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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O MacNata

(Declaro publicamente que este, na imagem, é um pastel de nata comum e não a receita exclusiva do Pastel de Belém lisboeta)

O castiço Ministro Álvaro, de Economia e outras coisas mais, que aqui no blogue foi tema de um dos meus primeiros posts (VER AQUI) voltou à sua fase de rosto sorridente e cabeça a fervilhar de ideias, digamos, originais. Andava o senhor tão sossegadito, quando resolveu voltar a fazer aquilo em que era especialista, antes de tentar governar várias pastas ministeriais.Dar palpites e palestras.

Na conferência "Made in Portugal" , promovida pelo Diário de Notícias, fez uma longa dissertação sobre as qualidades e também os dramas existenciais do nosso ainda tão ignorado produto português que dá pelo nome de Pastel de Nata.

Ler e escutar em directo este longo discurso empastelado (mas sem toques de canela):
"Santos Pereira: porque é que não conseguimos exportar o pastel de nata?"
(Jornal de negócios)
E a ideia básica? O Ministro Álvaro conta a história comovente e de abrir o apetite de como ,na África do Sul ,um empreendedor português conseguiu criar uma cadeia dos seus frangos de churrasco (diz o ministro que é um produto "português" -???), a cadeia "Nando's". Um pouco ao estilo, explica também Santos Pereira, como a cadeia McDonalds com o "hamburguer". de seguida parece assegurar a pés juntos que nunca nenhum português conseguiu exportar dessa forma o nosso excelente Pastel de Nata!

Deixarei de lado a explicação básica ao ministro de como se diferencia um pastel de um frango com piri-piri ou de um plastificado cheeseburger (perguntava ASP o que tinha de diferente um pastel de nata desses dois outros alimentos.Só se nunca provou nenhum deles).

Posto isto, as palavras de ASP soam logo como um equívoco, por quem esteja mais atento ao que se passa no Mundo. O Ministro Álvaro parece não só ter descido ontem do avião, vindo de longos anos no Canadá, como parece ter vivido de forma eremítica na Universidade de Vancouver, sem acesso às notícias de Portugal, apesar de escrever longos livros sobre este seu país.Talvez seja como criar mundos míticos nas obras de ficção científica ou New-Age...

Antes de mais, parece fazer uma confusão entre o mais geral Pastel de Nata, produzido em quase tudo que é padaria ou pastelaria em Portugal, e o mais exclusivo "Pastel de Belém", de receita secreta e existente apenas na famosa pastelaria da zona lisboeta desse nome. Este, como sabemos, tem uma receita familiar restrita a muito poucas pessoas, um pouco ao estilo de juramento que os artesãos da Idade Média faziam. Já o Pastel de Nata tem variantes e graus de excelência país fora, mais ou menos folhado, consoante o fabricante.

Se o Ministro se referia ao Pastel de Belém, então cometeu um acto de apropriação pública de um artigo privado, já que este governo tanto defendem os direitos adquiridos dos privados empreendedores. Nesse caso foi incorrecto, pois não consultou os autores do mesmo nem sondou as suas perspectivas, quase que apoucando o grande sucesso que têm cá, sem precisar de exportar, com constantes fornadas a sair e a serem servidas. E, já que há que desenvolver também o Turismo, vejamos noutro prisma: se o turista americano ou japonês tivesse uma cadeia de pastéis de nata ao virar da esquina na sua cidadezinha, talvez pensasse duas vezes antes de gastar dinheiro a vir a Portugal e encontrar cá exactamente o mesmo que encontra em todo o lado. Mais depressa defenderia eu que levássemos uma boa cadeia de restaurantes de comida Portuguesa a fazer frente à hegemonia desenxabida e coberta a ketchup da comida dos MacDonalds, mundo fora! Para que aprendessem o que é comer bem e viessem cá experimentar ainda maior variedade. Acaso não sonhamos ver um rodeo texano a sério, escalar os Alpes a sério, comer comida mexicana... no México ,etc etc? Interessa exportar, é certo, mas também interessa importar turistas para virem apreciar aquilo que é único em Portugal... mas VINDO ELES cá!

