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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Detalhes de um dia memorável (dia de Pérola) :) Apenas fotos com legendas, pois o blogger continua a impedir-me de redigir (?!)

O Livro... ;)


Um dos recantos que convidavam a ler após a apresentação...



E um sorriso urbano ao pôr-do-sol... (c) fotos Margarida Alegria (Novembro de 2013)


domingo, 12 de maio de 2013

Efemérides: Bernardo Sassetti - Um ano volvido...


(Bernardo Sassetti, Tema de "Alice", filme de Marco Martins)
No  passado dia 10 fez um ano sobre a trágica e prematura morte de  Bernardo Sassetti  (n.24-6-1970, f. 10-5-2012), talentoso compositor   e   pianista  clássico e  de jazz, artista multifaceado.
Se bem se devem  lembrar, caiu no  abismo , quando buscava os melhores ângulos para  as suas  fotos( para uma exposição   que preparava),numa falésia no Guincho...
 Ah Bernardo, antes  tivesse   ficado pelo piano....
 Mas parece que era assim, inquieto  e com sede do belo da vida.
Vi-o pessoalmente  de raspão (conhecido de amigos meus) e pareceu-me de enorme simplicidade e doçura, como são quase sempre as grandes almas e boa parte dos  melhores artistas. Os músicos de formação clássica  tendem a ser ensimesmados e distantes, mas não parecia ser o seu caso: não  havia nele qualquer pose  de superioridade. O que confirmei   numa deliciosa entrevista de TV que vi mais tarde com ele, paciente e simpático, até com um histriónico Goucha.Um abrir de coração perante as câmaras de uma candura desarmante, até.
Não queria deixar de lembrar a data.
Fica aqui, para memória futura uma das suas composições, quando de certeza teria tantas mais para criar nos anos vindouros: o Tema de "Alice", filme  de Marco Martins, a meu ver, aliás, um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos e de sempre. Esta música consegue transmitir e sublinhar de forma inesquecível a  busca angustiante e incansável de um pai pela pequena filha desaparecida, numa Lisboa vista invulgarmente pelo seu lado da indiferença e frieza de grande metrópole. Quem vê o filme, tem neste seu tema homónimo, para além das notáveis actuações, dos planos, das cores, da construção invulgar, um dos principais aspectos inesquecíveis. Recomendo.
E agora volto para a minha "nuvem", que ainda tenho muito trabalho à espera...
Para sempre, Bernardo Sassetti.
Margarida Alegria (12-5-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Laços que ficam...

(c) Margarida Alegria, Fevereiro de 2011
Na curta passagem pela terra, as pessoas . melhor ou pior, criam laços e vão deixando o seu rasto.
Laços de família, laços de amizade, laços de entreajuda no trabalho, na vizinhança.
Uns são fortes, seguros, indestrutíveis, ou assim parecem. Outros, mais ténues na aparência, provam depois  serem de uma resistência inaudita.
Porém, há quem tenha sido não só criador de laços, mas um pilar de segurança e presença para muitos. Um porto seguro para os seus. Uma estrela que guia quem tem a sorte de deparar com ela . E que por isso  tenha partido demasiado cedo, com tanto ainda a dar de si, da sua presença e palavra aos outros. Tanto a viver para si, também, do quinhão que lhe deveria caber na Vida.
Dizem que pessoas assim estarão num lugar melhor, agora. Acredito nisso. Pessoas dessas são rastos de luz  na escuridão dos egoísmos, são ventos fortes e breves num Mundo demasiado ocupado com a gestão do medo.
Mas que fazer com tanta dor espalhada e perdida em quem por cá ficou, com mais um quarto vazio, fechado e na penumbra, na frágil casa do coração?
Que fazer por quem, chorando, procura  em vão o rasto traçado na areia  dos passeios de Verão? Que fazer  com os que ficam  e que, olhando para a terra seca , procuram sem cessar vestígios dos  alicerces das suas vidas? Que consolo dar a quem, olhando o céu azul de quase Primavera, busca algumas sobras dos laços que se desfizeram, bocados dos fios que  se partiram nas tempestades?
Resta a saudade, larga e profunda, como a Esperança....
Resta a memória de um abraço tranquilo e azul.
Margarida Alegria (21-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

