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domingo, 29 de julho de 2012

"Salvar Portugal à Bruta" (R. Araújo Pereira) a crise nas crónicas da semana 1

(crónica da série "Boca do Inferno" de Ricardo Araújo Pereira, na revista Visão de 24 de Julho de 2012)
Não sei se ficará visível, mas o blogger não me permite aumentar mais a imagem, digitalizada da revista.
Mais uma crónica brilhante e bem- humorada de Ricardo Araújo Pereira, em dias que só nos parecem pedir lágrimas, sobre as recentes palavras do nosso Primeiro-ministro de que quer salvar o país "custe o que custar" e  que até sugere "que se lixem as eleições".
Claro que o que PPC queria dizer, ao dirigir-se aos do seu partido, era que o País estava acima dos interesses do partido e das manobras eleitoralistas, mas, como  argumenta muito bem RAP, foi uma manobra que ao querer não parecer acabou por parecer o que queria negar, ou "é uma declaração que rejeita o eleitoralismo ao mesmo tempo que é profundamente eleitoralista".
Ou, como diz mais adiante: "Sou grande admirador de declarações que contradizem aquilo que afirmam. « Eu não gosto de falar de mim», diz alguém. E eu rejubilo porque essa pessoa acaba de me fornecer uma informação sobre si mesma."
(Certo, todos conhecemos casos: quem não quer aparecer  em fotos mas se julga sempre centro das atenções e das conversas, quem diz não querer ser exposto mas não hesita expor terceiros, quem diz que não gosta de falar de si mas até nem faz outra coisa--- a frase com que RAP exemplifica é precisamente dita mais vezes pelas pessoas mais egocêntricas, já repararam?).
A crónica é toda ela deliciosa. No fundo sublinha que PPC quer salvar Portugal, sem Portugal saber que está a ser salvo e, pior que isso, sacrificando aqueles que diz querer salvar e não o sue próprio bolso ou a sua vida! Um pouco como um Jesus Cristo distorcido: quem vai parar ao crucifixo é o Zé Povinho e não o "Salvador" auto-proclamado.
Por mim, arrepia-me este "lixar" das eleições noutro sentido: quem sabe que, se for preciso "custe o que custar", PPC não resolve até acabar com eleições e suspender os cacos da democracia,  com o pretexto de "salvar" Portugal, só porque os portugueses, chuif!,  são uns ingratos e  ele é um salvador incompreendido (menos pelas gentes "simples", diz ele, ou seja "simplórias" e que nunca lêem notícias e que até devem confundi-lo com mais um galã de telenovela, daqueles que até estão a perder cabelo e assim...)! Não foi a Grécia que teve um  novo PM não eleito, por capricho da senhora Merkel, numa fase de crise e austeridade como aquela a que estamos agora a chegar? Não brinco!
Esta semana foi fértil em excelentes crónicas dos OCS. Sinais (do fim) dos Tempos? Publicarei algumas inteiras ou em excertos. Esta é a primeira, com especial destaque. E também cartoons do Bartoon que as complementam e ainda uma carta à directora do Público, que tantas vezes também são acutilantes crónicas.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dar a palavra a quem vive as situações e sabe (e não a opinionmakers de pacotilha):Opinião Pública Paulo Guinote SICn.


