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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Excelência" do ensino Privado?!-A reportagem sensação do dia:Dinheiros públicos, vícios privados


(Dinheiros Públicos, vícios privados" , reportagem TVI de Ana Leal, 3-12-2012, via blogue "Aventar")
Foi a reportagem-choque  de hoje, no "Repórter TVI". Não a vi directamente, acabei de  visionar online e, mesmo já contando com algo de grave,  fiquei ainda assim estupefacta e revoltada. Apenas a "ponta do icebergue" da escandalosa promiscuidade entre políticos /ex-governantes e os lucros de grupos privados  obscuros, neste caso da área  da Educação (??). Parabéns à jornalista Ana Leal e aos corajosos professores e pais que deram a cara, para denunciar a pouca-vergonha.
É esta a propagandeada "excelência" e  boa gestão  das  escolas privadas  que os nossos desgovernantes querem promover, destruindo a Escola Pública? Quem entrega os filhos a dirigentes como os que aparecem na reportagem?  A quem não inspira confiança nem sequer para lhe comprarmos um rádio de pilhas?
E o Ministro ainda lhes deu MAIS dinheiro, mal chegou ao poder e contra o parecer da própria Troika (que nem sonharia com estes escândalos bem portuguesinhos)?
Falta de verbas para o essencial, para poder comprar carros de luxo e outras empresas, pressão para fabricar notas e manipular rankings, contratos ilegais, exploração laboral, ameaças... há de tudo um pouco, mas, como disse, muito mais podridão deve existir para além do que aqui se aflora.
A não perder e a divulgar, por todos que ainda andam ceguinhos  e confiantes na bondade e nas "privadas virtudes" da entrega de tudo o que é público a mãos " mais competentes" privadas! É o que se vê nesta reportagem, que mais uma vez nos dá vómitos de pertencermos ao mesmo país que certos senhores que dele se apoderaram sem pejo, para "se governarem". Passando por todos os quadrantes do centrão, que o bolo da Educação é mais um naco apetitoso para a vampirização de Portugal, tal como antes a Saúde e também o apoio a idosos, ou seja, os tais três pilares do Estado Social que uns fedelhos acenam querer Refundar/Afundar.
Pronto , fico por aqui. Vejam e divulguem o mais que possam...E que não caia no esquecimento.
Margarida Alegria (3-12-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Mais uma bela carta-crónica: "Merceeiros e bombistas" (sobre o rumo da Educação e a suposta falta de crianças...)


(carta à directora do jornal "Público", 17-8-2012)
Já há umas semanas defendi aqui que algumas cartas`"ao director", neste caso à Directora, publicadas nos jornais são belos nacos de prosa e mereciam estatuto de crónica residente, mais depressa que os textos de certos políticos e  "comentadeiros" da nossa praça.
Neste caso, a de hoje de um correspondente habitual e sempre pertinente, Rui Silvares, da Cova da Piedade. E a propósito de uma campanha de desinformação que vai por aí e que, perante a falta de argumentos válidos, diz agora se há mais professores sem horário é porque há menos alunos, as senhoras portuguesas não têm bebés e coisa e tal...e não devido aos malabarismos curriculares do MEC. De um ano para o outro quase quintuplicar o número de professores sem horas lectivas (e que estavam por razões várias em outras funções nas escolas, ou destacados fora delas)?! As mães começaram a atirar as crianças ao mar? E logo no ano em que aumentam os alunos  nas escolas, até devido, entre outras razões ao alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º Ano e 18 anos de idade?
Por isso esta carta é mais pensada e informada do que o artigo de meia página publicado há dias (já a Silly season, só pode ser... com tanto cronista a ir de férias... Precisam de colaboradores? Textos para ocuparem as páginas e que sirvam mais do que para fingir que contêm ideias? Façam favor de contactar, senhores da redacção...) de um tal José Carvalho, com a etiqueta de "professor Universitário" e... "investigador de História" (??). Deve ser contra este que Rui Silvares aqui se indigna com razão, como já na quarta-feira se indignou Santana Castilho na sua crónica.
Esse senhor "investigador" (JC) parece ter nascido por volta de 1979, ainda um tanto imberbe, admitamos, mas mesmo assim sem justificação para tal arrazoado no seu texto "Professores Desempregados" . Decerto será um prof. Universitário nalguma U. Privada e de "equivalência relvada", pois é tão pobre  a sua argumentação e até a sua escrita que até muitos meus alunos apenas no 10º ano fariam melhor!
Anda de roda de uma suposta estatística que descobriu entusiasmado ( nas suas "investigações"? ) sobre a redução de número de nascimentos e nada mais, esquecendo factores como a imigração e todos os factos sobre alterações de leis da Educação e da organização já aqui apontadas noutros textos. E quanto ao estilo, paupérrimo tanto para um artigo como para um prof. do Ensino Superior (?!), termina numa espécie de "nha nhã nhã, tomem lá malandros, comunas e camaradas que o que há é menos crianças, pim!" -- a frase não é esta, não tenho agora o texto diante de mim, mas o tom e o remate era mesmo neste estilo, usando até o termo "camaradas" (sim!!!!!) e parecendo o outro do PS ( o advogado pequenino e sempre bem governadinho) com a frase famosa  do "Habituem-se!".
Na altura estive para comentar aqui e até para escrever à directora, mas depois achei que daria importância a um ser sem "sustância" e afinal havia que fazer  férias também a estes disparates... que por surgirem em Agosto até poderiam não ter grande eco. Mas felizmente S. Castilho e Rui Silvares tiveram paciência para tal. Agradeço-lhes!
São duas as linhas mestras, na estratégia "bombista"* de que fala Rui S.,  para preparar um futuro despedimento criminoso de professores , que ainda são bem precisos neste país ainda tão iletrado ( e pelo menos para formar melhores profs Universitários que esse sr. José Carvalho...):
- Alegar que de repente as crianças são menos (e até por isso justificam  o encerramento revoltante da MAC, "apenas" e  talvez  a melhor maternidade do país) enquanto abrem alegremente maternidades privadas com menor qualidade pelos arredores de Lisboa...);
- Alegar que os professores sem horário lectivo até já existiam(deviam a ndar escondidos nalguma arrecadação pelas escolas!), mas que agora divulgaram e não antes (mentira! Ainda o ano passado foram divulgados, com número contrastante com o de agora!) e que por isso esses profs veteranos estão a tirar lugar aos mais novos, os contratados. Mais uma vez o suscitar da Inveja nacional, sentimento que nunca e nunca baixa de cotação e que absorve as energias  dos cidadãos lusos que deveriam ir para a luta da defesa dos seus direitos, deixando-os assim na famosa "apatia"...
Apatia? Até um dia...:/

