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domingo, 16 de junho de 2013

SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES: descubra as diferenças


(Paulo Guinote e Couto dos Santos na SICnotícias 11-6-2013- recolhido pelo Calimero Sousa)
Quer apreciem ou não os blogues de professores, ou os professores -bloggers e todo os seu estilo, as suas opiniões e feitios, ao verem este video   , este debate de há quase uma semana, ficarão rapidamente dissipadas as dúvidas sobre quem é que aqui defende os alunos e  a Escola Portuguesa .E qual destes dois homens mais falta  faz para a causa educativa e simplesmente domina  o TEMA Educação. 
Claro que o senhor que esbraceja na parte direita do ecrã ( só faltado dar alguma cotovelada à jornalista Ana  Lourenço) até podia ser "apenas" engenheiro   e não ter, como o seu interlocutor,  um Doutoramento em História da Educação. Não viria daí mal ao Mundo, pese a fama injusta que outro certo senhor deu aos engenheiros em Portugal, nos últimos  seis anos. Mas deveria  ter um mínimo de....
Convido os leitores, portanto a procederem a um simples passatempo de DESCUBRA AS DIFERENÇAS (para além das origens regionais detectadas na pronúncia, mas isso é pouco relevante): à vossa esquerda no ecrã, um homem calmo, a esperar a sua vez para falar, a argumentar fundamentadamente, com dados precisos e bem analisados, a saber ripostar aos absurdos dos argumentos contrários, a explicar tudo com clareza, correcção, firmeza. Do lado direito do ecrã, um homem exaltado, que desdenha e fanfarrona, com argumentação mal enraizada, dados genéricos, a "baralhar estações", como dizem no Brasil, a interromper constantemente, a recorrer até ao insulto e à menorização do outro... só vendo e ouvindo.
O primeiro é professor e vai fazer greve a avaliações e dias de exame, até não sendo  grande apologista de greves e manifestações, por sistema. Mas, quando o outro não o interrompe, tenta explicar as razões dos professores que vivem a realidade extenuante da Escola Pública(que se degrada)...na sua escola. É ele Paulo Guinote, professor do Ensino Básico (História e Português) e autor do blogue "A Educação do meu Umbigo". O segundo apenas argumenta o que é da cartilha quase "oficial" de ataque a esta greve: que as greves são manipulação dos sindicatos e não do interesse dos professores, que os alunos coitadinhos vão a UM exame e depois regressarão (NESSE DIA- parêntesis meus) para casa sem o ter feito, ai o transtorno das  famílias e das férias familiares!-- (férias familiares? E cerca de 20 mil ou mais professores que se arriscam com estas medidas que querem  a serem despedidos ou mandados para horários precários, de terra em terra, na tal "mobilidade especial" agora chamada com cinismo de "Requalificação" ,nem que tenham 20 ou 30 anos de serviço e contrato mais antigo e efectivo com o ministério e com uma escola? E não, não há professores a mais. O MEC é que nos dois últimos anos "fabricou" manobras de eliminação de horários para uns e sobrecarga para outros, até eliminando disciplinas importantíssimas, agregando escolas diferentes e distantes à força  ). Esse tipo de cartilha para atacar os professores é a que circula por todo o tipo de comentadores, políticos e, como neste caso-ex-governantes. Sim, faltava esclarecer isso, sabia? O homem que esbraveja à direita já foi.... (isso, não leu mal na legenda!)... MINISTRO DA EDUCAÇÃO. Chama-se Couto dos Santos e agora por aí anda noutros cargos muito importantes, públicos e privados. Ponham-lhe os "respeitosos" cabelos brancos de volta para castanhos e uns óculos grandes de massa, um casaco aos quadrados... sim! ESSE! Escusado lembrar que foi um péssimo Ministro, daqueles de refugo que por vezes os partidos desencantam, ainda muito novinho, mas isso não seria defeito, não fosse a proa e termos que usa, que aqui vêem, que tão mal corresponde a uma função ministerial em geral e  muito menos à pasta em questão (de EDUCAÇÃO! relembro de EDUCAÇÃO!!!). Já não sei de certeza se foi a este que os estudantes universitários mostraram os jovens "assentos" com letras "NÃO PAGO", no tempo de imposição de aumento das propinas, mas penso que sim. O Paulo Guinote diz, no video, os anos em que o cavalheiro "ministrou".
Perante isto, para além de tantas outras razões, quem de entre os docentes ainda tiver dúvidas quanto à justiça desta greve, cujas datas foram ditadas pelo MEC , ao ter começado a impor, quase sem negociações, estas medidas economicistas NESTA ÉPOCA do ano  e não noutra, esperando ter tudo aprovado à sorrelfa, no Conselho de Ministros (se calhar à noite ou em pleno Agosto) e ter a via de "trânsito" ou de despedimento pronta em Setembro para  entregar aos docentes , quando estes voltassem das suas escassa pausa de Verão (sempre em época alta, a mais cara...ultimamente por casa...), não sei de que mais argumentos está à espera para sacrificar estes dias de salário...
Um país onde um indivíduo como o da direita chega facilmente a ministro, por via do mero cartão partidário (e o tipo de arregimentação continua até hoje!) . saltando depois para  o "mérito"(?) de uns tachos e panelas que o continuam a elevar até ao auge comprovativo do  famoso "Princípio de Peter"; e onde um Paulo G., com curso, mestrado, doutoramento e livros publicados, conferências e estudos vários....tem de penar em horários cada vez mais pesados ano após ano, embora se desmultiplique em outra actividades cívicas pela Educação-- não saindo dessa aparente "cepa torta"  só porque se quer manter de espírito crítico e independente, sem "coloridos" a algemá-lo...-- é de facto, um país doente. E funcionando assim, instala-se mais facilmente a corrupção, a menorização do verdadeiro mérito, o convite a se ficar caladinho ou a emigrar... Um país assim não sairá desse círculo vicioso, regido por demagogos mentirosos e subservientes a interesses económicos (que esbulham a pátria a alta velocidade), se ninguém com mais coragem der um murro na mesa e disser basta a todas as medidas que estão a empobrecer o país, a roubar-lhe a soberania, a humilhá-lo.
Como nos tempos da ministra de Educação de má memória, Maria de Lurdes Rodrigues, no seu reino de Terror entre 2005 e 2009, --com uma continuação versão mais "light" da escritora que dá pelo pseudónimo-nome de Isabel Alçada, mesmo nas funções de Estado--, O MEC está a querer dar ao País todo o exemplo de esmagamento e humilhação  da Escola Pública e dos professores, nos seus mais básicos direitos, para que depois nem os outros funcionários Públicos nem os restantes portugueses descontentes ousem continuar a protestar contra os (des)governantes. O José Pacheco Pereira comparou esta Guerra contra os professores com a guerra de Thatcher, no R.Unido, contra os mineiros, nos anos 80, precisamente diabolizando os sindicatos e os outros representantes  destas profissões que ainda resistiam/resistem. A tal senhora que  deu cabo do melhor que tinha o seu país e que estes meninos desgovernantes tanto parecem admirar e querem imitar (mas sem inteligência, só com costas quentes internacionalmente. Ao menos ela era corajosa...), 30 anos depois... é bem próprio do nosso constante atraso nacional: até a imitar "modelos" estrangeiros chegamos atrasados, imitando o que já foi contestado e até  abandonado e muitas vezes apenas requentado em outras paragens....
Amanhã, Nuno Crato acabou de dizer, mantém-se marcado o exame de Português de 12º ano (e o de Latim). Vamos dar-lhe a devida resposta, não comparecendo. O direito à greve sobrepõe-se à convocatória ridícula que o MEC mandou fazer a todos os docentes e até... aos directores. Nem o colégio arbitral nem o tribunal administrativo a que o MEC recorreu lhe deu cobertura a "serviços mínimos" ou requisições civis. Espero que todos os colegas não se deixem intimidar, nem com passageiras(a meu ver patéticas, convenhamos, perante uma situação bem mais grave!) "penas" pelos miúdos (poderão estudar mais , rever matérias, ninguém lhes tira  ou destrói o que estudaram), ou medo de retaliações (?!) num país que ainda se diz democrático e respeitador das leis.
Portugueses: o país também é nosso e somos mais que  esta minoria que nos quer culpar (a todos) dos roubos  ao erário nacional feitos por certas élites corruptas e transformar num protectorado de  mão-de-obra escrava! teremos do nosso lado o direito Internacional e o o Tribunal dos Direitos Humanos, caso haja atropelos à lei. Lembro também: um trabalhador substituir outro que fez greve, num conjunto imenso de "suplentes" impreparados e recrutados à força é ILEGAL.
Pensem. E vejam o debate e esclareçam-se, no que o senhor esbracejante e rude do video permitir que se oiça. Querem que eternamente pessoas como essas continuem a ocupar o poder e os lugares fundamentais do nosso belo país?! Acham que é FADO luso ter que continuar a ter o país minado por toda essa trupe de interesses e de pessoas que não amam o seu país, a sua cultura, a sua educação, o bem estar dos portugueses ,mas só  querem chegar ao poder ,  ao dinheiro público que sugam, às benesses que reservam e acumulam para si e para os seus?
Pensem bem, portugueses, antes de embarcarem no atirar de pedras de uns tantos, que dominam a opinião publicada, contra os professores e contra os Funcionários da Administração Pública em geral (que só "gastam", com salários que recebem pelo trabalho,10% do PIB, abaixo da média da UE, ao contrário do que apregoam) , em demonização manipuladora que o esperto olho do Zé Povinho já percebeu há muito. Percebeu... mas resta o MEDO. Os professores estão a perdê-lo... Porém o MEDO está sobretudo na cabeça das pessoas e só domina quem o deixar.
Tanto se tem falado em "Ponto de viragem para o país. Amanhã sim, pode ser o verdadeiro PONTO DE VIRAGEM.
Margarida Alegria (16-6-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
( NOTA:  como vêem, retomo hoje alguma postagem, após mais de um mês de interregno, por falha de Internet . Não poderei postar muito, por várias razões, sobretudo de trabalho, mas tentarei ir colocando umas coisitas...)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Contra o Medo que mina os professores(uma "rabanada de Vento" da AL)


