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terça-feira, 16 de julho de 2013

Da saída do Gaspar :CARTOONS(TRÊS):Ai as contas! da série Jejé e não só

(c) Margarida Alegria (Maio/2013)
(c) Margarida Alegria (Junho de 2013)

(c) Margarida Alegria (Junho de 2013)
Costuma dizer-se "não batam mais no Ceguinho", mas, sejamos francos, este "ceguinho" do nosso mundo político(quer queira ou não queira pertenceu ao mundo político) , embora tenha batido a porta com algum estrondo e  com uma carta (que ficará para a História como uma confissão de culpa com uma facada de brinde),  saiu  mesmo assim de mansinho e sem grandes mazelas para si próprio (já lá está num tacho no Banco de Portugal), depois de tanto estrago que causou, deixando, como se vê, tudo em polvorosa.
Nunca será demais ser alvo de mais umas sátiras. Como sempre escrevi por aqui, nunca confiei nesta personagem, que não considerava propriamente sinistra, mas sobretudo arrogante, um "menino-bem" alheado da realidade do País, que fazia troça dos portugueses, ora quando lhes dirigia a palavra, ora quando aplicava as suas medidas insensíveis de cego seguidismo do poderio estrangeiro (alemão e da Troika). Tarde e a más horas verificou que o descalabro económico era completo, em  consequência das políticas que aplicava e passou a batata quente, saltando fora do barco enquanto este não se afundasse com mais estrondo. Como todo o desgoverno era centrado no seu poderio de tecnocrata de gabinete, ficaram os restantes com a cabeça à nora e sob a força do calor do sol, como se viu e se vê ainda.
Amanhã falarei com mais calma deste menino e da ideologia preconceituosa que subjaz a todos estes meninos da mesma fornada.
Para já, visto que deixou Passos Coelho órfão faz ontem precisamente duas semanas, mas o seu abandono ainda provoca mossa (não porque fosse um génio,como alguns pensavam, mas porque representava a única "estratégia" para o país dos que o nomearam, com contas mal feitas que não incluiam todas as variáveis a considerar), não queria deixar passar a ocasião, publicando estes três cartoons que estiveram em rascunho até há dois dias. Como se vê por certas imperfeições dos dois últimos, esperavam alguns retoques antes da publicação, quando se deu todo o presente desatino. Foram criados ainda em período de afazeres lectivos (final do ano, exames...) daí estarem ainda a lápis quando finalmente os pude passar a caneta neste fim-de-semana. O primeiro era até contemporâneo de um outro que aqui publiquei sobre o caso dos swaps, desenhado no mesmíssimo dia, mas deixado a esperar, pois o outro estava mais preso ao tempo.
Como se devem lembrar, o escândalo do peixe-caracol foi verídico (descoberta da DECO..., com a distracção da ASAE). Esta sua consequência é que é, claro, imaginária. A medida e o folclore (demagógico, pois os professores do primeiro ciclo já não permitiam assim facilmente o uso da calculadora ) em redor da máquina de calcular também deve estar bem presente na memória de todos (bravo, pela memorização, eheh!) e  por sua vez, embora pareça  de outro mundo, os tais dois primeiros discursos auto-justificativos do ex-ministro foram bem reais! ( Já devia estar em modo "stand-by", em fase de pré-demissão, do "que se lixe tudo isto!"... Portugal cá estará, pois nós não podemos fugir também, para apanhar os cacos, como costume).
Há ainda uns  cartoons mais antigos em rascunho, que ficaram por completar. Quem sabe um dia verão a luz do dia, talvez noutras paragens ou formato... Neles surgem também o Vitinho, a aplicar os seus  modelos na Escola, ou a conviver com os conselhos da sua avozinha Margarida (ai, logo esse nome!) de Margarinas (NOTA: a terra chama-se Manteigas, mas , graças a um saudável darwinismo social, os jovens amigos do Vitinho conseguiram uma petição para que vencesse a  designação mais moderna e menos piegas de "Margarinas"... pelo menos no mundo de fantasia desta geração do Jejé e companhia... que aliás em fantasia se equipara ao que vai por aquelas cabecinhas, só que em versão inofensiva para Portugal).
Como disse, amanhã farei um post anexo sobre o que penso sobre o impacto destas personagens nesta mirabolante crise, sobretudo reflectindo sobre a sua estranha e perigosa mentalidade. Para já, aqui vão os cartoons, para matarem saudades... ou não.
Margarida Alegria ( 16-7-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
E não... não está esquecido o longo post sobre os documentários que pré-anunciei aqui. Faltam apenas uns detalhes, que tive de interromper pelo agitado fim de ano. Mas muito nos têm a ensinar...


sábado, 4 de maio de 2013

CARTOON: Kem Ké um Xuápe? (Série Jejé e Companhia)

(c) Margarida Alegria (Maio de 2013)- a imagem ficou muito reduzida, neste espaço. Clicar sobre a imagem para ler melhor