terça-feira, 10 de julho de 2012

O lado das sombras do Solstício

(Este post foi iniciado, mas não concluído no dia do solstício de Verão , de 20 para 21 de Junho passado. Não faz mal. Passado  quase um mês, tenho novos elementos e sensações a acrescentar...)
Dizem que o Solstício do Verão dá início ao dia mais longo do ano.
É esse dia que marca o Auge de força da Estrela que ilumina a Terra, o Sol.
Menos se divulgou que o dia do Solstício, por outro lado, pautava também outro Auge: o Auge da Terra, o dia em que todo o planeta que habitamos dá o melhor de si, está na maior plenitude e fase de força.
Assim, terá sido o dia em que todas as sementes lançadas terão germinado mais velozmente, todas as árvores terão visto o estender dos seus ramos com mais nervo, todas as  flores terão brotado com mais viço e brilho.
O Sol, esse, terá expelido ainda mais calor e chama sem se fazer rogado, convidando assim a Natureza a se lançar num inigualável Hino à vida que à maioria dos seres humanos terá passado despercebido.
Posso imaginar que  também todos os animais, desde o humilde verme no húmus terrestre, até ao solene elefante, desde a colorida borboleta que dura um dia, até ao antílope elegante, desde o pequeno  e irrequieto colibri que suga o néctar das flores ao condor que voa nas altas montanhas, desde o peixito do lago até ao tubarão feroz do mar alto, todos terão cumprido, nesse dia,  o seu ritual de energia e de entrega à vida, com o que tem de inominavelmente belo mas também com o que é de inevitável luta pela sobrevivência.
Só não sei dizer que papel terá tido, nesse dia e em todos os que se seguem e que são mais longos, o Ser humano e os seus exemplares que julgam dominar essa mesma Terra.
Hoje, mais um dia de Verão, nem o sol que brilha num límpido azul me traz consolo. Os seus raios roçam-me a pele, mas têm impacto igual ao  rotineiro vestir de uma blusa gasta. O vento, que sopra forte e que modera o calor, não me traz hoje aromas de maresia, ou das flores, ou sequer de relva húmida. Os cantos nervosos dos pássaros não parecem alegres, apenas agitados e melancólicos concorrentes aos gritos ritmados das gaivotas e ao rolar dos carros de motores mais ou menos roucos. O silêncio que escuto vai sendo entrecortado por discussões inabituais nas ruas.
Hoje, mais um dia de Verão, mas que ainda não sinto como Verão, tento saborear frutos da época, de polpa carnuda e coloridos. Mas não me trazem o sabor dos campos, o amadurecer dos dias nas árvores, a doçura da Terra-Mãe. Devem ser saborosos, suponho, mas lembram-me apenas  a necessidade de me alimentar e o vertiginoso do comércio em caixas, os 23% de IVA implacáveis...
A água refrescante que engulo apena e mata a sede, mas não me traz a esperança das fontes e serranias.
Tento olhar e contemplar o que há de belo.  Anseio destrinçar apenas o que é belo. Mas parece que só reparo no que está a ser destruído. O jardim público é bonito e agradável, mas cortaram verbas nos jardineiros que o mantinham bem cuidado. As árvores são imponentes, mas a qualquer altura pode vir um autarca que as detesta e  manda cortar, por achar que destroem a regularidade dos passeios. A praia é bela, mas sempre paira a ameaça da onda que venha a trazer espuma amarelada pelos petroleiros que imperam na economia. As crianças que brincam, já em férias, são belas e inocentes, mas já vislumbro nelas a maldade  e a frieza que tantas acabam por desenvolver em adultas.
Tento tocar no que ainda parece genuíno: a pedra áspera do murete, a folha  lisa da árvore, os picos  matreiros dos cactos. Mas só me trazem a aspereza, a lisura, o "ai" de ser arranhada. Não trazem nem a montanha, nem a floresta, nem sequer o deserto para a minha beira.
Tento outras realidades: o jornal, a TV, as notícias do Mundo. Nem cá dentro, nem lá fora. Só intransigências ("nem mais tempo nem dinheiro" porque queremos parecer bem, a velhinha presa por roubar uma lata de atum para comer, o rapaz bósnio que testemunha a família massacrada, uns matam, prendem, magoam outros...), só guerras sem fim( genocídio na Síria, bombas aqui e ali, fome, pobreza, loucuras várias...).
Tento desligar e interiorizar: mas os ouvidos em mim, os meus olhos abertos e atentos, a minha pele, todos os meus sentidos, parecem falhar esse auge da Terra que tanto queriam sentir.
Mesmo a parte da Humanidade que me deveria estar mais perto e à qual sei que tento dar uns raios do meu sol "particular", me  parecem distantes e indiferentes...
Tudo o que a Terra e o Sol dão, parece que os Humanos tratam de estragar e tirar uns aos outros, respondendo a tanta generosidade da Natureza, com a Cobiça, a Ganância, a Injustiça e a Ingratidão em que são "peritos".
Solstício de Verão: dia que marca o dia mais longo, o Auge e plenitude do Sol, o Auge de generosidade da Terra.
Só falta mesmo podermos celebrar nesse dia o Auge da Humanidade: o Dia em que os seres ditos Racionais deste Planeta dêem ao mundo tudo o que têm de melhor dentro de si, o dia em que deles brote a Paz, a escolha da Verdade, o entrelaçar  de Ternura e de Felicidade que faltam para que este "Solstício" seja genuinamente Universal.
(Então, comemorarei esse Solstício com Alegria.
Por ora, resta-me ir encolher ali num canto e suspirar... esperando que mais um dia de Verão atípico finde..).
Margarida Alegria (10-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 1 de julho de 2012

Música e Nostalgia com votos de boa Noite




(David Sylvian- Nostalgia,-- In Praise of Shamans, Tour, 1988)
Música para uma boa noite. Do "mestre" David Sylvian, "Nostalgia" (álbum "Birilliant Trees"), aqui num tour, mas numa perfeição de sonho, para música ao vivo. sem as tecnologias sonoras actuais...
A maioria das imagens do video consistem em excertos de outra "Nostalgia"(Nostalghia, 1983), o filme de Andrei Tarkovski.
Duas nostalgias, duas obras de arte, Três nostalgias, com a minha, a vossa, a nossa.
Boa noite!




quarta-feira, 13 de junho de 2012

Amigas que jamais desiludem! :)

( gatos- cartaz "clássico" de T. A. Steinlen)
QUE DIZER NESTE DIA?
Que é dia de Santo António, o casamenteiro e do sermão aos peixes, cansado de tentar em vão ensinar o que é importante a pessoas obtusas que não o queriam escutar? Bem fez em dirigir-se aos peixes, que mesmo que misteriosos, no seu deslizar prateado pelas águas e olhos inexpressivos, conseguem certamente ter mais sangue quente do que tantos " humanóides" que por aí andam disfarçados de gente de coração...
Vou dizer que é o dia  em que finalmente Portugal conseguiu vencer num jogo da fase final do Euro? Foi o santo lisboeta a deitar  água benta aos jogadores?
Não. Vou dizer que é o dia de duas amigas minhas que nunca me desiludem, apesar de algumas arranhadelas (mas sempre aos móveis).
Perdoem as minhas outras amigas, mas este dia é delas. Que me ensinaram a ser mais paciente, que me demonstraram o quão digno é um gato, que dá fidelidade e carinho mas que quer igual respeito. Quem diz que os gatos são traiçoeiros, não os conhece e não convive com eles. O que não se deixam é enganar por falsidades. Tomara que elas tivessem estado  mesmo a meu lado para me aconselharem , aos seu jeito, perante quem se revelou de uma crueldade ingrata,injustíssima, estúpida e até paranóica. As minhas amigas gatas teriam de pronto bufado e arranhado psicopatas. Patas de gata a arranhar com generosidade o outro tipo de "patas", de "patia" , de "doença" triste e vil...
As minhas gatas são sábias a 100%. Eu não. Longe disso.Mas continuo a aprender com elas. A valorizar um raio de sol, uma boa sesta, uma alegre brincadeira.
Que posso eu oferecer-lhes neste dia, além dos mimos do costume?
Um jantar de peixinho? Uma escovadela extra?
Já aqui postei aquele cartaz(acima) que me lembra um pouco a compleição de ambas, mas não chega...
Talvez este livro de Poemas... não para lhes ler em voz alta, pois já me fizerem perceber que detestam que lhes leiam alto. Preferem que se cante, ou um som suave de piano.
(capa de "O Livro dos Gatos", de T. S. Eliot; ilust. Axel Scheffler)
Este é um Clássico da literatura, poemas dedicados aos gatos, ou aos "gatos em cada um de nós", de T.S. Eliot (VER AQUI a referência ao original). O mesmo que deu origem ao libretto da  famosíssima ópera rock de Andrew Lloyd Weber, "Cats". Finalmente em edição portuguesa (ed. Vega) e que contém algo de curioso: como a Poesia é quase intraduzível, o livro contém um opúsculo incluso com os poemas originais em Inglês.
E vejam como o Poeta bem nos "explica" os gatos no que são e no que NÃO são, por exemplo, num excerto do poema "Tratamento dos Gatos"(as minhas amigas merecem bem  o trabalho de  transcrição):

