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terça-feira, 16 de julho de 2013

Da saída do Gaspar :CARTOONS(TRÊS):Ai as contas! da série Jejé e não só

(c) Margarida Alegria (Maio/2013)
(c) Margarida Alegria (Junho de 2013)

(c) Margarida Alegria (Junho de 2013)
Costuma dizer-se "não batam mais no Ceguinho", mas, sejamos francos, este "ceguinho" do nosso mundo político(quer queira ou não queira pertenceu ao mundo político) , embora tenha batido a porta com algum estrondo e  com uma carta (que ficará para a História como uma confissão de culpa com uma facada de brinde),  saiu  mesmo assim de mansinho e sem grandes mazelas para si próprio (já lá está num tacho no Banco de Portugal), depois de tanto estrago que causou, deixando, como se vê, tudo em polvorosa.
Nunca será demais ser alvo de mais umas sátiras. Como sempre escrevi por aqui, nunca confiei nesta personagem, que não considerava propriamente sinistra, mas sobretudo arrogante, um "menino-bem" alheado da realidade do País, que fazia troça dos portugueses, ora quando lhes dirigia a palavra, ora quando aplicava as suas medidas insensíveis de cego seguidismo do poderio estrangeiro (alemão e da Troika). Tarde e a más horas verificou que o descalabro económico era completo, em  consequência das políticas que aplicava e passou a batata quente, saltando fora do barco enquanto este não se afundasse com mais estrondo. Como todo o desgoverno era centrado no seu poderio de tecnocrata de gabinete, ficaram os restantes com a cabeça à nora e sob a força do calor do sol, como se viu e se vê ainda.
Amanhã falarei com mais calma deste menino e da ideologia preconceituosa que subjaz a todos estes meninos da mesma fornada.
Para já, visto que deixou Passos Coelho órfão faz ontem precisamente duas semanas, mas o seu abandono ainda provoca mossa (não porque fosse um génio,como alguns pensavam, mas porque representava a única "estratégia" para o país dos que o nomearam, com contas mal feitas que não incluiam todas as variáveis a considerar), não queria deixar passar a ocasião, publicando estes três cartoons que estiveram em rascunho até há dois dias. Como se vê por certas imperfeições dos dois últimos, esperavam alguns retoques antes da publicação, quando se deu todo o presente desatino. Foram criados ainda em período de afazeres lectivos (final do ano, exames...) daí estarem ainda a lápis quando finalmente os pude passar a caneta neste fim-de-semana. O primeiro era até contemporâneo de um outro que aqui publiquei sobre o caso dos swaps, desenhado no mesmíssimo dia, mas deixado a esperar, pois o outro estava mais preso ao tempo.
Como se devem lembrar, o escândalo do peixe-caracol foi verídico (descoberta da DECO..., com a distracção da ASAE). Esta sua consequência é que é, claro, imaginária. A medida e o folclore (demagógico, pois os professores do primeiro ciclo já não permitiam assim facilmente o uso da calculadora ) em redor da máquina de calcular também deve estar bem presente na memória de todos (bravo, pela memorização, eheh!) e  por sua vez, embora pareça  de outro mundo, os tais dois primeiros discursos auto-justificativos do ex-ministro foram bem reais! ( Já devia estar em modo "stand-by", em fase de pré-demissão, do "que se lixe tudo isto!"... Portugal cá estará, pois nós não podemos fugir também, para apanhar os cacos, como costume).
Há ainda uns  cartoons mais antigos em rascunho, que ficaram por completar. Quem sabe um dia verão a luz do dia, talvez noutras paragens ou formato... Neles surgem também o Vitinho, a aplicar os seus  modelos na Escola, ou a conviver com os conselhos da sua avozinha Margarida (ai, logo esse nome!) de Margarinas (NOTA: a terra chama-se Manteigas, mas , graças a um saudável darwinismo social, os jovens amigos do Vitinho conseguiram uma petição para que vencesse a  designação mais moderna e menos piegas de "Margarinas"... pelo menos no mundo de fantasia desta geração do Jejé e companhia... que aliás em fantasia se equipara ao que vai por aquelas cabecinhas, só que em versão inofensiva para Portugal).
Como disse, amanhã farei um post anexo sobre o que penso sobre o impacto destas personagens nesta mirabolante crise, sobretudo reflectindo sobre a sua estranha e perigosa mentalidade. Para já, aqui vão os cartoons, para matarem saudades... ou não.
Margarida Alegria ( 16-7-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
E não... não está esquecido o longo post sobre os documentários que pré-anunciei aqui. Faltam apenas uns detalhes, que tive de interromper pelo agitado fim de ano. Mas muito nos têm a ensinar...


