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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dia 2 de Março faz ouvir a tua Inquietação e defende a Democracia !- Inquietação - Camané e Dead Combo


(Camané e Dead Combo- "Inquietação"; versão de 2012 do  Poema e Música de José Mário Branco; animação : Ryan Woodward; montagem: Rui Ramusga)
Uma canção e um Manifesto
Há muito que não deixava música portuguesa por aqui. Vou redimir-me. E que música!
Já tinha escutado esta versão da "clássica" e fabulosa "Inquietação" de José Mário Branco, mas só  no início  de Janeiro surgiu um video no youtube, felizmente original e com bom gosto  e proporcional ao poema    e   ao quase fado.
Camané dá a voz , os Dead Combo acompanham.
Melhor tema não podia haver, para ir lembrando o próximo dia 2 de Março, sábado, onde o Movimento "Que se lixe a troika" convida todo o país a sair à rua e fazer escutar a sua voz, já que há quem pense que só temos direito a voz de quatro em quatro anos, em eleições rotineiras , e que de resto temos de ouvir, calar... e pagar, pagar sempre mais. Não por alguma dívida que tenhamos contraído, mas por uma que foi contraída em nosso nome e que agora nos sangram em impostos e taxas várias, com juros de agiotagem, enquanto os responsáveis continuam protegidos, à solta, a fazer "das suas", a lucrar com a desgraça do país, que se humilha sem soberania, sem esperança, sem a atenção dos governantes que haviam prometido justiça e por todos zelar.
Não podemos  continuar a deixar que falem em nosso nome e depois ainda nos acusem de "censura", quando em manifestações pacíficas o povo canta  "Grândola Vila Morena", como forma de protesto. Decerto estariam mais preparados para bater em quem atira pedras ou parte montras, como noutros países, do que em quem usa formas de resistência pacífica, protestos imaginativos. Mas é este o caminho: o da resiliência, o do protesto a moer-lhes o juízo, o da Não-violência.
Violência existe, mas essa é a que vemos neste sistema cada vez mais desigual e desequilibrado que nos leva a alma e os bens. Violento é o espírito da escassa minoria que nos quer remeter à escravatura em versão do século XXI, que nos quer limitar à miséria, a um Futuro sem opções, sem saídas. Um Futuro... "sem-abrigo".
Vivemos tempos de inquietação, mas não devemos confudi-la com o Medo, que tanto nos querem impôr. Ainda temos voz: vamos portanto para os centros das nossas cidades e mostremos, nestas manifestações, que somos de tal forma o tal "Melhor Povo do Mundo" (nas palavras hipócritas do tributário-mor do "reino"), que rejeitamos esta  forma de gerir um país, a despejar tudo em buracos sem fundo de bancos meliantes e   de especuladores vampirescos. O "melhor povo" que rejeita  esta distorção da democracia , num regime que nada respeita: nem as promessas feitas, nem sequer a Constituição, a nossa lei básica que esses políticos juraram cumprir.
O "melhor povo do mundo" tem os PIORES políticos do mundo, que não o merecem, que  agora terão de escutar, sem "filtros" nem distorções dos "fazedores de opinião" das TVs e jornais, esses tudólogos que argumentam que o povo " não entende as mensagens de quem governa", que é tudo questão de  melhorar a "COMUNICAÇÃO" das medidas carrascas que nos vão despejando em cima.
 Comuniquemos nós. NO dia 2 de Março, o povo português, presente nos seus cidadãos de todas as condições e lugares, irá ,ele agora, COMUNICAR melhor aos (des)governantes e restantes políticos ---que ainda não parecem ter entendido as mensagens, nem do dia 12 de Março de 2011, nem do dia 15 de Setembro de 2012, nem de todas os outros protestos feito ao longo das últimas décadas-- que os portugueses não aguentam mais austeridade, aliás, o roubo institucionalizado transvestido de austeridade, que os portugueses estão saturados de políticos demagogos e/ou corruptos, de políticos mentirosos e sem sentido de serviço e sacrifício pelo país, de "economistas"-videntes que tratam as pessoas como números, de governantes que resolvem todos os problemas indo buscar aos bolsos  dos que menos podem (aos seus impostos, ao corte dos seus salários,  que já  eram dos mais baixos da Europa, aos subsídios escassos dos carenciados, às pensões dos idosos, aos fundos que deveriam ser para cuidar de doentes e de crianças) o dinheiro de que precisam para as suas megalomanias,ou para o favorecimento dos negócios dos seus amigos e dos mais poderosos. Os portugueses não querem mais que a política, a que deveria ser o "serviço da cidade", da Polis,  esteja subserviente perante o poder económico, sobretudo diante do poder  financeiro especulativo, o ramo da "economia" que nada produz e que é sempre o mais sôfrego, o mais insaciável, o mais dominado pela cobiça, precisamente por ser o que menos entende quanto custa  sonhar, produzir , criar riqueza num país. 
Os portugueses desprezam, com proporcional e retribuída sanha, os senhores (sempre os mesmos) da alta Finança que despoletou esta "crise", a nível Mundial e a nível nacional, aproveitando-se de políticos corruptos (ou simplesmente estúpidos) para sugar as posses de países inteiros,-- e dentro destes dos bens   dos seus cidadãos,  do haveres de  famílias e de pequenas empresas--, de forma a compensar as suas irresponsáveis movimentações/apostas de dinheiro. Portugal não quer mais ser comandado por quem joga na roleta da bolsa  e das negociatas com o dinheiro dos outros.
Portugal, terra do "melhor povo do Mundo", com quase 900 anos de existência (e já habituado, em momentos mais graves, a rejeitar  e até a "defenestrar" os que escolhem  trair o seu povo, para o vender a poderes exteriores), não quer que continuem a vender as suas melhores  e  mais lucrativas empresas ao desbarato,  a vender o seu território a outros, a vender a sua mão-de-obra a preço de escravo, emigrante ou dentro de portas.
 O que foi conquistado nas últimas décadas, as melhorias sociais, de nível de vida, a maior equidade e os direitos sociais do 1º Mundo, foram até sugeridos  e incentivados pela Europa dita solidária que nos queria integrar como povo igual,  a mesma Europa que tivera vergonha de Portugal e dele se arredava , nos 48 anos da ditadura salazarista (ou esquecem todos os países do mundo ocidental que tinham  cortado relações diplomáticas connosco nessa época?). Esse progresso económico e social, ainda longe do ideal, não foi um favor, uma benesse da vida, caída simplesmente das nuvens, mas algo que pagámos bem caro, com  aumento de preços, com carestia de vida, com o nosso próprio suor,  com o abandono forçado de agricultura, de pescas e de outras fontes produtivas, com todas as vantagens que o nosso progresso trazia também aos que cá nos queriam vender os seus bens.
 Diziam-nos que tinhamos de melhorar qualificações, melhorámos; tinhamos de incentivar a  melhor formação dos jovens, incentivámos; tinhamos de aumentar a esperança de vida da população, aumentámos. Já então eramos os  tais "bons alunos", embora já então medrassem no nosso meio os "cábulas" da política caciquista e corrupta que cada vez mais se instalou e minou os poderes nacionais. E afinal para quê? Agora dizem estes mesmos e os outros que temos de regredir, pois alegadamente viveramos "acima das nossas possibilidades". E, curiosamente, muitos dos que  agora se reclamam os "bons alunos" da troika, batendo hipocritamente no peito e impondo o castigo  beato e parolo da "prevaricação" a todos, são   muitos dos mesmos que antes copiavam,  dos que não estudavam e preparavam os seus esquemas de cábulas, dos que, rindo-se nos protegidos "aeródromos" das suas carteiras,  atiravam aviõezinhos  bem "tecnoformados"  à cabeça e à paciência dos outros alunos. 
Não deixaremos que se continue a confundir uma sensata poupança e o honrado pagar de dívidas, preocupações  de povo honesto e calmo que somos,  com o idolatrar da  austeridade cega e só para alguns, com estas políticas de destruição de direitos e de   REimplantação da pobreza, esse delírio doentio de uma minoria resguardada dela,  resguardada também , com todas as manhas, das leis macabras que cria para os outros.
A nossa Inquietação e a nossa voz têm de ser expressivas neste sábado, deixando de vez o medo , ou  a  indolência frente à TV. Comecemos a  preparar os cartazes,  a afinar  a voz para os cânticos, a dar a "corda os sapatos" para caminhar ao lado dos  nossos concidadãos em indignação, nossos iguais em dignidade ferida,  enquanto temos ainda um País, mostrando o quanto o queremos defender da espoliação e da humilhação, do estatuto de protectorado. 
Vamos pelas ruas e exijamos, cada vez mais, uma nova maneira de vivermos a democracia, exijamos aos políticos que sejam responsáveis e prestem contas pelo que decidem. Mostremos que não somos um povo adormecido nem muito menos resignado. Mostremos que entendemos muito bem o sentido das medidas homicidas que nos querem impor, que os portugueses estão longe de serem os burros de carga e os parvos porque os tomam alguns senhores do país. E digamos que NÃO queremos, medidas dessas, COMUNIQUEMOS-LHES (já que são duros de ouvido e de senso) que os governos devem ser para  servir Portugal e o seu povo não para  deles se servirem  e abusarem. Portugal não é deles, nem dos credores, Portugal é a " nação valente e imortal" que celebramos em Hino. (Um Hino nacional, "A Portuguesa". Já ouviram falar , senhores da troika e troikistas? )
Mostremos que queremos o nosso Futuro, a nossa Liberdade a nossa Vida. Incerta  e inquieta que possa ser  a Vida nestes momentos de coragem ,de mudança, de resistência ao mal que não queremos,  ela só pode continuar se de rosto levantado e sem medo, em cidadania participante e solidária.  E, tal como canta a "Inquietação"... "essa coisa é que é linda!".
Margarida Alegria (26-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

