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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

12-12-12 (post para assinalar)

Pré-programei este Post para marcar a efeméride original e única: o dia 12 de Dezembro de 2012 (12-12-12), já agora, às 12h e 12 minutos.
Era uma das datas  por aí mencionadas para o Fim do Mundo, mas parece que ele nunca mais chega. Embora ainda não estejamos livres, este mês (falam também do dia 21, que é já aí!), segundo os antigos Maias ou algo assim.
De qualquer forma, fim do mundo ou não, é de assinalar. Para mais que hoje tenho a firme certeza de que o País e o Mundo estão neste dia PIORES do que há precisamente um Ano. E que no dia 21, ou daqui a um ano, a continuar neste ritmo, estarão indubitavelmente PIOR, a continuar neste estilo de medidas, de cortes, de destruição da vida das pessoas: cortes e REcortes, centralizações constantes, controlo e vigilância dos cidadãos por autoridades não eleitas ou para tal não mandatadas, pontapés nos direitos humanos conquistados ao longo de séculos, desfazer de promessas e do que resta da democracia (por pessoas mentirosas).
Não será este dia o FIM do Mundo, mas de certeza que, para muitos portugueses e habitantes deste triste planeta, esse FIM do mundo já terá chegado às suas vidas, com a destruição dos seus  haveres, dos seus sonhos, dos seus planos, da sua Esperança.
E digo isto eu, que sou quase sempre optimista e que acho sempre que mesmo algo de mau traz consigo um sedimento de algo de bom e aproveitável.
Em tempos de chumbo como este, não basta, como sugeriu uma fazedora de livros da moda, numa entrevista ao jornal " i" , fazer um "downsizing" do seu "life-style"(!!!!-- Quem? Margarida Rebelo Pinto, ora quem mais poderia ser?). Nem mesmo que a senhora tentasse, de uma vez por todas, fazer algum "life-sizing" do seu  "down -style"...
Restam as frases animadoras que aqui deixo, no postal ilustrado acima, frases, aliás, que se podem aplicar a qualquer um dos 365 dias de cada Ano. Mas fazer o que elas aconselham está dificil. Cada vez mais. Já nem todos os sentidos nos permitem ver  e sentir as belezas da Vida, pois cada vez o tal Tempo que voa nos escraviza para que não tenhamos oportunidade de sermos minimamente donos dele, Tempo. "Viver a vida no seu completo potencial" é também cada vez mais uma frase feita, numa sociedade que inculca a alienação, que, à falta de poder controlar toda a nossa Vida e pensamentos, faz de tudo por ao menos ridicularizar os nossos sonhos. Resta-nos, claro e sempre, lutar. E se não lutarmos por nós, dificilmente mais alguém o fará por nós...
Quando cada vez mais vejo quem é ou  foi essencialmente egoísta a "safar-se" por entre os "pingos da chuva" e do outro lado vejo quem é altruísta a apanhar o "aguaceiro" dos problemas todos em cima, mesmo que se tenha munido dos devidos guarda-chuvas. Sem oportunidade de "cheirar a chuva" como o postal romanticamente sugere...
Saboreiem bem o dia, portanto, vós pessoas da paz! Pois cada vez menos alguém sabe o dia de Amanhã ou a "percentagem" de Amanhã que pertence à nossa própria escolha.
Até logo.
Margarida Alegria (in blog "Alegrias e Alergias", 12-12-12, 12h 12m)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Depois do Rio, o Mar... (Música para o serão)


The Waterboys- This is the Sea"
Como    a letra da canção  sugere, a vida não é apenas como (segundo a vulgar analogia) um belo  e simples rio, por onde fluimos com os nossos projectos, sonhos e receios, com maior  ou menor corrente, mas desaguando pacificamente no Oceano.
Há  Eras e momentos  marcantes da vida individual e/ou colectiva em que, sem que nos tivessemos equipado com bóias ou coletes,  damos por nós  directamente    no mar  , longe do nosso trajecto fluvial, sem cais que nos acolha...
Portugal, a Europa, boa parte de nós... encaramos um momento desses.
Incerto, medonho, avassalador...
Pensaramos saber tudo da nossa própria navegação.

 "But that was the River... This is the Sea.."
Enfrentemo-lo pois, olhando a onda de frente. Poderemos sair um tanto machucados e molhados. Só não sejamos condescendentes com monstros que nos sonham tragar,  com as rochas  mais duras e escorregadias que não são porto seguro, nem com as voláteis medusas, viscosas e traiçoeiras teias marítimas.
Um arrepio percorre-nos a espinha, mas assim como rio era "nosso", assim também será o Mar.
"Behold the Sea!"
Boa noite...
"Alergia" (6-11-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Aqui a letra:
"This is the Sea"
These things you keep
You'd better throw them away
You wanna turn your back
On your soulless days
Once you were tethered
And now you are free
Once you were tethered
Well now you are free
That was the river
This is the sea!

Now
if you're feelin' weary
If you've been alone too long
Maybe you've been suffering from
A few too many
Plans that have gone wrong
And you're trying to remember
How fine your life used to be
Running around banging your drum
Like it's 1973
Well that was the river
This is the sea!
Wooo!

Now
you say you've got trouble
You say you've got pain
You say've got nothing left to believe in
Nothing to hold on to
Nothing to trust
Nothing but chains
You've been scouring your conscience
Raking through your memories
Scouring your conscience
Raking through your memories
But that was the river
This is the sea yeah!

Now
I can see you wavering
As you try to decide
You've got a war in your head
And it's tearing you up inside
You're trying to make sense
Of something that you just don't see
Trying to make sense now
And you know you once held the key
But that was the river
And this is the sea!
Yeah yeah yeah yeah yeah yeah yeah!

Now I hear there's a train
It's coming on down the line
It's yours if you hurry
You've got still enough time
And you don't need no ticket
And you don't pay no fee
No you don't need no ticket
You don't pay no fee
Because that was the river
And this is the sea!

Behold the sea!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Atrás do Tempo, tempo vem... (até logo!)