Há muito que não publicava um cartoon da série destes garotos... ia dizer "reguilas", mas acho que já estão no patamar do delinquente.
Este é o primeiro de um conjunto de cartoons a que chamo internamente de "Clandestinos" (um dia talvez explique melhor). Digo apenas que tenho descoberto que, quando se tenta aproveitar os tempos mortos de alguns momentos de  tortura  taylorista, é bem mais fácil ocupá-los com a criação de cartoons do que com a criação de texto.
Um cartoon coaduna-se melhor com a constante interrupção, pois está desde logo desenhado na íntegra na nossa cabeça antes de o passarmos para o papel. Depois, em períodos de 10 minutos ou menos ,intervalados, lá vamos fazendo o esboço geral da imagem, depois o desenho mais detalhado, depois o passar a tinta, por vezes o colorir.
Com a escrita é diferente. Por mais pensada que tenhamos a ideia  antes de chegar ao papel, depois o escrito ganha vida própria e temos de estar em total concentração e abstracção em relação ao que nos rodeia. Uma interrupção pode deitar por terra o desenvolvimento de uma ideia nova ou da estrutura de uma frase... um pouco como estar num belo sonho e ter de acordar de repente, tentando depois, em vão, tactear por entre palavras e imagens às quais queremos voltar. É de facto verdade aquela ideia que se tem de que é preciso retirarmo-nos do mundo, para uma cabana isolada, na companhia do papel e caneta e uma panela de sopa. De outra forma torna-se tudo  muito mais lento. Mesmo se estivermos diante do computador, como agora estou, temos de evitar todas as distracções, e então da possibilidade de intercalar com outras tarefas nem falar: é quase impossível!
Falando em escrita, fiz agora um intervalo de passatempos mais interessantes que as nacionais aflições com estes constantes sobressaltos com o nojo e o banditismo de punhos de renda que todos os dias nos é despejado pelas notícias. E cá vim publicar o meu cartoon "clandestino" de há dois dias.
Ontem foi  mais uma inenarrável comunicação de cortes e sangria aos cidadãos pelo nosso PM (ver  e ouvir AQUI).
O ar seráfico do dito bem tentava abafar os escândalos da semana, de entre os quais se destacou a descoberta que actuais e antigos governantes incentivaram (ora como governantes ora como "gestores" de empresas públicas, -- eles fazem "swap" de funções nas danças das cadeiras-- especialmente na área dos transportes)  mais uns  contratos ruinosos ( ruinosos  para o Estado,claro!) com empresas financeiras (G-Sachs,- por falar nisso,  alô Borges, mais um boneco na colecção! -- JPMorgan, Santander... lalará...), contratos que dão pelo nome de "SWAPS". O Tribunal de Contas alertava há anos para os perigos destes contratos, mas como costume ninguém lhe deu ouvidos...
Ver aqui uma das notícias (que remete para outras, para quem quiser, como para este detalhe AQUI):
"Perdas potenciais com "swaps" reduzidas em 500 milhões" (in Público, 30-4-2013)
Não entendo muito disso, mas parece que um "swap" é mais uma daquelas habilidades nas quais , caso a coisa corra mal, quem paga o buraco é o Estado (leia-se, os cidadãos). Este governo, vá lá,  até afastou dois secretários de Estado perante a divulgação do escândalo, mas outros tantos terão continuado em funções e apenas se vê a ponta do Icebergue, que , como costume, envolve todos os partidos do chamado "Centrão" que vão alternando no poder. Agora tentam renegociar esses contratos, para minorar os danos, mas pelo que se sabe ,para já, a desgraça ronda os 3 mil milhões de Euros. Coisa pouca, ou, como dizem os americanos... "amendoins".
O que são 3 mil milhões, perante um buraco a pagar na vez dos bandidos do caso BPN de uns ... 7 mil milhões (mas sempre a aumentar)?
Mesmo para isso, entende-se agora, é que os nossos jovens desgovernantes insistem  em fazer um corte PERMANENTE do orçamento do Estado Social, na casa dos 4 mil milhões (soube-se ontem que subiram a parada para 4.800 milhões...). Assim , roubando ainda mais pensionistas e funcionários públicos, mandando mais uns milhares para o desemprego ( mais 30 mil, para já, ao que chamam "rescisões amigáveis", fora os que seguem para mobilidade especial como se não passassem de sapatos velhos a deitar fora),aumentando a idade da reforma,  cortando ainda mais na qualidade da Educação, da Saúde, da Segurança social, haverá mais de 4 mil milhões de Euros POR ANO, para gastar à "tripa forra" nestes "erros" de gestão, nestes casinos paralelos de jogo com dinheiros públicos e em muitas outras negociatas mais ainda por inventar pelos amigos  "empreendedores" do privado. Ou entendi mal a jogada?
É difícil ainda conseguir fazer humor no meio desta pirataria sem freios, mas ainda é das atitudes que nos podem manter de cabeça erguida. Tinha de fazer este cartoon.
Agradeço, para a ideia do cartoon, ao Carlos Fonseca do blogue Aventar, onde este explicou as principais diferenças entre os diferentes tipos de "Swap".
Pronto: agora volto para  finalizar os meus escritos, bem mais interessantes , sobre personagens humanamente muito acima destes políticos e gestores de trazer por casa, sobre situações muito mais cheias de Esperança, sobre lugares de vida até mais complicada a certos níveis, mas onde há ainda quem ouse resistir e mudar o que está errado.Tive de interromper a sua conclusão há quase dois dias--- as tais interrupções inconvenientes de outras tarefas e solicitações!-- e quero que fique como o imaginei. Tem sido um texto construído com paciência,aos poucos,  ao longo de vários dias, quase "tijolo a tijolo",  pois os seus temas são muito mais elevados e nobres que estas autênticas poeiras nojentas e tóxicas lançada por um (resto de) país, por  uma democracia decrépita e por uma Europa em  rápida erosão.
Margarida Alegria (4-5-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
É verdade: este foi o Post nº 300 do blog!

domingo, 21 de abril de 2013

Mais Música, para outro dia de sol e para tentar esquecer as patifarias da semana que passou

(Minta & the Brook Trout, "Falcon"- do álbum "Olympia"-2012)
Sim, sei que tenho um texto prometido há muito. Sobre filmes. Já está pronto, falta afinar uns detalhes. Mas aviso já que é grandito, para ler  e meditar todo, ou salteado, como preferirem. Fiz questão de o apurar o mais que pude.
Quanto a assuntos de Educação, ainda esta semana acabou de sair a Portaria com o número de vagas nas Escolas para o concurso nacional de professores. Uma autêntica anedota! E uma grande maldade, mais uma machadada para derrubar a Escola Pública, pois quase só tem vagas "negativas", que perece não corresponderem ao que os directores transmitiram ao MEC, nem às necessidades das Escolas. Números FALSOS, portanto. Alguém acredita que , com a quantidade de professores que se reformaram recentemente e com o número de alunos que (ao contrário do que quem fazer crer) NÃO diminuiu significativamente (de resto houve é "engenharia" manipuladora pela tutela, de aumentar os alunos por turmas, alterar a estrutura curricular sem qualquer lógica pedagógica, agregar escolas a monte e sem tino...Mas nem isso explica a rídícula soma de apenas 618 vagas abertas, ou "positivas", perante um número de 12 mil vagas "negativas", ou a fechar. 12 mil?! Bandalhos mentirosos!). Ou seja, o que querem é que os professores com vínculo ao ministério, ou do quadro de Escola, se vejam obrigados a concorrer, ao anunciarem falsamente a eliminação do seu posto; depois, esses irem para longe e ficarem em vagas precárias noutras escolas, ou nem isso (desembocando, dessa forma artificial, na mobilidade especial por dois anos, até serem simplesmente despedidos sem direito a indemnizações, após 20, 25, 30 anos de serviço público no ensino!); e depois, em Setembro, contratar professores precários, muito mal pagos, para as vagas que surgirão entretanto (com a saída dos efectivos que ERAM necessários!) para assim acabar a estabilidade da Escola Pública e, com isso, degradar ainda mais a Escola Pública, firme propósito dos últimos MEC, pelo menos desde 2005.
Mas, da parte de um ministro que se revelou mais uma fraude, um embuste, que cede a tudo no massacre aos funcionários públicos pelo Ministério das Finanças... -- um ministro que, depois de assegurar que não existiria mobilidade especial na Educação e que agora encolhe os ombros e justifica o volte-face cm um mero: "Vivemos no mundo em que vivemos"(sic)--, outra coisa não seria de esperar, que o anúncio de um concurso nacional nestes moldes, que esta FARSA!
É tudo tão nojento, que nem apetece falar mais nisto, por agora. Querem destruir o País, derrubando a qualidade do seu Estado social, a base fundamental das sociedades europeias e a razão máxima para ser admissível o pagar de impostos, num país democrático.
Fica , para acompanhar mais um dia de Primavera soalheira, a música que se vai fazendo em Portugal, desta vez com um grupo recente , mas muito interessante. É dos que canta em Inglês, e, para fazer jus à vitalidade dos músicos nortenhos, é um projecto do Porto, "Minta & The Brook Trout", guiado pela voz (excelente) de Francisca Cortesão e de um bom gosto geral de todos os seus músicos. Vi algures a autoria do video, mas já não encontrei essa versão no Youtube, desta vez. É preciso divulgarmos o que de bom se faz por cá, antes que até os músicos comecem a emigrar também...
Fiquem pois, embalados, com "Falcon".
Mais uma alegria, numa semana de "alergias".
Até logo.
Margarida Alegria (21-4-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os birrentos e a decisão do Tribunal Constitucional