(pronto,  entusiasmei-me e fui por aqui fora, mas até mais haveria a dizer, como sabem. Dia 2 não há desculpa: há manifestações em quase todas as capitais  de distrito e noutras cidades: até em Madrid,em  Londres e em Boston! CONSULTAR AQUI os locais e as horas, para já em 35 cidades).
 Não nos devemos unir apenas para  o Futebol...DIA 2 de MARÇO, vamos mostrar que os CORAÇÕES dos portugueses batem em uníssono, pela HONRA  E FELICIDADE das nossas vidas e  pelo ORGULHO no noso  país !

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Tomem lá, para não dizerem que não se assinalou a data: Invention of Love (2010)


("Invention o f Love", 2010. Animated short film. Autor: Andrey Shushkov)
O dia de S. Valentim e só mais uma data comercial como outra qualquer, tocando na "tecla" da  sensibilidade  humana ao  valor supremo do Amor , para promover mais algum consumo. Mas fica este filminho para quem gosta da   arte  da Animação. Valha-nos a Arte, a iluminar  este mundo obscurecido....
E louvem o Amor ,todo o amor , mas... todos  os dias, está bem? Sem data marcada. A Humanidade agradece.
"Alergia" (14-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

A Alegria volta dentro de momentos.

domingo, 18 de novembro de 2012

Vou ali em busca de Algo e já volto...(ANIMAÇÃO-The Lost Thing


("The Lost Thing"- A Coisa Perdida -Legendado em Pt do Brasil)
Hoje é o último dia  da Edição de 2012  do injustamente desprezado mas magnífico CINENIMA de Espinho. O dia da mostra dos premiados.
Não  sei se este Filme por lá já passou. Porém ganhou o Óscar  de  2011 para  Melhor   Curta Metragem de Animação, por isso , em honra  do Cinema de Animação, deixo-o aqui   para  apreciarem.
Todos nós já  perdemos   algo na vida: desde meros   objectos a pessoas, passando por vários sonhos.
Pior do que  a sensação  de o perdermos é a incógnita  sobre o seu paradeiro.Tudo o que  perdido  vai parar   algum lugar para nós misterioso; resta-nos a esperança de que seja encontrado por outros. Ficamos, assim, com diversos "Vazios":com o vazio da perda,  com o vazio do lugar desconhecido onde foi parar e  com o vazio ainda mais estranho do não vermos a  surpresa de quem o achar.
Esperamos em vão que esse outro alguém cuide bem do que perdemos e que o que perdemos não vá simplesmente parar a uma das muitas "Lixeiras" da Vida.
Para compensar, para cada "coisa" que perdemos (objecto,pequeno animal, pessoa, sonho...), há sempre Coisas perdidas que achamos, na mesma proporção. Basta estarmos atentos. Cada um no fundo procura Coisas perdidas que honrem a sua  capacidade de atenção.
O perdido por uns é o encontrado por outros.
Há apenas que estar atento.
Difícil será depois acharmos um lugar no mundo para essa "Coisa Perdida", pois no meio de tanta Coisa que enche a Terra e de tanta gente a correr, alienada, por vezes esse lugar não é fácil de encontrar.
Começamos por achar um recanto maior ou menor no nosso coração... depois logo veremos.
Mas já é um começo.
Isto são pensamentos meus, não necessariamente o enredo do Filme, que aconselho.
Até logo, enquanto vou ali buscar os meus apontamentos sobre as patifarias do Mundo do último mês e que rechearão o próximo post.
Margarida Alegria (18-11-2012, in blog "Alegrias e Alergias)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança(1 de 2) :"Direitos Humanos para Crianças"


("Direitos Humanos para Crianças",desenho animado 2008--Realização: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Brasil)
Para assinalar   o Dia Mundial da Criança, no Ano amargo de 2012 (que  vê os direitos antes alcançados a  regredir para crianças e adultos) , dois  videos, aqui no blogue.
O primeiro é esta  animação, que põe quatro crianças de diferentes contextos sócio-culturais  a tentar  promover,  no seu estilo simples  e  fantasioso,  a  defesa   dos Dreitos  Humanos, especialmente o direito  a estudar  , entre outros....