Há neste livro Gatos tão diversos
Que tenho agora esta opinião:
Quem já o leu ficou habilitado
A entender-lhes formas e feitios.
O que já sabem chega para ver
Que semelhantes são, Gatos e nós
E outras pessoas, afinal dotadas
De maneiras diferentes de pensar.
Há uns que são loucos, outros com juízo
Há uns que são bons, outros são ruins
Alguns são melhores e outros nem isso--
Mas de todos se fez um retrato em verso.
Em ocupações ou divertimentos
Os seus nomes próprios foram indicados
Bem como os seus modos e meio também
Mas
    como devem pessoas dirigir-se a Gatos?
Vou, pois , avivar a vossa memória;
Deixem-me dizer: GATO NÃO É CÃO.
Cão faz de conta que gosta de brigas,
Ladra muita vez, é raro morder,
Em termos gerais, o cão não é mais
Do que dizem  ser um pobre diabo.
(Não é esse o caso do cão pequinês
E outras perversões da raça canina,)
Por via de regra, o Cão de bom tom
Sempre se dispõe a ser um palhaço,
Não sabe fingir um ar afectado
E chega a perder toda a compostura
Deixa-se enganar com facilidade,
Basta que lhe façam festas no pescoço,
Carinho no dorso, afago na pata,
Dá pulos até, de satisfação.
Simplório completo e bonacheirão,
É obediente às ordens e vozes.
Que fique bem claro, volto a dizer:
Um Cão é um Cão... UM GATO É UM GATO.
(...)
( o poema continua, falando da conquista da confiança dos gatos com alguns pitéus...)

(àparte, isto me faz pensar: embora goste de cães sou pessoa mais   "de gatos" do que "de cães". Porém constato que para os outros se calhar, embora tendo muito "de gato", devo ter mais "de cão"... :(()
Eis a versão original, se preferirem(O POEMA ORIGINAL,  e em Inglês, não é completo pois corta toda a passagem que aqui leram sobre os CÃES! O que acontece em todas as versões online não adaptadas para letra das canções! O que prova que até os estudantes americanos devem estar a fazer análises por uma versão truncada, bem mas pelo menos dá para lerem o resto do poema. mesmo  que assim perca o seu sentido total...):
Finalmente, satisfaço-lhes a curiosidade, vós, visitantes. Aqui estão elas, as maninhas, na foto mais recente, bastante ensonadas e ternurentas, pois foi a forma de se deixarem fotografar quietinhas:

     (c) Margarida Alegria, in blog "Alegrias e Alergias"  (26-4-2012)
E agora vou dar-lhes o dito jantarinho, pois, embora boas amigas, pacientes, jamais esquecem uma promessa. Podia falhar-lhes,sem problemas de maior, mas não mereceriam tal desfeita! :))
Margarida Alegria (13-6-2012, in  blog "Alegrias e Alergias)

domingo, 6 de maio de 2012

Minha Mãe

(Madame Vigée-Lebrun , auto-retrato com a sua  filha.- Museu do Louvre)

