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sábado, 5 de maio de 2012

O Bartoon andou por aqui! (ainda o Pingo Doce) ;))


("Bartoon" , Luís Afonso, in "Público" 4-5-2012)

Devem lembrar-se do cartoon que publiquei (VER AQUI) na quarta-feira, dia 2 de Maio, cartoon com texto que fiz a propósito da "Saga" Pingo Doce do 1º de Maio.
Pois bem, ontem, no "Bartoon", fantástico cartoon diário do jornal "Público" (ontem, dia 4 de Maio), eis que surge o cartoon acima!  ;)
INSPIRAÇÃO? TRANSMISSÃO DE PENSAMENTO?(ora vejam e comparem...)
Ou, como se diz (ou algo assim) "as mentes elevadas encontram-se"? (cof cof!)  :))))
Concordam, caros leitores?
Tudo bem , caro Luís Afonso! Também sou uma sua( grande) fã !
E comoconsigo imagimar, só pelo tempo que estas coisas levam de tempo e cogitação, que não deve ser nada e nada fácil conseguir produzir um Cartoon sobre a actualidade a ritmo DIÁRIO! A sério, não há qualquer ironia!
Como dizia há uns anos o MEC (Esteves Cardoso), sobre o ter de verter crónicas regulares, é sentir-se como que a cabeça a ser espremida como um limão...
Apareça sempre e se me puder arranjar aí uns contactos agradeço, ao rumo de incerteza em que tudo anda...
Um grande abraço! O Bartoon é indispensável no meu dia-a-dia e no de muitos portugueses, pois o senhor é brilhante!
Sua sincera admiradora.
Margarida Alegria (5-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Nota: por falar em cartoons, amanhã sai pelo menos mais um, daqueles há já muito prometidos (não percam!).
E hoje há mais uns dois posts sobre outras coisitas(ontem cheguei demasiado cansada  ao fim do dia para os completar). Até já.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

CARTOON-PingoDoce:"de Janeiro a Janeiro" só no 1º de Maio!

