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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O "Alergias" no "Público"! :))

                      (Excerto do jornal "Público", de 9-12-2011, secção "blogues em Papel" P2, pág.ª 2)
Tcharammmmm!!! :)))
Qual não foi a minha surpresa, há bocado, ao dar com um excerto de um post aqui do "Alegrias e Alergias", na secção "blogues em papel", do destacável  P2 do "Público" ! :))
Já não fui a tempo de sacar da babete, mas partilho aqui a satisfação e a digitalização do texto seleccionado.
É uma passagem do meu post de ontem, dia 8 de Dezembro, sobre a polémica da barragem do Tua e de como pode afectar e levar à desclassificação como Património Mundial , pela UNESCO, do Alto-Douro Vinhateiro.
A minha surpresa foi duplamente estimulante, tendo em conta que este blogue tem apenas pouco mais de um mesito de existência (nasceu a 30 de Outubro de 2011). :)))
Abraços a todos os que nos têm acompanhado , com encorajamento para a criação do blogue, com simpáticos comentários e, sobretudo, com a leitura dos textos e cartoons aqui publicados.
Dedico este post à minha amiga "Hurtiga", grande bloguista do "Vade Retro" e ainda do "Sinistra Ministra" que infelizmente não poderá comemorar nesta Terra tal "Alegria", mas que sei que soltaria uma das suas gargalhadas cristalinas, com um comentário bem disposto a propósito. Saudades e obrigada, Amiga, tão precocemente roubada à Vida! 
 (Hurtiga: é pequena a compensação em relação ao Post que tinha criado e publicado, pelo teu Aniversário, a 21 de Maio passado, no blogue "Precisamos de Ti", que era uma espécie de Memorial, para mim e mais algumas pessoas, mas  recentemente apagado e truncado com estranha maldade por quem o "administra", por razões que me ultrapassam e escapam à Razão, à Lógica, ... a Tudo. Deixaram apenas a foto  que te tirara um ano antes e até comentários foram "para o espaço". Conto isto aqui pois já me cansei que me façam dessas crueldades e acabe por me calar, a troco de alguma Paz e  do espírito e esforço de Reconciliação. Mas como isto te envolve e algo que eu escrevera em tua homenagem e Memória,  desta vez não me calo e deixo aqui registada a delirante malfeitoria/ "lapso(??)! Aguardo que a Justiça e a Lucidez acabem por triunfar!...)
Pronto! Diante de tanta coisa menos simpática que se passa no Mundo, já ganhámos hoje baterias novas para continuar o Blogue!
E por falar, se gostarem destes textos, adiram ao blogue, como seguidores, ALI  na coluna AO LADO DIREITO, ou através da Google Rede Social, ou através da Networkedblogs/Facebook (basta estar ligado ao FBook e clicar no botão azul, sob as fotos, em "follow this blog"). E adicionem-nos aos favoritos, claro. ;)
E aqui está o link para o post completo de onde foi seleccionado o texto que surge no "Público":
Margarida Alegria (9-12-2011, "Alegrias e Alergias")
(ups! Ia escrever só umas palavras mas acabei por me alongar de novo! Desculpem! :))

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Salvar o Património em "2 em 1"...


 ("Linha do Tua, património por classificar" 2008- om música portuguesa variada: S. Legião,  A Naifa..)