fotos (c) Margarida Alegria (2-3-2013, Porto)
E pronto. Já aí está a vingançazinha dos meninos birrentos do governo e seus satélites, depois de terem estado  a afiar as facas e a chorar baba e ranho no fim-de-semana (nem os acalmaram serem assoados pelo grande  e alvo lenço do comentador da sua ala política, Marcelo Rebelo de Sousa, que  lhes explicou que uma medida do TC tinha de ser acatada, paciência), depois do Tribunal Constitucional(TC) ter declarado anticonstitucionais (o que todos menos esses meninos já previam) várias medidas constantes no Orçamento de Estado para 2013. Nomeadamente, o corte do subsídio de férias dos funcionários públicos (que, lembro, não é um bónus para além dos 12 salários, mas uma compensação para os magros salários praticados e para o facto de não serem pagos semanalmente), a medida que o TC tinha deixado passar no orçamento do ano passado, só porque o ano já ia avançado; o corte desse subsídio aos reformados e pensionistas ; e, talvez a medida mais torpe de todas, a taxa extra sobre os ("luxuosos", se calhar...) subsidios de desemprego e de doença.  Faço minhas as palavras requintadas de João Quadros e Bruno Nogueira no programa de humor de hoje do Tubo de Ensaio. (na mouche!) na rádio TSF.
Pois bem, hoje passou o período de curto luto desses inqualificáveis revanchistas e anti-democráticos políticos pela decisão do TC. Um luto muito agitado diga-se, que mais lembrava um funeral cigano, com carpideiras a preceito que, em vez de se vestirem de negro e rasgarem os xailes, vestiam fato e gravata e bradavam nas TVs contra o TC e mostravam gráficos e quadros do que se devia agora cortar . Leia-se: do que se devia cortar no Estado social,  isto é, Saúde, Educação, Segurança social, ai que coincidência! Já nas PPPs e Rendas imensas das empresas de fornecimento de energia, nas Consultadorias para pensar pelos  Ministérios, nos Institutos quase fantasma,nos "Observatórios" para cada treta e nos subsídios a Fundações privadas?? nem pensar!.
Os portugueses conseguiam ouvir de suas casas, mesmo com TVs desligadas, a gritaria desses arautos do neoliberalismo austeritário, quer os de cá quer os de Bruxelas ou de Berlim, já muito aflitos e também chantagistas,  dessas carpideiras do "custe o que custar" a bater no peito e a rasgar as vestes:
-Aiiiiiiiiiiiaiiaiaiaiiaiaiaiii! Minha mãeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Ai que mataram o meu paiiiiiiiii Orçamentoooooooooo!
-Aiiiiiiiii que agora  estamos com os calores e à falta de leque vamos é pegar naquele relatório do FMI, aquele cheio de erros e dados manipulados e desatualizados e que já estava no lixo e vamos abanar-nos com isto! Aiiiiiiiiiiii meu irmão Gaspar, meu irmão Coelho, que ficaram órfãos do Pai orçamento!!! Ai que ele ia bater mais e mais nos portugueses e  até podia  ser ilegal e estar cheio de erros e contas mal feitas, mas era o Orçamento dos Orçamentos! Que importa se ia matar  e arruinar mais portugueses? aiiiii que estava tudo a ir tão bem! tantas empresas mais a fechar, coisas tão lindas e perfeitas, tanto "minino" boy a arranjar tacho junto dos ministérios!
E lá distante os ventos traziam mais lamentos bem audíveis:
-Aiiiiiiiiiiii Ke Portugal vai desobedecerrrrrrrrr à austeritaaaaaaaT! Aiiiiiiii Meu Deus, a minha vida e carreiraaaaaa, a minha avó eleiçãozinhaaaaaaa aqui no meu país, que era tão kerrrrrida!!! Aiiiiiiii...
-Aiiiiiiii que Portugal não vaiiiiiiiiii querer continuar a ser tão sangradiiiiiiinho como era! Aiiiiiiii, minha mãe lagarde, que isto nãooooo se faz, nós tão keriiiidos e tão compreensivos para os bons alunos e cheios de pena e de lágrimas de crocodilo pelos desempregados portugueses! Aiiiiiiiiiiiiiiiiaiaiiaiaiaiia!
Passado o funeral e sacudida a última lágrima, o maior órfão do Pai Orçamento Inconstitucional de Estado 2013, o menino Vítor Gaspar, tomou uma resolução. Depois de acender uma vela e rezar pela alma da mais recente santa Margaret, pedindo assim inspiração a essa padroeira da Austeridade,-- protectora dos sem-abrigo do Reino Unido, ontem falecida e já canonizada no templo  de Bruxelas (mesmo que fosse contra a União Europeia)-- fechou-se no gabinete e, ao fim de escassas horas, ao contrário do sucedido no Vaticano, saiu da  chaminé vingativa  da sua caneta um espesso fumo negro de decisão tomada. Negro de mais morte e de mais destruição: redigira e assinara um despacho.
 O que ordena no despacho? O bloqueio,isto é, o congelamento,  com mínimas excepções (  o pagamento de salários, o custear de actos jurídicos e de casos já em processamento) , das despesas correntes  dos ministérios (já tão esmifradas), sem autorização prévia do Ministro das Finanças. Dele e apenas dele, o Todo-Poderoso e dono da razão!
( Bem, mas afinal não estava tudo a ir por bom rumo e a " correr como previsto", nao fora o acordao do TC? Como previsto para quê? para quem? E congelar os gastos dos ministérios por causa de um chumbo que iria apenas contribuir com um 0,5 % do PIB? As dúvidas são legítimas)
Em poucas horas e de entre as várias reacções, o   presidente dos Reitores, António Nóvoa, já veio dizer que isso pode "congelar" por completo o futuro das Universidades ( laboratórios, papel, comida nas cantinas), o Bastonário da Ordem dos Médicos já responsabilizou o Ministro das Finanças, caso venham a morrer doentes nos hospitais, fruto desta medida ciclópica (mesmo que em tom suave, pedindo bom senso e que o governo terá de escolher entre manter vivos os portugueses ou renegociar o Memorando com a Troika). Para já, mesmo antes desta medida, já se tinha a notícia de que a vacina do BCG para as crianças estava esgotada e indisponível... Se agora o refornecimento estiver pendente da assinatura do maquiavélico Gaspar, o que sucederá?
Nem há mais palavras! Não escutam ninguém, estão cegos de fanatismo austeritário, o que cada vez mais aumenta a convicção de alguns de que fazem isto não porque acreditem piamente que vão salvar Portugal com estas medidas, mas porque estão completamente subservientes aos que servem de  verdade: os que querem arruinar os países mais pobres da Europa, para assim conseguirem mais proveitos para os que estão a enriquecer com esta "Crise".
Tanta estupidez, tanta cegueira, tanto fanatismo, já perdeu toda a tolerância da maioria dos portugueses.
No passado dia 2 de Março, por entre os muitos cartazes  de manifestantes que se destacavam e alguns que fotografei, estava o que vemos acima, a explicar a Gaspar o que era isso do Bom Povo Português: "Somos ordeiros,não somos  cordeiros - Chega de sacrifícios!".
Entendam: o povo é tolerante e calmo, mas não quer ser levado para um matadouro que não serve a ninguém (só aos que lucram do costume, os "intocáveis" do sistema financeiro e político e mesmo assim, no médio e longo prazos, até esses perderão).
Para o Gaspar, havia um cartaz apropriado, adequado a quem já só vê os seus modelos e está fora da realidade, quem se injecta de teorias económicas suicidas, delira em "trips" de despachos vários, sentindo-se todo-poderoso, um cartaz que agora se começa a entender melhor:
(c) Margarida Alegria (2-3-2013, Porto)

