade comunica sempre, na própria amizade. Gratuita, mas por vezes difícil. Altruísta, para que aprendamos melhor a dar. E a SER.
Desejo mais uma vez um Excelente Ano de 2012 a todos,em especial aos amigos, lembrando que, para a PAZ que nele queremos, devemos repartir o que somos, procurar conservar o que está bem,  burilar o que está menos bem,  remendar o que se estragou (estamos em contenção e poupança, recorde-se!:)), enfrentar CADA DIA e cada situação com coragem e força... sempre tendo a PAZ como objectivo principal e COMUM. Denunciando e tentando sarar as alergias, porém jamais esquecendo de viver  e "saborear" as alegrias! :)
Obrigada, Marretas "fofinhos"!
(e , bolas! lá ia eu escrever só umas palavras, mas sou assim, às vezes: "chatinha" mas bem intencionada... Tenham lá paciência para me aturarem um pouco em 2012, ano novo em folha. Ai ai...)
Margarida Alegria (4-1-2012 in blogue "alegrias e alergias").

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Adeus, Cheeta! :(

("Cheeta no listen to Jane!")

Mais uma para o já longo obituário de Inverno... Desta vez, faleceu Cheeta (ou em Inglês, Cheetah), que não era "uma" mas "um chimpanzé, nada mais do que o mais famoso do Mundo.

Famoso, por ter sido estrela em vários filmes dos anos 30 (entre 1932 e 1934) do "Tarzan" protagonizado por Johnny Weismuller e Maureen O'Hara.

Eu era muito pequena e das peripécias desses filmes lembro-me pouco: Tarzan a viajar de liana em liana e a lançar o seu grito,Tarzan a lutar contra crocodilos, ou a bater no peito(mais uma vez com o grito que oscilava entre um infeliz com dores de dentes e um cantor de ópera a fazer gargarejos terapêuticos), uma Jane a refilar com Tarzan antes de ser beijada, Jane a nadar no rio e a sair milagrosamente de cabelo já seco, mais tarde um filho ( para cumprir o american dream da família nuclear, pois claro!), de nome "Boy"...

Mas a estrela, a maior estrela era sem dúvida, pelo menos para a criançada, o chimpanzé Cheeta, que pouco mais fazia que brincar com o Boy ,bater palmas, tapar os ouvidos ao que dizia Jane (por ordem de Tarzan!) e,sobretudo, soltar a sua famosa gargalhada, numa fiada de enormes dentes ou projectando os lábios num ulular simpático e gozão! (a família feliz da Selva africana: umas tangas, muito ar livre e muito Amor. Poderá ser o nosso ideal em tempos de crise, no tal regresso ao "essencial"? Será por isso que PPCoelho quer que emigremos para África?)

(Cheeta, já no Santuário animal da Flórida, com foto "de família)


Desde os anos 60 a viver num Santuário de Vida Animal, na Flórida, parece que Cheeta tinha interesses variados, o que também pode ter contribuído para ficar muito tempo neste mundo: pintava com os dedos, gostava de música e... de futebol. E gostava, sobretudo , de ver as pessoas a rir.

Dera risos ao mundo e gostava de os ver nos outros.

Tinha cerca de 80 anos e faleceu na véspera do dia de Natal passado, não resistindo a uma crise renal.

Havia polémica quanto à sua identidade como o verdadeiro chimpanzé dos filmes de Tarzan. De qualquer forma, ficou consagrado como tal, proporcionando belas visitas de crianças e adultos, sorrindo e fazendo sorrir. E, batendo todos os recordes de longevidade, ultrapassando O DOBRO da esperança média de vida dos seus congéneres.

Portanto, recapitulando, era ele (ou outro?) a maior estrela em "Tarzan", com suas palmas e sorrisos. Mencione-se ainda hoje o nome "Cheeta" e qualquer pessoa que visse TV há umas décadas sabe de "quem" se está a falar. O que comprova que, para a sobrevivência de qualquer um na memória dos outros, mais que beleza e inteligência, candura, coragem , elegância e força, ou até mais que qualquer enredo, o que perdura é a alegria contagiante, um BOM E VERDADEIRO SORRISO, a descontracção de uma bela gargalhada!
Até sempre, Cheeta!

"Alergia" 28/12/2011 (in "Alegrias e alergias"- blogue)
E aqui mais um retrato:
(Cheeta já nos seus últimos anos de vida. Ainda parece feliz...)





domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal 2: As Estrelas caem do Céu. Os Amigos não...


