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quinta-feira, 20 de junho de 2013

CARTOON: dedicado a quem optou por não fazer greve no dia 17 de Junho

(c) Margarida Alegria (in Blog "Alegrias e Alergias"-Junho 2013)
Já aqui mencionei o  "imenso"  e misterioso cartoonista (ou, à portuguesa, "cartunista") norte-americano Gary Larson, que nas últimas décadas do século XX fez as delícias de milhões de leitores de jornais e a fúria de outros tantos, que não entendiam o seu humor corrosivo. Foi por exemplo NESTE POST AQUI, OU NESTE, que construi uns cartoons a "dar ares do humor "à Gary Larson", isto é, essencialmente transportando as hipocrisias e as incoerências de certas situações dos nossos dias, para um outro contexto socio-temporal. Ou até  passar as aberrações da sociedade humana para o mundo de outros seres, como extra-terrestres, ou animais.
Ainda não tinha experimentado usar os animais em cartoons desse "estilo", por isso aqui vai, mas claro muitos furos abaixo desse grande mestre. O tema que me motivou foi a , para mim, incompreensível falta de solidariedade dos colegas que na passada segunda-feira, dia 17 de Junho, optaram por não fazer greve de professores. Podem ter pretextos económicos, mas isso não pega: todos teremos muito mais a perder e muito mais tempo ou para sempre, se estas medidas loucas do Desgoverno foram avante e já muito mais dinheiro perdemos nós, com os diversos roubos institucionais levados por cortes vários destes últimos anos. Podem dizer que assim agiram com "pena" dos alunos que iam fazer exame, mas muito mais amigos seriam dos alunos se dessem exemplo de resistência a iniquidades e assim lutassem pelo futuro deles, para que não sejam continuamente atirados para a precariedade ou para a emigração, como futuros trabalhadores.
A propósito disso, dois artigos hoje no  jornal "Público", a falar desta greve: um bem fundamentado e "por dentro" dos problemas, do nosso colega António Jacinto Pascoal e outro a defender a versão do "coitadinhos" dos alunos (com o título "A adversativa") de um tal Jorge Reis-Sá, que se apresenta como "escritor". Nunca ouvi falar de livros seus, mas fixei-lhe o nome, para ter o cuidado de não vir a adquirir nada desse dito autor. Essencialmente porque para mim, por melhor ou pior que escreva, "escritor" também deve ser alguém que, mesmo que não seja um exemplo  moral ou cívico para os demais, tem pelo menos uma visão Universal do sofrimento Humano e da condição do "bicho-Homem" no Mundo, alguém que se preocupa e se revolta contra as verdadeiras Injustiças e não alguém que cai depressa nos lugares comuns ditados por comentadores de praça com mentalidade de "Tias".
Ia deixar para outra ocasião o comentar mais detalhado desse choradinho que  J. R-S. escreveu, mais uma vez sob a falácia que não aderir a esta greve era mostrar que se "respeitava os alunos". Mas opto por  abrir aqui um parêntesis ao comentário do cartoon que fiz, para desmontar  o essencial da  "argumentação adversativa" do (julgo que) jovem Jorge Reis-Sá. Poderia lembrar-lhe a famosa carta do estudante grego de Pireu, que circula na Net, que explica que não foram os professores (nesse caso gregos) que empobreceram a sua família e cortaram as "asas" a todos os seus sonhos, poderia lembra-lhe, o que não custaria racicionar, que qualquer aluno que estuda e que tem o contratempo de ver a prova mudada para outra altura não está perante um drama (fica o estudo feito, pode rever matérias) nem que irá por isso ficar de fora na entrada na Universidade... Poderia ainda recordar-lhe que as greves são sempre formas extremas mas legítimas de pressão, causando inevitáveis contratempos a uma parte dos cidadãos;  e  que quem causou a urgência da data foram o governo e o MEC e só se manteve a greve porque N. Crato continuou a mentir para os telejornais e o MEC se manteve intransigente a qualquer negociação e quis até que os sindicatos(ao que parece a FNE, que dignamente recusou) assinassem compromissos absurdos a trair os professores. Podia finalmente lembra-lhe que a luta é dos professores e não apenas dos sindicatos e que os professores, nas escolas, já sofreram em demasia e em excessivo silêncio (ou revolta sublimada) a catadupa de normas, leis, alterações aos horários, aos programas, aos currículos, por sucessivos governos carrascos e/ou incompetentes, que os têm vindo a espezinhar e à dignidade da sua profissão. E que até nem perturbaram muito o ano escolar aos alunos com outros protestos, mas que, com o "esticar da corda" abusivo da tutela, acabam por se ver nesta altura do ano como os maiores prejudicados a todos os níveis (salários, férias, repetição de reuniões...), eles sim "reféns" da imposição unilateral dos desvarios das Troikas (a estrangeira e a nacional).
Centro-me apenas nos argumentos centrais de Jorge Reis-Sá: diz que é filho de professores e que pensa que os seus pais (ele já falecido, ela aposentada) nunca fariam esta greve... por causa dos alunos (a tal teoria nojenta de Crato dos "alunos- reféns"...). Apenas replico, com o que os meus pais fariam. É que sou filha de uma professora  do segundo Ciclo e o meu pai (também já falecido, como o de J R-S)  foi professor nos seus últimos anos, mas na faculdade. Antes disso, lidou directamente com operários e com mineiros (descendo com eles à profundeza das minas,para ensinar e ajudar, o que nem todos os Chefes com o seu estatuto fazem, ganhando assim enorme confiança e respeito de profissionais de trato muito difícil como são os da metalurgia). E, contrariamente a JR-S, sei que os meus pais, embora não sendo adeptos habituais de greves ou de manifestações, se estivessem na situação destes professores que hoje andam a ser humilhados, FARIAM, sim, greve. E sabe JR-S porquê? Porque a minha mãe, agora aposentada, sabia que estar do lado dos seus alunos era dar-lhes aulas bonitas que os despertassem para o saber e os tirassem da ignorância e não um mero aplicar oficial de um Exame, apenas UM no meio de dezenas que eles irão fazer na vida de estudantes. Para ela, ser pelos alunos era estar com eles, no dia-a-dia, dando-lhes a ciência, mas também a educação , quando era preciso, para que se tornassem verdadeiros e completos cidadãos, homens e mulheres DE Bem e DO Bem. Atentos aos livros, ao Conhecimento, mas também ao sentido de justiça, à atenção e compaixão pelos demais. Nunca querendo que se tornassem meras Máquinas de fazer exames, como se fosse aí ,nesses testes, que se sintetizava o saber, muito menos a Vida. A minha mãe ensinaria a esses alunos que, mais importante (ainda) que os testes e os exames finais, era o Exame da Vida, o de todos os dias, o que nos leva pelas nossas por vezes difíceis opções ( na capacidade de trabalho , sim, mas também nas atitudes, nos gestos de paz e de solidariedade, no sabermos "entrar na pele dos outros", no combate às injustiças) a distinguirmo-nos como Seres Humanos, como algo de superior e Diferente a meros mamíferos bípedes orientados para o "Sucesso" e para o estúpido e fascizante conceito de "Vencedores", por contraponto aos "Losers"/Perdedores, seja o que isso for, neste novo darwinismo social.
Já o meu pai era dos que tinha as maiores dores de cabeça enquanto não garantia aos trabalhadores que liderava todas as condições de segurança e bem estar num trabalho exigente e perigoso (e contra que poderosos teve de se debater em discussões imensas, quando tentavam minorizar os riscos, por mera poupança economicista!), as constantes melhorias de vida pessoal e familiar que considerava que lhes eram devidas (casa, apoios sociais escola para os filhos), chegando, quando em terras de África, a sacrificar o seu próprio descanso de Domingo para ir caçar (actividade que até não apreciava) e assim vir a fornecer  um suplemento alimentar de algumas proteínas aos trabalhadores que tinham a desgastante função de ir extraír as riquezas às entranhas da Terra... Tenho a certeza que muito se enervaria  com o aviltamento que as Escolas Portuguesas e os professores têm sofrido às mãos destes carrascos políticos e quanto o desgostaria ver o País que amava e que não chegou a ver em pleno desenvolvimento, a recuar em direitos e em condições de vida, por causa de umas atitudes acobardadas e submissas perante poderezitos transnacionais de uns "mercados" agiotas e políticos de terceira escolha que certamente ele desprezaria. Embora não fosse de se meter em políticas, era sobretudo  alguém que via nos outros seres humanos os seus irmãos, ensinando-nos a tratar todos bem, independentemente da condição social; e lembro-me de ele exclamar, muitas vezes,  esperançado já depois do 25 de Abril: "Portugal ainda há-de ser um grande país! Vão ver...". Estaria contra estas políticas e faria greve, caso fosse professor destes Ciclos, pois colocava-se sempre em apoio dos mais desfavorecidos.
 E note-se que os desfavorecidos nesta história são, para além da Escola portuguesa em geral, os professores, seus alicerces fundamentais, ameaçados de desemprego e precariedade após décadas de dedicação, como se a Constituição democrática já não existisse e tivessemos recuado um ou dos séculos.
