Mostrar mensagens com a etiqueta Sapatos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sapatos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Carta aberta a Nuno Crato

Carta a Nuno Crato

Aveiro, 11 de Julho de 2012

Ex.mo Sr. Ministro da Educação,

Numa sociedade que valoriza muito pouco a escola é fácil cavalgar a onda e navegar ao encontro desse sentimento (que menospreza o ensino público), subtraindo-lhe praticamente todos os recursos humanos e financeiros, deixando-a reduzida apenas a serviços mínimos.
Se o Senhor Ministro fosse apologista duma sociedade sem escola como Iván Illich estaria explicado este retirar e extrair de recursos sem fim para fora da escola, mas o Senhor preconiza uma sociedade altamente escolarizada, e isto atenta contra o princípio da não contradição. Se fosse outra personalidade que ocupasse a pasta da Educação poderíamos arranjar-lhe uma desculpa, mas sendo o senhor um matemático, difícil será aceitar que este princípio fundamental da lógica lhe tenha escapado.
Explique-me por favor como se eu fosse uma criança muito pequenina as seguintes antinomias:
Como aumentando o número de alunos por turma (de 26 a 30) se poderá melhorar o aproveitamento dos mesmos?
Como fundindo agrupamentos e agregando-os se poderá incrementar a qualidade do ensino?
Como apoiando as escolas com mais sucesso e abandonando à sua sorte as escolas com menos sucesso escolar se pode pretender que estas últimas se transcendam em êxitos académicos?
Estes são apenas alguns exemplos dos paradoxos mais gritantes que qualquer pessoa observa no nosso sistema de escola pública e nas medidas que irão ser implementadas no próximo ano letivo.
Começo seriamente a acreditar na afirmação que fez em tempos que “se fosse ministro implodiria o ministério da Educação.” Provavelmente não o vai fazer implodir mas com toda a certeza vai fazê-lo ruir completamente. Não restará pedra sobre pedra da nossa escola atual. Ouvi as suas declarações sobre os exames: “Que os resultados não são satisfatórios e que há muito mais a fazer pelos nossos jovens”. Agora pergunto: a resposta que dá é retirar recursos humanos e financeiros à escola para fazer muito mais pelos atuais e futuros alunos?
Seria mais honesto da sua parte se dissesse aos portugueses que a escola não é uma prioridade para o governo - do qual faz parte - e que as medidas que tomou na área da educação são todas de cariz económico e não pedagógico. Esta é uma opção! Uma opção política! Talvez não a melhor! Talvez a mais fácil, dadas as circunstâncias! Mas deixemo-nos de hipocrisias - não é para melhorar o ensino público que as tomou. É apenas para poupar dinheiro! Ouso perguntar-lhe quanto custa perder uma geração? Quanto custa perder o futuro?
O Senhor é simpático e afável ao falar e argumentar, mas cada vez se parece mais com os mestres sofistas gregos que faziam com que as mentiras fossem verdades e as verdades mentiras, tal o poder das suas falaciosas palavras, da sua retórica.
Sabendo que a única riqueza de que dispõe este país são os seus próprios cidadãos, parece-me de uma total cegueira desinvestir na formação e na valorização desse tesouro singular que poderia no futuro fazer a diferença.
E é por esta razão que lhe envio um sapato, como protesto, pela sua política educativa (ou nada educativa) que acabará por destruir o nosso sistema de ensino público, seguindo e acelerando o caminho e o rumo das suas predecessoras.
Os meus cumprimentos e os meus pêsames pela sua ação educativa.

António Morais
Carta aberta  publicada no Facebook. Obrigada, Paulo Fazenda!
 

sábado, 5 de maio de 2012

Este é também um post sobre Sapatos!

