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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Frente à DREN-Porto (concentração de docentes,24 de Julho de 2012)

(c) Margarida Alegria (Porto, 24.7-2012, foto de telemóvel. "Destruir a Escola é arruinar o País")

(c)Margarida Alegria (Porto, 24-7-2012, foto de telemóvel . O Cartaz daquela colega diz: "Os professores são o Sísifo da Educação")
Finalmente com rede e tempo suficiente para postar aqui um apontamento sobre a recente concentração de docentes da semana passada.
Neste caso, trata-se da primeira delas, no Porto, frente à DREN, no dia 24 de Julho.
Àparte o sempre revigorante reencontro com com colegas de outras lutas, sobrou um amargo de desilusão, por isso estou sem muitas palavras(ou menos que o costume, eheh).
Balanço: no Porto dizem que uns 300, que nem enchiam as ruas; em Coimbra, no dia seguinte, uns 600, (vá lá... será por ser a terra do Mário Nogueira?);  em Évora as notícias falam em meia centena e ... aí é que é mais sintomático da desmobilização...em Lisboa, frente ao MEC, dia 27... uns 150! :(
Bem, mas à noite do dia 27, nas TVs ,lá veio  Mário Nogueira cantar uma suposta vitória dos docentes , numa  reunião nocturna com o ministro ( sem  ceias  de pizzas e ou assinar de documentos, desta vez, menos mal!), o que baralha um pouco para quem na segunda-feira se indignara pela recusa  pelo MEC de uma reunião conjunta (sindicatos de docentes, s. de inspectores, Ass. de Pais, ass. de psicólogos-- todos finalmente unidos)!
Foi uma história mal contada: M. Nogueira a reclamar uma vitória e o Ministro a explicar que apenas escutara com atenção e prometera analisar os problemas apresentados... e a dizer que não havia grande contestação docente! :( VER AQUI o VIDEO da sic que resume os depoimentos.E não se fiem na voz suave nde NCrato a desvalorizar a contestação).
Bem... as minhas/nossas horas na concentração:
-Bandeiras brancas do SPN, uma rua providencialmente não muito aberta ao sol que, esse sim se manifestava  em força nesse dia;
-reencontros alegres e conhecimento pessoal de mais alguns docentes e docentes-bloggers, desalentados de lutas mas presentes;
-Discurso de Mário Nogueira que, como de costume era fluido e estruturado, mas que não me pareceu nos melhores dias de ânimo nem de convicção, embora prometendo o reforçar da luta...
Logo estranhei que começasse a dizer que na segunda ATÉ teriam consentido reuniões separadas, CASO apenas o MEC tivesse sido leal a marcar esssa agenda, em vez de marcar encontros a horas diferentes para os vários representantes, mas com estes a julgar que a hora que tinham recebido era para a reunião conjunta que haviam pedido também EM CONJUNTO;
-Leitura do documento a entregar ao director da DREN- Alguns docentes queriam falar? Lá foi um ou outro discurso de apelo... segue-se música Joséafonsina, lai larai....
- Mais de uma hora de espera pelo regresso da delegação ao interior das instalações da DREN, temendo alguns que afinal a Tellepizza tivesse passado também por ali;
- Saída com a súmula da reunião: o director da DREN fora afável,  blablá e dissera que os directores é que estavam a ser alarmistas, muitos é que não haviam interpretado bem a Lei e normas fornecidas pelo MEC (!!!), enfim...
- Novo discurso de despedida pelos delegados da Fenprof, com um remate bastante desconcertante para todos que esperavam mais: que  a 5 de Outubro haveria uma brava iniciativa e coisa e tal e... que no arranque lectivo seriam pensadas acções.. SIMBÓLICAS! "simbólicas"? O despedimento dos  colegas contratados(e poucos estavam lá... como  costume...!) está longe de ser "simbólico"! Nem tão pouco o enviar para a prateleira de transição do DACL e dos horários zero tantos milhares de professores que deram os melhores anos das suas vidas à causa e ao ensino Públicos! Bandeiras nos portões? palavras de ordem? folclores?!