(* campanha preparada pelos "spin doctors" do governo para as informações vertidas para as notícias e acolitada por... "ácaros" como este dr. Carvalho de indigente análise.)



terça-feira, 17 de julho de 2012

Interlúdio Musical- A revolta contra quem não sabe o que é solidariedade-THE SMITHS-Heaven Knows I'm Miserable Now


(The Smiths "Heavn Knows I'm Miserable Now")
Música que bem exprime, em parte da letra, a estupidez total e a falta de solidariedade que existe neste momento, da parte de alguns professores, tanto nas Escolas como nas redes sociais, que dirigem os "mísseis" para o alvo errado, o colega do lado,-- contratado, do Quadro, o mais velho, o mais novo, o que está assim ao assado, que é mais ou menos disto e daquilo,- esquecendo que o principal Alvo das críticas deveria ser quem ao longo destes anos(e agora mais que nunca)  todos tem gerado as maiores confusões  e políticas lesivas para a Educação a vários niveis : O Ministério da Educação. E com isso esquecem o tal poema de Brecht, aquele que diz  que ontem e hoje levam uns, que não nós, mas amanhã  poderá tocar-nos/lhes a vez!
O "being miserable " que sinto é não especificamente por mim. mas por esta falta de Visão, de inteligência e de mera Humanidade, da parte de quem se diz educador e agente da Cultura. E digo isto tanto a nível da instituição que representam, como a algum nível PESSOAL de "seres humanos"(?) que pude testemunhar, descobrir e/ou confirmar...
Aqui fica a letra com destaque para as frases mais ilustrativas da forma como tanto MEC(empregador) como  alguns docentes (e outros seres não docentes ou dEcentes)  tratam os demais  como descartáveis.

  I was happy in the haze of a drunken hour
But heaven knows I'm miserable now

I was looking for a job, and then I found a job
And heaven knows I'm miserable now

In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?

Two lovers entwined pass me by
And heaven knows I'm miserable now


I was looking for a job, and then I found a job
And heaven knows I'm miserable now

In my life
Oh, why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?

What she asked of me at the end of the day
Caligula would have blushed


"You've been in the house too long" she saidAnd I (naturally) fled


In my life
Why do I smile
At people who I'd much rather kick in the eye ?

I was happy in the haze of a drunken hour
But heaven knows I'm miserable now


"You've been in the house too long" she saidAnd I (naturally) fled


In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?
..............««««««««««««..............


Margarida Alegria (17-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 24 de junho de 2012

Mas afinal tanto espião para quê? ;P

(Pete Sellers, encarnando o célebre Inspector Clouseau da série de filmes da "Pantera Cor-de-Rosa")
Só aqui uma dúvida que me faz "espécie": afinal não temos tanto espião português cheio de "gadgets", em três organismos diferentes, mais espalhados  e a gastar o orçamento  de Estado pelo mundo do que os consulados ou embaixadas (parece que há espiões  portugas em Moçambique, em Timor -Leste,  e possivelmente no Timbuktu..)? E não têm  eles tanta perícia  em funcionar com telemóveis e e-mails...? E, depois de tanta polémica sobre o que andavam a fazer, talvez para vencer o ócio, como fazer recortes (clips) de notícias e  pesquisas no Google sobre ex-presidentes americanos, sobre candidatos a agentes,  e até investigações de uso privado sobre a idoneidade da senhora que queria vender a um aspirador a outra (sim! li nos jornais que fora uma das tarefas do tal espião Carvalho!), não acham que agora têm finalmente uma tarefa decente e séria a levar para a frente?
Refiro-me, caso não entendam ainda, ao tentar descobrir a veracidade ou não da fuga de informações para o recente exame de Português do 12º ano. NÃO CONCORDAM QUE ISTO SIM é uma missão importante e de Estado para os serviços secretos portugueses? Saber SE houve fuga e DE ONDE partiram os famosos SMS que alunos de Norte a Sul do país alegam ter recebido dois dias antes da Prova? (uns julgando ser uma piada, outros até tendo acreditado).
Não será facil a quem gasta tanto em sistemas sofisticados tratar de cruzar os dados e ver a origem das mensagens? Ou os detectores dos super-espiões só abarcam o envio de sms para o ministro Relvas, ou  o que buscam é apenas cusquices algo da vida privada dos jornalistas e outros cidadãos , para pessoas como Relvas não hesitarem em ameaçar jornalistas com a sua divulgação pública?
Vamos: altura de fazerem um brilharete!
Isto  despoleta a possibilidade de anulação e repetição do Exame para os pobres alunos. E põe em causa a seriedade do GAVE (e ,por extensão, do Estado) e do muito sofisticado e sigiloso sistema de há décadas para a produção de exames! Há que descobrir se foi apenas um palpite divulgado ou se foi  informação com conhecimento de causa. Um "Exameleaks".
Ou  será que até espiões como o Inspector Clouseau, o Johnny English ou o Maxwell Smart fariam melhor figura e trabalho melhor do que os  nossos?
Ou será que primeiro ainda pensam, por questões de hábito,  em colocar escutas no túmulo de Camões para sondar se ele foi mesmo o autor de "Os Lusíadas" e  se terá escrito o tal Canto VI que saiu no exame?! ;)
Margarida Alegria (24-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

"Desinaugurar" Portugal (Um Louco Pós- Natal 2)

Eu bem queria que quem nos desgoverna me deixasse tempo para acabar os textos da série "Um Louco Pós- Natal", baseados ainda na nova teoria de emigração de Passos Coelho e Miguel Relvas na famosa entrevista e depoimentos vários. Mas não: cada cavadela, cada minhoca, como se costuma dizer. Todos os dias, a quase todas as horas, saltam para a ribalta mais personagens pitorescas para nos assegurar, em forma vagamente humana, que Portugal está mesmo entregues "aos bichos". Vou portanto alterar o rumo de um dos rascunhos e transformar este texto no "Louco Pós-Natal parte 2". No fundo, são confirmações do que já planeava dizer.

