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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dia 2 de Março faz ouvir a tua Inquietação e defende a Democracia !- Inquietação - Camané e Dead Combo


(Camané e Dead Combo- "Inquietação"; versão de 2012 do  Poema e Música de José Mário Branco; animação : Ryan Woodward; montagem: Rui Ramusga)
Uma canção e um Manifesto
Há muito que não deixava música portuguesa por aqui. Vou redimir-me. E que música!
Já tinha escutado esta versão da "clássica" e fabulosa "Inquietação" de José Mário Branco, mas só  no início  de Janeiro surgiu um video no youtube, felizmente original e com bom gosto  e proporcional ao poema    e   ao quase fado.
Camané dá a voz , os Dead Combo acompanham.
Melhor tema não podia haver, para ir lembrando o próximo dia 2 de Março, sábado, onde o Movimento "Que se lixe a troika" convida todo o país a sair à rua e fazer escutar a sua voz, já que há quem pense que só temos direito a voz de quatro em quatro anos, em eleições rotineiras , e que de resto temos de ouvir, calar... e pagar, pagar sempre mais. Não por alguma dívida que tenhamos contraído, mas por uma que foi contraída em nosso nome e que agora nos sangram em impostos e taxas várias, com juros de agiotagem, enquanto os responsáveis continuam protegidos, à solta, a fazer "das suas", a lucrar com a desgraça do país, que se humilha sem soberania, sem esperança, sem a atenção dos governantes que haviam prometido justiça e por todos zelar.
Não podemos  continuar a deixar que falem em nosso nome e depois ainda nos acusem de "censura", quando em manifestações pacíficas o povo canta  "Grândola Vila Morena", como forma de protesto. Decerto estariam mais preparados para bater em quem atira pedras ou parte montras, como noutros países, do que em quem usa formas de resistência pacífica, protestos imaginativos. Mas é este o caminho: o da resiliência, o do protesto a moer-lhes o juízo, o da Não-violência.
Violência existe, mas essa é a que vemos neste sistema cada vez mais desigual e desequilibrado que nos leva a alma e os bens. Violento é o espírito da escassa minoria que nos quer remeter à escravatura em versão do século XXI, que nos quer limitar à miséria, a um Futuro sem opções, sem saídas. Um Futuro... "sem-abrigo".
Vivemos tempos de inquietação, mas não devemos confudi-la com o Medo, que tanto nos querem impôr. Ainda temos voz: vamos portanto para os centros das nossas cidades e mostremos, nestas manifestações, que somos de tal forma o tal "Melhor Povo do Mundo" (nas palavras hipócritas do tributário-mor do "reino"), que rejeitamos esta  forma de gerir um país, a despejar tudo em buracos sem fundo de bancos meliantes e   de especuladores vampirescos. O "melhor povo" que rejeita  esta distorção da democracia , num regime que nada respeita: nem as promessas feitas, nem sequer a Constituição, a nossa lei básica que esses políticos juraram cumprir.
O "melhor povo do mundo" tem os PIORES políticos do mundo, que não o merecem, que  agora terão de escutar, sem "filtros" nem distorções dos "fazedores de opinião" das TVs e jornais, esses tudólogos que argumentam que o povo " não entende as mensagens de quem governa", que é tudo questão de  melhorar a "COMUNICAÇÃO" das medidas carrascas que nos vão despejando em cima.
 Comuniquemos nós. NO dia 2 de Março, o povo português, presente nos seus cidadãos de todas as condições e lugares, irá ,ele agora, COMUNICAR melhor aos (des)governantes e restantes políticos ---que ainda não parecem ter entendido as mensagens, nem do dia 12 de Março de 2011, nem do dia 15 de Setembro de 2012, nem de todas os outros protestos feito ao longo das últimas décadas-- que os portugueses não aguentam mais austeridade, aliás, o roubo institucionalizado transvestido de austeridade, que os portugueses estão saturados de políticos demagogos e/ou corruptos, de políticos mentirosos e sem sentido de serviço e sacrifício pelo país, de "economistas"-videntes que tratam as pessoas como números, de governantes que resolvem todos os problemas indo buscar aos bolsos  dos que menos podem (aos seus impostos, ao corte dos seus salários,  que já  eram dos mais baixos da Europa, aos subsídios escassos dos carenciados, às pensões dos idosos, aos fundos que deveriam ser para cuidar de doentes e de crianças) o dinheiro de que precisam para as suas megalomanias,ou para o favorecimento dos negócios dos seus amigos e dos mais poderosos. Os portugueses não querem mais que a política, a que deveria ser o "serviço da cidade", da Polis,  esteja subserviente perante o poder económico, sobretudo diante do poder  financeiro especulativo, o ramo da "economia" que nada produz e que é sempre o mais sôfrego, o mais insaciável, o mais dominado pela cobiça, precisamente por ser o que menos entende quanto custa  sonhar, produzir , criar riqueza num país. 
Os portugueses desprezam, com proporcional e retribuída sanha, os senhores (sempre os mesmos) da alta Finança que despoletou esta "crise", a nível Mundial e a nível nacional, aproveitando-se de políticos corruptos (ou simplesmente estúpidos) para sugar as posses de países inteiros,-- e dentro destes dos bens   dos seus cidadãos,  do haveres de  famílias e de pequenas empresas--, de forma a compensar as suas irresponsáveis movimentações/apostas de dinheiro. Portugal não quer mais ser comandado por quem joga na roleta da bolsa  e das negociatas com o dinheiro dos outros.
Portugal, terra do "melhor povo do Mundo", com quase 900 anos de existência (e já habituado, em momentos mais graves, a rejeitar  e até a "defenestrar" os que escolhem  trair o seu povo, para o vender a poderes exteriores), não quer que continuem a vender as suas melhores  e  mais lucrativas empresas ao desbarato,  a vender o seu território a outros, a vender a sua mão-de-obra a preço de escravo, emigrante ou dentro de portas.
 O que foi conquistado nas últimas décadas, as melhorias sociais, de nível de vida, a maior equidade e os direitos sociais do 1º Mundo, foram até sugeridos  e incentivados pela Europa dita solidária que nos queria integrar como povo igual,  a mesma Europa que tivera vergonha de Portugal e dele se arredava , nos 48 anos da ditadura salazarista (ou esquecem todos os países do mundo ocidental que tinham  cortado relações diplomáticas connosco nessa época?). Esse progresso económico e social, ainda longe do ideal, não foi um favor, uma benesse da vida, caída simplesmente das nuvens, mas algo que pagámos bem caro, com  aumento de preços, com carestia de vida, com o nosso próprio suor,  com o abandono forçado de agricultura, de pescas e de outras fontes produtivas, com todas as vantagens que o nosso progresso trazia também aos que cá nos queriam vender os seus bens.
 Diziam-nos que tinhamos de melhorar qualificações, melhorámos; tinhamos de incentivar a  melhor formação dos jovens, incentivámos; tinhamos de aumentar a esperança de vida da população, aumentámos. Já então eramos os  tais "bons alunos", embora já então medrassem no nosso meio os "cábulas" da política caciquista e corrupta que cada vez mais se instalou e minou os poderes nacionais. E afinal para quê? Agora dizem estes mesmos e os outros que temos de regredir, pois alegadamente viveramos "acima das nossas possibilidades". E, curiosamente, muitos dos que  agora se reclamam os "bons alunos" da troika, batendo hipocritamente no peito e impondo o castigo  beato e parolo da "prevaricação" a todos, são   muitos dos mesmos que antes copiavam,  dos que não estudavam e preparavam os seus esquemas de cábulas, dos que, rindo-se nos protegidos "aeródromos" das suas carteiras,  atiravam aviõezinhos  bem "tecnoformados"  à cabeça e à paciência dos outros alunos. 
Não deixaremos que se continue a confundir uma sensata poupança e o honrado pagar de dívidas, preocupações  de povo honesto e calmo que somos,  com o idolatrar da  austeridade cega e só para alguns, com estas políticas de destruição de direitos e de   REimplantação da pobreza, esse delírio doentio de uma minoria resguardada dela,  resguardada também , com todas as manhas, das leis macabras que cria para os outros.
A nossa Inquietação e a nossa voz têm de ser expressivas neste sábado, deixando de vez o medo , ou  a  indolência frente à TV. Comecemos a  preparar os cartazes,  a afinar  a voz para os cânticos, a dar a "corda os sapatos" para caminhar ao lado dos  nossos concidadãos em indignação, nossos iguais em dignidade ferida,  enquanto temos ainda um País, mostrando o quanto o queremos defender da espoliação e da humilhação, do estatuto de protectorado. 
Vamos pelas ruas e exijamos, cada vez mais, uma nova maneira de vivermos a democracia, exijamos aos políticos que sejam responsáveis e prestem contas pelo que decidem. Mostremos que não somos um povo adormecido nem muito menos resignado. Mostremos que entendemos muito bem o sentido das medidas homicidas que nos querem impor, que os portugueses estão longe de serem os burros de carga e os parvos porque os tomam alguns senhores do país. E digamos que NÃO queremos, medidas dessas, COMUNIQUEMOS-LHES (já que são duros de ouvido e de senso) que os governos devem ser para  servir Portugal e o seu povo não para  deles se servirem  e abusarem. Portugal não é deles, nem dos credores, Portugal é a " nação valente e imortal" que celebramos em Hino. (Um Hino nacional, "A Portuguesa". Já ouviram falar , senhores da troika e troikistas? )
Mostremos que queremos o nosso Futuro, a nossa Liberdade a nossa Vida. Incerta  e inquieta que possa ser  a Vida nestes momentos de coragem ,de mudança, de resistência ao mal que não queremos,  ela só pode continuar se de rosto levantado e sem medo, em cidadania participante e solidária.  E, tal como canta a "Inquietação"... "essa coisa é que é linda!".
Margarida Alegria (26-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