Não tinha chegado a escrever aqui algo sobre a manifestação de professores da semana passada (dia 26 de Janeiro). Mas fiquei sem palavras a dizer, quando deparei com este fantástico post da minha querida amiga "AL"/Ana, no seu "Oventoquepassa". Disse tudo o que urge dizer sobre o que se passa na Escola Pública e quanto à luta dos professores...
Deixo aqui o link do post e recomendo a leitura, bem como a visita a todo o magnífico blogue:
O poder de que os professores tristemente abdicam" (in blog "O Vento que passa")
O que a Ana salienta é a incompreensível atitude de cedência e até de medo (pelos professores) ,que vem minando as Escolas por dentro  e destruindo a causa pela Escola pública,nestes últimos anos amargos. Saliento um extracto do texto, mas recomendo vivamente a leitura completa:

"os professores têm de se consciencializar do enorme poder que detêm, e usá-lo, sem medos nem mesquinhices. Têm de arriscar perder alguma coisa, dois, três dias, uma semana de salário, se querem ganhar esta guerra de batalhas tantas(...)"

A Ana não fala de cor. Não sei se sabem, mas o seu blogue, "O Vento que passa" é um pequeno reino de bom gosto, de sensibilidade e de reflexão inteligente. Destacou-se em particular nos anos de luta contra a megera Lurdes Rodrigues. Alguns dos seus primorosos textos circularam por mail, de tão bem escritos e corajosos que eram, ousando mostrar como a profissão docente é nobre e intelectual e que os professores  têm o dever de defender aquilo a que têm direito- sobretudo tempo para aquilo para que se formaram (e superiormente!): ensinar. Posts que não se importavam de expor de forma detalhada tudo o que era e é urgente defender no Ensino em Portugal, estando-se nas tintas para a brevidade feita espuma dos dias que se recomenda para o tamanho de posts. Quando é para escrever e detalhar, não devem existir tais calculismos. Um dos seus posts, inclusivé,  andou a circular pela Internet como se fosse anónimo e/ou atribuído a terceiros, chegando a ser a sua leitura recomendada, imaginem... à própria autora!
O seu blogue continua vivíssimo por aí, quando a "AL" até já nem teria  hoje qualquer obrigação profissional ou moral para o escrever. Mas, uma vez professor(a), sempre professor(a), como se costuma dizer. Ou, como dizia há uns anos  largos uma outra amiga minha, isto de ser professor, "torna-se um vício". Balelas para quem reclama que só pode ser professor quem tem "Vocação"! O que é isso de vocação? Fala-se em um padre precisar de vocação (e mesmo assim...), uma mulher que sente  especial "vocação" para a maternidade(mas mulheres que não se imaginavam a ser mães tantas vezes vêm a ser excelentes mães), porém... acaso outros profissões exigem uma "vocação"? Do estilo "Ah, quando era pequenino sonhava ser gestor de marketing" ou "senti vocação para  economista e ministro das Finanças, "assessor-especialista de um ministério" ou algo ridículo como "em criança sempre quis vir a ser secretária administrativa/ técnico de frio/ vendedor de seguros"... As poucas profissões sonhadas em pequeninos passam mais pela fantasia, como o vir a ser polícia, astronauta, bombeiro ou hospedeira do ar. Desenrolam-se estes estereótipos ao longo de décadas e vamos deixando, virando-os tantas vezes contra nós, quando deveriamos agradecer termos um país onde AINDA há professores suficientes para as necessidades (mas já não em todas as disciplinas!), quando em outros países (que cometeram esses erros nos sistemas educativos) agora já só querem saber se conseguem convencer gente suficiente  e que não fuja a esta ingrata e tão massacrada profissão...e sobretudo gente que tenha tanta e tão especializada qualificação quanto existe actualmente na classe docente portuguesa! Quem dera a esses países(e não são  só no  dito terceiro mundo)!  Mas não: muitos cidadãos , a tutela do ministério e  tantos (des)governos em Portugal dão-se ao luxo de desprezar os docentes que existem, dizendo que "são demais" (o que é mentira!), que só estão na profissão por "não terem jeito para mais nada"!... não terem... "vocação"!
Ora o que interessa, quando se tem uma profissão, é tomarmos o que fazemos em mãos e tentarmos ser bons no que fazemos. De resto esssa conversa de vocação é vazia! O que a profissão docente é sem dúvida, para quem alguma vez passa por ela, é um "bichinho" que nos fica inoculado para sempre, a vontade de educarmos, de ajudar  crianças , jovens ou graúdos a descobrir os conhecimentos do mundo, a amar o saber. Quem é ou foi professor, sempre que lê um bom livro ou vê um filme marcante fica com a vontade de logo alertar os seus alunos para essas obras e quando já não tem alunos fica a imaginar as aulas que faria com aquelas descobertas. E quando está entre os seus, em casa, quantas e quantas vezes não o/a mandam calar com "Lá estás tu a ser professor(a) e a falar de escola e de aulas!"...
Sim, ser professor é um vício que nos acompanhará para sempre. Só não sei  bem dizer se é fatídico.
A Ana é uma dinâmica professora-blogger das que sofre por a nossa classe profissional não  ter ido mais além no enfrentar as bestas que querem destruir a Escola Pública. A Ana é da mão cheia dos que ainda ousam sonhar algo diferente e melhor para a Educação em Portugal.
Não é das que são arrogantes e dondocas às Segundas, Quartas e Sextas   e que às Terças,  Quintas e Sábados se transformam em solidárias e lutadoras, para poder virem a ser consideradas umas resistentes corajosas e se" fazerem importantes". Não , não é assim a  Ana. A Ana sente a profissão e é/será educadora todos os dias, mesmo quando se recolhe a algum  silêncio.
Como amiga, também é das que está connosco quando é preciso, dando força. Não é das que promete mas depois enxota. Foi das primeiras a apoiar a criação do meu blogue e das primeiras a aderir a este site também. Essas coisas jamais se esquecem, pois a Ana não é só feita de palavras.
(e tem  sensibilidade ,  inteligência  e humildade que sobram; por isso não lhe dará   para vir a considerar estes meus elogios sinceros  de amiga como um exemplo de... "stalking", e fazer queixa à polícia etc...eheheh!-- é verdade, há quem se lembre disso, fora de brincadeiras!!! Essa estupidez não foi minha, por isso não sei porque hei-de calar mais tempo o meu espanto!)
Visitem o seu blogue e  leiam este seu texto, de entre os vários marcantes que já escreveu. E pensem. Pensem nas formas como quem ama a Educação terá de vencer o medo e o conformismo, pois será a única forma de defender a Escola Pública, a que de facto tem gerado( pela sua qualidade até agora) tantos jovens qualificados que hoje dão cartas pelo mundo fora...
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Tinha outro post pronto para publicar, mas  não trata de algo tão importante, por isso agendei-o para amanhã após o almoço, pois este texto da Ana merece uma leitura destacada e tranquila de final de Domingo.
Margarida Alegria (3-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
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ADENDA:
No próximo dia 2 de Março, decorrerá, em várias cidades do país, uma nova manifestação "Que se lixe a troika- o povo é quem mais ordena", cerca das 15h (locais  de partida e horas serão divulgadas mais tarde). Todos os portugueses insatisfeitos com o rumo da nossa democracia estão convocados. Façam ouvir a vossa voz!
Um manifesto de título "Maré de Educação" marcou  entretanto para as 14h, frente ao MEC, na 5 de Outubro em Lisboa, uma concentração de professores, que depois se juntará à manif nacional que parte do Marquês de Pombal e vai até ao Terreiro do Paço.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Educação: Equações importadas e "efervescências" caseiras

