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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sociedade Civil contra a indiferença Linguística (I)

O jornal "Público" em papel apresenta hoje diversos textos onde a preocupação com questões Educativas e da Língua Portuguesa são "sacudidas" pela Sociedade Civil. Um deles é a famosa "Redacção- Declaração de Amor à Língua Portuguesa", a brilhante sátira escrita por Teolinda Gersão e divulgada há dias aqui no "Alegrias e Alergias" (ena! Adiantámo-nos ao "Público"! UAU!). LER AQUI (clicar).
Outro é o texto excelente de Madalena Homem Cardoso, sobre a invariância de género na Língua Portuguesa que a "PresidentA"  brasileira Dilma tanto quis impôr. O parágrafo final, então, é de génio (ou  será géniA?).Não coube o título, que é:

IndiferentOs
e ignorantOs

quinta-feira, 14 de junho de 2012

"Declaração de Amor à Lingua Portuguesa" (Teolinda Gersão)


UM TEXTO imperdível, que circula pela Internet, de Teolinda Gersão!

Teolinda Gersão (escritora)

«
Tempo de exames no secundário,os meus netos pedem-me ajuda para estudar português.Divertimo-nos imenso,confesso.E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.
Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam.E depois de rirmos espero que nós,adultos,façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa
Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.
João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).
                                          (Teolinda Gersão ) »        
_____________________
Mas não é que é quase  assim, como TG coloca o problema, fora umas brincadeiras  mais hiperbólicas?É para ver como esta disciplina anda a ser massacrada por constantes disparates programáticos e "desgovernânticos".
(recebido por mail. Muito obrigada, querida Sílvia!)
                                            
(imagem da Net:  os chamados "Cupcakes Cerebrais",  queques criados para alegrar festas de Halloween. A sério!  O que se descobre!!!Para mim  simbolizam bem  o  que  o ME/MEC tem andado todos estes anos a criar: histórias de terror  com os Programas de Português, fazendo as crianças engolir muitos destes bolos e saladas cerebrais que dão o nó na cabeça de qualquer um!)