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CARTOONS/BD; Nuninho, o Xobredotado... é Avaliado (série Jejé e Companhia)


(c) Margarida Alegria (6-8-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Já não era sem tempo a publicação da anunciada Banda-desenhada sobre a Avaliação do Nuninho, da série Jejé e Companhia.
Cheguei a tê-la numa só prancha/página, mas acabei por a transformar em duas pranchas, para ficar mais legível, para incluir tudo ou quase tudo que haveria a dizer e especialmente porque assim pude incluir mais algumas vinhetas providenciais.
Sei que está um pouco palavroso nas vinhetas, um pouco ao estilo de Edgar P. Jacobs( "Blake & Mortimer"), mas tudo o que é dito nos balões tem o devido "sumo". E porque o próprio ministro Crato nos incutiu, antes de ser ministro e nos primeiros meses de desgovernação, esse estilo de muitas palavras. Modéstia à parte, penso que o palavreado desta b-d tem mais "sustância" que todo um ano das entrevistas e ideias desse senhor. Mais outro que enganou muitos. Não é para dizer "eu bem me parecia", pois detesto ter razão nestas coisas, porém, aquando da sua nomeação, fiquei um tanto de pé atrás (ver os posts aqui publicados desde o início do blog, a 30 de Outubro de 2011, dos quais destaco alguns LINKS MAIS ABAIXO), mas mesmo assim ainda pensei que PELO MENOS NUM ASPECTO o seu Ministério poderia ser um pouco melhor do que os de MLRodrigues e Isabel Alçada: o respeito pelos professores, na sua profissão e dignidade, msmo que se advinhassem tempos de austeridade. No último mês temos visto que "aos costumes disse nada" e a esse tal "respeito" que apregoava perante os holofotes também...
Enfim, como costumo dizer: entregue-se algum tipo de poder e afague-se a vaidade de alguém, que poucos são os que resistem a se manterem coerentes. Isto ao nível dos governantes, mas não só.
Podem-me acusar de andar a dourar a imagem a estes "meninos desgovernantes", ao associá-los assim a crianças. De facto as crianças nem mereceriam a associação. Faço-o, por um lado, para podermos manter uma certa visão de Humor, mesmo nestes tempos conturbados. Defendo que o Humor nos pode manter de cabeça fria para as lutas (que são lutas mesmo, pois estão a fazer-nos autêntica guerra, aos professores e à maioria dos portugueses!) que vamos ter de enfrentar. Por outro lado, já dos tempos do Jejé Sócrates que vejo estes novos políticos não como adultos responsáveis, mas como criançolas que , em vez de brincarem às casinhas ou ao pião, escolheram brincar com o destino de países inteiros.
  Consolem-se portanto se voltei a conseguir fazer humor, depois de uma série de Posts bem mais soturnos.
Leiam e meditem em cada vinheta. Outras avaliações se seguirão, nas próximas semanas, alternando com a repescagem de alguns posts esquecidos em rascunho e ainda com algum descanso estival de que careço. Serão avaliados o Vitinho, o inevitável Varito, o Pepé, o "indemitivel" Migas e... mais veremos.
Já sabem, podem partilhar e divulgar, mas indicando a fonte e dizendo que o vão fazer. Obrigada.
Relembro que irei agora ter mais tempo para actualizar e completar as páginas dos cartoons publicados antes deste blog (ver separadores acima, "Outros Cartoons da Alegria " e "Jejé e Companhia").Para lerem os outros cartoons da série publicados aqui, até para conhecerem os seus protagonistas, cliquem na Etiqueta "Jejé e Companhia", aqui em baixo ou na coluna de etiquetas à direita, no blog, ou então na etiqueta "Cartoons", para verem esses e outros cartoons.
Seguem-se os links de alguns dos posts sobre o MEC, para melhor relembrar os temas aqui focados e para esclarecer quem estiver mais "de fora" do tema Educação em Portugal. E depois confirmem se , apesar de me acusarem alguns de mau agouro, não tinham razão de ser as minhas críticas e observações. Antes não tivesse... :((
Sobre Nuno Crato, sua atitude e medidas do MEC(clicar títulos para aceder aos posts, aqui, como disse, os mais relevantes)-- o tom verde claro dos títulos é opção do editor do blogger, para este modelo:
-Ana Drago na Audição da Comissão de Educação...(20-7-2012)- Ver as "não-respostas do ministro.