Sobre isto deixo aqui um post do Luís Costa, do belo  blog "DARDOMEU", que exprime muito melhor tudo o que eu também senti e gostaria dedesabafar(Aqui: LUTA MARIQUINHAS). Confesso que foi também essa uma das causas que me levou a ficar sem palavras nese dia e seguintes, para completar este post e ir apanhar um pouco de sol! Hoje sempre há já uma salutar distância do dia em que escutei aquilo! (Ai boas férias  colegas... e em Setembro vamos ver... e em Outubro a luta continua...) Eu até procuro participar em tudo o que posso, mas... os nossos colegas estão com a vida profissional e familiar em jogo! E não vamos aceitar meros remendos, que só vão adiar o sacrifício humano mais uns meses! Temos de obrigar ao rasgar destas regras economicistas e fazer ver que sem docentes nem sequer o serviço mínimo a que querem reduzir a Escola Pública pode funcionar! Como fariam se parássemos no início do ano lectivo? Iriam  colocar os seus "assessores-especialistas-da-treta"  com "equivalências" e quase iletrados a dar aulas aos miúdos? Até seria interessante observar... Temos medo de quê,  professores? Não nos roubaram  já quase tudo?! Agora levam-nos a dignidade final e a subsistência...e... boas férias?!
- EPÍLOGO: desfaz-se a manifestação, alguns vão refrescar-se ao café defronte e conversar um pouco antes de voltar a casa. Ah, um geladinho, enquanto ainda sobra algum para esses mimos tão... "acima das nossas possibilidades" de ... "perdulários-piegas"!
E um telemóvel que quase ficou perdido por lá! :/
FIM DO EPISÓDIO ( devidamente Agendado)
Margarida Alegria (30-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
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NOTA de VERÃO: durante estas "férias" , centrarei os meus posts na divulgação de notícias mais importantes da Educação, no completar de posts mais antigos que ficaram esquecidos em rescunho (temas diversos) ,no completar e arrumar das páginas de Cartoons "Jejé e Companhia"(cartoons criados antes deste blog) e "Outros Cartoons"(do Facebook), lá "em cima" e sobretudo em vários episódios novos de cartoons da série dos nossos garotos (Jejé, Pepé... e Companhia). Como ainda estamos em Julho, procederei ao relato da Avaliação desta garotada, com a aparição do Nuninho que, como grande génio com que vem etiquetado, vai ser logo o primeiro a ser avaliado .! A partir de amanhã aqui o terão e aos outros em dias seguintes, Vitinho, Varito, Pepé...etc....e até o Jejé, que cá voltou de férias do colégio francês.
Quem não conhecer os restantes cartoons da série terá apenas que  procurar e clicar na etiqueta "Cartoons" , na ementa de Etiquetas ao lado direito desta página do blog, e/ou na etiqueta "Jejé e Companhia".
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Seguem-se agora dois posts breves  e essencialmente  gráficos sobre a situação educativa...

terça-feira, 19 de junho de 2012

Novidades do Mundo Educativo...

Com alguns  comentários,mais curtos ou mais extensos, várias das últimas novidades do Mundo da Educação em Portugal (os títulos são os links, como habitual):
Tudo bem, assim a frio, não será daí que virá maior mal ao mundo. Mas... é PARA QUÊ?
 É só para não ficarem umas disciplinas a "rir-se" das outras? É para transformar a escola em aulas de preparação para testes? É para verdadeiramente aferir o sistema? É só para melhor penalizar... digo,  "avaliar" os docentes? É mesmo por um maior rigor nas aprendizagens, ou é para dar mais um filão de negócio a centros de explicações, a centros criadores de testes, quem sabe se a correctores externos de testes (pagos a peso de ouro, ao contrário dos escravos do sistema, já que cada vez confiam menos nos docentes que o próprio MEC emprega)? Ou é para dar apenas a IMAGEM de rigor? Ou é, muito provável hipótese no reino da pseudo-meritocracia e do novo darwinismo social-- destes boys que sempre foram amparados e cunhados nas  suas próprias vidas --a forma de fazer a triagem(já lhes ouvi mais que uma vez este termo) entre "castas"de cidadãos cada vez mais cedo?
Como disse acima, acho que ,a haver subjugação constante a exames, ao menos que seja a tudo (mas mesmo tudo!), para depois não se dizer que umas disciplinas valem mais que outras. Resta saber  se é no Sistema da Examocracia, a juntar ao da Bu(r)rocracia já vigente, que vai a Educação Portuguesa plantar as suas raizes, como se fosse uma panaceia Universal, ou se afinal sempre se traçam ou não metas e propósitos gerais educativos, uma noção clara do que se entende  por Educar os alunos na plenitude de seres humanos que são (e não apenas activadores de uma ínfima parte dos seus cérebros, excluindo a criatividade e a arte, por exemplo). A ver vamos em que dá mais esta "Pré-medida " assim lançada para o alarme dos jornais e TVs.