(um par de sapatos , por Vincent Van Gogh)
Passeando pela blogosfera, constato que é habitual muitos bloggers fazerem posts sobre moda. O que vestem, o que vão calçar, que toilette vão escolher para uma festa, qual o batôn preferido ou o melhor blush. As meninas sobretudo, como é evidente, mas também já há mocitos a enveradar por aí, o que parece mais estranho, ou metroestranho ou lá como é..
Fico com um misto de embaraço e de ligeira "inveja" pela juventude que transmitem tais posts, pois é sinal que há quem vá ainda a muitas festas, quem tenha bastante tempo para escolher vestidos e se arranjar como deve ser, quando hoje em dia uma simples ida ao cabeleireiro já tem de encontrar vez  bem pensada na agenda e... na carteira. Perdoem-me quem o faz por sistema, mas a minha surpresa é genuína, quanto mais que concluo que tais blogs têm muitos mais seguidores que este recanto aqui. Oh! sim, OK é inveja ! Inveja! eheheh... "But"....Não creio que seja por essas pessoas terem mais amigos,  blogosféricos ou outros. Constato que é algo que se liga ao poderio do Google +,  a técnicas engraçadas  que há de "passo a palavra" e... talvez ao facto de ser mais fácil comentar "ai que giros sapatos!" do que dizer: "Sobre esse tema eu penso que...".
Atenção, não critico quem o faz. "Blogar" é um belo passatempo, seja para que temas for (desde que pacíficos). Ir a blogues é complemento das redes sociais, que por vezes não permitem tanta intimidade, embora pareçam o contrário. Ainda bem. A blogosfera continua cada vez mais viva e recomenda-se, tomando " sempre novas qualidades" como diria Camões. Através desse tipo de posts  que descobri recentemente, embora tenha pouco tempo para os explorar melhor, vario um pouco as minhas leituras e sempro fico a saber o que se anda a usar. Não entendo bem como se podem as jovens e menos jovens equilibrar em certas sandálias,mas é engraçado.
Fiquei depois a saber que algumas pessoas, como as do famoso "Pipoca mais doce" e afins, ganham dinheiro largo por recomendarem isto ou aquilo, este perfume, este vestido, aquele produto, ao nível da mais cara publicidade. Claro , pois é um evidente exemplo de "product placement". O que duvido é que ao fim dum tempo as pessoas  que visitam esses blogs acreditem que a escolha é pessoal e sincera, pois vão vendo recomendações semelhantes em VÁRIOS blogs! Bem, que ganhem dinheiro, há que fazer pela vida, nos tempos que correm. Mas que tudo fosse mais honesto, porque senão deixam de ser "blogs"pessoais no seu conceito mais exacto e passam a ser "sites" de fabricantes.
Portanto, meninos e meninas,Tcharammmm!!! Eis que era uma lacuna aqui no "Alegrias e Alergias" fazermos recomendações de moda ou de produtos. Para produto, como estive  de relance a ver na lista de posts publicados, tivemos aqui talvez a recomendação de um belo sortido de aventais, de charutos" robustos,do pastel de nata "MacNata", de uma nova Escola, a da Fontinha, de políticos vários não recomendados e desaconselhados(fora de moda, de prazo, ou de fabrico "chinês" e/ou artificial) e de um ou outro livro , música ou filme. E muitos, muitos saldos acima dos 50% de pensamentos variados! Mesmo assim é pouco, muito pouco...:/
Venha daí portanto uma recomendação de Moda,para os nossos queridos leitores. Como ainda não entendi ao certo o que é um "Fond de teint", como uso maquilhagem apenas quando o "rei faz anos", com a agravante de que o" rei" calha de fazer anos "só nos anos bissextos"eheh..., como a minha modista se reformou e não conheço vestidos pelas suas marcas, resta-me falar de SAPATOS, coisa mais pacata e que uso de certeza, como toda a boa gente. Não não são daquelas marcas como que tem um lindo Basset, ou daquelas outras que foram à falência pelo país fora, apesar do excelente fabrico. Também não são daquele estilista francês (ou português que trabalha em França?) o não sei quantos, que começa por um" L" (Labourin, Lambertin?...) nem tão pouco Prada, pois nem isso terei muito em comum com o Papa actual. Não sei a marca, mas é bastante Português, com retoques de inglês e de italiano via Brasil, quiçá um pouco Serfadita, mas pelo menos... sapatos Globais, de cidadã do Mundo. Passo a descrevê-los, pois não arranjei foto dos mesmos, sendo a que está acima apenas um detalhe artístico para complementar o Post.