Problemas de Net e falta de tempo têm-me afastado destas bandas. E logo agora que o blogue está à beira de fazer o seu primeiro aninho de vida (é já amanhã: nasceu a 30-10-2011).
Deixo aqui uma frase de Chaplin.
Voltarei mais logo com alguns apontamentos sobre os disparates nacionais ocorridos durante as duas semanas em que o blogue esteve parado.
E há os cartoons prometidos, a sair nos próximos dias (peripécias do Vitinho... e o quarto e último da série sobre os feriados, finalmente a sair no próximo 1 de Novembro!...).
Então até logo e... vão mudando o Mundo, em cada segundo que vivem. Sempre para melhor. Pois para pior já basta assim...

terça-feira, 10 de julho de 2012

O lado das sombras do Solstício

(Este post foi iniciado, mas não concluído no dia do solstício de Verão , de 20 para 21 de Junho passado. Não faz mal. Passado  quase um mês, tenho novos elementos e sensações a acrescentar...)
Dizem que o Solstício do Verão dá início ao dia mais longo do ano.
É esse dia que marca o Auge de força da Estrela que ilumina a Terra, o Sol.
Menos se divulgou que o dia do Solstício, por outro lado, pautava também outro Auge: o Auge da Terra, o dia em que todo o planeta que habitamos dá o melhor de si, está na maior plenitude e fase de força.
Assim, terá sido o dia em que todas as sementes lançadas terão germinado mais velozmente, todas as árvores terão visto o estender dos seus ramos com mais nervo, todas as  flores terão brotado com mais viço e brilho.
O Sol, esse, terá expelido ainda mais calor e chama sem se fazer rogado, convidando assim a Natureza a se lançar num inigualável Hino à vida que à maioria dos seres humanos terá passado despercebido.
Posso imaginar que  também todos os animais, desde o humilde verme no húmus terrestre, até ao solene elefante, desde a colorida borboleta que dura um dia, até ao antílope elegante, desde o pequeno  e irrequieto colibri que suga o néctar das flores ao condor que voa nas altas montanhas, desde o peixito do lago até ao tubarão feroz do mar alto, todos terão cumprido, nesse dia,  o seu ritual de energia e de entrega à vida, com o que tem de inominavelmente belo mas também com o que é de inevitável luta pela sobrevivência.
Só não sei dizer que papel terá tido, nesse dia e em todos os que se seguem e que são mais longos, o Ser humano e os seus exemplares que julgam dominar essa mesma Terra.
Hoje, mais um dia de Verão, nem o sol que brilha num límpido azul me traz consolo. Os seus raios roçam-me a pele, mas têm impacto igual ao  rotineiro vestir de uma blusa gasta. O vento, que sopra forte e que modera o calor, não me traz hoje aromas de maresia, ou das flores, ou sequer de relva húmida. Os cantos nervosos dos pássaros não parecem alegres, apenas agitados e melancólicos concorrentes aos gritos ritmados das gaivotas e ao rolar dos carros de motores mais ou menos roucos. O silêncio que escuto vai sendo entrecortado por discussões inabituais nas ruas.
Hoje, mais um dia de Verão, mas que ainda não sinto como Verão, tento saborear frutos da época, de polpa carnuda e coloridos. Mas não me trazem o sabor dos campos, o amadurecer dos dias nas árvores, a doçura da Terra-Mãe. Devem ser saborosos, suponho, mas lembram-me apenas  a necessidade de me alimentar e o vertiginoso do comércio em caixas, os 23% de IVA implacáveis...
A água refrescante que engulo apena e mata a sede, mas não me traz a esperança das fontes e serranias.
Tento olhar e contemplar o que há de belo.  Anseio destrinçar apenas o que é belo. Mas parece que só reparo no que está a ser destruído. O jardim público é bonito e agradável, mas cortaram verbas nos jardineiros que o mantinham bem cuidado. As árvores são imponentes, mas a qualquer altura pode vir um autarca que as detesta e  manda cortar, por achar que destroem a regularidade dos passeios. A praia é bela, mas sempre paira a ameaça da onda que venha a trazer espuma amarelada pelos petroleiros que imperam na economia. As crianças que brincam, já em férias, são belas e inocentes, mas já vislumbro nelas a maldade  e a frieza que tantas acabam por desenvolver em adultas.
Tento tocar no que ainda parece genuíno: a pedra áspera do murete, a folha  lisa da árvore, os picos  matreiros dos cactos. Mas só me trazem a aspereza, a lisura, o "ai" de ser arranhada. Não trazem nem a montanha, nem a floresta, nem sequer o deserto para a minha beira.
Tento outras realidades: o jornal, a TV, as notícias do Mundo. Nem cá dentro, nem lá fora. Só intransigências ("nem mais tempo nem dinheiro" porque queremos parecer bem, a velhinha presa por roubar uma lata de atum para comer, o rapaz bósnio que testemunha a família massacrada, uns matam, prendem, magoam outros...), só guerras sem fim( genocídio na Síria, bombas aqui e ali, fome, pobreza, loucuras várias...).
Tento desligar e interiorizar: mas os ouvidos em mim, os meus olhos abertos e atentos, a minha pele, todos os meus sentidos, parecem falhar esse auge da Terra que tanto queriam sentir.
Mesmo a parte da Humanidade que me deveria estar mais perto e à qual sei que tento dar uns raios do meu sol "particular", me  parecem distantes e indiferentes...
Tudo o que a Terra e o Sol dão, parece que os Humanos tratam de estragar e tirar uns aos outros, respondendo a tanta generosidade da Natureza, com a Cobiça, a Ganância, a Injustiça e a Ingratidão em que são "peritos".
Solstício de Verão: dia que marca o dia mais longo, o Auge e plenitude do Sol, o Auge de generosidade da Terra.
Só falta mesmo podermos celebrar nesse dia o Auge da Humanidade: o Dia em que os seres ditos Racionais deste Planeta dêem ao mundo tudo o que têm de melhor dentro de si, o dia em que deles brote a Paz, a escolha da Verdade, o entrelaçar  de Ternura e de Felicidade que faltam para que este "Solstício" seja genuinamente Universal.
(Então, comemorarei esse Solstício com Alegria.
Por ora, resta-me ir encolher ali num canto e suspirar... esperando que mais um dia de Verão atípico finde..).
Margarida Alegria (10-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tempo de prendas e de selos de Amizade-"Tonight we fly"


Tempo de finalmente postar um  selo daqueles oferecidos por gente simpática e querida, dedicado à música e aos amigos bloggers. Ei-lo :



É requintado, não acham? É originalmente da blogger "Mar". Levem-no, se quiserem.Supostamente a tarefa anexa deveria ser  dedicar uma música por cada blogger que visitamos, mas vou fazer como a "Pérola" ,que me ofereceu  este, e dá-lo em geral aos gentis bloggers amigos que   visitam este  bloguito e que visito.... E já agora alargado a todos o meus amigos em geral, mas aos verdadeiros, distantes ou mais próximos.
Os Divine Comedy repetem-se aqui, mas nunca é demais relembrar ou dar a conhecer  um dos   melhores  compositores-cantores(e poetas!) das últimas décadas (e ainda tão injustamente  incógnito!) Neil Hannon. Esta música é a meu ver muito adequada ao proposto.
Como se  lê na letra que  aqui  junto (magnificamente  complementar do alento que a melodia nos dá!),  uma das maravilhas  que se guarda da vida que   sobrevoamos, acordados ou a dormir, são  os amigos. Mas eles são sempre somados e não substituídos uns por outros, como quem troca de blusa. Viver devia  ser, como diz uma frase famosa,(não sei de quem) "Amar as pessoas e usar os objectos e não  amar os os  objectos e usar as pessoas" (como muitos fazem).
Páro aqui o "parlapié" e deixo-vos com a canção inesquecível. Dedicada   a quem   a merece.
Boa Noite! VOEMOS, com as asas leves e puras da Amizade! :) ( E tudo bem colorido, hen?)