Mais tarde ou mais cedo, a questão da manutenção do Douro como Património Mundial iria dar polémica, apesar de já classificado pela Unesco. Mas isso não  aconteceu pelas razões que me levavam  a temer tal humilhação para o nosso País.
Em Portugal tratam-se este tipo de situações um bocado como certos alunos tratam os exames. Decora-se tudo muito  bem  na véspera, fazem-se trabalhos muito lindos com imagens a 4 cores,entrega-se o trabalho, ou "despeja-se" (é mesmo a gíria estudantil) a matéria no exame  e está "feita a coisa". Resta esperar a classificação. E quase tudo é para esquecer,depois, em vez de ser para aprender.
Da mesma forma com estas candidaturas: convocam-se os pareceres dos melhores especialistas, fotografa-se e documenta-se tudo, argumenta-se brilhantemente, faz-se o volumoso "dossier"  em papel de luxo e espera-se.
Como normalmente o "alvo" da candidatura é mais que merecido e está a precisar de ser salvo das garras da Humanidade, lá vem a classificação de Património da mesma, há regozijo, aplauso e... que tudo surja em seguida por obra e graça dos mais esforçados dos seus defensores, sem grande estratégia nacional. Como em tanta outra coisa, sem uma Visão Global e integrada do problema agora em mãos.
  De seguida há muitas reportagens mais ou menos ofegantes no local, todos ficam a conhecer televisivamente os melhores recantos daquele tesouro nacional(veja-se agora a febre do fado, como eu  em receava, AQUI ... eu não dizia?!), os particulares mais vivaços publicam em livro um sem número de fotografias recentes e antigas daquele lugar paradisíaco, de preferência por altura do mais perdulário Natal, ficamos a conhecer em várias poses as personagens castiças do local, desde a vendedeira de figos ou de mantas ao velho pastor e ao seu cão, passando pelo "Emplastro" da aldeia mais típica e fica todo o país muito orgulhoso.
Numa segunda fase, começa a poeira a assentar e um ou outro grupo de mais endinheirados , também vivaços, tentam criar uns estabelecimentos hoteleiros e atracções turísticas extra. Começam a surgir os disparates: um parque aquático numa bela encosta, um hotel que, em vez de representar a riqueza arquitéctónica da região, usa apenas os seus "materiais nobres", cobra preços proibitivos (para ser selectivo, claro, nada de populaças! Nem de "emplastros" ou vendedeiras) e que ilumina tudo a tons de sépia escura, de forma a não deixar o turista ler, que  o que deve é comer e beber(e , se calhar, não conseguir ler o preçário...).
Enquanto isso, os promotores da ideia, ou pelo menos os que restam nos organismos, tentam organizar tudo para que não caia no descalabro, proibindo o que conseguem quanto aos estragos paisagísticos, tentando criar normas que levem para a frente o local homenageado, para que não se desvirtue a sua essência. Batem muitas vezes com o nariz em muitos entraves, que incluem os exageros turísticos de quem antes  entregara a zona ao esquecimento, mas que agora... se está sempre "a lembrar", com novos projectos mirabolantes prontos a descaracterizar a zona.
No caso do Douro Património Mundial da Humanidade, valham alguns organismos e seus paladinos e o bom senso também de muitos dos vitivinicultores que sempre souberam a maravilha que ali se "escondia" ao Mundo, mantendo as tradições paisagísticas e culturais na parte que lhes toca.
Por outro lado, ainda,o  que era fundamental e até obrigatório fazer, segundo a Unesco, seria um "Plano de  Gestão da Região", que como também é tradicional por cá, já existia no papel, mas ainda não estava a ser aplicado.
Porém, com tudo o que falha e tudo o que ajuda a manter a qualidade e genuinidade desse Património, há um pequeno pormenor que ninguém pode precaver: os governos centrais do País e os caprichos dos seus líderes. Desta vez,como em tanta outra desgraça,  o algoz foi o Governo de Sócrates, com a sua "paixão" magalhanesca pela tecnologia e pela palavra "moderno", que para o seu PM significava tudo o que se ligasse à corrente e tivesse luzinhas a piscar, desde os defuntos pc "magalhães" aos quadros interactivos,  passando pelos carros eléctricos particulares e por aquelas empresas de bombas térmicas a fingir de fotovoltaicas. Tudo o que implicasse vestir de vez em quando uma fatiota azul, um capacete e uns óculos de protecção, ao visitar  uma empresa , "moderna" está claro, de onde saia satisfeito a dizer "porreiro, pá!" e clamar novos postos de trabalho (em princípio, até à deslocalização seguinte) e um amanhã glorioso perante os microfones dos O.C Social.
Portanto, neste caso não foi o seu sucessor, PPCoelho, a errar. Foi o Governo de Sócrates que deu luz verde ao projecto da barragem do Tua, zona vizinha do  Alto Douro vinhateiro(galardoado como Património Mundial), em troca de uns insignificantes Gigawatts. Destruindo a linha histórica  de comboio do Tua , incomparável no Mundo, e,  com a  construção da barragem, destruindo uma paisagem que infelizmente nunca vi em directo, mas que  quem viu diz ser inesquecível e de cortar a respiração.
Deixo aqui um video feito aquando da reabertura da linha do Tua, já em automotora moderna, em 2008, que permite espreitar um pouco essa beleza. Mais tarde deram-se os misteriosos descarrilamentos, por falta de manutença ou outra razão, o encerrar da linha que tanta gente servia e o desmantelar da mesma, por sucateiros de autorização duvidosa (mas isso já são casos de tribunal).
Hoje surgiu então esta notícia como uma "bomba" para o nosso brio português:
"Barragem do Tua põe em risco Património Mundial no Douro" (Público, 7-12-2011)
 Agora,  o que é irónico é que a classificação do Douro, ou a sua Desclassificação está em causa,mas  não por certas asneiras feitas no local, pela voragem do lucro ou da estupidez; e a continuação da construção da barragem do Tua está em Xeque, mas não devido (directamente, pelo menos) aos continuados protestos dos Ambientalistas e milhares de portugueses contra esse crime.
Quem vem por em causa a manutenção da Classificação do Douro é a própria Unesco, pela mão dos seus peritos, chamados para a avaliação regular da situação. E são eles e o seu parecer que deixam nas mãos do novo  governo a sensatez que será parar a construção da barragem.
  Explicando: embora o vale do rio Tua não pertença já à área classificada pela Unesco (aliás, mereceria a sua própria candidatura!), é bem visível das encostas do Douro, estragando o conjunto paisagístico!
Assim: se a barragem for para a frente, podemos perder um importantíssimo trunfo turístico Nacional. E em vez de ser destruido "apenas" um tesouro ambiental e paisagístico são destruídos DOIS!
Portanto, Sr. PM, Srª Ministra Cristas e senhor ministro Álvaro, não há que hesitar! Tenham rasgo, bom senso e ajam como jovens  ousados que (ainda) são! E como verdadeiramente "modernos" como devem ser. Pare-se a obra no Tua e salve-se e reabilite-se o que se pode, num país onde um dos maiores coletes de salvação é o Turismo.  Onde um dos maiores tesouros irrepetíveis e únicos é a beleza natural. Sr. ministro: aquilo é tão belo que... "nem parece Português"! Ainda é mais belo que o Canadá, atrevo-me a dizer!
E optem também por não ficarem amarrados a mais esta asneira da precipitação "determinada" do governo anterior. Já basta a dívida pública que então inchou!
Façam o que é boa política e boa escolha. Qual Souto Moura a  tentar disfarçar o impacto paisagístico da obra, qual quê! Vai ficar-nos tudo muito mais caro, a curto, médio e longo prazos.
Há teorias que já de si são discutíveis, mas no que respeita ao nosso Planeta Azul não se aplicam.A Natureza, depois de  destruída e empobrecida, não se revigora como  Fénix das cinzas. Quando isso aconteceu foi quando o Homem desapareceu do Horizonte.
Senhora ministra do Ambiente, salve o Tua! E, ao fazê-lo, vai ser então como certos champôs "2 em 1": salva o Tua... e o Douro também! E ainda poupa! Poupa!!!! *
Margarida Alegria (8-12 -2011)
* e arrecadam  mais uns milhões em breve, vão ver!