("It's A Wonderful Life", de Frank Capra- "Do Céu Caíu Uma Estrela"- cenas finais)
Na sexta-feira à noite passou na RTP1 o clássico filme de Frank Capra, "Do Céu caíu uma Estrela". A história do idealista "anónimo"  George Baley , que, cansado de ver a vida sempre a andar para trás, cheio de problemas económicos e não só, maltratado por pensar primeiro nos outros e a prova viva que o mundo parece andar ao contrário, tantas vezes parecendo castigar os bons e beneficiar os cruéis,... tenta o suicídio. De resto, já devem recordar-se. Um velhote, anjo temporariamente suspenso do Céu,impede a desgraça e fá-lo reviver o seu passado e também ver como ficaria o mundo dos outros à sua volta, se ele desaparecesse. Esse anjo tem por missão salvar George e assim ganhar o seu par de asas.
Aqui (acima)estão as cenas finais (desta vez sem acrescentos de internautas! :)).
O mais importante, a mensagem de Clarence, o anjo:
"Lembra-te, não é pobre aquele que tem amigos."
Às vezes duvido da verdade dessa mensagem. Raramente acaba tudo tão perfeito como neste filme, com os amigos a surgir de todo o lado a provir com o dinheiro que George precisava, para não ir para a prisão. Mas também ele já não se importaria de ir, pois descobrira o que era mais importante do que esses sarilhos.
Por vezes os amigos não se apercebem do sofrimento dos outros, não por maldade. mas pelo corre corre da vida. Outras vezes são poucos os que surgem por iniciativa própria a dar a mão em tempos de crise.
A mensagem do anjo deveria ser ao contrário, pois foi isso que aconteceu a george Bailey: ele tinha amigos, porque ERA AMIGO, sem se aperceber até. Ou seja, não ficava só à espera que os OUTROS se preocupassem com ele, mas preocupava-se com os outros, tantas vezes se esquecendo de si. Como quando teve todos aqueles gestos de atenção e coragem em criança. Como quando contagiou os outros com o seu entusiasmo e até ingenuidade. Com a sua alegria de viver.
A mensagem deveria ser: Nunca é pobre QUEM É AMIGO.
Verdadeiro. Ser-se amigo não  é dizer a alguém "Confia, confia, sou teu amigo!" (pois...) e depois, quando uma "pancada" dá na cabeça, trair essa confiança dizendo em público algo que se lhe confiou de muito pessoal e até grave. Isso é traição, estúpida e vil. É porque se andou a querer a confiança de alguém para depois ter mais poder sobre essa pessoa e melhor manipular, do cimo de uma superioridade tonta e inexistente  (era tudo uma grande mentira?!) . Não é amigo quem disse maravilhas e elogios de alguém e depois, para impressionar novos "amigos", tantas vezes desconhecidos cibernéticos, se insulta essa pessoa publicamente e ainda se dá os ares de ofensa!Mas issoé coisa de doença grave, até posso entender. Só isso explica... Não é amigo, se depois diz que deixa de ter amizade, como se a amizade não fosse algo a ser construído e fosse um mero interruptor.Não se é amigo quem toma o que é obra dos outros como sua, ou pelo menos o sequestra em torpe "rapto" de propriedade intelectual. Não se é amigo quando se toma um sincero e bom conselho, em particular, por insulto, quando não se entende nada de nada e se troca pessoas que tudo fizeram por nós em momentos difíceis, sem nada pedir em troca que não lealdade, por outras quase desconhecidas que nos fazem as vontadinhas, só porque ainda estão iludidas. Quando se  quebra a lealdade de uns em troca de meros gestos de atenção de outros, por vezes  até de Amor, mas nunca retribuídos, pois não se sabe o que amor seja.
Não Ama quem não sabe dar amor. Há quem tenha amigos embora nunca seja amigo.Injusto, completamente, pois muito  no mundo é podre e tonto como essas pessoas.
Daí eu dizer que o mundo por vezes não tem esse equilíbrio que o filme mostra. Mas, lá está, é uma ficção, uma parábola, com uma bela mensagem de coragem e ternura.
O que deveria ser dito aos G. Baileys deste mundo é que, apesar das traições, de nem sempre a amizade ser retribuida, por cada traidor que estraçalhou a sua confiança, há três ou quatro bons amigos, que sabem poder contar connosco e sabem o que é a gratidão e o carinho. Que sabem dar, receber e a diferença entre os dois gestos.
Para cada Sr. Potter avarento,por outro lado também, há uma família que acolhe, verdadeiros amigos com que se pode contar.
Por isso, o "Alegrias e Alergias" deseja Bom Natal a todos, sem egoísmos, revendo a vida, partindo ao reencontro com os que nos amam, mas, sobretudo, aqueles QUE NÓS AMAMOS e sabemos amar. Pois o Amor não é uma montanha -russa nem algo que se desgaste ou desligue: o verdadeiro amor e a verdadeira Amizade, mesmo que tenha momentos de afastamento, são sempre para a eternidade, sempre em crescendo. Se forem de verdade. Se lhes dermos valor e cultivarmos, sem "negócios" de sentimentos,daqueles simulados por alguns só para que alguém cuide de si!
Margarida Alegria (25-12-2011)