(pronto,  entusiasmei-me e fui por aqui fora, mas até mais haveria a dizer, como sabem. Dia 2 não há desculpa: há manifestações em quase todas as capitais  de distrito e noutras cidades: até em Madrid,em  Londres e em Boston! CONSULTAR AQUI os locais e as horas, para já em 35 cidades).
 Não nos devemos unir apenas para  o Futebol...DIA 2 de MARÇO, vamos mostrar que os CORAÇÕES dos portugueses batem em uníssono, pela HONRA  E FELICIDADE das nossas vidas e  pelo ORGULHO no noso  país !

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

BD/CARTOONS:Um Regresso aos Mercados?

(c) Margarida Alegria (Janeiro de 2013)

(para as votações no concurso de blogs, ver a ADENDA no final deste post, uns centímetros abaixo)
É verdade: os nossos desgovernantes fizeram saber que ontem, dia 23 de Janeiro do ano da (des)graça de 2013, Portugal ia fazer um primeiro regresso aos mercados. E que tal se verificara por estes, os famosos "mercados", já tinham mais confiança em Portugal e na sua Economia, blá blá. E que o défice está controlado, dentro dos 5% delimitado pela Troika. Seria um primeiro "Teste" aos mercados.
Aqui está a notícia do Público de ontem:
Não explicitaram tão bem (pelo menos nas TVs) que esse regresso era um tanto artificial, ou seja, num certo circuito-fechado, feito essencialmente com recurso à "prata da casa", isto é, à compra e venda de dívida pelos bancos caseiros, nessa ronda mercantil. Nomeadamente o Banif (recentemente resgatado  de forma célere da bancarrota pelo Estado português) ou o BES, com o seu líder Ricardo Salgado a embandeirar em arco que isto era uma vitória  fantástica contra as malvadas "agências de rating" (como se não andassem todos "feitos"...).
Também não explicitaram que assim a dívida aumenta em 2,5 mil milhões (com juros lmais altos dos que aqueles que se estão a pagar à troika) e que o prolongamento de prazos que se interliga com este dia nos mercados (o tal prolongamento que os desgovernantes juravam a pés juntos não ser necessária e que jamais iriam pedir) é apenas com uma parte da Troika , o BCE, e que implica mais um malabarismo de engenharia financeira, assim ao estilo de Donas Brancas, ou do que fez Oliveira e Costa com o seu BPN: uma compra e venda do tipo "pescadinha de rabo- na -boca" que bem melhor que eu Nuno Teles,no blog "Ladrões de Bicicletas" explica aqui: "O Estado Português regressa aos mercados. Bem-vindos aos segundo resgate da troika."
Sugiro também a leitura do que  João Rodrigues escreve hoje nesse mesmo blog, neste post.
Nem explicam ao povo que este regresso nos amarra a mais uns tantos compromissos com o BCE (pelo menos), quem sabe se a tal moeda de troca de despedir mais pessoas(não os boys, claro, mas os funcionários públicos que entraram legalmente na Administração Pública por concursos e por mérito das habilitações), cortar em salários e pensões de forma definitiva, destruir os sistemas do Estado Social etc.
 Não sei porquê, todo este "teste de regresso aos mercados" faz lembrar aqueles teatrinhos que ensaiavamos entre irmãos em casa, tendo  depois como único público os nossos pais. Ou aquelas rifas  de associações e clubes infantis que, embora conseguindo vender umas rifas a alguns "estrangeiros" na rua, viam a mais larga fatia de "cravanço" económico (ou, em economês, "injecção de capital") na órbita familiar,com aquela avó ou tia simpáticas que acabavam por comprar o resto do livrinho de talões...
Em suma, as vantagens para os cidadãos portugueses são as do costume: nenhumas. Em nada abrandando a austeridade, o desemprego, as dificuldades para as famílias e empresas ( as que trabalham, não especulativas) portuguesas. Mas melhor que eu explica mais um post brilhante do Kaos.
Ou ainda este amargamente irónico post no  blog "Atenta Inquietude".
Mais uma mão cheia de areia lançada aos olhos dos cidadãos para abrandar as raivas latentes e o descontentamento crescente, uma manobra de malabarismo e propaganda para aliviar todas as constantes falhas de previsões , um golpe virtual  da finança especulativa (que é unicamente aquilo   de que Borgitos , Gasparitos e meia dúzia de moeditas  entendem um pouco) para iludir as consequências, no mundo da Economia REAL, das medidas erradas e até bárbaras que têm sido tomadas para nos empobrecer, paralisar  e tirar a soberania.
Daí de ter criado esta Banda Desenhada, pois sempre que anunciam o rutilante "regresso aos Mercados" é este tipo de Mercados que me vem à mente... sei que é humor muito negro, mas acho ridículo este tipo de politiquice de "amanhãs que cantam", cultivado por múltiplos quadrantes, quando a Economia deveria servir as pessoas (os cidadãos) e não o inverso: os cidadãos servirem até à miséria  e infelicidade uma "Economia" que se transformou num  perverso e suicida jogo financeiro de apostas de casino.
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Sei que prometera publicar uma BD sobre um motivo polémico e muito actual. Não era esta, que acabei por  Intercalar , pois a considerei mais urgente e "em cima da hora". O outro será postado amanhã, após a devida digestão deste. É um tema mais da área social e dos valores...
Margarida Alegria (24-1-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
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ADENDA- Concurso de blogs do Ano:
Continua a decorrer a Grande Final do Concurso "blogs do Ano 2012" Promovido pelo "Aventar". O nosso bloguito está para já em segundo lugar em Banda Desenhada, com cerca de centena e meia de votos. A votação é até sábado( inclusivé) e pode ser repetida cada 24 horas. Para votar:
Votem AQUI (clicar para aceder à página de votações) no "Alegrias e Alergias"  na Categoria de Banda Desenhada,cada um de seis dias, de 2ª, 21/1 a sábado, dia 26 de Janeiro,  cada 24 horas mais um minuto. Pontinho ao lado, clicar em "Vote!" em baixo e ver se aparece a frase em cima "Thanks for voting"; caso seja outra mensagem é porque  o voto não foi contabilizado pois não  passaram as 24 horas
 Os resultados serão divulgados dia 27.
Obrigada a quem  nos visita e a quem tem votado neste blog; mas ainda há "muito caminho" a amargar,por isso, peço mais um esforço de todos.
ATENÇÃO:A partir do fim do quarto dia (24-1-2013), as votações começaram a exigir, depois de se clicar no "Vote", a confirmação de que o votante não é uma máquina a votar, com o sistema de "verificação de palavras", isto é, cada votante terá de escrever/repetir os números e letras que lá pedem, numa "caixinha" , tal como se faz depois de se comentar em alguns blogues. Se o reconhecimento das palavras falhar (há algumas mais esquisitas) então o melhor a fazer é voltar atrás na janela, até aqui ao blogue , depois tornar a entrar e tentar de novo votar  com nova palavra-enigma... Peço paciência por mais esta maçada, coisas dos organizadores, para evitar certas fraudes e a votação ser mais justa, suponho, mas mantendo-se a possibilidade de votação diária para todos... Obrigada! Coragem, só faltam mais três dias...
NOVA ADENDA (25-1-2013): Amanhã, dia 26, mais uma manifestação de professores, com partida às 15h na P.ª Marquês de Pombal em Lisboa. Já custa ir insistindo para que mais gente se junte, não só professores mas todos os que defendem a Educação. Sobre isto já escrevi um post mais eloquente, para a de Julho passado, AQUI: http://margarida-alegria.blogspot.pt/2012/07/amanha-vez-dos-professores.html. Repito o apelo, pois a situação é cada vez mais grave...para toda a Educação Pública, para os professores, para as famílias portuguesas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Vigília frente a Belém: algumas reflexões enquanto decorre o Conselho de Estado