Por outro lado, se se refere (como parece) ao Pastel de nata em geral, então é porque anda muito mal informado e assessorado e deu uma palestra no improviso total naquela conferência. Fique sabendo que há VÁRIAS empresas portuguesas que fabricam, congelam e exportam pastéis de nata (claro que não é o mesmo, mas..) há padarias de portugueses um pouco por todo o mundo que fabricam e divulgam com sucesso o pastel de nata, há poucos anos surgiu, inclusivé, em pleno centro de Londres um café que servia bicas à portuguesa e pastéis de nata que faziam furor, que se tornaram depressa na coqueluche das élites londrinas, incluindo a Madonna, que então aí residia.

Por isso, fique sabendo o ministro Álvaro que não descobriu a "pólvora" das exportações! Fica-lhe bem ser entusiasta e, como ministro, incentivar essas iniciativas, mas não lhe compete borbulhar de ideias fantásticas para os outros, se a forma de levar para a frente essas iniciativas não tiver políticas de apoio por parte do nosso governo! Faz lembrar o que acontecia , há muitos anos, em certos Conselhos Pedagógicos de Escola: um qualquer grupo (agora Departamento) disciplinar dava belas sugestões para outros executarem. Por exemplo, o grupo de Ciências sugeria para actividade de Escola que o grupo e Educação Visual fizesse uns cartazes etc e tal... Estão a ver a bronca e a reacção natural?

Eu bem sei que era uma palestra, por isso num belo estilo de desenvolvimento académico, mas escutar o nosso Alvarito foi mais penoso do que ver um aluno a improvisar um discurso, numa aula de debate e desenvolvimento de ideias (do estilo: "como é que eu faria para melhorar a reciclagem na minha escola?"). E também agasta um pouco quem ouve o estilo um pouco sobranceiro e quase em tom de censura (parece dizer: por que raio é que vocês estúpidos portugueses não se lembraram de uma coisa destas? Não há UM só que tenha feito isto! Se querem investimento externo mexam-se!- Ouçam e reparem no tom!!!). O que era importante era o ministro dizer de que forma tenciona dar apoios concretos, por exemplo de desburocratização, para que os portugueses possam concretizar essa e muitas mais ideias como essa, tanto para exportar, como para desenvolver as economia interna. A ele cabe pensar nessas medidas, a não ser que queira mudar a carreira para a de padeiro. Aos empresários portugueses é que cabe ... empreender!

De realçar ainda: os portugueses que conseguiram exportar produtos portugueses ou dar a provar as iguarias portuguesas lá fora fizeram-no por sua própria conta e risco. Pelo que deu a entender, o tal senhor do "Nando's" vive na África do Sul. Faz parte da economia desse país. Enriquece-se a si e aos países onde se implantou. Os churrasqueiros de Portugal, por seu lado, fazem a sua vida por e aguçam apetite dos portugueses que cá vivem. Antigamente havia as remessas dos emigrantes para Portugal, muitas vezes bem generosas, mas depois de algumas falcatruas às poupanças de anos dos pobres emigrantes (lembro por exemplo o triste caso da Caixa agrícola Açoriana onde gerentes desonestos deixaram sem nada uma série de emigrantes, sendo o caso, como costume, sido arquivado, ou algo semelhante...), os portugueses da diáspora passaram a guardar o seu dinheiro nos países de acolhimento e apenas a virem cá de férias. O ministro Álvaro tem alguma estratégia na manga para inverter essa situação? Para fazer com que invistam EM PORTUGAL o dinheiro que ganham no estrangeiro com os seus "Pastéis de Nata"?

Não concordo com o que fez Alexandre Soares dos Santos, do "J. Martins/Pingo Doce". Foi falta de solidariede para com os portugueses que não podem procurar noutros países da Europa condições melhores e menos "instáveis"para os seus investimentos. Caberia a A. S. Pereira imaginar leis para melhorar o que se passa, que, por exemplo obrigasse os bancos portugueses a ajudar as empresas portuguesas com... o dinheiro da Troika que foi emprestado para todos os portugueses!

Ideias de negócios temos todos,senhor ministro! Porém muitas delas têm de ficar em projecto, pois os entraves de impostos e de papelada são tantos que desanimam até muitos dos mais resistentes. E para exportar há que contar também com o proteccionismo dos países para onde queremos exportar. Mesmo sendo da UE, sabemos que quase todos eles os têm, encapotados de formas mil. Por isso faz mais sucesso o pastel fabricado e feito lá, do que instalar uma espécie de franchising do Pastel de Nata, como ASP sugeria, ou do pastel de bacalhau, ou do arroz de sarrabulho. Desde logo surgiriam os entraves por influência de outras cadeias, surgiriam os rumores de contra-informação: se dizem que os hamburgers da MacDonalds tinham minhocas e dedos humanos... os nossos amarelos e tostados pastéis de nata seriam acusados de conter o quê? E quantos malefícios à saúde fariam, para os fanáticos da macrobiótica? ... Não seria impossível, mas, como franchising... não passariam a ser produzidos pelos locais e a reverter para as economias locais? Será que nos dariam tantas facilidades nos EUA como eles têm cá? Já temos franchisings nacionais de lojas de sopa e de comida tradicional. Exportar isso seria assim tão linear?