Como servi no anterior POST AQUI, à laia de aperitivo, nada como um bom borbulhar para tudo se animar por milagre.
Essas "borbulhas", propostas por Mário Nogueira,-- líder do mais representativo sindicato dos professores, a FENPROF--, deverão ser, no seu entender, umas tais de "BORBULHAS de CONTESTAÇÃO"(sic,não é invenção minha!), ou seja, uma espécie de guerrilha suave de iniciativas pontuais e "salpicadas" pelo país fora, à vez.
A FENPROF começou em Coimbra, ontem, num volumoso borbulhar de ...umas 70 pessoas.  No Sábado borbulharão no Porto e por aí fora.
Em suma, um misto de protestos em mini-manifestações (as grandes e nacionais, com o tempo, veríamos, ainda segundo MN) e borbulhas "efervescentes" de um Jacuzzi que fariam "cócegas" ao Ministério/MEC, mas que todos sabemos, por experiência dos últimos anos de pesadelo, apenas serviriam para deixar o MEC e o Crato  mais "relaxados" e ´mais tonificados, depois das cócegas que tais "borbulhas" lhes viessem a fazer inicialmente. Depois de verificar que a luta docente e da restante comunidade Educativa não iria até às últimas consequências.
Assim sendo, tudo se inclina para que o MEC interprete a palavra "BORBULHAS" no sentido epidérmico,  de "ACNE" passageira, e então em vez das borbulhas de Jacuzzi, ou sequer de uma alka-selzer que revigore a luta docente e que nos alivie o mal estar nas Escolas-- aumentado por mais uma vaga de "despachite-aguda" das últimas semanas--, teríamos antes uma imagem mais nítida assim:

                                    
A "Clínica Crato-Dermoestética" aplicaria , nas maçadoras borbulhas,diversas camadas, em semanas consecutivas, de legislação e despachos gordurosos e enriquecidos com extractos de laranja e Liberalitus-Vera, com base numa antiga fórmula matemática usada por alquimistas da  Burocratolândia. Há quem diga que essa fórmula está ultrapassada e é contestada, mas  em Portugal nada como repetir bons erros, desde que sejam traduzidos do estrangeiro. Foi-nos certamente vendida antes de ser deitada fora, numa boa estratégia de reciclagem e reutilização do Mundo Moderno.
As borbulhas, depois de umas negociações/de uns entendimentos com os sindicatos, seriam finalmente sujeitas a uma "profunda limpeza de pele", fazendo com que a essência de laranja penetrasse e  nas camadas mais vulneráveis das borbulhas, anulando-as, deixando isoladas as borbulhas mais teimosas e activas, até se extinguirem por completo. Extinguirem-se, ou através da facultação de "um lugar ao sol" (e como o sol faz bem à cútis com borbulhas), ou sendo reabsorvidas pela novas camadas de pele.
Bem,esta parte foi mais dirigida a professores e suponho que quem não é professor neste momento não entendeu (quase) patavina e terá de reler aqueles parágrafos depois. Passo a explicar.
Nas últimas semanas, o Ministério da Educação e Ciência (MEC), mantendo a boa tradição criada por Maria de Lurdes Rodrigues, tem invadido as escolas com quilos de legislação, despachos e 1ªs, 2ªs, etc versões de propostas de formulação da reorganização Curricular, tendo até conseguido a proeza de vir agora contrariar o que estava acordado com alguns sindicatos, em relação à duração mínima dos tempos lectivos,só para dar um exemplo.
Outro exemplo é o novo Estatuto do Aluno, que saltou para os jornais para baralhar os cidadãos, não estando ainda negociado com ninguém, nem tendo sequer sido escutado o Conselho de Escolas (órgão consultivo com os representantes dos Directores). E saltou para os jornais ainda não estando pronto, no bom estilo de lançar umas tochas inflamadas para testar a opinião pública, como a de  os pais de alunos indisciplinados ou faltosos irem pagar multas pelo comportamento dos filhos, perderem subsídios que tenham, e por aí fora.
Estando ainda os professores a tentar entender  esse Estatuto e as estranhas matrizes de Reorganização Curricular enviadas aos poucos em constantes versões corrigidas, tanta papelada teve ,há dois dias (5 de Junho), o" ponto de rebuçado", com a publicação em Diário da República, de um Despacho "surpresa" não negociado com ninguém. O já famoso "DESPACHO-NORMATIVO nº13-A/2012", que poderá consultar AQUI, em versão PDF.
Podem ler ainda aqui uma das notícias que tentaram traduzir o rebuscado despacho para os cidadãos:
Pois bem, o que está a deixar professores, directores e escolas em geral à nora é não só a a ambiguidade de alguns artigos, mas principalmente uma EQUAÇÃO arrevesada que o MEC inventou , aliás, traduziu de outras paragens, E que no blog "CORRENTES" se explica muito bem, dentro do que é possível entender (CLICAR AQUI).
Aí aparece, entre outras siglas da fórmula, o EFI (o que se vê que é importação estrangeira, pois explicam a sigla como "Indicador de Eficácia Educativa"), que é o resultado de uma fórmula complicada,  calculado a partir dos resultados de uma avaliação externa e de uma avaliação interna de cada escola. no fundo com base nos famosos Rankings calculados nas classificações de Exames nacionais e sua diferença em relação aos resultados internos.
Explicado e sintetizado para "leigos": consoante o tal "Indicador de Eficácia Educativa" de cada escola, esta ganharia, numa espécie de Meritocracia distorcida e  invertida e para Totós, o DIREITO a ter mais horas extra de crédito para actividades extra-lectivas.
As escolas sempre tiveram um crédito de horas extra a distribuir pelos docentes, para além das horas para as aulas das disciplinas. Esse crédito era mais ou menos distribuído irmamente por todas as escolas, pelo Ministério, e eram usadas pelas escolas para aulas de apoio, clubes e outras actividades para alunos com dificuldades ou para enriquecimento curricular de todos. Dava-se a situação caricata de , por exemplo,uma escola com imensos alunos do Ensino Especial (e não "apenas" os casos de dislexias e dificuldades gerais, mas casos complicados de paralisia cerebral e outros) ter  o mesmo crédito de horas de outra escola sem esses alunos e portanto, enquanto a primeira esgotava o seu crédito em aulas para esses alunos Especiais, na segunda sobravam mais horas para dar aulas de apoio e recuperação a alunos com  dificuldades nas disciplinas!
A certa altura o crédito foi sendo cada vez mais reduzido (Orçamento  de Estado oblige...) e era calculado com base no número de horas que os professores mais velhos tinham de redução de horário lectivo(por desgaste da profissão que até o regime forreta salazarista reconhecia existir), tendo esse crédito passado a ser usado nessas actividades de apoio, garantidas por esses professores que tinham menos turmas. Até aqui, portanto, havia desequilíbrio nessas quotas de horas, pois dependia da antiguidade dos professores do  quadro de cada escola.
Agora a lógica legislada, ou despachada, é profundamente ridícula e contraditória, embora venha com roupagens de "aumento da autonomia das Escolas! É a seguinte: uma Escola com maior grau de "E.F.I.", como por exemplo muitas das escolas Privadas e outras públicas em zonas nobres que estão nos tops dos "rankings" (muitas vezes graças a manobras várias de selecção dos alunos que admitem a exame!), vai ter direito a um... MAIOR CRÉDITO DE HORAS para actividades extra-curriculares!
DÁ PARA ENTENDER?!
Ou seja,   os alunos com mais dificuldade e/ou em escolas e turmas mais "difíceis" vão ficar com poucas ou nenhumas horas disponíveis para terem aulas de apoio para melhorarem os seus resultados,nem que seja ao menos a Matemática  ou Português. E os alunos de meios que já têm mais facilidade em pagar a explicadores por fora vão ter MAIS direito a horas na sua escola de elevado "EFI", possivelmente para clubes de culinária Gourmet ou para actividades extra de Golfe ou de Equitação!
Não. Não  dá para entender.
Os directores das escolas mais "Cotadas"(e por extensão os próprios autarcas) nesta nova forma de darwinismo social terão, em consequência, direito e autonomia a contratarem mais professores para as "suas" escolas. E depressa se transformam nuns colégios selectivos "públicos", pois cada vez mais arranjarão maneira para estarem nos tops, arredando ou convidando a sair os alunos com mais dificuldades. Baralhando e tornando a dar: terão mais créditos porque estão nos tops e continuarão nos tops... por terem mais créditos a valorizar os alunos.
Deve entender o MEC que isto é um prémio para a excelência, para  o Mérito e não sei que mais, mas mais não passa de uma forma encapotada de acentuar as desigualdades. É como dar um prémio a quem já está bem alimentado e saudável, sendo o prémio...mais e excelente comida e mais remédios e vitaminas. Deixando-se os que estão mais fracos a definhar, de CASTIGO por não terem saúde e não estarem em forma.
A que havemos de chamar isto? Fascismo? Eugenismo neo-liberal? Parvoíce de uma cambada de seres infantis e fanáticos que escreveram este Despacho?!
Criminosos, também, inclino-me a concluir, se insistirem a levar este "aborto" para a frente, passe a comparação.
Mesmo que disfarçado como autonomia. Mais um presente envenado ao estilo mariadelurdesco, isso sim.
É verdade, pois outra coisa que pretendem é também  transferir o ónus de novos despedimentos de docentes e outro pessoal que não se enquadre no resultado a fórmula do EFI-e-etc, do Ministério para as Escolas e seus directores. E pergunto: os directores é que são os patrões destes funcionários do Estado?! Ah, pois, tudo caminha para o sacudir dos ombros do Estado do pesado fardo da Educação dos cidadãos. Podemos então deixar de pagar impostos,senhores governantes,  já que temos de pagar tudo por fora, das estradas, aos transportes, da Saúde à Educação dos filhos?
Ainda só li excertos do Despacho,procurei ajuda para entender algumas das mirabolantes normas, mas esta amostra devia já alertar não só docentes como os PAIS e EDUCADORES e população em geral.
E não, caro Mário Nogueira,não nos bastará andar a gerar "BORBULHAS" por aí, aos poucos até chegarem as férias  de Verão que estão quase á porta, para deixar o MEC a rir uma vez mais de tal tipo de mobilização. Não chegam providências cautelares onde tribunais nos dão razão para logo serem ignorados e desobedecidos pelo MEC.
Há agora razões para um Tsunami, como já disse, para uma mobilização geral que já devia ter existido, de professores, alunos, pais e todos os cidadãos preocupados com esta infâmia criada por "Jovens Turcos" iluminados e mais uma vez  desconhecedores da realidade do país em que vivem. Para que o que lentamente e em muitas décadas tinha melhorado do Ensino não seja deitado borda fora, de vez! Para não retrocedermos dois séculos para a época da revolução industrial onde as crianças não iam à escola e eram "carne para canhão", em  minas, em fábricas esconsas e guerras.
Vou aqui colocar o link para a Petição contra o despedimento de 25 mil docentes que está calculado com estas manobras, mas isso só não chega para fazer ver ao país que a revolta não deve ser só de professores, pela sua dignidade e trabalho, mas  deve ser geral, nacional e até europeia, porque afecta uma vez mais e ainda com mais força o futuro dos nossos jovens, da nossa Educação, do nosso país!
Se assim não se mexerem e  se não ousarem mobilizar todos os docentes e o País, os sindicatos bem se poderão ofender com a alegoria que redigi nos primeiros parágrafos e bem podem protestar que não cederam nisto ou naquilo! Se não forem (ao estilo dos desgovernantes) "PARA ALÉM DAS BORBULHAS" de protestos e tribunais, todos ficarão de vez com a estranha sensação de que as famosas "Borbulhas" que desejavam afinal  eram as de uma garrafa de champanhe a abrir, após  um serão de conversações e Pizzas no Ministério (em salas separadas...como daquela outra vez,em 2010, com Isabel Alçada).
Champanhe a abrir e a saltar para taças, para festejar um qualquer débil  novo "memorando de entendimento", um qualquer "acordo" por  "um prato  de lentilhas" vazio. E não poderão protestar que os docentes desconfiem de que cedem devido a acordos secretos inconfessáveis por parte dos representantes sindicais que nos deviam defender...
(Nota: tenho amigos dos sindicatos e há muitos representantes sindicais que respeito e que sei serem muito sérios e empenhados. Mas por favor não desbaratem de novo a moblilização que já tiveram em mãos em 2008 e que poderão ter de novo, se tiverem "garra" até ao fim, como se vê por terras de Espanha, França e outros, tantas vezes com problemas menores em mãos. E os docentes não devem desmobilizar mais uma vez por razões mesquinhas da sua vidinha! A Escola Pública e a Educação estão a levar a última estocada de  morte e demolição! TEMOS DE IMPEDIR esta nova barbárie!).
AQUI em baixo o LINK para assinarem a PETIÇÃO. Já é um passo e é simples de fazer, mas não, não basta.
Vamos unir-nos! Nós cidadãos preocupados. Senão, as borbulhinhas não passarão de "efervescências" gasosas e passageiras, "Burbujas de Amor", como Canta o Juan Luis Guerra.
(e os "leigos" agora podem reler o início do texto e já entenderão melhor).
Margarida Alegria (7-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 26 de maio de 2012