O meu pai tinha uma forma linda e carinhosa de tratar a própria mãe ( minha avó, portanto).
A minha avó não era uma pessoa fácil. Muito autocentrada, tirânica até, nunca "ligou meia" aos netos ,contradizendo a ideia que se tem de "avozinha" (felizmente tinhamos outra, mas que nos durou muito menos...). Talvez apenas a neta mais velha tenha recebido uma prendinha dela, nos primeiros anos. Não se lembrava de nos fazer um carinho, era imperial, de dentro do seu arrebitado  metro e 40cm ; e  só falava de si: das classificações que tivera,dos cargos que tivera, das propriedades que tivera e sonhava ter, do que fizera, do elogio que um tal bispo lhe tecera... histórias que escutávamos todos os santos domingos e já sabiamos de cor.
O meu avô era, por contraste e equilíbrio,não tenho dúvidas, um Santo. Um Santo quase silencioso e sofredor. Profissionalmente fora seu superior e tivera  ainda melhor currículo, mas só tinha olhos para ela, deixando-a brilhar sozinha, contemplando-a embevecido do cimo do seu quase "o dobro" de altura. Mesmo assim os filhos veneravam-na e moviam céus e Terra por ela.
Ouvi sempre o meu pai a tratá-la, não apenas por "Mãe" (jamais por "Mamã", que não se usava!), mas ou por "Mãezinha" ou, o que era mais especial e delicioso , por "MINHA MÃE". Ele era "Oh, minha mãe, não faça uma coisa dessas!", "Minha mãe, sente-se aqui.", "Minha mãe deixe que eu trato disso."..
Aquele determinante possessivo fazia a diferença e reequilibrava o paradoxo espalmado naquela senhora. Fora mulher de armas e excelente profissional, mas à família não dera vida fácil, por feitio, embora cumprindo todos os deveres inerentes. Concluo, portanto, que deve ter sido uma boa mãe, pois para tantos filhos -- que em pequenos muito enfeitara com laçarotes e cabelos frisados "à menina", em foto de os embaraçar para o futuro(aguardando sempre por uma filha, que acabou por chegar) --continuava a ser a "MINHA Mãe". Não era a mãe de outros, não era uma mãe qualquer: a mãe era DELES e de mais ninguém.
Os meus irmãos e eu, tivemos, quanto a mim, uma sorte muito maior, quanto à Mãe que "os Fados" nos atribuiram, não só porque era e é a NOSSA/MINHA Mãe, não só porque foi uma professora exemplar, uma mãe dedicada e atenta, mas porque além disso foi e É ainda (graças a Deus!) uma pessoa de excepcional Humanidade. Talvez graças, também, à acção da SUA Mãe...
Como me disse um dia  uma amiga que a conhece e foi sua colega: "A tua Mãe é daquelas pessoas que ilumina uma sala  , quando entra!"
E tem razão.
 Ilumina, não como certas pessoas que têm daquelas atitudes imperiais em altas vozes e como  que "se fazem  anunciar" à chegada, mas por trazer sempre um conforto bom com a sua  mera presença. Longe de a atitude do "Cheguei vi e venci", pois até é bastante tímida ( agora com a idade, menos...), mas por recentrar tudo o que é importante, quando chega, mesmo que nada diga.
 Ilumina não só porque é bonita (e é-o , sem dúvida, não o digo por ser a "MINHA" Mãe...) e não só porque tem um sorriso rutilante e inesquecível, mas porque do seu interior brota um sentido optimista mas muito franco de ver as coisas, de encarar os problemas. Não um optimismo pateta de "laissez faire", mas aquele que resulta de olhar os outros com a atenção e o respeito que merecem, seja de que condição social for, fosse o estado de espírito dominante soturno que estivesse na dita "sala". Apesar da carga de problemas que carregava na vida, podiam estar todos a falar, por exemplo, da maçada da chuva, quando chegava e chamava a atenção para as flores que brotavam, o arco-íris que não tardaria, isto metaforicamente falando, claro.
Por isso lhe imploraram a certa altura para dirigir um Conselho Directivo numa escola difícil, no pós-revolução, pois  era a única que conseguia conciliar todos, mas a todos também ouvir e fazer justiça e levar a escola a viver para o que devia: ensinar (coisa que agora se está a perder de novo, a destruir,com a reentrada da política nas escolas via "directores" e Conselhos gerais cheios de autarcas).
 Dava-se bem com colegas da sua geração, mas era acarinhada e recebida em braços pelos colegas mais novos, que sempre se sentiam à vontade ao pé dela, ultrapassando barreiras de idade e de pontos-de-vista. Era capaz de dar um raspanete a uma funcionária por uma tarefa trapalhona, para mais tarde ser coberta de beijos e recordada com veneração pela mesma, tudo porque também sabia fazer o elogio justo na devida hora e tratava todos como seres humanos e iguais que somos na Criação.
Quando as pessoas diziam como era bonita, logo corrigia que a irmã, essa sim era bonita,-- realmente uma estampa de revista, de feitio mais coquette e rainha dos bailes. Porém quem via a minha mãe raramente a esquecia (não esquecia qualquer uma das duas!) , talvez pelo expressivo olhar, talvez pelo sorriso acolhedor, por todo um conjunto, uma presença com personalidade. Sendo considerada uma Sensata amiga, uma pacata filha e irmã, sempre tivera vários pretendentes a arrastar-lhe a asa, mas não ligara a nenhum, o mesmo acontecendo, curiosamente ao meu pai, com imensas a fazer-lhe olhinhos, mas mantendo-se respeitoso, distante e sonhador. Um dia, embora já se conhecessem através de irmãos, o meu pai fez com ela o trajecto a pé até à Biblioteca para onde ambos iam estudar em pós-licenciaturas, voltaram a fazer tais percursos (devidamente anotadinhos em agenda/mini diário, como mais tarde, nós filhos,  viemos a descobrir, espantados!) e foi um Amor para a vida. Mas isso é outra história...:)
A minha Mãe teve de largar os seus projectos de carreira universitária, seguiu o meu pai por vários recantos perdidos do "mundo" e do País, criando a família com uma notável vocação de Mãe. De Educadora.
Portanto, neste dia da Mãe, que poderia  ser num outro qualquer do Ano, este post não é, tenham lá paciência, dedicado a todas as mães, mas sobretudo à mãe que é a minha: à MINHA Mãe.
Impossível de sintetizar tudo o que foi e é para nós, seus filhos( vou fazê-lo saltitando no tempo, em vagas, centrando-me nas partes felizes): enquanto era "apenas" dona de casa, era a mãe atenta mas não excessivamente controladora, aquela a quem voltávamos , para contar os nossos pequenos dramas. Sabia sempre dar-nos um bom conselho, ajudava-nos a "ler" o que viveramos na escola. Incentivava-nos a nos abrirmos, sem forçar. A Lermos o mundo. Ver notícias em casa não era um tempo de silêncio: gostávamos desde cedo de comentar o que viamos, expor dúvidas pelo que se passava, interpretar as incoerências da Humanidade. Os nossos pais, ao contrário de muitos, incentivavam-nos a conversar às refeições, que eram quase sempre tempos vivos, proveitosos e alegres, como testemunhavam os nossos amigos.
Por vezes o voltar para a mãe era apenas para corrermos silenciosos para o seu abraço imenso, para lhes darmos as mãos, as suas enormes e confortáveis mãos que ,por vezes geladas da má circulação e de pouco tempo para  manicures, envolviam as nossas mais pequenitas.
Era os pedaços de papelão embebidos em água para nos sarar os "galos" na testa e lá parávamos o choro e andávamos a passear todos contentes até o papelão secar e cair. Um tinha um galo... todo o "rancho" pedia um papelão para os "galos" imaginários e solidários!
Era a supervisão distante dos trabalhos de casa, só maior para quando houvesse dúvidas, mas sempre atenta a que não fizessemos batotas nas contas, nas provas dos nove...
Nunca andou a aborrecer professores, a não ser que visse que algo nos angustiava e queria alertar os docentes para isso. Mas o professor era sagrado e deveriamos respeitar todos, por mais diferentes que fossem, tivessem o método que tivessem. Errados que pudessem estar, pois temos de conhecer todos os lados de um mundo assimétrico, nem sempre justo.  Dizia-nos:" se estiverem com dúvidas nas matérias, peçam-me ajuda, veremos o que se pode fazer, nem que eventualmente precisem de explicações, embora eu saiba que são todos inteligentes e não têm motivos para ter negativas. Mas AI DE VÓS que eu venha a saber que foram mal educados com algum professor ou funcionário! Para isso não há desculpa possível!"
Era o escutar as nossas fantasias, enquanto mascava as pontas das linhas ou com alfinetes na boca, enquanto nos costurava um vestido, cosia bibes, aplicava joelheiras e cotoveleiras na roupa dos meus irmãos, transformava um vestido numa saia de alças para as meninas, ou um velho vestido das meninas num vestidinho "novo" para as nossas bonecas.
Era a sua arte de receber as outras "madames" e ter de aceitar convites para chá quando preferiria estar connosco, mas também  a capacidade de conversar com as pessoas mais humildes.
Há poucos meses revisitámos uma nossa antiga casa e foi debruçar-se à janela do que fora o "quarto da costura", foi um regresso no Tempo: curiosamente o mesmo gesto que tinha diariamente, para espreitar se as nossas brincadeiras no quintal estavam a decorrer sem sarilhos.
O meu pai defendia que a nossa casa era em primeiro lugar para ser gozada por nós e só depois para os outros, por isso não era nunca daquelas casas-museu exageradamente perfeitas, que as crianças não podem percorrer no dia-a-dia. No entanto, faziam sempre o possível para que tivessemos sempre um recanto para nós, para desarrumarmos à vontade e brincarmos(coisas que agora tantos pedo-psiquiatras aconselham mas então era a sua sabedoria de pais que intuia): um quartito "de brinquedos", um anexo de quintal, uma grande sala na cave, um jardim-- houve sempre alguns espaços para nós nas casas que habitámos. Cabiam lá os nossos brinquedos, as nossas aventura imaginárias a imitar séries de TV, as festitas de adolescentes, os muito  e variados animais domésticos. De galinhas a gatos, de peixes a ratinhos brancos, de pombos a... salamandras(nem tudo ao mesmo tempo, calma!). Apenas demorámos a  que deixasse termos um cão, pois fora mordida em criança, mas lá acabámos por ter um, que até salvou de morrer e ao qual se dedicou com alma  de enfermeira Nightingale, até durar muitos anos mais! Para tudo dirigia a sua carência profissional da Biologia, desforrando-se no cuidar das plantas, no incentivar-nos a construir um lago minúsculo para rãe e girinos. Chegou a operar o papo de uma galinha!
Quando achou que já cresceramos bastante e viviamos numa cidade, foi leccionar (e em bom tempo o fez, antes de passar a ser "pai e mãe", como dizia...) e então repartiu a sua sabedoria e o seu sorriso maternal por muitas crianças, que passaram a venerá-la e às ciências, fazendo aulas de campo, observando os frascos que levava de casa com os nossos bichinhos apanhados no campo e já em formol-- do qual se destacava aquele que chamávamos de "Clerasil", um sapo gigante! Os meninos traziam-lhe os livros que tinham em casa sobre animais e a Natureza, tantos deles prendas de aniversário antes nem sequer abertas ou exploradas, e muitos enveredaram pela via científica pelo que neles a MINHA Mãe despertou, como mais tarde tantas vezes o testemunharam em encontros fortuitos. Biólogos, médicos, mas também juizes e  de outras áreas que tanto hesitaram se seguiriam letras ou Ciências. Foi das primeiras a dedicar bastante tempo a ensinar aos meninos o que era habitat e Ecologia. Ainda não havia quaisquer anúncios   televisivos de macacos "Gervásios" nem de sociedades ponto Verde e já a minha mãe procurava  ensinar-nos a reciclar, a filhos e alunos, procurando vidrões e as farrapeiras que recolhiam papel. Muita viagem fiz com ela a descobrir aonde ainda existiria uma "Farrapeira" nas redondezas!
Já a tinhamos menos em casa, mas continuava a ser a Nossa/ MINHA Mãe, assim como agora é a avó mimada pelos netos. Então era ela a poder a partilhar os seus próprios dramas diários, o aborrecimento por ter precisado de ralhar a um aluno, a felicidade pela aula com experiência de dissecação ou  de microscópio que correra muito bem , mas sempre sempre ainda  com tempo para nós. Só não tinha muito... para ela.