Para já, o que temos conseguido "exportar" facilmente, porque infelizmente temos excedentes, é a clientela para tachos, como vimos agora com a "novela" dos cargos da EDP, onde até aos chineses forretas conseguimos impingir produtos de alto valor acrescentado , nas palavras de um deles (Catroga) equivalente a jogadores de futebol como o Cristiano Ronaldo. São produtos bem pagos, multidisciplinares como o canivete suíço, e com larga capacidade para acumularem muitos salários ao mesmo tempo. Temos portanto o MacCatroga, a MacCardona (soa até bem, não?), o Kentuky Fried Pinto, o Braga King de Macedo. Tudo bem acompanhado de molhos especiais Light ou Spicy.

Afinal ,talvez Álvaro Starbucks Pereira tenha razão! Pensando bem, bastará muita força de vontade, uma boa ideia dos nossos teóricos ou práticos que cá preferem encher os bolsos com trabalho quase escravo de uns(para depois investirem fora; não me refiro ao ministro Álvaro, mas a certos milionários trabalhadores da nossa pátria, que também exportam as suas sedes) e muitos ovos de galinhas... espanholas.

Em frente pela ideia inédita do Ministro Álvaro! Uma ideia que parecia "empastelada" mas... Se afinal até já conseguimos exportar... MagNatas, basta uma simples letra (e muita "letra" à moda do Álvaro) para exportarmos o ... MacNata! :))

Cadeia de franchising "MacNata"... "me aguarde"!

"Alergia" (12-1-2012, in Blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 18 de dezembro de 2011

Um Louco Pré-Natal anda por aí

Assim como há uma Silly Season de Verão, a anunciar alguns cérebros que foram de férias, parece que de vez em quando há uma Silly Season Pré-Natal, a anunciar toda uma distorção e todo um folclore estranho a esta quadra festiva, que em nada se radica no Natal original, de Joy to the world e Paz entre humanos. E , mais uma vez, amplos lotes de cérebros a precisar de renovação.


Na última semana têm sido um sem fim de notícias que ora nos deixam tristes, ora nos fazem rir, ora nos indignam. Mas todas elas mais ou menos em redor de festejos de Natal e "Prendas no sapatinho".


Pego a eito: uma maré de Pais Natais nas ruas Porto para entrar no "Guiness Book" não se sabe nunca bem para quê. Uma mais generosa maré de velas no centro de Lisboa, por intuitos mais solidários (o belo projecto da Casa dos Sonhos ), mas que nos faz pensar por que será que só com as tentativas de bater records certas pessoas aderem em massa ao gosto em contribuir e ajudar os outros.


Há o caso arrepiante passado na Alemanha, onde um louco perverso anda a envenenar jovens, fingindo que é Pai Natal nas feiras e que comemora o nascimento de um filho à sua "Mary Christmas", oferecendo copos de "schnaps"(aguardente) quente. Monstruoso!


Ainda: o "Banco Alimentar contra a Fome " de Braga foi assaltado e teme-se a burla em falsos peditórios.E um pouco por todo o lado "falsos" pais natais e vigaristas que tocam na corda-sensível natalícia da generosidade das suas vítimas.


Porém o caso mais delicioso e inesperado é o do Chefe da PSP de Coimbra que enviou cartões de Natal em nome da sua instituição, daqueles online repletos de sininhos e Árvores de Natal, em formato Power- point. Nada de mais normal. Só com um pequeno contratempo: nos últimos slides do P-point surgiam as fotos de moçoilas "desnudadas" e nada púdicas, como diria um "Diácono Remédios" e ainda os desejos sinceros de uma vida sexual muito próspera (noutros termos, também) a quem recebesse os ditos Postais. Foi o escândalo. O pobre chefe foi "chamado à pedra" e convidado a desculpar-se e a pedir a demissão.