terça-feira, 6 de março de 2012

Últimas da área educativa e anti-educativa

                                     (MLR em mais uma "linda" foto, no programa de rádio "gente que conta"... Que CONTA?! Puah! só se for contar dinheiro e tachos! Jamais esqueceremos a destruição que promoveu!)
Antes de posts "de fundo" , lugar a três novidades no campo da Educação (duas) e no da "Anti-Educação", a primeira e mais antiga, pois é do foro judicial , sobre pessoas que foram contra a Escola Pública e a Educação em Portugal. Sim, adivinharam, a dita cuja, em mais uma foto para a posteridade acima, embora continue por aí a acumular prebendas, na sua prateleira dourada e em um programa de debate da rádio onde é mais do estilo "ãhn... eu acho que... ãã~.... efectivamente... ããn.... os políticos até se esforçam em poupar recursos ãn... os cidadãos é que querem tudo... aãh....quero homenagear estas mulheres... ahn.... e falar dos cargos e do salário do  engenheiro catroga é cair em armadilhas e alçapões... ahn..."
Bem, adiante.
A primeira notícia é para lembrar o andamento do julgamento da ARGUIDA (como sabe bem ver este termo associado ao ser em causa!)   Maria de Lurdes Rodrigues, acusada de prevaricação e que já noticiámos AQUI Para já, o  secretário-geral  do ME, João da Silva Baptista, já foi condenado a uma multa ( quatro mil Euros) pelo Tribunal de Contas e o julgamento a "sério" virá por aí.
APROVAMOS: começam a ver-se alguns resultados e a repor-se a justiça deste vergonhoso caso de favorecimento e de delapidação do Erário público.
NÃO APROVAMOS: Como é que apenas o Secretário-geral paga multa(é ele o "responsável da Educação" mencionado no título) e apesar de tudo pequena face aos montantes em jogo  e a responsável máxima pela pasta da Educação , então,(claro, MLR...) não paga um tostão? Pois... coisas do "mexilhão", já se sabe...
A segunda notícia é sobre a polémica do AO e da "bola de neve" contra o mesmo,  que aqui temos vindo a noticiar. Desta vez, os filhos da falecida filóloga e especialista em gramática do Português e etimologia, Maria Leonor  Carvalhão Buescu, grande   Professora Universitária, vieram esclarecer o público, precisamente num artigo do "Público" de hoje, o quanto rejeitam o abuso que foi feito do bom nome da sua mãe, que já não está cá para rebater e desmentir. Dizem que estudos científicos da sua mãe foram descontextualizados e deturpados.
Resumindo, explicam eles que Edite Estrela  Almira Soares e  Maria José Leitão, senhoras recentemente convertidas à defesa do AO, por via do patrão Sócas (pois entretanto já haviam publicado novos manuais sobre a Língua, ignorando olimpicamente o "novo-AO"),  têm vindo a mencionar os estudos de Maria Leonor Buescu, para defender o novo AO. O trio  de doutoras-malabaristas alegavam num determinado livro e por outras vias (por exemplo no Facebook) e citando a respeitável Linguista que as mudança deste AO  eram tão necessárias, embora impostas, como outrora haviam sido as regras criadas pelos primeiros gramáticos ( por ex., Fernão de Oliveira e João de Barros, no séc. XVI)!!!!
Os  filhos subscritores da carta aberta vieram esclarecer que era obviamente abusiva a comparação, pois esses gramáticos tiveram de criar regras onde elas não  existiam e fizeram um trabalho o mais coerente possível tendo em conta as referências possíveis então. Já o novo AO, combatido com denodo por Maria Leonor Buescu, quando entre nós, além de não ter coerência etimológica e de argumentação possível, não passava da tentativa de alteração por decreto das regras JÁ EXISTENTES!
O artigo chama-se
"UM CASO DE REVISIONISMO POR CONVENIÊNCIA" ( in Público, 6-3-2012, pág 51, versão papel- linkei o título a um post do blog "ILCAO- ILC contra AO", que reproduziu o texto) .
Não sei se está online do Público, mas deixo aqui alguns excertos significativos (os sublinhados são meus):
"Convém repor a verdade, sobretudo quando ela altera e por isso mancha a reputação de quem, ao longo de toda a sua vida, foi uma generosa e infatigável defensora de princípios científicos que justificaram a sua crítica frontal ao AO, no âmbito das polémicas que sobre ele desde os anos 80 tiveram lugar."
"Uma deturpação como esta, realizada por quem sabe quanto a crítica directa ao AO foi uma das posições definidoras de Maria Leonor Buescu  , roça o abuso do direito ao bom-nome, que está constitucionalmente protegido, mesmo para aqueles que já faleceram, como é infelizmente o caso."
"(...) a transposição adulterada do seu saber apenas manifesta que quem a cita não sabe o suficiente para a compreender(...) As observações de Maria Leonor Buescu descrevem uma situação histórica, do 1º quartel do séc. XVI, em que os primeiros gramáticos e ortografistas foram confrontados com a necessidade de codificar o vernáculo de uma forma sistemática, o que ainda não tinha ocorrido até aí."
"É com orgulho que dizemos que Maria Leonor Buescu continuaria hoje, se fosse viva, a ter  precisamente as mesmas  posições que nos anos 80 e 90. Ou seja, continuaria a criticar de forma tenaz e inteligente , com o saber que ao longo dos anos construiu, o presente Acordo, que na sua óptica era uma peça científicamente lamentável e socialmente injustificada."
Leram ,senhores "Casteleiros" e senhoritas "Estrelas"? "Cientificamente lamentável e socialmente injustificada" ! Ora tomem!
Lembro-me bem da posição oficial de Mª L. Buescu , nos anos iniciais da polémica. Foi das que mais batalhou contra o absurdo AO. Lamento também que haja quem não olhe a meios para alcançar os fins.
 Respeito quem argumente linguística e cientificamente, mas tal não foi o caso de Edite Estrela e "sus muchachas", que foi chamada  à última da hora como "especialista", para  acudir à causa  do novo AO, de uma imposição política e teimosa do seu delfim Sócrates, que por sua vez só queria agradar a alguns políticos brasileiros seus amigos (e nem os linguistas brasileiros foram devidamente escutados!).
E reparem bem: o que os antigos gramáticos quiseram uniformizar, foi para fixar a Língua escrita e assim ajudarem à preservação da jovem Língua Portuguesa de então. Já o novo AO faz o inverso: pretende uniformizar a Língua, transcrevendo para a escrita todas as suas variantes orais, assim criando o Caos linguístico e o vale-tudo ou tanto-faz -como- fez, ajudando apenas a fixar umas formas confusas que vão  dificultar e destruir a correcta leitura e em consequência causar a  futura deturpação oral das palavras, em "pescadinha de rabo na boca", destruindo a Língua, já vetusta e  de respeitável cabeleira banca, ao invés de a ajudar a preservar num mundo de Línguas francas onde muitas Línguas  "nobres" correm risco de morte. Para respeito pela Língua, estamos conversados. Claro que as Línguas são dinâmicas e evoluem, mas  o que este "Aborto Ortográfico" faz é o equivalente àqueles criadores de cães e gatos que tentam alterar a genética e a evolução natural das raças, cortando cirurgicamente as caudas  ou as orelhas a certos cães, para que os seus filhos nasçam  já sem elas e assim não incomodem os donos ao "espanar" a alegre cauda pelos apartamentos. Como  no caso desses cruéis indivíduos que brincam a Deus, Malaca Casteleiro e os seus seguidores mais assanhados parecem achar que as consoantes mudas (só para dar um exemplo) são uma maçada herdada do Latim e que é preciso modernizar o idioma à força e por decreto. Sobretudo se depois, vaidosos,  derem o nome a essa "reforma" mal amanhada!
Portanto:
APROVADA: a atitude esclarecedora e esclarecida dos herdeiros de Mª L. C: Buescu.
REPROVADAS: as atitudes à falsa  fé de E. Estrela e Companhia, que pensavam que tal deturpação daria validade científica ao AO e que esse abuso passaria incólume.
Terceira novidade: MEC e seis sindicatos chegaram a acordo quanto às regras de colocação de professores. VER AQUI o texto em PDF, fornecido pela FNE.
ainda não fiz a sua leitura atenta mas, para já:
APROVADO: algumas melhorias em relação aos texto inicial da proposta ( o habitual: pôr a proposta  inicial muito negra, para depois o cinza escuro final já parecer algo cheio de luz!): o poder dos directores nas contratações de escola não é tão exagerado. há algum peso da graduação  profissional, em contraste com o anterior dos critérios`"a la carte"... Professores do privado e do público podem concorrer lado a lado, mas já não há o desequilíbrio tão grande que punha os  do privado em vantagem escandalosa perante os que andaram a calcorrear o país em concursos públicos... Mesmo assim, é irónico que não possa existir o "quid pro quo", de os docentes  de público não poderem  aceder mais facilmente às escolas privadas, que não através da rainha Cunha. Como dizia o outro: " enfim... é a Vida!"... :((
NÃO APROVADO: Toda a complicação gerada com esta necessidade de novos regulamentos, tudo porque a dona maria de Lurdes e suas sequelas  instalaram o  conflito, a arbitrariedade e o Caos em algo que era antes razoavelmente consensual ( por exemplo:  com as  manias de novos programas informáticos inventados  e vendidos por amiguitos, bem como ao misturar todas a ordem de classificação para concursos para agradar a outros amiguitos fingindo o mérito mas gerando uma salada e muita injustiça, ou seja,destruindo pela base tudo o que era mais tranquilo e dava  alguma estabilidade às escolas). Não aprovado também todo o processo destes acordos constantes , mais uma vez assinado por uns e não por outros e pondo em letra de lei interesses lobbistas, nomeadamente do ensino Privado, que, tal como no caso das empresas,  gosta de ser privado para não ter interferências do Estado, mas passa a gostar do Estado para receber subsídios (cada vez maiores, enquanto as verbas para as escolas públicas diminui a passos largos!)  ter igualdade de circunstâncias  em concursos públicos, igualdade  que não dão eles  a outros...
E o texto vai longo, já há muito que ler aqui...ok ok... sempre foi um post "de fundo"! :))
Quanto ao cartoon prometido( outro assunto), não sei se ainda poderá sair hoje, mas está quase e merece a espera, modéstia à parte, eh eh...
O outro texto prometido, de assunto  (muito ) mais sério e triste também já está rascunhado, mas hoje não quero voltar a ele, para me manter com boa disposição q.b, para ultimar o cartoon!
Até já! ;)
Margarida Alegria (6-3-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ora...Bolas de Neve, Bolas de Cristal