 Note-se que não  poder fazer um exame na data prevista NÃO é ser-se desfavorecido: aluno desfavorecido é o que viu outros afinal a fazer exame e a prova a não ser anulada ou adiada; aluno desfavorecido é o que foi vigiado por quem não sabia as regras para tal função, o que viu o silêncio necessário à prova a ser perturbado, o que teve de fazer o exame só porque o seu nome tinha a letra "A" e agora vai ver os outros a fazer exame noutra data, com  textos diferentes, quem sabe se mais fácil(a dúvida ficará sempre); aluno desfavorecido é o que deixou de poder receber bolsas de estudo só porque os pais devem ao Fisco ( que é agora, o "Coração", o Alfa e  o Omega de todas as acções em Portugal, qual deus todo-poderoso); aluno desfavorecido é o que já não tem passe com desconto nos transportes e tem de fazer quilómetros a pé, sob sol ou chuva; aluno desfavorecido é o que já não tem direito à refeição gratuita na cantina e por isso desmaia de fome; aluno desfavorecido é o que é colocado a trabalhar, mesmo menor, para ajudar os pais, abandonando assim o seu percurso regular na escola; aluno desfavorecido é o que se acotovela em salas exíguas, feitas para 22 alunos e agora com turmas de 30; o que já deixou de ter ocasião de apresentar todas as suas dúvidas nessas turmas sobrelotadas; o que deixou de ter hipóteses de aprender melhor as disciplinas das Artes quase abolidas do currículo; é o que vê a família a definhar na miséria, ou na precariedade, ou a emigrar; é o que vê os avós a terem de ajudar no sustento dos filhos e netos e a verem as reformas a sofrer cortes por isso a não terem dinheiro para as consultas médicas ou para os medicamentos ou até para uma alimentação condigna; aluno desfavorecido é o que anda a  ajudar vender ou leiloar os bens da família, para ter alguns euros para o essencial; aluno desfavorecido é o que não tem as mesmas hipóteses de comprar livros ou outro  material escolar que uma escassa minoria; o que viu a família a perder a casa, o emprego, o direito à água corrente , ao gás canalizado ou à electricidade (por não poder pagar as contas); aluno desfavorecido será o que nos próximos anos ainda verá as condições para o seu estudo piorarem, em turmas maiores, com menos professores (e esses ainda mais exaustos, porque mais sobrecarregados,com sabe-se lá quantas mais actividades lectivas e turmas, enquanto outros são falsamente considerado excedentários e são enxotados para a mobilidade especial)...
Bem, deixo o "escritor" Jorge Reis-Sá em paz, com os seus escritos, pois para tudo neste país é preciso sorte e ele pelo que entendi tem a sorte de já se intitular "escritor" sendo tão jovem. Outros  escritores bem conhecidos e Humanistas sempre  reclama(ra)m não poderem ter esse estatuto nos seus documentos oficiais e profissionais, mas como hoje pode ser escritor quem redige  uns discursos ou umas piadas para um qualquer ministro lançar em conferências de Imprensa ou colóquios ("escritores-sombra" lhes chamam), quem sou eu para lhe tirar a etiqueta. Mas que dispensarei ler os seus livros... isso sem dúvida.
Voltemos por fim ao cartoon: outros dos argumentos principais para  alguns professores não aderirem a estas lutas dos seus colegas pelo emprego ( não, não foram só alguns professores do primeiro ciclo: na minha escola foram mesmo professores do Secundário... onde uns escassos 6% de  "distraídos" acabaram por assegurar a prova aos primeiros 20% de alunos da lista) são os que esta mosca e esta abelha proferem.
A mosca que já é efectiva e com lugar cativo numa escola e que  julga que por isso não será atingida pelo drama da mobilidade especial e/ou geográfica. É o que podemos chamar de argumento "Vistas curtas anti-solidário". Até poderia não ser visada, mas há milhares de seus colegas, contratados (os que restam) e até efectivos "dos quadros" que verão a porta da rua, fabricada à medida não pelo diminuir da procura como falsamente uns apregoam, mas por fabrico de condições ainda mais apertadas nas escolas em qualidade e quantidade por parte do MEC (aumento, novamente de nº de alunos por turmas, abolição não pedagógica ou didacticamente justificadas de algumas disciplinas, amontoado de escolas num mesmo agrupamento, que faz alguns professores correrem de escola em escola, por vezes a quilómetros para completar horário, até à apoplexia, um belo dia...). Conclusão: a mosca, é um insecto egoísta e de vistas curtas, pese os mil-olhos que lhe atribuem. Não vai além da visão da busca do próprio jantar, mesmo que ele se venha a reduzir cada vez mais a mero detrito do lixo, ou até a m****.
Quanto à abelhinha laboriosa: perora o argumento super-tonto, aliás baseado mas distorcido a partir de um verdadeiro. Ou seja, que os professores dão à sua profissão muito mais que as 35 horas semanais. Só não sabe isso quem tem cegueira ideológica e muito má vontade. Só que o facto de serem tão abnegados que se dispõem a isso até ao ponto da exaustão, sacrificando horas de sono, fins-de-semana, momentos com as suas famílias, não implica que os que os empregam ainda se julguem no direito de os sobrecarregar ainda mais e em decrescentes/ piores condições. Colocar o seu horário em 40 horas, como os horários do  sector privado (muitos dos quais nem são de tantas horas, podendo adaptar), como LETRA DE LEI, é certo e sabido que se trata do primeiro passo para mais uma data de tropelias que serão feitas nas horas lectivas e não lectivas que os vão obrigar a permanecer nas escolas, até à insanidade e ainda com menos tempo para preparar o essencial, as suas aulas(investigar, ler, preparar materiais e sequências/planos de aula...) . Não,  mais uma vez lembro que o essencial não são os Exames fugazes. Quem se lembra com todo o detalhe dos próprios exames que fez? No entanto há professores e algumas das suas aulas que nos marcaram que jamais esqueceremos pelo que nos ensinaram. 40 horas "oficializadas" agora, sem atender à especificidade da profissão e como se leccionar equivalesse a ensacar batatas (com todo o respeito por quem faz esses trabalhos mais mecânicos e também necessários) será abrir caminho para ainda mais arbitrariedades dos MEC futuros.
Aquela abelha do cartoon, outra com falta de visão "periférica" acha que o "horário de 40 horas" APENAS vem oficializar parte das horas que já dá ao país. Aliás o ministro, na entrevista de ontem já aludiu a essa sinuosa argumentação,  com a vozinha aveludada que já não convence ninguém, como se estivesse apenas a regularizar algo... Ao não entender o que está em causa, a abelhinha não poderá vir a queixar-se mais tarde de novas sobrecargas de trabalho, do não ter tempo para nada, nem mesmo para o ensino e correcções, nem de estar a sofrer um AVC ou de o coração ceder e, com sorte, acabar num hospital. O seu argumento é o que se pode chamar, portanto, argumento "Tiro no próprio pé".  Esta abelha obreira mais lembra antes uma "barata tonta".
Lembro também à abelhinha, caso seja do ensino Público, que os directores das escolas privadas já estão a querer oficializar para os seus escravos... digo, seu docentes, horários lectivos de 30 horas e tarefas diversas fora das sua especificidade profissional--- e não é "só" burocracia-- e diminuição dos limites salariais de topo de carreira, muito abaixo do legalmente estipulados.  Está a ver abelhinha laboriosa? Hoje no privado. Amanhã um qualquer novo ministro de palavras traiçoeiras virá a querer impor a uniformização, também nisso, entre sector Público e Privado, não para melhorar condições nivelando pelo menos pesado, mas aplicando essas regras esclavagistas das escolas Privadas ao Ensino Público. Entende agora? Já vê para além da sua colmeia, do número de favos que constrói por semana?
Enfim, dona Mosca e dona Abelha, considerando que vivem no mundo limitado e confuso dos Insectos, estão parcialmente perdoadas. Ainda para mais vendo o destino muito próximo, de que vão ser afinal as primeiras a sofrer  não a mobilidade especial, mas a "IMOBILIDADE eterna" patrocionada pela Dona Aranha, que bem vos enganou. Muito mais  triste é saber que atitudes semelhantes estão a decorrer noutro Mundo, o dos Humanos, suposto seres inteligentes e desbravadores de  mares e de Universos... essas maravilhas do Conhecimento que os professores  tanto se esforçam por ensinar aos seus alunos...
Margarida Alegria (20-6-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
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NOTA: sei que o grupo de insectos é uma ORDEM e não um "Reino", pelo menos no que lembro que me ensinaram de Zoologia (na Escola e em aulas de que muito gostava, apesar de ter mais queda para as Letras). Daí ter colocado as aspas no cartoon. O termo aqui  é mais "literário" que científico. É que  a palavra "Reino" lembra melhor as actividades sociais e a vida em comunidade que todos deveriamos desenvolver e melhorar... (M. Alegria)
Nota 2: Não esqueçamos que, no caso dos humanos, há mais hipóteses de redenção. As greves às avaliações continuam nas escolas, com imenso êxito e assim bloqueando o final do ano e a definição das avaliações dos alunos, antes de irem de férias. O MEC esse é que queria ir de férias depois das malfeitorias de Maio e Junho( novamente pelo Brasil? Ou pelo Chile?...) e não o poderá fazer.