(The Divine Comedy,"Tonight We Fly",video  não oficial, de um fã, publicado por "teddyduchamp")

TONIGHT WE FLY

Tonight we fly
Over the houses, the streets and the trees -
Over the dogs down below;
They'll bark at our shadows
As we float by on the breeze.
Tonight we fly
Over the chimney tops, skylights and slates -
Looking into all your lives
And wondering why
Happiness is so hard to find.
Over the doctor, over the soldier,
Over the farmer, over the poacher,
Over the preacher, over the gambler,
Over the teacher, over the writer,
Over the lawyer, over the dancer,
Over the voyeur,
Over the builder and the destroyer,
Over the hills and far away!
Tonight we fly
Over the mountains, the beach and the sea
Over the friends that we've known,
And those that we now know
And those whom we've yet to meet.
And when we die
Oh, will we be that disappointed or sad?
If heaven doesn't exist,
What will we have missed?
This life is the best we've ever had!

(Neil Hannon /The Divine Comedy, in álbum "Promenade",1994)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança(2 de 2) :1 de Junho 1975


("Dia Mundial da Criança: 1 de Junho  1975(A Flor da Liberdade; 1975, 16 mm P/B; realização:Júlia Guarda Ribeiro; reedição: Paulo César Fajardo, 2005)
O SEGUNDO DE DOIS VIDEOS PARA O DIA MUNDIAL DA CRIANÇA. Este documentário retrata o primeiro festejo do dia Mundial da Criança após a revolução do 25 e Abril ('74), em Leiria, no dia 1 de Junho de 1975. Na Cooperativa "A Flor da Liberdade"). As bobines originais andaram desaparecidas durante 30  anos até que  em 2005 o filme foi reeditado.
Hoje  estas crianças serão, portanto, adultas,mas é belo observar que crianças são  sempre crianças, em qualquer época e lugar. O que sonharam então para  o Futuro ter-se-á  realizado? E que Futuro dão  agora , em adultos , aos  seus descendentes? Continuará  a  existir  infância  e o seu Dia dentro de poucas décadas, ao  deixarmos a sociedade  e a felicidade  dos povos degradar-se como agora?
Ficam as questões.
Como peculiaridade,  observem e recordem o modo   de vestir, de  sentir, de brincar, de festejar.
Bom Dia  Mundial da Criança a todos que  o são , em idade ou por  dentro! :)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A Certeza do Acaso na Divina Comédia da Vida...


(The Divine Comedy "The Certainty of Chance", Live at the Palladium 2008?)
Uma das minhas canções  favoritas de sempre, por um dos grupos míticos das últimas décadas, os britânicos (irlandeses do Norte) Divine Comedy, aqui ao vivo.
Há um video "oficial" que só há pouco descobri (VER e COMPARAR AQUI) e onde não aparecem algumas fífias que o nosso Neil Hannon dá nesta versão (entusiasmos, acontece...), um soberbo espectáculo com orquestra. Mas esse  outro video não incluia, como devia,   parte final com  a leitura  do poema (aliás  parece  um poema, mas  descobri que   é um excerto de um monólogo do  filme  "La Dolce Vita" , de Fellini) , um remate  importante, a meu ver.
Este tema acompanhar-me-á para sempre, pelas dezenas de vezes que o escutei, bem como a todo o álbum "Fin de Siécle" (1999), numa  das  fases mais duras da minha  vida. Canções que foram  a companhia ,  para além de um cão,de revolta e reflexões, com cada palavra  e nota  a ecoarem  nas paredes  de  uma casa  enorme e quase  vazia, povoada " de fantasmas".
Fases melhores vieram. O cão, que era velho mas ainda "rijo", morreu, ainda nessa  fase, como é tradição nos males que não vêm sós. Entretanto a vida avançou,  mudou, sobrevivi.
Muitas coisas mudaram "some forever, not for better", como cantavam  os Beatles.
E acertam, estes trovadores modernos. De  uma coisa   apenas   podemos ter certeza nesta  Vida: de  que  não há Certeza de  nada, talvez somente a Fé em algumas coisas e em algumas pessoas, sobretudo alguma Esperança  numa "Certeza do Acaso", como aqui se canta. Por mais  que nos  esforcemos por fazer o  está certo, por mais que procuremos  cumprir  a "nossa parte" a que nos toca na tal Sorte/  nesse Acaso.
Se calhar  será melhor irmos seguindo  os  conselhos das tais belas palavras  finais:
"We  need to  live  in  a state  of  suspended animation* , like a work  of  Art.
In a state of enchantment...
detached, detached..." (Ver o monólogo completo do filme AQUI, por escrito, vale a pena).
Por que  se ao menos nos encantarmos com o que descobrimos (na Natureza, nos outros, nas situações) não nos desencantamos tanto com o que vivemos (da Natureza Humana, dos outros, das situações...).
Boa tarde!
"Alergia" (24-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
*durante muito tempo entendi esta palavra "animation", como "admiration", o que também ficaria adequado...

domingo, 6 de maio de 2012

Minha Mãe

(Madame Vigée-Lebrun , auto-retrato com a sua  filha.- Museu do Louvre)