Primeiro, surge a desumanidade da opinião de Manuela Ferreira Leite, ontem. A senhora, uma septuagenária (atente-se!)normalmente sensata, alega que os portugueses com mais de 70 anos deveriam pagar do seu bolso as hemodiálises (que custam cerca de 500 Euros cada uma)! Não sugeriu aos septuagenários da nossa élite política que abdicassem de alguns dos seus 500€ X muitos dos seus salários e benesses, ou reformas douradas, para financiarem boas centenas de diálises de muitos concidadãos. Não! A sua triste lógica é: ter chegado aos 70 anos já é uma sorte, esses hemodialisados anciãos são um peso para o Estado, por isso escolham pagar ou deixem-se morrer e não aborreçam mais o SNS. Lógica em segundo plano: se tiveres dinheiro, tens direito a cuidados de saúde. Se não o tiveres, azar o teu!

Pergunte-se à senhora: afinal para que são os descontos obrigatórios para muitos subsistemas de saúde e para que servem os impostos que pagamos? Deveriam para assegurar ao menos estes três aspectos: pagar as estradas e as ruas onde circulamos(para o trabalho, por exemplo...), a Educação que nos leva mais longe nas "estradas" da Vida e a Saúde que nos ajuda a poder apreciar e assegurar ambas as "caminhadas". Razão têm as associações de hemodialisados ao exigirem as desculpas de MFL! O cidadão parece agora reduzido ao seu papel de produtor/não produtor e encarado como "gordura" por este desumano sistema neoliberal que se vem depressa instalando no nosso Estado e em certas cabeças acéfalas, mas isto é demais! Que não vá para a frente a lei da Eutanásia, senão a terceira Idade ficará (ainda mais) tramada! Ou pelo menos, uma certa 3ª Idade, a não bafejada pelo acumular de pensões vitalícias e doiradas.

Segundo facto: hoje, em Palmela, foi desligado o primeiro dos vários Emissores analógicos de TV, no avançar da última fase da substituição da rede analógica pela TDT.

Foi emocionante escutar o relato transmitido pela TSF (escutar AQUI... !), onde o sempre voluntarioso ministro Relvas apelou a um tal engenheiro Paulino para que procedesse ao corte. Fê-lo por videoconferência(com muito ruído electroestático!), julga-se que em TDT, e o seu apelo é realmente de entusiasmar o patriota que há em cada um de nós! :))

Por sua vez, outro "cromo" do humor (ainda um tanto analógico) e da tecnologia, o presidente da ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações...aquilo que serve para...hã... coiso... quer dizer... enfim, tachos...) declarou todo pimpão que aquele evento deveria ser considerado uma "Desinauguração" (do Analógico), pois a TDT já havia sido iniciada há bastante tempo. Foi lindo!

O certo é que esse neologismo usado por Amado da Silva, se só terá provocado um sorriso amarelado aos circundantes e a paródia sibilina dos locutores da TSF, ao menos deu para atribuir um nome ao tema que eu queria desenvolver neste texto.

Por um lado (e bem sei que A. Silva se referia ao encerrar do analógico), fugiu-lhe a boca para a verdade: no fundo, os nossos Governantes e seus organismos satélites só encerram ou observam e fazem relatórios, nunca dando nada a ninguém. O mesmo A.S. explicava há pouco que o nosso TDT estaria peparado para uns 7 canais de TV e com o tempo ficaria apto para 14 (ao perguntarem-lhe porque não tinhamos 14, ou 30 ou mais canais em TDT, como outros países, totalmente grátis para os cidadãos). Argumentava que para já só poderiam ser os 4 canais que tinhamos analógicos ( a justificação foi vaga e esfarrapada), mas que para futuro, quem sabe... Não , não dão nada a ninguém... solidifica as já grandes suspeitas de muitos de que os futuros 10 canais extra serão em troco de alguma taxa mensal, a pagar à PT a quem foi entregue o negócio, escandalosamente!

Por outro, este novo termo confirma o que os desgovernantes dos últimos anos têm feito, começando em Sócrates e continuando em Coelho e Relvas, incluindo até muitas das acções de desmantelamento da nossa economia nos anos 90 áureos da entrada na CE(E), por Cavaco Silva, o que eles têm vindo a fazer, dizia eu, é a verdadeira DESINAUGURAÇÃO de PORTUGAL.

Cavaco desinaugurou a Agricultura e as Pescas, em troca de umas estradas onde melhor pudessem entrar os produtos espanhóis , franceses e alemães.

Sócrates desinaugurou maternidades e serviços de urgência. Depois, com ajuda de MLR, desinaugurou milhares de escolas rurais,algumas delas recentemente restauradas(e pelos próprios pais!), concentrando os ensonados pequenos em "caixotes escolares" e tendo em mira a destruição da Escola pública e futuras privatizações, alegando dar em troca a "banda larga" (pífia, como se verificou), umas lancheiras de nome "Magalhães" (que duraram ainda menos que a viagem de circumnavegação do seu "padroeiro") e uma suposta melhoria de instalações, incluindo ginásios que em muitos casos ainda faltam.