(programa Opinião Pública da SIC, com Paulo Guinote, dia 24-7-2012)
Em tempos de plena guerra aberta  entre professores e MEC , é bom e  ao menos algumas vozes  que são convidadas pelos  Órgãos de Comunicação Social serem de quem está efectivamente "no terreno" (isto é, numa Escola), com as vantagens adicionais e não deprezíveis de,  neste caso, terem doutoramentos  não relvados" na área da Educação, uma  inteligência arguta e uma "suada" independência. Caso de Paulo Guinote, professor do ensino básico  e blogger.
Mais uma  vez estamos a ver o MEC a  empurrar os sindicatos para o canto alegando que com eles só trata de assuntos salariais, como disse há dias o Ministro Crato, num fraseado demasiado mariadelurdesco  e arrogante (argumentou  que falar com os Pais, com os sindicatos ou com os directores, sobre a Educação portuguesa, são coisas diferentes, tendo tentado armadilhar a reunião conjunta pedida por todos estes, para... reuniões separadas...enfim, manhas, nas quais desta vez todos - sindicatos de professores, Rep. de pais, sindicato dos inspectores--evitaram cair, com uma união como já não se via!...).
Urge portanto "contra-atacar" em várias frentes, sobretudo esclarecendo a POPULAÇÃO que esta "guerra" não é algo de corporativo, como sempre nos atiram à cara os comentadores que nada entendem do Tema Educação, mas que sobre tudo comentam, tarefeiros para toda a obra... Estamos sim perante um grave ataque à Escola Pública de qualidade --como a que tinhamos,apesar de tudoo que havia ainda a melhorar; quem dizia o contrário já eram os "jornaleiros" do regime central, a preparar terreno e a virar a opinião pública contra os professores, de há 10 anos a esta parte, pelo menos.
Se transformarem os docentes em ( ainda mais) precários trabalhadores à jorna e /ou à hora, como estão a fazer aos enfermeiros, alimentando mercantilismos, poderemos dizer adeus à Escola Pública verdadeira e democrática. Poderemos dizer adeus ao direito de todos os jovens cidadãos terem acesso aos estudos.
Uma dessas frentes será portanto dar voz aos professores que conhecem o sistema por dentro das Escolas, nos órgãos de comunicação e por outros meiso possíveis.
Outra será , em cada Escola, apelar à verdadeira solidariedade dos directores e de todos os docentes que ainda estão na ilusão que escaparão a este dilúvio de leis criminosas, não se trata de estar em jogo apenas cargos ou empregos, mas a Escola Pública, repito.
Urge também chamar à razão os representantes dos Pais, que parecem finalmente estar do nosso lado nesta questão fundamental.
Como disse acima, o MEC tenta mais uma vez isolar os sindicatos num suposto estatuto de  meros negociadores salariais. Felizmente parece que alguns desses sindicatos, caso da Fenprof, parece terem acordado de certa letargia em que se encontravam, adormecidos que haviam sido pelas propostas falsas mas de voz maviosa de Isabel Alçada e mais recentemente por certo tom dito "afável" deste novo ministro. Foi mais um logro, como já se vê. Então colaboremos , professores,com os sindicatos naquilo que sabem organizar bem, como as concentrações que estão a decorrer esta semana, como os comunicados e as providências cautelares e as manifestações, mas não fiquemos por aí.
Dentro das Escolas temos de pensar em formas efectivas e originais de paralisar o arranque do novo ano lectivo, não esquecendo que mais vale "prejudicarmos" um pouco alguns dias lectivos dos alunos, do que os condenar para sempre a um sistema instável e de triagem totalitária, a um sistema onde não possam sonhar mais alto e onde as portas para muitas crianças se fechem desde muito jovens, por falta de opções educativas de verdade, por não terem meios económicos ou por passarem a ter falta de professores, com os que restam completamente exaustos e sem paciência.
Há dias já se ouviu o próprio P-M a dizer que a opinião pública não estava contra as medidas que tomava, que quem o criticava era apenas a "opinião publicada". Usou inclusivé o mesmo argumento de Sócrates, quando P-M, de que quem o vaiava na rua não era a população, mas pessoas manipuladas pelos sindicatos, que o perseguiam a si e aos seus ministros, quando se deslocavam  pelo país. O mesmo senhor dissera antes de ser eleito que Jamais iria sacrificar mais o país, que jamais alegaria isto ou se justificaria com aquilo... (quem te viu e quem te vê). Por isso não esperemos resolver tudo pela via sindical: temos de abrir os olhos aos pais e restantes cidadãos , que nem sabem o que espera os seus filhos no ano lectivo que se avizinha, onde turmas com alunos a mais e professores com turmas /alunos a mais verão, a seu lado , salas novas vazias (de escolas restauradas) e professores humilhados sem turmas! Querem maior absurdo  e desperdício que este?
Escutem atentamente este programa, que é muito bom e elucidativo, embora alguns dos muitos temas arrolados e importantes tenham ficado de fora por falta de tempo.
Há também a vantagem de, contra o que é habitual, os  cidadãos comentadores deste programa serem de qualidade superior a outros em outras ocasiões, ou seja, mais esclarecidos e atentos do que a média de sexagenários que costumam ocupar as manhãs a telefonar para o Opinião Pública, passando tantas vezes ao lado do tema central e optando pelas queixas pessoais sobre as "suas dores reumáticas" e/ou a invocar  o "dótor" Salazar...
Por falar em terceira idade-- e com todo o respeito  e carinho que os idosos me suscitam quase sempre-- há coisa de dois dias um programa informativo de um dos canais por cabo (SIC, TVI?) convidava dois  sábios anciãos do país, que ilustram sintomaticamete o que eu disse acima. Não vi o programa, mas parece que foi confrangedor a quem tentou captar alguma substância do dito. Convidados: António Barreto e Manuela Ferreira Leite. Um ex-ministro da agricultura de há décadas ,  hoje intelectual de gabarito e dirigente de uma fundação que será a obra mais condigna do rei do pingo Doce. A segunda sendo  ex-ministra das Finanças, ex-diversas coisas mais e também ex-ministra (das Finanças)da Educação, de uma época em que teve de ser chamada para tapar o buraco de um cargo que ninguém queria, por ser braço de confiança do PM de então. Parece que mostraram estar mais "a leste" dos problemas educativos actuais do que se esperava, um refugiando-se nas suas teorias gerais sobre a Educação caso vivessemos num paraíso suíço  e outra refugiando-se nas suas recordações de infância, tal como todas as avós fazem para falar "do seu tempo" aos netinhos. Barreto espalhou-se um pouco a menos, mas foi confrangedor também.
Se outros "entendidos" estavam já de férias para acudirem ao programa, milhares de docentes que têm este ano as suas férias irremediavelmente estragadas se ofereceriam de bom grado para comentar toda esta desgraça e incompetência do MEC, conseguindo DE FACTO elucidar os cidadãos em vez de os incitar ao "Zapping" ou convidar a uma soneca...
Só para dar um exemplo citado por quem assistiu a estes "comentadores": Manuela Ferreira Leite admirava-se com tanta algazarra pela criação de turmas grandes e recordou com saudades os tempos liceais em que era a aluna "número trinta e tal" de uma turma enorme. Acredito: suponho que era também no tempo dos uniformes e em que as alunas tinham de alinhar pelos quadrados do corredor para entrar na sala, o tempo das aulas de  lavores  da Mocidade Portuguesa para tricotar casacos para os bebés pobrezinhos, o tempo dos professores que ditavam a "aula", digo, A LIÇÃO, e procediam ao acompanhamento "individualizado" e  à avaliação "continua" dos alunos através de "chamadas orais", enquanto marcavam o ritmo com o longo e pesado ponteiro de madeira do quadro. Nos intervalos, Manuela desembrulhava o pãozinho com marmelada e, chegada a casa, tinha pudim Boca doce para sobremesa e, depois de fazer os deveres, jogava à "macaca" no quintal. Sim, suponho que não tenha sido nada de especial pertencer a uma turma de Trinta-e-tal nesses tempos, onde possivelmente nem professores nem contínuas a tratavam sequer por Manuela, mas talvez por "menina Leite" ou por ... aluna nº 30 e tal". Era tudo igual, não fazia mal nenhum. O número bordado na bata tristonha tudo resolvia e bastava para a conhecer e identificar. Lá nos seus saudosos tempos de menina, dos tempos... talvez do Reinado de D. Maria Primeira, ou por aí... Perante tão belo passado quem quer saber das complexas realidades dos jovens alunos do Presente?
Margarida Alegria(26-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quarta-feira, 18 de julho de 2012