Claro que nem sempre o relacionamento com ela foi "rosas"! Claro que houve  discussões e choque de gerações, como com todas as mães. Tinha de haver. As gerações encontram-se e prolongam-se, mas estão irremediavelmente apartadas pelo Tempo: há modos de pensar que se adaptam e mudam e a MINHA Mãe acabava por aceitar as mudanças, mas nós também não a obrigávamos a pertencer à nossa geração. Queriamos nela  a senhora da geração anterior, a Mãe que era  e também amiga, mas não a amiga com vergonha de mostrar a sua autoridade de mãe. E longos anos já de ... pai e mãe em simultâneo. Quantas vezes não tinha a razão do seu lado, mas ganhava a discussão, graças a sua poderosa capacidade de argumentação... só no fim pensávamos: "'pera lá! Mas EU é que estava certa!".
( Poderia ter sido também uma boa advogada...!). :))
Já o meu pai era o sonhador romântico que nos ensinava a gostar de livros , de desenho e banda-desenhada, de aprender sempre  muito pelos livros e  a ter sempre curiosidade em aprender tudo. Era, como bem diziam, um homem bom como já "não se fabricam" e...enciclopédico. Uma lâmpada fundia e com a lâmpada na mão o meu pai explicava como funcionava, apontando para os filamentos e porque falhara. Enquanto durava a explicação, a minha mãe, a educadora prática, ia buscar uma lâmpada nova e colocava-a. Complementavam-se. O meu pai, ao contar contos de fadas, era preciso e romântico nos detalhes, fiel à história, do príncipe e da princesa, das Fadas,  do coelhinho que ia às couves e ficava sem casa. A minha mãe, por seu lado, para escândalo do rigor meu pai , fazia-nos delirar com os detalhes inesperados que introduzia nas histórias: o coelhinho ia às couves mas de permeio parava num recanto para... fazer cocó! ENA! ahahah! delirio e risos nossos, protestos do meu pai! O meu pai cantava muito bem, voz de barítono bem colocada, mas para canção de embalar, sobretudo se estivessemos com febre, tinha de ser a nossa mãe e mais ninguém, sempre a mesma cantilena sem letra (oh larô Larô. Larito...), fora de afinação não por má voz mas por uma cicatriz no ouvido, mas SÓ ela a podia cantar! Mais tarde descobrimos , num filme clássico , a preto e branco,que a anónima melodia era de... uma marcha militar!
Era  e é , portanto,  muito especial, a minha mãe. Talvez nos devesse ter obrigado a certas coisas, mas pelo menos obrigou a tantas  outras que muito agradeço: o sair do reduto do lar para ir a campos de férias formativos no Verão, para me tirar um pouco da "casca" e conhecer jovens de todo o país, sobretudo realidades diferentes ( conheci adolescentes com uma visão arejada e culta que tomara agora a tanto deputado de aviário quem nem sabem o nome dos preisdentes); obrigar a apanhar os autocarros para a baixa e ir a pé para a escola, obrigar a comermos tudo do prato, sem caprichos, nem que levássemos horas...

