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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Da Verdade- Intervalo musical: Kings Of Convenience - Misread


(Kings of Convenience, "Misread", álbum- Riot on an Empty Street)
Uma das minhas descobertas musicais nos últimos anos, este dueto norueguês, com uma canção das que mais me toca, pelas mais diversas razões (já a terei postado?).
Um" intervalo" musical antes da saída do  outro dito post mais que anunciado,  remisturado e repensado, mas que me está a "doer" muito para finalizar, nestes tempos de "chumbo" e frieza social (e vai  acabar por sair uma bela porcaria).
Não se deixem iludir pela suavidade da melodia de toques simonandgarfunkelianos e de bossa nova. A letra  "arranha-nos", até com desarmante franqueza , tocando o que mais deveria ser essencial entre as pessoas: todas deveriam ter uma simplicidade-base que evitasse o acabarem tantas vezes a  "tresler" o que os outros dizem ou fazem, na difícil tarefa da comunicação.
Há coisas que também me confundem assim: descobrir com dor que nem sempre as minhas/nossas palavras são interpretadas com o sentido que lhes quis(emos) dar; descobrir que valores como a lealdade, ou  como o amor à verdade, nem sempre  têm o mesmo peso para outros, aqueles em quem confiávamos(os restantes pouco importam), como o que têm para nós. 
Descobrimos isso, vem  o choque, a desilusão, tentamos ultrapassar tudo de coração aberto, como escrevendo em folha limpa. Uma e outra vez. É uma luta que gostaríamos que fosse desnecessária na vida, um sofrimento extra no que esperávamos serem  doces oásis secretos  nos desertos de outras guerras, as rotineiras, as  obrigatórias.
 Mas acontecem. E estas são as batalhas mais importantes, tantas vezes, elas sim, "acima das nossas possibilidades".
 Para traçarmos a fronteira, para sabermos aquilo pelo que vale a pena oferecermos a nossa  alegria ou dor, resta-nos olhar para o que pode ajudar a estabelecer a diferença entre verdadeiro e falso:"A friend is not a means (...)/ Friendship is an end ". E todos os mais nobres sentimentos  e causas deviam ser assim: um FIM em si, não um MEIO para se obter alguma coisa....
É menos linear do que parece...
Eis que os KOC também devem ter razão quando cantam: " the loneliest people / were the ones who always spoke the truth"... -- lá está,  essas pessoas ingénuas arriscam "o pescoço" no veloz mundo das aparências assépticas, por fazerem a "diferença", ao se atreverem a "confrontar a indiferença".
Aí temos o mais árido dos  desertos , que nos tenta invadir o coração de ventos frios e da poeira dos séculos:  A INDIFERENÇA. 
Não devia fazer parte do nosso itinerário. Tentemos, pois,  seguir outro trilho...
(Ressalva: entendendo eu    essa Verdade  com o significado de Transparência, sinceridade ; e não  de rudeza descarada).
Margarida Alegria (19-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias").
Fica a letra:
                                                               "Misread"
If you wanna be my friend
You want us to get along
Please do not expect me to
Wrap it up and keep it there
The observation I am doing could
Easily be understood
As cynical demeanour
But one of us misread...
And what do you know
It happened again

A friend is not a means
You utilize to get somewhere
Somehow I didn't notice
friendship is an end

What do you know
It happened again

How come no-one told me
All throughout history
The loneliest people
Were the ones who always spoke the truth
The ones who made a difference
By withstanding the indifference

I guess it's up to me now
Should I take that risk or just smile?

What do you know
It happened again
What do you know

domingo, 1 de julho de 2012

Música e Nostalgia com votos de boa Noite




(David Sylvian- Nostalgia,-- In Praise of Shamans, Tour, 1988)
Música para uma boa noite. Do "mestre" David Sylvian, "Nostalgia" (álbum "Birilliant Trees"), aqui num tour, mas numa perfeição de sonho, para música ao vivo. sem as tecnologias sonoras actuais...
A maioria das imagens do video consistem em excertos de outra "Nostalgia"(Nostalghia, 1983), o filme de Andrei Tarkovski.
Duas nostalgias, duas obras de arte, Três nostalgias, com a minha, a vossa, a nossa.
Boa noite!




sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia Mundial da Criança(1 de 2) :"Direitos Humanos para Crianças"


("Direitos Humanos para Crianças",desenho animado 2008--Realização: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Brasil)
Para assinalar   o Dia Mundial da Criança, no Ano amargo de 2012 (que  vê os direitos antes alcançados a  regredir para crianças e adultos) , dois  videos, aqui no blogue.
O primeiro é esta  animação, que põe quatro crianças de diferentes contextos sócio-culturais  a tentar  promover,  no seu estilo simples  e  fantasioso,  a  defesa   dos Dreitos  Humanos, especialmente o direito  a estudar  , entre outros....

domingo, 6 de maio de 2012

Minha Mãe

(Madame Vigée-Lebrun , auto-retrato com a sua  filha.- Museu do Louvre)

O meu pai tinha uma forma linda e carinhosa de tratar a própria mãe ( minha avó, portanto).
A minha avó não era uma pessoa fácil. Muito autocentrada, tirânica até, nunca "ligou meia" aos netos ,contradizendo a ideia que se tem de "avozinha" (felizmente tinhamos outra, mas que nos durou muito menos...). Talvez apenas a neta mais velha tenha recebido uma prendinha dela, nos primeiros anos. Não se lembrava de nos fazer um carinho, era imperial, de dentro do seu arrebitado  metro e 40cm ; e  só falava de si: das classificações que tivera,dos cargos que tivera, das propriedades que tivera e sonhava ter, do que fizera, do elogio que um tal bispo lhe tecera... histórias que escutávamos todos os santos domingos e já sabiamos de cor.
O meu avô era, por contraste e equilíbrio,não tenho dúvidas, um Santo. Um Santo quase silencioso e sofredor. Profissionalmente fora seu superior e tivera  ainda melhor currículo, mas só tinha olhos para ela, deixando-a brilhar sozinha, contemplando-a embevecido do cimo do seu quase "o dobro" de altura. Mesmo assim os filhos veneravam-na e moviam céus e Terra por ela.
Ouvi sempre o meu pai a tratá-la, não apenas por "Mãe" (jamais por "Mamã", que não se usava!), mas ou por "Mãezinha" ou, o que era mais especial e delicioso , por "MINHA MÃE". Ele era "Oh, minha mãe, não faça uma coisa dessas!", "Minha mãe, sente-se aqui.", "Minha mãe deixe que eu trato disso."..
Aquele determinante possessivo fazia a diferença e reequilibrava o paradoxo espalmado naquela senhora. Fora mulher de armas e excelente profissional, mas à família não dera vida fácil, por feitio, embora cumprindo todos os deveres inerentes. Concluo, portanto, que deve ter sido uma boa mãe, pois para tantos filhos -- que em pequenos muito enfeitara com laçarotes e cabelos frisados "à menina", em foto de os embaraçar para o futuro(aguardando sempre por uma filha, que acabou por chegar) --continuava a ser a "MINHA Mãe". Não era a mãe de outros, não era uma mãe qualquer: a mãe era DELES e de mais ninguém.
Os meus irmãos e eu, tivemos, quanto a mim, uma sorte muito maior, quanto à Mãe que "os Fados" nos atribuiram, não só porque era e é a NOSSA/MINHA Mãe, não só porque foi uma professora exemplar, uma mãe dedicada e atenta, mas porque além disso foi e É ainda (graças a Deus!) uma pessoa de excepcional Humanidade. Talvez graças, também, à acção da SUA Mãe...
Como me disse um dia  uma amiga que a conhece e foi sua colega: "A tua Mãe é daquelas pessoas que ilumina uma sala  , quando entra!"
E tem razão.
 Ilumina, não como certas pessoas que têm daquelas atitudes imperiais em altas vozes e como  que "se fazem  anunciar" à chegada, mas por trazer sempre um conforto bom com a sua  mera presença. Longe de a atitude do "Cheguei vi e venci", pois até é bastante tímida ( agora com a idade, menos...), mas por recentrar tudo o que é importante, quando chega, mesmo que nada diga.