Coitado. Sinceramente! Num país onde comprovados corruptos conseguem fugir facilmente do país e/ou escapar à Justiça, com grande estrelato, ou manobrando o adiar até à prescrição dos julgamentos de recurso (quando condenados), num país onde a pobre culpa morre solteira e os dinheiros desviados para off-shores nunca são recuperados, nem as asneiras de grandes cargos políticos e públicos são jamais castigadas (e até são seus autores promovidos)... este polícia é demitido, por enviar uns postais de Natal, com a melhor das intenções e até baratinho, pois nem gastava selos!


É por demais evidente que das três uma: ou o senhor não leu o postal original até ao fim antes de o reenviar, ou encarregou algum subalterno inconsciente e brincalhão da tarefa, ou leu e até deixou passar, com encolher de ombros,como alívio para a pressão profissional para a rapaziada.


Seja como for, pese as eventuais responsabilidades neste deslize, só o poderá ter feito por uma principal razão : excesso de trabalho. Sim, porque enquanto os polícias e os paramédicos de Londres não têm tido mãos a medir com os distúrbios da época pré natalícia(outra das notícias de Natal que nada de Natal da semana), prendendo gente alcoolizada nas festas e acudindo a centenas de casos de coma alcoólico, o nosso bom polícia Português certamente andará a braços com desmandos alcoólicos dos seus con-cidadãos, tanto lá por Coimbra como outros noutras cidades,o que, ao ter de inalar forçadamente os vapores expirados pelos "Pais Natais" "borrachões" que recolhe, o terá deixado perfeitamente baralhado quanto ao que deveria fazer e quanto à importância prioritária dos postais e à respectiva "dignidade" da Instituição.


Claro, os chefes dele é que têm a visão do que é mais relevante: o bom Povo Português prefere saber se os nossos polícias enviam postais decentes com ajudantes de Pai-Natal totalmente vestidas, --aliás para não dar a impressão que em Portugal a crise é tão grande que as portuguesas já não têm roupinha para o frio Inverno-- e que nenhuma gaffe dessas é cometida, do que se os assaltantes violentos são presos! Tal como prefere saber se os formulários de queixa têm todas as devidas vírgulas, do que se os assassinos são descobertos. Coisas de pouca monta, num país de brandos costumes.


Já nada me admira portanto, na loucura que parece grassar nacional e internacionalmente, nem esta demissão, nem o facto de, num país onde corruptos, ladrões e assassinos e pedófilos que escapam à prisão, termos , por outro lado, por vezes, forças policiais a dar crédito a queixas tontas de pessoas visivelmente perturbadas e/ou etilizadas, com base em alucinações e paranóias de perseguição. Não sei escutam tais queixas por mera piedade, se por gozo, ou se pela possibililidade de preencherem um belo formulário daqueles que ficam em branco nas não-queixas por assaltos a residências, por exemplo, por conselho de "não vale a pena" dos agentes policiais.


Por isso a minha solidariedade para com este Chefe de Polícia: ou estaria muito assoberbado com assuntos que realmente importam à missão policial, ou andaria afogado nesses tipos de queixas e até deixou passar as "pin-ups", para desanuviar com imagens femininas que julgou mais saudáveis. Ou ambas as coisas. Mas o tal pedido de desculpas teria bastado, bolas!, num país onde um nojento psiquiatra violou a paciente grávida de forma escabrosa e foi absolvido, só para dar mais outro exemplo extremo.


Hum... e o que fazem os governantes nestes Tags aqui abaixo? Pois bem, essa foi a prenda envenenada do nosso primeiro-ministro no sapatinho, nomeadamente no dos professores portugueses, mas que não tarda será convite extensivo a outros profissionais com estudos e cultura, formados a custo e a pulso com investimento dos pais e de toda a nação: que emigrassem, em caso de desemprego, nomeadamente para Angola (???) e outros PALOP. É o que muita gente diz que terá que fazer, a boca fechada ou entre amigos, mas não cabe de facto a um chefe de Governo, que prometeu um país melhor depois de dificuldades a enfrentar por todos, mais uma promessa que quebrou nas declarações divulgadas hoje e ontem (sobre a machadada certa nas pensões futuras ... que se fizessem PPR, aconselhou então, perante a felicidade das seguradoras e bancos. Lá deve saber o que resta em caixa, depois de rombos de décadas).
A meu ver, bem pior que enviar postais natalícios com mulheres nuas. Estas "felicitações" de Natal são totalmente pornográficas e insultuosas, para mais vindo de alguém que , pese o ar composto e simpático, ainda vem com algum cheiro das "fraldas" das "jotas-dodot" e com pouca rodagem em "voadores" ou em "tapetes de actividades" do mundo do trabalho.