sábado, 19 de maio de 2012

Do Amor... Texto da parte 1 (de 2)- o filme pessimista

(Imagem de um catálogo de vendas: sim! Existe papel-higiénico com esta decoração! E... por que não?)
Este é o texto que completa e acompanha a visualização do filminho "amargo" de Don Hertzenfeldt do último post ("Do Amor... Aperitivo da parte 1 de 2..." Clicar AQUI para ver), que não junto  só pela razão técnico-blogueira que aí expliquei.
 E  então? Viram o Filmito? Ficaram alarmados com tanto pessimismo? Ou outros acharão que o filme animado tem um negro mas profundo realismo?
Vou ser mais suave que D.H., embora este seja o primeiro de dois posts (ou 2 e meio) sobre o tema, o que, como expliquei traduz o lado "alérgico", menos alegre sobre o mais citado  e glosado sentimento que existe. O lado também, por inerência, mais cerebral e analista.
 A meu ver, visto nesta óptica mais negra, o problema maior é que para uma boa parte do mundo o Amor deixou de ser um simples sentimento, como devia. Ou seja, algo que nos faz sentir e leva outros a sentir. Algo que, em vez de compartimentar e isolar, deveria inundar quem  o sente.
Don H. vê essa ausência de sentimento na palavra e avisa-o logo de início. Não só ao alertar que é um "bitter film" (amargo) mas também ao usar  para título a expressão francesa, tantas vezes a única expressão que tantos conhecem da Língua Francesa e que de imediato nos remete para a condescendência romântica  dos  mais experientes perante situações mais ou menos patetas e nos traz à memória os incansáveis namoradeiros "Pepe LePew", doninha dos Looney Tunes, ou Maurice Chevalier de musicais cor-de-rosa.  Alguém vê um cachorro a rondar uma cadelita e exclama: "Ah, L'Amour!", alguém surpreende um beijo inocente de dois infantes "Ah, L'Amour!", alguém repara em meninas aos gritinhos histéricos em redor de mocitos em Morangadas com Açucar,ou  alguém testemunha um cavalheiro a oferecer um ramo florido a uma dama, ou ainda alguém se surpreende com uma mulher a pregar um estalo a um marmanjo que lhe deu um piropo, "Ah, L'Amour!" L'Amour... L'Amour...!...expressão que envolve  em papel crepe e lantejoulas qualquer situação geral que evoque Primavera e corações inflamados!
Desde logo, portanto, Don H. nos empurra para o artificialismo de muito "Amor" que há por aí, a partir do título.
 Senão vejamos, muito sucintamente as peripécias: o pobre rapaz do filme encontra várias mocitas (não importam os nomes ao caso), possivelmente num tipo de contacto que corresponde a várias fases da vida. De cada vez vai sendo mais cuidadoso com o que diz e de cada vez recebe reacções piores (em forma de torturas atrozes) e menos comunicativas, pois elas parecem ter já as suas feridas (como ele) e terem também "evoluído"(?) na forma como vêem o seu relacionamento com o sexo oposto. Assim, o moço, chamemos-lhe Zé, primeiro tenta o normal convívio de amigos como aproximação e a menina não quer ser incomodada ( primeira adolescência); depois tenta, junto de outra, indagar sobre os sentimentos , pois sabe que as meninas gostam de falar neles. Logo ela NÃO revela os sentimentos e reclama que "precisa de espaço" (eles e elas, como tantas vezes se nota,  andam em tempos de necessidades sentimentais diferentes); depois  o Zé tenta agradar à vaidade doutra, gabando-lhe os sapatos, mas ela "só quer amizade!" (elas começam a tentar adivinhar intenções); depois o "Zé" pergunta as horas a outra que sai logo a "disparar"  (literalmente!) e nem responde; já "escaldado"  o  Zé tenta apenas cumprimentar outra mulher, mas ela entende isso com avanço atrevido. Até que ele diz a uma a frase mágica, sem cumprimentos nem nada, "Tenho dinheiro!" com a resposta que se vê: de imediato ela "ama-o!" Final Feliz !
Em suma, Don H. chama as mulheres no seu todo(por esta ou outra ordem) de "ariscas", egoístas, comodistas,frias, insensíveis, e... interesseiras. Ah, mas devem ter reparado na outra mulher do filme de que não falei... Pois. Ou seja, corrigindo: D.H. diz que elas são tudo isso em conjunto, ou pelo menos uma destas coisas... ou então são gordas e/ou feias. Uma ironia  do autor, nas entrelinhas, é que quem sabe se não seria nessa tal feia e gorda que encontraria o verdadeiro Amor e compreensão....
(Não venham os homens depois reclamar: ai elas são umas chatas histéeeeeericas!)
Por sua vez, o filme acaba por dar uma imagem do homem como "adaptável" aos vários estilos delas, nas diversas tentativas de as abordar/conquistar. Assim, mais ou menos pela ordem do filme, o nosso "Zé" apresenta-se como: amigo sociável (1ª abordagem), sensível, lisonjeiro, casual/natural e depois apenas educado e neutro. Não resultando, acaba por se revelar calculista e gabarola, para suscitar o  tal lado interesseiro das mulheres e... é bem sucedido!
(Não venham depois as mulheres reclamar: ai eles são uns vaidosos insensíiiiiveis!)
Claro que é uma caricatura, mas uma caricatura asperamente aproximada de muita verdade que se vê por esse mundo fora. E, como avisei no post anterior, é uma visão que se pode aplicar a eles e elas, ou seja, se em vez do Zé tivessemos a Josefina a falar com o João, o Vando,o Jack etc do seu percurso de vida. Pode parecer estranho o que digo, na Era da total liberdade da escolha, mas o certo é que, e basta repararem nos nomes e caras (tão "botoxadas") impressos em qualquer revista cor-de-rosa da praça, os casamentos de conveniência e de combinação de interesses entre famílias nunca acabaram, aliás estão ai pujantes como nunca (e numa coisa D. H. engana: que se a Gorda e/ou feia reclamar que tem dinheiro rapidamente terá uma fila de pretendentes!).
E fora das combinações familiares das "élites", temos também a camada dos e das interesseiros/as em toda a  sua força de novo. Não só o interesse básico pelo dinheiro, mas também ou alternando pelo status e pela fama, pelo nome sonante, pelas portas que abre, pelo bons e saudáveis genes que pode trazer. Não só para casamentos, mas já em namoros (que tantas vezes não redundam no casório): ele  namora a mais inteligente para  o ajudar nos estudos, a mais elegante para ser invejado  em festas, a mais organizada para o tornar organizado. Ela namora o mais relacionado para vir a  ter bons empregos, o mais bonito para causar inveja às amigas, o  mais solícito para a aturar nas birras.
E como a partir das aparências se cria todo um rol de ilusões! Eles bem as iludem de serem bem sucedidos se tiverem um bom relógio nem que vivam de esquemas, elas iludem-nos de que são ricas se tiverem um bom jipe, nem que vivam à custa dos papás, eles iludem-nas de que são inteligentes por terem um blackberry e "Tuítarem", elas iludem-nos de que são inteligentes , se fumarem estilosamente e debitarem as chamadas "postas de pescada" politicamente (in)correctas.