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Algumas alunas/os  do 12º ano,do Porto, criaram um "movimento" de protesto contra os exames nacionais. E esta, hen? Começaram a colar cartazes e pelo Facebook querem alargar o protesto a todo o país. Dizem que não é pelo facilitismo, mas antes pelo contrário, para que o Sistema seja mais justo (por exemplo nos tantas vezes aberrantes critérios de correcção) e  sobretudo de Avaliação Contínua e não continue a favorecer quem tem mais possibilidades económicas e/ou de apoio:
Vamos ver no que dá, mas , a haver protestos contra o que seja, estes já não devem ser só da parte dos professores e seus sindicatos, senão só consideram que estamos a ser "corporativos"...
Espera-se igual energia dos Encarregados de Educação. E espera-se que os autarcas, por seu lado , não usem só os custos educativos como chantagem contra o corte de verbas do Governo central para os seus Municípios. Se têm vereadores da cultura e da Educação, estes deveriam lutar, também e sobretudo, pelas questões EDUCATIVAS.
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E esta que vai continuar polémica:
O ministro diz que é para situações temporárias e não para criarem as famosas "Turmas de Nível" discriminadoras. Se for assim, pode resultar, julgo que será um pouco como  o sistema das  chamadas "Assessorias" já usado por certas Escolas. Isto desde que permitam um verdadeiro trabalho em co-docência, com condições e tempos para tal e não um dividir de turmas entre os desgraçados que leccionam a estes grupos difíceis até ao fim da carreira, para aliviar outros que poderão continuar com as mal disfarçadas turmas de élite dentro da mesma escola. Sempre houve esse sistema subterrâneo e sempre existirá ( nos meus tempos de estudante eram as famosas turmas da manhã, nem que o resto dos Ano de Escolaridade fosse todo no turno da tarde) mas há que limar as arestas desse tipo de manobras, em vez de atirarem as decisões todas para directores que variam em bom senso, sentido de justiça e até em grau de preocupação com a verdadeira evolução dos alunos. E fazer tudo para consolidar uma verdadeiro combate à indisciplina, que esse sim seria meio caminho andado para combater o insucesso, num curículo que nem é assim tão exigente, como constatam os mais diversos alunos ucranianos, moldavos e russos imigrantes, que quando cá chegam fazem um brilharete!
Porém, uma medida destas, vinda de um MEC que preconizou turmas de 30 alunos, alunos com NEEs aos molhos integrados em turmas grandes e mega-agrupamentos escolares(ai é "Unidades Organizacionais que se diz, não é? Já há novo logotipos na forja?), parece apenas um paliativo para se poder dividir um pouco algumas turmas noutras mais pequenas e minorar o descalabro...
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E outra curiosidades:
Pergunta: MAIS AINDA?!?! Pois pedem para o "se(c)tor privado"... ainda se pedissem para as Escolas em geral... :///
E, já agora, não querem ainda mais subsídios do Estado? Não chega aquilo em que foram aumentados este ano, ao arrepio dos conselhos da famosa "Troika"?
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E ainda:
Ups!!! Sorry! Ai isto é em Timor-Leste... Por momentos julguei ler um dos chavões que também se usavam por cá até não há muito tempo. E até uma canção do "desaparecido" cantautor de protesto, Sérgio Godinho de sua graça. A comparar com a  letra dessa canção, só faltam estes items aos Timorenses, pois a Paz e o Pão por lá já não devem faltar a rodos (a paz eu sei que resiste, graças a homens de Paz como Xanana, já o pão...).Bem, pelo menos os timorenses não perdem de vista quais são os bens essenciais a um povo, nem que seja por ideal de campanha política. Por  Portugal, nem isso. Já só têm os ideiais de: liberalização dos despejos, negócios na Saúde e Educação,ou seja, Habitação,  Saúde e  Educação só para alguns. (que suponho serem  os "esforçados" não piegas e não preguiçosos e que querem pôr Portugal a "mexer"--- hum...  os "portugueses-mexias"?--, a acreditar nos lindos anúncios de Galps-criança, CGDs e outras empresas "autónomas" e destemidas, criadas com belos fundos comuns dos nossos impostos....). Adiante...