 Ilumina não só porque é bonita (e é-o , sem dúvida, não o digo por ser a "MINHA" Mãe...) e não só porque tem um sorriso rutilante e inesquecível, mas porque do seu interior brota um sentido optimista mas muito franco de ver as coisas, de encarar os problemas. Não um optimismo pateta de "laissez faire", mas aquele que resulta de olhar os outros com a atenção e o respeito que merecem, seja de que condição social for, fosse o estado de espírito dominante soturno que estivesse na dita "sala". Apesar da carga de problemas que carregava na vida, podiam estar todos a falar, por exemplo, da maçada da chuva, quando chegava e chamava a atenção para as flores que brotavam, o arco-íris que não tardaria, isto metaforicamente falando, claro.
Por isso lhe imploraram a certa altura para dirigir um Conselho Directivo numa escola difícil, no pós-revolução, pois  era a única que conseguia conciliar todos, mas a todos também ouvir e fazer justiça e levar a escola a viver para o que devia: ensinar (coisa que agora se está a perder de novo, a destruir,com a reentrada da política nas escolas via "directores" e Conselhos gerais cheios de autarcas).
 Dava-se bem com colegas da sua geração, mas era acarinhada e recebida em braços pelos colegas mais novos, que sempre se sentiam à vontade ao pé dela, ultrapassando barreiras de idade e de pontos-de-vista. Era capaz de dar um raspanete a uma funcionária por uma tarefa trapalhona, para mais tarde ser coberta de beijos e recordada com veneração pela mesma, tudo porque também sabia fazer o elogio justo na devida hora e tratava todos como seres humanos e iguais que somos na Criação.
Quando as pessoas diziam como era bonita, logo corrigia que a irmã, essa sim era bonita,-- realmente uma estampa de revista, de feitio mais coquette e rainha dos bailes. Porém quem via a minha mãe raramente a esquecia (não esquecia qualquer uma das duas!) , talvez pelo expressivo olhar, talvez pelo sorriso acolhedor, por todo um conjunto, uma presença com personalidade. Sendo considerada uma Sensata amiga, uma pacata filha e irmã, sempre tivera vários pretendentes a arrastar-lhe a asa, mas não ligara a nenhum, o mesmo acontecendo, curiosamente ao meu pai, com imensas a fazer-lhe olhinhos, mas mantendo-se respeitoso, distante e sonhador. Um dia, embora já se conhecessem através de irmãos, o meu pai fez com ela o trajecto a pé até à Biblioteca para onde ambos iam estudar em pós-licenciaturas, voltaram a fazer tais percursos (devidamente anotadinhos em agenda/mini diário, como mais tarde, nós filhos,  viemos a descobrir, espantados!) e foi um Amor para a vida. Mas isso é outra história...:)
A minha Mãe teve de largar os seus projectos de carreira universitária, seguiu o meu pai por vários recantos perdidos do "mundo" e do País, criando a família com uma notável vocação de Mãe. De Educadora.
Portanto, neste dia da Mãe, que poderia  ser num outro qualquer do Ano, este post não é, tenham lá paciência, dedicado a todas as mães, mas sobretudo à mãe que é a minha: à MINHA Mãe.
Impossível de sintetizar tudo o que foi e é para nós, seus filhos( vou fazê-lo saltitando no tempo, em vagas, centrando-me nas partes felizes): enquanto era "apenas" dona de casa, era a mãe atenta mas não excessivamente controladora, aquela a quem voltávamos , para contar os nossos pequenos dramas. Sabia sempre dar-nos um bom conselho, ajudava-nos a "ler" o que viveramos na escola. Incentivava-nos a nos abrirmos, sem forçar. A Lermos o mundo. Ver notícias em casa não era um tempo de silêncio: gostávamos desde cedo de comentar o que viamos, expor dúvidas pelo que se passava, interpretar as incoerências da Humanidade. Os nossos pais, ao contrário de muitos, incentivavam-nos a conversar às refeições, que eram quase sempre tempos vivos, proveitosos e alegres, como testemunhavam os nossos amigos.
Por vezes o voltar para a mãe era apenas para corrermos silenciosos para o seu abraço imenso, para lhes darmos as mãos, as suas enormes e confortáveis mãos que ,por vezes geladas da má circulação e de pouco tempo para  manicures, envolviam as nossas mais pequenitas.
Era os pedaços de papelão embebidos em água para nos sarar os "galos" na testa e lá parávamos o choro e andávamos a passear todos contentes até o papelão secar e cair. Um tinha um galo... todo o "rancho" pedia um papelão para os "galos" imaginários e solidários!
