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domingo, 13 de janeiro de 2013

Esta noite SONHEI COM A EDP!!! :((

            A sério!
Nunca tinha tido pesadelos com este tipo de assuntos,mas aconteceu. Sonhei com a EDP, ou melhor, com uma sua factura.
É simples de relatar:
Chegava-me por estes dias uma conta da electricidade. "Outra?!", exclamava eu.
De facto, ainda há pouco tinha chegado a última factura e aquela parecia ser um lapso de serviços, ou uma mudança imprevista do prazo da factura seguinte. Eu ficava aflita, pois era um imprevisto no orçamento do mês. Pois, como todas sas facturas dessa empresa, engano ou não, tinham uma obrigatoriedade inexorável e impiedosa que eu não conseguiria combater (lembro-me sempre de uma das suas funcionárias, perante os juros de mora cobrados um dia, num suposto atraso meu a pagar, quando a factura chegara atrasada-- aqui em casa não se vai nisso de débitos directos...- "Não temos nada com isso. A EDP é uma empresa, com os seus compromissos." (leia-se centrada nos lucros certos e indiferente ao peso do justo serviço aos cidadãos).
Acordei então, nessa aflição, como sempre se acorda dos pesadelos. Não que não tivesse, por ora, meios para pagar uma nova factura, caso ela viesse, mas pois, tal  como no caso da "EDP é uma empresa", também cidadãos como eu não podem viver de incertezas mês a mês, já bastando aquelas contas inesperadas no mecânico ou um ou outro livro mais caro que se compre (um luxo, ou talvez possamos apelidar de luxo-bife,na imagem dos nossos desgovernantes e seus subservientes acólitos). Acordei , portanto, a pensar no dinheiro que ainda me restava na conta até ao fim do mês... e isso é felizmente uma preocupação que, para já, raramente me domina, pois sou poupada nos gastos, nunca vivi "acima das minhas possibilidades", longe disso.
Acordar de madrugada a pensar em dinheiro e em contas não tem piada nenhuma, nem que essa situação tenha tido origem onírica.
Dizem que os sonhos partem de misturas do que vimos, vivemos e sentimos quando acordados.
Lembrei-me então daquela senhora, em reportagem de TV de ontem, que recebera uma avaliação para IMI de mais 400 euros, numa casa de décadas avaliada como se tivesse 14 anos. Nem as facturas do que pagara de IMI pela casa, desde 1990, o que provava a antiguidade do imóvel, lhe valiam perante a insensibilidade cega da máquina trituradora do Estado, que nunca lhe respondera às reclamações (ou apenas no tal "Ah, está escrito pela Autoridade Tributária, tem de ser..."). Ia ter de contratar um solicitador para colocar o caso na Justiça. E recebia apenas uma pensão de cento e poucos euros!
E lembrei-me da aflição em que têm andado empresas e cidadãos, sem saberem quanto lhes vai ser pago em Janeiro, por o mesmo Estado  lambão ,que impôs cortes e aumentos de impostos, não tratou de fornecer os dados de cálculo para as entidades patronais quanto ao que deveria ser cortado e quanto aos duodécimos a serem considerados ou não.
Os cidadãos também têm a sua economia caseira, as suas despesas e compromissos mensais, mas são assim tratados por quem decidiu unilateralmente tanto esbulho fiscal.
Daí talvez a minha síntese destes e outros casos para um sonho, onde o Estado  e a sua injustiça sanguessuga se transformou na EDP ( e I wonder why logo essa empresa, tão coladita às benesses do estado, não é? LOL).
Hoje sonhei com a EDP... e não foi um sonho bonito. :(
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sei que este blog é essencialmente de humor, mas hoje o humor a existir surge só mesmo amargo, ou muito "analógico".
E por falar nisso, como expliquei no post mais abaixo sobre o concurso de blogs do "Aventar" ("votem! Votem!"), as votações estão suspensas até amanhã, lá nesse blog, por razões técnicas. Amanhã voltarei a fazer um post para as votações.
E aqui não houve imagem, também devido a problemas técnicos.
Mais logo segue-se um outro post, sobre outro assunto. Até loguinho.
Margarida Alegria (13-1-2013, in blog "Alegrias e Alergias)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

12-12-12 (post para assinalar)

Pré-programei este Post para marcar a efeméride original e única: o dia 12 de Dezembro de 2012 (12-12-12), já agora, às 12h e 12 minutos.
Era uma das datas  por aí mencionadas para o Fim do Mundo, mas parece que ele nunca mais chega. Embora ainda não estejamos livres, este mês (falam também do dia 21, que é já aí!), segundo os antigos Maias ou algo assim.
De qualquer forma, fim do mundo ou não, é de assinalar. Para mais que hoje tenho a firme certeza de que o País e o Mundo estão neste dia PIORES do que há precisamente um Ano. E que no dia 21, ou daqui a um ano, a continuar neste ritmo, estarão indubitavelmente PIOR, a continuar neste estilo de medidas, de cortes, de destruição da vida das pessoas: cortes e REcortes, centralizações constantes, controlo e vigilância dos cidadãos por autoridades não eleitas ou para tal não mandatadas, pontapés nos direitos humanos conquistados ao longo de séculos, desfazer de promessas e do que resta da democracia (por pessoas mentirosas).
Não será este dia o FIM do Mundo, mas de certeza que, para muitos portugueses e habitantes deste triste planeta, esse FIM do mundo já terá chegado às suas vidas, com a destruição dos seus  haveres, dos seus sonhos, dos seus planos, da sua Esperança.
E digo isto eu, que sou quase sempre optimista e que acho sempre que mesmo algo de mau traz consigo um sedimento de algo de bom e aproveitável.
Em tempos de chumbo como este, não basta, como sugeriu uma fazedora de livros da moda, numa entrevista ao jornal " i" , fazer um "downsizing" do seu "life-style"(!!!!-- Quem? Margarida Rebelo Pinto, ora quem mais poderia ser?). Nem mesmo que a senhora tentasse, de uma vez por todas, fazer algum "life-sizing" do seu  "down -style"...
Restam as frases animadoras que aqui deixo, no postal ilustrado acima, frases, aliás, que se podem aplicar a qualquer um dos 365 dias de cada Ano. Mas fazer o que elas aconselham está dificil. Cada vez mais. Já nem todos os sentidos nos permitem ver  e sentir as belezas da Vida, pois cada vez o tal Tempo que voa nos escraviza para que não tenhamos oportunidade de sermos minimamente donos dele, Tempo. "Viver a vida no seu completo potencial" é também cada vez mais uma frase feita, numa sociedade que inculca a alienação, que, à falta de poder controlar toda a nossa Vida e pensamentos, faz de tudo por ao menos ridicularizar os nossos sonhos. Resta-nos, claro e sempre, lutar. E se não lutarmos por nós, dificilmente mais alguém o fará por nós...
Quando cada vez mais vejo quem é ou  foi essencialmente egoísta a "safar-se" por entre os "pingos da chuva" e do outro lado vejo quem é altruísta a apanhar o "aguaceiro" dos problemas todos em cima, mesmo que se tenha munido dos devidos guarda-chuvas. Sem oportunidade de "cheirar a chuva" como o postal romanticamente sugere...
Saboreiem bem o dia, portanto, vós pessoas da paz! Pois cada vez menos alguém sabe o dia de Amanhã ou a "percentagem" de Amanhã que pertence à nossa própria escolha.
Até logo.
Margarida Alegria (in blog "Alegrias e Alergias", 12-12-12, 12h 12m)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Depois do Rio, o Mar... (Música para o serão)