Deveria estar a decidir e a ter ideias próprias, criativas e construtivas, mas em vez disso enviou, displicente e de perna cruzada em entrevistas (no Correio da Manhã de hoje dia 18), estes "Cartões de Natal" indecentes aos cidadãos. Alguém acima dele deveria exigir que se demitisse, ou pelo menos que pedisse desculpas formais aos visados, pois em nada prestigiou a instituição que dirige e pela qual jurou servir com a própria Honra. Sim, Portugal.


Já há posts excelentes sobre o assunto por essa blogosfera, mas não podia deixar passar algo quer chocou todo o país (pelo menos a boa parte que está atenta).


Ma o post vai longo e certamente retomarei o tema.


"Alergia" (18- 12-2011)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Confiemos na Música dos portugueses! :)


(We Trust "Time (Better Not Stop)"-  Portugal- 2011)
Novas gerações  de bons músicos portugueses não cessam de nos supreeeender pela positiva. Mesmo que cantem em Inglês. São questões de marketing e de internacionalização . Compreensível num país pequeno e periférico como o nosso.
Por exemplo: quem é que não ouvira já esta canção na rádio, não ficara logo encantado e contagiado e depois não ficou surpreendido  ao descobrir que era criação de portugueses? (um pouco ao jeito  do ministro Álvaro , perante as maravilhas de produção portuguesa, naquela feira de artesanato).
Divulgarei outros grupos portugueses interessantes, nos próximos tempos, porém destaco esta do grupo We Trust. Há quem os compare aos "Air", mas desculpem lá os "Air"... este som, os arranjos e a voz são melhores (sem toques de...  Art Sullivan, entendem?)
Dá vontade de escutar mais do que uma ou duas vezes seguidas. Tem uma sonoridade soberbamente positiva e ao mesmo tempo tranquila, ao mesmo tempo para dançar e para contemplar. Uma espécie de banda-sonora para a Esperança e para a frescura de cada dia novo.
E o video (que não me parece ser filmado cá, o realizador tem nome nórdico...) também está à altura, pois não abafa em demasia todos os ambientes que possamos ter imaginado para a música.
Não paremos de incentivar e escutar a música feita em Portugal!  E não só os fados .:)
"Better not stop"!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Salvar o Património em "2 em 1"...


 ("Linha do Tua, património por classificar" 2008- om música portuguesa variada: S. Legião,  A Naifa..)