Às tantas... quem sabe ? :(

Margarida Alegria ( 9 de Abril de 2013, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

BD/CARTOONS:Um Regresso aos Mercados?

(c) Margarida Alegria (Janeiro de 2013)

(para as votações no concurso de blogs, ver a ADENDA no final deste post, uns centímetros abaixo)
É verdade: os nossos desgovernantes fizeram saber que ontem, dia 23 de Janeiro do ano da (des)graça de 2013, Portugal ia fazer um primeiro regresso aos mercados. E que tal se verificara por estes, os famosos "mercados", já tinham mais confiança em Portugal e na sua Economia, blá blá. E que o défice está controlado, dentro dos 5% delimitado pela Troika. Seria um primeiro "Teste" aos mercados.
Aqui está a notícia do Público de ontem:
Não explicitaram tão bem (pelo menos nas TVs) que esse regresso era um tanto artificial, ou seja, num certo circuito-fechado, feito essencialmente com recurso à "prata da casa", isto é, à compra e venda de dívida pelos bancos caseiros, nessa ronda mercantil. Nomeadamente o Banif (recentemente resgatado  de forma célere da bancarrota pelo Estado português) ou o BES, com o seu líder Ricardo Salgado a embandeirar em arco que isto era uma vitória  fantástica contra as malvadas "agências de rating" (como se não andassem todos "feitos"...).
Também não explicitaram que assim a dívida aumenta em 2,5 mil milhões (com juros lmais altos dos que aqueles que se estão a pagar à troika) e que o prolongamento de prazos que se interliga com este dia nos mercados (o tal prolongamento que os desgovernantes juravam a pés juntos não ser necessária e que jamais iriam pedir) é apenas com uma parte da Troika , o BCE, e que implica mais um malabarismo de engenharia financeira, assim ao estilo de Donas Brancas, ou do que fez Oliveira e Costa com o seu BPN: uma compra e venda do tipo "pescadinha de rabo- na -boca" que bem melhor que eu Nuno Teles,no blog "Ladrões de Bicicletas" explica aqui: "O Estado Português regressa aos mercados. Bem-vindos aos segundo resgate da troika."
Sugiro também a leitura do que  João Rodrigues escreve hoje nesse mesmo blog, neste post.
Nem explicam ao povo que este regresso nos amarra a mais uns tantos compromissos com o BCE (pelo menos), quem sabe se a tal moeda de troca de despedir mais pessoas(não os boys, claro, mas os funcionários públicos que entraram legalmente na Administração Pública por concursos e por mérito das habilitações), cortar em salários e pensões de forma definitiva, destruir os sistemas do Estado Social etc.
 Não sei porquê, todo este "teste de regresso aos mercados" faz lembrar aqueles teatrinhos que ensaiavamos entre irmãos em casa, tendo  depois como único público os nossos pais. Ou aquelas rifas  de associações e clubes infantis que, embora conseguindo vender umas rifas a alguns "estrangeiros" na rua, viam a mais larga fatia de "cravanço" económico (ou, em economês, "injecção de capital") na órbita familiar,com aquela avó ou tia simpáticas que acabavam por comprar o resto do livrinho de talões...
Em suma, as vantagens para os cidadãos portugueses são as do costume: nenhumas. Em nada abrandando a austeridade, o desemprego, as dificuldades para as famílias e empresas ( as que trabalham, não especulativas) portuguesas. Mas melhor que eu explica mais um post brilhante do Kaos.
Ou ainda este amargamente irónico post no  blog "Atenta Inquietude".
Mais uma mão cheia de areia lançada aos olhos dos cidadãos para abrandar as raivas latentes e o descontentamento crescente, uma manobra de malabarismo e propaganda para aliviar todas as constantes falhas de previsões , um golpe virtual  da finança especulativa (que é unicamente aquilo   de que Borgitos , Gasparitos e meia dúzia de moeditas  entendem um pouco) para iludir as consequências, no mundo da Economia REAL, das medidas erradas e até bárbaras que têm sido tomadas para nos empobrecer, paralisar  e tirar a soberania.
Daí de ter criado esta Banda Desenhada, pois sempre que anunciam o rutilante "regresso aos Mercados" é este tipo de Mercados que me vem à mente... sei que é humor muito negro, mas acho ridículo este tipo de politiquice de "amanhãs que cantam", cultivado por múltiplos quadrantes, quando a Economia deveria servir as pessoas (os cidadãos) e não o inverso: os cidadãos servirem até à miséria  e infelicidade uma "Economia" que se transformou num  perverso e suicida jogo financeiro de apostas de casino.
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Sei que prometera publicar uma BD sobre um motivo polémico e muito actual. Não era esta, que acabei por  Intercalar , pois a considerei mais urgente e "em cima da hora". O outro será postado amanhã, após a devida digestão deste. É um tema mais da área social e dos valores...
Margarida Alegria (24-1-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
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ADENDA- Concurso de blogs do Ano:
Continua a decorrer a Grande Final do Concurso "blogs do Ano 2012" Promovido pelo "Aventar". O nosso bloguito está para já em segundo lugar em Banda Desenhada, com cerca de centena e meia de votos. A votação é até sábado( inclusivé) e pode ser repetida cada 24 horas. Para votar:
Votem AQUI (clicar para aceder à página de votações) no "Alegrias e Alergias"  na Categoria de Banda Desenhada,cada um de seis dias, de 2ª, 21/1 a sábado, dia 26 de Janeiro,  cada 24 horas mais um minuto. Pontinho ao lado, clicar em "Vote!" em baixo e ver se aparece a frase em cima "Thanks for voting"; caso seja outra mensagem é porque  o voto não foi contabilizado pois não  passaram as 24 horas
 Os resultados serão divulgados dia 27.
Obrigada a quem  nos visita e a quem tem votado neste blog; mas ainda há "muito caminho" a amargar,por isso, peço mais um esforço de todos.
ATENÇÃO:A partir do fim do quarto dia (24-1-2013), as votações começaram a exigir, depois de se clicar no "Vote", a confirmação de que o votante não é uma máquina a votar, com o sistema de "verificação de palavras", isto é, cada votante terá de escrever/repetir os números e letras que lá pedem, numa "caixinha" , tal como se faz depois de se comentar em alguns blogues. Se o reconhecimento das palavras falhar (há algumas mais esquisitas) então o melhor a fazer é voltar atrás na janela, até aqui ao blogue , depois tornar a entrar e tentar de novo votar  com nova palavra-enigma... Peço paciência por mais esta maçada, coisas dos organizadores, para evitar certas fraudes e a votação ser mais justa, suponho, mas mantendo-se a possibilidade de votação diária para todos... Obrigada! Coragem, só faltam mais três dias...
NOVA ADENDA (25-1-2013): Amanhã, dia 26, mais uma manifestação de professores, com partida às 15h na P.ª Marquês de Pombal em Lisboa. Já custa ir insistindo para que mais gente se junte, não só professores mas todos os que defendem a Educação. Sobre isto já escrevi um post mais eloquente, para a de Julho passado, AQUI: http://margarida-alegria.blogspot.pt/2012/07/amanha-vez-dos-professores.html. Repito o apelo, pois a situação é cada vez mais grave...para toda a Educação Pública, para os professores, para as famílias portuguesas.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Esta noite SONHEI COM A EDP!!! :((