(c) Margarida Alegria (in blog "Alegrias e Alergias,2-5-2012)
Claro que não podia deixar escapar a inspiração para Cartoon da última polémica, de ontem.
Todos devem estar a par do que se passou: a cadeia de supermercados  (ou são hiper?) "Pingo Doce". do grupo Jerónimo Martins, resolveu estar aberta, no Dia do Trabalhador, juntamente com outras ( Continente e até LIDL, este pela primeira vez. Honra seja feira ao "MiniPreço", que não abriu). Foi polémica a pressão que todos esses trabalhadores sofreram, para comparecerem nas lojas no Feriado. Foi-lhes duplicado e até triplicado o salário do dia (parece que um dos argumentos é que a melhor maneira de festejar os direitos do  TRABALHADOR era... TRABALHANDO...) Mas o mais inesperado, pelo que se sabe até para o Governo, foi terem feito uma campanha de descontos de ou até 50% em todos os produtos expostos, por cada mínimo de 100€ gastos.
Foi ver as  longas filas filmadas por todas as TVs, algumas agressões e discussões, as prateleiras rapidamente vazias, desvastadas,até. Eram filas durante horas para entrar e depois filas outras várias horas para ...pagar. Pessoas enchiam carrinhos, sacos, caixotes, os braços,os automóveis, felizes da vida. Depois pagavam 100, 200, 400 Euros ou mais, ou seja, em princípio correspondendo ao dobro do valor. Compras para um mês inteiro, dos meses... (VISIONAR AQUI o resumo de algumas DAS CENAS...  Um video pela própria Cineasta Teresa Villaverde E LER AQUI UMA NOTÍCIA DA IMPRENSA)
Os sindicatos promotores de manifestações indignaram-se pela distorção da Data. As associações comerciais acusaram o PD de  praticar "Dumping", ou seja, de vender a preços inferiores ao custo de produção. Pedem a intervenção da ASAE e dos Ministros. Não se sabe se os produtores estiveram de acordo, se os preços originais já estavam inflacionados e assim ninguém perdeu, mas o que é certo é que por todo o país foi uma loucura, acabando por muitas dessas lojas por fechar às 18horas, ou por ruptura de stocks ou para evitar mais confusões. A polícia foi chamada a lojas de algumas localidades, houve pessoas detidas e até feridas.
Foi portanto lindo ver  o "homem-sapiens-comsumistis" (inventei a palavra, calma...) a debater-se pelo "Osso" pela tocha em fogo e pela peça de caça, num país que cada vez mais cai na selvajaria, produto último e requintado do fim da linha do capitalismo: primeiro a dos "grandes", especuladores e privilegiados que não olham a meios para obter lucros, e agora da arraia-miúda de quem  não tem nada/muito mais a perder.
Atenção, não critico quem optou por aproveitar a pechincha, quando cada vez mais caro ir fazer as compras do dia-a-dia. Aproveitaram  o início do mês para encher despensas e talvez tenham beneficiado... aqueles que souberam fazer contas e ter tino.
E aí é que está um dos maiores problemas...
Primeiro, muitos dos entrevistados tinham ar  famélico de que o gastar 100 ou 200 Euros por mês ficava bastante acima do seu orçamento mensal para mercearias (e muitos admitiam-no).Muitos seleccionaram  apenas os bens essenciais que costumavam comprar e gastar (leite, massas, arroz...), mas muitos mais, ao encontrar essas prateleiras vazias, optaram mesmo assim por GASTAR, em qualquer coisa que encontrassem e desse algum jeito. Espero que depois possam proceder a trocas directas com vizinhos, senão estou a ver o fim do mês muito amargo para milhares ou milhões... E qualquer pessoa que vai a hipermercados sem uma LISTA rígida sabe bem como facilmente nos perdemos e acabamos por comprar algumas coisas desnecessárias. Que atire a "primeira pedra quem nunca o fez! Eu já fiz! E a técnica  de marketing de mudança de lugares aos produtos tantas e tantas vezes, faz que nem com "palas" seja fácil evitar tentações nos longos corredores dos hipermercados.
Também não me parece que os clientes desvairados tenham tido tempo para olhar para os prazos de validade do que compraram, nem para comparar com os preços habituais dos mesmos.
E finalmente não critico quem lá foi comprar para revender. Houve oportunidade, por via honesta, ou pelo menos legal, e aproveitaram. Fizeram bem e vão ganhar algum.
Em suma, sempre houve promoções pelo mundo que vive da adoração do dinheiro como valor absoluto e da indigência de muitos para proveito de uns tantos. Oa consumidores muitas vezes têm mesmo de aproveitar...
O que critico sobretudo é :
- A desprezível escolha deste dia para fazer tal promoção, um nítido desafio ao dia do trabalhador, não só por quase obrigarem os colaboradores a abdicar da folga que tinham por lei, mas também para uma espécie de demonstração de que o que o povo quer é "Pão e Circo" e o Generoso Alexandre Soares dos Santos lá está para fornecer umas "borlas" de  (côdeas de ) pão! A troça ao sentido de feriado como descanso e como Comemoração da conquista dos Direitos dos trabalhadores,  Direitos afinal já moribundos de novo. PREPAREM-SE: depois disto, a próxima Concertação Social verá ser proposta a abolição de mais este feriado (que até muitos já não tinham, alegam por aí...)... Soares dos Santos e os outros "protectores do Povo" (não é nesse tipo de suserano que se arvora tantas vezes?) devem estar a rir às gargalhadas do pobre, alienado e pouco crítico povinho portuga.E também passarão a dizer: afinal ainda podem ganhar menos, pois tiveram tantas centenas de euros para gastar num dia! E tentarão desvalorizar ainda mais o preço do trabalho."Escrevam" o que eu digo!