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O que diz a Associação de formadores de adultos sobre o programa "Novas Oportunidades":
ASSOCIAÇÃO FAZ AVALIAÇÃO DIFERENTE DO GOVERNO ÀS NOVAS OPORTUNIDADES
( in Público, ontem))
Concordo, em vários pontos com o que dizem. Por razões que um dia aqui explanarei. Isto de andar a saltar de Programa e programa e experiência em experiência educativa, sem nunca fazer o balanço verdadeiro das situações nem sondar "as bases" é um dos grandes males do país e do nosso Sistema. E não é só com as NO. O que houve neste caso foi criar mais uma "comissão liquidatária"  das NO, sem mais, com um parecer do Instituto Superior Técnico que nunca me lembro de ter sido citado como acompanhante deste Programa ou outros, a extinguir tudo de uma assentada. Ou como se para avaliar o Ensino Básico fosse só pedir pareceres de profs Catedráticos das Universidades distantes, ups! isso é o que fazem sempre também, não é?... pois. Darei outro exemplo, mais "chão". É como se, para avaliar a beleza da Branca de Neve, fossem buscar a opinião, nem sequer dos seus pares, ou dos príncipes, ou do espelho Mágico, mas dos Duendes subterrâneos da sub-cave da Fossa das Marianas, ou os feiticeiros estrábicos das ilhas Bora-bora, ou até, quem sabe, da rainha má sua madrasta!
As NO tinham muitos defeitos e sou das primeiras a dizer, mas havia que aproveitar o que prestava e deitar fora o resto e não defraudar mais uma vez os cidadãos nas suas expectativas. Há formandos que não mereciam estas N.O., mas há muitos outros de inteligência e capacidades (que não tiveram hipóteses de estudar mais noutros tempos) que agora se poderão de novo retrair a completar os seus estudos. Ah, mas se vão todos emigrar, ou se vão para caddies  de golfe ou empregados de resorts, isso também já não interessa, pois não? Balanços para quê? Isso até nem os próprios Ministérios fazem às suas despesas, para quê "balançar"?
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E se lessem um título como o que se segue, sobre os Exames nacionais que começaram ontem:
FIABILIDADE DOS CORRECTORES DOS EXAMES NACIONAIS POSTA EM CAUSA (sem link)
 o que pensariam?
Exacto! "Coisa e Tal", Correctores = Professores, esses malandrecos não são "fiáveis",e tal...Ai Céus! o que vai ser agora?!
Pois bem, era essa a chamada de primeira página (em papel) para a notícia que vinha no seu interior, de título um pouco diverso...
"RESULTADOS DOS EXAMES NÃO DEPENDEM SÓ DO QUE OS ALUNOS SABEM" (sem link)
Bastante diferente, não lhes parece? Estiveram mal, senhores do "Público"!Não se faz...
 A notícia fala entre outras coisas
de um estudo no Reino Unido sobre a fiabilidade dos Exames, sobre a falta de avaliação mais completa por parte de perguntas como as de escolha múltipla(um dia me dedicarei a discorrer sobre esse primor educativo) e , pelo que entendi, acaba por salientar a importância do bom senso Humano na correcção das perguntas de maior desenvolvimento, por contraste com um mais desumanizado e apertado critério de correcção de questões que se pretendiam mais imparciais! E esta? Traduzindo: no fundo as perguntas que implicam o "justifique" etc avaliam melhor as reais capacidades dos alunos e são sujeitas a uma maior abertura na correcção e daí até a menos perguntas consideradas totalmente erradas. E que a Matemática , como a Português e outras disciplinas, o abuso de perguntas de escolha múltipla (incentivado pelo Ministério ao longo dos últimos anos, sublinhe-se) deveria recuar, para dar lugar a questões que pusessem os saberes em prova, como na Gramática, ou os problemas Matemáticos. Mas posso ter lido mal e não sei se a notícia online estará diferente, Ei~la, esta já com Link:
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E esta para relaxar um pouco:
"CADA EXAME DEMORA ENTRE 12 a 14 SEMANAS a SER CONCEBIDO"
(ionline)
Bem... tendo em conta o tempo e esforço de... concepção, é caso para nos perguntarmos, nesse caso, quantos meses terá tido a sua... "GESTAÇÃO"! :))))
Pobres professores ligados ao GAVE...
hum... cof cof...adiante...