( NOTA: Ena! E acabei de chegar aos 50 seguidores via Google  e aos 30 pelo Facebook! Thanks! :)))
Margarida Alegria (6-8-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 9 de junho de 2012

2012-Frases e Passos do Ano- a Sequela!

(C) Margarida Alegria/Junho 2012(in blog "Alegrias e Alergias, 9-6-2012)

Dizem por aí que este governo celebrou esta semana o primeiro ano de poder,  de desmando, de  destruição, o que for quer faz, sabendo-se apenas que é sempre "para além da troika". Foi ontem, ou anteontem, ou por aí. Ao menos não se armou em grandes festejos, o que já não é mau de todo, de que talvez  os governantes tenham alguma "vergonha na cara"  pelo que estão a fazer ao país.
Sabemos apenas que o Primeiro -Ministro, pondo de lado os epítetos de "piegas" e de falta de empreendedorismo que andou a colar aos portugueses, desta vez gabou-os, dizendo que lhes/nos admirava a "paciência".
Hoje, no Público Vasco P. Valente diz que não é paciência mas "resignação"(e o próprio VPV me parece demasiado resignado, a meu ver).Também São José Almeida se declara perplexa sobre esta visão de Portugal. No mesmo jornal, num magnífico texto, José Pacheco Pereira desconstrói esse louvor ao  nosso povo, dizendo que é sobretudo um DESEJO  de  PPC que os portugueses continuem sem se rebelar. Diz também JPP que  concorda em parte a crítica feita por D. Januário Torgal Ferreira (que disse - não nestes termos--que tal elogio lhe soou ao bafiento tom do ditador das Botas de há 50 anos...*) e que PPC parece falar dos portugueses no mesmo tom com que  o poema de Afonso Lopes Vieira gabava a paciência e trabalho dos lindos boizinhos que puxavam o arado (sem se queixarem).
Adiante.
Outra frase igualmente marcante da semana foi esta que está acima, no cartoon, dita na segunda-feira, dia 4, numa palestra para os empresários estrangeiros que (ainda) investem em Portugal (para lá dos "lavadores" de dinheiro e de diversos traficantes, entenda-se...), asssim sem tirar nem pôr, que "os Portugueses já não estão PERANTE o abismo", etc... como estávamos há um ano.
Talvez na vontade de entregar uma prendinha de não-mérito a estes governantes, ia dizer "já que nunca lhes dei nada", mas estaria longe da verdade, quando me lembrei de todos os impostos directos e indirectos, de todas as taxas, as leis , os despachos, os subsídios "Desoferecidos"....Bem, mas sou mais ou menos generosa, aqui fica o meu contributo para marcar a efeméride, este Ano de governo que já parece um século, depois dos seis séculos longos dos anteriores mandantes.
Criei logo este cartoon, que poderá formar um DÍPTICO com este outro AQUI: "Frases e passos do ano de 2011"(clicar para ver), daí lhe chamar sequela, pois partilha da mesma imagética e campo semântico.
Por outro lado ainda poderiam ser intercalados com este outro Cartoon aqui:"  O Ponto de Viragem" (clicar), criando portanto um TRÍPTICO.
E ficamos à espera de um quarto (como se chamará então? ,,, humm... Tetra... TÉTRICO?), que, pelo rumo que levamos, poderá vir a ser apenas, após o passo atrás para o abismo: "Glu... GLU...Glu..." :((
Bem, o que me trazia a acrescentar texto ao cartoon é uma ADENDA para esclarecer todas as nuances da frase de P. Coelho. Do dicionário online de Português(excertos):
PERANTE (preposição)
significado- na presença de, DIANTE DE, ante
Frases exemplificativas:
"A vontade é impotente perante o que está para trás dela." F Nietzsche

"Todos somos responsáveis de tudo, perante todos." Fiedor Dostoiewski

"Os pequenos cantores que se apresentaram perante B. (...) ganharam fama quando..." (da imprensa)
CONFRONTAR:
significado- Pôr FRENTE A FRENTE ; ACAREAR (verbo t.)
Defrontar (v. int.)
Defrontar-se, estar ANTE (v. prep.)