Agora Passos Coelho continua a obra de desinauguração, levando essa miséria não só ao sector público como à iniciativa privada, onde ela existia. Desinauguração de mais escolas, de mais hospitais, de serviços fundamentais para os cidadãos (enquanto continuam a não desinaugurar tantas PPP, IP, comissões e outro tachos). Não vejo mal em acabar com o Observatório da Violência nas Escolas (que pode ser levado a cabo por tanta gente que enche o MEC na 5 de Outubro), , mas os tachos nas dres continuam, só para dar um exemplo. Desinauguração, sobretudo dos DIREITOS dos cidadãos consagrados na Constituição e desinauguração dos SALÁRIOS como fonte de sobrevivência digna, através de cortes (leia-se roubos) de subsídios que compensavam o baixo nível dos mesmos , de cortes em percentagens cada vez mais substanciais dos 12 salários anuais, aumento brutal de impostos e de despesas (energia, transportes). Desinauguração de empresas nacionais de valor para todos e a custo sobreviventes, como a CP, a TAP, os CTT e todas aquelas que tencionam desinaugurar junto de chineses e outros compradores.

Nas pequenas e médias empresas, dando apenas uma vista de olhos no meu bairro, já consigo contabilizar, pelo menos, a DESINAUGURAÇÃO de uma papelaria/tabacaria, três ou quatro restaurantese/ou cafés, um talho, duas mercearias e dois cabeleireiros. Ah e até uma loja chinesa(sem quaisquer familiares a render a guarda)!

Na sua famosa entrevista já aqui analisada em quatro textos (sendo este o quarto e faltando um), o Primeiro -Ministro PPC veio, finalmente, desinaugurar a desinaguração a seguir planeada: o desinaugurar dos portugueses como habitantes de Portugal, aconselhando quem tem habilitações (ou não) a emigrar. Ficará o país para alguns turistas de luxo, para pessoas na miséria que os sirvam, para velhos a morrer sem apoios de saúde (nem sequer hemodiálises!) e de qualidade de vida e para os que para cá imigraram e não quiseram ou puderam voltar às suas terras, muitas vezes optando pela via do banditismo, pois os seus empregos também foram "desinaugurados"!

A única coisa que continuam a inaugurar em força são os tachos para os amigos, as prebendas, os favores políticos , aventalados ou não.

Bem pode o ministro Álvaro, da Economia, apregoar as qualidades do pastel de nata português ou do churrasco do "Nando's"(África do Sul, ai de novo o conselho à emigração). Portugal desinaugura-se dia-a-dia e não tarda fecha, com uma tabuleta a disfarçar, alegando "encerrado para obras, devido a ... desinauguração".

(sobre a palestra "empastelada" falarei a seguir).

"Alergia" (12-1-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Economia à moda das "tias"?

Não me apetece perorar muito longamente sobre este caso das declarações de José Sócrates em Paris, sobre o que é a Dívida e o que é suposto entender de Economia.

A meu ver ,esse senhor devia ficar lá em Paris muito caladinho , de nariz nos livros (nem que fosse a fingir estudar e a jogar Farmville às escondidas) e dar graças aos Céus e à inapta Justiça Portuguesa não ter sido chamado a prestar contas pelas tropelias várias que fez. Não só antes de ser o responsável -mor pelo Governo da República, como também SOBRETUDO pelo que fez ao país e ao erário nacional enquanto chefiou os seus dois Desgovernos.

Perante o seu inusitado regresso às luzes da ribalta, uns alegam que contradiz agora o que defendia antes, quando governava. É certo. Outros dizem que estará a tenta "apalpar o pulso" ao que lhe resta de popularidade ou ódio dos seus compatriotas (até me custa usar esta palavra, por ter incluso que ele possa ser um "patriota"!). Para mais tarde concorrer a PR (Deus nos livre de mais essa má-sorte!), palpitam. Outros ainda crêem que está a tentar dirigir o PS à distância, mostrando ao in-Seguro como se faz uma oposição musculada. Pode ser, mas seja qual for a hipótese ,que mude depressa de ideias, pois a sua facies e sua má-memória ainda hão-de criar muitos enjoos por este Portugal, pelo menos pela parte de Portugal que ainda tem vergonha na cara. Mesmo os votos que comprava com subsídios vários não sobreveveviriam a mais PECs, quando a torneira fechasse.
Quanto ao que andou a dizer lá em Paris sobre a o que era uma "Dívida" (Ver AQUI) e que parece que hoje tentou esclarecer na TV-- momento que felizmente perdi!-- que "As dívidas não eram para ser pagas , mas para ser geridas" e que querer pagar as dívidas públicas era "coisa de criança", acrescento apenas mais um ponto de vista que passo a expor.

Claro que os países de Economias mais fortes ,como os EUA, a França ou... cof cof... a "cumpridora" Alemanha, são bem conhecidos como sendo os maiores devedores. Certo. Isto porque também , por serem economias mais fortes ,têm os maiores índices de confiança junto dos credores de que não falirão e de que irão pagando as dívidas.

Diz o senhor ex-Primeiro Ministro que aprendeu isso em Economia... Bem, sendo engenheiro técnico, não sei que cadeira foi essa de Economia. Deve ser Economia Técnica. E, se estudada e aprendida aos fins-de-semana, --para uma pessoa tão assoberbada em trabalho em sociedades de negócios vários, cargos políticos desde jovem e cursos de aperfeiçoamento-- atrevo-me a sugerir que possa ter sido um Curso rápido em 5 lições e cocktails para "Tias", como algumas que existem para as bandas de Cascais e da Foz do Douro. Daquelas que vão, directamente ou através da empregada Maria, às mercearias e outras lojas, abastecendo-se do bom e do melhor e, com displicência dizendo à saída, já com a velha Maria dobrada ao peso dos carros de compras:

"-- Sr. Fulano (nome do lojista),ponha na conta, que mais tarde venho pagar!"
E sai depressa, antes que o Sr. Fulano possa retorquir à Madame que já está a dever a "conta" há seis meses! Ou que sequer tenha conta aberta naquela loja (verídico!).