 Relembro, a propósito, uma famosa  passagem de uma das excelentes crónicas de Miguel Esteves Cardoso ( talvez em "A Causa das Coisas"...), parafraseando: que o Homem português costuma namorar as mais giras, conversar com as mais inteligentes e casar com as que não são nem muito inteligentes nem muito giras, para "não dar muito nas vistas"! (perdoem-me a referência todas as casadas!). Poderia  agora acrescentar que, em contrapartida, nós, mulheres portuguesas, só queremos é namorar (ou "TER" namorado), seja ele como for, para não ficarmos atrás das demais e  por estarmos, mulheres, em maioria percentual na população(e ai se vier uma guerra!), e diria que a portuguesa  muitas vezes nem conversa com ele senão em monosílabos, a não ser que também entenda de futebol; e  que por fim casa com um que lhe ofereça alguma companhia, alguma segurança e  uma aliança e que raramente é o mais bonito ou mais inteligente. O que depois resulta em também belas estatísticas de divórcios, de violência doméstica e ... em maridos com pneus e  quem não sabem cozinhar um ovo.
Exagero de estilo e  pessimista meu, reconheço! Há que ser justa que  agora as gerações mais novas, pelo que  tenho visto , vêm melhorando nalgumas dessas estranhas bitolas: eles já se esforçam por continuar giros e elegantes para elas, nem sempre com horas no ginásio, mas pelo menos com o seu jogo de futebol de praia aos domingos, ou com os seus percursos de bicicleta de manhã, encolhendo a barriguita dentro daqueles ousados calções de licra e escondendo a cabeça (e tantas vezes o cérebro, quando em magote masculino aos dichotes pelo caminho), escondendo a cabeça dizia eu , sob aqueles capacetes que... parecem assim como que umas arrastadeiras mais modernaças e de marca. E já não se envergonham perante a inteligência delas e  (alguns) acabam por fugir a sete pés das que são apenas caprichosas ou sem opinião. Já há cooperação nas tarefas domésticas e maior diálogo. Só falta maior segurança (nacional) para conseguirem planear um futuro e criar raízes...
Em suma,ele já não  cai naquele maniqueismo de esperar que a companheira seja OU sua criada OU a  sua nova mamã (de que falava a canção "Etelvina" de Sérgio Godinho).
Posto tudo isto, volto ao ponto inicial: que o problema focado no filme resulta de já  termos deixado de ver o AMOR como sentimento puro, mas tantas vezes o vermos como o fantasioso "Amour", ou, o que é pior, como sinónimo de tantas outras coisas, sejam  OUTROS sentimentos sejam trampolins  mesquinhos de interesses vários que em nada se aproximem Dele, Amor.
Deixa por vezes de ser Amor, para ser Medo da solidão, deixa de ser Amor para ser vontade de dominar alguém, deixa de ser Amor, para ser companhia para o tédio, deixa de ser Amor, para ser interesse económico, deixa de ser Amor, para ser apenas vaidade de se sentir amada/o por alguém, mesmo que sem noção de retribuição. Deixa de ser considerado um sentimento, tanta vez para ser um negócio: de dinheiro, de afectos, de inseguranças; de invejas e vaidades. Afinal, não se usa tanto aquelas expressões (importadas!) canhestras de "FAZER Amor", de Compra  e Venda de (horas de) Amor, de "Técnicas de Amor", de "drogas do Amor", com se alguma vez um SENTIMENTO (repito!) puro e bom pudesse ser um FABRICO, um COMÉRCIO, um ARTESANATO, mera QUÍMICA sexual,  como se toda a sua grandeza  e liberdade pudessem ser escalonadas, compartimentadas e aprisionadas na frieza rude  de meros compêndios Económicos ou de  uma Engenharia New-Age!
Por isso mesmo me demorou o desenvolvimento deste tema, sugerido pela querida  blogger "Pérola", porque  o considero um tema importante demais e porque é um sentimento que vejo a ser tão conspurcado a toda a hora. É simples, mas ao mesmo tempo demasiado complexo. Saliento , no entanto, que é pelas mesmas razões que tanto admiro e encorajo quem eu vejo ter uma relação amorosa bonita e límpida, o que felizmente existe,  relação feita não só de paixão e de carinho, mas de compreensão mútua e de diálogo, de suave harmonia e de cumplicidade silenciosa. Seja do jovem par de namorados entrelaçados e de ar doce, seja do casal adulto que forma uma família, seja do par de velhinhos que se ajudam mutuamente a calçar as pantufas...
 Por isso, há que respeitar o Amor e não o banalizar,nem por palavras nem por atitudes, só assim o fazendo merecer todos os encómios e pergaminhos que vêm de tempos remotos, em forma de poemas, romances escritos ou em película,nas telas de pintores e  nas pautas de canções, onde é de longe o tema mais glosado!
Tanto Don Hertzfeldt, no seu filme como eu, neste textito, pretendemos não um mero ironizar sobre o Amor, mas demonstrar como ele é tão maltratado e desviado do seu justo caminho, sob as mais diversas capas, os mais repugnantes disfarces. Sim, o Amor existe e o seu Poder é grande, mas só poderá cumprir o seu papel de transformador e embelezador do Mundo  se não o desviarmos por caminhos de mero egoísmo, de interesse próprio e de falta de harmonia e de coragem.
Agora devem entender a razão da escolha da imagem que inicia este post, não? De tão "decorativa" que se tornou a palavra Amor, de tão adulterado o sentimento, só faltava mesmo, como se pode ver, terem-no colocado como folhas de papel ( não sei se  folha dupla e locionada!)... usado para fins não muito nobres, ou pelo menos, digamos, não muito elevados! Isto tanto tomando o coração como símbolo do Amor pessoal como do Amor Universal! Livra! Se é  para representar o coração órgão então que o substituam por... intestinos ou bexigas em miniatura! :))
Por ter sido levado por outros caminhos,
por tanta gente, é que em pleno século XXI d.C, com tanta forma de Comunicar e de viajar e conhecermos a Vida, continuamos tão ou mais distantes uns dos outros que nos primórdios do Ser Humano
e, embora sem cacetes ou machados em sílex, ainda achamos que uma boa paulada em novo estilo e atitude "de caça" ao par equivale a um acto de  verdadeiro Amor e paixão.

Por termos levado o Amor por outros caminhos, quer individual quer universalmente, é que hoje nos encontramos de novo nesta situação absurda como Humanos, de novo cercados por Ganância, Fome e Guerras, quando podiamos ter uma Terra bela povoada pelo Amor, a Partilha e a Paz.
(pronto, "Pérola", espero que este texto já preencha pelo menos uma parte da "encomenda" temática, deixando a parte mais interior e lírica para uma segunda "dose"... Longo, como seria de calcular. Julgo que me deve ter escapado um ou outro argumento ao que tencionava dizer, mas, para já deixei uma ideia do que sinto e penso sobre o assunto, na sua globalidade).
Margarida Alegria (19-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

Do Amor...- Aperitivo da Parte 1 de 2 (o filme pessimista)


(" Ah, L'Amour", animação de Don Hertzfeldt. 1995)
Respondendo  ao desafio da "Pérola", que  me propôs o Tema (complexo).
Primeiro o filme Pessimista, versão mais  "alérgica" a certas evidências da  realidade, que terá logo à noite a versão textual pois é ada vez mis dificil   blogar  texto  com Videos!
Fica o aperitivo, sendo que o protagonista pode ser em vice-versa, com uma Ela dirigida a Eles! A "moda" é igual...
Até já!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Nem todas as tragédias têm de ter finais infelizes! (à laia de intervalo e explicação) :)


(História Trágica com Final Feliz"(Completo)- de Regina Pessoa, 2005)