Bem-vindos ao CIRCO MEC-GAVE!!! Ou...Contas manhosas...Exames mais difíceis

                (ora ligue os pontinhos e o que dá? O circo habitual! Com jovens cobaias amestradas!) :((
Criei este blogue para ter o meu espaço internáutico criativo e crítico, sem interferências ou censuras alheias, para exprimir as minhas ideias e opiniões, as minhas alegrias e angústias. Pretendia que fosse um blogue com bastante humor, mas também com  seriedade, sonho, esperança e ... as minhas "maluquices". Trataria dos meus temas de eleição, com principal destaque, claro, para a Educação.
Acontece  ultimamamente as novidades do campo educativo estarem longe de serem alegres, sendo até, pelo contrário, bastante desanimadoras. Descoroçantes até.
Depois de seis anos de tentativa de massacre da reputação dos professores por Lurdes Rodrigues, Sócrates e " sus muchachos", houve uma ligeira nesga de esperança vindo do novo MEC, com promessas de que voltaria a centrar as Escolas no essencial, no ensino e valorização do esforço dos alunos, no respeito pelos docentes e pessoal ligado à educação, na simplificação da burocracia inútil que nos afogara e estrangulara nos últimos anos.
Pois bem, tudo isso não passou, pelo que vemos na prática, de mais ilusões e falsas promessas! Respeitar alguém, neste caso os professores, não é só tratar esse alguém com cortesia em cerimónias públicas ou ter um trato mais afável em entrevistas ou colóquios. Esse tom pode ser um pouco paliativo, depois da arrogância de MLR, mas isso já viramos na pose mais sorridente da sua sucessora Isabel Alçada. As políticas, essas, num caso como noutro, foram e continuam a ser de desrespeito, de invasão e alteração legislativa constantes, de mais burocracia, de mais "reunite aguda", mais exaustão causada a toda a comunidade educativa! Não nos deixam espaço para valorizarmos o que importa mais, o centrarmo-nos nas aulas e nas questões didácticas, no fundo... nos alunos!
Não, os alunos não são uma espécie de "clientes", como está aí em voga em visões de gestão ultraliberal, nem tão pouco os seus pais o são. Uma Comunidade Educativa verdadeira é a que engloba todos (alunos, professores, funcionários, pais, comunidade local), numa tentativa de educar as nossas crianças e os nossos jovens, naquela perspectiva do provérbio (chinês?) que diz que para educar uma criança é preciso toda uma aldeia.Não é a criação de mais organismos burocráticos com enorme peso do poder local, leia-se caciques locais, que tantas vezes só se preocupam com as escolas em períodos pré-eleitorais. Durante décadas, devagarinho, essa comunidades  educativas foram surgindo, mais ou menos coesas, com maior ou menor participação de todos. Mas vem uma tutela, o Ministério, que ,hipocritamente apregoando o aumento de autonomia e o respeito, cada vez talha a golpes de foice essa mesma já parca autonomia, esse respeito já tão "trucidado".
Então é o dilúvio, que continua com este novo (des)governo. A todos os níveis reforçam a destruição do sistema educativo idealizado por dona Lurdes e vou listar apenas alguns aspectos:
-- regressa a politiquice partidária às escolas (erradicada poucos anos após o PREC), com  a criação dos  pomposos Conselhos gerais, desprestigia-se o peso do Conselho pedagógico (primeiro deixando de ter voto deliberativo das decisões da escola) e agora, com Crato e em normas de há dias, retirando(sem terem debatido) os representantes dos pais , dos alunos(do Secundário) e dos funcionários auxiliares do  dito Conselho Pedagógico!
- Para além dos já discutíveis agrupamentos de Escolas, que chegaram a ser verticais , mas passaram a horizontais, vemos não só o NÃO abandonar da ideia mirabolante dos Mega-agrupamentos, mas ainda o agravar (por razões nitidamente economicistas, o que é um tiro no pé, pois vais sair mais caro  ao país, a muitos níveis inclusivé o financeiro!) para" Hiper-Mega-agrupamentos", o que poderá levar a termos um director, com poucos assessores, para um conjunto de MILHARES  de alunos, até há uns com mais de 9 mil!,abarcando escolas distantes de quilómetros, fazendo professores dar aulas em várias escolas, em itinerância e cansaço extra,  fazendo os pais  terem de tratar papéis dos filhos a kms e  perderem a proximidade com a escola e quem ensina os filhos,  ficando os alunos perdidos, alienados, feitos números anónimos numa escola que ficará muito  mais impessoal; e tudo para pouparem uns tostões em directores, professores, funcionários de secretaria...
- os currículos mudados de modo a poupar  no nº de  horários docentes sem se saberem quais são afinal as tais "metas de aprendizagem", ou seja, o que se quer que o Sistema educativo ofereça de essencial aos alunos;
- Umas áreas que se dizem reforçadas ,mas que agora, com as contraditórias  Matrizes Curriculares reveladas ontem, não se percebe onde surgem reforçadas;
- A área da educação artística cada vez menos valorizada e cada vez mais subalternizada, num país que se quer virado para o turismo e a... CRIATIVIDADE! .- Sobre este tema tenho um post em rascunho, pois merece dstaque mais alongado; entretanto assinem a Petição Pública que abaixo se linka. Deixo apenas em destaque que até penso que deveria ser a área das expressões a NUCLEAR de todo o currículo e não um suplemento para enfeitar... mas então explicarei melhor o meu ponto de vista...
- As turmas de novo a aumentar de número de alunos, devendo rondar os 30 alunos ( e não cabendo esse número tantas vezes nas salas modernas!),  medida contraproducente num ensino que se aconselha a ser cada vez mais individualizado e incentivador das qualidades de cada  aluno;
- Escolas e mais escolas do primeiro Ciclo a fechar, ao arrepio do prometido, também , cada vez ajudando a  centralizar tudo e a desertificar mais o interior;
- Os programas que continuam desconexos e enormes, nunca se avaliando, de uma experiência para a outra, o que é de manter e o que é de mudar, ou seja, sempre tudo tratado em gabinetes de pessoas bem longe da realidade do ensino e das dificuldades em executar tanto delírio programático;
- a pseudo-avaliação dos professores que afinal continua igual como MLR a traçara, com toda a burocracia pateta e com  todo o desgaste, com toda a injustiça e mais uma vez tendo sido praticamente perdida a antiga componente de formação contínua científica que era o que mais importava ( agora as acções de formação  são escassas, de temas que não são fundamentais ao ensino e... a pagar, muitas vezes bem... quando  afinal são... obrigatórias!);
- O derrubar sem mais do programa de Novas Oportunidades (que afinal recebia dinheiros europeus e não do orçamento...) sem se fazer um balanço sério e pedagógico e destruindo sonhos de muitos formandos;
- A alteração de regras dos Cursos profissionais sem se escutar os professores, e querendo agora que tudo regresse a uma espécie de ensino técnico...mas sem  ovos para a omelete, ou seja, sem oficinas para essas técnicas, que isso custa dinheirinho que o senhor Gaspar quer pagar aos "nervosos mercados" tão insaciáveis...
- O congelamento de carreira, de salários, cortes dos mesmos, roubo dos subsídios, aumento de horário dos docente, tenham já o cansaço que tiverem às costas em anos e anos de serviço, o prolongamento dos anos de serviço até à reforma numa profissão que é visivelmente de desgaste rápido;
- O atraso em  rever como deve ser o estapafúrdio estatuto do aluno;
- O "mandar às malvas" o conceito de Projecto Educativo ( ligado à comunidade ) que este aumento dos Mega-agrupamentos revela, tornando-se cada vez mais mero enfeite para colocar online;
-A mudança constante de regras para os exames, com formações patéticas para correctores e os alunos já não sabendo quantos exames podem fazer numa época...