Mais tarde ou mais cedo, a questão da manutenção do Douro como Património Mundial iria dar polémica, apesar de já classificado pela Unesco. Mas isso não  aconteceu pelas razões que me levavam  a temer tal humilhação para o nosso País.
Em Portugal tratam-se este tipo de situações um bocado como certos alunos tratam os exames. Decora-se tudo muito  bem  na véspera, fazem-se trabalhos muito lindos com imagens a 4 cores,entrega-se o trabalho, ou "despeja-se" (é mesmo a gíria estudantil) a matéria no exame  e está "feita a coisa". Resta esperar a classificação. E quase tudo é para esquecer,depois, em vez de ser para aprender.
Da mesma forma com estas candidaturas: convocam-se os pareceres dos melhores especialistas, fotografa-se e documenta-se tudo, argumenta-se brilhantemente, faz-se o volumoso "dossier"  em papel de luxo e espera-se.
Como normalmente o "alvo" da candidatura é mais que merecido e está a precisar de ser salvo das garras da Humanidade, lá vem a classificação de Património da mesma, há regozijo, aplauso e... que tudo surja em seguida por obra e graça dos mais esforçados dos seus defensores, sem grande estratégia nacional. Como em tanta outra coisa, sem uma Visão Global e integrada do problema agora em mãos.
  De seguida há muitas reportagens mais ou menos ofegantes no local, todos ficam a conhecer televisivamente os melhores recantos daquele tesouro nacional(veja-se agora a febre do fado, como eu  em receava, AQUI ... eu não dizia?!), os particulares mais vivaços publicam em livro um sem número de fotografias recentes e antigas daquele lugar paradisíaco, de preferência por altura do mais perdulário Natal, ficamos a conhecer em várias poses as personagens castiças do local, desde a vendedeira de figos ou de mantas ao velho pastor e ao seu cão, passando pelo "Emplastro" da aldeia mais típica e fica todo o país muito orgulhoso.
Numa segunda fase, começa a poeira a assentar e um ou outro grupo de mais endinheirados , também vivaços, tentam criar uns estabelecimentos hoteleiros e atracções turísticas extra. Começam a surgir os disparates: um parque aquático numa bela encosta, um hotel que, em vez de representar a riqueza arquitéctónica da região, usa apenas os seus "materiais nobres", cobra preços proibitivos (para ser selectivo, claro, nada de populaças! Nem de "emplastros" ou vendedeiras) e que ilumina tudo a tons de sépia escura, de forma a não deixar o turista ler, que  o que deve é comer e beber(e , se calhar, não conseguir ler o preçário...).
Enquanto isso, os promotores da ideia, ou pelo menos os que restam nos organismos, tentam organizar tudo para que não caia no descalabro, proibindo o que conseguem quanto aos estragos paisagísticos, tentando criar normas que levem para a frente o local homenageado, para que não se desvirtue a sua essência. Batem muitas vezes com o nariz em muitos entraves, que incluem os exageros turísticos de quem antes  entregara a zona ao esquecimento, mas que agora... se está sempre "a lembrar", com novos projectos mirabolantes prontos a descaracterizar a zona.
No caso do Douro Património Mundial da Humanidade, valham alguns organismos e seus paladinos e o bom senso também de muitos dos vitivinicultores que sempre souberam a maravilha que ali se "escondia" ao Mundo, mantendo as tradições paisagísticas e culturais na parte que lhes toca.
Por outro lado, ainda,o  que era fundamental e até obrigatório fazer, segundo a Unesco, seria um "Plano de  Gestão da Região", que como também é tradicional por cá, já existia no papel, mas ainda não estava a ser aplicado.
Porém, com tudo o que falha e tudo o que ajuda a manter a qualidade e genuinidade desse Património, há um pequeno pormenor que ninguém pode precaver: os governos centrais do País e os caprichos dos seus líderes. Desta vez,como em tanta outra desgraça,  o algoz foi o Governo de Sócrates, com a sua "paixão" magalhanesca pela tecnologia e pela palavra "moderno", que para o seu PM significava tudo o que se ligasse à corrente e tivesse luzinhas a piscar, desde os defuntos pc "magalhães" aos quadros interactivos,  passando pelos carros eléctricos particulares e por aquelas empresas de bombas térmicas a fingir de fotovoltaicas. Tudo o que implicasse vestir de vez em quando uma fatiota azul, um capacete e uns óculos de protecção, ao visitar  uma empresa , "moderna" está claro, de onde saia satisfeito a dizer "porreiro, pá!" e clamar novos postos de trabalho (em princípio, até à deslocalização seguinte) e um amanhã glorioso perante os microfones dos O.C Social.
Portanto, neste caso não foi o seu sucessor, PPCoelho, a errar. Foi o Governo de Sócrates que deu luz verde ao projecto da barragem do Tua, zona vizinha do  Alto Douro vinhateiro(galardoado como Património Mundial), em troca de uns insignificantes Gigawatts. Destruindo a linha histórica  de comboio do Tua , incomparável no Mundo, e,  com a  construção da barragem, destruindo uma paisagem que infelizmente nunca vi em directo, mas que  quem viu diz ser inesquecível e de cortar a respiração.
Deixo aqui um video feito aquando da reabertura da linha do Tua, já em automotora moderna, em 2008, que permite espreitar um pouco essa beleza. Mais tarde deram-se os misteriosos descarrilamentos, por falta de manutença ou outra razão, o encerrar da linha que tanta gente servia e o desmantelar da mesma, por sucateiros de autorização duvidosa (mas isso já são casos de tribunal).
Hoje surgiu então esta notícia como uma "bomba" para o nosso brio português:
"Barragem do Tua põe em risco Património Mundial no Douro" (Público, 7-12-2011)
 Agora,  o que é irónico é que a classificação do Douro, ou a sua Desclassificação está em causa,mas  não por certas asneiras feitas no local, pela voragem do lucro ou da estupidez; e a continuação da construção da barragem do Tua está em Xeque, mas não devido (directamente, pelo menos) aos continuados protestos dos Ambientalistas e milhares de portugueses contra esse crime.
Quem vem por em causa a manutenção da Classificação do Douro é a própria Unesco, pela mão dos seus peritos, chamados para a avaliação regular da situação. E são eles e o seu parecer que deixam nas mãos do novo  governo a sensatez que será parar a construção da barragem.
  Explicando: embora o vale do rio Tua não pertença já à área classificada pela Unesco (aliás, mereceria a sua própria candidatura!), é bem visível das encostas do Douro, estragando o conjunto paisagístico!
Assim: se a barragem for para a frente, podemos perder um importantíssimo trunfo turístico Nacional. E em vez de ser destruido "apenas" um tesouro ambiental e paisagístico são destruídos DOIS!
Portanto, Sr. PM, Srª Ministra Cristas e senhor ministro Álvaro, não há que hesitar! Tenham rasgo, bom senso e ajam como jovens  ousados que (ainda) são! E como verdadeiramente "modernos" como devem ser. Pare-se a obra no Tua e salve-se e reabilite-se o que se pode, num país onde um dos maiores coletes de salvação é o Turismo.  Onde um dos maiores tesouros irrepetíveis e únicos é a beleza natural. Sr. ministro: aquilo é tão belo que... "nem parece Português"! Ainda é mais belo que o Canadá, atrevo-me a dizer!
E optem também por não ficarem amarrados a mais esta asneira da precipitação "determinada" do governo anterior. Já basta a dívida pública que então inchou!
Façam o que é boa política e boa escolha. Qual Souto Moura a  tentar disfarçar o impacto paisagístico da obra, qual quê! Vai ficar-nos tudo muito mais caro, a curto, médio e longo prazos.
Há teorias que já de si são discutíveis, mas no que respeita ao nosso Planeta Azul não se aplicam.A Natureza, depois de  destruída e empobrecida, não se revigora como  Fénix das cinzas. Quando isso aconteceu foi quando o Homem desapareceu do Horizonte.
Senhora ministra do Ambiente, salve o Tua! E, ao fazê-lo, vai ser então como certos champôs "2 em 1": salva o Tua... e o Douro também! E ainda poupa! Poupa!!!! *
Margarida Alegria (8-12 -2011)
* e arrecadam  mais uns milhões em breve, vão ver!

