( gatos- cartaz "clássico" de T. A. Steinlen)
QUE DIZER NESTE DIA?
Que é dia de Santo António, o casamenteiro e do sermão aos peixes, cansado de tentar em vão ensinar o que é importante a pessoas obtusas que não o queriam escutar? Bem fez em dirigir-se aos peixes, que mesmo que misteriosos, no seu deslizar prateado pelas águas e olhos inexpressivos, conseguem certamente ter mais sangue quente do que tantos " humanóides" que por aí andam disfarçados de gente de coração...
Vou dizer que é o dia em que finalmente Portugal conseguiu vencer num jogo da fase final do Euro? Foi o santo lisboeta a deitar água benta aos jogadores?
Não. Vou dizer que é o dia de duas amigas minhas que nunca me desiludem, apesar de algumas arranhadelas (mas sempre aos móveis).
Perdoem as minhas outras amigas, mas este dia é delas. Que me ensinaram a ser mais paciente, que me demonstraram o quão digno é um gato, que dá fidelidade e carinho mas que quer igual respeito. Quem diz que os gatos são traiçoeiros, não os conhece e não convive com eles. O que não se deixam é enganar por falsidades. Tomara que elas tivessem estado mesmo a meu lado para me aconselharem , aos seu jeito, perante quem se revelou de uma crueldade ingrata,injustíssima, estúpida e até paranóica. As minhas amigas gatas teriam de pronto bufado e arranhado psicopatas. Patas de gata a arranhar com generosidade o outro tipo de "patas", de "patia" , de "doença" triste e vil...
As minhas gatas são sábias a 100%. Eu não. Longe disso.Mas continuo a aprender com elas. A valorizar um raio de sol, uma boa sesta, uma alegre brincadeira.
Que posso eu oferecer-lhes neste dia, além dos mimos do costume?
Um jantar de peixinho? Uma escovadela extra?
Já aqui postei aquele cartaz(acima) que me lembra um pouco a compleição de ambas, mas não chega...
Talvez este livro de Poemas... não para lhes ler em voz alta, pois já me fizerem perceber que detestam que lhes leiam alto. Preferem que se cante, ou um som suave de piano.
(capa de "O Livro dos Gatos", de T. S. Eliot; ilust. Axel Scheffler)
Este é um Clássico da literatura, poemas dedicados aos gatos, ou aos "gatos em cada um de nós", de T.S. Eliot (VER AQUI a referência ao original). O mesmo que deu origem ao libretto da famosíssima ópera rock de Andrew Lloyd Weber, "Cats". Finalmente em edição portuguesa (ed. Vega) e que contém algo de curioso: como a Poesia é quase intraduzível, o livro contém um opúsculo incluso com os poemas originais em Inglês.
E vejam como o Poeta bem nos "explica" os gatos no que são e no que NÃO são, por exemplo, num excerto do poema "Tratamento dos Gatos"(as minhas amigas merecem bem o trabalho de transcrição):
Há neste livro Gatos tão diversos
Que tenho agora esta opinião:
Quem já o leu ficou habilitado
A entender-lhes formas e feitios.
O que já sabem chega para ver
Que semelhantes são, Gatos e nós
E outras pessoas, afinal dotadas
De maneiras diferentes de pensar.
Há uns que são loucos, outros com juízo
Há uns que são bons, outros são ruins
Alguns são melhores e outros nem isso--
Mas de todos se fez um retrato em verso.
Em ocupações ou divertimentos
Os seus nomes próprios foram indicados
Bem como os seus modos e meio também
Mas
como devem pessoas dirigir-se a Gatos?
Vou, pois , avivar a vossa memória;
Deixem-me dizer: GATO NÃO É CÃO.
Cão faz de conta que gosta de brigas,
Ladra muita vez, é raro morder,
Em termos gerais, o cão não é mais
Do que dizem ser um pobre diabo.
(Não é esse o caso do cão pequinês
E outras perversões da raça canina,)
Por via de regra, o Cão de bom tom
Sempre se dispõe a ser um palhaço,
Não sabe fingir um ar afectado
E chega a perder toda a compostura
Deixa-se enganar com facilidade,
Basta que lhe façam festas no pescoço,
Carinho no dorso, afago na pata,
Dá pulos até, de satisfação.
Simplório completo e bonacheirão,
É obediente às ordens e vozes.
Que fique bem claro, volto a dizer:
Um Cão é um Cão... UM GATO É UM GATO.
(...)
( o poema continua, falando da conquista da confiança dos gatos com alguns pitéus...)
(àparte, isto me faz pensar: embora goste de cães sou pessoa mais "de gatos" do que "de cães". Porém constato que para os outros se calhar, embora tendo muito "de gato", devo ter mais "de cão"... :(()
Eis a versão original, se preferirem(O POEMA ORIGINAL, e em Inglês, só não é completo pois corta toda a passagem que aqui leram sobre os CÃES! O que acontece em todas as versões online não adaptadas para letra das canções! O que prova que até os estudantes americanos devem estar a fazer análises por uma versão truncada, bem mas pelo menos dá para lerem o resto do poema. mesmo que assim perca o seu sentido total...):
"THE AD-DRESSING OF CATS" (clicar)
Finalmente, satisfaço-lhes a curiosidade, vós, visitantes. Aqui estão elas, as maninhas, na foto mais recente, bastante ensonadas e ternurentas, pois foi a forma de se deixarem fotografar quietinhas:
(c) Margarida Alegria, in blog "Alegrias e Alergias" (26-4-2012)
E agora vou dar-lhes o dito jantarinho, pois, embora boas amigas, pacientes, jamais esquecem uma promessa. Podia falhar-lhes,sem problemas de maior, mas não mereceriam tal desfeita! :))
Margarida Alegria (13-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias)