Muitos posts  na  calha, muitos quase finalizados, só  a restar   "aquele" retoquezinho final,desde o último da série  de cartoons sobre  os Feriados, até  às encomendas  da  "Pérola" passando por  outros  de carácter mais pessoal e didáctico...
Aquele "toque" que falta pois  também  não abunda  o ânimo,  ao  ver  tudo  ou quase tudo a  piorar, desde  o País sem  Esperança ou Emprego, o Mundo podre, os amigos e queridos cada vez mais angustiados   ou  outros de mente  cada vez  mais desnorteada...
A vida  só deve  estar  fácil para os "Mercados" e para  políticos teóricos e inconscientes....para esses deve  estar a ser uma "Oportunidade", pelo menos de mostrarem a sua total ganância e cegueira, respectivamente. Talvez o Futuro os  venha  a julgar e condenar, mas pelas "amostras"de (in)Justiça que por aí vemos nem nesse campo a Esperança  é sólida.
Enquanto não posso terminar e mostrar esses posts, deixo aqui uma preciosidade, que se calhar poucos conhecem: o filme de Animação multi-premiado  de Regina Pessoa, artista da "escola"do "Mestre" portuense  Abi Feijó.
Chama-se  "História Trágica com Final Feliz" e é já de 2005 mas talvez  mais conhecido "lá fora" que  cá dentro, o habitual...
Dizem que a técnica usada foi a da gravura tradicional em madeira, com sequente impressão. Não sei confirmar. Mas o resultado é belíssimo , seja como for. Há outro filme da autora com técnica de areia colada em papel... enfim, maravilhas de quem ainda se atreve ao "artesanal" numa área já tão computorizada.
A parte trágica do filme é a de  uma menina que é apontada pela  diferença de ter um coração demasiado "audível" e por isso incómodo ( é o que acontece também a quem costuma ter, por exemplo "o coração na boca" e espera dos outros a mesma honestidade e lisura, o mesmo  abandono de máscaras o não recorrer a vias subreptícias, cada vez mais difícil e paradoxal na "Era" dita da Comunicação mas na qual cada vez mais se foge a comunicar realmente). A parte feliz vem a seguir... e mais não conto, pois vale mesmo a pena ver os poucos minutos que esta curta-metragem nos "gasta".
Publico isto, por querer acreditar que mesmo as grandes tragédias, colectivas ou individuais, podem ter um final feliz,
o que não é característica das tragédias, pois, ao contrário das ficções, a vida real das pessoas pode ter a interferência final do abrir dos olhos, do ver tudo em outra perspectiva, do "toque" inesperado do chamado "factor humano", visto que tanto, mais do que parece, pode depender das nossas opções, das nossas atitudes de rasgo e coragem, do nosso inverter das inevitabilidades, do nosso abandonar dos "fechamentos" e desconfianças patéticas, da nossa mudança de rumo a contrariar fatalidades. Se quisermos, se tivermos garra e coragem, se tivermos um pingo de sangue humano a correr dentro de nós. Se tivermos um coração a sério, sonoro e livre como o da Menina da "Estória".
E claro que isto tudo que disse nada tem a ver com discursos insensíveis de falsa esperança de certos políticos sobre a tragédia (real, de carne e osso, senhores!) do "Desemprego como oportunidade de mudança". Isto tem a ver com a mudança mais importante que há: a do nosso interior e do nosso relacionamento com os outros, com os nossos dramas, com o Mundo!
Vejam!
 No fundo... A "explicação", esta sim, é... simples! Pelo menos para quem não tiver palas e  quem (ainda) tiver o coração e o cérebro no sítio. Para quem não insistir em desculpar as suas próprias falhas, a sua falta de coragem e as e diferenças com... a reacção dos  outros!
Até logo, e desta vez é mesmo até logo! :))
Margarida Alegria (18-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Há passarinhos com sorte--"Aubade" (Animação)




("Aubade", Dir. Pierre Bourrigault; Animação: Pierre B. e Samy Guyon Bessac; Música:Lorenzo Tomio; 2008)


Premiado com "The Best Animation Prize- Lago Film Festival, 2008, uma outra animação (ver post anterior- CLIQUE AQUI ), de estilo e "clima" diferente.


Para lembrar que, para cada passarinho ferido, pode haver quem se preocupe e cuide. Basta reparar e dar um pouco de Tempo e de Atenção. Não é o fim do Mundo.


Temos de estar atentos ao Mundo, a nós próprios, mas também a quem/ao que precisa de nós. Senão... o que andamos aqui a fazer?


Boa Noite!


"Alergia" (in blog "Alegrias e Alergias", 18-4-2012)

Coelho soooofre! (Animação: - "Genre") :))




(Don Hertzfeldt "Genre")


Para não dizerem que trato aqui apenas de assuntos muito sérios, especialmente de "alergias" políticas e do nosso triste canto desgovernado, isto é, Portugal, eis um video de Animação, dum animador "muito louco" e bem humorado.


O "Genre" do título, como verão, refere-se aos Géneros cinematográficos.


Mesmo assim, há uma estranha ironia, à qual sou perfeitamente alheia: eu posso malhar às vezes aqui num certo "coelhinho", mas não chego aos extremos com que Don H. trata esta outra pobre variante de coelho!


Garanto a pés juntos que só agora ao escrever o texto relacionei que a personagem é um coelho e.... até já adaptei o título do post!


Há cada coincidência! :))
Ou talvez se chame a isto... justiça poética! :)


Divirtam-se!


E não chamem a Protectora dos Animais nem a polícia de Choque/PSP, pois é só um desenho!


"Alergia" (18-4-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Post domingueiro :"The Secret Powers of Time"


("The secret Powers of Time"- conferência ilustrada RSA Animate- Maio 2010)
Um post pachorrento de Domingo, mais uma  (muito interessante !)conferência animada por "RSA Animate" (cognitive media.uk). Desta vez é de Philip Zimbardo, sobre as diversas noções de Tempo e da sua importância. De como deveriamos valorizar mais o tempo  "gasto" numas coisas (tempo para convívio familiar, por exemplo e para escutar os outros) do que noutras. Aprender a relativizar o Tempo.
  Tempo e o Trabalho,  a Educação, as diferentes Culturas...
Numa época em que  (infantil e/ou cinicamente) nos querem à força criar problemas de consciência pelos tempos livres que ainda temos,como se os "roubassemos"  ao trabalho  e o pagamento à Troika, sabe bem escutar quem põe este tema em perspectiva mais sensata e afinada.
 A não perder. Tempo do video? Pouco mais de dez minutos de um Domingo ou de outro dia.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

José Afonso: há 25 anos e um dia...


("Redondo Vocábulo", José Afonso. Animação 3D por "legohist", no Youtube, 2007)
Não queria deixar passar esta importante efeméride. Foi já há 25 anos (e um dia...) que faleceu  José Afonso /Zeca Afonso, o génio incontestável da música portuguesa contemporânea.
Questões de saúde impediram-me de marcar a data ontem,  mas deixo agora este belo video  com uma interpretação possível do tema. Segundo o seu autor (do video), reflecte "a angústia de uma gestação ou maternidade em tempos de guerra, no ultramar."
Foi sempre um dos mais belos e enigmáticos poemas  de Z. A. ,escritos  na prisão, numa sua fase mais surrealista. E a música e  os aparentemente simples arranjos da  canção ajudam a recortar a sua magia e a sua melancolia.
Talvez o poeta-cantor reflectisse nele a longa espera que viveu*, aguardando o fim do cárcere. No"filme" na minha cabeça**, imaginava antes tudo em tons de azul, as paredes de cal a cair, a "Laura" do tema  como  uma rapariguita sentada numa cadeira, de costas direitas,  paralisada pelo medo e pelas convenções que não entendia. No fundo talvez a Laura de "ar educado" fosse para o Zeca o Portugal triste de então... e o  Portugal de agora.
O que marca os génios: serem sempre actuais...
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( * e ** Nota--na esperança de que a inteligência  e a  sensibilidade brote de algumas mentes embotadas: e sim, também o Zeca, como toda a gente que cria, no fundo também falava de si próprio nas suas criações.  Impossível não o fazer. Só quem não cria e quem fala e pensa no "eu eu eu eu" a toda a hora na sua vida egocêntrica é que pode criticar quem espelha um pouco de si no que faz. Só quem não faz nada de seu é que pode depois fingir falsa modéstia. Só quem não tem "eu" para espelhar é que nem cria , nem deixa  os outros criar, nem entende esses "reflexos" dos outros. Só quem tem um "eu" vazio tem raiva às "canções" de vida que brotam dos demais e pensa que tal é  apenas o "eu eu eu" deles a falar.  Só quem vive a  sugar as emoções dos outros e a usar os outros como espelho da imagem que gostaria de  ter é que não entende os "eus" dos outros... Somos feitos daquilo que vivemos e sentimos, com os outros- mais próximos ou distantes-- e através dos outros também...Mas há seres para quem a preocupação,  o respeito e o carinho só têm um e único sentido, o que aponta para si próprio... Triste, triste... muito triste...)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Postal do Dia S. Valentim... ;)



("Anti-Valentine's Day- Lovebirds", por "pbrain8", 2007)

Andava à cata de poemas ou algo que marcasse mais uma efeméride, neste caso a do comercial Dia de S. Valentim que agora começa, quando deparei com este video!...