Já tinha bem adiantada uma outra reflexão que estava a redigir sobre a Educação e a Vigília (e outras iniciativas) por ela, mas hoje é uma espécie de dia D num salto em frente na nossa Democracia. Tem prioridade, pois, falar dos eventos deste dia e o texto sobre a Educação ficará bem para o fim-de-semana, junto a uma boa mão cheia de novos Cartoons ( desta vez é garantido, de tantos que já estavam rascunhados e outros mais recentes!) .
Decorre neste momento, há mais de duas horas (desde as 17h), no Palácio de Belém, uma reunião do  nosso Presidente com o seu Conselho de Estado, sobre a Crise dos últimos 15 dias.
À porta do palácio, nos jardins, à mesma hora, começou uma Vigília dos cidadãos, enquanto decorrer a reunião. Parece que começaram por entoar o "Acordai!", do maestro Lopes Graça, bem como os slogans principais da Manifestação nacional do passado dia 15. Deles se destacarão provavelmente o "Queremos a nossa vida de volta"....ou "gatunos!".
E o "Cavaco escuta, o Povo está em Luta!":
Por estar longe e impossibilitada de estar lá ou em outras vigílias ou acções um pouco por todo o país( Aliados no Porto, Évora, Faro, Aveiro..), optei por ACENDER UMA VELA, desde a hora do início da reunião e ouso a pequena sugestão  para que façam o mesmo em vossas casas. Podem não ser 21  como as pessoas que estão no Conselho de Estado (CE), mas uma ou duas, simbolicamente,para que haja bom senso respeito pelo povo  e amor ao país naquelas cabeças pensantes em Belém.
 O PR e outros políticos andaram toda esta semana a simular que a verdadeira razão do Conselho de Estado (CE) foi a "Crise política institucional" entre os dois partidos da Coligação PSD/ CDS-PP. Mas os portugueses espertos, a larga maioria , exceptuando o PM e alguns ministros, sabem perfeitamente que o que fez tremer os políticos foi a inequívoca recusa da continuação da Austeridade nestes moldes desvairados,  na Manifestação Nacional  do passado sábado, convocada pelo Facebook e sem manipulações partidárias,pelas ruas das principais cidades de Portugal. Cerca de UM MILHÃO de cidadãos de todas as condições sociais , idades e quadrantes políticos fez ouvir a sua voz.
Durante esta semana, políticos e alguns comentadores e cronistas andaram a disfarçar a coisa e a tentar desviar as atenções para as intrigas palacianas dos partidos e desgovernantes: que ministrosXPT e O concordavam ou não com as medidas anunciadas no dia 7 de Setembro por Passos Coelho, que pensava o PSD, que pensava Seguro e o PS, que pensava o parceiro de coligação, CDS-PP e, sobretudo, o seu líder,Paulo Portas, que ,no dia seguinte à manifestação, depois de um teatral "Tabu" sobre se alinhara ou não nas medidas, aproveitou para surfar na Onda da Manifestação. Tarde de mais já, a meu ver, pois saltou à vista o seu oportunismo "ao estilo de Maquiavel" e não o patriotismo que apregoava. Se não concordava, não deixaria que se fizesse tal anúncio. Se PPC fez o anúncio para dar o caso por consumado , à revelia de qualquer Concertação social e aconselhamento (o que me parece ter sido a razão da escolha estranha da data e hora, não tendo a Troika terminado a sua 5ª avaliação então!), então Portas deveria ter-se pronunciado logo e não esperar que a medida "colasse" e passasse despercebida aos cidadãos que eles julgavam anestesiados....
Já antes, A J Seguro, do PS, demorara séculos a reagir ao anúncio das (des)medidas.
Por seu lado, os ministros passavam culpas entre si, sacudindo responsabilidades na iniciativa, ficando Mota Soares, ministro da Solidariedade e  Segurança social mais entalado, mas outros andando nas bocas das notícias, em passa culpas igualmente entre os dosi partidos da coligação. Uma tristeza de se ver e que comprovou que a maior parte vive em tal redoma da politiquice partidária que não entendeu NADA do que o povo reclamara na Manifestação!
Paralelamente, PPC, Gaspar e até o pequeno Secretário de Estado, Moedas de sua graça, insitiam na "bondade" da sua nova receita para bem empobrecer o país, em entrevistas e colóquios vários: PPC dizia que  não vai alterar mas pode vir a "modelar" o aumento da TSU (Taxa social Única) para os trabalhadores, ficando de fora os mais pobrezinhos (até aos 700 euros de salário) e deixando o corte para os "ricaços" que ganham 700 Euros ou mais(classe média, como sempre, claro...)! Vítor Gaspar, que chamou à "modelação" outro "palavrão" que agora não  recordo..., na Alemanha, cinicamente ao seu estilo, gabou o civismo dos portugueses nas manifestações e teve a LATA de dizer que os cidadãos não pediram  o fim da intervenção da  Troika, mas o apressar das medidas de austeridade para depressa pagarem a dívida! (!!!!!!!!!!!!!!!). Deverá ganhar o prémio de tradutor do ano, o Gaspar! Por sua vez o Moedinhas,que rebaptizou a "Modelação" da TSU de "calibragem",  numa palestra aos empresários, passou um ralhete aos muitos empresários que haviam criticado a alteração da TSU! Alegou que esses eram as empresas pouco dinâmicas, que temiam que esta medida fosse colocar à sua frente os outros empresários mais arrojados, como o Governo gosta, que aproveitariam bem a medida! Foi de arregalar os olhos ver a reportagem e escutá-lo e ver as risotas disfarçadas dos presentes! :///
Ontem os partidos da coligação reuniram-se e resolveram... criar uma CCC, Comissão de Coordenação da Coligação, ou seja, um "grupo de trabalho" para se espiarem e controlarem uns aos outros. Lindo!
Entetanto, lá remendaram mais umas medidas, para taxar os bens de luxo. Corajosos, hen?: passaram a taxa de 25% para uns fortes e implacáveis... 26,5%!!! UAU!!!! Mas incluem nesses bens taxados... as Contas a Prazo! UAU... suponho que todas! Equidade! Equidade!