O meu pai tinha uma forma linda e carinhosa de tratar a própria mãe ( minha avó, portanto).
A minha avó não era uma pessoa fácil. Muito autocentrada, tirânica até, nunca "ligou meia" aos netos ,contradizendo a ideia que se tem de "avozinha" (felizmente tinhamos outra, mas que nos durou muito menos...). Talvez apenas a neta mais velha tenha recebido uma prendinha dela, nos primeiros anos. Não se lembrava de nos fazer um carinho, era imperial, de dentro do seu arrebitado  metro e 40cm ; e  só falava de si: das classificações que tivera,dos cargos que tivera, das propriedades que tivera e sonhava ter, do que fizera, do elogio que um tal bispo lhe tecera... histórias que escutávamos todos os santos domingos e já sabiamos de cor.
O meu avô era, por contraste e equilíbrio,não tenho dúvidas, um Santo. Um Santo quase silencioso e sofredor. Profissionalmente fora seu superior e tivera  ainda melhor currículo, mas só tinha olhos para ela, deixando-a brilhar sozinha, contemplando-a embevecido do cimo do seu quase "o dobro" de altura. Mesmo assim os filhos veneravam-na e moviam céus e Terra por ela.
Ouvi sempre o meu pai a tratá-la, não apenas por "Mãe" (jamais por "Mamã", que não se usava!), mas ou por "Mãezinha" ou, o que era mais especial e delicioso , por "MINHA MÃE". Ele era "Oh, minha mãe, não faça uma coisa dessas!", "Minha mãe, sente-se aqui.", "Minha mãe deixe que eu trato disso."..
Aquele determinante possessivo fazia a diferença e reequilibrava o paradoxo espalmado naquela senhora. Fora mulher de armas e excelente profissional, mas à família não dera vida fácil, por feitio, embora cumprindo todos os deveres inerentes. Concluo, portanto, que deve ter sido uma boa mãe, pois para tantos filhos -- que em pequenos muito enfeitara com laçarotes e cabelos frisados "à menina", em foto de os embaraçar para o futuro(aguardando sempre por uma filha, que acabou por chegar) --continuava a ser a "MINHA Mãe". Não era a mãe de outros, não era uma mãe qualquer: a mãe era DELES e de mais ninguém.
Os meus irmãos e eu, tivemos, quanto a mim, uma sorte muito maior, quanto à Mãe que "os Fados" nos atribuiram, não só porque era e é a NOSSA/MINHA Mãe, não só porque foi uma professora exemplar, uma mãe dedicada e atenta, mas porque além disso foi e É ainda (graças a Deus!) uma pessoa de excepcional Humanidade. Talvez graças, também, à acção da SUA Mãe...
Como me disse um dia  uma amiga que a conhece e foi sua colega: "A tua Mãe é daquelas pessoas que ilumina uma sala  , quando entra!"
E tem razão.
 Ilumina, não como certas pessoas que têm daquelas atitudes imperiais em altas vozes e como  que "se fazem  anunciar" à chegada, mas por trazer sempre um conforto bom com a sua  mera presença. Longe de a atitude do "Cheguei vi e venci", pois até é bastante tímida ( agora com a idade, menos...), mas por recentrar tudo o que é importante, quando chega, mesmo que nada diga.
 Ilumina não só porque é bonita (e é-o , sem dúvida, não o digo por ser a "MINHA" Mãe...) e não só porque tem um sorriso rutilante e inesquecível, mas porque do seu interior brota um sentido optimista mas muito franco de ver as coisas, de encarar os problemas. Não um optimismo pateta de "laissez faire", mas aquele que resulta de olhar os outros com a atenção e o respeito que merecem, seja de que condição social for, fosse o estado de espírito dominante soturno que estivesse na dita "sala". Apesar da carga de problemas que carregava na vida, podiam estar todos a falar, por exemplo, da maçada da chuva, quando chegava e chamava a atenção para as flores que brotavam, o arco-íris que não tardaria, isto metaforicamente falando, claro.
Por isso lhe imploraram a certa altura para dirigir um Conselho Directivo numa escola difícil, no pós-revolução, pois  era a única que conseguia conciliar todos, mas a todos também ouvir e fazer justiça e levar a escola a viver para o que devia: ensinar (coisa que agora se está a perder de novo, a destruir,com a reentrada da política nas escolas via "directores" e Conselhos gerais cheios de autarcas).
 Dava-se bem com colegas da sua geração, mas era acarinhada e recebida em braços pelos colegas mais novos, que sempre se sentiam à vontade ao pé dela, ultrapassando barreiras de idade e de pontos-de-vista. Era capaz de dar um raspanete a uma funcionária por uma tarefa trapalhona, para mais tarde ser coberta de beijos e recordada com veneração pela mesma, tudo porque também sabia fazer o elogio justo na devida hora e tratava todos como seres humanos e iguais que somos na Criação.
Quando as pessoas diziam como era bonita, logo corrigia que a irmã, essa sim era bonita,-- realmente uma estampa de revista, de feitio mais coquette e rainha dos bailes. Porém quem via a minha mãe raramente a esquecia (não esquecia qualquer uma das duas!) , talvez pelo expressivo olhar, talvez pelo sorriso acolhedor, por todo um conjunto, uma presença com personalidade. Sendo considerada uma Sensata amiga, uma pacata filha e irmã, sempre tivera vários pretendentes a arrastar-lhe a asa, mas não ligara a nenhum, o mesmo acontecendo, curiosamente ao meu pai, com imensas a fazer-lhe olhinhos, mas mantendo-se respeitoso, distante e sonhador. Um dia, embora já se conhecessem através de irmãos, o meu pai fez com ela o trajecto a pé até à Biblioteca para onde ambos iam estudar em pós-licenciaturas, voltaram a fazer tais percursos (devidamente anotadinhos em agenda/mini diário, como mais tarde, nós filhos,  viemos a descobrir, espantados!) e foi um Amor para a vida. Mas isso é outra história...:)
A minha Mãe teve de largar os seus projectos de carreira universitária, seguiu o meu pai por vários recantos perdidos do "mundo" e do País, criando a família com uma notável vocação de Mãe. De Educadora.
Portanto, neste dia da Mãe, que poderia  ser num outro qualquer do Ano, este post não é, tenham lá paciência, dedicado a todas as mães, mas sobretudo à mãe que é a minha: à MINHA Mãe.
Impossível de sintetizar tudo o que foi e é para nós, seus filhos( vou fazê-lo saltitando no tempo, em vagas, centrando-me nas partes felizes): enquanto era "apenas" dona de casa, era a mãe atenta mas não excessivamente controladora, aquela a quem voltávamos , para contar os nossos pequenos dramas. Sabia sempre dar-nos um bom conselho, ajudava-nos a "ler" o que viveramos na escola. Incentivava-nos a nos abrirmos, sem forçar. A Lermos o mundo. Ver notícias em casa não era um tempo de silêncio: gostávamos desde cedo de comentar o que viamos, expor dúvidas pelo que se passava, interpretar as incoerências da Humanidade. Os nossos pais, ao contrário de muitos, incentivavam-nos a conversar às refeições, que eram quase sempre tempos vivos, proveitosos e alegres, como testemunhavam os nossos amigos.
Por vezes o voltar para a mãe era apenas para corrermos silenciosos para o seu abraço imenso, para lhes darmos as mãos, as suas enormes e confortáveis mãos que ,por vezes geladas da má circulação e de pouco tempo para  manicures, envolviam as nossas mais pequenitas.
Era os pedaços de papelão embebidos em água para nos sarar os "galos" na testa e lá parávamos o choro e andávamos a passear todos contentes até o papelão secar e cair. Um tinha um galo... todo o "rancho" pedia um papelão para os "galos" imaginários e solidários!
Era a supervisão distante dos trabalhos de casa, só maior para quando houvesse dúvidas, mas sempre atenta a que não fizessemos batotas nas contas, nas provas dos nove...
Nunca andou a aborrecer professores, a não ser que visse que algo nos angustiava e queria alertar os docentes para isso. Mas o professor era sagrado e deveriamos respeitar todos, por mais diferentes que fossem, tivessem o método que tivessem. Errados que pudessem estar, pois temos de conhecer todos os lados de um mundo assimétrico, nem sempre justo.  Dizia-nos:" se estiverem com dúvidas nas matérias, peçam-me ajuda, veremos o que se pode fazer, nem que eventualmente precisem de explicações, embora eu saiba que são todos inteligentes e não têm motivos para ter negativas. Mas AI DE VÓS que eu venha a saber que foram mal educados com algum professor ou funcionário! Para isso não há desculpa possível!"
Era o escutar as nossas fantasias, enquanto mascava as pontas das linhas ou com alfinetes na boca, enquanto nos costurava um vestido, cosia bibes, aplicava joelheiras e cotoveleiras na roupa dos meus irmãos, transformava um vestido numa saia de alças para as meninas, ou um velho vestido das meninas num vestidinho "novo" para as nossas bonecas.
Era a sua arte de receber as outras "madames" e ter de aceitar convites para chá quando preferiria estar connosco, mas também  a capacidade de conversar com as pessoas mais humildes.
Há poucos meses revisitámos uma nossa antiga casa e foi debruçar-se à janela do que fora o "quarto da costura", foi um regresso no Tempo: curiosamente o mesmo gesto que tinha diariamente, para espreitar se as nossas brincadeiras no quintal estavam a decorrer sem sarilhos.
O meu pai defendia que a nossa casa era em primeiro lugar para ser gozada por nós e só depois para os outros, por isso não era nunca daquelas casas-museu exageradamente perfeitas, que as crianças não podem percorrer no dia-a-dia. No entanto, faziam sempre o possível para que tivessemos sempre um recanto para nós, para desarrumarmos à vontade e brincarmos(coisas que agora tantos pedo-psiquiatras aconselham mas então era a sua sabedoria de pais que intuia): um quartito "de brinquedos", um anexo de quintal, uma grande sala na cave, um jardim-- houve sempre alguns espaços para nós nas casas que habitámos. Cabiam lá os nossos brinquedos, as nossas aventura imaginárias a imitar séries de TV, as festitas de adolescentes, os muito  e variados animais domésticos. De galinhas a gatos, de peixes a ratinhos brancos, de pombos a... salamandras(nem tudo ao mesmo tempo, calma!). Apenas demorámos a  que deixasse termos um cão, pois fora mordida em criança, mas lá acabámos por ter um, que até salvou de morrer e ao qual se dedicou com alma  de enfermeira Nightingale, até durar muitos anos mais! Para tudo dirigia a sua carência profissional da Biologia, desforrando-se no cuidar das plantas, no incentivar-nos a construir um lago minúsculo para rãe e girinos. Chegou a operar o papo de uma galinha!
Quando achou que já cresceramos bastante e viviamos numa cidade, foi leccionar (e em bom tempo o fez, antes de passar a ser "pai e mãe", como dizia...) e então repartiu a sua sabedoria e o seu sorriso maternal por muitas crianças, que passaram a venerá-la e às ciências, fazendo aulas de campo, observando os frascos que levava de casa com os nossos bichinhos apanhados no campo e já em formol-- do qual se destacava aquele que chamávamos de "Clerasil", um sapo gigante! Os meninos traziam-lhe os livros que tinham em casa sobre animais e a Natureza, tantos deles prendas de aniversário antes nem sequer abertas ou exploradas, e muitos enveredaram pela via científica pelo que neles a MINHA Mãe despertou, como mais tarde tantas vezes o testemunharam em encontros fortuitos. Biólogos, médicos, mas também juizes e  de outras áreas que tanto hesitaram se seguiriam letras ou Ciências. Foi das primeiras a dedicar bastante tempo a ensinar aos meninos o que era habitat e Ecologia. Ainda não havia quaisquer anúncios   televisivos de macacos "Gervásios" nem de sociedades ponto Verde e já a minha mãe procurava  ensinar-nos a reciclar, a filhos e alunos, procurando vidrões e as farrapeiras que recolhiam papel. Muita viagem fiz com ela a descobrir aonde ainda existiria uma "Farrapeira" nas redondezas!
Já a tinhamos menos em casa, mas continuava a ser a Nossa/ MINHA Mãe, assim como agora é a avó mimada pelos netos. Então era ela a poder a partilhar os seus próprios dramas diários, o aborrecimento por ter precisado de ralhar a um aluno, a felicidade pela aula com experiência de dissecação ou  de microscópio que correra muito bem , mas sempre sempre ainda  com tempo para nós. Só não tinha muito... para ela.