"Sobe e desce": serviço de Limpeza de Imagem para políticos

(na última página do jornal Público de hoje, 18 de Julho de 2012)
Não é novidade para quem visita este blog que o jornal Público  é bastante apreciado por aqui:  a forma como divulgam as notícias, a credibilidade de boa parte delas, bem como muitos dos seus cronistas habituais, são factores que tornam este diário uma referência nacional.
Porém isso não impede que seja merecedor de críticas menos agradáveis, quando os seus jornalistas se deixam manipular, como tantos outros, pelos "Spin Doctors" do poder, que estão sempre um passo à frente para tentar contornar e minimizar danos dos ministros e outras personagens que têm acções pouco éticas ou até desatrosas.
Quando ontem vi o MEC Nuno Crato, em conferência de Imprensa surpresa para esclarecer (???) o que se ia passar com os professores dos Quadros de Escola que ficassem com horário Zero (VER reportagem de TV AQUI, mas ainda não apanhei o da conferência em si)), logo esta me sugeriu duas hipóteses não mutuamente exclusivas sobre as razões de tal aflição do Ministro:
-1º,
ao saber que estavam a ser organizados protestos em todo o país e havia grande revolta nas escolas , nos blogs e em redes sociais, tentou deitar água na fervura, para ver se os ânimos acalmavam e os protestos seriam adiados para Setembro, quando já estivesse o massacre docente a decorrer "a todo o vapor":
-2º, vi que talvez a maior razão fosse não perder o capital de simpatia ainda presente na chamada "opinião pública", fruto de uma cuidadosa gestão de imagem ( palavras mansas, fugir com rabiosque a seringas várias,   entrevistas com Marcelos...) e sobretudo de uma (ainda) favorável comunicação Social, com as secções de "Sobe e Desce" (barómetros de notícias geralmente bem negociados..) de vários jornais e os comentadores televisivos e jornaleiros da praxe.
"Hummm... --logo pensei--- Isto é para amanhã a seta do ministro ser "para cima" ou pelo menos não descer...!"
Meu dito , meu feito!
Aqui está o remendo da situação (ver recorte acima) em todo o seu esplendor! E, como todo o trabalho jornalístico menos rigoroso e por encomenda, lá estavam uma série de "Inverdades", para usar um termo muito em  voga entre os políticos, sobretudo ao colocar Crato como uma espécie de SALVADOR da situação, como se viesse caido do céu, qual "deus ex-machina" impoluto, a dizer que tudo ficará "no melhor dos mundos" Panglóssicos!
Repare-se nos termos : "EVITOU que muitos professores fossem para a mobilidade"! (isto é como dizer que os agentes que massacraram os cães na Ucrânia ao tiro veneno e paulada, evitaram que eles passassem fome!) Mas que DESCARAMENTO! Foi tudo planeado  com cinismo para o seu Ministério para despedir professores a curto ou longo prazo e a urgência exigida aos directores para que fossem carrascos dos próprios colegas partiu da 5 de Outubro e não de um planeta distante (quer dizer, é distante, mas ainda não é planeta...). Foi tal a incompetência dos seus boys, que a receita do "para além da troika" excedeu o tamanho da forma que queriam levar ao forno da mobilidade e alguém lhes terá puxado as orelhas que não o Crato (os troikas? PPC que já está a ficar alarmado com as vaias?).
 Imaginemos o P.-M.:  "Ó pá! eras dos ministros que queriamos que tivessem alguma credibilidade Cá dentro(a par do Portas que cá não pára...), mesmo que por ignorância e maquilhagem...  E depois das broncas do Relvas....é que lá fora quem tem de fazer boa figura são os números do Vítor e as machadadas laborais do Álvaro... ah... e as minhas gravatas e cortes de cabelo, claro..."
Quanto ao segundo motivo do truque ...está aqui explicado. Já o primeiro  espero que tenha caído em saco roto, pois nem sequer agora os directores acreditam nele, para além dos professores-rasos. Lá estaremos, professores, pais preocupados e quem se nos quiser juntar em Paz, na vigília que começa logo às 19 horas! Já lhe demos crédito demais, senhor Crato e agora vamos agir  como os bancos sovinas: só voltaremos a dar crédito, quando RECAPITALIZAREM a nossa confiança com mudança de políticas, para que voltem a ser em prol do Ensino Público!
Leiam no belo blog "O Vento que Passa". da minha amiga "AL", o texto de Santana Castilho que explica algumas das razões da revolta docente:"Uma classe Zombie e um ministro bárbaro".
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Quanto aos outros visados no sobe e desce, para além do Alberto João do nosso Jardim e do Chavez, que descem como é habitual e lá estão para dar o colorido folclórico para entreter, temos uma crítica-- decerto também encomendada por ministros como o da Saúde,da Defesa,  ou os "sombras" como Jorge Moreira da Silva (ao que parece o novíssimo recrutado do sinistro  clube bilderberguiano)-- contra o Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, que nunca foi de se calar já desde o tempo da "outra senhora", caso  desconheçam. Numa entrevista (mais uma) defendeu os pobres e criticou a miséria a que as troikices estão a levar o país e disse taxativamente que este governo era "profundamente corrupto", o que ofendeu muitas cabeças virginais de politiqueiros.
Ou seja, e está mal, cara direcção do Público": se um ministro diz umas abébias imprecisas sobre as medidas horríveis que criou, está mais ou menos, se um bispo critica, como é uma das suas missões, a Corrupção instalada e defende a causa dos mais desfavorecidos... "seta "para baixo!
Ninguém me encomendou o "sermão", passe a expressão sacerdotal, mas afinal tanto criticam a Igreja às vezes por se calar e ser complacente com as injustiças, como agora lhe sugerem para se "moderar", tocar pianinho e não se meter no "que é de César"... Bela coerência Laica. Até Jesus Cristo "se passou dos carretos "e vergasteou os vendilhões que faziam negócio à porta do templo (olhem... o raio dos tais Mercados!). D. Januário, como qualquer cidadão, ainda para mais público, tem o direito e o dever de colocar os dedos nas feridas sociais que se estão a criar, pois elas são resultado de grande  corrupção económica e moral, sim! Lembremos que "Corromper" siginifica instigar a podridão, estragar, alterar, desfazer, adulterar, desfigurar.....
E o nosso Governo está SIM a adulterar a democracia, a Estragar o estado Social, a desfazer muita coisa que funcionava bem, a desfigurar o País, com medidas ultraliberais que já se provaram serem lesivas em qualquer país e que não se "ajustam" de forma alguma à nossa Cultura, às nossas qualidades, ao tipo de Criatividade que existe em Portugal e que está a ser desbaratada.
(Leiam AQUI a notícia sobre este caso)
E mais aqui falarei do ataque  despudorado e encomendado, em jornais ,aos profissionais que andam em protesto nacional!
"Alergia" (18-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")


terça-feira, 19 de junho de 2012

Novidades do Mundo Educativo...