            A sério!
Nunca tinha tido pesadelos com este tipo de assuntos,mas aconteceu. Sonhei com a EDP, ou melhor, com uma sua factura.
É simples de relatar:
Chegava-me por estes dias uma conta da electricidade. "Outra?!", exclamava eu.
De facto, ainda há pouco tinha chegado a última factura e aquela parecia ser um lapso de serviços, ou uma mudança imprevista do prazo da factura seguinte. Eu ficava aflita, pois era um imprevisto no orçamento do mês. Pois, como todas sas facturas dessa empresa, engano ou não, tinham uma obrigatoriedade inexorável e impiedosa que eu não conseguiria combater (lembro-me sempre de uma das suas funcionárias, perante os juros de mora cobrados um dia, num suposto atraso meu a pagar, quando a factura chegara atrasada-- aqui em casa não se vai nisso de débitos directos...- "Não temos nada com isso. A EDP é uma empresa, com os seus compromissos." (leia-se centrada nos lucros certos e indiferente ao peso do justo serviço aos cidadãos).
Acordei então, nessa aflição, como sempre se acorda dos pesadelos. Não que não tivesse, por ora, meios para pagar uma nova factura, caso ela viesse, mas pois, tal  como no caso da "EDP é uma empresa", também cidadãos como eu não podem viver de incertezas mês a mês, já bastando aquelas contas inesperadas no mecânico ou um ou outro livro mais caro que se compre (um luxo, ou talvez possamos apelidar de luxo-bife,na imagem dos nossos desgovernantes e seus subservientes acólitos). Acordei , portanto, a pensar no dinheiro que ainda me restava na conta até ao fim do mês... e isso é felizmente uma preocupação que, para já, raramente me domina, pois sou poupada nos gastos, nunca vivi "acima das minhas possibilidades", longe disso.
Acordar de madrugada a pensar em dinheiro e em contas não tem piada nenhuma, nem que essa situação tenha tido origem onírica.
Dizem que os sonhos partem de misturas do que vimos, vivemos e sentimos quando acordados.
Lembrei-me então daquela senhora, em reportagem de TV de ontem, que recebera uma avaliação para IMI de mais 400 euros, numa casa de décadas avaliada como se tivesse 14 anos. Nem as facturas do que pagara de IMI pela casa, desde 1990, o que provava a antiguidade do imóvel, lhe valiam perante a insensibilidade cega da máquina trituradora do Estado, que nunca lhe respondera às reclamações (ou apenas no tal "Ah, está escrito pela Autoridade Tributária, tem de ser..."). Ia ter de contratar um solicitador para colocar o caso na Justiça. E recebia apenas uma pensão de cento e poucos euros!
E lembrei-me da aflição em que têm andado empresas e cidadãos, sem saberem quanto lhes vai ser pago em Janeiro, por o mesmo Estado  lambão ,que impôs cortes e aumentos de impostos, não tratou de fornecer os dados de cálculo para as entidades patronais quanto ao que deveria ser cortado e quanto aos duodécimos a serem considerados ou não.
Os cidadãos também têm a sua economia caseira, as suas despesas e compromissos mensais, mas são assim tratados por quem decidiu unilateralmente tanto esbulho fiscal.
Daí talvez a minha síntese destes e outros casos para um sonho, onde o Estado  e a sua injustiça sanguessuga se transformou na EDP ( e I wonder why logo essa empresa, tão coladita às benesses do estado, não é? LOL).
Hoje sonhei com a EDP... e não foi um sonho bonito. :(
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sei que este blog é essencialmente de humor, mas hoje o humor a existir surge só mesmo amargo, ou muito "analógico".
E por falar nisso, como expliquei no post mais abaixo sobre o concurso de blogs do "Aventar" ("votem! Votem!"), as votações estão suspensas até amanhã, lá nesse blog, por razões técnicas. Amanhã voltarei a fazer um post para as votações.
E aqui não houve imagem, também devido a problemas técnicos.
Mais logo segue-se um outro post, sobre outro assunto. Até loguinho.
Margarida Alegria (13-1-2013, in blog "Alegrias e Alergias)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Continuando a matança do porco...mealheiro! :(

Para já ainda a digerir o ANÚNCIO das novas medidas de hoje à tarde, via ministro Vítor Gaspar.
Como se previa, mais impostos, devolver um subsídio de um lado, para o retirar logo por outra via e mais uma taxa IRS extra blablá, para além da alteração (para pior) dos seus escalões.
Cobrar ao capital não resultante do trabalho? ah... depois logo se vê, quem sabe...
E ainda aqui:Forte aumento do IMI em 2013 e 2014 (e as outras medidas, in Público)
Depois da sangria do porco, já falta pouco para a "matança" para ainda tentarem  aproveitar a pele e os ossos...
Ah, mas de certeza que este nosso porco-mealheiro nacional,  "sangrado" e quebrado  por quem pouco ou nada amealhou nele, vai ter-- para além da orelheira, das tripas, dos pés para banquetes de coentradas dos "Mercados"--, uma boa víscera  extra para aproveitar (talvez para remédios, que não para os nossos): um repleto FEL, com a amargura acumulada por este povo paciente.
ATÉ QUANDO?!
(volto já, com algo mais a dizer...mas cada vez custa mais, numa época em que já não há quase palavras para classificar tanto roubo e tanta injustiça...)
"Alergia" ( 3 de Outubro de 2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Cigarras ,formigas e outros "Velhos Contos"(TRÊS cartoons da Série "Velhos Contos, Novos Tempos...")