domingo, 16 de junho de 2013

SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES: descubra as diferenças


(Paulo Guinote e Couto dos Santos na SICnotícias 11-6-2013- recolhido pelo Calimero Sousa)
Quer apreciem ou não os blogues de professores, ou os professores -bloggers e todo os seu estilo, as suas opiniões e feitios, ao verem este video   , este debate de há quase uma semana, ficarão rapidamente dissipadas as dúvidas sobre quem é que aqui defende os alunos e  a Escola Portuguesa .E qual destes dois homens mais falta  faz para a causa educativa e simplesmente domina  o TEMA Educação. 
Claro que o senhor que esbraceja na parte direita do ecrã ( só faltado dar alguma cotovelada à jornalista Ana  Lourenço) até podia ser "apenas" engenheiro   e não ter, como o seu interlocutor,  um Doutoramento em História da Educação. Não viria daí mal ao Mundo, pese a fama injusta que outro certo senhor deu aos engenheiros em Portugal, nos últimos  seis anos. Mas deveria  ter um mínimo de....
Convido os leitores, portanto a procederem a um simples passatempo de DESCUBRA AS DIFERENÇAS (para além das origens regionais detectadas na pronúncia, mas isso é pouco relevante): à vossa esquerda no ecrã, um homem calmo, a esperar a sua vez para falar, a argumentar fundamentadamente, com dados precisos e bem analisados, a saber ripostar aos absurdos dos argumentos contrários, a explicar tudo com clareza, correcção, firmeza. Do lado direito do ecrã, um homem exaltado, que desdenha e fanfarrona, com argumentação mal enraizada, dados genéricos, a "baralhar estações", como dizem no Brasil, a interromper constantemente, a recorrer até ao insulto e à menorização do outro... só vendo e ouvindo.
O primeiro é professor e vai fazer greve a avaliações e dias de exame, até não sendo  grande apologista de greves e manifestações, por sistema. Mas, quando o outro não o interrompe, tenta explicar as razões dos professores que vivem a realidade extenuante da Escola Pública(que se degrada)...na sua escola. É ele Paulo Guinote, professor do Ensino Básico (História e Português) e autor do blogue "A Educação do meu Umbigo". O segundo apenas argumenta o que é da cartilha quase "oficial" de ataque a esta greve: que as greves são manipulação dos sindicatos e não do interesse dos professores, que os alunos coitadinhos vão a UM exame e depois regressarão (NESSE DIA- parêntesis meus) para casa sem o ter feito, ai o transtorno das  famílias e das férias familiares!-- (férias familiares? E cerca de 20 mil ou mais professores que se arriscam com estas medidas que querem  a serem despedidos ou mandados para horários precários, de terra em terra, na tal "mobilidade especial" agora chamada com cinismo de "Requalificação" ,nem que tenham 20 ou 30 anos de serviço e contrato mais antigo e efectivo com o ministério e com uma escola? E não, não há professores a mais. O MEC é que nos dois últimos anos "fabricou" manobras de eliminação de horários para uns e sobrecarga para outros, até eliminando disciplinas importantíssimas, agregando escolas diferentes e distantes à força  ). Esse tipo de cartilha para atacar os professores é a que circula por todo o tipo de comentadores, políticos e, como neste caso-ex-governantes. Sim, faltava esclarecer isso, sabia? O homem que esbraveja à direita já foi.... (isso, não leu mal na legenda!)... MINISTRO DA EDUCAÇÃO. Chama-se Couto dos Santos e agora por aí anda noutros cargos muito importantes, públicos e privados. Ponham-lhe os "respeitosos" cabelos brancos de volta para castanhos e uns óculos grandes de massa, um casaco aos quadrados... sim! ESSE! Escusado lembrar que foi um péssimo Ministro, daqueles de refugo que por vezes os partidos desencantam, ainda muito novinho, mas isso não seria defeito, não fosse a proa e termos que usa, que aqui vêem, que tão mal corresponde a uma função ministerial em geral e  muito menos à pasta em questão (de EDUCAÇÃO! relembro de EDUCAÇÃO!!!). Já não sei de certeza se foi a este que os estudantes universitários mostraram os jovens "assentos" com letras "NÃO PAGO", no tempo de imposição de aumento das propinas, mas penso que sim. O Paulo Guinote diz, no video, os anos em que o cavalheiro "ministrou".
Perante isto, para além de tantas outras razões, quem de entre os docentes ainda tiver dúvidas quanto à justiça desta greve, cujas datas foram ditadas pelo MEC , ao ter começado a impor, quase sem negociações, estas medidas economicistas NESTA ÉPOCA do ano  e não noutra, esperando ter tudo aprovado à sorrelfa, no Conselho de Ministros (se calhar à noite ou em pleno Agosto) e ter a via de "trânsito" ou de despedimento pronta em Setembro para  entregar aos docentes , quando estes voltassem das suas escassa pausa de Verão (sempre em época alta, a mais cara...ultimamente por casa...), não sei de que mais argumentos está à espera para sacrificar estes dias de salário...
Um país onde um indivíduo como o da direita chega facilmente a ministro, por via do mero cartão partidário (e o tipo de arregimentação continua até hoje!) . saltando depois para  o "mérito"(?) de uns tachos e panelas que o continuam a elevar até ao auge comprovativo do  famoso "Princípio de Peter"; e onde um Paulo G., com curso, mestrado, doutoramento e livros publicados, conferências e estudos vários....tem de penar em horários cada vez mais pesados ano após ano, embora se desmultiplique em outra actividades cívicas pela Educação-- não saindo dessa aparente "cepa torta"  só porque se quer manter de espírito crítico e independente, sem "coloridos" a algemá-lo...-- é de facto, um país doente. E funcionando assim, instala-se mais facilmente a corrupção, a menorização do verdadeiro mérito, o convite a se ficar caladinho ou a emigrar... Um país assim não sairá desse círculo vicioso, regido por demagogos mentirosos e subservientes a interesses económicos (que esbulham a pátria a alta velocidade), se ninguém com mais coragem der um murro na mesa e disser basta a todas as medidas que estão a empobrecer o país, a roubar-lhe a soberania, a humilhá-lo.
Como nos tempos da ministra de Educação de má memória, Maria de Lurdes Rodrigues, no seu reino de Terror entre 2005 e 2009, --com uma continuação versão mais "light" da escritora que dá pelo pseudónimo-nome de Isabel Alçada, mesmo nas funções de Estado--, O MEC está a querer dar ao País todo o exemplo de esmagamento e humilhação  da Escola Pública e dos professores, nos seus mais básicos direitos, para que depois nem os outros funcionários Públicos nem os restantes portugueses descontentes ousem continuar a protestar contra os (des)governantes. O José Pacheco Pereira comparou esta Guerra contra os professores com a guerra de Thatcher, no R.Unido, contra os mineiros, nos anos 80, precisamente diabolizando os sindicatos e os outros representantes  destas profissões que ainda resistiam/resistem. A tal senhora que  deu cabo do melhor que tinha o seu país e que estes meninos desgovernantes tanto parecem admirar e querem imitar (mas sem inteligência, só com costas quentes internacionalmente. Ao menos ela era corajosa...), 30 anos depois... é bem próprio do nosso constante atraso nacional: até a imitar "modelos" estrangeiros chegamos atrasados, imitando o que já foi contestado e até  abandonado e muitas vezes apenas requentado em outras paragens....
Amanhã, Nuno Crato acabou de dizer, mantém-se marcado o exame de Português de 12º ano (e o de Latim). Vamos dar-lhe a devida resposta, não comparecendo. O direito à greve sobrepõe-se à convocatória ridícula que o MEC mandou fazer a todos os docentes e até... aos directores. Nem o colégio arbitral nem o tribunal administrativo a que o MEC recorreu lhe deu cobertura a "serviços mínimos" ou requisições civis. Espero que todos os colegas não se deixem intimidar, nem com passageiras(a meu ver patéticas, convenhamos, perante uma situação bem mais grave!) "penas" pelos miúdos (poderão estudar mais , rever matérias, ninguém lhes tira  ou destrói o que estudaram), ou medo de retaliações (?!) num país que ainda se diz democrático e respeitador das leis.
Portugueses: o país também é nosso e somos mais que  esta minoria que nos quer culpar (a todos) dos roubos  ao erário nacional feitos por certas élites corruptas e transformar num protectorado de  mão-de-obra escrava! teremos do nosso lado o direito Internacional e o o Tribunal dos Direitos Humanos, caso haja atropelos à lei. Lembro também: um trabalhador substituir outro que fez greve, num conjunto imenso de "suplentes" impreparados e recrutados à força é ILEGAL.
Pensem. E vejam o debate e esclareçam-se, no que o senhor esbracejante e rude do video permitir que se oiça. Querem que eternamente pessoas como essas continuem a ocupar o poder e os lugares fundamentais do nosso belo país?! Acham que é FADO luso ter que continuar a ter o país minado por toda essa trupe de interesses e de pessoas que não amam o seu país, a sua cultura, a sua educação, o bem estar dos portugueses ,mas só  querem chegar ao poder ,  ao dinheiro público que sugam, às benesses que reservam e acumulam para si e para os seus?
Pensem bem, portugueses, antes de embarcarem no atirar de pedras de uns tantos, que dominam a opinião publicada, contra os professores e contra os Funcionários da Administração Pública em geral (que só "gastam", com salários que recebem pelo trabalho,10% do PIB, abaixo da média da UE, ao contrário do que apregoam) , em demonização manipuladora que o esperto olho do Zé Povinho já percebeu há muito. Percebeu... mas resta o MEDO. Os professores estão a perdê-lo... Porém o MEDO está sobretudo na cabeça das pessoas e só domina quem o deixar.
Tanto se tem falado em "Ponto de viragem para o país. Amanhã sim, pode ser o verdadeiro PONTO DE VIRAGEM.
Margarida Alegria (16-6-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
( NOTA:  como vêem, retomo hoje alguma postagem, após mais de um mês de interregno, por falha de Internet . Não poderei postar muito, por várias razões, sobretudo de trabalho, mas tentarei ir colocando umas coisitas...)