Claro que nem sempre o relacionamento com ela foi "rosas"! Claro que houve  discussões e choque de gerações, como com todas as mães. Tinha de haver. As gerações encontram-se e prolongam-se, mas estão irremediavelmente apartadas pelo Tempo: há modos de pensar que se adaptam e mudam e a MINHA Mãe acabava por aceitar as mudanças, mas nós também não a obrigávamos a pertencer à nossa geração. Queriamos nela  a senhora da geração anterior, a Mãe que era  e também amiga, mas não a amiga com vergonha de mostrar a sua autoridade de mãe. E longos anos já de ... pai e mãe em simultâneo. Quantas vezes não tinha a razão do seu lado, mas ganhava a discussão, graças a sua poderosa capacidade de argumentação... só no fim pensávamos: "'pera lá! Mas EU é que estava certa!".
( Poderia ter sido também uma boa advogada...!). :))
Já o meu pai era o sonhador romântico que nos ensinava a gostar de livros , de desenho e banda-desenhada, de aprender sempre  muito pelos livros e  a ter sempre curiosidade em aprender tudo. Era, como bem diziam, um homem bom como já "não se fabricam" e...enciclopédico. Uma lâmpada fundia e com a lâmpada na mão o meu pai explicava como funcionava, apontando para os filamentos e porque falhara. Enquanto durava a explicação, a minha mãe, a educadora prática, ia buscar uma lâmpada nova e colocava-a. Complementavam-se. O meu pai, ao contar contos de fadas, era preciso e romântico nos detalhes, fiel à história, do príncipe e da princesa, das Fadas,  do coelhinho que ia às couves e ficava sem casa. A minha mãe, por seu lado, para escândalo do rigor meu pai , fazia-nos delirar com os detalhes inesperados que introduzia nas histórias: o coelhinho ia às couves mas de permeio parava num recanto para... fazer cocó! ENA! ahahah! delirio e risos nossos, protestos do meu pai! O meu pai cantava muito bem, voz de barítono bem colocada, mas para canção de embalar, sobretudo se estivessemos com febre, tinha de ser a nossa mãe e mais ninguém, sempre a mesma cantilena sem letra (oh larô Larô. Larito...), fora de afinação não por má voz mas por uma cicatriz no ouvido, mas SÓ ela a podia cantar! Mais tarde descobrimos , num filme clássico , a preto e branco,que a anónima melodia era de... uma marcha militar!
Era  e é , portanto,  muito especial, a minha mãe. Talvez nos devesse ter obrigado a certas coisas, mas pelo menos obrigou a tantas  outras que muito agradeço: o sair do reduto do lar para ir a campos de férias formativos no Verão, para me tirar um pouco da "casca" e conhecer jovens de todo o país, sobretudo realidades diferentes ( conheci adolescentes com uma visão arejada e culta que tomara agora a tanto deputado de aviário quem nem sabem o nome dos preisdentes); obrigar a apanhar os autocarros para a baixa e ir a pé para a escola, obrigar a comermos tudo do prato, sem caprichos, nem que levássemos horas...