Frase- "Todos os grandes líderes têm tido um pecado característico em comum: a disposição para CONFRONTAR inequivocamente a principal ansiedade dos povos do seu tempo. Isto, e não muito mais, é a essência da liderança" John Gailbraith
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Haveria muito mais a dizer,até sobre estas citações,  mas deixo-vos com estas definições que me inspiraram o cartoon. Por isso temos um P-M descansado, pois não se sente "diante de " abismos, mas perante ovelhinhas mansas e perspectivas idílicas, quem sabe se com todos os adereços que lhe juntei. Já os seus ministros também viram costas à realidade, um não querendo ouvir dizer que as suas contas falharam, especialmente para o desemprego crescente, outro, que anda muito caladinho,não ousando falar  mais, pois já não consegue entusiasmar nenhum empreendedorismo, outro  dizendo que não está a ver, nem viu nem leu nada, especialmente dos sms que recebe e  reflectem o país onde uns sofrem enquanto outros brincam aos espiões.
Fico à espera, com receio, de novas frases (para o "Tétrico" de cartoons), que esta gente gosta muito de nos mimar com elas e já não sobram as horas para fazer tanto cartoon e texto que estes desaires do mundo nos inspiram.
E publicarei isto no intervalo do jogo  do "Euro" de Portugal -Alemanha (já alguém marcou? Não pois não?), para permitir uma pausa às prováveis angústias dos visitantes que aqui passam.
Margarida Alegria (9-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
(* o que logo provocou reacção maliciosa e difamatória dos "spin doctors" do poder, nas redes sociais, de que ganhava 4500 € e tinha motorista e secretária, o que D. Januário vem hoje negar: não tem nem nunca teve essas mordomias, mas tem uma reforma de 2500 € de prof universitário, que fica em metade, com os impostos).

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Educação: Equações importadas e "efervescências" caseiras

Como servi no anterior POST AQUI, à laia de aperitivo, nada como um bom borbulhar para tudo se animar por milagre.
Essas "borbulhas", propostas por Mário Nogueira,-- líder do mais representativo sindicato dos professores, a FENPROF--, deverão ser, no seu entender, umas tais de "BORBULHAS de CONTESTAÇÃO"(sic,não é invenção minha!), ou seja, uma espécie de guerrilha suave de iniciativas pontuais e "salpicadas" pelo país fora, à vez.
A FENPROF começou em Coimbra, ontem, num volumoso borbulhar de ...umas 70 pessoas.  No Sábado borbulharão no Porto e por aí fora.
Em suma, um misto de protestos em mini-manifestações (as grandes e nacionais, com o tempo, veríamos, ainda segundo MN) e borbulhas "efervescentes" de um Jacuzzi que fariam "cócegas" ao Ministério/MEC, mas que todos sabemos, por experiência dos últimos anos de pesadelo, apenas serviriam para deixar o MEC e o Crato  mais "relaxados" e ´mais tonificados, depois das cócegas que tais "borbulhas" lhes viessem a fazer inicialmente. Depois de verificar que a luta docente e da restante comunidade Educativa não iria até às últimas consequências.
Assim sendo, tudo se inclina para que o MEC interprete a palavra "BORBULHAS" no sentido epidérmico,  de "ACNE" passageira, e então em vez das borbulhas de Jacuzzi, ou sequer de uma alka-selzer que revigore a luta docente e que nos alivie o mal estar nas Escolas-- aumentado por mais uma vaga de "despachite-aguda" das últimas semanas--, teríamos antes uma imagem mais nítida assim:

                                    
A "Clínica Crato-Dermoestética" aplicaria , nas maçadoras borbulhas,diversas camadas, em semanas consecutivas, de legislação e despachos gordurosos e enriquecidos com extractos de laranja e Liberalitus-Vera, com base numa antiga fórmula matemática usada por alquimistas da  Burocratolândia. Há quem diga que essa fórmula está ultrapassada e é contestada, mas  em Portugal nada como repetir bons erros, desde que sejam traduzidos do estrangeiro. Foi-nos certamente vendida antes de ser deitada fora, numa boa estratégia de reciclagem e reutilização do Mundo Moderno.
As borbulhas, depois de umas negociações/de uns entendimentos com os sindicatos, seriam finalmente sujeitas a uma "profunda limpeza de pele", fazendo com que a essência de laranja penetrasse e  nas camadas mais vulneráveis das borbulhas, anulando-as, deixando isoladas as borbulhas mais teimosas e activas, até se extinguirem por completo. Extinguirem-se, ou através da facultação de "um lugar ao sol" (e como o sol faz bem à cútis com borbulhas), ou sendo reabsorvidas pela novas camadas de pele.
Bem,esta parte foi mais dirigida a professores e suponho que quem não é professor neste momento não entendeu (quase) patavina e terá de reler aqueles parágrafos depois. Passo a explicar.
Nas últimas semanas, o Ministério da Educação e Ciência (MEC), mantendo a boa tradição criada por Maria de Lurdes Rodrigues, tem invadido as escolas com quilos de legislação, despachos e 1ªs, 2ªs, etc versões de propostas de formulação da reorganização Curricular, tendo até conseguido a proeza de vir agora contrariar o que estava acordado com alguns sindicatos, em relação à duração mínima dos tempos lectivos,só para dar um exemplo.
Outro exemplo é o novo Estatuto do Aluno, que saltou para os jornais para baralhar os cidadãos, não estando ainda negociado com ninguém, nem tendo sequer sido escutado o Conselho de Escolas (órgão consultivo com os representantes dos Directores). E saltou para os jornais ainda não estando pronto, no bom estilo de lançar umas tochas inflamadas para testar a opinião pública, como a de  os pais de alunos indisciplinados ou faltosos irem pagar multas pelo comportamento dos filhos, perderem subsídios que tenham, e por aí fora.
Estando ainda os professores a tentar entender  esse Estatuto e as estranhas matrizes de Reorganização Curricular enviadas aos poucos em constantes versões corrigidas, tanta papelada teve ,há dois dias (5 de Junho), o" ponto de rebuçado", com a publicação em Diário da República, de um Despacho "surpresa" não negociado com ninguém. O já famoso "DESPACHO-NORMATIVO nº13-A/2012", que poderá consultar AQUI, em versão PDF.
Podem ler ainda aqui uma das notícias que tentaram traduzir o rebuscado despacho para os cidadãos:
Pois bem, o que está a deixar professores, directores e escolas em geral à nora é não só a a ambiguidade de alguns artigos, mas principalmente uma EQUAÇÃO arrevesada que o MEC inventou , aliás, traduziu de outras paragens, E que no blog "CORRENTES" se explica muito bem, dentro do que é possível entender (CLICAR AQUI).
Aí aparece, entre outras siglas da fórmula, o EFI (o que se vê que é importação estrangeira, pois explicam a sigla como "Indicador de Eficácia Educativa"), que é o resultado de uma fórmula complicada,  calculado a partir dos resultados de uma avaliação externa e de uma avaliação interna de cada escola. no fundo com base nos famosos Rankings calculados nas classificações de Exames nacionais e sua diferença em relação aos resultados internos.
Explicado e sintetizado para "leigos": consoante o tal "Indicador de Eficácia Educativa" de cada escola, esta ganharia, numa espécie de Meritocracia distorcida e  invertida e para Totós, o DIREITO a ter mais horas extra de crédito para actividades extra-lectivas.
As escolas sempre tiveram um crédito de horas extra a distribuir pelos docentes, para além das horas para as aulas das disciplinas. Esse crédito era mais ou menos distribuído irmamente por todas as escolas, pelo Ministério, e eram usadas pelas escolas para aulas de apoio, clubes e outras actividades para alunos com dificuldades ou para enriquecimento curricular de todos. Dava-se a situação caricata de , por exemplo,uma escola com imensos alunos do Ensino Especial (e não "apenas" os casos de dislexias e dificuldades gerais, mas casos complicados de paralisia cerebral e outros) ter  o mesmo crédito de horas de outra escola sem esses alunos e portanto, enquanto a primeira esgotava o seu crédito em aulas para esses alunos Especiais, na segunda sobravam mais horas para dar aulas de apoio e recuperação a alunos com  dificuldades nas disciplinas!
A certa altura o crédito foi sendo cada vez mais reduzido (Orçamento  de Estado oblige...) e era calculado com base no número de horas que os professores mais velhos tinham de redução de horário lectivo(por desgaste da profissão que até o regime forreta salazarista reconhecia existir), tendo esse crédito passado a ser usado nessas actividades de apoio, garantidas por esses professores que tinham menos turmas. Até aqui, portanto, havia desequilíbrio nessas quotas de horas, pois dependia da antiguidade dos professores do  quadro de cada escola.
Agora a lógica legislada, ou despachada, é profundamente ridícula e contraditória, embora venha com roupagens de "aumento da autonomia das Escolas! É a seguinte: uma Escola com maior grau de "E.F.I.", como por exemplo muitas das escolas Privadas e outras públicas em zonas nobres que estão nos tops dos "rankings" (muitas vezes graças a manobras várias de selecção dos alunos que admitem a exame!), vai ter direito a um... MAIOR CRÉDITO DE HORAS para actividades extra-curriculares!
DÁ PARA ENTENDER?!