The Waterboys- This is the Sea"
Como    a letra da canção  sugere, a vida não é apenas como (segundo a vulgar analogia) um belo  e simples rio, por onde fluimos com os nossos projectos, sonhos e receios, com maior  ou menor corrente, mas desaguando pacificamente no Oceano.
Há  Eras e momentos  marcantes da vida individual e/ou colectiva em que, sem que nos tivessemos equipado com bóias ou coletes,  damos por nós  directamente    no mar  , longe do nosso trajecto fluvial, sem cais que nos acolha...
Portugal, a Europa, boa parte de nós... encaramos um momento desses.
Incerto, medonho, avassalador...
Pensaramos saber tudo da nossa própria navegação.

 "But that was the River... This is the Sea.."
Enfrentemo-lo pois, olhando a onda de frente. Poderemos sair um tanto machucados e molhados. Só não sejamos condescendentes com monstros que nos sonham tragar,  com as rochas  mais duras e escorregadias que não são porto seguro, nem com as voláteis medusas, viscosas e traiçoeiras teias marítimas.
Um arrepio percorre-nos a espinha, mas assim como rio era "nosso", assim também será o Mar.
"Behold the Sea!"
Boa noite...
"Alergia" (6-11-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Aqui a letra:
"This is the Sea"
These things you keep
You'd better throw them away
You wanna turn your back
On your soulless days
Once you were tethered
And now you are free
Once you were tethered
Well now you are free
That was the river
This is the sea!

Now
if you're feelin' weary
If you've been alone too long
Maybe you've been suffering from
A few too many
Plans that have gone wrong
And you're trying to remember
How fine your life used to be
Running around banging your drum
Like it's 1973
Well that was the river
This is the sea!
Wooo!

Now
you say you've got trouble
You say you've got pain
You say've got nothing left to believe in
Nothing to hold on to
Nothing to trust
Nothing but chains
You've been scouring your conscience
Raking through your memories
Scouring your conscience
Raking through your memories
But that was the river
This is the sea yeah!

Now
I can see you wavering
As you try to decide
You've got a war in your head
And it's tearing you up inside
You're trying to make sense
Of something that you just don't see
Trying to make sense now
And you know you once held the key
But that was the river
And this is the sea!
Yeah yeah yeah yeah yeah yeah yeah!

Now I hear there's a train
It's coming on down the line
It's yours if you hurry
You've got still enough time
And you don't need no ticket
And you don't pay no fee
No you don't need no ticket
You don't pay no fee
Because that was the river
And this is the sea!

Behold the sea!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Enquanto decorre o Conselho de Estado, um Prelúdio Musical:Cantiga para quem Sonha - Luiz Goes


(Luiz Goes,Cantiga  para quem  Sonha"; video de  Cristina C. Gil,2011)
Na homenagem tardia a Luiz Goes ,falecido há dois dias , o maior dos intérpretes de Fados de Coimbra (e mais famoso,exceptuando  José Afonso).
Há muitos anos que não escutava este tema um dos mais cantados nos Campos de férias, para além  do"Canto Moço" do referido Zeca Afonso.
A letra é sempre actual  e adequada aos dias que correm não acham?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Setembro aqui, de novo....


(c )Margarida Alegria(Setembro de 2012, Portugal)
Em breve (muito breve) terão muitos e novos posts. Prometo também resposta a todos os comentários simpáticos que aqui fizeram nos últimos dias.Tenho estado com pouca ou nenhuma net, o que me trocou certas "voltas", mas o que até virá por bem, apesar de tudo.
 Para já tem sido prioritário apanhar muito sol , enquanto não o taxam também. Estar perto de quem nos quer bem (pelo menos de alguns). Retemperar forças para tanto que aí já cai em catadupa e nos espera. Com o passar dos anos aprendi a relativizar. E aprendi amargamente e em anos  recentes a não voltar a me deixar ludibriar, em matéria de atitudes, de sentimentos.  Cada vez mais me capacito: se há algo que "odeie" é o Egoísmo, a Crueldade, a Arrogância. Formas requintadas e supremas de Estupidez.
E isto não e fazer-me de vítima: já fui vítima de  FACTO de muita coisa e de muitos "bandidos", mas não invento isso e  admito-o e ouso lutar a sério contra a iniquidade. Ao contrário de quem se faz  vítima a toda a hora (talvez para se dar importância que não tem)  e se julga alvo de perseguição(!!!) de todos os ângulos, mas depois diz que não tem vocação para esse papel (suspiro... enfim!)...Ao menos soubessem  fazer verdadeiros balanços de vida e corrigir os erros enquanto podem... sarar algumas feridas dos outros...Mas há quem se recuse a aprender e a se arrepender. Quem se julga "superior"(até com direito a medir o  amor armando-se em ser "hiper-sensível"..),  eterno e com  manha para ludibriar a boa vontade alheia, os ainda ingénuos. Verdadeiramente triste, essas "Almas"... sem Luz, quando poderiam ter sol, nem que fosse de Setembro. Vidas azedas  e desperdiçadas  por mera estupidez. Mas sempre com gosto   em magoar o demais.  Vidas fátuas que podem ter  verdadeiros  paladinos a seu lado, mas que os tomam por garantidos e os  desprezam em troca de quimeras superficiais. Felizmente são aberrações pouco comuns. Só podem ser...
Setembro está de novo aí, com a sua melancolia e  surpresa.
Aí estaremos também. Com coragem. Fiquem com David Sylvian.

domingo, 19 de agosto de 2012

Música para dias de Verão: Fernanda Takai - Diz Que Fui Por Aí (ao vivo)