(c) Margarida Alegria(Setembro/2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Três cartoons e segue-se um  texto.
(c) Margarida Alegria(Setembro/2012, in blog "Alegrias e Alergias")
(c) Margarida Alegria( Janeiro-Setembro/2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Para alegrar um pouco estas páginas, finalmente de volta aos cartoons, como prometido, depois de vários posts essencialmente de "causas" mais específicas (manifestações, vigílias...).
Amanhã saem mais dois, da série "Jejé e Companhia" e outros garotos desgovernados, dedicado ao pequeno Vitinho e sua avaliação e tarefas. Seguir-se-á a do Pepé e todos os outros miúdos terão vez, com destaque para o Migas, o Varito, mas também o Pauleco ... e com uma breve reaparição do  próprio Jejé, que se julgava livre de Avaliação, lá pelo colégio interno em terras de França. Mas então verão. O tempo e o ânimo escasseiam para finalizar alguns, porém o balanço de um ano "escolar" dos petizes tem de ser feito, não é?
Hoje optei por recuperar outros esboços quase finalizados para a outra série, a dos "Velhos Contos, Novos Tempos...", um deles já do início do ano mas que (por lapso...) ainda não publicara. Os  três cartoons estão por ordem inversa à cronológica, começando pelo mais recente, de um assunto dos últimos dias. O segundo andou a ser esboçado todo o Verão, tendo um último retoque  de "organdi" das últimas semanas. O terceiro era o tal esquecido, esboçado aquando da privatização da EDP e do escândalo das nomeações (pelos accionistas maioritários, do Império do Sol) para administradores semi-reformados pagos a peso de ouro.
Recapitulando:
o PRIMEIRO, obviamente glosando a fábula da Cigarra e da Formiga, mas sem esforço de adaptação, pois o próprio governante deu o mote com todas as letras: um tal Miguel de Macedo, ministro da Administração Interna de voz metálica, disse aquela primeira frase há dois dias, sem tirara nem pôr. Alegou mais tarde  que quisera  gabar os empresários e outros empreendedores, mas o dislate caiu logo que nem bomba no país de sensibilidade  "em carne viva" , pois lembrou outras frases, até do nosso PM, sobre uns tais portugueses que eram "piegas", dos que eram gorduras do Estado e pesavam no orçamento da Administração Pública como "despesa" dos seus ... salários (leia-se: todos os Funcionários Públicos, geralmente mal pagos), sobre uma senhora de idade   a quem ele sugeria que pegasse numa enxada ( ainda antes de ser eleito, registado em video!) e outras pérolas da sensatez e  do tacto infindos revelados por este governo para designar a maioria dos portugueses por quem deveriam ser responsáveis e que deveriam defender e respeitar.
Cigarras são tantos dos  jovens boys "assessores-especialistas" , inexperientes contratados para os gabinetes,  bem  como boa parte dos políticos e desgovernantes que espoliaram Portugal ao longo de 38 anos da dita democracia.
 Cigarras disfarçadas de formigas são aqueles que continuam a reclamar "menos Estado" mas só para os outros --os que precisam de um bom Sistema Nacional de Saúde e S. Educativo, os que descontaram anos a fio para a Segurança Social e que vêem esse dinheiro andar por parte incerta (e quase entregue aos empresários, como queriam com a distorção da TSU)-- enquanto vivem de pedinchar e até exigir ao mesmo Estado dinheiro a rodos para as suas empresas ,tantas vezes de monopólio, ou para  as suas Fundações e contratos   "blindados" de PPPs. Há que pedir menos Estado para os pobres e classe média, para mais do bolo restar para continuar o banquete. Nisso consiste o tal pseudo-corte de "gorduras" e as inefáveis mas nunca devidamente definidas "mudanças estruturais", outro chavão do políticamente correcto tantas vezes regorgitado pelos comentadores da nação e "especialistas" lava-cérebros.
Sim outras cigarras serão esses que monopolizam a opinião dita pública e que, ressalvando alguns mais imparciais, cantam a sua cantiga a toda a hora, sabe-se lá a troco de que mesadas e de quem...
Bela cigarra insensível foi Passos Coelho, quando foi cantar, no espéctáculo de Paulo de Carvalho, o "Chamava-se Nini/ vestia de organdi e dançava..." , minutos depois de ter lançado as bombásticas medidas draconianas que foram a gota de água da "paciência" do povo, que "transbordou"  de indignação no passado dia 15 pelas ruas de todo o país
O SEGUNDO cartoon, que como vêem adapta o conto de Andersen "O Rei vai Nu": a situação geral com os palavrões que se infiltraram no nosso vocabulário, no último ano: Troika, "Ajustamento", o "regresso aos mercados"... seja o que isso for, quando lá voltarmos de cesto debaixo do braço mas bolsos vazios. E  sugerindo ainda os "cortes" o não sermos "como os gregos" (esses valdevinos que os troikas alegam que não pagam impostos! Como se dirá "cigarras" em grego?), embora já estejamos a segui-los em passos largos(por aplicarmos  a mesma receita suicida, que não resulta...), nós, os "bons alunos da Troika" e da senhora Merkel, até à miséria, à bancarrota final. E tantos outros palavões vazios e falsos, que podiam ser substituídos por uma frase só:  vampiros da "Transilvânia" transnacional alegarem uma dívida para sugarem um país inteiro.
Bem, o meu tom não está de facto muito alegre ou optimista, valha um sorriso que os cartoons consigam suscitar.
O TERCEIRO já expliquei acima. Lembram-se que na altura o Catroga alegou em entrevista que provavelmente fora escolhido pelos chineses numa espécie de catálogo com fotos e nomes conhecidos? Pois porque não poderá a nossa princesinha da nova versão do Conto de fazê-lo também, para não perde tempo? Não me lembro do nome do conto, mas é um em que uma princesa caprichosa recusava todos os seus pretendentes por serem velhos, novos, baixos ou altos etc e a quem o rei acabou por impôr o primieiro homem que passou pelo castelo, no dia seguinte. Há várias versões, desde o que foi escolhido inocentemente, ao que sabia ds decisão do rei e a "contornou" com esperteza para ganhar a noiva...
ATENÇÃO! Estas anotações não são para apelidar os leitores de "estúpidos", mas simplesmente para meu próprio registo e reflexão e ainda para algum leitor que possa viver em outras paragens e não esteja a par das peculiaridades deste nosso "rectângulo à beira-mar plantado".
Voltando a explicar a origem desta série de  cartoons (fi-lo algures, noutro post antigo): começaram no Facebook, para divertir amigos. Um bloquinho, o fundo de uma caneca de leite para desenhar a "moldura". O desenho miúdo encaixado no círculo (como reparam não dá margem para muito). E como Contos e fábulas tradicionais, tão antigas, são sempre actuais , quando pensados para certas situações e personagens dos diads de hoje.
Se quiserem ver os mais antigos, basta clicar no separador no cimo desta página e aceder a outra de título "Outros cartoons da Alegria", com arquivo do dito (é uma página ainda a ser aperfeiçoada).
Por outro lado, se quiserem aceder à colecção de cartoons que venho publicando (desta série e outros), basta clicar na etiqueta "Cartoons" (ao fundo do post, ou no índice Temático de todo o blogue, na coluna da direita).
E pronto, amanhã há mais. No entanto, como disse, da outra série, "Jejé e Companhia", também devidamente etiquetada.
Divirtam-se um pouco, dentro do possível, embora os tempos não estejam para largos raios de sol...
Margarida Alegria (26-9-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Vigília frente a Belém: algumas reflexões enquanto decorre o Conselho de Estado