As decrépitas mercearias dos senhores Fulanos deste mundo lá vão acumulando o prejuízo , juntando pepelinhos de "Deve" nos fundos de amplas gavetas, até não caberem mais em espaço ou bolor e os tímidos Srs Fulanos ganharem coragem por apresentar a conta. Normalmente, quando o fazem ,as senhoras ficam ofendidas e dizem que não pode ser tanto e lá pagam uma pequena parte, ou nenhuma, dizendo que vão levar os papéis ao contabilista ou ao marido, para verificarem se não estão a ser "roubadas"! E as Tias deste estilo vão continuando a dar as suas festas e a "governar" a casa com base dessa tal tipo de "Dívida eterna" defendida por Sócrates . E , atenção, este tipo de credor não representa o especulador modernaço dos "mercados", mas o verdadeiro e tradicional fornecedor que apara os calotes deste modo de... fazer Economia! Este senhor Fulano , no fundo somos também nós, contribuintes que se vêem endividados por acção de terceiros!

E afinal, o que leva o merceeiro a vender fiado a estas "Tias" e não ao pobre cliente de salário mínimo, mas honesto? Pois, lá está, é a tal "credibilidade" . A do nome de família, a do se vestir bem, a dos antepassados terem pago contas certas, a de viverem há muitas gerações no bairro, a de recomendarem a loja às amigas (algumas lá pagam a pronto!) e... até o pavor a que se irritem e ameacem com a Justiça e os fiscais (!!!), coisas do estilo em que muitas "tias" são "useiras e vezeiras", para escaparem à raia das responsabilidades, incutindo temor aos que podem ter queixas delas.

Em Resumo: quando JS se referia à Economia que aprendeu, foi essa, a das dívidas eternas dessa casta de Tias, que entretanto lá levam as mercearias à falência, compensam o que não gastam em compra de bons sapatos ou vestidos,caso das mais "jet-set", ou sacodem os casacos de pele traçados e perfumados a naftalina, caso das mais caseiras.

Só que há um senão: um dia até essa conta aparece e alguém sofre o prejuízo.

J.S. depois explicou que para países pequenos como o nosso era impossível pagar a Dívida. Ou pelo menos toda. Verdade, para qualquer país, pequeno ou "grande". Já quanto ao "ir gerindo" alegremente a dívida,será precisamente o contrário. Os mais pequenos têm menos Crédito. Pode parecer estúpido e injusto,para países de gente honesta e trabalhadora, mas é o que acontece. Portanto, o que JS também esqueceu, sublinho, é que Portugal não pertence a esse Clube elitista de Países-Tias, que passam quase incólumes perante os maiores calotes. Esses, reúnem-se assiduamente em "Cimeiras" badaladas e cada vez mais improdutivas, dos G-8. G-20, G-3 ou G-2 à lá Mercozy, mas que , imitando o estilo das Tias da linha ou Foz, só arranjam e debatem dinheiro para os pobrezinhos se for em festanças. Daí essas cimeiras serem ultimamente muito domingueiras e todas com os pés bem debaixo da mesa, não a mesa de negociações mas a dos banquetes, sempre bastante "frugais", isto é, e à base de produtos naturais como as trufas , o caviar e requintes do mesmo preço.

Não, Portugal nunca pode ter essa Economia "à Tia", nem que ela seja defendida por muitos teóricos e levada a cabo em muitas economias. E ,mesmo que tivesse, claro que a dívida um dia tem de ir sendo paga!

"TÁ A VER, querido?"

Bem, agora... Xô.. Xô...! Vá estudar filosofia, vá, menino! "Caturreira!"
"Alergia" (9-12-2011)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Mais outro "determinado" como um rolo compressor! :((