Com alguns  comentários,mais curtos ou mais extensos, várias das últimas novidades do Mundo da Educação em Portugal (os títulos são os links, como habitual):
Tudo bem, assim a frio, não será daí que virá maior mal ao mundo. Mas... é PARA QUÊ?
 É só para não ficarem umas disciplinas a "rir-se" das outras? É para transformar a escola em aulas de preparação para testes? É para verdadeiramente aferir o sistema? É só para melhor penalizar... digo,  "avaliar" os docentes? É mesmo por um maior rigor nas aprendizagens, ou é para dar mais um filão de negócio a centros de explicações, a centros criadores de testes, quem sabe se a correctores externos de testes (pagos a peso de ouro, ao contrário dos escravos do sistema, já que cada vez confiam menos nos docentes que o próprio MEC emprega)? Ou é para dar apenas a IMAGEM de rigor? Ou é, muito provável hipótese no reino da pseudo-meritocracia e do novo darwinismo social-- destes boys que sempre foram amparados e cunhados nas  suas próprias vidas --a forma de fazer a triagem(já lhes ouvi mais que uma vez este termo) entre "castas"de cidadãos cada vez mais cedo?
Como disse acima, acho que ,a haver subjugação constante a exames, ao menos que seja a tudo (mas mesmo tudo!), para depois não se dizer que umas disciplinas valem mais que outras. Resta saber  se é no Sistema da Examocracia, a juntar ao da Bu(r)rocracia já vigente, que vai a Educação Portuguesa plantar as suas raizes, como se fosse uma panaceia Universal, ou se afinal sempre se traçam ou não metas e propósitos gerais educativos, uma noção clara do que se entende  por Educar os alunos na plenitude de seres humanos que são (e não apenas activadores de uma ínfima parte dos seus cérebros, excluindo a criatividade e a arte, por exemplo). A ver vamos em que dá mais esta "Pré-medida " assim lançada para o alarme dos jornais e TVs.
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Algumas alunas/os  do 12º ano,do Porto, criaram um "movimento" de protesto contra os exames nacionais. E esta, hen? Começaram a colar cartazes e pelo Facebook querem alargar o protesto a todo o país. Dizem que não é pelo facilitismo, mas antes pelo contrário, para que o Sistema seja mais justo (por exemplo nos tantas vezes aberrantes critérios de correcção) e  sobretudo de Avaliação Contínua e não continue a favorecer quem tem mais possibilidades económicas e/ou de apoio:
Vamos ver no que dá, mas , a haver protestos contra o que seja, estes já não devem ser só da parte dos professores e seus sindicatos, senão só consideram que estamos a ser "corporativos"...
Espera-se igual energia dos Encarregados de Educação. E espera-se que os autarcas, por seu lado , não usem só os custos educativos como chantagem contra o corte de verbas do Governo central para os seus Municípios. Se têm vereadores da cultura e da Educação, estes deveriam lutar, também e sobretudo, pelas questões EDUCATIVAS.
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E esta que vai continuar polémica:
O ministro diz que é para situações temporárias e não para criarem as famosas "Turmas de Nível" discriminadoras. Se for assim, pode resultar, julgo que será um pouco como  o sistema das  chamadas "Assessorias" já usado por certas Escolas. Isto desde que permitam um verdadeiro trabalho em co-docência, com condições e tempos para tal e não um dividir de turmas entre os desgraçados que leccionam a estes grupos difíceis até ao fim da carreira, para aliviar outros que poderão continuar com as mal disfarçadas turmas de élite dentro da mesma escola. Sempre houve esse sistema subterrâneo e sempre existirá ( nos meus tempos de estudante eram as famosas turmas da manhã, nem que o resto dos Ano de Escolaridade fosse todo no turno da tarde) mas há que limar as arestas desse tipo de manobras, em vez de atirarem as decisões todas para directores que variam em bom senso, sentido de justiça e até em grau de preocupação com a verdadeira evolução dos alunos. E fazer tudo para consolidar uma verdadeiro combate à indisciplina, que esse sim seria meio caminho andado para combater o insucesso, num curículo que nem é assim tão exigente, como constatam os mais diversos alunos ucranianos, moldavos e russos imigrantes, que quando cá chegam fazem um brilharete!
Porém, uma medida destas, vinda de um MEC que preconizou turmas de 30 alunos, alunos com NEEs aos molhos integrados em turmas grandes e mega-agrupamentos escolares(ai é "Unidades Organizacionais que se diz, não é? Já há novo logotipos na forja?), parece apenas um paliativo para se poder dividir um pouco algumas turmas noutras mais pequenas e minorar o descalabro...
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E outra curiosidades:
Pergunta: MAIS AINDA?!?! Pois pedem para o "se(c)tor privado"... ainda se pedissem para as Escolas em geral... :///
E, já agora, não querem ainda mais subsídios do Estado? Não chega aquilo em que foram aumentados este ano, ao arrepio dos conselhos da famosa "Troika"?
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E ainda:
Ups!!! Sorry! Ai isto é em Timor-Leste... Por momentos julguei ler um dos chavões que também se usavam por cá até não há muito tempo. E até uma canção do "desaparecido" cantautor de protesto, Sérgio Godinho de sua graça. A comparar com a  letra dessa canção, só faltam estes items aos Timorenses, pois a Paz e o Pão por lá já não devem faltar a rodos (a paz eu sei que resiste, graças a homens de Paz como Xanana, já o pão...).Bem, pelo menos os timorenses não perdem de vista quais são os bens essenciais a um povo, nem que seja por ideal de campanha política. Por  Portugal, nem isso. Já só têm os ideiais de: liberalização dos despejos, negócios na Saúde e Educação,ou seja, Habitação,  Saúde e  Educação só para alguns. (que suponho serem  os "esforçados" não piegas e não preguiçosos e que querem pôr Portugal a "mexer"--- hum...  os "portugueses-mexias"?--, a acreditar nos lindos anúncios de Galps-criança, CGDs e outras empresas "autónomas" e destemidas, criadas com belos fundos comuns dos nossos impostos....). Adiante...
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O que diz a Associação de formadores de adultos sobre o programa "Novas Oportunidades":
ASSOCIAÇÃO FAZ AVALIAÇÃO DIFERENTE DO GOVERNO ÀS NOVAS OPORTUNIDADES
( in Público, ontem))
Concordo, em vários pontos com o que dizem. Por razões que um dia aqui explanarei. Isto de andar a saltar de Programa e programa e experiência em experiência educativa, sem nunca fazer o balanço verdadeiro das situações nem sondar "as bases" é um dos grandes males do país e do nosso Sistema. E não é só com as NO. O que houve neste caso foi criar mais uma "comissão liquidatária"  das NO, sem mais, com um parecer do Instituto Superior Técnico que nunca me lembro de ter sido citado como acompanhante deste Programa ou outros, a extinguir tudo de uma assentada. Ou como se para avaliar o Ensino Básico fosse só pedir pareceres de profs Catedráticos das Universidades distantes, ups! isso é o que fazem sempre também, não é?... pois. Darei outro exemplo, mais "chão". É como se, para avaliar a beleza da Branca de Neve, fossem buscar a opinião, nem sequer dos seus pares, ou dos príncipes, ou do espelho Mágico, mas dos Duendes subterrâneos da sub-cave da Fossa das Marianas, ou os feiticeiros estrábicos das ilhas Bora-bora, ou até, quem sabe, da rainha má sua madrasta!
As NO tinham muitos defeitos e sou das primeiras a dizer, mas havia que aproveitar o que prestava e deitar fora o resto e não defraudar mais uma vez os cidadãos nas suas expectativas. Há formandos que não mereciam estas N.O., mas há muitos outros de inteligência e capacidades (que não tiveram hipóteses de estudar mais noutros tempos) que agora se poderão de novo retrair a completar os seus estudos. Ah, mas se vão todos emigrar, ou se vão para caddies  de golfe ou empregados de resorts, isso também já não interessa, pois não? Balanços para quê? Isso até nem os próprios Ministérios fazem às suas despesas, para quê "balançar"?
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E se lessem um título como o que se segue, sobre os Exames nacionais que começaram ontem:
FIABILIDADE DOS CORRECTORES DOS EXAMES NACIONAIS POSTA EM CAUSA (sem link)
 o que pensariam?
Exacto! "Coisa e Tal", Correctores = Professores, esses malandrecos não são "fiáveis",e tal...Ai Céus! o que vai ser agora?!
Pois bem, era essa a chamada de primeira página (em papel) para a notícia que vinha no seu interior, de título um pouco diverso...
"RESULTADOS DOS EXAMES NÃO DEPENDEM SÓ DO QUE OS ALUNOS SABEM" (sem link)
Bastante diferente, não lhes parece? Estiveram mal, senhores do "Público"!Não se faz...
 A notícia fala entre outras coisas
de um estudo no Reino Unido sobre a fiabilidade dos Exames, sobre a falta de avaliação mais completa por parte de perguntas como as de escolha múltipla(um dia me dedicarei a discorrer sobre esse primor educativo) e , pelo que entendi, acaba por salientar a importância do bom senso Humano na correcção das perguntas de maior desenvolvimento, por contraste com um mais desumanizado e apertado critério de correcção de questões que se pretendiam mais imparciais! E esta? Traduzindo: no fundo as perguntas que implicam o "justifique" etc avaliam melhor as reais capacidades dos alunos e são sujeitas a uma maior abertura na correcção e daí até a menos perguntas consideradas totalmente erradas. E que a Matemática , como a Português e outras disciplinas, o abuso de perguntas de escolha múltipla (incentivado pelo Ministério ao longo dos últimos anos, sublinhe-se) deveria recuar, para dar lugar a questões que pusessem os saberes em prova, como na Gramática, ou os problemas Matemáticos. Mas posso ter lido mal e não sei se a notícia online estará diferente, Ei~la, esta já com Link:
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E esta para relaxar um pouco:
"CADA EXAME DEMORA ENTRE 12 a 14 SEMANAS a SER CONCEBIDO"
(ionline)
Bem... tendo em conta o tempo e esforço de... concepção, é caso para nos perguntarmos, nesse caso, quantos meses terá tido a sua... "GESTAÇÃO"! :))))
Pobres professores ligados ao GAVE...
hum... cof cof...adiante...
(Já para a correcção, não importa que os professores percam as suas férias,sejam obrigados a frequentar acções de formação "sobre correcção", sem  qualquer préstimo e sem dispensa de aulas, em tempo delas,  ou que acumulem tarefas sem direito  a ajudas de custo... quantas horas e pestanas "queimadas"...)