Porém não existem "cursos" para se ser mãe e pai. Todos erram, todos erramos, não há pais perfeitos, por melhores que sejam. Àparte  o caso daquelas mães desnaturadas que envenenam os filhos, "Mãe só há uma" e todos devemos estimar e acarinhar as nossas Mães, por muitos choques que  tenhamos com elas. Tudo porque é a NOSSA Mãe e Ponto final.
Acredito que as mães fazem o que sabem pelos filhos. Cabe-lhes fazerem o melhor que podem segundo as circunstâncias. Sobrevivemos às agruras da Vida com elas, por causa delas, apesar delas, por vezes. Mas é assim há gerações e gerações. Não devemos imputar-lhes as nossas frustrações. No meu caso sempre nos demos bastante bem, talvez por afinidade de feitios, embora não chegue ao seus calcanhares de "Sábia", mas também fez sempre menos cerimónia comigo do que com os meus irmãos, o que não é propriamente uma vantagem, bem longe disso. Mas foi assim que a Vida se traçou...
 Tantas e tantas recordações soltas! (que não quero que se percam na linha do Tempo) Também as dos gestos inesperados e especiais que tinha, com toda a sua generosidade, rasgos ousados do fundo da sua timidez: o deixar que muitas crianças amigas nossas vizinhas lá passassem tardes inteiras ,almoçassem e até experimentassem connosco cozinhados para lanches, a sujar a cozinha. "A sua casa deve ter mel!" Dizia-nos uma vizinha e amiga. O trazer o netito do merceeiro lá a casa para o garoto ver o que era um computador, então o ZX-Spectrum do meu irmão; como moveu mundos e fundos para ajudar uma senhora  quase desconhecida que estava para ser despejada da casa que sub-alugava (descobrindo a existência da APAV, então a dar os primeiros passos); as longas horas de conversa a tentar aconselhar amigas minhas que  a procuravam para desabafarsobre as suas dúvidas na escolha do curso;  e atitudes para  com completamente desconhecidos, como daquela vez em que havia uma greve de transportes e, subindo de carro uma longa avenida, se condoeu e parou para oferecer e dar boleia a uma  humilde avó  que subia o passeio a custo a pé com os seus netos!
Tantos e tantos momentos que jamais esquecerei. A MINHA Mãe, minha grande confidente e Amiga. A boa vizinha, a professora querida de outros, mas a MINHA Mãe...
Hoje já não aparenta a "mulher de armas" que foi. Os anos, as noites mal dormidas, a exaustão de a todos atender acabam por pagar o seu preço.
É um passarito jovial e diz sempre que" tudo é maravilhoso", desde o acordar, até algo que saboreia, da alegria em cumprimentar as meninas da caixa do supermercado até à amorosa  criança com quem mete conversa. "Foi tão bom falar consigo!".exclama, "como é tão bom tomar este café aqui!".  Raramente tem um momento "para baixo". Com a vida que levou, o problemas que nunca cessaram de lhe bater à porta, as autênticas tragédias que sofreu,  teria muitos motivos por ter desistido de lutar, por ter desanimado e deprimido em tantas alturas,para se tornar amarga e revoltada,  mas foi sempre a campeã da resistência.
Como tenho saudades dos seus conselhos, das recordações que me narrava e como me teriam sido tão úteis mesmo agora, essas conversas, eu feita adulta (que remédio!), em tantas ocasiões que vivi!
Hoje quem a vê nem sonha  que passou  o que passou, todos gostam de vir retribuir os beijinhos e abraços e cumprimentos que distribui por conhecidos e não-conhecidos com quem nos cruzamos, conseguindo pôr muito sorrisos em muita cara macambúzia que se ilumina depois da perplexidade inicial quando saúda! Agora tantos quase desconhecidos  vêm perguntar pela mãezinha, aquela senhora que distribui cumprimentos e elogios por quem passa , aquela que agora é de novo menina, onde descobrimos, com espanto, a garotita traquinas  e dançarina que deve ter sido antes de se tornar na jovem e mulher sensata e mais reservada.
Apesar de todas as mossas da vida, posso concluir que a MINHA Mãe, foi e é uma mulher feliz, sem rancores para com tudo aquilo com que a vida  a surpreendeu. Ela é sem dúvida a Nossa/Minha grande Heroína, o nosso modelo de vida, em toda a sua simplicidade e franqueza. Reina nela uma  tranquilidade luminosa, não derivada  de  qualquer  irresponsabilidade ou inconsciência mas precisamente por ter a mente limpa de remorsos, por ter procurado fazer sempre o que é bem, sem maltratar os semelhantes.
Ensinou-nos a ver o mundo com compaixão e  a sabermos distinguir que nem todos têm o que têm só graças ao "mérito", como se diz agora, que há muitas voltas na vida e que o Ser humano merece ser bem tratado não por ser inteligente ou famoso,ou por ter  sorte no destino,  mas porque é um nosso "irmão",  que com todos devemos ser atenciosos e justos, embora não devamos pactuar com o que vemos de errado.
Hoje goza o descanso de ser" filha" dos filhos  e de  ser avó ,agora ela apoiada, acarinhada, mimada até, uma "menina" linda sempre fresca e jovial, com pequenas rugas e manchas da idade quais marcos no mapa da sua vida quase sempre imprevisível. As mãos mais enrugadas mas sempre grandes, agora já com tratos de manicure.
 Mas sobretudo sempre e sempre aquele sorriso e aquela "presença que ilumina"  cada lugar onde entra!
 Muito mais havia a recordar, mas o texto vai longo e já tive que o "costurar". Acarinhem  e louvem as vossas mães neste dia, mas, usando a expressão do  meu pai, contra ventos e marés, esta foi e é  não uma qualquer e não a VOSSA, mas " a MINHA Mãe".
Margarida Alegria (6-5-2012, Dia da Mãe, in blog "Alegrias e Alergias")
(POST Scriptum: eu sei que fiz batota com a data da postagem, tendo passado dois dias desde que  escrevi o seu miolo até postar de facto, depois de tanto acrescentar, remendar e cortar ao texto. Tenham lá paciência. De cada vez que vinda rematar o post acabava a recordar mais coisas de lágrima no olho e a acrescentar detalhes, muitos dos quais acabei por retirar. Afinal, sempre é um texto sobre a MINHA Mãe, condescendam... A imagem que escolhi era, se a memória não me trai, uma das que surgia nas  tampas das caixas de chocolates que a minha mãe reaproveitava para guardar carrinhos de linhas).

terça-feira, 27 de março de 2012

Ainda há uns dias para ver esta exposição!