Eu nem sabia que havia postais Anti- S .Valentim--- :))

Ora vejam...Boa noite!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

LIVROS: "a Invenção" e o Cinema, Capas,Cobertores e versões

("A Invenção de Hugo Cabret", de Brian Selznick,Capa das primeiras edições portuguesas, 2008)
Não tenho por hábito recomendar livros, aqui no blogue, embora "viciada" neles. Talvez seja essa mesmo a razão: apesar de gostar que os outros leiam e de ter tantas vezes a missão profissional de falar sobre livros, motivar para a leitura, deve haver um desejo profundo mais irracional de que fiquem todos só para mim, de que , se os outros também se tornarem leitores compulsivos, os livros se possam vir a esgotar nas livrarias e bibliotecas e que assim se acabe o "fornecimento" desse meu vício, desse  meu mais que tudo alimento espiritual. Nããã... não é bem assim, na verdade o blogue ainda é muito recente, tem tido muito assunto da actualidade para comentar e raramente sobra tempo ou paciência para falar do que aqui gostamos de ler.
Pois bem, vou abrir forte excepção, desde que ontem vi as notícias na TV, e recomendar não um, mas até dois belos livros, exclamando: CORRAM JÁ PARA UMA BOA LIVRARIA ANTES QUE SE ESGOTEM!
Um deles, talvez a arrebatar com a maior urgência, é o "A Invenção de Hugo Cabret", de Brian Selznick, que agora vê a versão cinematográfica de Scorcese com várias nomeações para os Óscares 2011/12. Ah, dirão descansados os caros leitores, mas o filme vem já aí em Fevereiro e não  faltarão os exemplares na Fnac e tal e coisa... POIS É EXACTAMENTE POR ISSO, acrescentarei eu! Para já, nos próximos dias, ainda poderão descobrir algum exemplar perdido das primeiras edições originais , já em Português desde 2008 (?). Li-o e recomendei a amigos há un dois anos e foi "tragado" mesmo por quem não é leitor habitual de ficção.
Quando chegar a versão patrocionada por Hollywood já será tarde demais, embora o filme, pela amostra rápida que vi, me pareça uma versão fiel ao livro... só que não é a mesma coisa. Será tarde demais pois virá com daquelas capas HORROROSAS baseadas em  fotogramas do filme, que transformam em... "pastel de nata" achinesado e liofilizado as anteriores capas de artista das edições primeiras (aliás, na promoção recente do livro no "Wok" já lá está a capinha cinematográfica da praxe...). Poderá ser apenas uma capa dupla a envolver a original, mas ... também não é a mesma coisa. E neste caso é também provável que até lhe adulterem o título, igualmente por questões de marketing. O título é "A Invenção de Hugo Cabret", mas Scorcese chamou-lhe apenas "Hugo" e os distribuidores portugueses vão chamar ao filme "A Invenção de Hugo". E um nome de sabor mais latino, entre o Francês e o Catalão, que soava "Huugô Cabrê" na nossa imaginação (a acção não podia ser mais no coração de Paris do início do século XX), aí está a ser pronunciado pelos hollywoodeanos da nossa praça como um anglófono "Hiúgou"... e, quem sabe "Cab-rát" ou até "Quei-brat".
Que destruam a pronúncia. mas não adulterem a capa, que tão bem se conjuga com a época histórica e com a ideia de invenção! Como vêem acima, tem algo do estilo das tradicionais capas de lombada de couro dos livros de aventuras de Júlio Verne. Parece um bocado anacrónica, é certo, mas também ela contribui para que  o livro, como um todo, transmita também graficamente a sua mensagem. 
A tendência quer mercantil da associação a outros produtos, quer preguiçosa e economicista (leia-se avarenta) dos editores dispensarem tantas vezes os ilustradores de capas, há-de-ser, espero bem, moda das últimas décadas que irá passar. Aliás, no Reino Unido já está a passar, voltando as edições, quer de luxo quer de bolso com capas exclusivas e artísticas, mesmo que aparentemente simples, jogando com a simbologia e grafismo das letras, por exemplo. Por cá, tanto na ficção como na não ficção  e salvo honrosas excepções, impera para já aquela do "Ah... sobre esse tema pesquisa-se no Google images, nas Getty Images... ou então há um quadro clássico do pintor X, não sujeito a direitos de Autor, que se digitaliza, focando-se um pormenor e--- está feita a capa!".
O livro, por uma vez uma boa opção presente nas recomendações para alunos do 3º Ciclo , pelo Plano Nacional de Leitura ( ao invés do excelente "História Geral de Piratas" que NÃO é um livro de aventuras juvenil mas um relato fiel e sanguinário da pirataria e da perseguição aos  piratas, por amor da Santa!) faz-nos redescobrir os primórdios do Cinema e os mistérios que rodeiam o desaparecimento dos filmes do igualmente enigmático Meliès e consegue-o num romance para todas as idades que tem muito de novela gráfica e até de cinematográfico. 
À primeira vista, podem assustar-se com a espessura do volume, aparentando umas 500 páginas. Na verdade, lê-se num ou dois serões. A volumetria deve-se ao que de muito original tem a obra: com belíssimas ilustrações a lápis de carvão,  essas ilustrações não servem apenas para ilustrar, no sentido tradicional de transpor em imagem partes do texto, mas FAZEM PARTE intrínseca da narração. Por isso disse acima que havia algo de Novela gráfica neste romance. Um  breve exemplo: o personagem central, Hugo, entra num determinado espaço desconhecido. O texto conta isso, mas, de repente, em vez de nos descrever , por palavras, o abrir da porta, a entrada, os sentimentos (medo, ansiedade, etc) do adolescente, VEMOS isso na imagem, sem palavras, com ilustrações a encher ambas as páginas(várias páginas seguidas!),  a porta a entreabrir-se, um primeiro plano da cara de Hugo... e por aí fora. Para entender melhor, espreite AQUI um post com UNS VIDEOS/animações  que estão no Youtube,  com sequências de imagens do livro, para promover o mesmo  aquando do seu lançamento (?). E leia a boa sinopse do livro feita no blog "Porta-Livros", AQUI.
Por tudo o que acima explico e ainda por outras razões que lhe apeteça, vá já a uma BOA LIVRARIA tradicional (nada de compras online, senão arrisca-se a apanhar com o tal "pastel") e procure nas prateleiras mais escondidas, insista com o livreiro em desencantar um exemplar ("ameace" ir procurar à  concorrente gigante, a fnac... Já recorri a isso certa vez, na alternativa a encomendar que me procurassem um livro noutras dependências da Bertrand, porque esse outro livro estava esgotado etc e tal... o livro foi encontrado algures em três tempos!). A "Invenção de Hugo Cabret" é um livro muito especial, inclassíficável.
O outro livro que recomendo é uma novela gráfica.
Já é um clássico dos nosso tempos no género, embora apenas de 2003.
A minha chamada de atenção deve-se ao anúncio da sua edição em Português (finalmente!), há dois dias, no "Público". E mais uma vez o meu alerta vai para que o  tentem (também) adquirir em Inglês, não só pela questão de se perder sempre um tanto na tradução, mas também por questões de capa. Ora vejam a capa original:



("Blankets", de Craig Thompson,  ed. Top Shelf,2003- capa da edição original em Inglês)

Não vou contar a história (se quiserem tem AQUI a SINOPSE da Wikipédia). Apenas revelo que é a descoberta do Amor e de uma voz própria da personagem central (de cariz auto-biográfico),Craig, que cresceu enformado numa religiosidade doentia da família e de como foi doloroso o seu percurso de perda de Fé (o que tantas vezes acontece, a tanta gente, quando a Religião é um espartilho de normas e não uma semente de Liberdade). É também sobre a amizade, o Amor e de como até este é ilusório, tantas vezes. Revelo também que os blankets/cobertores do título evoca as brincadeiras de criança de Craig, quando(como muitos de nós já teremos feito)  brincava com o irmão sob um cobertor , imaginando  serem náufragos no mar alto,  exploradores da selva ,ou noutras situações de aventura inocente de miúdos.
A obra está num belo preto e branco, numa delicadeza, sensibilidade de enredo e de traço que é verdadeiramente tocante, que não deixa ninguém indiferente. Vejam  a capa acima: um momento fulcral da história, com os dois amigos descentrados na imagem, numa floresta de Inverno.
Pois bem. Vejam agora como é a capa da versão portuguesa, da  editora "Devir":
                 ("Blankets", de Craig Thompson. Capa da edição portuguesa, 2011, ed. Devir)
Que me lembre-- e nem li o livro há muito tempo-- não há nenhuma imagem dos dois amigos (não adianto mais se eram só amigos, eheh... mas esta capa pode baralhar) assim a enregelar num fundo AINDA MAIS invernoso!
É nitidamente uma montagem, ainda por cima acrescentando alguma cor, o que não era necessário, com uma das vinhetas do livro plasmada no exterior. Pergunto-me se o Autor autorizou a capa e se foi ele a fazê-la. Talvez sim. Mas é uma imagem que se destina, um tanto à portuguesa,  a espicaçar algum tipo de leitores macho-men, que às tantas  até ficarão desiludidos, depois de andarem a contemplar as "coxas desnudadas da moçoila...zz" da capa! Como diria também o tal diácono Remédios, "não havia nexexidade- Z-z--!", não que me choque ou veja mal na imagem em si, mas porque precisamente desvia (a atenção do leitor) do mistério e sobretudo da profunda SOLIDÃO  tímida que perpassa em toda a obra.*
E, numa obra essencialmente gráfica, mas também em obras não apenas gráficas,por tudo o que relatei acima,toda a opção na criação do livro, --desde a escolha da letra, à construção da narrativa,  passando pelas  categorias da narrativa, a escolha de cada palavra, as ilustrações, o papel e... a capa-- TUDO é importante, tudo AJUDA À MAGIA...
(* aliás, por comparação, vejam as capas das edições em outras línguas, no link da sinopse, que deixei acima... )
Margarida Alegria (26-1-2012, in Blog  "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Em dia de Reis: doismileoito - Bife de Natal


(doismileoito , "Bife de Natal", video oficial e caseiro, do Natal de 2010)
Como tinha prometido, continuamos a divulgar a boa música  nova que se faz  em Portugal.
Neste caso, para comemorar  o quase despercebido Dia dos Reis, o dia da Epifania,/ Revelação, que em austeridade já nem obriga ao bolo-rei, revelamos uma musiquinha mimosa de Natal do grupo "Doismileoito". A letra é um tanto simplória, mas corresponde ao que muitos sentimos e nos vão dizendo: que a festa do Natal, ou pelo menos o seu ambiente e as prendas, já não é/são para nós, adultos. Eis portanto uma canção sobre a angústia e constatação de que já não somos mais meninos. A parte inicial da música lembra melodias que já conhecemos, mas a secção instrumental natalícia dos arranjos compensa a relativa modéstia de uma pequena canção nitidamente de desabafo. O video, esse, é  uma Animação deliciosa.
Dedicado ao que há de criança perdida no Mundo em cada um de nós.
E post especialmente dedicado  a um músico português de outra geração, Pedro Osório, falecido ontem e que tinha ainda muito para dar, como se viu o seu último disco, um lindíssimo legado que anda se esforçou por nos deixar (mas que coragem, agora olhando aos escassos meses que lhe faltariam...!), "Cantos da Bailónia", a partir dos seu ricos arquivos musicais, que logo no seu lançamento, divulguei AQUI, com "O Beijo do Sol".
Descanse em Paz, Maestro Osório. E Obrigada! A Música Portuguesa continuará e bem entregue (claro que não incluo a pimbalhada nem os jingles do Pingo Doce e afins...).
E boa carreira aos Doimileoito, pelo ano Doismiedoze fora  e  muitos mais ...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Why can't we be friends?