(Já para a correcção, não importa que os professores percam as suas férias,sejam obrigados a frequentar acções de formação "sobre correcção", sem  qualquer préstimo e sem dispensa de aulas, em tempo delas,  ou que acumulem tarefas sem direito  a ajudas de custo... quantas horas e pestanas "queimadas"...)

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E finalmente, uma notícia que deixa a todos mais tristes, neste quase Paraíso(?) à beira mar plantado:
"Constança, disléxica, não conseguiu concluir o Exame de Língua Portuguesa"
(in Público)
Fosse este país um outro qualquer mais decente, tal notícia causaria estranheza pela relevância dada. Mas como devem estar a par dos últimos tempos,uma notícia polémica , esta "Constança, disléxica" foi o centro de uma polémica, pois o Júri Nacional De Exames , contrariamente a outros anos lectivos e em cima da hora, veio fazer desta menina o exemplo do que julgam os seus tristes membros ser o "rigor" e igualdade, etc., não cedendo ao pedido da sua mãe para que tivesse a prova de Língua Portuguesa de 9º Ano  em sala à parte, com o enunciado do texto lido em voz alta por um professor(o que sempre fora facultado a alunos como ela). Os professores que acompanharam não foram ouvidos, nem os Professores do ensino Especial, nem a Associação de Dislexia, nem tão pouco a Direcção Regional de Educação respectiva, todos a favor do pedido a aluna. Já o Ministro Crato lavou as mãos "à Pilatos" e remeteu a decisão para esse JNE, que considerou que a meia hora extra a que diversos alunos têm direito bastava para suprir as dificuldades. Gente que não sabe que há Dislexias e Dislexias e que foi indiferente a todos os pareceres especializados (médicos até) que defendiam o direito da aluna ao que solicitara! Crato. responsável máximo pelo MEC,  poderia ter desbloqueado a situação, mas chutou para o lado, preferindo o seu périplo de embaixador da "Educaciolândia" , com palestras e visitas e fugazes  comentários a  eventuais mudanças no seu Reino.
Por mim, desde que há muitos anos vi que, para alunos com deficiência auditiva, a  bitola de  direitos extra era a rotineira receita  de  meia-hora extra de exame, já nem sei que mais possa espantar sobre  este sistema...
A Mãe de Constança  não desiste e vai levar o caso a Tribunal, não já pela sua "Constância, disléxica" (e como lhe ficou o cognome!), mas por todos os meninos que no futuro possam vir a estar na sua situação. Pelos "Manuéis, disléxicos" pelas "Marias, disléxicas" e todos os restantes cidadãos que tiveram o azar de nascerem portadores de alguma deficiência ou diferença, neste Reino das maravilhas da Inclusão...
Votos de coragem à Constança e à sua Mãe! Podem dizer os rezinzas do costume que há outros que não tiveram essas benesses anteriormente, mas é porque não tiveram o espírito de iniciativa nem se mexeram por  um movimento de pais e mães de "Constâncias" e se calhar deveriam ter lutado como esta senhora, uma Cidadã em pleno.
Margarida Alegria (19-6-2012, in Blog "Alegrias e Alergias")
E.... por falar em rezinzas, venham daí os "antónios anónimos" que preferem comentar o tom colorido (dadaísta, não acham?, para um país de educação Gugu-Dadá como o nosso)  desta súmula comentada de notícias, a apresentarem opiniões e ideias sobre os temas.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Educação: Equações importadas e "efervescências" caseiras

Como servi no anterior POST AQUI, à laia de aperitivo, nada como um bom borbulhar para tudo se animar por milagre.
Essas "borbulhas", propostas por Mário Nogueira,-- líder do mais representativo sindicato dos professores, a FENPROF--, deverão ser, no seu entender, umas tais de "BORBULHAS de CONTESTAÇÃO"(sic,não é invenção minha!), ou seja, uma espécie de guerrilha suave de iniciativas pontuais e "salpicadas" pelo país fora, à vez.
A FENPROF começou em Coimbra, ontem, num volumoso borbulhar de ...umas 70 pessoas.  No Sábado borbulharão no Porto e por aí fora.
Em suma, um misto de protestos em mini-manifestações (as grandes e nacionais, com o tempo, veríamos, ainda segundo MN) e borbulhas "efervescentes" de um Jacuzzi que fariam "cócegas" ao Ministério/MEC, mas que todos sabemos, por experiência dos últimos anos de pesadelo, apenas serviriam para deixar o MEC e o Crato  mais "relaxados" e ´mais tonificados, depois das cócegas que tais "borbulhas" lhes viessem a fazer inicialmente. Depois de verificar que a luta docente e da restante comunidade Educativa não iria até às últimas consequências.