Ou seja,   os alunos com mais dificuldade e/ou em escolas e turmas mais "difíceis" vão ficar com poucas ou nenhumas horas disponíveis para terem aulas de apoio para melhorarem os seus resultados,nem que seja ao menos a Matemática  ou Português. E os alunos de meios que já têm mais facilidade em pagar a explicadores por fora vão ter MAIS direito a horas na sua escola de elevado "EFI", possivelmente para clubes de culinária Gourmet ou para actividades extra de Golfe ou de Equitação!
Não. Não  dá para entender.
Os directores das escolas mais "Cotadas"(e por extensão os próprios autarcas) nesta nova forma de darwinismo social terão, em consequência, direito e autonomia a contratarem mais professores para as "suas" escolas. E depressa se transformam nuns colégios selectivos "públicos", pois cada vez mais arranjarão maneira para estarem nos tops, arredando ou convidando a sair os alunos com mais dificuldades. Baralhando e tornando a dar: terão mais créditos porque estão nos tops e continuarão nos tops... por terem mais créditos a valorizar os alunos.
Deve entender o MEC que isto é um prémio para a excelência, para  o Mérito e não sei que mais, mas mais não passa de uma forma encapotada de acentuar as desigualdades. É como dar um prémio a quem já está bem alimentado e saudável, sendo o prémio...mais e excelente comida e mais remédios e vitaminas. Deixando-se os que estão mais fracos a definhar, de CASTIGO por não terem saúde e não estarem em forma.
A que havemos de chamar isto? Fascismo? Eugenismo neo-liberal? Parvoíce de uma cambada de seres infantis e fanáticos que escreveram este Despacho?!
Criminosos, também, inclino-me a concluir, se insistirem a levar este "aborto" para a frente, passe a comparação.
Mesmo que disfarçado como autonomia. Mais um presente envenado ao estilo mariadelurdesco, isso sim.
É verdade, pois outra coisa que pretendem é também  transferir o ónus de novos despedimentos de docentes e outro pessoal que não se enquadre no resultado a fórmula do EFI-e-etc, do Ministério para as Escolas e seus directores. E pergunto: os directores é que são os patrões destes funcionários do Estado?! Ah, pois, tudo caminha para o sacudir dos ombros do Estado do pesado fardo da Educação dos cidadãos. Podemos então deixar de pagar impostos,senhores governantes,  já que temos de pagar tudo por fora, das estradas, aos transportes, da Saúde à Educação dos filhos?
Ainda só li excertos do Despacho,procurei ajuda para entender algumas das mirabolantes normas, mas esta amostra devia já alertar não só docentes como os PAIS e EDUCADORES e população em geral.
E não, caro Mário Nogueira, já não nos bastará andar a gerar "BORBULHAS" por aí, aos poucos até chegarem as férias  de Verão que estão quase á porta, para deixar o MEC a rir uma vez mais de tal tipo de mobilização. Não chegam providências cautelares onde tribunais nos dão razão para logo serem ignorados e desobedecidos pelo MEC.
Há agora razões para um Tsunami, como já disse, para uma mobilização geral que já devia ter existido, de professores, alunos, pais e todos os cidadãos preocupados com esta infâmia criada por "Jovens Turcos" iluminados e mais uma vez  desconhecedores da realidade do país em que vivem. Para que o que lentamente e em muitas décadas tinha melhorado do Ensino não seja deitado borda fora, de vez! Para não retrocedermos dois séculos para a época da revolução industrial onde as crianças não iam à escola e eram "carne para canhão", em  minas, em fábricas esconsas e guerras.
Vou aqui colocar o link para a Petição contra o despedimento de 25 mil docentes que está calculado com estas manobras, mas isso só não chega para fazer ver ao país que a revolta não deve ser só de professores, pela sua dignidade e trabalho, mas  deve ser geral, nacional e até europeia, porque afecta uma vez mais e ainda com mais força o futuro dos nossos jovens, da nossa Educação, do nosso país!
Se assim não se mexerem e  se não ousarem mobilizar todos os docentes e o País, os sindicatos bem se poderão ofender com a alegoria que redigi nos primeiros parágrafos e bem podem protestar que não cederam nisto ou naquilo! Se não forem (ao estilo dos desgovernantes) "PARA ALÉM DAS BORBULHAS" de protestos e tribunais, todos ficarão de vez com a estranha sensação de que as famosas "Borbulhas" que desejavam afinal  eram as de uma garrafa de champanhe a abrir, após  um serão de conversações e Pizzas no Ministério (em salas separadas...como daquela outra vez,em 2010, com Isabel Alçada).
Champanhe a abrir e a saltar para taças, para festejar um qualquer débil  novo "memorando de entendimento", um qualquer "acordo" por  "um prato  de lentilhas" vazio. E não poderão protestar que os docentes desconfiem de que cedem devido a acordos secretos inconfessáveis por parte dos representantes sindicais que nos deviam defender...
(Nota: tenho amigos dos sindicatos e há muitos representantes sindicais que respeito e que sei serem muito sérios e empenhados. Mas por favor não desbaratem de novo a moblilização que já tiveram em mãos em 2008 e que poderão ter de novo, se tiverem "garra" até ao fim, como se vê por terras de Espanha, França e outros, tantas vezes com problemas menores em mãos. E os docentes não devem desmobilizar mais uma vez por razões mesquinhas da sua vidinha! A Escola Pública e a Educação estão a levar a última estocada de  morte e demolição! TEMOS DE IMPEDIR esta nova barbárie!).
AQUI em baixo o LINK para assinarem a PETIÇÃO. Já é um passo e é simples de fazer, mas não, não basta.
Vamos unir-nos! Nós cidadãos preocupados. Senão, as borbulhinhas não passarão de "efervescências" gasosas e passageiras, "Burbujas de Amor", como Canta o Juan Luis Guerra.
(e os "leigos" agora podem reler o início do texto e já entenderão melhor).
Margarida Alegria (7-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 3 de junho de 2012