(Muppett Show , de Jim Henson,"Why can't We Be Friends"- do episódio 401)
Gosto especialmente deste video , desta versão da canção. Ora façam  o  favor de ver  recordar e sorrir.;)
E agora é ler devagar:
É uma verdade incontestável  que as guerras não fazem bem a ninguém, a não ser aos  que enriquecem com ela ( os que tantas vezes as causam, com calculismo e irresponsabilidade, por estarem protegidos à sombra de qualquer bananeira,  longe da frente das batalhas). E mesmo assim, avaliados os danos, estes são sempre bem mais pesados do que quer que  se possa ter lucrado.
Sempre gostei muito dos Marretas ,da época áurea do seu Show, tendo este video em particular um valor extra que não vou especificar. Mas  isso é para mim, pois tenho vindo a aprender que aquilo que valorizamos é  muitas vezes apenas um interesse passageiro  ou mera curiosidade para outros, até um instante de mero divertimento fútil. Deveriamos todos,seres humanos, uma mesma espécie, andarmos numa sintonia comum,  ou pelo menos  num número diferente da mesma frequência , hertziana ou..."Heart-ziana", no que respeita a certa harmonia de ideais, de sonhos.
Porém tal não acontece: julgamo-nos mais perfeitos uns que os outros, com mais razão uns que os outros, desprezando os pontos comuns que desenham a frágil Paz. E daí tão facilmente surgirem as guerras, colectivas ou privativas.
Um povo julga-se superior e mais "cumpridor". GUERRA. Um outro acha-se no direito a um certo terrritório. GUERRA. Um país quer obrigar outro a fazer algo. GUERRA. Outro quer impor aos restantes a sua cultura, a sua forma de ver o mundo... GUERRA. Sempre e sempre se encontram as dissidências, apesar de tantos organismos (pagos a peso de ouro e cheios de pergaminhos e comendas) que são criados para tentar manter, senão a união, pelo menos a paz e o não-confronto.
   Se isso é entre povos, que dizer então entre pessoas? Um implica com a cara do outro... GUERRA. Outro leva a mal o que Um disse: GUERRA. Um perde a paciência e resmunga com Outro: GUERRA. Outro resmunga e perde a paciência com Um: GUERRA. Um tem gosto musical diferente, usa roupa diferente, não quer o mesmo penteado, acha que o outro desafina sorri pouco ou fala pouco, sorri muito ou fala muito... tudo e tudo pode ser motivo para encontrar diferenças, quebrar pontes, por vezes tão a custo construídas, mas de bela arquitectura. Tudo é pretexto para Guerra, para tonto desentendimento, para atitudes radicais e pouco frutuosas... Como depois reclamar pela paz no Mundo, por ideais gloriosos e pomposos, ao nível Universal, se depois só há espaço nos corações e nas mentes para a desconfiança do vizinho, para a zanga com o colega, o corte com o familiar, a fúria com quem é amigo?
Isto só mostra como o ser Humano é pequenino, face à grandeza que tem em mãos, a grande  responsabilidade  de tomar conta de um Mundo que não merece. Mas mesmo assim tem esse poder, o de estabelecer harmonia na Terra, de desenvolver uma Humanidade mais justa. Só que precisa de descer do pedestal e agir CADA DIA que passa. A Paz não é um bem absoluto que guardamos no bolso, ou sequer num cofre. A Paz constrói-se e conquista-se, tantas vezes no meio de lágrimas e do esquecer dos orgulhos ocos e mesquinhos.
  Sempre pensara assim. Só que nos últimos tempos descobri que na Vida funcionamos como um grupo de remadores de um grande barco. Porém com uns virados a remar para um lado, estando  outros a remar para a direcção oposta. Não me refiro a lados políticos, mas dos rumos da paz. Cheguei à teoria pessoal que ,enquanto uns  seres humanos  (ou povos inteiros) nascem para tentar conciliar, --construir laços, tentar não fazer grandes ondas (para além dos debates de opinião) com uns e com os outros, tentando encontrar os tais pontos comuns que nos unem --, outros parece que nasceram em e para as guerras, ou pelo menos para os constantes desentendimentos e conflitos, vendo  ofensa no mínimo que é dito, procurando significados ocultos e/ou perversos nos "discursos" mais claros e transparentes, revirando cada pedra em busca de serpentes, enquanto não reparam na verdadeira serpente, a mais venenosa, aquela que se instalou nos seus corações: a serpente da desconfiança, do medo, da escuridão. E é essa "serpente" que, tal como no mito bíblico,em momentos de crise,leva a trair a promessa,  leva a trair a confiança do que se contou, do que se confiou de muito pessoal(não  coisas genéricas, mas muito concretas e privadas!). No ano que passou deparei com essa "serpente" a dominar algures e... não foi bonito.Creio que se deve a feridas pessoais, mas gostaria bem que tal "serpente" fosse erradicada e posta num" Museu do que Não é Importante"...Porém, como li outro dia, a propósito da amizade, não é  que existam pessoas a  não MERECEREM a nossa amizade(quem somos cada um de nós, de especial?).São pessoas que não estão PREPARADAS para a nossa amizade. Infantilidade, talvez. Insensibilidade, quem sabe. Medo de viverem SEM conflitos, a hipótese mais provável. Assim como há povos que demoram séculos a estarem preparados para viverem em paz. Portugal, por exemplo, não demorou muitos séculos a aprender, embora muitas vezes substitua a paz activa pela apatia colectiva e fatalismo.
Em suma: é mesmo muito difícil isto da convivência entre pessoas e povos, mas não é tarefa impossível, se todos remarmos na mesma direcção, a da paz e do bem comum, seja qual for o abismo de ideologias,  de tradições, de feitios e de percursos pessoais.
Às vezes é preciso virem uns bonecos, uns fantoches peludos como os Marretas, para nos lembrarem quanto os conflitos são ridículos e inúteis e que mais valia entoarmos uma canção e andar a lançar alegres fulminantes. Reparem que quem abriu fogo "a sério" foram os velhotes resmungões, ou seja, as gerações mais caducas, que já pouco têm a perder! Foi sempre assim na História do Homem e os Marretas parodiam isso na perfeição. Mas somos geralmente cabeças muito DURAS!
Vivemos dias negros na Europa e no Mundo, há quem fale em (mais!) guerras mundiais no horizonte (para não variar...) e há quem diga que se deveria saltar à frente do Ano de 2012, que agora começa. Discordo: cada etapa é precedida de outra e mesmo as mais difíceis devem ser superadas, para não nos "excluirmos" da corrida. Apesar de tudo acho que só será um ano Negro se o permitirmos.
A nível Geral, será difícil evitarmos os momentos de desânimo e até algum desespero. Mas esses já nem bem me interessam tanto, pois, bem ou mal, a Humanidade tola cá vai sempre continuando a fazer "das suas" na Terra.
 Já a nível pessoal, no que a mim e aos mais próximos diz respeito, familiares , amigos ,  vizinhança, julgo que PODEMOS FAZER a DIFERENÇA, sim.E com ela melhor enfrentar o Ano Negro Nacional e internacional. Especialmente no que respeita aos amigos. Há quem diga que a amizade é o que de mais belo e altruísta existe no mundo, pois que totalmente GENEROSO e sem atitudes de "interesse". De facto: até no Amor as pessoas buscam qualquer coisa em troca, seja intimidade, companhia, protecção, o ser centro da atenção para alguém. No amor de mãe/Pai, é o orgulho de transmitir os genes, de perpetuar, o revermo-nos nos filhos. Mas na Amizade não: haja embora momentos mais graves e outros mais leves, momentos de afastamento e outros de convívio, o que se busca no amigo é só a sua amizade. Patético por vezes, eu sei! Olhem para aquele/aquela "palerma" que está ali.Com pouco em comum comigo, aparentemente. Não me era nada, não o/a conhecia de parte alguma e, num certo momento, tornou-se meu amigo/minha amiga! Milagre! 
Não falo dos "conhecimentos", dos contactos", ou sequer da amizade popular em redes sociais.Não são "caçadores-de-talentos" ou  especialistas em relações públicas, mas tornam-se um pouco especialistas... em nós. Falo de quem é capaz de gostar de nós, mesmo com alguns defeitos de parte a parte, sem saber bem porquê e por outro lado sabendo, sem explicar; pessoas que, mesmo depois de distância de meses ou anos, nos recebe de braços abertos, como se nos tivessemos visto já "ontem", alguém que não nos  mede pelo aspecto (alto/baixo/magro/gordo...), que não liga nenhum "radar" para ver segundas intenções ocultas, alguém pronto a escutar, mas em quem podemos confiar, alguém que escutamos também com paciência e carinho, mesmo que não possamos ajudar.Alguém que tenta aceitar e entender mesmo o quase inaceitável e incompreensível em nós. Mesmo que discutamos por vezes, acabando a rir-se connosco. Pessoas a quem podemos simplesmente dizer, com a nossa presença: Estou aqui. Alguém se preocupa. Conta comigo. E sei que também contigo posso contar. Podemos conversar. Ou podemos escolher o silêncio eloquente. De uma ou outra forma estaremos a "Dizer-nos".
Pois a Amizade comunica sempre, na própria amizade. Gratuita, mas por vezes difícil. Altruísta, para que aprendamos melhor a dar. E a SER.
Desejo mais uma vez um Excelente Ano de 2012 a todos,em especial aos amigos, lembrando que, para a PAZ que nele queremos, devemos repartir o que somos, procurar conservar o que está bem,  burilar o que está menos bem,  remendar o que se estragou (estamos em contenção e poupança, recorde-se!:)), enfrentar CADA DIA e cada situação com coragem e força... sempre tendo a PAZ como objectivo principal e COMUM. Denunciando e tentando sarar as alergias, porém jamais esquecendo de viver  e "saborear" as alegrias! :)
Obrigada, Marretas "fofinhos"!
(e , bolas! lá ia eu escrever só umas palavras, mas sou assim, às vezes: "chatinha" mas bem intencionada... Tenham lá paciência para me aturarem um pouco em 2012, ano novo em folha. Ai ai...)
Margarida Alegria (4-1-2012 in blogue "alegrias e alergias").