(Fernanda Takai- Diz Que Fui Por Aí (ao Vivo)--DVD" Luz Negra", 2009?)
Esta música começou por ser um Samba, de Wilson Simonal com ritmo muito diferente. Depois (a malograda) Nara  Leão   transformou-a  em Bossa-nova, na versão mais famosa até agora.
Nesta variante, FernandaTakai , também vocalista do grupo  brasileiro Patu Fu, ,dá-nos  a versão suave e dulcíssima de balada,  qe alguns puristas julgam traidora do  original , mas que a  maioria apreciou.
Por vezes é difícil  dizer se uma versão é melhor que o original. Geralmente não o é, mas temos  de saber escutar.
Já no resto  da vida e especialmente  no que toca a pessoas,prefiro sem dúvida o original à cópia, a essência que  existe em cada um às  várias versões que as pessoas tentam dar de si próprias. Desnecessariamente. Não passam de máscaras e no fundo não escondem nada. Se calhar só o vazio.
Eu também vou andar por aí, como diz a letra descontraída da canção : e como só os brasileiros para aliarem uma bela melodia à leveza aparente das letras!-- Mas só aparente. Reparem que ,apesar do "andar por aí" parecer irresponsável, no fundo o que importa é o ir PENSANDO e pensando no que mais importa a cada um. O "Nela" de Simonal decerto era uma sua amada, mas para nós poderá ser algo mais amplo: a VIDA em geral, a Saúde, a FELICIDADE... enfim, o que mais valorizamos nos nossos passeios despreocupados pela existência estival (e não só).
Vou andar por aí, mas estarei sempre atenta, pois o essencial para mim não tem férias: Atenta à vida, à Educação em perigo, à Felicidade que nos foi prometida mas que se parece arredar para longe constantemente, pelo menos no que toca a alguma tranquilidade e segurança que haviamos conquistado com trabalho.
Não levo violão, pois o não tenho, mas vou andando com os olhos atentos às estrelas no céu, entre as nuvens.Às flores que brotam nos recantos esquecidos, aos seixos originais na areia e aos limos que se estendem em verdes e vermelhos salgados na água que vivifica e nos reduz à nossa pequena e justa  dimensão no Universo. 
Não creio ser "popular", mas sempre fui sociável , de forma sossegada,vá lá,  tenho não  digo "muitos" amigos mas bastantes e sempre a aumentar. Assim tento tratá-los sempre com carinho.Alguns mais próximos, outros mais distantes ... Alguns sei que são mesmo bons amigos, pois não fazem  inúteis "saladas  de desconfiança na cabeça" no que Eduardo Galeano denunciou , numa entrevista que  vi há dias, como um dos factores de empobrecimento da Humanidade: a (des)educação que existe para a desconfiança (que prolifera e que leva os humanos, irmãos em espécie e em sonhos,  a virarem as costas uns aos outros e a ficarem cada vez mais sós. Só com união e confiança sobreviveremos à vida dura que se agudiza, concordo com ele!)
Por isso, fiquem tranquilos,"irmãos"... Eu vou andar "por aí", num Verão de sol entimidado, tentando dar atenção aos "meus" e ao que importa, com Confiança q.b., convivendo no grau que posso, mas sobretudo, esquecendo todas as versões de mim que possa vir a tentar usar na Vida.
Pois a vida é só uma (para já!!!), a vida é curta.
A Vida é bela, apesar de tudo.
Mas optemos pela original.
Enxotemos as máscaras.
Bom passeio pelos dias de sol e muita Vida "por aí " a todos!
(pronto.. era só uma música e deu nisto...  tenham Paciência!) ;)
Margarida Alegria (19-8-2012, in blog "Alegrias e alergias")

domingo, 1 de julho de 2012

Música e Nostalgia com votos de boa Noite




(David Sylvian- Nostalgia,-- In Praise of Shamans, Tour, 1988)
Música para uma boa noite. Do "mestre" David Sylvian, "Nostalgia" (álbum "Birilliant Trees"), aqui num tour, mas numa perfeição de sonho, para música ao vivo. sem as tecnologias sonoras actuais...
A maioria das imagens do video consistem em excertos de outra "Nostalgia"(Nostalghia, 1983), o filme de Andrei Tarkovski.
Duas nostalgias, duas obras de arte, Três nostalgias, com a minha, a vossa, a nossa.
Boa noite!




sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança(1 de 2) :"Direitos Humanos para Crianças"


("Direitos Humanos para Crianças",desenho animado 2008--Realização: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Brasil)
Para assinalar   o Dia Mundial da Criança, no Ano amargo de 2012 (que  vê os direitos antes alcançados a  regredir para crianças e adultos) , dois  videos, aqui no blogue.
O primeiro é esta  animação, que põe quatro crianças de diferentes contextos sócio-culturais  a tentar  promover,  no seu estilo simples  e  fantasioso,  a  defesa   dos Dreitos  Humanos, especialmente o direito  a estudar  , entre outros....

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A Certeza do Acaso na Divina Comédia da Vida...


(The Divine Comedy "The Certainty of Chance", Live at the Palladium 2008?)
Uma das minhas canções  favoritas de sempre, por um dos grupos míticos das últimas décadas, os britânicos (irlandeses do Norte) Divine Comedy, aqui ao vivo.
Há um video "oficial" que só há pouco descobri (VER e COMPARAR AQUI) e onde não aparecem algumas fífias que o nosso Neil Hannon dá nesta versão (entusiasmos, acontece...), um soberbo espectáculo com orquestra. Mas esse  outro video não incluia, como devia,  a  parte final com  a leitura  do poema (aliás  parece  um poema, mas  descobri que   é um excerto de um monólogo do  filme  "La Dolce Vita" , de Fellini) , um remate  importante, a meu ver.
Este tema acompanhar-me-á para sempre, pelas dezenas de vezes que o escutei, bem como a todo o álbum "Fin de Siécle" (1999), numa  das  fases mais duras da minha  vida. Canções que foram  a companhia ,  para além de um cão,de revolta e reflexões, com cada palavra  e nota  a ecoarem  nas paredes  de  uma casa  enorme e quase  vazia, povoada " de fantasmas".
Fases melhores vieram. O cão, que era velho mas ainda "rijo", morreu, ainda nessa  fase, como é tradição nos males que não vêm sós. Entretanto a vida avançou,  mudou, sobrevivi.
Muitas coisas mudaram "some forever, not for better", como cantavam  os Beatles.
E acertam, estes trovadores modernos. De  uma coisa   apenas   podemos ter certeza nesta  Vida: de  que  não há Certeza de  nada, talvez somente a Fé em algumas coisas e em algumas pessoas, sobretudo alguma Esperança  numa "Certeza do Acaso", como aqui se canta. Por mais  que nos  esforcemos por fazer o  está certo, por mais que procuremos  cumprir  a "nossa parte" a que nos toca na tal Sorte/  nesse Acaso.
Se calhar  será melhor irmos seguindo  os  conselhos das tais belas palavras  finais:
"We  need to  live  in  a state  of  suspended animation* , like a work  of  Art.
In a state of enchantment...
detached, detached..." (Ver o monólogo completo do filme AQUI, por escrito, vale a pena).
Por que  se ao menos nos encantarmos com o que descobrimos (na Natureza, nos outros, nas situações) não nos desencantamos tanto com o que vivemos (da Natureza Humana, dos outros, das situações...).
Boa tarde!
"Alergia" (24-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
*durante muito tempo entendi esta palavra "animation", como "admiration", o que também ficaria adequado...