-etc etc
Mas em tudo isto o que mais custa é COMO SE BRINCA com as aspirações e expectativas dos ALUNOS! Quando se cria neles a dúvida sobre o que sabem realmente ou deixam de saber, o brincar com o seu próprio evoluir no seu percurso educativo: o alterar das regras de bolsas e subsídios o que  faz tantos não comerem ao almoço, o alterar das regras para os exames, a alteração das opções de disciplinas, a alteração constante de programas, e por aí fora! Mais tarde a culpa aparente será dos professores,os bodes expiatórios do costume, mas a tutela, o MEC , é que está a proporcionar isso tudo e , o que é mais grave, com motivos habilidosos de baixa política!
Vem isto a propósito desta notícia de ontem, que linco aqui:
"PAIS E PROFESSORES ANTECIPAM CATÁSTROFE NOS RESULTADOS DO  9º ANO A MATEMÁTICA" (in Público,25-5-2012,  incluindo comentários dos leitores)
Chamo primeiro a atenção para o pormenor curioso de este ser o título online, iniciando-se o título do jornal em papel de "Docentes e pais....". Ou seja, o online deve ser mais lido por pais e quem compra os jornais no quiosque são os professores! :))
Falta a versão para alunos, talvez aguardando a versão... no Youtube! ;)
(Hum... que tal "Yameu : Os cotas acham que as negas no exame de Matem*rda vão ser   F#%&#*#S!"... )
Bem, agora a sério:
Sei de facto de muitos casos em que alunos sempre excelentes a Matemática se viram a entrar em negativasnos recentes testes intermédios do 9º Ano, envergonhando-se e alarmando pais e e docentes!
Pois bem, em que é que eu digo que há aqui baixa política, com os nossos alunos como cobaias?
Então eu lembro: é que podem estar já esquecidos, os agentes educativos, pois a memória portuga é fraca..., mas este TRUQUE, que o GAVE e o MEC levaram a cabo com os testes intermédios (testes gerais de treino para os alunos se habituarem ao exame que há-de vir) , JÁ FOI ANTES levado a cabo por ANTERIORES DESGOVERNOS, não se recordam?
Foram aqueles exames de Português com perguntas  na aparência acessíveis mas onde os professores correctores foram liminarmente OBRIGADOS a cortar a eito as respostas caso  estas não estivessem correctas até à última vírgula, num desrespeito do Gave por alunos e também pela autonomia e bom senso desses docentes. Lembram-se agora? E daqueles exames vários de Matemática e outras disciplinas, bastante difíceis, para  no ano seguinte ser opostamente MUITO mais fácil e assim manipular estatísticas para o país e para as OCDEs deste mundo!
O truque era portanto: num dado ano fazer uma razia de resultados, com testes muito difíceis e regras de correcção demasiado restritas, para um ou dois anos depois dar testes FÁCEIS até ao ridículo, com regras mais folgadas e assim parecer que era o "NOVO" SISTEMA, ou seja o Governo e ME/MEC que tinha levado à melhoria e que finalmente havia progresso no Ensino e futuros gloriosos no nosso Sistema Educativo! E o público mais alheado acreditava! Agora é que acontecia a "Excelência", a "Exigência" e tudo o mais face ao "laxismo" anterior, a professores que não sabiam ensinar!
 Se não acreditam nesta minha "teoria" ora leiam os comentários que se seguem à notícia no Público! Lá está: ah agora é que é a exigência! esses maus resultados era porque antes se andou a brincar.... OU SEJA, confunde-se o descalabro e a brincadeira aos governos que foi das ministras e desgovernos, com as  próprias escolas e os professores, que apesar de todo o Caos têm procurado alhear as aulas desses desvarios, ensinando o que lhes mandam mas mantendo algum bom senso para o que importa...
Entendem agora a figura que juntei acima? Juntem os "pontinhos" e fiquem com a imagem do que se passa: mais um armar de uma nova tenda do "Circo" político-mediático do triste País!
Leiam esse comentários e confirmem o que digo e como  de novo a estratégia de usar os alunos para estas jogatinas esá a surtir  efeito!
E " ESCREVAM": daí a um ou dois anos farão exames mais acessíveis e aí os 33% subirão de novo para altas positivas!
E os miúdos e o seu gosto e motivação para a Matemática como ficam no meio disto tudo?
Havia que tentar provar que o novo MEC era salvador (mais um!) e o GAVE montou de novo o "CIRCO" dos ilusionistas, com muitos coelhinhos -cobaias (as crianças) a sairem da cartola com as suas primeiras negativas à disciplina e um Coelhão a dizer ao lado para não serem "piegas" e o ilusionista de barba de três dias a mover a arrogante varinha de condão, já que em pouco mais manda no seu ministério!
Reparem no que se explica na notícia: as questões do Teste (e certamente as do futuro exame, daqui a um mês) até que estavam de acordo com o Programa, sim senhor, mas eram quase todas em redor de processos de raciocínio complexos, versando resolução de problemas. Não sou de Matemática, mas é de regra, em qualquer teste elaborado, incluir tanto questões de raciocínio mais complexo como perguntas mais directas. Indução ,  dedução...Há um tempo restrito para fazer um exame, para não falar na situação de stress, pelo que deve haver várias formas de raciocínio a serem valorizadas e não só as mais complexas. Dizem os professores que essas novas metodologias testadas no exame  não estavam ainda a ser experimentadas a nível nacional, apenas em alguma escolas-piloto. Havia que esperar e ver se resultavam educativamente. Assim não, foi aplicada a estes alunos tal teoria ou fé que domina estes jovens-velhos desgovernantes, de calcar tudo rente ao chão, para depois esperar que algo cresça. De terraplanar e  queimar tudo, para depois esperar que uma "Fénix" mítica renasça das cinzas!
ISTO NÃO SE FAZ!
As "cinzas" afinal serão os próprios filhos do país! Será tal "massacre" razoável? Ético sequer?!
Não se desvaloriza assim todo um grupo de docência nem milhares de adolescentes!
Se muitos estão mal a Matemática porque o Sistema oficial assim o permitiu e até obrigou, durante décadas,-- que passassem de ano constantemente com negativas a Matemática--, há muito e muito outros que são "barras" na disciplina, que a adoram e cultivam com gosto, o que se prova pelo sempre crescente número de vencedores nacionais das Olimpíadas de Matemática, mesmo no exterior, pelos alunos que são cá pescados pelas universidades estrangeiras que, ao contrário dos nossos, lhes descobrem o valor e conhecimentos!
Mas só contam os números, as manipulações estatísticas, já nem os alunos contam! Que tal seja pensado por políticos de carreira ou de "austeridade" como tantos, já é triste, mas que um Matemático e professor de carreira como o ministro Nuno Crato o incentive, ainda é mais triste! E que um gabinete de criação de exames, outrora profissional e sério , como  GAVE alinhe nesse Circo, é... muito gRave. :((
Margarida Alegria (26-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias)
pronto e era eu para escrever só meia dúzia de linhas e afinal... há temas que nos fazem bulir com os nervos! Neste caso por não se ver saída para este Inferno em que nos meteram!
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 ADENDA: Quanto  à Petição pública de que falei acima, lamento mas parece que ela desapareceu online.... É a favor da continuidade da Educação Musical no terceiro Ciclo, de onde quase foi arredada na nova estrutura curricular, remetida para a "bondade" das Escolas em "Oferta de Escola" eventual (com direito a, com sorte, 45 minutos semanais...!), quando já se estava a evoluir  um bocadinho na reintrodução desta disciplina, em Portugal, um país onde tantos concorrem a concursos de "Ídolos" e quejandos....Assim que reaparecer a petição ou souber o que se passa, colocarei aqui o link.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