Já tinha bem adiantada uma outra reflexão que estava a redigir sobre a Educação e a Vigília (e outras iniciativas) por ela, mas hoje é uma espécie de dia D num salto em frente na nossa Democracia. Tem prioridade, pois, falar dos eventos deste dia e o texto sobre a Educação ficará bem para o fim-de-semana, junto a uma boa mão cheia de novos Cartoons ( desta vez é garantido, de tantos que já estavam rascunhados e outros mais recentes!) .
Decorre neste momento, há mais de duas horas (desde as 17h), no Palácio de Belém, uma reunião do  nosso Presidente com o seu Conselho de Estado, sobre a Crise dos últimos 15 dias.
À porta do palácio, nos jardins, à mesma hora, começou uma Vigília dos cidadãos, enquanto decorrer a reunião. Parece que começaram por entoar o "Acordai!", do maestro Lopes Graça, bem como os slogans principais da Manifestação nacional do passado dia 15. Deles se destacarão provavelmente o "Queremos a nossa vida de volta"....ou "gatunos!".
E o "Cavaco escuta, o Povo está em Luta!":
Por estar longe e impossibilitada de estar lá ou em outras vigílias ou acções um pouco por todo o país( Aliados no Porto, Évora, Faro, Aveiro..), optei por ACENDER UMA VELA, desde a hora do início da reunião e ouso a pequena sugestão  para que façam o mesmo em vossas casas. Podem não ser 21  como as pessoas que estão no Conselho de Estado (CE), mas uma ou duas, simbolicamente,para que haja bom senso respeito pelo povo  e amor ao país naquelas cabeças pensantes em Belém.
 O PR e outros políticos andaram toda esta semana a simular que a verdadeira razão do Conselho de Estado (CE) foi a "Crise política institucional" entre os dois partidos da Coligação PSD/ CDS-PP. Mas os portugueses espertos, a larga maioria , exceptuando o PM e alguns ministros, sabem perfeitamente que o que fez tremer os políticos foi a inequívoca recusa da continuação da Austeridade nestes moldes desvairados,  na Manifestação Nacional  do passado sábado, convocada pelo Facebook e sem manipulações partidárias,pelas ruas das principais cidades de Portugal. Cerca de UM MILHÃO de cidadãos de todas as condições sociais , idades e quadrantes políticos fez ouvir a sua voz.
Durante esta semana, políticos e alguns comentadores e cronistas andaram a disfarçar a coisa e a tentar desviar as atenções para as intrigas palacianas dos partidos e desgovernantes: que ministrosXPT e O concordavam ou não com as medidas anunciadas no dia 7 de Setembro por Passos Coelho, que pensava o PSD, que pensava Seguro e o PS, que pensava o parceiro de coligação, CDS-PP e, sobretudo, o seu líder,Paulo Portas, que ,no dia seguinte à manifestação, depois de um teatral "Tabu" sobre se alinhara ou não nas medidas, aproveitou para surfar na Onda da Manifestação. Tarde de mais já, a meu ver, pois saltou à vista o seu oportunismo "ao estilo de Maquiavel" e não o patriotismo que apregoava. Se não concordava, não deixaria que se fizesse tal anúncio. Se PPC fez o anúncio para dar o caso por consumado , à revelia de qualquer Concertação social e aconselhamento (o que me parece ter sido a razão da escolha estranha da data e hora, não tendo a Troika terminado a sua 5ª avaliação então!), então Portas deveria ter-se pronunciado logo e não esperar que a medida "colasse" e passasse despercebida aos cidadãos que eles julgavam anestesiados....
Já antes, A J Seguro, do PS, demorara séculos a reagir ao anúncio das (des)medidas.
Por seu lado, os ministros passavam culpas entre si, sacudindo responsabilidades na iniciativa, ficando Mota Soares, ministro da Solidariedade e  Segurança social mais entalado, mas outros andando nas bocas das notícias, em passa culpas igualmente entre os dosi partidos da coligação. Uma tristeza de se ver e que comprovou que a maior parte vive em tal redoma da politiquice partidária que não entendeu NADA do que o povo reclamara na Manifestação!
Paralelamente, PPC, Gaspar e até o pequeno Secretário de Estado, Moedas de sua graça, insitiam na "bondade" da sua nova receita para bem empobrecer o país, em entrevistas e colóquios vários: PPC dizia que  não vai alterar mas pode vir a "modelar" o aumento da TSU (Taxa social Única) para os trabalhadores, ficando de fora os mais pobrezinhos (até aos 700 euros de salário) e deixando o corte para os "ricaços" que ganham 700 Euros ou mais(classe média, como sempre, claro...)! Vítor Gaspar, que chamou à "modelação" outro "palavrão" que agora não  recordo..., na Alemanha, cinicamente ao seu estilo, gabou o civismo dos portugueses nas manifestações e teve a LATA de dizer que os cidadãos não pediram  o fim da intervenção da  Troika, mas o apressar das medidas de austeridade para depressa pagarem a dívida! (!!!!!!!!!!!!!!!). Deverá ganhar o prémio de tradutor do ano, o Gaspar! Por sua vez o Moedinhas,que rebaptizou a "Modelação" da TSU de "calibragem",  numa palestra aos empresários, passou um ralhete aos muitos empresários que haviam criticado a alteração da TSU! Alegou que esses eram as empresas pouco dinâmicas, que temiam que esta medida fosse colocar à sua frente os outros empresários mais arrojados, como o Governo gosta, que aproveitariam bem a medida! Foi de arregalar os olhos ver a reportagem e escutá-lo e ver as risotas disfarçadas dos presentes! :///
Ontem os partidos da coligação reuniram-se e resolveram... criar uma CCC, Comissão de Coordenação da Coligação, ou seja, um "grupo de trabalho" para se espiarem e controlarem uns aos outros. Lindo!
Entetanto, lá remendaram mais umas medidas, para taxar os bens de luxo. Corajosos, hen?: passaram a taxa de 25% para uns fortes e implacáveis... 26,5%!!! UAU!!!! Mas incluem nesses bens taxados... as Contas a Prazo! UAU... suponho que todas! Equidade! Equidade!