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E finalmente, uma notícia que deixa a todos mais tristes, neste quase Paraíso(?) à beira mar plantado:
"Constança, disléxica, não conseguiu concluir o Exame de Língua Portuguesa"
(in Público)
Fosse este país um outro qualquer mais decente, tal notícia causaria estranheza pela relevância dada. Mas como devem estar a par dos últimos tempos,uma notícia polémica , esta "Constança, disléxica" foi o centro de uma polémica, pois o Júri Nacional De Exames , contrariamente a outros anos lectivos e em cima da hora, veio fazer desta menina o exemplo do que julgam os seus tristes membros ser o "rigor" e igualdade, etc., não cedendo ao pedido da sua mãe para que tivesse a prova de Língua Portuguesa de 9º Ano  em sala à parte, com o enunciado do texto lido em voz alta por um professor(o que sempre fora facultado a alunos como ela). Os professores que acompanharam não foram ouvidos, nem os Professores do ensino Especial, nem a Associação de Dislexia, nem tão pouco a Direcção Regional de Educação respectiva, todos a favor do pedido a aluna. Já o Ministro Crato lavou as mãos "à Pilatos" e remeteu a decisão para esse JNE, que considerou que a meia hora extra a que diversos alunos têm direito bastava para suprir as dificuldades. Gente que não sabe que há Dislexias e Dislexias e que foi indiferente a todos os pareceres especializados (médicos até) que defendiam o direito da aluna ao que solicitara! Crato. responsável máximo pelo MEC,  poderia ter desbloqueado a situação, mas chutou para o lado, preferindo o seu périplo de embaixador da "Educaciolândia" , com palestras e visitas e fugazes  comentários a  eventuais mudanças no seu Reino.
Por mim, desde que há muitos anos vi que, para alunos com deficiência auditiva, a  bitola de  direitos extra era a rotineira receita  de  meia-hora extra de exame, já nem sei que mais possa espantar sobre  este sistema...
A Mãe de Constança  não desiste e vai levar o caso a Tribunal, não já pela sua "Constância, disléxica" (e como lhe ficou o cognome!), mas por todos os meninos que no futuro possam vir a estar na sua situação. Pelos "Manuéis, disléxicos" pelas "Marias, disléxicas" e todos os restantes cidadãos que tiveram o azar de nascerem portadores de alguma deficiência ou diferença, neste Reino das maravilhas da Inclusão...
Votos de coragem à Constança e à sua Mãe! Podem dizer os rezinzas do costume que há outros que não tiveram essas benesses anteriormente, mas é porque não tiveram o espírito de iniciativa nem se mexeram por  um movimento de pais e mães de "Constâncias" e se calhar deveriam ter lutado como esta senhora, uma Cidadã em pleno.
Margarida Alegria (19-6-2012, in Blog "Alegrias e Alergias")
E.... por falar em rezinzas, venham daí os "antónios anónimos" que preferem comentar o tom colorido (dadaísta, não acham?, para um país de educação Gugu-Dadá como o nosso)  desta súmula comentada de notícias, a apresentarem opiniões e ideias sobre os temas.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sociedade Civil contra a indiferença Linguística (I)

O jornal "Público" em papel apresenta hoje diversos textos onde a preocupação com questões Educativas e da Língua Portuguesa são "sacudidas" pela Sociedade Civil. Um deles é a famosa "Redacção- Declaração de Amor à Língua Portuguesa", a brilhante sátira escrita por Teolinda Gersão e divulgada há dias aqui no "Alegrias e Alergias" (ena! Adiantámo-nos ao "Público"! UAU!). LER AQUI (clicar).
Outro é o texto excelente de Madalena Homem Cardoso, sobre a invariância de género na Língua Portuguesa que a "PresidentA"  brasileira Dilma tanto quis impôr. O parágrafo final, então, é de génio (ou  será géniA?).Não coube o título, que é:

IndiferentOs
e ignorantOs

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sónia "libertou gases"?!(Um Louco Pré-Natal 3)

Mais outra para a Silly Season Pré-Natal. Desta vez foi culpa da minha leitura apressada do jornal Público de ontem. No entanto inclino-me mais para ambiguidade criada por uma inusitada linguagem jurídica, ou então da sua transcrição em linguagem jornalística. Senão, coloquem-se no meu lugar: ao folhear o jornal, dão com uma notícia curta , daquelas que agora colocam na parte superior de algumas páginas, com foto recortada e um breve texto. E dizia assim, tal e qual (apenas o "negrito" é meu):
"A actriz Sónia Brazão foi acusada pelo Ministério Público (MP) do crime de libertação de gases asfixiantes e explosão. O despacho foi proferido na segunda-feira (...) "

E diz ainda (a parte mais cruel) que a "moldura penal pode atingir os oito anos de prisão."


Estão a ver a minha perplexidade inicial?!

Depois lembrei-me que Sónia Brazão é a tal actriz de telenovelas que teve uma explosão de gás canalizado no seu apartamento, há uns meses, e que havia uma polémica sobre se fora acidente ou tentativa de suicídio. Ao que parece acendera todos os bicos de gás...