Sobre o sucesso a todo o custo (texto da blogosfera, a ler)


(in jornal "Público", 3-6-2012)
Não sei se a digitalização permite ler o texto, mas como é uma adaptação de um post do blogue "A Educação do Meu Umbigo",(do dia 25 de Maio último), feita pelo seu autor, Paulo Guinote*, deixo aqui o link do post original , apenas com ligeiras diferenças no fraseado: "Circunvoluções".
Ou de como, hoje como ontem, se vão dando novas roupagens a querer que, por força e independentemente de mérito, os alunos tenham sucesso, sendo que o que correr mal poderá sempre ser atribuído aos professores.
Um texto claro e explícito, de alguém que muito tem sofrido por insistir em defender a sua independência e pensar pela sua cabeça. O que deve baralhar o sistema de etiquetagem  de esquerda, direita, centro ou retaguarda de tantas "anónimas-antónias" que por aí andam com os mais diversos "entusiasmos".
(como já expliquei a todos e à  "minha" "Antónia" noutro post, não podemos continuar a guiar o sistema Educativo por  ideologias partidárias que de uma forma ou de outra acabam por desejar apenas as estatísticas de sucesso, que passam ao lado do que mais importa, que é preparar e ensinar devidamente os alunos, não os iludindo com um sucesso  falso que lhes hipoteca o futuro, mas também não os usando como números para outras manipulações, do "ante e depois" da acção de um dado governo. Não vamos a lado nenhum se não sairmos destes círculos viciosos e manobras politiqueiras).
Podem implicar com o Paulo e com a polémica que gera por vezes, por tom mais acalorado ou impaciente, mas ninguém pode negar que é alguém de grande capacidade de trabalho e gabarito intelectual, que procura ter uma  coerência de pensamento como é raro, o tipo de coerência que mais interessa: de acordo com a sua consciência e com a verdadeira experiência que tem de ensino, "in loco" e não apenas  de fora, em debates televisivos.
Em suma: viver todos os dias cansa, como  rezava o título de um livro de Pedro Paixão. Eu acrescentaria: e em Portugal ainda cansa muito mais...
(* , professor do Ensino básico, Doutorado em História da Educação, autor de livros, autor do blogue "A Educação do Meu Umbigo")
Margarida Alegria (3-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")