Assim sendo, tudo se inclina para que o MEC interprete a palavra "BORBULHAS" no sentido epidérmico,  de "ACNE" passageira, e então em vez das borbulhas de Jacuzzi, ou sequer de uma alka-selzer que revigore a luta docente e que nos alivie o mal estar nas Escolas-- aumentado por mais uma vaga de "despachite-aguda" das últimas semanas--, teríamos antes uma imagem mais nítida assim:

                                    
A "Clínica Crato-Dermoestética" aplicaria , nas maçadoras borbulhas,diversas camadas, em semanas consecutivas, de legislação e despachos gordurosos e enriquecidos com extractos de laranja e Liberalitus-Vera, com base numa antiga fórmula matemática usada por alquimistas da  Burocratolândia. Há quem diga que essa fórmula está ultrapassada e é contestada, mas  em Portugal nada como repetir bons erros, desde que sejam traduzidos do estrangeiro. Foi-nos certamente vendida antes de ser deitada fora, numa boa estratégia de reciclagem e reutilização do Mundo Moderno.
As borbulhas, depois de umas negociações/de uns entendimentos com os sindicatos, seriam finalmente sujeitas a uma "profunda limpeza de pele", fazendo com que a essência de laranja penetrasse e  nas camadas mais vulneráveis das borbulhas, anulando-as, deixando isoladas as borbulhas mais teimosas e activas, até se extinguirem por completo. Extinguirem-se, ou através da facultação de "um lugar ao sol" (e como o sol faz bem à cútis com borbulhas), ou sendo reabsorvidas pela novas camadas de pele.
Bem,esta parte foi mais dirigida a professores e suponho que quem não é professor neste momento não entendeu (quase) patavina e terá de reler aqueles parágrafos depois. Passo a explicar.
Nas últimas semanas, o Ministério da Educação e Ciência (MEC), mantendo a boa tradição criada por Maria de Lurdes Rodrigues, tem invadido as escolas com quilos de legislação, despachos e 1ªs, 2ªs, etc versões de propostas de formulação da reorganização Curricular, tendo até conseguido a proeza de vir agora contrariar o que estava acordado com alguns sindicatos, em relação à duração mínima dos tempos lectivos,só para dar um exemplo.
Outro exemplo é o novo Estatuto do Aluno, que saltou para os jornais para baralhar os cidadãos, não estando ainda negociado com ninguém, nem tendo sequer sido escutado o Conselho de Escolas (órgão consultivo com os representantes dos Directores). E saltou para os jornais ainda não estando pronto, no bom estilo de lançar umas tochas inflamadas para testar a opinião pública, como a de  os pais de alunos indisciplinados ou faltosos irem pagar multas pelo comportamento dos filhos, perderem subsídios que tenham, e por aí fora.
Estando ainda os professores a tentar entender  esse Estatuto e as estranhas matrizes de Reorganização Curricular enviadas aos poucos em constantes versões corrigidas, tanta papelada teve ,há dois dias (5 de Junho), o" ponto de rebuçado", com a publicação em Diário da República, de um Despacho "surpresa" não negociado com ninguém. O já famoso "DESPACHO-NORMATIVO nº13-A/2012", que poderá consultar AQUI, em versão PDF.
Podem ler ainda aqui uma das notícias que tentaram traduzir o rebuscado despacho para os cidadãos:
Pois bem, o que está a deixar professores, directores e escolas em geral à nora é não só a a ambiguidade de alguns artigos, mas principalmente uma EQUAÇÃO arrevesada que o MEC inventou , aliás, traduziu de outras paragens, E que no blog "CORRENTES" se explica muito bem, dentro do que é possível entender (CLICAR AQUI).
Aí aparece, entre outras siglas da fórmula, o EFI (o que se vê que é importação estrangeira, pois explicam a sigla como "Indicador de Eficácia Educativa"), que é o resultado de uma fórmula complicada,  calculado a partir dos resultados de uma avaliação externa e de uma avaliação interna de cada escola. no fundo com base nos famosos Rankings calculados nas classificações de Exames nacionais e sua diferença em relação aos resultados internos.