Já tivemos seis longos anos da "determinação" socretina. Pensava que a forma como o país acabou por ficar farto desse estilo de (des)governar tivesse bastado para que futuros governantes ENTENDESSEM que o suave povo português até tem a mania de apelar à memória do "botas" Salazar, mas que no fundo não gosta de ser comprimido por medidas de "meia bola e força", só pelo voluntarismo afogueado de um qualquer ministro ou secretário de Estado, movido apenas pela sua vontade de mostrar quem manda, ou pelo menos a de mostrar que se é "determinado" e "decidido" (Céus! Não ficámos todos fartinhos destes dois adjectivos para justificar medidas impensadas e perdulárias de Sócrates, MLR, e restante aquipa de buldozzers insensíveis?!).
 No entanto, bastaram quatro ou cinco escassos meses de novo Governo para nele surgirem herdeiros desse tipo de atitude e casmurrice! E de haver uns ministros de agora a "clonar" os de outrora. Já muitos associaram a colagem do M. da Economia ao antigo da mesma pasta, Pinho dos "corninhos na AR", ou dos cortes de V. Gaspar a seguir as mesmas PECadas, digo, pegadas do seu antecessor Teixeira dos Santos. E saltou à vista de também existir uma espécie de "ministro sombra" ou clone do próprio PM. De Sócrates, até no vestir e na gravata será escusado lembrar quem era, o "braço direito" de S., Silva P, mais "soft". E havia outro de compleição diferente, mas que tomava o papel do "musculado" do governo, aquele que era Santos mas  também Silva,  SS como por vezes apelidado. Era o que bradava gostar de "malhar nos sujeitos e sujeitas" que lhes fizessem frente. Um pouco como antes existira J. Coelho, a coadjuvar Guterres. Tudo igual em estilo. Poderiamos recuar mais em desgovernos...
Temos portanto um ministro Relvas e de muita coisa junta, que engloba a reforma administrativa, mas que parece ter um pé em cada uma das outras pastas, pois não hesita em saltitar perante os microfones dos OCSocial, para opinar sobre tudo.
Pois hoje o voluntarioso e palrador Relvas... levou uma vaia monumental. E de quem? Dos representantes da Associação Nacional de Freguesias, reunidos em Congresso. (Ver AQUI).
E o motivo? Diz que não vai recuar perante o já decidido no estudo do famoso "Livro Verde" sob a sua tutela e juntar Freguesias a monte e a eito como aí está sugerido, em trabalho nitidamente de gabinete e de régua e esquadro.Nivelar tudo por igual, como se pudesse "juntar a bota com a perdigota", debaixo de um rolo compressor centralista!
  Fazer tal coisa sem escutar os autarcas e as populações é não só de grande insensibilidade como de uma FALTA DE VISÃO absoluta!
Ainda domar os gastos das Autarquias e evitar, por exemplo, que as empresas municipais  se multipliquem inutilmente, é aceitável e aconselhável, num país quase falido. Mas apagar freguesias enormes e com identidade muito própria, unindo-as a outras que também não "as querem" (e que portanto as secundizarão), cortando muitas vezes o último laço que une as populações ao interesse pelo seu país e pela política é uma grande estupidez, a não ser que a intenção seja mesmo a de evitar as mobilizações locais para futuro. E, se for esse segundo caso, então as medidas, patrocionadas pelo "Livro Verde" para as freguesias, serão puro terrorismo de Estado.
O desenvolvimento do Poder Local, o poder Autárquico, foi dos aspectos mais bem conseguidos e frutuosos da revolução do 25 de Abril. Apesar do multiplicar de alguns monos  arquitectónicos, das fontes luminosas e das rotundas em algumas localidades, apesar dos  autarcas "dinossauros" que o sistema permitiu e de alguns autarcas que engrossam os cadastros na polícia, com sacos azuis e malabarismos diversos, foi mais o que as localidades ganharam do que perderam.As nossas localidades de  grande, média e pequena dimensão estão, de uma maneira geral, mais bonitas, mais limpas, mais restauradas,mais ordenadas, com mais vida. As que estão a ficar despovoadas tentam promover a atracção a novos habitantes, as mais populosas sabem que funcionam melhor se as suas populações tiverem melhores habitações e melhores estradas e também alguns divertimentos e atracções culturais.
Que o governo central tente conter despesismos, sou a primeira a aplaudir. Mas isso não será acabando a eito com freguesias, que afinal até são o parente pobre do poder local. Mas são a âncora do cidadão, não importa a idade, que quer que a sua voz seja escutada e não apenas auscultado de quatro em quatro anos, em eleições que já pouco lhe dizem. Jamais esquecerei aquela senhora de idade , de uma aldeia esquecida nas montanhas, a reclamar ao Presidente da Junta a colocação de um novo telheiro no lavadouro público. E o pobre homem a responder que não tinha dinheiro, mas a escutar e registar a queixa, tão válida como a dos cidadãos dos  grandes munícipios ao reclamar uma piscina municipal. E via-se que a senhora sabia que alguém a considerava.
Aliás,tantas vezes o maior despesismo e fraca eficiência vem mais da parte do poder Municipal (mais longe da fiscalização das populações) do que do poder das freguesias!
A estratégia centralista, em teia-de-aranha, já levada avante em larga escala pelos governos socráticos, é profundamente errada, destrutiva e anti-democrática. E quem se reclamava diferente perante os eleitores, não deveria dar agora mais e mais do mesmo! Isto não é bairrismo. Vivi em muitas localidades de diferente dimensão,sem ganhar raizes de bairrismo mas o tempo suficiente para observar o que é despesismo das autarquias e o que é bem feito por elas. Fui a primeira a ir à minha junta alertar para o corte de árvores desnecessário e assassino por engenheiros mandatados por uma câmara e um projecto mais "global" do qual não se apurava o responsável. E sei que esse gesto(que hesitaria em ter se a freguesia fosse gigantesca) levou a salvar pelo menos outras árvores saudáveis que já estavam marcadas para a morte prematura. E isso só se verificou porque existia a minha freguesia, com funcionários interessados e competentes e o "poder de baixo para cima" funcionou.
Muitas freguesias têm hoje excelentes postos de atendimento, inclusivé para tratar de documentação. Criam centros de dia e creches, não constroem bairros sociais mas  cuidam dos seus espaços comuns e verdes e batalham para que zonas mais periféricas dos municípios sejam escutadas. E as pessoas,os cidadãos portugueses, dos mais novos aos mais velhos, têm ideias a sugerir, têm opiniões a ter em conta tem o amor à sua terra, às suas ruas e ao clima humano das suas freguesias, que podem fazer a diferença entre tomar decisões PRECIPITADAS e optar por alternativas mais criativas, mais consensuais e tantas vezes até mais económicas.
Matar algumas freguesias é matar a alma de algumas pequenas localidades e matar algum associativismo. Dizer que a identidade cultural de, por exemplo, uma zona piscatória é "bairrismo", só porque os seus habitantes não sentem nada em comum com a nova freguesia, outrora campos e quintas, à qual vai ser anexada, chamar mero "bairrismo" à  indignação dessa Freguesia é de uma estreiteza mental, a toda a largura e comprimento ( a três dimensões, até!) que não lembra a alguém que tenha a noção da antiguidade da nossa identidade portuguesa e da nossa cultura variegada!
Se é para poupar, atrevo-me a dizer, até, que talvez o tal super-poderoso Poder central é bem mais despesista, perdulário e inútil que o poder local! Quem é que andou a dar dinheiro  público a bancos fraudulentos? Quem é que cria tanto Instituto Público, tanta comissão de estudos e tanto Observatório de Dá-cá-aquela-palha? Quem é que nem sequer faz o balanço anual das suas contas (já que o Estado afinal é uma Empresa!), em Dezembro ou Janeiro?
 Aliás, se e fossemos a ver, taco a taco, quem saía a perder no serviço aos cidadãos?
O poder autárquico cria lojas do cidadão... o Poder Central fecha-as. O poder Local cria creches.. o Poder Central fecha maternidades e escolas.  O poder Local vai conhecendo os seus concidadãos, falando com eles até na rua. O poder Central, esse, compra carros blindados de milhões para andar a alta velocidade e rodeia-se de "gorilas", mandando para o cesto dos papéis ou arquivando as reclamações e apelos mais deseperados do cidadão comum, deixando os ouvidos para os "lobbies" do costume.
O poder local ajuda a angariar cabazes solidários para os mais carentes. O Poder Central vai cobrando impostos (para fazer mais estradas por onde entram os camiões espanhóis)... e espera que instituições de voluntários como o Banco Alimentar e a Cáritas vão fazendo o resto!
 Espero que um rasgo de lucidez passe pelos olhos vivaços e nervosos do Ministro Relvas e que  este ESCUTE os MUNICÍPIOS escute as FREGUESIAS, sem "determinações" doentias e precipitadas, pois está em causa um dos pilares da nossa Democracia e da nossa Identidade como País. Lembre-se dos ditados populares: "a pressa é má conselheira", "quanto mais depressa mais devagar"...
 E lembre-se que frequentemente querer poupar leva a gastar mais, porque, se um dia quiserem inverter a situação tudo será muito mais CARO!
Pois o BARATO SAI CARO, tantas vezes!
Margarida Alegria (3-12-2011)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Chavões em destak (ou: esta jornalista e um carapau de corrida são o mesmo?)