domingo, 21 de abril de 2013

Mais Música, para outro dia de sol e para tentar esquecer as patifarias da semana que passou

(Minta & the Brook Trout, "Falcon"- do álbum "Olympia"-2012)
Sim, sei que tenho um texto prometido há muito. Sobre filmes. Já está pronto, falta afinar uns detalhes. Mas aviso já que é grandito, para ler  e meditar todo, ou salteado, como preferirem. Fiz questão de o apurar o mais que pude.
Quanto a assuntos de Educação, ainda esta semana acabou de sair a Portaria com o número de vagas nas Escolas para o concurso nacional de professores. Uma autêntica anedota! E uma grande maldade, mais uma machadada para derrubar a Escola Pública, pois quase só tem vagas "negativas", que perece não corresponderem ao que os directores transmitiram ao MEC, nem às necessidades das Escolas. Números FALSOS, portanto. Alguém acredita que , com a quantidade de professores que se reformaram recentemente e com o número de alunos que (ao contrário do que quem fazer crer) NÃO diminuiu significativamente (de resto houve é "engenharia" manipuladora pela tutela, de aumentar os alunos por turmas, alterar a estrutura curricular sem qualquer lógica pedagógica, agregar escolas a monte e sem tino...Mas nem isso explica a rídícula soma de apenas 618 vagas abertas, ou "positivas", perante um número de 12 mil vagas "negativas", ou a fechar. 12 mil?! Bandalhos mentirosos!). Ou seja, o que querem é que os professores com vínculo ao ministério, ou do quadro de Escola, se vejam obrigados a concorrer, ao anunciarem falsamente a eliminação do seu posto; depois, esses irem para longe e ficarem em vagas precárias noutras escolas, ou nem isso (desembocando, dessa forma artificial, na mobilidade especial por dois anos, até serem simplesmente despedidos sem direito a indemnizações, após 20, 25, 30 anos de serviço público no ensino!); e depois, em Setembro, contratar professores precários, muito mal pagos, para as vagas que surgirão entretanto (com a saída dos efectivos que ERAM necessários!) para assim acabar a estabilidade da Escola Pública e, com isso, degradar ainda mais a Escola Pública, firme propósito dos últimos MEC, pelo menos desde 2005.
Mas, da parte de um ministro que se revelou mais uma fraude, um embuste, que cede a tudo no massacre aos funcionários públicos pelo Ministério das Finanças... -- um ministro que, depois de assegurar que não existiria mobilidade especial na Educação e que agora encolhe os ombros e justifica o volte-face cm um mero: "Vivemos no mundo em que vivemos"(sic)--, outra coisa não seria de esperar, que o anúncio de um concurso nacional nestes moldes, que esta FARSA!
É tudo tão nojento, que nem apetece falar mais nisto, por agora. Querem destruir o País, derrubando a qualidade do seu Estado social, a base fundamental das sociedades europeias e a razão máxima para ser admissível o pagar de impostos, num país democrático.
Fica , para acompanhar mais um dia de Primavera soalheira, a música que se vai fazendo em Portugal, desta vez com um grupo recente , mas muito interessante. É dos que canta em Inglês, e, para fazer jus à vitalidade dos músicos nortenhos, é um projecto do Porto, "Minta & The Brook Trout", guiado pela voz (excelente) de Francisca Cortesão e de um bom gosto geral de todos os seus músicos. Vi algures a autoria do video, mas já não encontrei essa versão no Youtube, desta vez. É preciso divulgarmos o que de bom se faz por cá, antes que até os músicos comecem a emigrar também...
Fiquem pois, embalados, com "Falcon".
Mais uma alegria, numa semana de "alergias".
Até logo.
Margarida Alegria (21-4-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 5 de abril de 2013

CARTOON: Relvas nos Contos de Fadas (bye!- da série "Velhos Contos...")

