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terça-feira, 5 de junho de 2012

Gírias ambíguas!

Quando se ensina os vários registos de uma Língua ( por exemplo, linguagem corrente, cuidada, popular...), muitas vezes, para exemplificar as várias gírias que podem existir, consoante uma profissão ou ocupação, leva-se os alunos a procurarem em seu redor exemplos do uso de gíria. Facilmente chegam a exemplos da gíria futebolística (esférico, penálti, cartão vermelho...) ou do toureio (lides, alternativa..) ou dos estudantes, dos pescadores, dos economistas...
Muitas vezes acabo , por tique profissional, a espreitar exemplos do jornal, como por exemplo a curiosa secção de bridge do "Público". É toda um outro idioma, para que não conhece o jogo, como eu. Não só as "vazas" e as "mãos", mas o "Este", "Oeste", o "morto" e uma coisa estranha chamada..."cheleme"(?!).
Pois bem, embora não com esse propósito, lá passava eu  os olhos pela dita secção, quando me deparei com algo que me preocupou... E que me levou a passar a ter mais cuidado quando levar excertos desses para os alunos pesquisarem palavras.
Eu explico melhor: é inevitável que na leitura de qualquer texto insuspeito os alunos, por questões de ambiguidade dos termos, desatarem a rir baixinho. E por vezes a situação adensa-se perante cada palavra nova, que pode ter uma nova acepção, no constante variar e enriquecer... do calão usado pelos jovens...Quase sempre novidade para os adultos menos insinuados por ambientes "marginais".
Vou dar uns exemplos inóquos que me sucederam. Numa certa zona do país, os alunos não podiam ler a referência a uma qualquer "casa amarela" ,que, Fumfumfum(risos), é  por ser o nome dado aí à casa "dos loucos/manicómio".Outros desatavam na gargalhada perante meras referências gastronómicas num qualquer  inocente texto que tivesse mais de  40 anos, mas cujos peixes e outras espécies zoológicas tinham adquirido, com o tempo, novos contornos, "sabores"  e conotações, enfim, uma nova "patine"...Fum fum Fum Fum fum fum...
Pois bem, vejam lá o texto do bridge de hoje, a explicar certas jogadas. Será só minha impressão,por excesso de "calo",  ou a leitura disto numa aula poderia dar para o torto?
Vejam um primeiro pedaço, por comparação, bastante normal e até com certa poesia e elevação:
-"Um belo naipe numa mão com 17 pontos de honra. Sendo demasiado forte para uma simples intervenção em 1 espada, este tipo de mãos tem  de começar por um  dobre de chamada."Tudo bem aqui, concordam? Incompreensível para leigos, mas ainda bem assim... pois já o outro excerto...bem.  Ora espreitem (nem coloco relevos nem cores para não influenciar):
-"Ás e Rei de paus para a balda de uma copa da nossa mão, pau cortado com Ás de trunfo! Espada para a Dama e um pau firme para a balda da última copa da nossa mão. A partir do momento em que a defesa corte um pau, não lhe restará mais do que um trunfo, e nós extrairemos esse trunfo assim que jogarmos um trunfo para o Rei do morto, que permitirá também o encaixe  dos restantes paus firmes para a balda dos ouros pendentes."
 ENTENDEM AGORA  a minha dúvida? Agora imaginem os alunos a lerem isto numa aula...É uma autêntica salada de duplos sentidos! Ou até já nem seja, segundo "modas novas"...
Já nem sei se a maroteira está nos que redigiram o texto, na forma estranha de alguma tradução, se está apenas em quem lê. Mas que nunca dera com uma passagem deste estilo... E aí confesso, de  ter já escutado tantos Funfunfuns perante textos o mais inocentes, já hesito perante um destes e nem sei se a malícia esteve só em mim, perdida a ingenuidade para tanto novo  e inesperado calão surgido ao longo dos anos!
Seja como for, por precaução, passarei a seleccionar com extremo cuidado até as passagens sobre um simples, mas pelos vistos animado(?)  jogo de bridge! É que até as exclamações do texto me soam suspeitas e ambíguas! E então a intensa frase final...
Concordam que pode ser um "drama"?
Ufff!
Margarida Alegria (5-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
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( NOTA:  Embora com a maior consideração por todos os meus leitores e/ou amigos, dedico este post à memória da minha amiga "Hurtiga", uma amiga à maneira e que sei que deliraria com este tipo de post, para mais sendo da sua área profissional. Pois os bons amigos, leais e justos, jamais se esquecem, se formos honestos connosco próprios.
A Hurtiga era uma pessoa sem desconfianças tontas, amiga do seu amigo, uma pessoa querida e dada aos outros,  de eleição. Não merecia  algumas "pauladas" que levou da vida....Só a vi profundamente magoada uma vez. Diferente de triste; ou de revoltada, pois isso vi outras vezes. Magoada. E com mágoa... revoltada. E como entendo isso! Ela não merecia e...de coisas minhas eu perdoo, mas em relação a ela não perdoo. Mas há quem faça dessas e depois ande por aí com toda a inconsciência, a fazer das suas uma e outra vez, sem pejo ou remorso... Será que só eu é que me preocupo com questões dessas? Já não existe palavra, empatia, remorsos, consciência? Bem ,adiante: este post é também para ti, querida Hurtiga! Espero que o saboreies onde estás! Felizmente bem longe  de onde virão a estar -- e de onde estão já...-- as pessoas malvadas e "Mega-egoístas" que têm uma estranhíssima ideia de "sobrevivência" e de solidariedade ou fraternidade!).