FESTA... disse ela! (esta não é amêndoa amarga é mais amêndoa chocha com toques de gás hilariante...)

E mais esta tirada, para completar o ramalhete dos desatinos dos nossos desgovernantes (actuais , como nos dois posts anteriores e, neste caso, passados).

Sem muitos comentários: na audição parlamentar de ontem, sobre a Parque Escolar, a ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ao defender essa "nobre" causa (cof cof), para além de alegar que a Parque Escolar fora um exemplo de "boa prática de gestão" (!!!) e que podia ter praticado "irregularidades" mas não "crimes", saiu-se com um louvor em crescendo, com uma retórica de quase fazer inveja ao Padre António Vieira, de que a Parque Escolar fora UMA FESTA! Sim, disse ela:" uma FESTA para as Escolas, uma festa para os alunos, uma FESTA para os ARQUITECTOS, uma festa para os ENGENHEIROS...." :)))

SÓ ESCUTADO! Quis poupar-vos a mais um vislumbrar fantasmagórico da "festiva" fronha da Mad(am)-FLAD, por isso remeto AQUI para o video publicado no blog da Anabela Magalhães, que dá testemunho para todo o sempre da argumentação (?) enérgica apresentada pela entidade de forma humana (MLR) mais acima nomeada. Ler também aqui, no "Correio da Manhã" (e alega que a PE fez "escolas robustas" LOL! Vá dizer isso às que passados escassos meses já tinham os tectos duplos a cair ou a tantas que já acusam "fadiga de materiais", apenas dois anos volvidos!)

Claro que foi uma FESTA! Uma festa para arquitectos e engenheiros da habitual clientela e sobretudo para os políticos como ela e o seu chefe Sócrates! UMA FESTA TOTAL!

Mas, esqueceu-se de dizer que foi festa à custa dos "otários" do costume, os portugueses que pagam impostos. Uma Festa com dinheiro do Erário Público, para não variar!

Até deu e está ainda a dar para sentir os bolsos a arder de tanta vela festiva acesa! Os Euros a voar para o buraco de uma qualquer empreitada escolar, um qualquer ar condicionado, um qualquer aplique de luz "vintage", uns quaisquer computadores hiper-orçamentados, umas quaisquer mesas de design de arquitecto*, um qualquer toque de madeiras exóticas nos espaços exteriores!

Fica AQUI a NOTÍCIA da imprensa também, , no Público.

Hoje é a vez da audição da seguinte ex-, Isabelita Alçada. Será que se uma disse que fez a festa e o foguetório a outra dirá que apanhou as canas?

Haja pachorra... de quem ainda a tiver! :(

(* É que Sisa Vieira é um excelente arquitecto, mas como designer e sobretudo de coisas práticas deixa um pouco a desejar. Na Fac. de Arquitectura do Porto, onde Tuuudo foi de sua lavra, são proverbiais as prateleiras da biblioteca que não aguentam livros ou as mesas de estirador que se desequilibram e caem no colo dos alunos...Como se aguentarão os ditos candeeiros?)

"Alergia (11-4-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 25 de março de 2012

Parque Escolar em derrapagem desenfreada!