domingo, 27 de novembro de 2011

Património Mundial: CAMANÉ "Sei de um Rio"


(Camané  "Sei de um rio"- 2008)
Pouco a acrescentar ao grande entusiasmo que reina hoje por  Portugal e não só, pela declaração, pela  UNESCO, do Fado como Património Imaterial da Humanidade.
Da parte que me toca, talvez por não ser lisboeta, não cresci numa cultura de fadistas (só de tristes "fados"...). Em crianças,  eu  e os  meus irmãos parodiávamos, até, a pose  dos fadistas, nas nossas brincadeiras, com os seus xailes,  os seus olhos  fechados e  as suas nucas lançadas para  trás.  Os  meus pais  cantarolavam bastante, mas  eram  temas  de filmes ou romantismos brasileiros. Achávamos piada ao estilo da Hermínia Silva e seus àpartes, respeitávamos Amália e Carlos do Carmo.
Mas não era entender e sentir o Fado.
Depois crescemos.
Passei a apreciar o Fado dos estudantes de Coimbra, principalmente nas vozes de Luis Góis, Adriano Correia de Oliveira e José Afonso.
Já o fado lisboeta continuava... quase como aquela paixão alfacinha por comer caracóis: um mistério!
Levaram-me a casas de fados, escutei e respeitei. Porém não o conseguia viver por dentro, à parte alguma letra/poema mais bonito, o apreciar o som da guitarra.
Lá se vai envelhecendo e aprendendo com a vida, no entanto. E veio uma nova geração de fadistas e de autores de fados que refrescaram o género musical. E uma melancolia suavemente instalada começou a rimar com alguns fados, algumas vozes que os traduzem aos nossos ouvidos.
Um exemplo é Camané. Nem quem não entenda Português pode negar a limpidez desta voz, a beleza deste fado.
Que esta distinção da UNESCO sirva para ajudar a conservar o que já foi feito neste mundo do Fado , como a manutenção e pesquisa dos seus arquivos (lembro, por exemplo, o ressuscitar daquele fado de Amália, censurado pela Pide, de nome "O Medo", outro dos poucos que aprecio muito) ou o incentivo aos novos valores.
Por outro lado espero que não dê para aquelas reacções exageradas de extremos em que somos especialistas em Portugal, de termos agora uns largos meses a transmitir apenas fados e entrevistas a fadistas, de pôr os alunos das escolas a cantar fados, a estudar letras de fados, a fazer fantasias de fadistas e a construir casas de fados com fósforos, a levar as Joanas Vasconcelos do país a imaginar exposições de guitarras portuguesas  gigantes  feitas com colheres de pau ou com caricas... ou seja, a levar as pessoas a começar a "vomitar" fado pelas orelhas de forma a acabar por fazer uma campanha contraproducente que em pouco tempo ponha Portugal a dizer: "Oh! Outra vez Fado? Nããão!" :)))
  (O outro exemplo que me faz temer isso foi a febre pessoana aquando do centenário do nascimento de Fernando Pessoa! Falava-se de tudo do Poeta, desde a pose do chapéu às sus contas de lavandaria, mas esquecendo o abrir as sensibilidades para entender os seus poemas! O que valeu foi a intemporalidade e grandeza da sua poesia, que sobreviveu a essa "torrente"!)
Ah! E já aprendi a apreciar, ou mais ou menos, um ou outro pratinho de caracóis! :))