Portanto,  uma semana vergonhosa esta, para os governantes, a culminar esta manhã no Parlamento, onde PPC parecia o desaparecido José sócrates seu antecessor, mas em versão mais suave: o gabar-se da DETERMINAÇÃO, o culpar de tudo os seus antecessores (em parte verdade, mas algo que prometera não fazer), o autismo em relação às questões colocadas pelos deputados, a graxa desmedida e questões combinadas com os deputados da coligação... uma tristeza. Seguro esteve um bocado mais dinâmico que o habitual, mas não se consegue descolar da sua imagem de "abstenção violenta" com que foi deixando passar más leis  laborais e outras, nem o fantasma do desvairado Sócrates e de como nunca teve a coragem de o enfrentar a sério quando devia...
Espero que os Conselheiros de Estado tenham eles compreendido na totalidade o sentir do País, pelo menos pelos muitos mais anos de vida em média e bastantes mais anos de experiência política, muitos deles em tempos agitados. Que façam valer o que custam a Portugal , na reunião, que espero que seja longa, discutida e suada e não um cházinho de "tias" da nação.
No entanto não espero grande coisa deste CE. Daí acender a vela que mencionei. A ver vamos.
Que se lembrem que o que os portugueses, sob o pretexto de um PM e Governo obcecados em serem vistos como "bons alunos" da Troika "lá fora", não admitem continuar a ser usados como COBAIAS, ratinhos de laboratório para experiências de macroeconomia nunca testadas, nem em pequena escala, muito menos num país inteiro!
Não tenho tenho grande esperança nestes conselheiros, onde grassam tantos que têm enriquecido e vivido às custas do Sistema da nossa democracia (vá lá, já não são Conselheiros Almeida Santos nem Dias Loureiro!).
Poucos são os mais impolutos, caso de um Ramalho Eanes, que recusou ascender a Marechal com as sua prebendas, ou talvez o Provedor de Justiça, ou o presidente do Tribunal de Justiça . Embora lento e dúbio em tantas decisões.
Até a sorridente e ainda jovem Presidente da Assembleia é uma das recordistas de políticos  Reformados no activo. E ainda outra senhora, ex-ministra da saúde que outrora se deveria ter demitido e julgada por cumplicidade no caso dos hemofílicos que morreram (vítimas dos lotes de sangue contaminado com VIH/SIDA, com conhecimento da senhora, lembram-se?). E há ainda os fanfarrões jardinescos,ou os comentadores encartados mas que fugiram de responsabilidades de  exercerem o poder,  ou todos os que já governaram nestes 38 anos e que foram iniciando  este processo de destruição de direitos... que tenham devoção pelo Pais agora e esqueçam os seus próprios interesses, ao menos pensando nos netos, não concordam?
E há os casos daqueles mais oportunistas embora com algumas qualidades noutros domínios, caso de LF Menezes que de certeza vai dar ainda mais graxa a PPC, para que este o continue aapoiar para concorrer a Presidente da Câmara do Porto...
Os pesos na balança da Sabedoria  no CE não caem muito a favor da Soberania do Povo...
Fala-se em remodelação do Governo... Que adiantaria?!
Usar o Gaspar como bode expiatório e remodelá-lo
 ?! Areia para os olhos! (alguns jornais já lhe estão a "fazer a folha", os mesmos que antes o achavam o máximo e um Guru. Não simpatizo com o senhor, não o acho "kiduxo" na lentidão, mas sempre o achei cínico e  li a sua  "lentidão" como mera sobranceria pelos deputados e pelo povo, do alto da sua famosa folha Excel (hoje parece que levou toda a parafrenália para explicar as suas ideias e números, em Power points e plasmas), no entanto, penso que ali o mais fanático é PASSOS COELHO, pois Gaspar é apenas um frio técnico que experimenta em modelos. Fanático , ignorante e deslumbrado com Merkel e estes gurus da Escola Godman-Sachs, repito, é Coelho! Escrevam!
Também não alinho com a tal calibragem da TSU. O truque do costume: anúncio alarmista... "calibragem" nuns detalhes para manter a Canga sobre o Zé-povo e classe Média...Comparem quem mais paga TSU entre os trabalhadores europeus. Só a Alemanha e a Áustria, mas com outras compensações e regalias!
ALGUMAS IDEIAS:
Cortem nas mordomias do estado, "desblindem" os contratos perdulários das PPPs, deixem de pagar às fundações particulares e cobrem alguns impostos a parte delas. Especialmente as fictícias para fugir aos impostos(a cada 12 dias nasce uma nova fundação, e, Portugal e não costumam ser fiscalizadas, uma festa!). Acabem com as que não têm mecenas ou verbas próprias!
Não permitam que as empresas coloquem a sede em países estrangeiros e taxem o dinheiro que "voa" para off-shores, incentivando quem deposita cá.
 Passem a ir de transportes públicos para os ministérios. Deixem de contratar consultores de luxo externos e aproveitem a muita qualidade de tantos funcionários que estão já a Administração Pública e que são exemplo de dedicação generosa e honesta à causa pública. Diminuam os salários e ajudas de Custo aos assessores e gestores públicos. Deixem de pagar o buraco do BPN e do BPP... Renegoceiem os prazos e juros da dívida e separem o que é mesmo dívida Pública do que é dívida privada emcapotada, fazendo-a pagar por quem a criou. E prendam os políticos e gestores mais criminosos nos buracos criados, confisquem-lhes os bens, em vez de continuarem a mentir  e acusar os cidadãos honestos de terem vivido Acima das suas possibilidades! Os desgovernantes é que têm andado a viver à custa do Estado e  a gozar connosco ACIMA das NOSSAS possibilidades!E dizem que não damos alternativas? Eis aqui algumas!
Em suma, senhores conselheiros,
não se deixem levar nas conversas dos mesmos de sempre e pensem que se aprovarem disparates, o povo vai voltar a dizer ainda com mais força:
(e sugiro aos portugueses que, caso a pantominice continuar,que coloquem um pano negro ou branco com a palavra "basta" às varandas, como quando se colocou a bandeira portuguesa nos futebóis. E até um acrescento, parafraseando o célebre "qual das palavras "Não Há dinheiro" não entendeu?".... de V. Gaspar: "Qual das letras da palavra "BASTA" é que não entenderam?"
Por agora, como milhões de portugueses, cá fico à espera, com as minhas velitas acesas de alguma esperança, na minha vigília.....
Margarida Alegria (21-9-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 23 de junho de 2012