Duas boas notícias -- aliás três!-- e duas "não notícias", leia-se umas "bocas" assim assim ou antes pelo contrário.

A primeira das boas notícias tem dois dias e já está a gerar polémica.

O Secretário de Estado da Cultura deu a sua opinião sobre o novo Acordo Ortográfico (AO) e disse que este deverá ser revisto até 2015 e que não há imposições até lá:
"É possível efectuar ajustamentos ao Acordo Ortográfico" (DN- Artes, 29-2-2012)


Como se esperava, já surgiram os choradinhos do costume (que agora estava tudo a ser implementado e blá blá... --LER AQUI).

Surgem também reacções do Brasil e dos juristas.

Nada de definitivo, por isso, e não podemos ainda deitar muitos foguetes, mas pelo menos a bola de neve que começou com a atitude de V. Graça Moura --e que relatei em posts AQUI e DEPOIS AQUI e ainda "ACOLI"--- continua a rolar e já está a desencadear alguns resultados institucionais.

É o que acontece às "bolas de neve" que com persistência se fazem rolar encosta abaixo, quando se quer combater algo de absurdo. Muitos cidadãos adormecidos ou desanimados recobraram forças, o assunto voltou aos títulos e ao debate e obrigaram os decisores a tomar posições. Claro que sabemos que F. J. Viegas não manda em nada, mesmo na sua semi-pasta(vide a venda opaca da Tobis,o fechar de apoios ao cinema em ano de portugueses premiados em Berlim, o não ter podido escolher os dirigentes de museus e CCBs...) , por conseguinte só podemos aguardar maior precisão e definição, sabemos que não passa de uma opinião "en passant", mas a Esperança aumenta. O empurrar uma definição até 2015 não é bom, pois é ano de eleições e poderá voltar um senhor Sócas qualquer e achar que pode mostrar "pulso forte" ao impor de novo um AO por decreto.Sabemos bem que é sempre mais fácil a pequenos ditadores criar guerras às classes cultas como esta (dividir para reinar, como sempre!) do que tomar decisões sobre assuntos que lhes competem, como os de governar económica e politicamente.