sábado, 19 de maio de 2012

Do Amor... Texto da parte 1 (de 2)- o filme pessimista

(Imagem de um catálogo de vendas: sim! Existe papel-higiénico com esta decoração! E... por que não?)
Este é o texto que completa e acompanha a visualização do filminho "amargo" de Don Hertzenfeldt do último post ("Do Amor... Aperitivo da parte 1 de 2..." Clicar AQUI para ver), que não junto  só pela razão técnico-blogueira que aí expliquei.
 E  então? Viram o Filmito? Ficaram alarmados com tanto pessimismo? Ou outros acharão que o filme animado tem um negro mas profundo realismo?
Vou ser mais suave que D.H., embora este seja o primeiro de dois posts (ou 2 e meio) sobre o tema, o que, como expliquei traduz o lado "alérgico", menos alegre sobre o mais citado  e glosado sentimento que existe. O lado também, por inerência, mais cerebral e analista.
 A meu ver, visto nesta óptica mais negra, o problema maior é que para uma boa parte do mundo o Amor deixou de ser um simples sentimento, como devia. Ou seja, algo que nos faz sentir e leva outros a sentir. Algo que, em vez de compartimentar e isolar, deveria inundar quem  o sente.
Don H. vê essa ausência de sentimento na palavra e avisa-o logo de início. Não só ao alertar que é um "bitter film" (amargo) mas também ao usar  para título a expressão francesa, tantas vezes a única expressão que tantos conhecem da Língua Francesa e que de imediato nos remete para a condescendência romântica  dos  mais experientes perante situações mais ou menos patetas e nos traz à memória os incansáveis namoradeiros "Pepe LePew", doninha dos Looney Tunes, ou Maurice Chevalier de musicais cor-de-rosa.  Alguém vê um cachorro a rondar uma cadelita e exclama: "Ah, L'Amour!", alguém surpreende um beijo inocente de dois infantes "Ah, L'Amour!", alguém repara em meninas aos gritinhos histéricos em redor de mocitos em Morangadas com Açucar,ou  alguém testemunha um cavalheiro a oferecer um ramo florido a uma dama, ou ainda alguém se surpreende com uma mulher a pregar um estalo a um marmanjo que lhe deu um piropo, "Ah, L'Amour!" L'Amour... L'Amour...!...expressão que envolve  em papel crepe e lantejoulas qualquer situação geral que evoque Primavera e corações inflamados!
Desde logo, portanto, Don H. nos empurra para o artificialismo de muito "Amor" que há por aí, a partir do título.
 Senão vejamos, muito sucintamente as peripécias: o pobre rapaz do filme encontra várias mocitas (não importam os nomes ao caso), possivelmente num tipo de contacto que corresponde a várias fases da vida. De cada vez vai sendo mais cuidadoso com o que diz e de cada vez recebe reacções piores (em forma de torturas atrozes) e menos comunicativas, pois elas parecem ter já as suas feridas (como ele) e terem também "evoluído"(?) na forma como vêem o seu relacionamento com o sexo oposto. Assim, o moço, chamemos-lhe Zé, primeiro tenta o normal convívio de amigos como aproximação e a menina não quer ser incomodada ( primeira adolescência); depois tenta, junto de outra, indagar sobre os sentimentos , pois sabe que as meninas gostam de falar neles. Logo ela NÃO revela os sentimentos e reclama que "precisa de espaço" (eles e elas, como tantas vezes se nota,  andam em tempos de necessidades sentimentais diferentes); depois  o Zé tenta agradar à vaidade doutra, gabando-lhe os sapatos, mas ela "só quer amizade!" (elas começam a tentar adivinhar intenções); depois o "Zé" pergunta as horas a outra que sai logo a "disparar"  (literalmente!) e nem responde; já "escaldado"  o  Zé tenta apenas cumprimentar outra mulher, mas ela entende isso com avanço atrevido. Até que ele diz a uma a frase mágica, sem cumprimentos nem nada, "Tenho dinheiro!" com a resposta que se vê: de imediato ela "ama-o!" Final Feliz !
Em suma, Don H. chama as mulheres no seu todo(por esta ou outra ordem) de "ariscas", egoístas, comodistas,frias, insensíveis, e... interesseiras. Ah, mas devem ter reparado na outra mulher do filme de que não falei... Pois. Ou seja, corrigindo: D.H. diz que elas são tudo isso em conjunto, ou pelo menos uma destas coisas... ou então são gordas e/ou feias. Uma ironia  do autor, nas entrelinhas, é que quem sabe se não seria nessa tal feia e gorda que encontraria o verdadeiro Amor e compreensão....
(Não venham os homens depois reclamar: ai elas são umas chatas histéeeeeericas!)
Por sua vez, o filme acaba por dar uma imagem do homem como "adaptável" aos vários estilos delas, nas diversas tentativas de as abordar/conquistar. Assim, mais ou menos pela ordem do filme, o nosso "Zé" apresenta-se como: amigo sociável (1ª abordagem), sensível, lisonjeiro, casual/natural e depois apenas educado e neutro. Não resultando, acaba por se revelar calculista e gabarola, para suscitar o  tal lado interesseiro das mulheres e... é bem sucedido!
(Não venham depois as mulheres reclamar: ai eles são uns vaidosos insensíiiiiveis!)
Claro que é uma caricatura, mas uma caricatura asperamente aproximada de muita verdade que se vê por esse mundo fora. E, como avisei no post anterior, é uma visão que se pode aplicar a eles e elas, ou seja, se em vez do Zé tivessemos a Josefina a falar com o João, o Vando,o Jack etc do seu percurso de vida. Pode parecer estranho o que digo, na Era da total liberdade da escolha, mas o certo é que, e basta repararem nos nomes e caras (tão "botoxadas") impressos em qualquer revista cor-de-rosa da praça, os casamentos de conveniência e de combinação de interesses entre famílias nunca acabaram, aliás estão ai pujantes como nunca (e numa coisa D. H. engana: que se a Gorda e/ou feia reclamar que tem dinheiro rapidamente terá uma fila de pretendentes!).
E fora das combinações familiares das "élites", temos também a camada dos e das interesseiros/as em toda a  sua força de novo. Não só o interesse básico pelo dinheiro, mas também ou alternando pelo status e pela fama, pelo nome sonante, pelas portas que abre, pelo bons e saudáveis genes que pode trazer. Não só para casamentos, mas já em namoros (que tantas vezes não redundam no casório): ele  namora a mais inteligente para  o ajudar nos estudos, a mais elegante para ser invejado  em festas, a mais organizada para o tornar organizado. Ela namora o mais relacionado para vir a  ter bons empregos, o mais bonito para causar inveja às amigas, o  mais solícito para a aturar nas birras.
E como a partir das aparências se cria todo um rol de ilusões! Eles bem as iludem de serem bem sucedidos se tiverem um bom relógio nem que vivam de esquemas, elas iludem-nos de que são ricas se tiverem um bom jipe, nem que vivam à custa dos papás, eles iludem-nas de que são inteligentes por terem um blackberry e "Tuítarem", elas iludem-nos de que são inteligentes , se fumarem estilosamente e debitarem as chamadas "postas de pescada" politicamente (in)correctas.