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Exportar o povo: mais uma achega...

("Emigrante"- José Malhoa, daqui)

Já muito foram comentadas e gozadas as palavras de um tal "Mestre", secretário de Estado do Desporto, ao que dizem, que abertamente aconselhava os jovens portugueses a emigrar, saindo, portanto da sua "zona de conforto" (sic).

Mas não quero deixar de dar mais umas "malhadelas", pela alergia que a insensibilidade de tal tipo de discurso me provoca.

Primeira reflexão:

Subscrevo aqueles que sugerem ao referido governante para dar o exemplo e emigrar também, mas sobretudo proponho a esse senhor que venha visitar o sem-abrigo que há umas semanas instalou a sua "zona de conforto" sob uma das arcadas do prédio onde moro.

Certamente esse português apreciaria o debate e trocaria de bom grado de lugar com o senhor Mestre. O local é relativamente abrigado das intempéries e de maldades (antes, abrigara-se noutro onde era presenteado com baldes de água), tem a "sorte" de ser uma zona cheia de pessoas com bom coração, que repartem o pouco que têm para comer e lhe vão dando alguns mimos, tendo ainda alguém de confiança que lhe guarda os haveres mais valiosos. Sim, deve ser uma "zona de conforto" que se enquadra na perfeição da alusão do sr. secretário de estado. Por isso, também deveria ser exportado para outras paragens, para ir deitar a sua enxerga nas ruas mais plenas de oportunidades de Madrid, Paris ou Londres. Seria o trocar uma "zona de conforto" por outra... mais fresquinha.... :(((
Segunda reflexão:

Enquanto há governantes a convidar a população a emigrar (a nossa maior riqueza, criada com esforço pelas mães e pais de Portugal, com força braçal e também cérebros), há outros, precisamente do mesmo governo, que se recusam a taxar com força as mais-valias e as especulações da bolsa (ai, tão produtivas!!!!...) alegando que tal afastaria o "investimento"estrangeiro em Portugal.
Deixem ver se entendo: portanto todos sabemos que a Suíça é o banco do mundo, pois não faz perguntas a quem para lá desvia o dinheiro, que os "off-shores" em paraísos fiscais exóticos... idem, que a Holanda está a tornar-se das principais beneficiárias das nossas fugas aos impostos, pois boa parte das nossas empresas lá estabelece a sua sede ... e Portugal? Torna-se banco atrativo e off-shore, como é o caso da Madeira, mas sede de empresas estrangeiras não o vemos a tornar-se. Antes fornecedor de mão-de-obra barata, cá dentro e lá fora.

Portanto, em resumo, vejamos se estou a ver bem a coisa...Exportamos os portugueses, para fora da sua "zona de conforto" e, em troca, IMPORTAMOS ainda mais fortemente a lavagem de dinheiro os correios de droga e outros tráficos, numa zona franca "de conforto" para toda a pirataria mundial, já muito mais confortável para "investimentos" de malabarices internacionais, mas sem lugar para os nossos.

É caso para dizer : mas que bela "troca comercial"! Daí andarem a desinvestir em força na Educação, para correr com os jovens que restam ainda mais depressa!
Não haverá investidores estrangeiros a querer importar estes "cérebros" desgovernativos?

"Alergia" (8-11-2011)