Explicado e sintetizado para "leigos": consoante o tal "Indicador de Eficácia Educativa" de cada escola, esta ganharia, numa espécie de Meritocracia distorcida e  invertida e para Totós, o DIREITO a ter mais horas extra de crédito para actividades extra-lectivas.
As escolas sempre tiveram um crédito de horas extra a distribuir pelos docentes, para além das horas para as aulas das disciplinas. Esse crédito era mais ou menos distribuído irmamente por todas as escolas, pelo Ministério, e eram usadas pelas escolas para aulas de apoio, clubes e outras actividades para alunos com dificuldades ou para enriquecimento curricular de todos. Dava-se a situação caricata de , por exemplo,uma escola com imensos alunos do Ensino Especial (e não "apenas" os casos de dislexias e dificuldades gerais, mas casos complicados de paralisia cerebral e outros) ter  o mesmo crédito de horas de outra escola sem esses alunos e portanto, enquanto a primeira esgotava o seu crédito em aulas para esses alunos Especiais, na segunda sobravam mais horas para dar aulas de apoio e recuperação a alunos com  dificuldades nas disciplinas!
A certa altura o crédito foi sendo cada vez mais reduzido (Orçamento  de Estado oblige...) e era calculado com base no número de horas que os professores mais velhos tinham de redução de horário lectivo(por desgaste da profissão que até o regime forreta salazarista reconhecia existir), tendo esse crédito passado a ser usado nessas actividades de apoio, garantidas por esses professores que tinham menos turmas. Até aqui, portanto, havia desequilíbrio nessas quotas de horas, pois dependia da antiguidade dos professores do  quadro de cada escola.
Agora a lógica legislada, ou despachada, é profundamente ridícula e contraditória, embora venha com roupagens de "aumento da autonomia das Escolas! É a seguinte: uma Escola com maior grau de "E.F.I.", como por exemplo muitas das escolas Privadas e outras públicas em zonas nobres que estão nos tops dos "rankings" (muitas vezes graças a manobras várias de selecção dos alunos que admitem a exame!), vai ter direito a um... MAIOR CRÉDITO DE HORAS para actividades extra-curriculares!
DÁ PARA ENTENDER?!
Ou seja,   os alunos com mais dificuldade e/ou em escolas e turmas mais "difíceis" vão ficar com poucas ou nenhumas horas disponíveis para terem aulas de apoio para melhorarem os seus resultados,nem que seja ao menos a Matemática  ou Português. E os alunos de meios que já têm mais facilidade em pagar a explicadores por fora vão ter MAIS direito a horas na sua escola de elevado "EFI", possivelmente para clubes de culinária Gourmet ou para actividades extra de Golfe ou de Equitação!
Não. Não  dá para entender.
Os directores das escolas mais "Cotadas"(e por extensão os próprios autarcas) nesta nova forma de darwinismo social terão, em consequência, direito e autonomia a contratarem mais professores para as "suas" escolas. E depressa se transformam nuns colégios selectivos "públicos", pois cada vez mais arranjarão maneira para estarem nos tops, arredando ou convidando a sair os alunos com mais dificuldades. Baralhando e tornando a dar: terão mais créditos porque estão nos tops e continuarão nos tops... por terem mais créditos a valorizar os alunos.
Deve entender o MEC que isto é um prémio para a excelência, para  o Mérito e não sei que mais, mas mais não passa de uma forma encapotada de acentuar as desigualdades. É como dar um prémio a quem já está bem alimentado e saudável, sendo o prémio...mais e excelente comida e mais remédios e vitaminas. Deixando-se os que estão mais fracos a definhar, de CASTIGO por não terem saúde e não estarem em forma.
A que havemos de chamar isto? Fascismo? Eugenismo neo-liberal? Parvoíce de uma cambada de seres infantis e fanáticos que escreveram este Despacho?!
Criminosos, também, inclino-me a concluir, se insistirem a levar este "aborto" para a frente, passe a comparação.
Mesmo que disfarçado como autonomia. Mais um presente envenado ao estilo mariadelurdesco, isso sim.
É verdade, pois outra coisa que pretendem é também  transferir o ónus de novos despedimentos de docentes e outro pessoal que não se enquadre no resultado a fórmula do EFI-e-etc, do Ministério para as Escolas e seus directores. E pergunto: os directores é que são os patrões destes funcionários do Estado?! Ah, pois, tudo caminha para o sacudir dos ombros do Estado do pesado fardo da Educação dos cidadãos. Podemos então deixar de pagar impostos,senhores governantes,  já que temos de pagar tudo por fora, das estradas, aos transportes, da Saúde à Educação dos filhos?