(c) Margarida Alegria (5-4-2013)
(*  Para quem possa estranhar, o " Reino bué bué da longe" é a versão , nos filmes do schreck ,do "Num Reino muito distante" dos contos tradicionais...)
Como ontem todo o País rejubilou com a mais que exigida saída de Miguel Relvas do Governo-- (demitiu-se ontem, ver AQUI  a notícia), a conta de todas as suas trapalhadas mas sobretudo a da sua  super-equivalência a licenciado, sem pôr os pés nas aulas nem muito menos fazer exames ,mas graças aos "créditos" do seu percurso biográfico e político (associações, tachos políticos, até uma asssociação de folclore) e dos seu "impulso" constante em criar uma larga teia de clientelismos e interesses, -- não queria deixar de marcar aqui a Efeméride.
Por isso peguei num rascunho de um Cartoon para a série "Velhos Contos , Novos Tempos..." que tinha quase desde o início deste ano, inspirado naquele senhor que andou pelas várias etapas da volta à França em bicicleta a expor , no meio da multidão, um famoso cartaz para as TVs verem , ideia que desde então se espalhou por todos os cantos, em cartazes, em blogs, em "post it" e autocolantes, a invocar uma das maiores fontes inspiradoras de anedotas e de protestos dos últimos dois anos. Esta exclamação quase maternal "Vai estudar, Relvas!" é o que desejariamos aconselhar ao dito , tanto então como agora que saiu e já tem mais tempo para se dedicar (mesmo!) aos estudos.
Mas o mais provável é que vá dedicar-se aos negócios por algum país tropical amigo...
Tinha mantido este rascunho de desenho em "stand-by", não só porque não estava completamente satisfeita com ele, mas porque  aguardava um momento mais propício para o publicar, depois de o melhorar. Não chegava é a ter já a esperança que essa ocasião fosse a sua demissão, de tal forma estava protegido pelo amigo Primeiro-Ministro, de tal forma estava agarrado ao poder de Ministro dos Assuntos Parlamentares e adjunto e não sei que mais, com dossiers apetecíveis como as autarquias e a tv pública, a RTP.  E também  a "missão" do "Impulso" ao combate ao desemprego - o termo não é inocente, pois foi o nome que deu a um programa que há dois anos não se sabe como tem funcionado e se tem feito algo pelos jovens : "Impulso Jovem", ao bom estilo de um qualquer desodorizante. Agora sai, finalmente, alegando não ter "condições anímicas" (?) para continuar, porém com todo Portugal a saber que é devido ao inquérito da Inspecção Geral da Educação e Ciência à sua equivalência à licenciatura, escândalo que começa a explodir de vez, e com ele está a abalar e a descredibilizar a própria universidade privada onde "cursou", a Lusófona. 
Antes de sair ainda tomou mais uma medida mirabolante: chamou para liderar o "Impulso Jovem" um jovem "motivador" divulgado pelo Youtube , daqueles que , mais frenético que um pregador de seita, incita as pessoas a mexerem-se, buscarem o "empreendedor" que está dentro delas, etc. A sua profissão? Chefe de uma empresa que ensina os outros a trabalhar...digo, a vender o seu trabalho.... quer dizer, a vender a vontade que se tem de trabalhar (julgo que "custe o que custar").  Só visto para crer!  Pode ser que resulte, não sei, mas o estilo é ao bom estilo da tradicional venda da "banha da cobra", com linguagem de marketing traduzida à pressa da Língua Inglesa (por exemplo, dizendo (vejam!) "pensar fora do cubo", para a expressão inglesa " think out of the box"!). 
Bem, não sei o que esse rapaz fará agora, mas o outro Miguel saiu e deixou-o com a batata quente,  sendo em serviço pro bono e tudo...
Voltando ao cartoon: acabei de o retocar e terminar,mesmo assim como estava, embora não esteja bem como eu imaginara, mas queria publicar hoje.  Até já tinha umas personagens a agitar lenços e tudo! :)
E nem imaginem como é desenhar num espaço tão diminuto. Quem quiser saber a história desta série de cartoons e porque são redondos, então espreitem acima, no separador do blog que diz "Outros cartoons da Alegria", que explica tudo e tem alguns deles.
E agora que venha saída dos restantes "desgovernantes" diz muita gente. Pois... Mas se para este sair já foi o "cabo dos trabalhos"...
NOTA:
Hoje o final do dia foi agitado,em Portugal, com esta questão do Chumbo do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional, por isso não tive tempo para mais nada. Sei que tinha prometido aqui o texto mais detalhado sobre os documentários que vi da Retrospectiva de Kim Longinotto, mas aquilo está a dar algum trabalho e quero que fique bem. Precisaria de alguma tranquilidade para terminar. E tranquilidade foi impossível hoje, a vários níveis.
Aviso também que quem tenciona ver os filmes não deverá ler o texto logo quando eu o publicar amanhã, para não perder certas surpresas dos mesmos (mas não vou contar tudo, descansem!).
.Até amanhã.
Margarida Alegria (5-4-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sugestões: Retrospectiva de cinema documental- Kim Longinotto "Histórias no Feminino"