Portanto,  uma semana vergonhosa esta, para os governantes, a culminar esta manhã no Parlamento, onde PPC parecia o desaparecido José sócrates seu antecessor, mas em versão mais suave: o gabar-se da DETERMINAÇÃO, o culpar de tudo os seus antecessores (em parte verdade, mas algo que prometera não fazer), o autismo em relação às questões colocadas pelos deputados, a graxa desmedida e questões combinadas com os deputados da coligação... uma tristeza. Seguro esteve um bocado mais dinâmico que o habitual, mas não se consegue descolar da sua imagem de "abstenção violenta" com que foi deixando passar más leis  laborais e outras, nem o fantasma do desvairado Sócrates e de como nunca teve a coragem de o enfrentar a sério quando devia...
Espero que os Conselheiros de Estado tenham eles compreendido na totalidade o sentir do País, pelo menos pelos muitos mais anos de vida em média e bastantes mais anos de experiência política, muitos deles em tempos agitados. Que façam valer o que custam a Portugal , na reunião, que espero que seja longa, discutida e suada e não um cházinho de "tias" da nação.
No entanto não espero grande coisa deste CE. Daí acender a vela que mencionei. A ver vamos.
Que se lembrem que o que os portugueses, sob o pretexto de um PM e Governo obcecados em serem vistos como "bons alunos" da Troika "lá fora", não admitem continuar a ser usados como COBAIAS, ratinhos de laboratório para experiências de macroeconomia nunca testadas, nem em pequena escala, muito menos num país inteiro!
Não tenho tenho grande esperança nestes conselheiros, onde grassam tantos que têm enriquecido e vivido às custas do Sistema da nossa democracia (vá lá, já não são Conselheiros Almeida Santos nem Dias Loureiro!).
Poucos são os mais impolutos, caso de um Ramalho Eanes, que recusou ascender a Marechal com as sua prebendas, ou talvez o Provedor de Justiça, ou o presidente do Tribunal de Justiça . Embora lento e dúbio em tantas decisões.
Até a sorridente e ainda jovem Presidente da Assembleia é uma das recordistas de políticos  Reformados no activo. E ainda outra senhora, ex-ministra da saúde que outrora se deveria ter demitido e julgada por cumplicidade no caso dos hemofílicos que morreram (vítimas dos lotes de sangue contaminado com VIH/SIDA, com conhecimento da senhora, lembram-se?). E há ainda os fanfarrões jardinescos,ou os comentadores encartados mas que fugiram de responsabilidades de  exercerem o poder,  ou todos os que já governaram nestes 38 anos e que foram iniciando  este processo de destruição de direitos... que tenham devoção pelo Pais agora e esqueçam os seus próprios interesses, ao menos pensando nos netos, não concordam?
E há os casos daqueles mais oportunistas embora com algumas qualidades noutros domínios, caso de LF Menezes que de certeza vai dar ainda mais graxa a PPC, para que este o continue aapoiar para concorrer a Presidente da Câmara do Porto...
Os pesos na balança da Sabedoria  no CE não caem muito a favor da Soberania do Povo...
Fala-se em remodelação do Governo... Que adiantaria?!
Usar o Gaspar como bode expiatório e remodelá-lo
 ?! Areia para os olhos! (alguns jornais já lhe estão a "fazer a folha", os mesmos que antes o achavam o máximo e um Guru. Não simpatizo com o senhor, não o acho "kiduxo" na lentidão, mas sempre o achei cínico e  li a sua  "lentidão" como mera sobranceria pelos deputados e pelo povo, do alto da sua famosa folha Excel (hoje parece que levou toda a parafrenália para explicar as suas ideias e números, em Power points e plasmas), no entanto, penso que ali o mais fanático é PASSOS COELHO, pois Gaspar é apenas um frio técnico que experimenta em modelos. Fanático , ignorante e deslumbrado com Merkel e estes gurus da Escola Godman-Sachs, repito, é Coelho! Escrevam!
Também não alinho com a tal calibragem da TSU. O truque do costume: anúncio alarmista... "calibragem" nuns detalhes para manter a Canga sobre o Zé-povo e classe Média...Comparem quem mais paga TSU entre os trabalhadores europeus. Só a Alemanha e a Áustria, mas com outras compensações e regalias!
ALGUMAS IDEIAS:
Cortem nas mordomias do estado, "desblindem" os contratos perdulários das PPPs, deixem de pagar às fundações particulares e cobrem alguns impostos a parte delas. Especialmente as fictícias para fugir aos impostos(a cada 12 dias nasce uma nova fundação, e, Portugal e não costumam ser fiscalizadas, uma festa!). Acabem com as que não têm mecenas ou verbas próprias!
Não permitam que as empresas coloquem a sede em países estrangeiros e taxem o dinheiro que "voa" para off-shores, incentivando quem deposita cá.
 Passem a ir de transportes públicos para os ministérios. Deixem de contratar consultores de luxo externos e aproveitem a muita qualidade de tantos funcionários que estão já a Administração Pública e que são exemplo de dedicação generosa e honesta à causa pública. Diminuam os salários e ajudas de Custo aos assessores e gestores públicos. Deixem de pagar o buraco do BPN e do BPP... Renegoceiem os prazos e juros da dívida e separem o que é mesmo dívida Pública do que é dívida privada emcapotada, fazendo-a pagar por quem a criou. E prendam os políticos e gestores mais criminosos nos buracos criados, confisquem-lhes os bens, em vez de continuarem a mentir  e acusar os cidadãos honestos de terem vivido Acima das suas possibilidades! Os desgovernantes é que têm andado a viver à custa do Estado e  a gozar connosco ACIMA das NOSSAS possibilidades!E dizem que não damos alternativas? Eis aqui algumas!
Em suma, senhores conselheiros,
não se deixem levar nas conversas dos mesmos de sempre e pensem que se aprovarem disparates, o povo vai voltar a dizer ainda com mais força:
(e sugiro aos portugueses que, caso a pantominice continuar,que coloquem um pano negro ou branco com a palavra "basta" às varandas, como quando se colocou a bandeira portuguesa nos futebóis. E até um acrescento, parafraseando o célebre "qual das palavras "Não Há dinheiro" não entendeu?".... de V. Gaspar: "Qual das letras da palavra "BASTA" é que não entenderam?"
Por agora, como milhões de portugueses, cá fico à espera, com as minhas velitas acesas de alguma esperança, na minha vigília.....
Margarida Alegria (21-9-2012, in blog "Alegrias e Alergias")