foto (c) Margarida Alegria (Braga, exposição de Olinda Gil, Fevereiro de 2012)
Ainda a tempo de anunciar mais esta exposição da Olinda Gil. Depois da anterior, em Grândola, agora em Braga, na Junta de Freguesia de S. Vicente.
Livra ! Como esta mulher gosta mesmo de percorrer o país! ;)
Mas a sua pintura bem merece! Como já disse anteriormente, um expressivo exemplo de... Arte "afro-alentejana"!
"Sorry", Olinda, pelo atraso na divulgação... Foi aquela coisa tonta de querer publicar fotos próprias e actuais, mas houve uns problemazitos para as descarregar. E deu no que deu...
A Exposição está patente em Braga já desde o Carnaval e prolonga-se até à Páscoa(?) ou, pelo menos, até ao fim desta semana. A Junta de freguesia de S, Vicente fica perto da igreja do mesmo nome e do "Azylo de S. José" e da Faculdade de Filosofia da U. Católica de Braga. Bem no centro da cidade, portanto, com umas pastelariazinhas simpáticas para lanchar depois da visita.
Para a Olinda e o J. um grande abraço e, mais uma vez, Parabéns.
Margarida Alegria ( 27-3-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Aniversário

                                                           foto (c) Margarida Alegria, 2011
"INSCRIÇÃO
Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar."
Sophia de Mello Breyner Andresen

Faz hoje  (dia 21) um ano que faleceu a "Hurtiga", nossa amiga Maria José Sousa. Quis a ironia do destino que, um ano depois daquele dia tão triste, se celebrasse o dia de Carnaval. Por questões essencialmente familiares,  hoje acabei por festejar o Carnaval, o que nem sempre faço. Mas nem por isso esqueci esta efeméride.
A Maria José/Hurtiga, professora estimada e de "primeira água" , blogger  de "estaleca" e verve precisa, mãe , esposa e filha dedicadíssima, teria decerto gostado de festejar este Carnaval, num ano em que ele foi oficialmente "proibido". De pronto descobriria a frase e a imagem certas para , no seu blog "Vade Retro", ou noutros em que participou,  qualificar mais este desvario dos "senhores" importantes de uma capital distante de um povo massacrado, neste país demasiado pequeno para pessoas de coração e gabarito  como os dela.
Não foi o coração que a traíu. Há sete anos que lutava, até sem muita gente em seu redor dar por isso, contra um maldito cancro, um linfoma "não-Hodgkin" que brincava às escondidas com a sua esperança  constante em encontrar cura. Quatro meses antes de nos dizer adeus, surgira finalmente um dador compatível de medula óssea, mas passava então uma fase mais debilitada que impediu o transplante imediato e atempado.
Até à  última, preocupou-se sempre com quem ficaria cá sem a sua presença, em  poder deixar alguns assuntos tratados, para não sobrecarregar ninguém.
Ainda guardo a sua última ( e longa!) mensagem  sms que terminava ..."Depois falamos!", numa atitude positiva perante uma evolução que pressentia não augurar nada de bom... E guardo no coração a  última palavra que me disse, no hospital, já com imensa dificuldade em falar e respirar. Foi "Obrigada." Isto depois de querer saber como EU estava! Mais uma vez, pensando primeiro  no atender aos outros...
Seleccionei a foto acima e aquele poema de Sophia, pois sei que o mar foi um lugar ligado aos seus momentos mais felizes e sem dúvida que à Zé faltaram muitos, IMENSOS! , momentos para buscar junto ao mar, junto  ao campo e às flores, junto à sua amada família, junto aos amigos, junto aos seus  acarinhados alunos (com quem se sentia ainda mais viva!). Junto aos livros. Junto à poesia. Junto a quem lhe proporcionasse uma das suas gargalhadas que, como já disse algures, acredito que hoje ecoe num outro mundo menos ingrato como este foi para ela nos últimos anos (de uma vida que tinha ainda tanto para dar). Foi a pensar nessa imagem que faço dela agora, que  ( no dia em que faleceu) fiz o retrato abaixo. Era para colocar uma foto, mas considerei que esta imagem preservaria melhor a sua identidade, neste momento e meio, embora esboçando uma semelhança da sua pessoa.
Conhecera-a há pouco mais de ano e meio, mas foi uma amizade que me marcou muito, primeiro online, depois em pessoa. Alguém com uma alegria e força de viver exemplares,  a energia de quem agarra os problemas de frente, mesmo que eles sejam muitos... e mesmo que também chore muito por dentro... ou até "por fora", quando o desânimo bate à porta. No entanto, era o bom humor que predominava e a capacidade de ver o lado engraçado em cada acontecimento, embora pontuando com "raiva" o que estava errado no Mundo. Tantas vezes que nos rimos até às lágrimas, em conversas para espantar tristezas! E foi com satisfação que vi que também a conseguia animar quando era preciso, especialmente antes ou depois de um remaldito dia de tratamento...  A Zé tinha dom de animar  encorajar os outros e aos seus problemas bem menos complicados que o dela. Mas ainda bem que me foi dada a honra de a conseguir encorajar e animar A ELA e de ter conseguido estar atenta aos momentos em que mais precisava de uma voz amiga. (mas claro que não foi só a minha, apesar de tudo e  felizmente).
Lamento, mas apenas posso falar do meu testemunho, do que consegui viver no privilégio que foi a sua companhia, tanto à distância como em momentos mais vivos e próximos.Não estou a falar de mim, mas sim do que ela me ensinou.Faço-o da forma e do modo que sei e consigo. Se quiserem, usem esta caixa de comentários para uma homenagem simples que mais uma vez lhe estou a tentar fazer.
Outros que falem por si. Mas não me  critiquem ou impeçam a mim de expressar como bem entendo as memórias que quero preservar dos que me são queridos. Este blog é da minha responsabilidade, em princípio ninguém poderá eliminar este meu testemunho. Porém, uma coisa garanto: mesmo que alguém o fizesse, tenho todas estas palavras e momentos gravados no coração e  na memória  e daí ninguém as pode... "extirpar" (já que é palavra em voga!) . Há quem tente, há quem até julgue que conseguiu (noutras ocasiões) mas a Amizade e a memória --de quem as tem e  de quem as tenta preservar com orgulho e carinho --JAMAIS serão apagadas, truncadas, invejadas e vilipendiadas de forma  desvairada e ignóbil! :(
Não te aflijas lá na tua nova casa,  querida amiga"Hurtiga":
ESTE é um espaço de Liberdade e aqui  cabem todos : tu, todos os amigos e quem vem por bem, a palavras que mereces que te diga e  (mais ) um post onde és celebrada por quem te tem gratidão.
Ensinaste-me a ver o fundamental em muita coisa. Foi de facto uma HONRA conhecer alguém especial como tu, embora por vezes pouca gente te valorizasse como devia. Valorizaram-te e acarinharam-te os que queriam mesmo bem, pessoal e profissionalmente, e isso é que foi importante. Ainda bem que exististe, mesmo que  em vida breve. Ainda bem que te conheci, embora não por tanto tempo como a nossa amizade merecia e ainda hoje me revolta como partem pessoas excelentes como tu e ficamos no meio de tantos "fantasmas" (e de novo Sophia) que se arrastam por aí sem rumo e sem o sorriso e a alma aberta à Vida como tu fazias!
  Portanto, há um ano e dois dias disseste-me "Obrigada."...  Mas... não tens de quê, Hurtiga, pois quem te agradece sempre somos nós, pelo que aprendemos  e vivemos contigo.
Todas as palavras do mundo falham, mesmo assim, para exprimir as nossas saudades.
Por isso  não me cansarei de repetir uma e outra vez: "Obrigada eu, querida Zé!".
Margarida Alegria, 21-2-2012 (in Blog "Alegrias e Alergias")