(imagem de "Pink Saris", 2010, de Kim  Longinotto)
Apenas tempo para alertar para um ciclo de cinema (Documentário) que anda em tournée por Portugal desde a semana passada.
No Porto decorreu entre os dias 28 e 30 de Março, no cinema Passos Manuel, promovida pela Associação "Zero em Comportamento". Vi quase todos e RECOMENDO VIVAMENTE.
Trata-se de um total de sete filmes da britânica Kim Longinotto, uma das mais marcantes e premiadas  documentaristas da actualidade, que tem percorrido parte do mundo a retratar histórias pungentes e muito humanas de pessoas que, nos seus  países (Irão, Quénia, Índia, Japão, Reino Unido...), lutam por uma maior dignidade de vida e pelos direitos dos mais desprotegidos, nomeadamente de mulheres e crianças. Daí esta retrospectiva ter sido baptizada de "Histórias no Feminino", pois a maioria dos protagonistas destas histórias reais são mulheres de "fibra" dispostas a mudar algo em seu redor (embora alguns dos  filmes "naveguem" por outros temas, como poderão ver).
Tradicionalmente o cinema de Kim Longinotto é associado ao chamado "Cinema Directo" ou Cinema vérité,  caracterizado por não assentar em grandes efeitos estilísticos nem ser construído com base num guião prévio. Pode parecer árido e simplista e retrair quem já não aprecia tanto assim os documentários, preferindo enredos complicados,lágrimas e acção... da ficção.
Mas desenganem-se. Como a realizadora constata e muitos de nós também sabemos,  quase sempre a realidade ultrapassa e supera a ficção. O aparente estilo "neutro"  de Kim L. é compensado com a forma sensível e próxima como filma aquelas pessoas e os seus dramas, conseguindo-nos transportar para os espaços onde as situações decorrem, dentro ou fora de portas, e tornando-nos testemunhas das suas "batalhas". A própria autora explica que não quer , com estes filmes, dizer  aos espectadores COMO e o QUE  devem pensar sobre os filmes que vêem, mas que "estejam" presentes e VIVAM aquelas emoções, construindo depois as suas próprias reflexões.
Fui a uma sessão, só por curiosidade, mas acabei por ir a (quase) todas as outras. Os filmes envolvem-nos e torcemos, como em qualquer filme, pelas heroínas e heróis daqueles dramas dos dias de hoje. Querem lágrimas, acção, emoções várias, expressividade humana, diálogos mais perfeitos do que os de ficção, personagens inesquecíveis? Gostam de  ver  filmes "de tribunal", filmes com música e dança, filmes  de abraços, discussões ou ternura, filmes policiais até? Pois nestes documentários vão tendo quase tudo isto. Arrumem de vez o preconceito quanto ao que podem pensar que vai ser "apenas" um documentário, dos ilustrativos e mais rotineiros, habituados a ter desses "aos quilos" nas TVs por cabo ou em reportagens de noticiários. 
Temas  mais duros como o divórcio litigioso e quase proibido, a violência nos bairros citadinos,  a opressão das mulheres fechadas em casa, o abandono de crianças, a excisão genital feminina, mas também momentos de carinho, de risos, de declarações de amor , de reconciliação e perdão, de humor hilariante, até. Em suma: a Vida  diante dos nossos olhos, mesmo que por vezes em situações extremas, contrabalançadas com a  doce "normalidade" e os suaves sonhos comuns a todos os humanos, em qualquer parte do Mundo. Aquilo passou-se, aquilo passa-se, ainda, nos dias de hoje, algures num recanto deste planeta Terra e há um enredo bem real de  grandes ou pequenas vitórias pessoais e/ou socio-culturais ali em jogo!
 Acreditem: dei cada minuto por bem empregue e saí daquela sala de cinema mais "rica" e forte por dentro, como todos os que tiveram a sorte de ver pelo menos um daqueles filmes.
 Em Lisboa começará HOJE, dia 4 de abril,  às 21.30h, no CINEMA-CITY Alvalade, decorrendo a retrospectiva até Domingo, dia 7 de Abril, inclusivé.
Consultar  AQUI (link para o Cinema ) os horários e preços, mais económicos que os de outros filmes (dos dias 5 a 7 serão projectados dos filmes por dia, um às 19h e outro às 21.30).
Em Lisboa  após a maioria dos filmes, decorrerão debates com o público e especialistas convidados em várias áreas (Jurídica, social, cinematográfica). No Porto tivemos a sorte de as conversas sobre os filmes terem a presença central  e simpatiquíssima da própria Kim Longinotto, que conhece cada "frame" e cada personagem dos seus filmes como as palmas da mãos. (ora tomem lá, lisboetas!) ;)
O primeiro filme é o que está aqui retratado, "Pink Saris" , de 2010, e foi o único que "perdi".
Nele a realizadora (como habitual apenas com o apoio de um técnico de som e alguém para traduzir) acompanha  Sampat Pal, uma activista dos direitos das mulheres , líder do grupo Gulabi Gang, que percorre  a região de Uttar Pradesh, no norte da Índia, em apoio às mulheres vulneráveis e maltratadas  e  na mediação dos seus dramas familiares .

Depois da etapa Lisboeta, os filmes  farão um périplo pelo país, estando para já  garantidas as passagens por Joane, por Viseu, Barcelos e Ponta Delgada.
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Amanhã publicarei aqui  as minhas impressões mais detalhadas  --as tais reflexões que Kim L. espera que os fruidores da sua obra venham a construir -- sobre os filmes que vi e que dificilmente esquecerei. Estes filmes são a prova como as Artes e as causas sociais estão longe de estar separadas, podendo interligar-se e entreajudar-se de forma subtil e contribuir para um Mundo melhor e mais justo.
Margarida Alegria (4-4-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

ADENDA( dia 7-5-2013):Ainda pensava eu que tinha anunciado as sessões de Lisboa um tanto em cima da hora. Pois bem, alguns dos filmes têm andado por aí, como foi o caso ontem ,6-5-2013,  de "The Day I Will Never Forget". Passou em Viana do Castelo, às 14.30h (ontem). Quando foi anunciado no jornal?... ONTEM... :(
(Está para breve a publicação do texto que prometi. Os maiores dos contratempos... que colidem com o não querer um texto "às três pancadas"...).

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Contra o Medo que mina os professores(uma "rabanada de Vento" da AL)


Não tinha chegado a escrever aqui algo sobre a manifestação de professores da semana passada (dia 26 de Janeiro). Mas fiquei sem palavras a dizer, quando deparei com este fantástico post da minha querida amiga "AL"/Ana, no seu "Oventoquepassa". Disse tudo o que urge dizer sobre o que se passa na Escola Pública e quanto à luta dos professores...
Deixo aqui o link do post e recomendo a leitura, bem como a visita a todo o magnífico blogue:
O poder de que os professores tristemente abdicam" (in blog "O Vento que passa")
O que a Ana salienta é a incompreensível atitude de cedência e até de medo (pelos professores) ,que vem minando as Escolas por dentro  e destruindo a causa pela Escola pública,nestes últimos anos amargos. Saliento um extracto do texto, mas recomendo vivamente a leitura completa:

"os professores têm de se consciencializar do enorme poder que detêm, e usá-lo, sem medos nem mesquinhices. Têm de arriscar perder alguma coisa, dois, três dias, uma semana de salário, se querem ganhar esta guerra de batalhas tantas(...)"