Porém não existem "cursos" para se ser mãe e pai. Todos erram, todos erramos, não há pais perfeitos, por melhores que sejam. Àparte  o caso daquelas mães desnaturadas que envenenam os filhos, "Mãe só há uma" e todos devemos estimar e acarinhar as nossas Mães, por muitos choques que  tenhamos com elas. Tudo porque é a NOSSA Mãe e Ponto final.
Acredito que as mães fazem o que sabem pelos filhos. Cabe-lhes fazerem o melhor que podem segundo as circunstâncias. Sobrevivemos às agruras da Vida com elas, por causa delas, apesar delas, por vezes. Mas é assim há gerações e gerações. Não devemos imputar-lhes as nossas frustrações. No meu caso sempre nos demos bastante bem, talvez por afinidade de feitios, embora não chegue ao seus calcanhares de "Sábia", mas também fez sempre menos cerimónia comigo do que com os meus irmãos, o que não é propriamente uma vantagem, bem longe disso. Mas foi assim que a Vida se traçou...
 Tantas e tantas recordações soltas! (que não quero que se percam na linha do Tempo) Também as dos gestos inesperados e especiais que tinha, com toda a sua generosidade, rasgos ousados do fundo da sua timidez: o deixar que muitas crianças amigas nossas vizinhas lá passassem tardes inteiras ,almoçassem e até experimentassem connosco cozinhados para lanches, a sujar a cozinha. "A sua casa deve ter mel!" Dizia-nos uma vizinha e amiga. O trazer o netito do merceeiro lá a casa para o garoto ver o que era um computador, então o ZX-Spectrum do meu irmão; como moveu mundos e fundos para ajudar uma senhora  quase desconhecida que estava para ser despejada da casa que sub-alugava (descobrindo a existência da APAV, então a dar os primeiros passos); as longas horas de conversa a tentar aconselhar amigas minhas que  a procuravam para desabafarsobre as suas dúvidas na escolha do curso;  e atitudes para  com completamente desconhecidos, como daquela vez em que havia uma greve de transportes e, subindo de carro uma longa avenida, se condoeu e parou para oferecer e dar boleia a uma  humilde avó  que subia o passeio a custo a pé com os seus netos!
Tantos e tantos momentos que jamais esquecerei. A MINHA Mãe, minha grande confidente e Amiga. A boa vizinha, a professora querida de outros, mas a MINHA Mãe...
Hoje já não aparenta a "mulher de armas" que foi. Os anos, as noites mal dormidas, a exaustão de a todos atender acabam por pagar o seu preço.
É um passarito jovial e diz sempre que" tudo é maravilhoso", desde o acordar, até algo que saboreia, da alegria em cumprimentar as meninas da caixa do supermercado até à amorosa  criança com quem mete conversa. "Foi tão bom falar consigo!".exclama, "como é tão bom tomar este café aqui!".  Raramente tem um momento "para baixo". Com a vida que levou, o problemas que nunca cessaram de lhe bater à porta, as autênticas tragédias que sofreu,  teria muitos motivos por ter desistido de lutar, por ter desanimado e deprimido em tantas alturas,para se tornar amarga e revoltada,  mas foi sempre a campeã da resistência.
Como tenho saudades dos seus conselhos, das recordações que me narrava e como me teriam sido tão úteis mesmo agora, essas conversas, eu feita adulta (que remédio!), em tantas ocasiões que vivi!
Hoje quem a vê nem sonha  que passou  o que passou, todos gostam de vir retribuir os beijinhos e abraços e cumprimentos que distribui por conhecidos e não-conhecidos com quem nos cruzamos, conseguindo pôr muito sorrisos em muita cara macambúzia que se ilumina depois da perplexidade inicial quando saúda! Agora tantos quase desconhecidos  vêm perguntar pela mãezinha, aquela senhora que distribui cumprimentos e elogios por quem passa , aquela que agora é de novo menina, onde descobrimos, com espanto, a garotita traquinas  e dançarina que deve ter sido antes de se tornar na jovem e mulher sensata e mais reservada.
Apesar de todas as mossas da vida, posso concluir que a MINHA Mãe, foi e é uma mulher feliz, sem rancores para com tudo aquilo com que a vida  a surpreendeu. Ela é sem dúvida a Nossa/Minha grande Heroína, o nosso modelo de vida, em toda a sua simplicidade e franqueza. Reina nela uma  tranquilidade luminosa, não derivada  de  qualquer  irresponsabilidade ou inconsciência mas precisamente por ter a mente limpa de remorsos, por ter procurado fazer sempre o que é bem, sem maltratar os semelhantes.
Ensinou-nos a ver o mundo com compaixão e  a sabermos distinguir que nem todos têm o que têm só graças ao "mérito", como se diz agora, que há muitas voltas na vida e que o Ser humano merece ser bem tratado não por ser inteligente ou famoso,ou por ter  sorte no destino,  mas porque é um nosso "irmão",  que com todos devemos ser atenciosos e justos, embora não devamos pactuar com o que vemos de errado.
Hoje goza o descanso de ser" filha" dos filhos  e de  ser avó ,agora ela apoiada, acarinhada, mimada até, uma "menina" linda sempre fresca e jovial, com pequenas rugas e manchas da idade quais marcos no mapa da sua vida quase sempre imprevisível. As mãos mais enrugadas mas sempre grandes, agora já com tratos de manicure.
 Mas sobretudo sempre e sempre aquele sorriso e aquela "presença que ilumina"  cada lugar onde entra!
 Muito mais havia a recordar, mas o texto vai longo e já tive que o "costurar". Acarinhem  e louvem as vossas mães neste dia, mas, usando a expressão do  meu pai, contra ventos e marés, esta foi e é  não uma qualquer e não a VOSSA, mas " a MINHA Mãe".
Margarida Alegria (6-5-2012, Dia da Mãe, in blog "Alegrias e Alergias")
(POST Scriptum: eu sei que fiz batota com a data da postagem, tendo passado dois dias desde que  escrevi o seu miolo até postar de facto, depois de tanto acrescentar, remendar e cortar ao texto. Tenham lá paciência. De cada vez que vinda rematar o post acabava a recordar mais coisas de lágrima no olho e a acrescentar detalhes, muitos dos quais acabei por retirar. Afinal, sempre é um texto sobre a MINHA Mãe, condescendam... A imagem que escolhi era, se a memória não me trai, uma das que surgia nas  tampas das caixas de chocolates que a minha mãe reaproveitava para guardar carrinhos de linhas).