Feliz S. João! :)

(c) Francisco Goulão

O querido amigo Francisco G. que me perdoe, mas não resisti a "roubar" a sua (mais uma!) magnífica ilustração visual/Gestual para primeiro post do dia! Aqui está, com os devidos créditos.
Para ele e para os meus visitantes, votos de Bom S. João, pois logo é a sua noite!
E aos portuenses que virem o Cavaco e o Rio lá pela baixa: dêm-lhes umas boas marteladas por mim e por muita gente, sem cerimónias! Assim: "Troika, troika!" .Rui  Rio já estará habituado, mas o PR pode vir assim a ter uns galos que o despertem e lhe façam lembrar que é presidente de TODOS os portugueses e não só dos que estão no poder e dos instalados, pelo que deveria zelar A SÉRIO pelo cumprimento da Constituição da República!
(e pronto, já aqui está um post com todas as cores dos manjericos!)
Faltam os versos:
Ó meu rico S. João
ó meu santo galhofeiro
exige ao lento Gaspar
Que devolva o meu dinheiro!

S.João estava no Porto
Encontrou o Presidente
Deu-lhe com um alho porro
disse-lhe p'ra ser decente:

"-Já que tanto se peocupa
Com dos Açores o estatuto,
por que é que o resto assina,
sem do povo querer saber "puto"?

Assina tudo de cruz
Tem uns amigos que eu  cá sei!
Mas parece só ter  dentes
p'a sorrir e p'ra bolo -rei!

Diz que tem pena dos jovens,
Dos pobres e indigentes.
Porém só quer contemplar
as vaquinhas sorridentes.

Por apenas mostrar cuidar
da "gentinha" já instalada,
Respeite a Constituição,
ou leva uma martelada!"

 Vendo isto, o doutor Rio,
tratou de se pôr a andar,
pois ,com estas ganas, o Santo
ainda acaba por o  "entaipar"!

Ó meu rico S. João
protector dos espoliados
Faz voar este balão
leva com ele os "Mercados"!
..........................##.......................

BOM S. JOÃO! :))
Margarida Alegria ( 23-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

E agora, Grécia, mãe da Democracia?


(Cena final do filme "Zorba,  o Grego"de 1964)
E Agora, Grécia?  Diferença de uns 2%  entre o "Nova  Democracia" vencedor  e o "Syriza", mas equivalentes a mais uns 50 deputados, aproximadamente. Não entendo estas contas....
Agora vão ter entendimento forçado? vão sair do Euro? E se sairem...  o   Euro colapsa? E nós, pouco solidários povos dos PIIGS  do Sul, achamos que nada disto é connosco?
Talvez termine tudo como este  filme, final mais   simbólico do que  seria de imaginar na altura: tal como estas personagens, os gregos, com a austeridade estúpida  e avassaladora, podem ter perdido tudo, mas sobra ainda o ritmo para dançar !
E esta dança não parece ter chegado ao fim.

terça-feira, 15 de maio de 2012

DOIS CARTOONS-FERIADOS (2º e 3º de 4)-Pu Ké ke u Varito num gozta de Feriaduz (Jejé e Companhia)

(C) Margarida Alegria (blog "Alegrias e Alergias", 11a 15 de Maio 2012)

(C) Margarida Alegria (blog "Alegrias e Alergias", 11 a 15 de Maio de 2012)
Depois de uns dias com problemas "tecnológicos" (sem Net, o que me boicotou o planeado), eis aqui finalmente mais uns cartoons da Série sobre a abolição dos feriados.
Neste caso mas dois com o pequeno herói Varito. NO anterior, vimos qual era o sonho de reinar do pequeno. Aqui especulo um pouco sobre as razões prováveis  (AS VERDADEIRAS, não alegadas!) para tanta sanha contra os Feriados, sejam eles nacionais ou religiosos.
Senão vejamos, como disse em comentário no post anterior (VER AQUI O POST com o CARTOON 1): alguém acredita verdadeiramente que mais uns quatro dias de trabalho, para além de desvalorizar os salários, vão aumentar a produção nacional, a produtividade do País e dos trabalhadores? E isto quando em todo o mundo se vem provando que mais vale uma hora de trabalho bem aproveitada do que quatro pouco rentáveis, sem tecnologia ou motivação?
NÃO! Só pode haver outros motivos menos patrióticos e explicáveis pela psiqué, o ID mais profundo e todos aqueles termos  estranhos dos psicólogos e psicanalistas que justifiquem este ódio aos feriados.
TODAS as nações têm feriados(e muitas bem mais que nós!): os ligados à sua religião e à sua independência e outros marcos nacionais são fundamentais. Podem dizer que ninguém os celebra. Pois ora bem! E não há tanta gente que nem o seu aniversário celebra? Para quê ir por aí? Vamos deixar  cair a data colectiva só porque os citadinos não comemoram certos feriados religiosos, ou porque pessoas desligadas do sentido do país nem sabem o que se comemora num feriado nacional? Mas pelo menos ajuda a lembrar. E quem quiser comemora.Os outros descansam, passeiam, põem limpezas em dia.. Não pode haver feriados mais na moda e outros menos na moda, pois nesse caso celebrávamos os de marcos mais recentes e abandonávamos os mais "antigos" ... assim como uma cobra gigante que muda a pele e a larga por aí. Não: há que manter a nossa identidade nacional, ao menos para que saibamos responder à criancinha quando pergunta: "Hoje é feriado de quê?". E é ou não divertido vermos que há umas série de Nossas senhoras quase "rivais" entre si, sendo tudo a mesma: comemora-se o bebé que nasce, mas também a da Conceição e a da Assunção, que é diferente da ascenção (Jesus com "motor" próprio!), ...
E dos Nacionais, como são importantes as datas dos  feriados que estes "complexados" aboliram! Portugal não nasceu com o 25 de Abril, por mais impostante que tenha sido!
E qual é essa de que somos um país laico e não sei quê... então os senhores dos mercados e uns quantos "palonços" autênticos, que só pensam no olear das suas fábricas, agora põem uns contra os outros pelo país a discutir se os feriados nacionais valem mais que os religiosos, ou maçons contra monárquicos por causa deste ou daquele feriado, quando o que interessa é que são feriados bem antigos e marcantes e que todos deveriam ser respeitados pelos empresários que podem muito bem aproveitar as centenas restantes de dias para o progresso do país... Que se deixem de desculpas esfarrapadas! Qualquer dia reclamarão pelo fim da semana inglesa e pelo trabalho a todos os dias da semana  e por 24 horas de trabalho e pelos trabalhadores a dormir num beliche dentro da fábrica, como milhões de chineses,  pois nunca chegará nunca parece chegar para a sua ganância, por mais máquinas que sejam inventadas para aliviar o trabalho do Homem, máquinas que deveriam ser para nos tornarmos mais donos do nosso Tempo e não o contrário, escravizados ao valor absoluto do dinheiro disfarçado de Valor trabalho!
Já falei aqui da importância do descanso de quem trabalha, mas há que salientar outro aspecto: um país não vive só de Economia e Finanças, pos mais  (e demasiado ) importantes que se tenham tornado ao longo dos séculos. Um país tem de ter tradições, momentos de encontro, momentos de memória colectiva, nacional ou Universal, e não viver apenas para o círculo familiar, a cirandar entre o calor do lar e o jugo do trabalho. Estou à vontade para falar. Mesmo quando não estou a trabalhar, gosto de me ocupar. Não imagino a minha vida sem produzir algumas coisas, sem estar com certa actividade. Mas isso deve ser apenas UMA parte da nossa vida.
Por isso, e retomando o início com referência aos cartoons, creio que os que conspiraram contra os feriados já tinham algum trauma de longa data contra eles! Alguns patrões sonham com  a abolição dos feriados há "séculos" e disso falarei mais tarde, como verão. Não devem suportar estar em casa com os seus e depois.... Já o nosso ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, mais conhecido por O Álvaro, deve ter um dos dos traumas (ou ambos) dos acima apontados: ou bem que na escola vivia o drama de confundir as datas todas e assim sonhar aboli-las, ou bem que, ao contrário do que apregoa (que é para PRODUZIR MAIS), sofria com tanto que havia para fazer  nos feriados! Não concordam?
Mas lá está, os feriados servem para fugir das rotinas, até das dos fins de semana...e as Tias-avós Aldegundes e Álvara também merecem uma ocasional visita!
(Falta portanto o 4.º e último Cartoon sobre os Feriados, assim a Net e a tecnologia me ajudem...)
Margarida Alegria (15-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 10 de maio de 2012

CARTOON-Feriados (1 de 4): U Varito Ké Xer miniztro Kando fôr G'ande!(Jejé e Companhia...)