domingo, 27 de novembro de 2011

Património Mundial: CAMANÉ "Sei de um Rio"


(Camané  "Sei de um rio"- 2008)
Pouco a acrescentar ao grande entusiasmo que reina hoje por  Portugal e não só, pela declaração, pela  UNESCO, do Fado como Património Imaterial da Humanidade.
Da parte que me toca, talvez por não ser lisboeta, não cresci numa cultura de fadistas (só de tristes "fados"...). Em crianças,  eu  e os  meus irmãos parodiávamos, até, a pose  dos fadistas, nas nossas brincadeiras, com os seus xailes,  os seus olhos  fechados e  as suas nucas lançadas para  trás.  Os  meus pais  cantarolavam bastante, mas  eram  temas  de filmes ou romantismos brasileiros. Achávamos piada ao estilo da Hermínia Silva e seus àpartes, respeitávamos Amália e Carlos do Carmo.
Mas não era entender e sentir o Fado.
Depois crescemos.
Passei a apreciar o Fado dos estudantes de Coimbra, principalmente nas vozes de Luis Góis, Adriano Correia de Oliveira e José Afonso.
Já o fado lisboeta continuava... quase como aquela paixão alfacinha por comer caracóis: um mistério!
Levaram-me a casas de fados, escutei e respeitei. Porém não o conseguia viver por dentro, à parte alguma letra/poema mais bonito, o apreciar o som da guitarra.
Lá se vai envelhecendo e aprendendo com a vida, no entanto. E veio uma nova geração de fadistas e de autores de fados que refrescaram o género musical. E uma melancolia suavemente instalada começou a rimar com alguns fados, algumas vozes que os traduzem aos nossos ouvidos.
Um exemplo é Camané. Nem quem não entenda Português pode negar a limpidez desta voz, a beleza deste fado.
Que esta distinção da UNESCO sirva para ajudar a conservar o que já foi feito neste mundo do Fado , como a manutenção e pesquisa dos seus arquivos (lembro, por exemplo, o ressuscitar daquele fado de Amália, censurado pela Pide, de nome "O Medo", outro dos poucos que aprecio muito) ou o incentivo aos novos valores.
Por outro lado espero que não dê para aquelas reacções exageradas de extremos em que somos especialistas em Portugal, de termos agora uns largos meses a transmitir apenas fados e entrevistas a fadistas, de pôr os alunos das escolas a cantar fados, a estudar letras de fados, a fazer fantasias de fadistas e a construir casas de fados com fósforos, a levar as Joanas Vasconcelos do país a imaginar exposições de guitarras portuguesas  gigantes  feitas com colheres de pau ou com caricas... ou seja, a levar as pessoas a começar a "vomitar" fado pelas orelhas de forma a acabar por fazer uma campanha contraproducente que em pouco tempo ponha Portugal a dizer: "Oh! Outra vez Fado? Nããão!" :)))
  (O outro exemplo que me faz temer isso foi a febre pessoana aquando do centenário do nascimento de Fernando Pessoa! Falava-se de tudo do Poeta, desde a pose do chapéu às sus contas de lavandaria, mas esquecendo o abrir as sensibilidades para entender os seus poemas! O que valeu foi a intemporalidade e grandeza da sua poesia, que sobreviveu a essa "torrente"!)
Ah! E já aprendi a apreciar, ou mais ou menos, um ou outro pratinho de caracóis! :))