Que me desculpe Sónia Brazão pela pequena brincadeira neste post. Não a conheço nem à sua carreira, mas parece ser uma pessoa simpática e, fosse de propósito ou não, ninguém merece sofrer o que sofreu como resultado da dita explosão. Desejo-lhe desde já muitas felicidades na vida e na recuperação e umas Boas Festas.

Mas, convenhamos, que raio de linguagem é esta para os Autos jurídicos e para os jornais, o dizer que alguém "libertou gases" e "explodiu" e que tal... foi considerado crime...


Repito a expressão : "crime de libertação de gases"?!


Não havia uns termos mais adequados? Por exemplo: Crime de negligência com substâncias perigosas e de provocar uma explosão"... algo assim?

À primeira leitura, a frase alarmaria todo o pobre diabo que sofra de alto grau flatulência (a imaginar-se a apanhar 8 anos de prisão por ser sensível às feijoadas), e/ou ainda quem se irrita facilmente (embora para esses, até que uns dias atrás das grades fariam bem, antes de "explodirem" por tudo e por nada!).

Por isso , além de rever o Código penal, o M. da Justiça deveria modernizar esta linguagem um tanto hermética, perigosa e ambígua usada na magistratura! :)

Quanto à relação entre este post e os dois anteriores, sobre as bizarrias de Natal deste ano (AQUI e depois ainda ACOLÁ), a semelhança é simples. Tanto as palavras de Passos Coelho na famosa entrevista, como depois as declarações de vários responsáveis políticos em sua defesa, poderiam ser considerados, para o país, uma espécie de novo "crime de libertação de gases", neste caso de "gases perigosos de Desistência do País", quase invisíveis à primeira olhadela (um "episódio lateral", como o classificou o próprio PPC), mas de forma alguma inodoros ou não causador de danos irreversíveis. Os danos foram irreversíveis para muita gente que ficou ofendida com as suas palavras , a aconselhar a emigração às pessoas mais qualificadas, e foram sem dúvida IRREVERSÍVEIS para a própria imagem de P. Coelho diante daqueles que nele ainda punham alguma Esperança. Não era o meu caso, mas ao menos esperava dele maior seriedade e mais idealismo e, pelo menos, maior sensibilidade. Mas não. Tem-se revelado quase um robôt teleguiado por Berlim. Sem um pingo de amor ao país, de respeito pelos seus concidadãos que mais sofrem. Certo, não teve de sofrer muitas tempestades na vida, nem sequer para chegar onde chegou. Mas poderia instruir-se e ser mais humilde. Pensar. Reflectir. Não debitar apenas ideia feitas e já experimentadas desastrosamente noutros países. Como nos filmes, com certos artefactos teleguiados, temo agora que, quando quem tem os comandos não precise deste brinquedo obediente,ou deste país "mal comportado", pratique o crime seguinte "o de explosão" . A "explosão" precoce da carreira de PPC e a "explosão" do país e total destruição da nossa democracia.

As agências de notação financeira, que gozam deleitadas com todos estes governos acossados e sem ideias ou ideais, já puseram Portugal em todos os contentores de "lixo" que inventam, nas suas célebres "opiniões" que fazem tremer os fracos políticos do Mundo.Os ingleses, eternos pessimistas, já estão aí a pensar na evacuação dos seus, de Portugal. "Não há fumo sem fogo "(e não estou a pensar no caso Sónia Brazão). E o "The Economist" já nos classificou como integrando agora o grupo de países que são "democracias falhadas/com falhas". Isto é, democracias que não mandam no seu próprio destino, mas totalmente sequestradas (outro crime!) por mãos estrangeiras (outros governos e/ou poderes económicos transnacionais). O "The economist" não é uma revista qualquer. Está bem atenta e informada!

Lá está... um país Telecomandado! :((

(Mais uma vez as minhas sinceras desculpas a Sónia B. pela brincadeira inicial. E talvez também pela associação -- injusta para ela--do seu caso, a estes "crimes", bem mais graves e danosos.)


"Alergia" (22 de Dezembro de 2011)




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A "Ver" com ouvidos de ouvir

Como é viver sem nunca ter visto a cor do céu, o rosto das pessoas, o mundo que nos rodeia?
Uma excelente grande reportagem da TSF, "Vermelho da Cor do Céu" (2011), de Ana Catarina Santos e  sonoplastia de Luís Borges,que nos transporta para o mundo de quem é invisual desde nascença.
Como "VÊEM" tudo? O que gostariam mais de poder ver ? De que cor é os seus sonhos?
Para melhor acompanhar esta reportagem radiofónica, aconselha-se a que vendem ou fechem os olhos e atentem às vozes, às personalidades que nelas são retratadas. A foto aqui é apenas circunstancial.
 A NÃO PERDER!Para ficarmos com uma noção nova e diferente do que é a diferença e de como as cores e a sua importância podem ser  sentidas de outra forma. E de como a nossa pobre noção de Beleza é tantas vezes, como dizem os ingleses "skin deep", superficial.
Para repararmos como somos tantas vezes na Terra uns pobre patetas repletos de "riquezas" que desvalorizamos, mas a tactear em desentendimentos, guerras e até em tontas infelicidades.
(Aproxima-se o Natal, fico uma sentimental, pois para mim o importante nesta data não são as prendas ou a "hipocrisia" proclamada por alguns, tantas vezes bem mais hipócritas do que essa ideia feita, mas o encontro dos Humanos com o seu Eu mais profundo, através de verdades como o encontro e o riso das crianças.A verdade do  nosso lado de Criança também. Festejando o aniversário de uma criança que veio  pobre e desamparada a um mundo hostil, mas felizmente ainda repleto de gente boa e confiável.Era com essa gente que ele contava para mudar o nosso modo de viver. É em pessoas com capacidade de serem bondosas e capacidade de sentirem "por dentro dos outros"que eu quero contar, não desejando mal nenhum às restantes, ... mesmo que por vezes fosse melhor que algumas  se engasgassem a saborear uma pipa de m**** da sua própria colheita "vintage".
Sim, lamechas e exagerado nalguns pontos, eu sei. Fora de moda. Nem sempre as maiores verdades estão na moda, num mundo pejado de máscaras.Esta reportagem ajuda a tirar a máscara. Basta fechar os olhos,  ou pôr uma venda.OUÇAM. "VEJAM")
Margarida Alegria (16-12-2011)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O "Alergias" no "Público"! :))