 Relembro, a propósito, uma famosa  passagem de uma das excelentes crónicas de Miguel Esteves Cardoso ( talvez em "A Causa das Coisas"...), parafraseando: que o Homem português costuma namorar as mais giras, conversar com as mais inteligentes e casar com as que não são nem muito inteligentes nem muito giras, para "não dar muito nas vistas"! (perdoem-me a referência todas as casadas!). Poderia  agora acrescentar que, em contrapartida, nós, mulheres portuguesas, só queremos é namorar (ou "TER" namorado), seja ele como for, para não ficarmos atrás das demais e  por estarmos, mulheres, em maioria percentual na população(e ai se vier uma guerra!), e diria que a portuguesa  muitas vezes nem conversa com ele senão em monosílabos, a não ser que também entenda de futebol; e  que por fim casa com um que lhe ofereça alguma companhia, alguma segurança e  uma aliança e que raramente é o mais bonito ou mais inteligente. O que depois resulta em também belas estatísticas de divórcios, de violência doméstica e ... em maridos com pneus e  quem não sabem cozinhar um ovo.
Exagero de estilo e  pessimista meu, reconheço! Há que ser justa que  agora as gerações mais novas, pelo que  tenho visto , vêm melhorando nalgumas dessas estranhas bitolas: eles já se esforçam por continuar giros e elegantes para elas, nem sempre com horas no ginásio, mas pelo menos com o seu jogo de futebol de praia aos domingos, ou com os seus percursos de bicicleta de manhã, encolhendo a barriguita dentro daqueles ousados calções de licra e escondendo a cabeça (e tantas vezes o cérebro, quando em magote masculino aos dichotes pelo caminho), escondendo a cabeça dizia eu , sob aqueles capacetes que... parecem assim como que umas arrastadeiras mais modernaças e de marca. E já não se envergonham perante a inteligência delas e  (alguns) acabam por fugir a sete pés das que são apenas caprichosas ou sem opinião. Já há cooperação nas tarefas domésticas e maior diálogo. Só falta maior segurança (nacional) para conseguirem planear um futuro e criar raízes...
Em suma,ele já não  cai naquele maniqueismo de esperar que a companheira seja OU sua criada OU a  sua nova mamã (de que falava a canção "Etelvina" de Sérgio Godinho).
Posto tudo isto, volto ao ponto inicial: que o problema focado no filme resulta de já  termos deixado de ver o AMOR como sentimento puro, mas tantas vezes o vermos como o fantasioso "Amour", ou, o que é pior, como sinónimo de tantas outras coisas, sejam  OUTROS sentimentos sejam trampolins  mesquinhos de interesses vários que em nada se aproximem Dele, Amor.
Deixa por vezes de ser Amor, para ser Medo da solidão, deixa de ser Amor para ser vontade de dominar alguém, deixa de ser Amor, para ser companhia para o tédio, deixa de ser Amor, para ser interesse económico, deixa de ser Amor, para ser apenas vaidade de se sentir amada/o por alguém, mesmo que sem noção de retribuição. Deixa de ser considerado um sentimento, tanta vez para ser um negócio: de dinheiro, de afectos, de inseguranças; de invejas e vaidades. Afinal, não se usa tanto aquelas expressões (importadas!) canhestras de "FAZER Amor", de Compra  e Venda de (horas de) Amor, de "Técnicas de Amor", de "drogas do Amor", com se alguma vez um SENTIMENTO (repito!) puro e bom pudesse ser um FABRICO, um COMÉRCIO, um ARTESANATO, mera QUÍMICA sexual,  como se toda a sua grandeza  e liberdade pudessem ser escalonadas, compartimentadas e aprisionadas na frieza rude  de meros compêndios Económicos ou de  uma Engenharia New-Age!
Por isso mesmo me demorou o desenvolvimento deste tema, sugerido pela querida  blogger "Pérola", porque  o considero um tema importante demais e porque é um sentimento que vejo a ser tão conspurcado a toda a hora. É simples, mas ao mesmo tempo demasiado complexo. Saliento , no entanto, que é pelas mesmas razões que tanto admiro e encorajo quem eu vejo ter uma relação amorosa bonita e límpida, o que felizmente existe,  relação feita não só de paixão e de carinho, mas de compreensão mútua e de diálogo, de suave harmonia e de cumplicidade silenciosa. Seja do jovem par de namorados entrelaçados e de ar doce, seja do casal adulto que forma uma família, seja do par de velhinhos que se ajudam mutuamente a calçar as pantufas...
 Por isso, há que respeitar o Amor e não o banalizar,nem por palavras nem por atitudes, só assim o fazendo merecer todos os encómios e pergaminhos que vêm de tempos remotos, em forma de poemas, romances escritos ou em película,nas telas de pintores e  nas pautas de canções, onde é de longe o tema mais glosado!
Tanto Don Hertzfeldt, no seu filme como eu, neste textito, pretendemos não um mero ironizar sobre o Amor, mas demonstrar como ele é tão maltratado e desviado do seu justo caminho, sob as mais diversas capas, os mais repugnantes disfarces. Sim, o Amor existe e o seu Poder é grande, mas só poderá cumprir o seu papel de transformador e embelezador do Mundo  se não o desviarmos por caminhos de mero egoísmo, de interesse próprio e de falta de harmonia e de coragem.
Agora devem entender a razão da escolha da imagem que inicia este post, não? De tão "decorativa" que se tornou a palavra Amor, de tão adulterado o sentimento, só faltava mesmo, como se pode ver, terem-no colocado como folhas de papel ( não sei se  folha dupla e locionada!)... usado para fins não muito nobres, ou pelo menos, digamos, não muito elevados! Isto tanto tomando o coração como símbolo do Amor pessoal como do Amor Universal! Livra! Se é  para representar o coração órgão então que o substituam por... intestinos ou bexigas em miniatura! :))
Por ter sido levado por outros caminhos,
por tanta gente, é que em pleno século XXI d.C, com tanta forma de Comunicar e de viajar e conhecermos a Vida, continuamos tão ou mais distantes uns dos outros que nos primórdios do Ser Humano
e, embora sem cacetes ou machados em sílex, ainda achamos que uma boa paulada em novo estilo e atitude "de caça" ao par equivale a um acto de  verdadeiro Amor e paixão.