Sola: resistente, mas flexível, pronta a palmilhar muitas estradas, a proporcionar muitos encontros e reeencontros. Pronta a me proteger de estilhaços e pregos do caminho, a me fazer aguentar as viagens. Porém com toque suave de cabedal, com a macieza suficiente para não me causar muitos insensíveis calos ou  magoadas bolhas, pese embora sempre nos tenhamos de adaptar aos sapatos e nós a ele. Com o passar do tempo, fica mais o sapato parecido com o nosso pé, do que o nosso pé com o sapato, repararam? Isto porque a nossa essência não se perde, por mais estilizada e rígida que seja a forma em que nos querem  enclausurar.
A cobertura do sapato/do pé depende da estação. mais aberto ou mais fechado, mas sempre a deixar respirar a nossa personalidade expressa em ambos os  pés. Nunca muito apertado, bem cosido mas bem vedado, a pele e o pé em uníssono para tantas misteriosas caminhadas que a Vida nos traça em mapas  de incerteza.Protegendo-nos da poeira dos dias e das intempéries do clima, um refúgio, mas sempre nos convidando para sair  quando é preciso, ou sobretudo quando nos faz bem, sendo esse o seu papel e não enfeitar-nos a sapateira.
A cor poderá variar, mas sempre de acordo com a estação e com o nosso espírito e princípios: mais sombria e reservada de Inverno, mais colorida e imaginativa de Verão. Sendo que qualquer destas estações poderá brotar a qualquer altura das nossa "andanças". Depende da viagem, de quem caminha ao nosso lado, da etapa maior ou menor a encetar.
Pode cobrir a perna, mas aí é bota e não sapato, pode ter cordões, fitas ou laços, sendo mais importante que os laços sejam de acordo com aqueles a quem nos prendemos, os cordões sejam seguros para não tropeçarmos e nos espalharmos por aí e as fitas sejam por vezes parecidas com aquelas "fitas" que também fazemos.
Em todo o sapato, um pouco de nós, portanto, conquanto nunca nos impeçam de caminhar, de correr ou passear,seja sozinha seja em boa companhia.
Por vezes lá terão que parar sob uma mesa. À noite terão direito ao seu descanso. Precisam de alguns  cuidados e mimos (mas de "creme", não de "graxa").
 Tamanho? crescem connosco/comigo, de acordo com os meus sonhos, mas também com alguns  becos sem saída. Foram feitos para me levar a conhecer o mundo e a conhecer os outros. Um dia, velhinhos espero, serão arrumados a um canto, deitados num contentor ou quem sabe reciclados, para que outros possam aproveitar a sua sola resistente e flexível, a sua pele macia e protectora.
Para já, é este o retrato que deles posso fazer, já que os sistemas fotográficos da blogosfera ainda não são capazes de os fotografar em toda a sua inteira imagem e fazendo-lhe total justiça.
Por isso, tudo o que posso fazer é perguntar:
-gostas destes meus sapatos (que vou usar hoje, amanhã e depois...)?
- Queres fazer uma viagem com eles a ver aonde te podem levar?
- Serás capaz de os calçar, pôr-te no meu lugar dentro deles, nesta viagem internáutica ou da realidade, ou, como dizia a canção do Elvis, ser capaz de me entender e "  Walk a Mile in My Shoes"? (cliquem no título para aceder à música e atentem na bela letra!). (ADENDA: AQUI O LINK para uma versão mais moderna e "Chill"e bem boa dos Coldcut, COM LETRA).
E PRONTO! Fiz o meu post sobre SAPATOS.
Agora, depois disto tudo, e caso  o post seja mal entendido (embora em nada quis que fosse ofensivo, antes pelo contrário! Foi apenas uma fantasia de um serão) e  leve alguns a debandar, apesar desta "trabalhêra", lá continuarei apenas com os meus 41 aderentes (fora os do networkedblogs/Facebook)... :((
Para COMPENSAR, caso não gostem deste par de sapatos, segue-se aqui mesmo neste Post uma ADENDA, com outras opções de sapatos para o fim-de-semana... ou para a longa caminhada da Vida!(mas depois não se queixem dessa opções!) ;)
Margarida Alegria (5-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
ADENDA ( Pares de Sapatos alternativos):





Que chamar-lhes? Sapato-rocha? Sapatos -caranguejo? Sapatos-salta-pocinhas? Seguramente que precisam de umas escadas de emergência... Para situações... "bicudas" ou para andar" em loja de porcelanas"...
Estes mais facilmente nomeáveis: sapatos barbatana. Para quem quer arriscar caminhar sobre as águas,como fizeram Jesus e São Pedro, pois que sobre a terra, a coisa às vezes complica-se....
E estes nem precisei de nomear: o criativo que os imaginou chama-lhes mesmo "Sapatos-prego"! UI! :))
Para caminhar de forma a sublinhar bem o caminho para outros que venham atrás, para quando se quer... PREGAR bem ao chão e não voar com os vendavais... ou então... para quando precisa de passar à frente da fila ou fazer que outros a deixem passar por entre os lugares no cinema (aqueles ranhosos que esticam as pernas e não se movem um milímetro para facilitar)! ;)
Aceito sugestões para a utilização dos vários modelos!
Abraços,
Margarida Alegria (5-5-2012, "Alegrias e Alergias", blog)