(c)Margarida Alegria, Fevereiro de 2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal 2: As Estrelas caem do Céu. Os Amigos não...


("It's A Wonderful Life", de Frank Capra- "Do Céu Caíu Uma Estrela"- cenas finais)
Na sexta-feira à noite passou na RTP1 o clássico filme de Frank Capra, "Do Céu caíu uma Estrela". A história do idealista "anónimo"  George Baley , que, cansado de ver a vida sempre a andar para trás, cheio de problemas económicos e não só, maltratado por pensar primeiro nos outros e a prova viva que o mundo parece andar ao contrário, tantas vezes parecendo castigar os bons e beneficiar os cruéis,... tenta o suicídio. De resto, já devem recordar-se. Um velhote, anjo temporariamente suspenso do Céu,impede a desgraça e fá-lo reviver o seu passado e também ver como ficaria o mundo dos outros à sua volta, se ele desaparecesse. Esse anjo tem por missão salvar George e assim ganhar o seu par de asas.
Aqui (acima)estão as cenas finais (desta vez sem acrescentos de internautas! :)).
O mais importante, a mensagem de Clarence, o anjo:
"Lembra-te, não é pobre aquele que tem amigos."
Às vezes duvido da verdade dessa mensagem. Raramente acaba tudo tão perfeito como neste filme, com os amigos a surgir de todo o lado a provir com o dinheiro que George precisava, para não ir para a prisão. Mas também ele já não se importaria de ir, pois descobrira o que era mais importante do que esses sarilhos.
Por vezes os amigos não se apercebem do sofrimento dos outros, não por maldade. mas pelo corre corre da vida. Outras vezes são poucos os que surgem por iniciativa própria a dar a mão em tempos de crise.
A mensagem do anjo deveria ser ao contrário, pois foi isso que aconteceu a george Bailey: ele tinha amigos, porque ERA AMIGO, sem se aperceber até. Ou seja, não ficava só à espera que os OUTROS se preocupassem com ele, mas preocupava-se com os outros, tantas vezes se esquecendo de si. Como quando teve todos aqueles gestos de atenção e coragem em criança. Como quando contagiou os outros com o seu entusiasmo e até ingenuidade. Com a sua alegria de viver.
A mensagem deveria ser: Nunca é pobre QUEM É AMIGO.
Verdadeiro. Ser-se amigo não  é dizer a alguém "Confia, confia, sou teu amigo!" (pois...) e depois, quando uma "pancada" dá na cabeça, trair essa confiança dizendo em público algo que se lhe confiou de muito pessoal e até grave. Isso é traição, estúpida e vil. É porque se andou a querer a confiança de alguém para depois ter mais poder sobre essa pessoa e melhor manipular, do cimo de uma superioridade tonta e inexistente  (era tudo uma grande mentira?!) . Não é amigo quem disse maravilhas e elogios de alguém e depois, para impressionar novos "amigos", tantas vezes desconhecidos cibernéticos, se insulta essa pessoa publicamente e ainda se dá os ares de ofensa!Mas issoé coisa de doença grave, até posso entender. Só isso explica... Não é amigo, se depois diz que deixa de ter amizade, como se a amizade não fosse algo a ser construído e fosse um mero interruptor.Não se é amigo quem toma o que é obra dos outros como sua, ou pelo menos o sequestra em torpe "rapto" de propriedade intelectual. Não se é amigo quando se toma um sincero e bom conselho, em particular, por insulto, quando não se entende nada de nada e se troca pessoas que tudo fizeram por nós em momentos difíceis, sem nada pedir em troca que não lealdade, por outras quase desconhecidas que nos fazem as vontadinhas, só porque ainda estão iludidas. Quando se  quebra a lealdade de uns em troca de meros gestos de atenção de outros, por vezes  até de Amor, mas nunca retribuídos, pois não se sabe o que amor seja.
Não Ama quem não sabe dar amor. Há quem tenha amigos embora nunca seja amigo.Injusto, completamente, pois muito  no mundo é podre e tonto como essas pessoas.
Daí eu dizer que o mundo por vezes não tem esse equilíbrio que o filme mostra. Mas, lá está, é uma ficção, uma parábola, com uma bela mensagem de coragem e ternura.
O que deveria ser dito aos G. Baileys deste mundo é que, apesar das traições, de nem sempre a amizade ser retribuida, por cada traidor que estraçalhou a sua confiança, há três ou quatro bons amigos, que sabem poder contar connosco e sabem o que é a gratidão e o carinho. Que sabem dar, receber e a diferença entre os dois gestos.
Para cada Sr. Potter avarento,por outro lado também, há uma família que acolhe, verdadeiros amigos com que se pode contar.
Por isso, o "Alegrias e Alergias" deseja Bom Natal a todos, sem egoísmos, revendo a vida, partindo ao reencontro com os que nos amam, mas, sobretudo, aqueles QUE NÓS AMAMOS e sabemos amar. Pois o Amor não é uma montanha -russa nem algo que se desgaste ou desligue: o verdadeiro amor e a verdadeira Amizade, mesmo que tenha momentos de afastamento, são sempre para a eternidade, sempre em crescendo. Se forem de verdade. Se lhes dermos valor e cultivarmos, sem "negócios" de sentimentos,daqueles simulados por alguns só para que alguém cuide de si!
Margarida Alegria (25-12-2011)