Por termos levado o Amor por outros caminhos, quer individual quer universalmente, é que hoje nos encontramos de novo nesta situação absurda como Humanos, de novo cercados por Ganância, Fome e Guerras, quando podiamos ter uma Terra bela povoada pelo Amor, a Partilha e a Paz.
(pronto, "Pérola", espero que este texto já preencha pelo menos uma parte da "encomenda" temática, deixando a parte mais interior e lírica para uma segunda "dose"... Longo, como seria de calcular. Julgo que me deve ter escapado um ou outro argumento ao que tencionava dizer, mas, para já deixei uma ideia do que sinto e penso sobre o assunto, na sua globalidade).
Margarida Alegria (19-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pausa Musical: Fio Da Vida



("Fio da Vida"", Rodrigo  Leão, cantor convidado: Thiago Pethit, 2011)
Enquanto  não   sai novo  post, este serão  ainda, uma  música do mais  recente   e  superlativo álbum  de  Rodrigo Leão,   "A Montanha  Mágica". Vale a pena escutar.
Por  mais tempestades que  revolvam o mar, nada nos  pode roubar os bons  momentos nem a  importância  dos  sonhos.
Tudo passa, só o  Bem  praticado   e o  recebido  ficam....
O  resto   " É  SÓ POEIRA",  é só escolhos  e as mãos "cheias de nada" de fantasmas.
Até já!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Há passarinhos com sorte--"Aubade" (Animação)




("Aubade", Dir. Pierre Bourrigault; Animação: Pierre B. e Samy Guyon Bessac; Música:Lorenzo Tomio; 2008)


Premiado com "The Best Animation Prize- Lago Film Festival, 2008, uma outra animação (ver post anterior- CLIQUE AQUI ), de estilo e "clima" diferente.


Para lembrar que, para cada passarinho ferido, pode haver quem se preocupe e cuide. Basta reparar e dar um pouco de Tempo e de Atenção. Não é o fim do Mundo.


Temos de estar atentos ao Mundo, a nós próprios, mas também a quem/ao que precisa de nós. Senão... o que andamos aqui a fazer?


Boa Noite!


"Alergia" (in blog "Alegrias e Alergias", 18-4-2012)

quarta-feira, 28 de março de 2012

MAIS que isto! - Música



(Missy Higgins, "More than this", concerto em Seattle, Novembro de 2008)

Olá, boa tarde, como estão?

Sem tempo para completar uns post mais sérios que preparo, deixo aqui uma musiquinha para esta tarde de calor já estival.

Embora aprecie algumas músicas dos Roxy Music, nunca achei este "More than this" nada de especial. Embora Brian Ferry cante bem, a sua versão pareceu-me sempre um tanto insossa, deslavada até.

Porém,ouvindo esta outra versão, muito mais simples em arranjos de uma baladeira (Missy Higgins) apenas acompanhada por uma viola, a canção parece ganhar outra "alma", um novo sentido dado à letra, com a expressividade e até paixão com que é cantada.

Enquanto que Ferry cantava "More than this", como quem está a desfalecer e em tom blasé, esta jovem intérprete, que não conhecia, parece "dizer" que esse "Mais que isto" é algo de alcançável e com que se pode sonhar.

Ou seja, como uma nova entoação e versão pode transfigura uma canção que parecia rotineira.

Digam lá se não concordam comigo?

Todos nós desejamos mais que "isto" que temos. Na vida particular, profissional, do país,no que o mundo (mal) nos oferece.

O mundo tem que ser mais que isto, mais que uma vida onde só o Trabalho parece ser valor absoluto, mas não como valor humano, de dignidade, mas como produtor desenfreado e alienado de dinheiro e só para alguns. A parvoíce das alterações laborais que serão aprovadas hoje na AR, com o ridículo corte nos feriados e a alicate apertado na cabeça dos mais fracos do sistema, os trabalhadores; com o aprovar de regras que escancaram os depedimentos em época de crise e contenção, onde é evidente que quem despede o fará para poupar dinheiro e não para poder contratar outros trabalhadores (só ceguinhos não vêm que com o tipo de empresários que temos só aumentará o desemprego), tudo issso nos esmaga o coração e a Esperança, que já era escassa.

Tudo deveria ser mais que isto (patético, mesquinho) que temos ou a que nos querem limitar,tudo isto que estamos a viver e a sofrer. Podemos ter entrado uns anos na onda do consumismo, mas foi pela grande miséria que vivera no tempo "da outra senhora" e pelos ministros da democracia que antes aconselhavam a isso (lembro-me do Cadilhe em época de vacas gordas: é consumir, consumir para o dinheiro circular!....-- Pois...), mas não somos um povo assim tão gastador como indivíduos. Ou pelo menos grande parte dos portugueses não são. Só não poupavam pois não havia muito para poupar e nem os governantes nem os bancos incentivavam à poupança .Os governantes é que foram metendo a País em buraco cada vez maior! Não nos digam que mereciamos tal miséria! Não deixemos que nos digam isso!
O povo português é bom e trabalhador, tem valores de vida diferentes de outros povos (não é totalmente materialista) e ainda bem... Não! Merecemos mais que isto!

Merecemos um horizonte com menos dúvidas, merecemos ao menos um horizonte!

Merecemos desejar alcançar a Felicidade para que fomos criados! Queremos trabalhar, a Economia em ordem, mas a vida é bem mais que isso!

Será que é pedir de mais? Creio que não..

Então até logo, com mais da "Alergia"...

(e faleceu Millôr Fernandes, 88 anos, génio do jornalismo e humor brasileiro...mais um que parte...) :(

"Alergia" (28-3-2012- "Alegrias e Alergias"- blog)

terça-feira, 6 de março de 2012

Jack Johnson - better together


(Jack Johnson- "Better Together")
Uma música para desejar boa noite, de uma blogger cansada e apressada.
Amanhã saem dois posts fresquinhos. Um para resmungar com algo muito sério, outro para fazer sorrir (sim... e  em cartoon!).
Deixo a tranquilidade das ondas Havaianas  com a canção  optimista de Jack   Johnson.
Até amanhã.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