- Também critico a falta de memória de muita gente: então  não se haviam indignado há uns meses, porque S. dos Santos ia pagar impostos numa off-shore na Holanda, alegando as medidas de austeridade e a burocracia, quando reclamava sacrifícios para todos? Toda a gente quis boicotar. Nunca mais comprariam no Pingo Doce, etc. As pessoas criticam, mas depois (como agora) até ajudam à fuga de capital.
- Não me parece correcta, igualmente, a ausência de solidariedade dos portugueses, que neste dia nem sequer deveriam pôr os pés nas lojas abertas, forçando assim os patrões a voltar a dar a folga aos seus empregados neste feriado Nacional e Internacional, a não se aproveitarem da crise para pedirem mais sacrifícios ao troco de alguns tostões mais, bem-vindos, claro...
- E finalmente, o que se atesta pela B-d acima, julgo que as pessoas que fizeram aquelas figuras  terceiro-mundistas não mais poderão reclamar dos seus próprios direitos, nem dizer que não vale a pena isto nem aquilo! Pelo que vimos, quando mexe na barriguinha,NO CONSUMO as pessoas até se mexem, nem que seja para se arruinarem desmioladamente até ao fim do mês.Já quando vêem cortada a Liberdade e a Democracia... ai ai... paciência, tem de ser, ou (esta é a minha deixa "favorita"): "ELES é que mandam, o que é que se pode fazer?..." 
OU SEJA: foi mais uma triste prova de que, acreditando em vários historiadores e sociólogos, o POVO PORTUGUÊS É ESSENCIALMENTE MUITO INDIVIDUALISTA! Quase nunca se mexe pelos outros, àparte condoer-se em algumas campanhas, mas não considera que participar em manifestações ou protestos pelos direitos roubados valha a pena, que não é luta sua. OS OUTROS que se mexam por si e por eles. Por exemplo, os capitães de Abril deram-nos a Liberdade, disseram aos civis "Agora tratem do resto" e depois foi o que se viu. Uns poucos oportunistas assaltaram os lugares-chave e reinam até agora e o povo ficou impávido, um pouco como certos relaxados africanos esperam que a fruta caia das árvores para a comer.... Os portugueses ficam à espera das migalhas de benesses que caem de 4 em 4 anos, antes de cada eleição. Aceitam tudo o que vem, atiram-se às "promoções" de subsídios novos, direitos e de leis, mas fecham os olhos às leis que são traçadas para beneficiar os maiorais e tramar todos os restantes. Reclamam por não haver já iogurtes ou pelo atraso dos transportes, mas nada fazem para travar quem encerra linhas de comboio e carreiras de autocarros ou aumenta o preço dos passes, por quem importa  fruta e iogurtes estrangeiros quando os produtos portugueses definham.
Foi triste o desprezo bacoco de Passos Coelho perante as posições de alguns que não quiseram estar nas comemorações oficiais do 25 de Abril, dizendo que queriam protagonismo! Ele, um jovem sem currículo e que deve  o estar onde está graças ao golpe de Estado onde nem ele nem os seus amigos poderosos tiveram quaquer papel. Da mesma  forma foi triste ontem ver o espectáculo de um povo que já rasgou oceanos a atirar-se às prateleiras de uma mercearia gigante, a comprar muita coisa de que certamente não vai precisar  e tanta coisa que poderá vir a deitar fora.
A atitude de S.dos Santos e do seu Pingo Doce foi um teste ao que o Zé Povo mais valorizava no dia do trabalhador. E foi uma bela maneira de dspachar stocks e monos.
Não precisava de recorrer à humilhação dos pobres (e tantos lhe teceram loas, depois!) para comprovar que qualquer Zé Povo, ao cair na miséria, não pensa e só pensa em sobreviver, a comidinha, uns tostões, umas migalhas...
Já para esgotar os stocks, então porque não faz o que reclama na publicidade cantada ao Pingo Doce: NÃO PRECISAR DE "PROMOÇÕES nem de cartões"  e fazer os preços baixos "O Ano inteiro, DE JANEIRO a JANEIRO" e não logo em cima do mítico 1 de Maio...
Depois não se queixem, queridos portugueses. E não venham um dia reclamar se o patrão lhes disser: Qual Feriado... O dia do TRABALHADOR É PARA ...TRABALHAR,seus piegas! :((
Margarida Alegria (2-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias).
 NOTA:Como disse no próprio Cartoon, tenho todo o gosto que divulguem e "levem" o mesmo(e outros que já fiz), se gostarem. Se  lembro o Copyright é só para realçar que é decente mencionarem a origem e autoria do cartoon, que dá trabalho q.b e não nasce do "ar" por geração espontânea, e que me digam (em comentário) que o vão divulgar e onde. Só não consinto que seja usado par fins comerciais nem para divulgações ideológicas que não rimem com a minha consciência nem com a dignidade Humana. O.K?