Ainda só li excertos do Despacho,procurei ajuda para entender algumas das mirabolantes normas, mas esta amostra devia já alertar não só docentes como os PAIS e EDUCADORES e população em geral.
E não, caro Mário Nogueira, já não nos bastará andar a gerar "BORBULHAS" por aí, aos poucos até chegarem as férias  de Verão que estão quase á porta, para deixar o MEC a rir uma vez mais de tal tipo de mobilização. Não chegam providências cautelares onde tribunais nos dão razão para logo serem ignorados e desobedecidos pelo MEC.
Há agora razões para um Tsunami, como já disse, para uma mobilização geral que já devia ter existido, de professores, alunos, pais e todos os cidadãos preocupados com esta infâmia criada por "Jovens Turcos" iluminados e mais uma vez  desconhecedores da realidade do país em que vivem. Para que o que lentamente e em muitas décadas tinha melhorado do Ensino não seja deitado borda fora, de vez! Para não retrocedermos dois séculos para a época da revolução industrial onde as crianças não iam à escola e eram "carne para canhão", em  minas, em fábricas esconsas e guerras.
Vou aqui colocar o link para a Petição contra o despedimento de 25 mil docentes que está calculado com estas manobras, mas isso só não chega para fazer ver ao país que a revolta não deve ser só de professores, pela sua dignidade e trabalho, mas  deve ser geral, nacional e até europeia, porque afecta uma vez mais e ainda com mais força o futuro dos nossos jovens, da nossa Educação, do nosso país!
Se assim não se mexerem e  se não ousarem mobilizar todos os docentes e o País, os sindicatos bem se poderão ofender com a alegoria que redigi nos primeiros parágrafos e bem podem protestar que não cederam nisto ou naquilo! Se não forem (ao estilo dos desgovernantes) "PARA ALÉM DAS BORBULHAS" de protestos e tribunais, todos ficarão de vez com a estranha sensação de que as famosas "Borbulhas" que desejavam afinal  eram as de uma garrafa de champanhe a abrir, após  um serão de conversações e Pizzas no Ministério (em salas separadas...como daquela outra vez,em 2010, com Isabel Alçada).
Champanhe a abrir e a saltar para taças, para festejar um qualquer débil  novo "memorando de entendimento", um qualquer "acordo" por  "um prato  de lentilhas" vazio. E não poderão protestar que os docentes desconfiem de que cedem devido a acordos secretos inconfessáveis por parte dos representantes sindicais que nos deviam defender...
(Nota: tenho amigos dos sindicatos e há muitos representantes sindicais que respeito e que sei serem muito sérios e empenhados. Mas por favor não desbaratem de novo a moblilização que já tiveram em mãos em 2008 e que poderão ter de novo, se tiverem "garra" até ao fim, como se vê por terras de Espanha, França e outros, tantas vezes com problemas menores em mãos. E os docentes não devem desmobilizar mais uma vez por razões mesquinhas da sua vidinha! A Escola Pública e a Educação estão a levar a última estocada de  morte e demolição! TEMOS DE IMPEDIR esta nova barbárie!).
AQUI em baixo o LINK para assinarem a PETIÇÃO. Já é um passo e é simples de fazer, mas não, não basta.
Vamos unir-nos! Nós cidadãos preocupados. Senão, as borbulhinhas não passarão de "efervescências" gasosas e passageiras, "Burbujas de Amor", como Canta o Juan Luis Guerra.
(e os "leigos" agora podem reler o início do texto e já entenderão melhor).
Margarida Alegria (7-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

" Burbujas de amor"-(Aperitivo para um post sobre lutas na Educação...)


(Juan Luis Guerra "Burbujas de Amor")
Como aperitivo para o  post que se segue e dedicada à nova veia poética de Mário Nogueira, da FENPROF, depois de se ter saído com aquela de que os professores tinham de começar a manifestar-se aqui e ali pelo país, em lento protesto contra os recentes despachos do ME,  no que MN  designou  como   fazer  "BORBULHAS de contestação" (sic!).
Não pecisávamos antes de um  Tsunami? Ou MN acha que vamos lá com... tónica schweps ou Jacuzzis?!
(não escrevo o post todo aqui, já se sabe devido à habitual tortura que é escrever  no blogger, ao pé de um video!)