sábado, 5 de maio de 2012

Este é também um post sobre Sapatos!

(um par de sapatos , por Vincent Van Gogh)
Passeando pela blogosfera, constato que é habitual muitos bloggers fazerem posts sobre moda. O que vestem, o que vão calçar, que toilette vão escolher para uma festa, qual o batôn preferido ou o melhor blush. As meninas sobretudo, como é evidente, mas também já há mocitos a enveradar por aí, o que parece mais estranho, ou metroestranho ou lá como é..
Fico com um misto de embaraço e de ligeira "inveja" pela juventude que transmitem tais posts, pois é sinal que há quem vá ainda a muitas festas, quem tenha bastante tempo para escolher vestidos e se arranjar como deve ser, quando hoje em dia uma simples ida ao cabeleireiro já tem de encontrar vez  bem pensada na agenda e... na carteira. Perdoem-me quem o faz por sistema, mas a minha surpresa é genuína, quanto mais que concluo que tais blogs têm muitos mais seguidores que este recanto aqui. Oh! sim, OK é inveja ! Inveja! eheheh... "But"....Não creio que seja por essas pessoas terem mais amigos,  blogosféricos ou outros. Constato que é algo que se liga ao poderio do Google +,  a técnicas engraçadas  que há de "passo a palavra" e... talvez ao facto de ser mais fácil comentar "ai que giros sapatos!" do que dizer: "Sobre esse tema eu penso que...".
Atenção, não critico quem o faz. "Blogar" é um belo passatempo, seja para que temas for (desde que pacíficos). Ir a blogues é complemento das redes sociais, que por vezes não permitem tanta intimidade, embora pareçam o contrário. Ainda bem. A blogosfera continua cada vez mais viva e recomenda-se, tomando " sempre novas qualidades" como diria Camões. Através desse tipo de posts  que descobri recentemente, embora tenha pouco tempo para os explorar melhor, vario um pouco as minhas leituras e sempro fico a saber o que se anda a usar. Não entendo bem como se podem as jovens e menos jovens equilibrar em certas sandálias,mas é engraçado.
Fiquei depois a saber que algumas pessoas, como as do famoso "Pipoca mais doce" e afins, ganham dinheiro largo por recomendarem isto ou aquilo, este perfume, este vestido, aquele produto, ao nível da mais cara publicidade. Claro , pois é um evidente exemplo de "product placement". O que duvido é que ao fim dum tempo as pessoas  que visitam esses blogs acreditem que a escolha é pessoal e sincera, pois vão vendo recomendações semelhantes em VÁRIOS blogs! Bem, que ganhem dinheiro, há que fazer pela vida, nos tempos que correm. Mas que tudo fosse mais honesto, porque senão deixam de ser "blogs"pessoais no seu conceito mais exacto e passam a ser "sites" de fabricantes.
Portanto, meninos e meninas,Tcharammmm!!! Eis que era uma lacuna aqui no "Alegrias e Alergias" fazermos recomendações de moda ou de produtos. Para produto, como estive  de relance a ver na lista de posts publicados, tivemos aqui talvez a recomendação de um belo sortido de aventais, de charutos" robustos,do pastel de nata "MacNata", de uma nova Escola, a da Fontinha, de políticos vários não recomendados e desaconselhados(fora de moda, de prazo, ou de fabrico "chinês" e/ou artificial) e de um ou outro livro , música ou filme. E muitos, muitos saldos acima dos 50% de pensamentos variados! Mesmo assim é pouco, muito pouco...:/
Venha daí portanto uma recomendação de Moda,para os nossos queridos leitores. Como ainda não entendi ao certo o que é um "Fond de teint", como uso maquilhagem apenas quando o "rei faz anos", com a agravante de que o" rei" calha de fazer anos "só nos anos bissextos"eheh..., como a minha modista se reformou e não conheço vestidos pelas suas marcas, resta-me falar de SAPATOS, coisa mais pacata e que uso de certeza, como toda a boa gente. Não não são daquelas marcas como que tem um lindo Basset, ou daquelas outras que foram à falência pelo país fora, apesar do excelente fabrico. Também não são daquele estilista francês (ou português que trabalha em França?) o não sei quantos, que começa por um" L" (Labourin, Lambertin?...) nem tão pouco Prada, pois nem isso terei muito em comum com o Papa actual. Não sei a marca, mas é bastante Português, com retoques de inglês e de italiano via Brasil, quiçá um pouco Serfadita, mas pelo menos... sapatos Globais, de cidadã do Mundo. Passo a descrevê-los, pois não arranjei foto dos mesmos, sendo a que está acima apenas um detalhe artístico para complementar o Post.
Sola: resistente, mas flexível, pronta a palmilhar muitas estradas, a proporcionar muitos encontros e reeencontros. Pronta a me proteger de estilhaços e pregos do caminho, a me fazer aguentar as viagens. Porém com toque suave de cabedal, com a macieza suficiente para não me causar muitos insensíveis calos ou  magoadas bolhas, pese embora sempre nos tenhamos de adaptar aos sapatos e nós a ele. Com o passar do tempo, fica mais o sapato parecido com o nosso pé, do que o nosso pé com o sapato, repararam? Isto porque a nossa essência não se perde, por mais estilizada e rígida que seja a forma em que nos querem  enclausurar.
A cobertura do sapato/do pé depende da estação. mais aberto ou mais fechado, mas sempre a deixar respirar a nossa personalidade expressa em ambos os  pés. Nunca muito apertado, bem cosido mas bem vedado, a pele e o pé em uníssono para tantas misteriosas caminhadas que a Vida nos traça em mapas  de incerteza.Protegendo-nos da poeira dos dias e das intempéries do clima, um refúgio, mas sempre nos convidando para sair  quando é preciso, ou sobretudo quando nos faz bem, sendo esse o seu papel e não enfeitar-nos a sapateira.
A cor poderá variar, mas sempre de acordo com a estação e com o nosso espírito e princípios: mais sombria e reservada de Inverno, mais colorida e imaginativa de Verão. Sendo que qualquer destas estações poderá brotar a qualquer altura das nossa "andanças". Depende da viagem, de quem caminha ao nosso lado, da etapa maior ou menor a encetar.
Pode cobrir a perna, mas aí é bota e não sapato, pode ter cordões, fitas ou laços, sendo mais importante que os laços sejam de acordo com aqueles a quem nos prendemos, os cordões sejam seguros para não tropeçarmos e nos espalharmos por aí e as fitas sejam por vezes parecidas com aquelas "fitas" que também fazemos.
Em todo o sapato, um pouco de nós, portanto, conquanto nunca nos impeçam de caminhar, de correr ou passear,seja sozinha seja em boa companhia.
Por vezes lá terão que parar sob uma mesa. À noite terão direito ao seu descanso. Precisam de alguns  cuidados e mimos (mas de "creme", não de "graxa").
 Tamanho? crescem connosco/comigo, de acordo com os meus sonhos, mas também com alguns  becos sem saída. Foram feitos para me levar a conhecer o mundo e a conhecer os outros. Um dia, velhinhos espero, serão arrumados a um canto, deitados num contentor ou quem sabe reciclados, para que outros possam aproveitar a sua sola resistente e flexível, a sua pele macia e protectora.
Para já, é este o retrato que deles posso fazer, já que os sistemas fotográficos da blogosfera ainda não são capazes de os fotografar em toda a sua inteira imagem e fazendo-lhe total justiça.
Por isso, tudo o que posso fazer é perguntar:
-gostas destes meus sapatos (que vou usar hoje, amanhã e depois...)?
- Queres fazer uma viagem com eles a ver aonde te podem levar?
- Serás capaz de os calçar, pôr-te no meu lugar dentro deles, nesta viagem internáutica ou da realidade, ou, como dizia a canção do Elvis, ser capaz de me entender e "  Walk a Mile in My Shoes"? (cliquem no título para aceder à música e atentem na bela letra!). (ADENDA: AQUI O LINK para uma versão mais moderna e "Chill"e bem boa dos Coldcut, COM LETRA).
E PRONTO! Fiz o meu post sobre SAPATOS.
Agora, depois disto tudo, e caso  o post seja mal entendido (embora em nada quis que fosse ofensivo, antes pelo contrário! Foi apenas uma fantasia de um serão) e  leve alguns a debandar, apesar desta "trabalhêra", lá continuarei apenas com os meus 41 aderentes (fora os do networkedblogs/Facebook)... :((
Para COMPENSAR, caso não gostem deste par de sapatos, segue-se aqui mesmo neste Post uma ADENDA, com outras opções de sapatos para o fim-de-semana... ou para a longa caminhada da Vida!(mas depois não se queixem dessa opções!) ;)
Margarida Alegria (5-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
ADENDA ( Pares de Sapatos alternativos):