(imagem de :"Laboratório da parvoíce")


(Texto para saborear com calma, com um cálice de Porto ou um chocolate, enquanto os iluminados não os considerarem "acima das nossas possibilidades. Ou : como de um texto pequenito e com ideias pequenitas, surge um texto de protesto bem mais longo, mas também com mais ideias para ler. Aproveitando a isenção de IVA)

Há textos jornalísticos,-- de comentário, crónica ou até mesmo editorial, -- que ultrapassam tanto a racionalidade e que, por outro lado, dão tanto "sumo" para uma análise de chavões e todo o tipo de ideias feitas, que é difícil resistir a ignorar a sua insignificância.
O que os torna ainda mais "acarianos"(vide: ácaro) no que às alergias que provocam, é o facto de muitas vezes virem impressos em milhares de exemplares,em difusão alargada, enquanto tanto bom livro é condenado injustamente às prateleiras dos monos. Um bom exemplo de que este Mundo não é mesmo justo.

Portanto, normalmente acabo por não postar sobre eles. A não ser quando, como no caso que se analiso adiante, há que tentar de alguma forma combater os chavões, as frases feitas e, sobretudo as ideias feitas e "pronto-a-vestir" que pretendem vincular nas cabeças dos cidadãos, numa espécie de lenta lavagem cerebral colectiva. Neste caso, a que nos quer convencer que nos devemos submeter ao que nos foi traçado, à inevitabilidade das coisas, ao conformismo. O tipo de "status quo" na berra é aquele do que "vivemos acima das nossas possibilidades" e o "não há alternativa a estas medidas" e que temos de ficar mais pobrezinhos e que isso de termos andado a ser roubados durante décadas é culpa de todos, responsabilidade de todos e que somos nós TODOS que devemos dinheiro aos mercados, etc etc.Brrrrr! Umas tretas!

Embora haja os escribas-maiores que alardeiam essa teoria, há também os escribas de segunda-linha, tipo brigada de apoio, que vão debitando esses pensamentos, por entre catálogos de carteiras e lantejoulas ou anúncios de produtos para o lar. Mesmo que não se costume ler esses "papiros" preciosos, por vezes esbarra-se com eles inadvertidamente, nas salas de espera de consultórios, no cabeleireiro ou nos cafés,pois, para quem goste de ler e de saber o mundo ,passam por serem um pouco mais substanciais que as concorrentes opções de "Hola"s ou de "Novas Gentes". Fatal engano! Ao menos as revistas cor-de-rosa dizem ao que vêm!
Um dos maiores desse fatais enganos costumam ser os brilhantes (cof cof) editoriais de uma tal (jornalista?) Catarina Carvalho, no Notícias Magazine, que não nos cessa de surpreender com as suas visões do mundo e do país! Lembro-me, a título de exemplo, de como defendeu já que seguissemos o exemplo dos chineses (economicamente!!!), ou de como se devia imitar a cabeleireira dela, a trabalhar até aos feriados (para a atender a ela...), ou de como um dos mais graves factores para que há uns meses estivessemos a baixar de "rating" para as famosas agências era porque... SIM PASMEM( oh mas que profunda teoria!)... porque as "Poor and fitch and moodys an dingdong and standards and bastards and Co." que nos "ratam" viam que os portugueses não queriam trabalhar, porque(tcham tcham!!!)... o modelo de avaliação dos professores havia sido então suspenso no Parlamento!!!

Estão a ver o raciocínio? Os cowboys da especulação andariam, quem sabe, a ler notícias sobre Portugal, paizeco que eles pensam que fica lá para o norte de África ou América do Sul, à direita das ilhas Caimão, uns metros depois do talho, e só nos julgariam dignos do nível Lixo, porque se interessavam muito pelos assuntos da Educação mundial e portuguesa em particular...
Estive na altura para escrever sobre isso noutro blogue, mas depois meteram-se assuntos mais importantes na calha.

Essa Catarina assina como directora da revista domingueira e veio substituir a sua colega Isabel Stilwell, do tempo em que a mesma publicação tinha algum interesse. Posto que a mesma Isabel andou a escrever livros (uma biografias romanceadas, até com piada, de rainhas de Portugal) e artigos noutras publicações da concorrência. "Da concorrência" talvez seja boa qualificação, ou melhor poderiamos acrescentar "concorrência a Catarina Carvalho" , pois, parecendo antigamente uma pessoa de bom senso com algumas ideias, aparenta ter entrado no mesmo tipo de delírios conformisto-iluminados da colega. Já muito andou a ser dissecado na blogosfera um texto que escreveu a criticar a "Geração à Rasca" e ainda uma ou outra "preciosidade" quem tem vindo a sair da sua pena.Ressalvo desde já que dantes até tinha alguma consideração por I. S. como jornalista, mas penso que será mais um caso em que é o afastamento da realidade vivida pela maioria da população e o crescer destes jornalistas numa espécie de "limbo" social que os leva a debitar tais pensamentos.

Hoje trago à berlinda um editorial de I. Stilwell, do "Destak" (11 -11-2011), um daqueles jornais oferecidos gratuitamente em semáforos ou hospitais. Por isso, como dizia acima, com muita tiragem e muitos leitores, mesmo que pouco voluntários. E aí surge das tais lavagens ao cérebro típico dos situacionistas que querem que as pessoas continuem a aguentar as "troikadas" muito "mansamente".