Já falta paciência sobre este assunto... Como se previa  e alertava há muito, o Tribunal de Contas vem confirmar a forte derrapagem das Contas da Parque Escolar (Empresa Pública).Só em dinheiros ilegalmente pagos, foram mais de 500 milhões de €.  Já AQUI fiz longo texto sobre o problema e da minha opinião de como se deveriam restaurar Escolas. Agora eis a notícia do Público (de ontem), com números "à maneira":
Bem me parecia que vamos dar aulas mais uns anitos em contentores, no meio de obras paradas. Outros continuarão em escolas onde fungos e musgo trepam pelas paredes. E isso vai ter outros entraves à Educação: espaços funcionais pejados de caixotes das mudanças que estavam previstas para os espaços novos, ausência quase completa de Internet, computadores quase impraticáveis pois cabia à Parque Escolar incluir no "mobiliário" os novos computadores (como se previa e confirmado agora, com preços inflaccionados: um computador quer no normal mercado custa 500 Euros a ser facturado por 800... para além de outros regabofes do estilo, como o pagar duas ou mais vezes às empreitadas e projectistas trabalhos mal feitos que seriam da responsabilidade destes reparar), poeira e barulho com obras a meio gás e sabe-se lá que mais reduções no tamanho original dos projectos... Uma dor de cabeça, para alterações que qualquer leigo na matéria veria que podiam ser feitas de forma um bocado mais económica, mas sólida e até bonita. Para não falar de assaltos mais facilitados às instalações e equipamentos.
O actual Ministro diz que obras continuarão (Ler AQUI), apesar de tudo, mas se for como o resto de incremento à Economia que aí anda, na camisa de forças paralisante das Finanças "Paga à Troika e agrada aos mercados nervosos e nada mais", já se prevê que daqui em diante será a falência dos fornecedores e dos pequenos empreiteiros sub-contratados, os despedimentos nas grandes empresas cosntrutoras, que quiseram fazer "à grande e à francesa", o amuo dos projectistas e subsequente emigração , sem serem responsabilizados, o saltitar dos ex-administradores da PE, que se demitiram já, quiçá para novos tachos do sistema, sem serem "chamados à pedra". E "siga a rusga", que a festa continuará para os mesmos!
Portanto, uma derrapagem vem atrás de outra, lá reza a tradição, com uma "escorregadela" de milhares aqui e um trambolhão de milhões acolá. Tudo muito habitual neste cantinho "à beira mar plantado".
Pelo menos é o que parece defender a ex-ministra da Educação Isabel Alçada nestes depoimentos A LER AQUI Com o maior descaramento "robotizado",  alega que estas contas "são normais", ao que parece por culpa do alargamento da escolaridade para 12 anos (ora isso  JÁ estava decidido desde o final no consulado de terror de Mª de L. Rodrigues, aliás,  fora um dos seus últimos estertores ministeriais) de S. Pedro malvado e da sua chuva e tal, que a derrapagem não existe, que está tudo no melhor dos mundos! O Dr. Pangloss do "Cândido" não diria melhor...
Também a incontornável (e inesquecível, pelas piores razões) Maria de Lurdes Rodrigues, sua antecessora e plantadora, com Sócrates, dos alicerces gelatinosos da Parque Escolar, veio há uns dias, num artigo para o "Público" defender esse magnífico exemplo de desastre de gestão que é a Parque Escolar, alegando o que anda aí a servir como argumento tosco: que as obras eram de luxo para dar luxo à classe média e à Escola Pública, que pela "primeira vez" se fizeram obras de requalificação das escolas (o que não é verdade, embora o anterior processo de melhoramentos fosse tantas vezes ilógicos, lentos e desarticulados... Não se sabia porque escolas melhores tinham obras de conservação enquanto outras mais periféricas e aos pedaços esperavam sem fim...). Ou seja, em vez de se colocar a funcionar BEM as estruturas que existiam, fez-se o costume: criou-se uma equivalente às comissões ou ou como se diz modernamente "grupos de trabalho" paralelos à governação existente, repletos de tachos novos e de  poderes quase absolutos sobre tudo, ou seja, em vez de Comissão... uma empresa pública nova... a Parque Escolar, que se tornaria dona das Escolas que ajudava a construir, embora o dinheiro viesse todo do Estado. Grande golpe...já se via que ia rebentar, mais cedo ou mais tarde.
E, Srª Mª de Lurdes, sabemos à légua que os luxos das escolas Secundárias não eram para servir os alunos, mas para as tornar em espaços mais apetecíveis para a especulação imobiliária, caso/quando as Escolas fossem à falência por não poderem aguentar as despesas-extra de manutenção: Sim ,senhora, adivinhávamos à légua que não tardariam a ser comprados por magnatas e transformados em colégios privados, por tuta e meia... qual cuidar da Escola Pública qual quê?! Ou, como diz o outro, "Não há almoços grátis" e "Quando a esmola é grande, o pobre desconfia".
E... CHUIF...! que pena! A PE não teve tempo de testar o que já andava a divulgar em força, com forte e cara publicidade (com sub-empresa exclusiva para promover a própria PE, ah pois é!... ) a sua faceta amealhadora, ao apresentar-se como "A maior locatária de espaços" do país (dando apenas parte dos lucros às próprias escolas). Ou seja, preparavam-se para alugar ginásios remodelados (já agora algumas escolas o fazem, o que não acho mal, mas com peso e medida, dando prioridade aos interesses das escolas e tendo funcionários suficientes para os limpar), cantinas, auditórios e... pasme-se! até salas de informática ! Ui! Se agora controlar o bom uso dos computadores é tarefa árdua e desgastante, sem técnicos que cheguem para as encomendas... o que seria com meio mundo a aceder aos mesmos...
Pensando bem, fecho o texto imaginando como seria o funcionamento das escolas com todas essas actividades, não de forma comedida, como até agora, mas em roda livre e de fito nos Euros:
~~~~***PLIM PLIM*** (música de harpa) e aqui vai ~~~~
à semana, aulas das oito às seis e meia da tarde, associações recreativas e  clubes desportivos em sessões contínuas das sete até às quatro da manhã, uma sessão de exorcismo até de madrugada e... meia hora para limpar tudo. Ao fim de semana, um casamento e dois baptizados na cantina, aulas de informática para terceira idade todo o sábado de manhã e a acção de formação de professores a ter de transitar para a cantina com apenas um retroprojector (quem paga-- ou paga mais-- tem prioridade). Diversos jogos de várias modalidades no ginásio e nos campos de jogos, uma confraternização de motards na cantina, seguido de demonstração de motas e ainda umas corridas de Tuning pela tarde fora, nos campos de jogos.
Meia-hora para terraplanar tudo, a cargo da PE ou dum tal "senhor José", um funcionário semi-reformado e muito jeitoso que faz uns biscates na Escola. E enquanto a empresa PE e a empresa de catering servem mais um jantar de confraternização à  noite, do clube de columbofilia, a cozinheira antiga que tentou vender os seus rissóis caseiros na escola é presa pela ASAE e interogada pela PJ. 
À noite, no auditório maior, decorre uma palestra de MLR sobre o perfil de coragem e hombridade de  José Sócrates e, já agora, sobre a meia dúzia de engenheiros de quem se tornou mais amiga durante a sua tese de doutoramento. Entretanto, no gínásio, a IURD faz mais uma das suas sessões de histeria colectiva, mas, enfim , pagavam MUITO bem e os administradores da PE leram na proposta que era uma tal "corrente do empresário" e por isso julgaram ser uma sessão sobre empreendedorismo, embora só mais tarde descobrissem que os empreeendedores eram os pastores, que conseguiam angariar muitas correntes, mas de ouro, dos membros da assembleia e que aliviavam os mesmos de tanto dinheiro que  afinal a PE bem poderia ter cobrado mais!
Ao Domingo de manhã, depois de mais limpezas por funcionários exaustos, umas bodas-de-ouro na cantina, com missa campal, que acaba por ser sob um telheiro, pois começa a chover. Na biblioteca mais umas palestras, seguidas da apresentação e sessão de autógrafos do último livro rotino-juvenil de Isabel Alçada ,"Uma aventura em Paris". Nas salas de informática uma acção de formação para hackers amadores  e outra para agentes dos serviços de segurança e no bufete uma festa de despedida de solteiros, com o "senhor José" , funcionário semi-reformado,a fazer um biscate como stripper para as senhoras. Em algumas salas de aula decorrem aulas de culinária, de bricolage e de crochet e bordados para jovens desempregados(entre os quais os netos do senhor José) financiadas pelo QREN. Na sala dos professores há um velório e na sala de reuniões, aquela maiorzita, um coro de crianças ensaia.
À tarde, durante os jogos de futebol do ginásio e dos campos, o "senhor José" trabalha como arrumador de automóveis, enquanto a sua esposa, antiga porteira, vende senhas  de entrada para  as  casas de banho. À noite, mais palestras, concertos e um senhor José  e esposa exaustos a limpar tudo noite fora.
À noite preparam também os colchões do  ginásio,  para o previsto pernoitar de uma romaria de peregrinos da rota de Santiago de Compostela.
De madrugada, inesperadamente,... meia escola EXPLODE! BUUUUUM!
Hum... no meio de tanto aluguer, a Parque Escolar não reparara em certos pormenores, ao arrendar os laboratórios a um grupo de indivíduos. Afinal não eram estudantes universitários, mais um grupo de separatistas da Microíndia do Norte, que... precisava de construir umas bombas... UPS! ;)
Pelo sim , pelo não, suspendem e interrogam o "Senhor José"...
Tudo na boa...o Estado (leia-se o cidadão trabalhador e pagante) paga os prejuízos...
Margarida Alegria (25-3-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Nota: a parte final deste post é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é (para já) mera coincidência. A parte inicial do texto, sobre as novas da Parque Escolar, não é, para nossa desgraça, qualquer obra de ficção...!