A Ana não fala de cor. Não sei se sabem, mas o seu blogue, "O Vento que passa" é um pequeno reino de bom gosto, de sensibilidade e de reflexão inteligente. Destacou-se em particular nos anos de luta contra a megera Lurdes Rodrigues. Alguns dos seus primorosos textos circularam por mail, de tão bem escritos e corajosos que eram, ousando mostrar como a profissão docente é nobre e intelectual e que os professores  têm o dever de defender aquilo a que têm direito- sobretudo tempo para aquilo para que se formaram (e superiormente!): ensinar. Posts que não se importavam de expor de forma detalhada tudo o que era e é urgente defender no Ensino em Portugal, estando-se nas tintas para a brevidade feita espuma dos dias que se recomenda para o tamanho de posts. Quando é para escrever e detalhar, não devem existir tais calculismos. Um dos seus posts, inclusivé,  andou a circular pela Internet como se fosse anónimo e/ou atribuído a terceiros, chegando a ser a sua leitura recomendada, imaginem... à própria autora!
O seu blogue continua vivíssimo por aí, quando a "AL" até já nem teria  hoje qualquer obrigação profissional ou moral para o escrever. Mas, uma vez professor(a), sempre professor(a), como se costuma dizer. Ou, como dizia há uns anos  largos uma outra amiga minha, isto de ser professor, "torna-se um vício". Balelas para quem reclama que só pode ser professor quem tem "Vocação"! O que é isso de vocação? Fala-se em um padre precisar de vocação (e mesmo assim...), uma mulher que sente  especial "vocação" para a maternidade(mas mulheres que não se imaginavam a ser mães tantas vezes vêm a ser excelentes mães), porém... acaso outros profissões exigem uma "vocação"? Do estilo "Ah, quando era pequenino sonhava ser gestor de marketing" ou "senti vocação para  economista e ministro das Finanças, "assessor-especialista de um ministério" ou algo ridículo como "em criança sempre quis vir a ser secretária administrativa/ técnico de frio/ vendedor de seguros"... As poucas profissões sonhadas em pequeninos passam mais pela fantasia, como o vir a ser polícia, astronauta, bombeiro ou hospedeira do ar. Desenrolam-se estes estereótipos ao longo de décadas e vamos deixando, virando-os tantas vezes contra nós, quando deveriamos agradecer termos um país onde AINDA há professores suficientes para as necessidades (mas já não em todas as disciplinas!), quando em outros países (que cometeram esses erros nos sistemas educativos) agora já só querem saber se conseguem convencer gente suficiente  e que não fuja a esta ingrata e tão massacrada profissão...e sobretudo gente que tenha tanta e tão especializada qualificação quanto existe actualmente na classe docente portuguesa! Quem dera a esses países(e não são  só no  dito terceiro mundo)!  Mas não: muitos cidadãos , a tutela do ministério e  tantos (des)governos em Portugal dão-se ao luxo de desprezar os docentes que existem, dizendo que "são demais" (o que é mentira!), que só estão na profissão por "não terem jeito para mais nada"!... não terem... "vocação"!
Ora o que interessa, quando se tem uma profissão, é tomarmos o que fazemos em mãos e tentarmos ser bons no que fazemos. De resto esssa conversa de vocação é vazia! O que a profissão docente é sem dúvida, para quem alguma vez passa por ela, é um "bichinho" que nos fica inoculado para sempre, a vontade de educarmos, de ajudar  crianças , jovens ou graúdos a descobrir os conhecimentos do mundo, a amar o saber. Quem é ou foi professor, sempre que lê um bom livro ou vê um filme marcante fica com a vontade de logo alertar os seus alunos para essas obras e quando já não tem alunos fica a imaginar as aulas que faria com aquelas descobertas. E quando está entre os seus, em casa, quantas e quantas vezes não o/a mandam calar com "Lá estás tu a ser professor(a) e a falar de escola e de aulas!"...
Sim, ser professor é um vício que nos acompanhará para sempre. Só não sei  bem dizer se é fatídico.
A Ana é uma dinâmica professora-blogger das que sofre por a nossa classe profissional não  ter ido mais além no enfrentar as bestas que querem destruir a Escola Pública. A Ana é da mão cheia dos que ainda ousam sonhar algo diferente e melhor para a Educação em Portugal.
Não é das que são arrogantes e dondocas às Segundas, Quartas e Sextas   e que às Terças,  Quintas e Sábados se transformam em solidárias e lutadoras, para poder virem a ser consideradas umas resistentes corajosas e se" fazerem importantes". Não , não é assim a  Ana. A Ana sente a profissão e é/será educadora todos os dias, mesmo quando se recolhe a algum  silêncio.
Como amiga, também é das que está connosco quando é preciso, dando força. Não é das que promete mas depois enxota. Foi das primeiras a apoiar a criação do meu blogue e das primeiras a aderir a este site também. Essas coisas jamais se esquecem, pois a Ana não é só feita de palavras.
(e tem  sensibilidade ,  inteligência  e humildade que sobram; por isso não lhe dará   para vir a considerar estes meus elogios sinceros  de amiga como um exemplo de... "stalking", e fazer queixa à polícia etc...eheheh!-- é verdade, há quem se lembre disso, fora de brincadeiras!!! Essa estupidez não foi minha, por isso não sei porque hei-de calar mais tempo o meu espanto!)
Visitem o seu blogue e  leiam este seu texto, de entre os vários marcantes que já escreveu. E pensem. Pensem nas formas como quem ama a Educação terá de vencer o medo e o conformismo, pois será a única forma de defender a Escola Pública, a que de facto tem gerado( pela sua qualidade até agora) tantos jovens qualificados que hoje dão cartas pelo mundo fora...
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Tinha outro post pronto para publicar, mas  não trata de algo tão importante, por isso agendei-o para amanhã após o almoço, pois este texto da Ana merece uma leitura destacada e tranquila de final de Domingo.
Margarida Alegria (3-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
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ADENDA:
No próximo dia 2 de Março, decorrerá, em várias cidades do país, uma nova manifestação "Que se lixe a troika- o povo é quem mais ordena", cerca das 15h (locais  de partida e horas serão divulgadas mais tarde). Todos os portugueses insatisfeitos com o rumo da nossa democracia estão convocados. Façam ouvir a vossa voz!
Um manifesto de título "Maré de Educação" marcou  entretanto para as 14h, frente ao MEC, na 5 de Outubro em Lisboa, uma concentração de professores, que depois se juntará à manif nacional que parte do Marquês de Pombal e vai até ao Terreiro do Paço.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Excelência" do ensino Privado?!-A reportagem sensação do dia:Dinheiros públicos, vícios privados


(Dinheiros Públicos, vícios privados" , reportagem TVI de Ana Leal, 3-12-2012, via blogue "Aventar")
Foi a reportagem-choque  de hoje, no "Repórter TVI". Não a vi directamente, acabei de  visionar online e, mesmo já contando com algo de grave,  fiquei ainda assim estupefacta e revoltada. Apenas a "ponta do icebergue" da escandalosa promiscuidade entre políticos /ex-governantes e os lucros de grupos privados  obscuros, neste caso da área  da Educação (??). Parabéns à jornalista Ana Leal e aos corajosos professores e pais que deram a cara, para denunciar a pouca-vergonha.
É esta a propagandeada "excelência" e  boa gestão  das  escolas privadas  que os nossos desgovernantes querem promover, destruindo a Escola Pública? Quem entrega os filhos a dirigentes como os que aparecem na reportagem?  A quem não inspira confiança nem sequer para lhe comprarmos um rádio de pilhas?
E o Ministro ainda lhes deu MAIS dinheiro, mal chegou ao poder e contra o parecer da própria Troika (que nem sonharia com estes escândalos bem portuguesinhos)?
Falta de verbas para o essencial, para poder comprar carros de luxo e outras empresas, pressão para fabricar notas e manipular rankings, contratos ilegais, exploração laboral, ameaças... há de tudo um pouco, mas, como disse, muito mais podridão deve existir para além do que aqui se aflora.
A não perder e a divulgar, por todos que ainda andam ceguinhos  e confiantes na bondade e nas "privadas virtudes" da entrega de tudo o que é público a mãos " mais competentes" privadas! É o que se vê nesta reportagem, que mais uma vez nos dá vómitos de pertencermos ao mesmo país que certos senhores que dele se apoderaram sem pejo, para "se governarem". Passando por todos os quadrantes do centrão, que o bolo da Educação é mais um naco apetitoso para a vampirização de Portugal, tal como antes a Saúde e também o apoio a idosos, ou seja, os tais três pilares do Estado Social que uns fedelhos acenam querer Refundar/Afundar.
Pronto , fico por aqui. Vejam e divulguem o mais que possam...E que não caia no esquecimento.
Margarida Alegria (3-12-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 6 de outubro de 2012

A imagem do dia de ontem, 5 de Outubro, dia da República Portuguesa (e dia dos Professores)

Ah, desculpem... Confundi...  as semelhanças...Uma casa em geral de pernas para o ar e uma casa-de-banho em particular seria algo de dramático . De consequências previsíveis e sempre péssimas, para os que estão do lado de baixo...
Felizmente esta é apenas uma fantasia para exposição.
A imagem de ontem foi esta:


pela cara satisfeita ao içar a bandeira da República Portuguesa, nas comemorações de ontem, o nosso Presidente da República dá a entender que, das duas uma:
- Ou não se apercebeu que a bandeira estava ao contrário, o que se vê pela a imagem do escudo e das  cinco quinas, dai o sorriso igual ao que retribuiu às vaquinhas açorianas;
- Ou até se apercebeu e está satisfeito, por assim demonstrar aos mercados, à "Troika" e aos restantes "lá fora", que Portugal continua o "bom aluno" totó de sempre e que está submisso, de valores invertidos, não independente (ontem Ramalho Eanes mencionou que a bandeira Invertida significa país dominado; outros explicam que no mar tal bandeira significa pedido de socorro...) pose que foi iniciada já nos seus tempos de PM em que incentivou o desmantelamento da produção do país, em troca dos subsídios da Comunidade Europeia...;
Tendo em conta a total indiferença que votou às duas senhoras que também protagonizaram a cerimónia--a que interrompeu o seu discurso aos brados de que já  não tinha como sobreviver e a outra , cantora lírica, que cantou o "Acordai" de Lopes Graça, enquanto Cavaco Silva continuava o seu discurso hipócrita de louvor aos professores  cuja humilhação por Lurdes Rodrigues ele apoiou, desde 2005-- deve ter sido a segunda hipótese a que lhe motivou o rasgado sorriso, infelizmente.
Não há mesmo palavras que bastem...para esta vergonha e esta revolta colectiva que sentimos.
Deixo aqui, no próximo parágrafo, o que acabei de responder em comentário num post anterior e que alargo a todos os portugueses indignados: que não se conformem!
"Um país que era "apenas" melancólico a tornar-se assombrado. E com tanta gente heróica a tentar aguentar-se de cabeça mais ou menos erguida( na família, no comércio, os heróis da indústria que não fecha e os que ainda conseguem exportar, apesar das medidas patéticas e criminosas...), enquanto umas autênticas bestas andam aí a defender o desmantelamento de Portugal!
Faltam as palavras e falta o ânimo para os descrever, a estes traidores  inclassificáveis e a todos estes que levaram o país à ruína, por décadas.
Devemos indignar-nos. É compreeensível e lógico que esmoreçamos...mas devemos manter alguma resistência,
pois agora Portugal depende de cada cidadão, com a sua acção, a palavra (e já não bastam palavras), a coragem individual mas também solidária.
Estou cada vez mais convicta que isto não é só uma crise económica. É uma autêntica Guerra económica  e social de uma élite que ainda quer ser mais poderosa e rica à custa da miséria da maioria. É uma autêntica Guerras de VALORES de quem acha que uns humanos valem mais do que os outros, uns têm "mérito" e outros não, quando afinal o exemplo que dão é de "Dona Cunha", nepotismo e amiguismo e não de mérito de qualquer espécie.Temos de nos aguentar e não fugir, não escondermo-nos ou "jogar a toalha" como dizem no Brasil.
Aprendi que é nos momentos mais conturbados da minha vida que me torno mais resiliente (a quebra vem depois...!) e que faço das tripas coração para me rebelar contra as injustiças. Estamos a viver um momento crucial em que devemos renegar o Mal, a Mentira e a falta de Ética, com todas as forças! Faltam palavras, mas não podemos esperar por "salvadores" providenciais. Os salvadores dos portugueses só podem ser os portugueses, os verdadeiros portugueses..."
É o meu contributo para reflectirmos sobre o momento que vivemos.Denunciar, comentar, protestar, meditar... Claro que não basta...
Alergia (6/10/2012, in "blog "Alegrias e alergias")
.............................
Nota da "Redacção" do blog: havia o quarto e último cartoon da Alegria sobre a abolição de feriados, finalmente terminado (coisa de dificuldade em... desenhar carros! eheh). Porém, tal como uma série de outros cartoons já prontos, terá de aguardar a ultrapassagem de um contratempo técnico para a introdução dessas imagens no blog. Aguardem, que não tardarão! Entretanto vão-se "entretendo" com outros posts sem... "bonecada".

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Anteontem: Segunda Vigília Pela Educação(17-9-2012-Sic)



(Vigílias no Porto e em Coimbra contra a nova estrutura curricular, formação de mega-agrupamentos e pela vinculação dos professores contratados, dia 17 de Setembro de2012,  notícia na SIC)

A tal  a que  não pude ir.. :(((
100 participantes  no Porto e 30 em Coimbra?! :(
E  também decorriam em Braga e em Lisboa....porque não mencionaram? A mesma apatia docente de sempre pelas bandas da capital! Concordam com estas políticas que estão a destruir   a Escola Pública?! Custa muito sacrificar 4 horas   e  abdicar das novelas? Não há meio de entender... Na Educação, tal como na luta contra as "desmedidas" das Finanças nacionais, precisamos   de ser persistentes a manter acesa a chama destes  protestos ...
Ah... mas muitas pessoas gostam de milagres e de salvadores instantâneos, não é?
Esquecem  a lição fundamental: nas Causas, como na nossa Vida, o nosso "Salvador" devemos ser nós próprios, mas tomando parte  no que se organiza de interacção entre pares.... Até os bandidos das  quadrilhas ,  financeiras ou outras, sabem isso muito bem.
É como dizia "o outro": o Bem venceria, se os bons dedicassem tanto empenho ao Bem quanto os maus dedicam ao Mal. (a frase não é  bem assim, mas fica a ideia. O autor é muito famoso mas agora passou-me...).
Amanhã dedico mais tempo a reflectir sobre estas iniciativas de Professores, com fotos da primeira Vigília, em Julho passado. Agora estou demasiado desiludida, embora ao mesmo tempo contente com a dignidade e a participação variada que pude ver nas imagens (alunos, pais... vá lá...) Força, MJ , I. , JP e restantes amigos/as.
Ai Portugal, Portugal.... :((
Deixo aqui o texto do Comunicado desta  segunda Vigília:
"Estamos aqui para provar ao senhor Ministro da Educação e à sociedade civil que estamos unidos e que acreditamos na escola pública, numa escola para todos e não apenas para alguns;
- Estamos aqui para dizer, neste que foi o PRIMEIRO DIA DE AULAS em muitas escolas, que as coisas não estão bem nas Escolas e que é necessário contar a toda a gente o que realmente se passa dentro delas:
- Tal é a desorganização nas escolas que muitos dos horários dos docentes foram concluídos até à última hora;
- Existem professores com 10 ou até mais turmas, cada uma podendo ter até 30 alunos, o que poderá perfazer cerca de 300 alunos por professor;
- Que esse elevado número de alunos por turma compromete seriamente o apoio individualizado aos mesmos, o seu sucesso educativo e inclusive fomentar casos de indisciplina. A própria OCDE refere num relatório divulgado há dias que o aumento do número de alunos por turma piora o nível da educação;
- Constatar que existe uma escola dirigida por uma política de medo, cujos professores são seus reféns;
- Que os mega-agrupamentos, escolas que custaram milhões ao erário público, não têm dinheiro para pagar os seus custos operacionais mensais. Estas escolas, com milhares de alunos sem a supervisão devida, em vez de se regerem por uma proximidade entre direção, professores, alunos e restante comunidade educativa, são cada vez mais desumanizadas.
- Estamos aqui porque um dos grupos mais afetados a nível de estatística do desemprego são os professores, que de um ano para o outro… deixaram de poder trabalhar, embora sejam necessários nas escolas. Aliás, Nuno Crato tem referido repetidamente que, nos últimos anos, o número de alunos tem diminuído, apresentando esta justificação para o corte no número de professores este ano letivo. No entanto, os dados oficiais DESMENTEM esta justificação ministerial: a Direção-Geral de Educação refere que o número de alunos aumentou nos últimos 3 anos; também a OCDE prevê um aumento de 10% dos alunos entre os 15 e os 19 anos, em 2015, em comparação com a última década. Isto, já para não falar no número de alunos que, devido à crise económica que vivemos, tem passado do ensino privado para o público.
- Estamos aqui para dizer BASTA… Não somos os bodes expiatórios da crise. Esta situação em que milhares de professores se encontram é o fruto de políticas educativas falhadas de sucessivos governos e dos seus experimentalismos.
- Estamos aqui para contestar as políticas educativas que são erradas, puramente economicistas e que, visto sermos nós que as colocamos em prática diariamente nas escolas, queremos ser ouvidos e queremos desde já a REVOGAÇÃO DA REVISÃO CURRICULAR e um AMPLO DEBATE sobre o assunto.
- Estamos aqui, neste movimento cívico, para demonstrar a nossa INDIGNAÇÃO e decidir o que queremos fazer com a nossa LUTA e ouvir-vos a vós: Professores, encarregados de educação e restante sociedade civil porque, seja aqui ou de outra forma, entre a inação e a ação, nós preferimos a ação.
Para terminar, gostaria de dizer que estou com a terrível sensação de que, iniciado o ano letivo e ultrapassada a oposição inicial dos mais resistentes, se os professores deste Portugal não demonstrarem que estão descontentes com as políticas educativas deste Governo, os que estão fora do sistema não passarão de distantes memórias e a Escola Pública, tal como a conhecíamos, desaparecerá.
Digamos de uma vez por todas: BASTA."