Primeiro, estranhei que um jornal ,que é quase na metade feito de anúncios (neste caso 11 páginas de anúncios num total de 18), tenha um editorial, texto jornalístico que normalmente exprime as ideias base da direcção sobre o que aí é noticiado. Como sintetizaria e conjugaria ela as vantagens do "Vibroplate", com o hipermercado, a toyota e ainda os auto-anúncios? Mas, está bem, um editorial pode ser também um texto de opinião, em usos mais recentes. Mas escrito por jornalista. Pelo que não deveria ser com o principal propósito de lavar cérebros. Enfim, leiamos, pois até nem é dos piores jornais gratuitos e dá notícias importantes, como a de que Top Models vão fazer novo video dos Duran Duran...;)) ou a previsão do tempo....

O título é apelativo : "OS números não são o mau da fita".

Vai portanto falar de economia, aparentemente, e vai dizer-nos quem é que são mesmo "os maus da fita", esperamos. Finalmente uma saída para a crise!

Passa logo depois a comentar uma frase recente de Mário Soares de que "as pessoas estão à frente dos números". Hum....Começo a imaginar Soares a preparar esse discurso , enquanto recebe mais um belo cheque da autarquia para a sua fundação, tendo a inspiração vinda dos muitos zeros à direita da cifra, que logo lhe sugeriram a sentimental imagem das cabeças redondinhas de muitas pessoas, à frente dos outros números... (ai lá estou também a divagar, cala-te boca!).


Bem, queria o antigo PR dizer, no fundo, que as pessoas e os seus direitos eram mais importantes que o dinheiro e as finanças. No fundo, o que muita gente defende: a vida do país e das pessoas não é só feita de "dívidas" aos "nervosos mercados". A vida das pessoas não é só feita de trabalho nem de dinheiro. O dinheiro e o trabalho devem servir as pessoas e não o contrário. Há que ter outros valores, como o tempo para si, para a família e amigos, o lazer, uma felicidade equilibrada.
Se era esta a intenção de M. Soares ao dizer aquilo, concordo. Concordaria I. Stilwell?


Dizia ela, que em princípio sim. Mas depois começou num relambório de que "o dinheiro representa a realidade e por isso não é infinito nem chega para tudo"(sic). Que era lamentável o aumento do desemprego, mas que o dinheiro não estica nem é "mágico ou infinito" e que não há dinheiro e que há que "saber fazer escolhas"(sic) no que se gasta que é preciso optar " entre as finanças e o tratamento de uma doença ou de outra"(sic! sic!) bláblá e blá e que era preciso entender que "Não podemos estar todos felizes ao mesmo tempo." (sic sic sic!!!!!!)


Nem sei por onde começar, a não ser no dizer que provavelmente poderia distribuir estacas virtuais para segura os queixos que possam ter caído, como aconteceu ao meu ao ler isto pela primeira vez. Imagino o quão satisfeitos os senhores dos mercados bolsistas" devem ter ficado. Ganharam mais uma porta-voz para as suas ideologias doentias. Pois Isabel S. pôs a "mão na ferida" , corajosamente explicou aos mais pobrezinhos que este é um mundo onde reina a bela lei do mais forte economicamente, a realista lei da selvajaria especulativa, onde NEM TODOS PODEM SER FELIZES AO MESMO TEMPO! Pois não! Apenas os bons jogadores com dinheiros privados e públicos. E que sabem "fazer escolhas", desde que tenham um bom corrector e saibam manipular os boatos financeiros! E que se se tiver de escolher entre as finanças dos Bancos, coitados, cheios de lucros e bons cobradores de taxas, entre pagar as contas das agências de rating ou do FMI e... a asma dos filhos ou o cancro dos pais (uma ou outra doença, enfim, paciência)... claro que há que sacrificar os segundos! Porque o dinheiro não é "mágico nem infinito"... a não ser quando é para fazer dinheiro a partir do dinheiro, em especulação bolsista, isso é outra coisa!


Só apetece levar a ironia ao máximo, perante estas teorias infelizes! Já não bastava o papelão dos ministros que nos levam a todos para o cadafalso da bancarrota e ainda vêm jornalistas com alguma rodagem defender o primado do dinheiro, na estranha aritmética de que:
PESSOAS = DINHEIRO



E sublinha a ideia no período final do texto, que deve ser o "tour de force" inesperado que tanto gostam de dar às crónicas, mas que considero que mais adequado seria chamar de "punch line", como se de um texto de comédia se tratasse. Aí vai (e repare-se no tom paternalista que demonstra o que perpassa em todo o texto):



"E é por tudo isto que pessoas e números não se podem dissociar, nem dizer que uns devem estar à frente dos outros, porque são o mesmo."



Até podia concordar com a primeira parte e acho que nisso também pensava Mário Soares, por contraste com os contabilistas funerários que agora nos desgovernam : não podemos dissociar os números (do dinheiro) (da vida) das pessoas.


Mas na segunda parte há uma guinada para,digamos, uma espécie de falso silogismo que mete dó.


Resumindo o editorial de I. S. num silogismo falso que parece construir:


-As pessoas precisam de dinheiro para viver


- O dinheiro é igual aos números e não é "elástico"


- LOGO: As pessoas são o mesmo que os números (dinheiro)


(ou estarei a ler mal?)


Nesse caso, também poderia construir os meus silogismos:

- I. Stilwell é uma jornalista

- Alguns jornalistas são "carapaus de corrida",

- LOGO: I. S. é um carapau de corrida (ou, para estrangeirar o nome, um "running mackerel")

Ou ainda:

- Isabel S. foi directora do "Notícias magazine";

-Catarina Carvalho é directora do "N. Magazine";

- LOGO: I. Stilwell e C. Carvalho são o mesmo.


"Qué tal?" Regressa, capa da "Hola!" com a nubente nonagenária duquesa de Alba, que estás perdoada! :)

"Alergia" (23-11-2011, a publicar apenas no dia 25, após a Greve Geral)