(c) Margarida Alegria (in blog "Alegrias e Alergias", 10-5-2012)
POIS É! Como sabem, ontem o super-Ministro Álvaro, da des-Economia e Outros estragos, decretou que sempre seriam abolidos os  tais quatro feriados: dois civis, 5 de Outubro da Implantação da República e 1 de Dezembro,  da Restauração da Independência Portuguesa; e ainda dois religiosos, mas estes apenas por um período de cinco anos, por acordo com a Santa Sé-- o Dia do Corpo de Deus e, pasme-se!, o dia de Todos os Santos (a 1 de Novembro e que, por colado ao dia dos Fiéis Defuntos é usado para a visita aos cemitérios e consequente visita à terra natal). E os portugueses mais uma vez a encolher os ombros perante toda esta estupidez!
Pois não é mais que uma estupidez, digo-o com todas as letras, uma perfeita INFANTILIDADE, como se, num país onde os trabalhadores têm mais horas de trabalho do que na puritana Alemanha e outros países (está nos números da OCDE e da OIT, senhores!), esses mesmos  que nos chamam de preguiçosos, o obrigar a ter ainda mais horas de trabalho anual fosse substituir o trabalho mais eficiente e a tacanhez e ganância empresarial de tantos ditos gestores tão incultos.
E o argumento de que aumentará o... EMPREGO, ainda é mais disparatado, pois já todos vêem que será ao contrário, exigindo cada vez mais horas e suor aos mesmos, enquanto tantos gostariam de ter nem que fosse um part-time.
Mas o objectivo que interessa é, todos sabemos, desvalorizar o preço do trabalho, embaratecer mão-de- obra por portas travessas, baixar salários de forma encapotada, como se ao nos fazerem formigas chinesas alguma vez pudessemos competir com os chineses em particular e asiáticos em geral por essa via, nós meros 10 milhões. Qual trabalho qualificado qual quê, qual aposta na originalidade e na "excelência", qual aumento de produtividade!
Só pode ser muita tacanhez e falta de visão de quem pouco sabe do trabalho por experiência própria, de quem sempre pôde trabalhar em horário livre em tachos "cunhados". Ou isso, ou o que ainda é pior, uma total vontade de agradar a especuladores bolsistas que nos sugam e a patrões pouco honestos e oportunistas que aproveitam a crise para choramingar esses feriados como empecilho à produtividade! Antes colavam-se a pedir contratos e subsídios, hoje, com as " vacas magras", "colam-se" a pedir alterações laborais.
Foi o que o Ministro Álvaro papagueou há uns tempos: que a menor produtividade era culpa das leis laborais!!!(Santo Descaramento!). também o ministro das Finanças veio  há escassos dias alegar que afinal o desemprego ia aumentar ainda muito mais, o que era prova da... RIGIDEZ Laboral! Hum... como disse? Há mais desemprego, PORQUE as rígidas leis laborais não permitem muito os despedimentos?! Será? Ou será que as leis proibem por acaso a contratação de pessoas? Muito me espanta esta nova Crença económica, que é tão ceguinha como a dos crédulos seguidores da defunta "Santa da ladeira"!
Já se falou aqui no blogue longamente sobre o disparate da abolição dos feriados tão marcantes como o 1º de Dezembro (VER ESTE POST AQUI_ "As últimas horas do feriado condenado oficialmente) e por agora não tenho muito tempo para acrescentar mais nada, que a noite já vai alta.
O cartoon já diz muito: que temos desgovernantes infantis, com menos criatividade e soluções para o país que um vulgar grupo de crianças nas suas brincadeiras.
Assim como há uns anos se dizia que parecia que a Manuela Ferreira Leite ou a Mª de Lurdes Rodrigues guiavam parte da sua governação como ministras da Educação, a partir das "bocas" de mamãs! que escutariam no cabeleireiro, começo a achar que agora estes "Young Turks", estes "garotos", como hoje lhes ouvi chamar  um  angustiado homem do povo, se guiam por palpites não só da Troika ou da Merkel, o que já seria péssimo, mas pelos compinchas da mesa de bridge, ou do campo de golfe...
Quem trabalha merece as suas pausas, algumas até fora das rotinas dos fins-de semana, para celebrar as memórias colectivas, para reencontrar  ritos, pessoas e lugares para além dos lugares, das pessoas e dos "ritos" do seu ambiente de trabalho!
Este CARTOON, como podem ver, é mais um da série "Jejé e Companhia", na sua extensão actual do "Clube do Pepê".
Quem não conhecer a série tem duas formas de se actualizar:
1- na barra superior do blog, a seguir à foto/cabeçalho, tem os separadores de páginas independentes: clique na que diz "Jejé e companhia"; aí verá os primeiros episódios/cartoons da série, publicados anteriormente no  meu Facebook e em outro blogue. A página ainda está em construção, faltando alguns cartoons da última fase do reino de Jejé, nunca publicados, bem como anotações, legendas, links...
2- Para ver os cartoons já publicados NESTE Blog, clique na etiqueta Cartoons de um dos Menús da barra mais à direita do blog e verá todos os cartoons aqui publicados, entre os quais os da série.Ou então clique directamente na etiqueta "Jejé e Companhia".
NOTA: mais uma vez lembro e peço; se quiserem partilhar o post e/ou o cartoon, podem fazê-lo à vontade, exceptuando se for para uso contra os meus princípios e contra os Direitos Humanos. ;as peço que tenham a GENTILEZA de avisarem aqui que o vão fazer e para onde o levam e também de mencionarem a autoria e o blogue do Cartoon (estes aqui, vossos humildes fornecedores...) :)
Como também podem ver no título, este é o nº 1 de uma série de 4 sobre a "medida" dos feriados. Amanhã  e no Domingo saem os restantes três que vos garanto são MELHORES que este! Este é uma... introdução, digamos assim.
Amanhã então direi mais algumas palavras, com os Cartoons 2, 3 e 4!
Boa noite!
Margarida Alegria (10-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

terça-feira, 10 de abril de 2012

Amêndoas amargas de Páscoa 1 : Lapso... disse ele!




(Vítor Gaspar em 17 de Outubro de 2011- lapso+lapso+lapso)


Das piores partidas desta Páscoa, como se fosse de novo Carnaval: Passos Coelho deu uma entrevista à Radio Renascença a explicar que afinal os Subsídios de Férias e Natal roubados durante a vigência do "programa" da Troika seriam repostos não em 2013 ou 2014 (então não poderiam dar o subsídio de Natal de 2014?!) mas... em 2015 (ano de eleições, ah pois é...cof cof), talvez... e aos pouquitos...