LIVROS: "a Invenção" e o Cinema, Capas,Cobertores e versões

("A Invenção de Hugo Cabret", de Brian Selznick,Capa das primeiras edições portuguesas, 2008)
Não tenho por hábito recomendar livros, aqui no blogue, embora "viciada" neles. Talvez seja essa mesmo a razão: apesar de gostar que os outros leiam e de ter tantas vezes a missão profissional de falar sobre livros, motivar para a leitura, deve haver um desejo profundo mais irracional de que fiquem todos só para mim, de que , se os outros também se tornarem leitores compulsivos, os livros se possam vir a esgotar nas livrarias e bibliotecas e que assim se acabe o "fornecimento" desse meu vício, desse  meu mais que tudo alimento espiritual. Nããã... não é bem assim, na verdade o blogue ainda é muito recente, tem tido muito assunto da actualidade para comentar e raramente sobra tempo ou paciência para falar do que aqui gostamos de ler.
Pois bem, vou abrir forte excepção, desde que ontem vi as notícias na TV, e recomendar não um, mas até dois belos livros, exclamando: CORRAM JÁ PARA UMA BOA LIVRARIA ANTES QUE SE ESGOTEM!
Um deles, talvez a arrebatar com a maior urgência, é o "A Invenção de Hugo Cabret", de Brian Selznick, que agora vê a versão cinematográfica de Scorcese com várias nomeações para os Óscares 2011/12. Ah, dirão descansados os caros leitores, mas o filme vem já aí em Fevereiro e não  faltarão os exemplares na Fnac e tal e coisa... POIS É EXACTAMENTE POR ISSO, acrescentarei eu! Para já, nos próximos dias, ainda poderão descobrir algum exemplar perdido das primeiras edições originais , já em Português desde 2008 (?). Li-o e recomendei a amigos há un dois anos e foi "tragado" mesmo por quem não é leitor habitual de ficção.
Quando chegar a versão patrocionada por Hollywood já será tarde demais, embora o filme, pela amostra rápida que vi, me pareça uma versão fiel ao livro... só que não é a mesma coisa. Será tarde demais pois virá com daquelas capas HORROROSAS baseadas em  fotogramas do filme, que transformam em... "pastel de nata" achinesado e liofilizado as anteriores capas de artista das edições primeiras (aliás, na promoção recente do livro no "Wok" já lá está a capinha cinematográfica da praxe...). Poderá ser apenas uma capa dupla a envolver a original, mas ... também não é a mesma coisa. E neste caso é também provável que até lhe adulterem o título, igualmente por questões de marketing. O título é "A Invenção de Hugo Cabret", mas Scorcese chamou-lhe apenas "Hugo" e os distribuidores portugueses vão chamar ao filme "A Invenção de Hugo". E um nome de sabor mais latino, entre o Francês e o Catalão, que soava "Huugô Cabrê" na nossa imaginação (a acção não podia ser mais no coração de Paris do início do século XX), aí está a ser pronunciado pelos hollywoodeanos da nossa praça como um anglófono "Hiúgou"... e, quem sabe "Cab-rát" ou até "Quei-brat".
Que destruam a pronúncia. mas não adulterem a capa, que tão bem se conjuga com a época histórica e com a ideia de invenção! Como vêem acima, tem algo do estilo das tradicionais capas de lombada de couro dos livros de aventuras de Júlio Verne. Parece um bocado anacrónica, é certo, mas também ela contribui para que  o livro, como um todo, transmita também graficamente a sua mensagem. 
A tendência quer mercantil da associação a outros produtos, quer preguiçosa e economicista (leia-se avarenta) dos editores dispensarem tantas vezes os ilustradores de capas, há-de-ser, espero bem, moda das últimas décadas que irá passar. Aliás, no Reino Unido já está a passar, voltando as edições, quer de luxo quer de bolso com capas exclusivas e artísticas, mesmo que aparentemente simples, jogando com a simbologia e grafismo das letras, por exemplo. Por cá, tanto na ficção como na não ficção  e salvo honrosas excepções, impera para já aquela do "Ah... sobre esse tema pesquisa-se no Google images, nas Getty Images... ou então há um quadro clássico do pintor X, não sujeito a direitos de Autor, que se digitaliza, focando-se um pormenor e--- está feita a capa!".
O livro, por uma vez uma boa opção presente nas recomendações para alunos do 3º Ciclo , pelo Plano Nacional de Leitura ( ao invés do excelente "História Geral de Piratas" que NÃO é um livro de aventuras juvenil mas um relato fiel e sanguinário da pirataria e da perseguição aos  piratas, por amor da Santa!) faz-nos redescobrir os primórdios do Cinema e os mistérios que rodeiam o desaparecimento dos filmes do igualmente enigmático Meliès e consegue-o num romance para todas as idades que tem muito de novela gráfica e até de cinematográfico. 
À primeira vista, podem assustar-se com a espessura do volume, aparentando umas 500 páginas. Na verdade, lê-se num ou dois serões. A volumetria deve-se ao que de muito original tem a obra: com belíssimas ilustrações a lápis de carvão,  essas ilustrações não servem apenas para ilustrar, no sentido tradicional de transpor em imagem partes do texto, mas FAZEM PARTE intrínseca da narração. Por isso disse acima que havia algo de Novela gráfica neste romance. Um  breve exemplo: o personagem central, Hugo, entra num determinado espaço desconhecido. O texto conta isso, mas, de repente, em vez de nos descrever , por palavras, o abrir da porta, a entrada, os sentimentos (medo, ansiedade, etc) do adolescente, VEMOS isso na imagem, sem palavras, com ilustrações a encher ambas as páginas(várias páginas seguidas!),  a porta a entreabrir-se, um primeiro plano da cara de Hugo... e por aí fora. Para entender melhor, espreite AQUI um post com UNS VIDEOS/animações  que estão no Youtube,  com sequências de imagens do livro, para promover o mesmo  aquando do seu lançamento (?). E leia a boa sinopse do livro feita no blog "Porta-Livros", AQUI.
Por tudo o que acima explico e ainda por outras razões que lhe apeteça, vá já a uma BOA LIVRARIA tradicional (nada de compras online, senão arrisca-se a apanhar com o tal "pastel") e procure nas prateleiras mais escondidas, insista com o livreiro em desencantar um exemplar ("ameace" ir procurar à  concorrente gigante, a fnac... Já recorri a isso certa vez, na alternativa a encomendar que me procurassem um livro noutras dependências da Bertrand, porque esse outro livro estava esgotado etc e tal... o livro foi encontrado algures em três tempos!). A "Invenção de Hugo Cabret" é um livro muito especial, inclassíficável.
O outro livro que recomendo é uma novela gráfica.
Já é um clássico dos nosso tempos no género, embora apenas de 2003.
A minha chamada de atenção deve-se ao anúncio da sua edição em Português (finalmente!), há dois dias, no "Público". E mais uma vez o meu alerta vai para que o  tentem (também) adquirir em Inglês, não só pela questão de se perder sempre um tanto na tradução, mas também por questões de capa. Ora vejam a capa original:



("Blankets", de Craig Thompson,  ed. Top Shelf,2003- capa da edição original em Inglês)