Portanto, esperemos que a bola de neve vá rolando, continuemos a resistência e a argumentação e aguardemos.

A segunda boa ( FANTÁSTICA) notícia tem escassas horas e já está a pôr a cabeça dos desgovernantes à nora. Depois de uma queixa em 2010 feita à UE pela Câmara Municipal de Aveiro, eis que surge a resposta. Ora vejam bem:
"BRUXELAS CONSIDERA PORTAGENS NAS EX-SCUTS ILEGAIS"
(in Diário Digital)

Ah pois é!!! E a Comissão Europeia ameaça levar o Estado Português ao Tribunal Europeu por incumprimento do direito comunitário! Oh Yeah! de facto, alegam por exemplo que essas portagens contrariam o direito à livre circulação de pessoas e bens!

É verdade que a responsabilidade maior foi do anterior Governo e da negociata que fez com as privadas Mota-Engil e companhia e os portais electrónicos de preço exorbitante. Mas, como Oposição na altura, o PSD condescendeu e em vez de estudar a lição de direito e de pôr travão firme ao cobrar de portagens nas Scuts do Norte, ainda ajudou a alargar o cobrar de portagens às estradas do Centro e do Sul. No fundo, queriam fazer o mesmo, se estivessem então no poder e defendiam uma tal lógica do "utilizador pagador". Não é estarmos sempre contra a cobrança de taxas e contra o que diz o poder, mas as novas portagens foram um manifesto caso de injustiça:

- Se fossemos aplicar o princípio utilizador/pagador a tudo, então seria justo deixarmos de pagar tantos impostos para o bem comum;
- O princípio de haver alternativas não foi cumprido, pois foi provado por utentes e autarcas que tais não existiam. As Scuts foram em larga escala construídas sobre vias existentes, as alternativas gastam pelo menos o dobro do tempo aos utentes e são visivelmente perigosas, ou porque são caminhos estreitos, perigosos e sem indicações, com o perigo de embate a cada curva, ou porque são agora estradas municipais repletas de semáforos, de passadeiras, de tractores, galinhas e cães a atravessar, de automobilistas a parar para comprar batatas, melões ou cebolas(não brinco!), de cães a parar para conversar com as galinhas(aqui, si,.exagero... os cães preferem lafrar às vacas e gatos!), com vacas (sorridentes, claro!) a ocupar uma das faixas em passo pachorrento, em vias quase sempre de duplo traço contínuo... um primor! Uma "alternativa" supimpa! :))

- O princípio do nível de vida dos moradores não foi respeitado, pois o Norte, com alguns dos concelhos mais flagelados por falências e desemprego, foi o primeiro a ter de passar a pagar portagens;

- As ditas Scuts estavam mais que pagas, com fundos comunitários destinados precisamente à melhoria de infra-estruturas como essas e que agora outros recebem também, numa economia de retorno e verdadeira solidariedade na UE. E não foram as concessionárias dos portais a pagar a sua construção;

- As Scuts só têm duas faixas em cada sentido, portanto diferente de uma Auto-estrada em todo o sentido da palavra e o que prova isso é que não tinham espaço para cabines de portagem normais. Foi portanto o Estado pagar um "balúrdio", nas PPPs do costume, pelos tais portais, o que tornou o prejuízo muito acima do que antes o estado gastava a pagar às concessionárias para a sua manutenção. E como tem sido complicado, a portugueses e estrangeiros o sistema de pagamento!

Poderia dizer mais, mas estes argumentos bastam. Venha agora ao menos a CE repôr a justiça! Ficamos a aguardar também o desenrolar dos acontecimentos. Para já o Governo vem alegar, qual menino envergonhado que chegou tarde à escola, que "não há alternativa às portagens", que agora deveria ser aberta uma excepção, pois o país está em austeridade, que já estão a funcionar, coisa e tal... e que... que... que... (pois... uma nova precipitação estilo "AO" deu nisto, como foi o crime de autorizarem a barragem do Tua , de nacionalizarem o BPN e ... e... e...). Mais uma vez poderiam marcar a diferença, repondo a justiça e acabando com mais um disparate. Mas não é assim: normalmente os disparates já feitos continuam, porque fica caro desfazê-los, mas gastam dinheiro a fazer novos disparates, nomeadamente a fazer mais legislação e a mexer em assuntos que até funcionavam razoavelmente. Nem preciso de dar exemplos e de qualquer forma não tenho tempo agora.*

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*(Nota de ÚLTIMA HORA:Ora batatas! O Ministério da Economia vem agora dizer que a advertência de Bruxelas, afinal, é contra os descontos para residentes feitos ao pagamento das Scuts? Será?! A notícia estaria assim tão distorcida? Hummm... ainda muita confusão vai correr debaixo destes "portais"... Ou seja...vão pôr as pessoas a pagar quantias que lhes foram descontadas, depois da trabalheira que deu a muitos tratar da papelada para esses descontos?! O Álvaro deve estar todo aliviado, mas isto vais dar mau resultado! ai ai! Até nisto a CE anda ambígua?!