Que chamar-lhes? Sapato-rocha? Sapatos -caranguejo? Sapatos-salta-pocinhas? Seguramente que precisam de umas escadas de emergência... Para situações... "bicudas" ou para andar" em loja de porcelanas"...
Estes mais facilmente nomeáveis: sapatos barbatana. Para quem quer arriscar caminhar sobre as águas,como fizeram Jesus e São Pedro, pois que sobre a terra, a coisa às vezes complica-se....
E estes nem precisei de nomear: o criativo que os imaginou chama-lhes mesmo "Sapatos-prego"! UI! :))
Para caminhar de forma a sublinhar bem o caminho para outros que venham atrás, para quando se quer... PREGAR bem ao chão e não voar com os vendavais... ou então... para quando precisa de passar à frente da fila ou fazer que outros a deixem passar por entre os lugares no cinema (aqueles ranhosos que esticam as pernas e não se movem um milímetro para facilitar)! ;)
Aceito sugestões para a utilização dos vários modelos!
Abraços,
Margarida Alegria (5-5-2012, "Alegrias e Alergias", blog)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pausa Musical: Fio Da Vida



("Fio da Vida"", Rodrigo  Leão, cantor convidado: Thiago Pethit, 2011)
Enquanto  não   sai novo  post, este serão  ainda, uma  música do mais  recente   e  superlativo álbum  de  Rodrigo Leão,   "A Montanha  Mágica". Vale a pena escutar.
Por  mais tempestades que  revolvam o mar, nada nos  pode roubar os bons  momentos nem a  importância  dos  sonhos.
Tudo passa, só o  Bem  praticado   e o  recebido  ficam....
O  resto   " É  SÓ POEIRA",  é só escolhos  e as mãos "cheias de nada" de fantasmas.
Até já!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Post domingueiro :"The Secret Powers of Time"


("The secret Powers of Time"- conferência ilustrada RSA Animate- Maio 2010)
Um post pachorrento de Domingo, mais uma  (muito interessante !)conferência animada por "RSA Animate" (cognitive media.uk). Desta vez é de Philip Zimbardo, sobre as diversas noções de Tempo e da sua importância. De como deveriamos valorizar mais o tempo  "gasto" numas coisas (tempo para convívio familiar, por exemplo e para escutar os outros) do que noutras. Aprender a relativizar o Tempo.
  Tempo e o Trabalho,  a Educação, as diferentes Culturas...
Numa época em que  (infantil e/ou cinicamente) nos querem à força criar problemas de consciência pelos tempos livres que ainda temos,como se os "roubassemos"  ao trabalho  e o pagamento à Troika, sabe bem escutar quem põe este tema em perspectiva mais sensata e afinada.
 A não perder. Tempo do video? Pouco mais de dez minutos de um Domingo ou de outro dia.