Depois ,no Parlamento, perante a ira cerrada da Oposição, o ministro das Finanças tentou desviar-se da questão, com algumas das tiradas mais arrogantes que se viram na AR, mais uma vez (tal como fazia Sócrates) tentando desdenhar da insistência da deputada dos Verdes , Heloísa Apolónia(que pode ser irritante no estilo mas ainda é das deputadas/os que trabalha naquela Assembleia).

Porém ,confrontado com depoimentos do passado --como este que aqui publico em video, onde afirmou, no ano passado(há meia dúzia de meses)--, que por lei o confiscar de subsídios só poderia ser por dois anos,portanto 2012 e 2013, acabou por ter de classificar essas afirmações do passado como "um lapso".

Aqui, como se vê o "lapso" é mais que um e dito também "VA-GA-RO-SA-MEN-TE" , como gosta de fazer, tomando os portugueses por anormais e/ou fazendo-se passar por ainda mais estrangeirado que é...

Ou seja, pelos vistos, V. Gaspar é alguém que também Vagarosa... MENTE". Como o seu líder. OU SEJA, estamos mesmo entregue a gente sinistra e descarada,com tendência para crescimento nasal em ritmo acelerado. Mais uma vez!

Estou em crer que então, em Outubro passado, Gaspar dizia a verdade, mas a mesma "verdade" teve de ser rapidamente reajustada aos lapsos de Coelho e à "realidade",seja qual for que eles pensem que é, na estratosfera teórica onde vivem. Mas realidade que para o português pagante é cada vez mais o apertar de cinto e o caminhar para a pobreza.

Portanto, senhores, SHAME ON YOU!

Ah...mais de-va-gar : S-H-A-M-E... ON ...Y-O-U!!!

Ou, em Português mais vernáculo e apressado(desculpem-me os leitores mais sensíveis, tapem os ouvidos): senhores desgovernantes, VÃO-SE CATAR, está bem?!

(A seguir, excertos da tal entrevista de PPCoelho, em outro post).

"Alergia" (10-4-2012. in blog "Alegrias e Alergias")

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ainda o "cochicho": segredinhos pela UE...


Muito se comentou, País fora, a conversa dos dois ministros das Finanças, de Portugal e da Alemanha, há uns dias, lá pela sede da UE. Se bem se lembram, foi um diálogo, ou antes, um monólogo do alemão com uns "sim senhor" de abanar de cabeça do nosso Vítor Gaspar, captado por um microfone direccional e indiscreto da TVI.

Uma conversa de cerca de dois minutos, que na essência se resume assim: o decano Wolfgang Schaubble explicava em tom paternal ao nosso jovem ministro que Portugal poderia manter algumas esperanças de renegociação da dívida. Para já, era esperar. Para já havia aquele problema da marota Grécia e havia que agradar à opinião pública alemã, mas mais para diante, quem sabe!, depois de a poeira assentar um pouco, Portugal , que se estava a "portar bem" e a cumprir direitinho as directivas da Troika, poderia vir a ver alguma condescendência para o seu caso. Não já, mas lá se acabaria por ver "em que paravam as modas". (as aspas e o tom irónico são meus, mas as ideias foram estas).

As reacções públicas à conversa foram essencialmente duas:

--uns acharam humilhante a atitude e pose subserviente de V. Gaspar, todo dobrado a escutar o segredinho e a dizer, grato, "sim, sim..." e que tal mostrava mais uma vez que a Alemanha é que tem decidido tudo na UE e que afinal o governo cá arma-se em forte e durão e diz que não pede renegociação da dívida, quando depois anda no exterior a pedir aos senhores UE que considerem uma renegociaçãozita;

-- A segunda reacção foi de indignação em sentido diverso: era inadmissível que os OCSocial usassem aqueles truques para captar conversas "particulares" e o que parecia atitude subserviente de Gaspar apenas se devia à ciscunstância concreta de o seu homólogo alemão viver preso a uma cadeira de rodas. Que Gaspar se limitara a ser bem educado e que, já que o outro queria ser simpático e dizer-lhe aquela sua mera opinião, o português mais não podia fazer do que concordar polidamente e escutar caladinho. Que era normal tais conversas privadas existirem nos corredores do poder e que mais não eram do que hipóteses privadas e não vinculativas.

Pois bem, julgo que há um pouco de verdade complementar em ambas as teorias(embora Gaspar , habitualmente tão compostinho, se pudesse ter sentado ao lado de Shaubble, em vez de se dobrar daquela maneira e gerar ambiguidade, ainda por cima porque obrigava também o frágil ancião a esticar mais o pescoço do que se estivesse sentado ao seu nível!): a subserviência dos governantes portugueses face à troika, à UE e à Alemanha merkeliana em particular, é tão evidente que salta à vista de qualquer português ou europeu mais distraído; por outro ,já se sabe que uma conversa privada não é um decreto. Porém, a política ridícula que hoje se pratica cada vez mais é feita nesses corredores e menos nos lugares próprios (ex. parlamentos). Sabemos que pesam mais os lobbies de negócios do que os pobres votantes e que cada vez mais a Economia,corrijo, A FINANÇA pura e dura pesa mais do que o bem estar, a democracia e a economia real dos povos. Cada vez mais o poder está nas mãos daqueles que não foram eleitos e cada vez menos nas daqueles que foram eleitos.

Mas atrevo-me uma vez mais a juntar uma terceira teoria, mais uma daquelas minhas teorias amalucadas e para isso peço o favor de olharem uma vez mais para a foto que ilustra este post. Duas meninas aos segredinhos, no que chamamos um belo cochicho, aqui não captado por microfones ... pois o blogue não tem som, ah ah... :)

As meninas leitoras, especialmente, irão compreender a minha "teoria". Quem já passou pelas fases ditas estúpidas da pré-adolescência deve lembrar-se bem. Lá para o fim do ensino primário, por aqueles 9 ou 10 anos de idade das meninas, quer de colégios quer do ensino público, há sempre a chamada fase dos "clubes", "dos segredinhos" ou "de fazer caixinha". Explicando aos mais desprendidos rapazes: dentro do grupo grande de raparigas, numa turma da escola, por exemplo, duas ou três mini-líderes normalmente as tidas como mázinhas, mas não só, muitas vezes entre as simpáticas também, formam um sub-grupo de "cochicheiras". Por exemplo,se o gupo todo está a fazer uma roda ou a brincar às caçadinhas, o grupinho "da caixinha" retira-se para um canto para segredar umas coisas, como num elevar-se acima do resto das comuns mortais. Normalmente é para criticar as/os outros, para marcar a exclusividade em certos conhecimentos sociais. Outras vezes o asssunto é desconhecido e por vezes nem existe, limitando-se a demarcar uma atitude que proclama ao mundo "nós estamos numa outra camada e só eleitas partilham as nossas opiniões e segredos".

Outro exemplo: numa festa de aniversário, as "cochicheiras" fecham-se num dos quartos, estragando por completo o ritmo de brincadeira da festa e só reaparecendo para o apagar das velas do bolo. Na escola também são as eternas desmancha prazeres: no melhor de uma brincadeira colectiva, desistem, proclamam que não lhes apetece brincar mais e lá vão para o canto segredar.