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As duas "não notícias" foram aquela de o nosso PM dizer que não era profeta (temos reparado nisso...) nem tinha uma "bola de cristal" para adivinhar o evoluir da situação económica do país (ai ai... mau maria...!), sendo a segunda "não notícia" (pois não traz uma informação relevante ou que não soubessemos) a imitação que o treinador do FC Porto, Vítor Pereira, lhe fez, ao dizer que também não tinha "bola de Cristal" para adivinhar se o jogo de futebol de hoje contra o Benfica era ou não decisivo. Ironia, moda, ou coincidência nisto das bolas de cristal?

O que é evidente é que supomos que os governantes e políticos em geral não andam a dedicar-se às ciências ocultas ( hum... "aventais" à parte...) caso contrário já todo o povo teria deixado de ir votar e se concentraria em eleger a Maya e aquele do oráculo de Bellini. Ou até mesmo os búzios do Professor Karamba. PPC e VP queriam talvez dizer que eram apenas humanos e não conseguiam adivinhar o imprevisível, por mais esforçados que sejam. Pois bem, o que me preocupa não é essa sua intenção, mas precisamente a metáfora usada. Reparem: se alguém ALEGA que não tem uma BOLA DE CRISTAL para adivinhar futuro... é porque ACREDITA no poder das bolas de cristal e só lamenta não ter uma! O que essa referência revela é que é preocupante! Que no fundo os governantes andam "aos papéis" e, em vez de tomarem medidas acertadas a pensar no País, são no fundo todos como o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos que dizia que restava guiar-se "pelas estrelas", ou como a actual ministra da agricultura , A. Cristas, que tinha Fé que ia chover em breve e assim não precisava ainda de pedir apoios a Bruxelas, como já a Espanha e outros se mexem para fazer...

Temos governantes que provavelmente vão em segredo aos tarólogos e astrólogos e que acham que só uma bola de cristal poderia ser providencial. Se não acreditassem em Bolas de cristal, nunca as mencionariam como alternativa, não concordam?! Estão a ver grandes líderes de outrora a alegar isso?

Não. Mas o mal é geral. Até o famoso e poderoso ministro alemão Shaubble joga o Sudoku enquanto decorrem os debates na Cimeira Europeia, como alertado pela Anabela Magalhães(AQUI, espreitem o video e pasmem!)

E assim estamos entregues aos bichos, pois não podem ser apenas a Fé (mesmo que poderosa)nem os astros a salvar-nos da situação em que nos meteram. Eu pelo menos não andei a gastar acima das minhas possibilidades nem a consultar os cristais ou as auras ou as agências de rating , para agora estar a pagar uma dívida "colectiva" que foi na maior fatia gerada por roubos ao Estado!

Ao menos já vislumbramos na dita bola, umas estradas livres de portagens e uma Língua Portuguesa não torturada por ortografias ilógicas e a-linguísticas.... resta ver se vai ser esse futuro ... ou não. Pelo sim pelo não vamos pedindo à divina Providência.

Ah! é verdade... a TERCEIRA boa notícia ? Pois bem, depois de uns escassos pingos ontem, hoje à tarde está a chover, mais copiosamente! Podemos então concluir que das quatro uma: ou a ministra Cristas tem sorte de jovem principiante, ou a sua Fé é de mover montanhas, ou andou a negociar canhões de fazer chuva com os cientistas chineses,ou então... tem uma EXCELENTE BOLA DE CRISTAL! :))

Nesse caso, era bom que fosse solidária com Passos Coelho, com V. Gaspar e com o ministro Álvaro (e, já agora, com Vítor Pereira...) e lhes emprestasse urgentemente esse cristal mágico. Mas sem Juros.

"Alergia" (2-3-2012, in blog "Alegrias e Alergias")










segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Anti-AO: e a bola de neve cresce e cresce! ;)

(cães "bola-de-neve"- escolhi a imagem porque a achei digna de divulgação! :)))

A "Bola de neve" anti-AO continua a rolar! :))
Como já o desejava neste Post AQUI, uns e outros , nos vários pontos de Portugal e do mundo da CPLP, vão saindo da casca para criticar a viva voz o rocambolesco "Novo" Acordo Ortográfico '90.