Não vou contar a história (se quiserem tem AQUI a SINOPSE da Wikipédia). Apenas revelo que é a descoberta do Amor e de uma voz própria da personagem central (de cariz auto-biográfico),Craig, que cresceu enformado numa religiosidade doentia da família e de como foi doloroso o seu percurso de perda de Fé (o que tantas vezes acontece, a tanta gente, quando a Religião é um espartilho de normas e não uma semente de Liberdade). É também sobre a amizade, o Amor e de como até este é ilusório, tantas vezes. Revelo também que os blankets/cobertores do título evoca as brincadeiras de criança de Craig, quando(como muitos de nós já teremos feito)  brincava com o irmão sob um cobertor , imaginando  serem náufragos no mar alto,  exploradores da selva ,ou noutras situações de aventura inocente de miúdos.
A obra está num belo preto e branco, numa delicadeza, sensibilidade de enredo e de traço que é verdadeiramente tocante, que não deixa ninguém indiferente. Vejam  a capa acima: um momento fulcral da história, com os dois amigos descentrados na imagem, numa floresta de Inverno.
Pois bem. Vejam agora como é a capa da versão portuguesa, da  editora "Devir":
                 ("Blankets", de Craig Thompson. Capa da edição portuguesa, 2011, ed. Devir)
Que me lembre-- e nem li o livro há muito tempo-- não há nenhuma imagem dos dois amigos (não adianto mais se eram só amigos, eheh... mas esta capa pode baralhar) assim a enregelar num fundo AINDA MAIS invernoso!
É nitidamente uma montagem, ainda por cima acrescentando alguma cor, o que não era necessário, com uma das vinhetas do livro plasmada no exterior. Pergunto-me se o Autor autorizou a capa e se foi ele a fazê-la. Talvez sim. Mas é uma imagem que se destina, um tanto à portuguesa,  a espicaçar algum tipo de leitores macho-men, que às tantas  até ficarão desiludidos, depois de andarem a contemplar as "coxas desnudadas da moçoila...zz" da capa! Como diria também o tal diácono Remédios, "não havia nexexidade- Z-z--!", não que me choque ou veja mal na imagem em si, mas porque precisamente desvia (a atenção do leitor) do mistério e sobretudo da profunda SOLIDÃO  tímida que perpassa em toda a obra.*
E, numa obra essencialmente gráfica, mas também em obras não apenas gráficas,por tudo o que relatei acima,toda a opção na criação do livro, --desde a escolha da letra, à construção da narrativa,  passando pelas  categorias da narrativa, a escolha de cada palavra, as ilustrações, o papel e... a capa-- TUDO é importante, tudo AJUDA À MAGIA...
(* aliás, por comparação, vejam as capas das edições em outras línguas, no link da sinopse, que deixei acima... )
Margarida Alegria (26-1-2012, in Blog  "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A "Ver" com ouvidos de ouvir

Como é viver sem nunca ter visto a cor do céu, o rosto das pessoas, o mundo que nos rodeia?
Uma excelente grande reportagem da TSF, "Vermelho da Cor do Céu" (2011), de Ana Catarina Santos e  sonoplastia de Luís Borges,que nos transporta para o mundo de quem é invisual desde nascença.
Como "VÊEM" tudo? O que gostariam mais de poder ver ? De que cor é os seus sonhos?
Para melhor acompanhar esta reportagem radiofónica, aconselha-se a que vendem ou fechem os olhos e atentem às vozes, às personalidades que nelas são retratadas. A foto aqui é apenas circunstancial.
 A NÃO PERDER!Para ficarmos com uma noção nova e diferente do que é a diferença e de como as cores e a sua importância podem ser  sentidas de outra forma. E de como a nossa pobre noção de Beleza é tantas vezes, como dizem os ingleses "skin deep", superficial.
Para repararmos como somos tantas vezes na Terra uns pobre patetas repletos de "riquezas" que desvalorizamos, mas a tactear em desentendimentos, guerras e até em tontas infelicidades.
(Aproxima-se o Natal, fico uma sentimental, pois para mim o importante nesta data não são as prendas ou a "hipocrisia" proclamada por alguns, tantas vezes bem mais hipócritas do que essa ideia feita, mas o encontro dos Humanos com o seu Eu mais profundo, através de verdades como o encontro e o riso das crianças.A verdade do  nosso lado de Criança também. Festejando o aniversário de uma criança que veio  pobre e desamparada a um mundo hostil, mas felizmente ainda repleto de gente boa e confiável.Era com essa gente que ele contava para mudar o nosso modo de viver. É em pessoas com capacidade de serem bondosas e capacidade de sentirem "por dentro dos outros"que eu quero contar, não desejando mal nenhum às restantes, ... mesmo que por vezes fosse melhor que algumas  se engasgassem a saborear uma pipa de m**** da sua própria colheita "vintage".
Sim, lamechas e exagerado nalguns pontos, eu sei. Fora de moda. Nem sempre as maiores verdades estão na moda, num mundo pejado de máscaras.Esta reportagem ajuda a tirar a máscara. Basta fechar os olhos,  ou pôr uma venda.OUÇAM. "VEJAM")
Margarida Alegria (16-12-2011)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Nos 103 milagrosos anos de Manoel de Oliveira!


(Manoel de Oliveira  dança com "Sweet and Tender" aos 99 anos)

Muitos  Parabéns  a  Manoel de Oliveira, que completou hoje103 anos!
Cineasta, antigo corredor de automóveis (no famoso carro de  idealização  fabrico portuense, "Edfor", de Eduardo e Jorge Ferreirinha), trapezista de circo e atleta na juventude, até galã de cinema, em incursão breve.
 Cineasta ( Aniki Bobó , Douro Faina Fluvial, Francisca, Vale Abraão,Vou para casa...)por causa da paixão pela vida e pela literatura(Régio,Camilo, Pe A. Vieira,Agustina...). Corredor "de fundo" da longevidade, trapezista dos sonhos, a desafiar  a Morte, galã charmoso de muitas  gerações, com o seu chapéu branco, como vemos neste pequeno e delicioso video, um eternamente jovem de fazer corar a tantos bem mais novos que ele, de muitas gerações.
Sobretudo um espírito livre, fruidor do bom que tem a vida e que continua sempre a planear e  a fazer os seus filmes, sem se deter perante os entraves reais ou imaginários à capacidade de o conseguir. Um português  exemplar, de melancolia e poesia, mas também de inabaláveis Esperança, Fé e Contemplação.
Mais um que devia ser candidato de Portugal ao Património da Humanidade, aprecie-se mais ou menos a sua obra, pois é sem dúvida uma personalidade especial e original, como se vê, por exemplo, nas sua entrevista  a (conversa com) João Benárd da Costa.
Continue a dançar para nós muitos anos, Mestre! :)
Margarida Alegria (11-12-2011)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Delícia para iniciar o dia : I Wanna Singa - Owl Jolson





( "I Love to singa", de Fred ("Tex") Avery, Looney Tunes /Merry Melodies, 18 de Julho de 1936- sendo um dos animadores o jovem Chuck Jones)


Para começar o dia em grande, nada como recordar um brilhante Desenho Animado de Tex Avery, "I Love to Singa",do tempo em que ainda trabalhava para a Warner Bros. nas Looney Tunes.

É uma história simples mas deliciosa de um pequeno mocho, nascido numa família de músicos, mas que em vez de seguir a tendência lírica dos demais, quer cantar Jazz (daí se chamar Owl Jolson, por paródia ao "Al" do mesmo apelido), e sofrendo as agruras pela sua rebeldia.

O filme não tem legendas, mas o som está bem reproduzido e dá para entender perfeitamente, mesmo que não se saiba Inglês.

Para lembrar que em cada dia que passa devemos lutar pelo que queremos ser e pelos nossos sonhos, se não queremos deixar-nos engolir pelas nossas circunstâncias mais adversas, mesmo que estas nos possam limitar um tanto.

Bom dia! E que todos consigam trautear o "I LOVE TO SINGA!" das suas vidas! :))