[Por mim, já fiz esporadicamente parte de um sub-grupo de cochicho, confesso, embora quase sempre tal me incomodasse, pois sempre fui adepta de conversas abertas , que não excluíssem ninguém. Embora reservada, eu era sociável, e ficava revoltada com quem fazia troça dos mais fracos, daquele colega que gaguejava, da outra que tinha epilepsia e era disléxica e desatava a chorar nos testes. E sempre que podia, o que por vezes era difícil ( e não agi como devia), ganhava coragem e lá tentava limpar as arestas e fazer o possível para que todos pudessem entrar nas brincadeiras e conversas. Não havia maneira de entender essas atitudes arrogantes, talvez por ter muitos irmãos e primos e uma família onde a conversar é que se procurava o entendimento. Os meus pais sempre nos incutiam a escutar e tratar os outros bem sem olhar a aspecto e condição e uma infância com muitas mudanças sempre nos havia obrigado à adaptação às diferenças. O preço a pagar era termos alguns dos mais tristonhos a seguir-nos, mas não nos arrependiamos e a nossa casa, em horas longas das tardes sem escola, conseguia ser um mundo de convívio eclético, imaginação e e brincadeira que acolhia muitos amigos de estilo diferente, desde as amigas vizinhas mais alegres e sociáveis, aos/às colegas com dificuldade em fazer amigos.]

O meu ponto é: nesse mundo de caixinha das meninas dos segredinhos, um facto destacava-se sempre(e vejam a foto): quem sussurrava olhava ostensivamente em redor para confirmar que a viam a segredar. Era a expressão de "Olhem! Eu tenho esta amiga exclusiva e vou-lhe contar uma coisa que não quero contar-vos a vocês!Nhanhanhãããã!". As outras (como na foto) arregalavam os olhos também teatralmente, como se fosse o segredo mais fabuloso do Universo e arredores! Outras vezes havia o requinte de semi-segredo, deixando audíveis algumas palavras, para incutir a inveja e curiosidade. Algumas infelizes caíam na armadilha e perguntavam: "Hen? Que estão vocês a dizer aí?" Ao que respondiam, depois de ostensivo deitar a língua de fora (outro gesto que nunca entendi bem... o meu pai proibia terminantemente vêr-nos em tal careta!): "Não é nada contigo! É só cá entre nós!" E todo o sub-grupinho repetia a língua de fora. (uma vez uma amiga replicou, descontraída, a uma dessas empertigadas. "Xi! Tens a língua suja!" Nunca mais a dita deitou a língua de fora!)

Enfim, coisa de meninas, como disse, na pré-puberdade, fase felizmente curta, para ser seguida de outras ... tanto ou mais parvas... mas que parece NADA correlacionada com o s nossos esforçados ministros-troikas. Pois enganam-se! A minha teoria é que, tal como as meninas do cochicho, muitas destas conversas são ostensivas para que os OCS as captem e sejam eventualmente escutadas e divulgadas!

Senão, observem mais um pouco: esses microfones direccionais são sobejamente conhecidos pelos políticos, que quando querem bem os evitam. Basta reparar naqueles deputados no Parlamento a fazer telefonemas: encobrem todos o bocal e também a BOCA, com a outra mão, para evitarem o "read my lips" dos jornalistas e também as captações marotas das novas tecnologias!

Quando querem, os políticos evitam serem escutados! Julgam que o "Porreiro, pá!" de Sócrates a Durão Barroso, após a assinatura suicida do Tratado de Lisboa, foi totalmente espontâneo e inocente? Olha com quem! Com senhor do teleponto e do "Luís, como é que eu fico melhor?", com o líder que proibia fotógrafos que não os seus próprios junto aos palcos nos congressos? Aquele homem era o que menos espontâneo e mais teatral jamais tivemos a dirigir o país!

Talvez a conversa dos dois ministros das Finanças tenha sido mais inadevertida,mas de qualquer forma foi um favor que o alemão fez ao nosso gaspartroika, ou não foi? Reparem nas reacções! Quem queria renegociação da dívida clamou: "Eu bem dizia que era possível!"; por outro lado, quem alinhava totalmente com o governo mas estava a ficar apreensivo acabou a suspirar um pouco, mais aliviado ("ah, afinal os nossos ministros não estão a ser assim tão casmurros e até procuram outras soluções, nos bastidores! E vejam como o alemão revelou simpatia! ah! nós não somos gregos!").

Mesmo que tenha causado algum embaraço e sururu e até se tenha pedido de forma ridícula o castigo do jornalista da TVI (para disfarçar e fingir indignação, ao que me parece), a divulgação da conversa "privada" acabou por dar muito jeito e dar mais um fôlego aos eurocratas, em mais uma estratégia para conseguir aquilo que tem sido sua maior preocupação:protelar, protelar e protelar os problemas graves que estão a afundar a União (?!) Europeia em particular e o sistema democrático em geral.

Foi apenas mais uma cena no teatro constante em que nos têm vindo a entreter, alegre e criminosamente, de forma atabalhoada e irresponsável. Tanto os mais poderosos, como os nossos "líderes" de trazer por casa. Mas foi o tipo de política que aprenderam a fazer nas incubadoras dos seus partidos, num mundo onde cada vez são mais irrelevantes como poder efectivo. Um mundo de aparências, de teatro de fantoches que protagonizam. Um mundo onde se decide ou FINGE decidir coisas importantes, com a displicência escandalosa de quem faz uma reunião de rotina de aprovação de estatutos duma associação recreativa de matraquilhos, de quem reúne a assembleia para aprovação do orçamento e contas de Condóminos,ou até de quem dirige uma reunião de apresentação da nova colecção de Tupperware. Porém em todas a mesma atitude de quem esquece que está a lidar com o sério destino de povos inteiros, mas empurrando os europeus para a bancarrota ,com mais umas austeridades e declarações ocas, por entre o trincar de mais um rissolzinho e o estrear de nova gravata de seda cor-de-esperança.

Deixando "escapar" para os jornalistas sedentos uma ou outra frase bombástica, sussurrada ou não, para entreter as massas, enquanto deixam fugir as outras "massas" para o buraco especulativo... sempre e sempre num teatro gigante!

Basta ver, por cá , as eternas Conferências de imprensa a anunciar mais uma "tranche" de pescada dos mares da Troika, que veio cá gabar-nos a sorte com o nosso sol e,medir se estavamos a ser bons alunos suicidas e afagar o ego dergovernativo dos nossos "Young Turks".Basta ver, por "lá", as patéticas cimeiras semanais ou domingueiras, sempre inconclusivas mas bem jantadas. Basta ver o marcar de presença (picar do ponto!)em Bruxelas ou em Berlim, nos parlamentos ou em tête-à-tête merkozianos,com a "Anguelita" a competir com a rainha de Inglaterra em beija-mão e a receber mais abraços e beijocas de moçoilos jeitosos do que terá tido em toda a sua anterior vida, basta ver toda esses "poderosos" a fingir, sempre a fingir que decidem alguma coisa, mas sempre a adiar o desfecho.

Um desfecho que insistem em simular ser alegre e de farsa, de comédia com ou sem bolas de cristal, mas que todo o público já percebeu que será de tragédia grega,mas sem direito à justa catarse --ou então com uma catarse que poderá ser parecida com a de duas grandes tragédias Mundiais a que a Europa já assistiu! Agora sentimos que é "reprise"!-- caso o público não patear e não obrigar os pindéricos dramaturgos a alterarem o texto...

E por mais que estes "clubes do Bolinha" e da "Anguelita" finjam segredinhos e nos vão deitando a língua de fora, o povo sem voz sabe por demais que os segredos são de "cacaracá" e apenas revelam parvoíce imatura e já vamos respondendo, sem qualquer respeito "Xii! Vocês, «líderes», têm a língua e a política sujas!"...

(talvez volte para analisar a curiosa teatrada das famosas cimeiras, num outro texto, que este já vai longo...)

"Alergia" (29-2-2012. im blog "Alegrias e Alergias")