Primeiro, nos anos mais recentes, restavam vozes isoladas, destacando-se a luta legislativa e corajosa de João Pedro Graça e da sua ILC contra o AO. Havia petições a correr online, olimpicamente ignoradas pelos governantes (incluindo deputados). Havia a resistência do jornal Público e de outras publicações, não adoptando a nova grafia, que lembremos, ainda não é lei de facto, não tendo sido o AO, lembremos também, assinado por todos os países da CPLP. Mas o resto definhava: numa estranha metáfora do que se passa a nível de quase toda a (ausência de) resistência geral no país, as pessoas lá se iam conformando, encolhendo os ombros, "ai enfim, ELES é que mandam... que é que havemos de fazer...?". Mais revoltante era a forma como tantos professores, especialmente de Português, já se submetiam e até tentavam convencer os outros da bondade do AO, com comparações que nada têm de semelhante com o "ph" de "Pharmacia" abolido pelo acordo de 1947! Eu sei que a grande pressão que sofremos com a ameaça da aplicação do AO em exames estava pendente, mas foi incrível e vergonhosa a forma subserviente como a chamada Associação de Professores de Português, aliás dirigida por alguém que não cursou Poetuguês na Faculdade, se curvou perante o AO, quase desde o início da polémica. E quando falo na ausência de acção de muitos professores de Português, refiro-me ao não partirem deles, tantas vezes, os protestos escritos e abaixo-assinados. Deveria ter surgido uma recusa conjunta em aplicar o AO, no meio de tanta indefinição ( tanto da situação como sobretudo das incongruências linguísticas geradas pelo novo AO)...

Após a pedrada no charco da medida rebelde de Vasco Graça Moura (LER AQUI)no Centro Cultural de Belém a que passou a presidir (aqui também noticiado), a bola de neve recomeçou a rolar: seguiu-se a Faculdade de Letras de Lisboa a retirar também o conversor ortográfico dos seus computadores. Mais tarde um jornal angolano e outro em Macau vieram posicionar-se ostensivamente contra o AO. *

Há dias a própria Academia de Ciências (AC)se pronunciou(não encontro agora a reportagem da tv). Academia essa cujo dirigente (?), o português Malaca Casteleiro foi, juntamente com o já falecido linguista brasileiro Houaiss, o principal criador deste atamancado Acordo, sendo que a versão original de 1990, depois corrigida face às maiores críticas, incluia aquela ideia peregrina de acabar com os acentos nas palavras exdrúxulas (lembram-se?! Pois. O certo é que o estrago estava feito... ainda hoje muita boa gente pensa que o AO serve para "acabar com os acentos-- leia-se TODOS!-- das palavras).

O que disse agora a AC, pela voz de outro seu membro? Que a imposição do AO feita na resolução da Assembleia e pelo Governo socretino não deveria ter ido para a frente, pois os governantes nem sequer consultaram a AC sobre a urgência de generalizar a aplicação da AO. Que a própria AC se admirara com tanta pressa dessa imposição pela via política....(!!!) Ou seja, chego à conclusão que o nosso azar nacional foi o senhor M. Casteleiro ter andado tão entusiasmado a visitar o Brasil, talvez ourado pelos encantos tropical, nos idos anos 90, trazendo em troca, no bolso, o famigerado AO! ...:P

Agora temos um novo paladino, desta vez na área das leis, o que nos deixa mais esperançosos, pois são os juristas que têm uma substancial parte do poder em Portugal. Noticia de hoje, no Público:




Diz que a nova Ortografia fere a Constituição da República e que "uma língua não se muda por decreto.". Apresentou, por isso, uma queixa na Provedoria de Justiça.

O novo paladino chama-se Ivo Miguel Barroso e é professor de Direito na FDUL.

Continuemos portanto a fazer o que está ao nosso alcance e esperemos que mais organismos e individualidades de destaque tomem posição contra o absurdo AO- Ver a sintese da situação nesta notícia AQUI-- (pois infelizmente é o que ajuda um protesto como este a ter maior impacto, num país tão mal informado e ainda tão conformado).

E que a bola de neve seja como aqueles dois cães a escoltar alegremente o AO para fora dos textos do Português! ;)

"Alergia" (13-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias").
* Obrigada, Ana C.!

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ADENDAS, em 14-2-2012 (para quem ainda não estiver convencido sobre a argumentação Anti-AO). Os destaques a negro são meus:

- Retirado da excelente crónica de Nuno Pacheco, do Público de ontem, dia 13:

Excertos do longo editorial do "Jornal de Angola"-- "Sabemos que somos falantes de ums Língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular.Do "português tabeliónico" aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades."

"Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula."

"O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é "contaminada" pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o Português seja uma língua de trabalho da ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras."

- De Paulo Franchetti, critico literário, escritor e professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Brasil), em entrevista ao blogue "Tantas páginas"-- "O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente mal feito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos talvez dcorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras)"; e " A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo , agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de de grafias duplas permite inclusive a criação de híbridos"; E ainda "Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita do material didáctico adquirido pelas famílias, adequação dos programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas."

Também no Diário de Notícias de 13 de Fevereiro (em papel), foi publicado um artigo de opinião conjunto dos professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, José de Faria Costa e Francisco Ferreira de Almeida, que apresenta a argumentação jurídica contra a adopção do novo AO( talvez demasiado jurídico para os "leigos", com termos rebuscados da jurisprudência como "postergar normas cosntantes","se justifica,quanto antes sobrestar na decisão". Infelizmente não há versão online, mas retiro apenas umas passagens pequenas: "A língua deve ser olhada e valorada como um território de tendencial espaço livre de direito"; e "Com o Acordo Ortográfico, Portugal , acometido de um juridiciante voluntarismo excessivo, tristemente capitulou perante um patente abastardamento da língua portuguesa, coonestando, à guisa de autoflagelação, uma arremetida contra importante vertente do seu riquíssimo -- velho, de quase nove séculos -- património histórico e cultural."