                      (Excerto do jornal "Público", de 9-12-2011, secção "blogues em Papel" P2, pág.ª 2)
Tcharammmmm!!! :)))
Qual não foi a minha surpresa, há bocado, ao dar com um excerto de um post aqui do "Alegrias e Alergias", na secção "blogues em papel", do destacável  P2 do "Público" ! :))
Já não fui a tempo de sacar da babete, mas partilho aqui a satisfação e a digitalização do texto seleccionado.
É uma passagem do meu post de ontem, dia 8 de Dezembro, sobre a polémica da barragem do Tua e de como pode afectar e levar à desclassificação como Património Mundial , pela UNESCO, do Alto-Douro Vinhateiro.
A minha surpresa foi duplamente estimulante, tendo em conta que este blogue tem apenas pouco mais de um mesito de existência (nasceu a 30 de Outubro de 2011). :)))
Abraços a todos os que nos têm acompanhado , com encorajamento para a criação do blogue, com simpáticos comentários e, sobretudo, com a leitura dos textos e cartoons aqui publicados.
Dedico este post à minha amiga "Hurtiga", grande bloguista do "Vade Retro" e ainda do "Sinistra Ministra" que infelizmente não poderá comemorar nesta Terra tal "Alegria", mas que sei que soltaria uma das suas gargalhadas cristalinas, com um comentário bem disposto a propósito. Saudades e obrigada, Amiga, tão precocemente roubada à Vida! 
 (Hurtiga: é pequena a compensação em relação ao Post que tinha criado e publicado, pelo teu Aniversário, a 21 de Maio passado, no blogue "Precisamos de Ti", que era uma espécie de Memorial, para mim e mais algumas pessoas, mas  recentemente apagado e truncado com estranha maldade por quem o "administra", por razões que me ultrapassam e escapam à Razão, à Lógica, ... a Tudo. Deixaram apenas a foto  que te tirara um ano antes e até comentários foram "para o espaço". Conto isto aqui pois já me cansei que me façam dessas crueldades e acabe por me calar, a troco de alguma Paz e  do espírito e esforço de Reconciliação. Mas como isto te envolve e algo que eu escrevera em tua homenagem e Memória,  desta vez não me calo e deixo aqui registada a delirante malfeitoria/ "lapso(??)! Aguardo que a Justiça e a Lucidez acabem por triunfar!...)
Pronto! Diante de tanta coisa menos simpática que se passa no Mundo, já ganhámos hoje baterias novas para continuar o Blogue!
E por falar, se gostarem destes textos, adiram ao blogue, como seguidores, ALI  na coluna AO LADO DIREITO, ou através da Google Rede Social, ou através da Networkedblogs/Facebook (basta estar ligado ao FBook e clicar no botão azul, sob as fotos, em "follow this blog"). E adicionem-nos aos favoritos, claro. ;)
E aqui está o link para o post completo de onde foi seleccionado o texto que surge no "Público":
Margarida Alegria (9-12-2011, "Alegrias e Alergias")
(ups! Ia escrever só umas palavras mas acabei por me alongar de novo! Desculpem! :))

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Chavões em destak (ou: esta jornalista e um carapau de corrida são o mesmo?)

(imagem de :"Laboratório da parvoíce")


(Texto para saborear com calma, com um cálice de Porto ou um chocolate, enquanto os iluminados não os considerarem "acima das nossas possibilidades. Ou : como de um texto pequenito e com ideias pequenitas, surge um texto de protesto bem mais longo, mas também com mais ideias para ler. Aproveitando a isenção de IVA)

Há textos jornalísticos,-- de comentário, crónica ou até mesmo editorial, -- que ultrapassam tanto a racionalidade e que, por outro lado, dão tanto "sumo" para uma análise de chavões e todo o tipo de ideias feitas, que é difícil resistir a ignorar a sua insignificância.
O que os torna ainda mais "acarianos"(vide: ácaro) no que às alergias que provocam, é o facto de muitas vezes virem impressos em milhares de exemplares,em difusão alargada, enquanto tanto bom livro é condenado injustamente às prateleiras dos monos. Um bom exemplo de que este Mundo não é mesmo justo.

Portanto, normalmente acabo por não postar sobre eles. A não ser quando, como no caso que se analiso adiante, há que tentar de alguma forma combater os chavões, as frases feitas e, sobretudo as ideias feitas e "pronto-a-vestir" que pretendem vincular nas cabeças dos cidadãos, numa espécie de lenta lavagem cerebral colectiva. Neste caso, a que nos quer convencer que nos devemos submeter ao que nos foi traçado, à inevitabilidade das coisas, ao conformismo. O tipo de "status quo" na berra é aquele do que "vivemos acima das nossas possibilidades" e o "não há alternativa a estas medidas" e que temos de ficar mais pobrezinhos e que isso de termos andado a ser roubados durante décadas é culpa de todos, responsabilidade de todos e que somos nós TODOS que devemos dinheiro aos mercados, etc etc.Brrrrr! Umas tretas!

Embora haja os escribas-maiores que alardeiam essa teoria, há também os escribas de segunda-linha, tipo brigada de apoio, que vão debitando esses pensamentos, por entre catálogos de carteiras e lantejoulas ou anúncios de produtos para o lar. Mesmo que não se costume ler esses "papiros" preciosos, por vezes esbarra-se com eles inadvertidamente, nas salas de espera de consultórios, no cabeleireiro ou nos cafés,pois, para quem goste de ler e de saber o mundo ,passam por serem um pouco mais substanciais que as concorrentes opções de "Hola"s ou de "Novas Gentes". Fatal engano! Ao menos as revistas cor-de-rosa dizem ao que vêm!
Um dos maiores desse fatais enganos costumam ser os brilhantes (cof cof) editoriais de uma tal (jornalista?) Catarina Carvalho, no Notícias Magazine, que não nos cessa de surpreender com as suas visões do mundo e do país! Lembro-me, a título de exemplo, de como defendeu já que seguissemos o exemplo dos chineses (economicamente!!!), ou de como se devia imitar a cabeleireira dela, a trabalhar até aos feriados (para a atender a ela...), ou de como um dos mais graves factores para que há uns meses estivessemos a baixar de "rating" para as famosas agências era porque... SIM PASMEM( oh mas que profunda teoria!)... porque as "Poor and fitch and moodys an dingdong and standards and bastards and Co." que nos "ratam" viam que os portugueses não queriam trabalhar, porque(tcham tcham!!!)... o modelo de avaliação dos professores havia sido então suspenso no Parlamento!!!

Estão a ver o raciocínio? Os cowboys da especulação andariam, quem sabe, a ler notícias sobre Portugal, paizeco que eles pensam que fica lá para o norte de África ou América do Sul, à direita das ilhas Caimão, uns metros depois do talho, e só nos julgariam dignos do nível Lixo, porque se interessavam muito pelos assuntos da Educação mundial e portuguesa em particular...
Estive na altura para escrever sobre isso noutro blogue, mas depois meteram-se assuntos mais importantes na calha.