"Autoflagelação" é um termo adequado: até parece que devemos ter vergonha de a nossa ortografia ser mais "antiquada" ou "menos moderna", expressão tão acarinhada políticos como Sócrates, um dos principais responsáveis por esta apressada implementação do AO na Administração , nos escritos, nas escolas.... Mais uma trapalhada socretina que urge desfazer. Ou vão, como em tantas outras políticas erradas desse senhor, dar o triste facto como consumado e não mexer? Se é para poupar dinheiro, mais vale não estar agora a inventar uma nova estrutura de Administração local, dando cabo das Comissões de Coordenação (CCDRs) e Freguesias, armados em "aprendizes de feiticeiro" de realidades que não dominam (para "cortar gorduras"... inventaram MAIS UM INSTITUTO Público, o do "Território"?! Pois...). Parar o Disparate Ortográfico sairá bem mais barato ao país que isso. E sobretudo será um gesto de identidade Cultural para toda a CPLP. Senhor Secretário de Estado , escritor e editor, J. Viegas: onde pára? Senhor MEC Crato, inimigo de "eduquês" e de utras formas de estupidez, pelo que proclamava: não se pronuncia? Ah, certo... quem tem de decidir é a Troika, a troika esqueceu-se de falar nisto, não foi?.

"Alergia" (14-2-2012)




















quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Anti-AO: venha a bola de neve! :)

Outra boa Notícia! A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) já não tem instalado nos computadores o conversor ortográfico ( sujeito às regras do novo Acordo Ortográfico que, lembremos, ainda não está em letra de lei nem foi assinado pela maioria dos países da CPLP). Faz eco assim da medida interna tomada por Vasco Graça Moura no CCB, como AQUI já relatei.

Alegando o facto de a FLUL não ter posição oficial sobre o AO e por o Acordo ainda não estar completamente em vigor, o conversor foi desinstalado dos computadores da Faculdade e o Site da mesma já voltou à ortografia "tradicional".



Vamos! Agora resta às outras Faculdades, país fora, terem a mesma atitude, desinstalando dos PCs o que o Governo Sócrates mandou instalar à força , por manha e sem concurso, para dar o caso da generalização do AO como consumado!


Façamos isso nos vários organismos, até se saber ao certo se o Acordo estar mesmo generalizado aos países para os quais alegam que foi criado, resistindo a esta submissão linguística completamente a-científica da absurda lei do mais forte, impondo a incorrecção como norma a quem não a praticava. Quais consoantes surdas quais quê? Abolir consoantes que ajudam a sabermos quando abrir a vogal seguinte, na leitura? Escrever "Ator" (leriamos então "âtor") em vez de "actor", só porque brasileiros o fazem , quando outras línguas, Latinas ou não mantêm o "C"?! Bem , já falei disso tudo nos links que deixei no tal post....

Que mais gente e organismos tomem a atitude de VGMoura no CCB e da FLUL, para que o fenómeno cresça como BOLA DE NEVE GIGANTE e assim resista e derrube a prepotência de meia dúzia de linguistas e vários políticos, contra os protestos de muitos e muitos mais!

É a altura! Vamos a isso! :)

(Obrigada, Ana!)

(Nota: Este não é um post "piegas"! Além disso volto a dizer que esta letra é tipo Trebuchet, mas por opção minha e não por imposição governativa ou de DRE ou outro organismo... só por opção possível do "Blogger", claro...)

"Alergia" (8-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Anti-AO: uma boa notícia, no meio de tanta má! :)

Depois de tanta má notícia, a dar conta dos disparates desgovernativos, das maldades ultraliberais e desvairadas (depois da onda dos disparates e maldades desgovernativas socretinas), sabe bem ler, antes do fim-de-semana, uma boa notícia para variar.

O recém nomeado director do CCB (centro Cultural de Belém), Vasco Graça Moura, uma das individualidades há mais anos a opôr-se contra o Novo Acordo Ortográfico, não teve meias medidas. Chegado ao CCB, mandou retirar dos computadores a aplicação que converte a ortografia às pseudo-regras do novo AO , que , lembremos, ainda não é lei e ainda só foi assinado por Portugal, Brasil (com muita gente a contestar também) e Cabo Verde. Portanto, um AO cuja imposição a partir deste ano e até 2014 não tem qualquer cabimento.


Sobre este tema, já escrevi muito (nomes dos meses com minúscula?! palavras que tanto se podem escrever assim como assado, ou seja assim e assim para portugueses e assim E assado para os restantes falantes? Uma suposta imposição da fala sobre a escrita, a dificultar até quem quiser aprender a Língua Portuguesa sem ser para banalidades?! Claro, foi ideia que partiu de um senhor turvo de uma suposta Academia que quase nunca vem à superfície da sociedade, o mesmo que fez incluir palavras como "bué" no seu dicionário...?). Por isso é melhor lerem os três principais textos sobre o novo AO, que escrevi e publiquei no já encerrado "Uma Aventura Sinistra" (se quiserem comentar, é fazê-lo qui no "Alegrias e Alergias", s.f..f.):

- Sobre a imposição do AO: "Us noçus cridus "cobradores de fato" vão impor de FATO o desacordo ortográfico" ( de 9 de Dezembro de 2010)

- Sobre as confusões ortográficas que a precipitação deste AO têm gerado (na imprensa, por exemplo): "Novo Acordo Ortográfico: como ESPETAR a Língua Portuguesa" (de 19 de Dezembro de 2010); e

-Sobre o negócio gerado pela precipitação à portuga e à "socretine"da implementação do AO nos computadores, através do Conversor imposto oficialmente:

"Não há ponto/Acordo sem nó/negócio" (de 24 de Dezembro de 2010)

Já nessa altura o debate era aceso... espero que agora as pessoas se juntem a VGM neste protesto, com atitudes, nas respectivas funções. Para já Mota Amaral e outros deputados pelos Açores já questionaram se podem também abdicar da imposição do AO.

Vamos arrumar com esta aberração do AO de uma vez, enquanto a lei ainda não existe como tal, assinando a petição da Iniciativa Legislativa dos Cidadãos contra o AO (ILC contra o AO, ou ILCAO). É imprimir o formulário, preencher e enviar como indicado:
ILC contra AO- Impresso

Infelizmente a A. R. numa a titude anacrónica, só aceita petições para ILCs se quem assina o fizer e papel e incluindo número de eleitor... Mas não custa nada. Os selos ainda estão baratos, só se gastam uns minutos. É por uma boa causa...


O nosso PM parece que ficou irritado e incomodado com a questão, mas alegou que o CCB era uma entidade independente (pois,eh eh! Mas a nomeação é feita pelo governo...Ai que maçadoras estas questões).

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Última hora: Passos Coelho começa a deixar transparecer, cada vez mais, alguns tiques ditatoriais. Quer na forma como responde aos deputados, quer na fuga às perguntas concretas, quer na cada vez maior separação entre si e o sofrimento do povo que governa, quer no rosto , outrora sereno e cordato,que está a ficar cada vez mais sisudo, fechado, arrogante até. A lembrar-me a tal história do "Retrato de Dorian Gray", onde a pintura/retrato de Dorian ia ficando cada vez mais feio à medida que a pureza de D. se degradava. Antes tivesse PPC um retrato desses em casa e não se começasse a ver directamente no seu rosto o tipo de "envelhecimento" precoce dos que faltam às suas promessas sem pudor. Dos que ignoram ou querem ignorar o mal que fazem aos outros. Será o contrário, nos nossos dias: bem podem apresentar uma foto bem retocada e sem marcas nos cartazes e no Facebook. Os corações apodrecem velozmente.

E por que disse eu "Última hora"? Pois bem, anunciou também hoje que não haverá tolerância de ponto no Carnaval, já que estavam a querer cortar feriados e blá blá não fazia sentido...

E afinal... o outro lado da Economia, o TURISMO? A Economia, caro PPC não são só fábricas de sapatos ou de pasta de papel de Saraivas e seus amigos! Quantas localidades país fora conseguem cativar turistas e movimento às suas autarquias, com a organização dos corsos de Carnaval? E quem já tem marcação de pequenas pausas em turismo rural ou outro, nessa época? Vai compensar os cancelamentos hoteleiros e de transportes?

Vá! Força, caro P-M! Cavaco Silva lhe poderá dizer que tal negação do Carnaval foi o seu princípio do fim, há uns anos, no seu cargo. Hummm... estará a querer ser derrubado? Ou espera que a desculpa da austeridade a todo o custo vai continuar a "colar-se" na compreensão dos cidadãos, quando vêem ao mesmo tempo , tanto especulador a escapar a impostos, tanta nomeação milionária e dinheiro escoado no vazadouro do BPN? Ah e, outra questão, como quando foi da Não tolerância de ponto do Natal: o Parlamento vai trabalhar no Carnaval, ou faz daqueles retiros espirituais para os deputados irem às suas terras?

São só umas questões interessantes... não concorda?

(Ah e esta letra aqui usada foi Trebuchet*... tamanho único)

* Como mandam agora usar em todos os e-mails etc,de organismos oficiais! (o MEC, por exemplo) :P

(Nota: o terceiro e último texto da série "UM Louco Pós Natal"- ver arquivo de Dezembro e Janeiro-- não está esquecido, mas os vários elementos estão sempre a ser apurados e polidos, com base nos desatinos a ritmo diário das ideias para o país dos desgovernantes.Ufff! Está mesmo para breve!)

"Alergia" (3-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")