Essa Catarina assina como directora da revista domingueira e veio substituir a sua colega Isabel Stilwell, do tempo em que a mesma publicação tinha algum interesse. Posto que a mesma Isabel andou a escrever livros (uma biografias romanceadas, até com piada, de rainhas de Portugal) e artigos noutras publicações da concorrência. "Da concorrência" talvez seja boa qualificação, ou melhor poderiamos acrescentar "concorrência a Catarina Carvalho" , pois, parecendo antigamente uma pessoa de bom senso com algumas ideias, aparenta ter entrado no mesmo tipo de delírios conformisto-iluminados da colega. Já muito andou a ser dissecado na blogosfera um texto que escreveu a criticar a "Geração à Rasca" e ainda uma ou outra "preciosidade" quem tem vindo a sair da sua pena.Ressalvo desde já que dantes até tinha alguma consideração por I. S. como jornalista, mas penso que será mais um caso em que é o afastamento da realidade vivida pela maioria da população e o crescer destes jornalistas numa espécie de "limbo" social que os leva a debitar tais pensamentos.

Hoje trago à berlinda um editorial de I. Stilwell, do "Destak" (11 -11-2011), um daqueles jornais oferecidos gratuitamente em semáforos ou hospitais. Por isso, como dizia acima, com muita tiragem e muitos leitores, mesmo que pouco voluntários. E aí surge das tais lavagens ao cérebro típico dos situacionistas que querem que as pessoas continuem a aguentar as "troikadas" muito "mansamente".

Primeiro, estranhei que um jornal ,que é quase na metade feito de anúncios (neste caso 11 páginas de anúncios num total de 18), tenha um editorial, texto jornalístico que normalmente exprime as ideias base da direcção sobre o que aí é noticiado. Como sintetizaria e conjugaria ela as vantagens do "Vibroplate", com o hipermercado, a toyota e ainda os auto-anúncios? Mas, está bem, um editorial pode ser também um texto de opinião, em usos mais recentes. Mas escrito por jornalista. Pelo que não deveria ser com o principal propósito de lavar cérebros. Enfim, leiamos, pois até nem é dos piores jornais gratuitos e dá notícias importantes, como a de que Top Models vão fazer novo video dos Duran Duran...;)) ou a previsão do tempo....

O título é apelativo : "OS números não são o mau da fita".

Vai portanto falar de economia, aparentemente, e vai dizer-nos quem é que são mesmo "os maus da fita", esperamos. Finalmente uma saída para a crise!

Passa logo depois a comentar uma frase recente de Mário Soares de que "as pessoas estão à frente dos números". Hum....Começo a imaginar Soares a preparar esse discurso , enquanto recebe mais um belo cheque da autarquia para a sua fundação, tendo a inspiração vinda dos muitos zeros à direita da cifra, que logo lhe sugeriram a sentimental imagem das cabeças redondinhas de muitas pessoas, à frente dos outros números... (ai lá estou também a divagar, cala-te boca!).


Bem, queria o antigo PR dizer, no fundo, que as pessoas e os seus direitos eram mais importantes que o dinheiro e as finanças. No fundo, o que muita gente defende: a vida do país e das pessoas não é só feita de "dívidas" aos "nervosos mercados". A vida das pessoas não é só feita de trabalho nem de dinheiro. O dinheiro e o trabalho devem servir as pessoas e não o contrário. Há que ter outros valores, como o tempo para si, para a família e amigos, o lazer, uma felicidade equilibrada.
Se era esta a intenção de M. Soares ao dizer aquilo, concordo. Concordaria I. Stilwell?


Dizia ela, que em princípio sim. Mas depois começou num relambório de que "o dinheiro representa a realidade e por isso não é infinito nem chega para tudo"(sic). Que era lamentável o aumento do desemprego, mas que o dinheiro não estica nem é "mágico ou infinito" e que não há dinheiro e que há que "saber fazer escolhas"(sic) no que se gasta que é preciso optar " entre as finanças e o tratamento de uma doença ou de outra"(sic! sic!) bláblá e blá e que era preciso entender que "Não podemos estar todos felizes ao mesmo tempo." (sic sic sic!!!!!!)


Nem sei por onde começar, a não ser no dizer que provavelmente poderia distribuir estacas virtuais para segura os queixos que possam ter caído, como aconteceu ao meu ao ler isto pela primeira vez. Imagino o quão satisfeitos os senhores dos mercados bolsistas" devem ter ficado. Ganharam mais uma porta-voz para as suas ideologias doentias. Pois Isabel S. pôs a "mão na ferida" , corajosamente explicou aos mais pobrezinhos que este é um mundo onde reina a bela lei do mais forte economicamente, a realista lei da selvajaria especulativa, onde NEM TODOS PODEM SER FELIZES AO MESMO TEMPO! Pois não! Apenas os bons jogadores com dinheiros privados e públicos. E que sabem "fazer escolhas", desde que tenham um bom corrector e saibam manipular os boatos financeiros! E que se se tiver de escolher entre as finanças dos Bancos, coitados, cheios de lucros e bons cobradores de taxas, entre pagar as contas das agências de rating ou do FMI e... a asma dos filhos ou o cancro dos pais (uma ou outra doença, enfim, paciência)... claro que há que sacrificar os segundos! Porque o dinheiro não é "mágico nem infinito"... a não ser quando é para fazer dinheiro a partir do dinheiro, em especulação bolsista, isso é outra coisa!


Só apetece levar a ironia ao máximo, perante estas teorias infelizes! Já não bastava o papelão dos ministros que nos levam a todos para o cadafalso da bancarrota e ainda vêm jornalistas com alguma rodagem defender o primado do dinheiro, na estranha aritmética de que:
PESSOAS = DINHEIRO



E sublinha a ideia no período final do texto, que deve ser o "tour de force" inesperado que tanto gostam de dar às crónicas, mas que considero que mais adequado seria chamar de "punch line", como se de um texto de comédia se tratasse. Aí vai (e repare-se no tom paternalista que demonstra o que perpassa em todo o texto):



"E é por tudo isto que pessoas e números não se podem dissociar, nem dizer que uns devem estar à frente dos outros, porque são o mesmo."



Até podia concordar com a primeira parte e acho que nisso também pensava Mário Soares, por contraste com os contabilistas funerários que agora nos desgovernam : não podemos dissociar os números (do dinheiro) (da vida) das pessoas.


Mas na segunda parte há uma guinada para,digamos, uma espécie de falso silogismo que mete dó.


Resumindo o editorial de I. S. num silogismo falso que parece construir:


-As pessoas precisam de dinheiro para viver


- O dinheiro é igual aos números e não é "elástico"


- LOGO: As pessoas são o mesmo que os números (dinheiro)


(ou estarei a ler mal?)


Nesse caso, também poderia construir os meus silogismos:

- I. Stilwell é uma jornalista

- Alguns jornalistas são "carapaus de corrida",

- LOGO: I. S. é um carapau de corrida (ou, para estrangeirar o nome, um "running mackerel")

Ou ainda:

- Isabel S. foi directora do "Notícias magazine";

-Catarina Carvalho é directora do "N. Magazine";

- LOGO: I. Stilwell e C. Carvalho são o mesmo.


"Qué tal?" Regressa, capa da "Hola!" com a nubente nonagenária duquesa de Alba, que estás perdoada! :)

"Alergia" (23-11-2011, a publicar apenas no dia 25, após a Greve Geral)