Era a supervisão distante dos trabalhos de casa, só maior para quando houvesse dúvidas, mas sempre atenta a que não fizessemos batotas nas contas, nas provas dos nove...
Nunca andou a aborrecer professores, a não ser que visse que algo nos angustiava e queria alertar os docentes para isso. Mas o professor era sagrado e deveriamos respeitar todos, por mais diferentes que fossem, tivessem o método que tivessem. Errados que pudessem estar, pois temos de conhecer todos os lados de um mundo assimétrico, nem sempre justo.  Dizia-nos:" se estiverem com dúvidas nas matérias, peçam-me ajuda, veremos o que se pode fazer, nem que eventualmente precisem de explicações, embora eu saiba que são todos inteligentes e não têm motivos para ter negativas. Mas AI DE VÓS que eu venha a saber que foram mal educados com algum professor ou funcionário! Para isso não há desculpa possível!"
Era o escutar as nossas fantasias, enquanto mascava as pontas das linhas ou com alfinetes na boca, enquanto nos costurava um vestido, cosia bibes, aplicava joelheiras e cotoveleiras na roupa dos meus irmãos, transformava um vestido numa saia de alças para as meninas, ou um velho vestido das meninas num vestidinho "novo" para as nossas bonecas.
Era a sua arte de receber as outras "madames" e ter de aceitar convites para chá quando preferiria estar connosco, mas também  a capacidade de conversar com as pessoas mais humildes.
Há poucos meses revisitámos uma nossa antiga casa e foi debruçar-se à janela do que fora o "quarto da costura", foi um regresso no Tempo: curiosamente o mesmo gesto que tinha diariamente, para espreitar se as nossas brincadeiras no quintal estavam a decorrer sem sarilhos.
O meu pai defendia que a nossa casa era em primeiro lugar para ser gozada por nós e só depois para os outros, por isso não era nunca daquelas casas-museu exageradamente perfeitas, que as crianças não podem percorrer no dia-a-dia. No entanto, faziam sempre o possível para que tivessemos sempre um recanto para nós, para desarrumarmos à vontade e brincarmos(coisas que agora tantos pedo-psiquiatras aconselham mas então era a sua sabedoria de pais que intuia): um quartito "de brinquedos", um anexo de quintal, uma grande sala na cave, um jardim-- houve sempre alguns espaços para nós nas casas que habitámos. Cabiam lá os nossos brinquedos, as nossas aventura imaginárias a imitar séries de TV, as festitas de adolescentes, os muito  e variados animais domésticos. De galinhas a gatos, de peixes a ratinhos brancos, de pombos a... salamandras(nem tudo ao mesmo tempo, calma!). Apenas demorámos a  que deixasse termos um cão, pois fora mordida em criança, mas lá acabámos por ter um, que até salvou de morrer e ao qual se dedicou com alma  de enfermeira Nightingale, até durar muitos anos mais! Para tudo dirigia a sua carência profissional da Biologia, desforrando-se no cuidar das plantas, no incentivar-nos a construir um lago minúsculo para rãe e girinos. Chegou a operar o papo de uma galinha!
Quando achou que já cresceramos bastante e viviamos numa cidade, foi leccionar (e em bom tempo o fez, antes de passar a ser "pai e mãe", como dizia...) e então repartiu a sua sabedoria e o seu sorriso maternal por muitas crianças, que passaram a venerá-la e às ciências, fazendo aulas de campo, observando os frascos que levava de casa com os nossos bichinhos apanhados no campo e já em formol-- do qual se destacava aquele que chamávamos de "Clerasil", um sapo gigante! Os meninos traziam-lhe os livros que tinham em casa sobre animais e a Natureza, tantos deles prendas de aniversário antes nem sequer abertas ou exploradas, e muitos enveredaram pela via científica pelo que neles a MINHA Mãe despertou, como mais tarde tantas vezes o testemunharam em encontros fortuitos. Biólogos, médicos, mas também juizes e  de outras áreas que tanto hesitaram se seguiriam letras ou Ciências. Foi das primeiras a dedicar bastante tempo a ensinar aos meninos o que era habitat e Ecologia. Ainda não havia quaisquer anúncios   televisivos de macacos "Gervásios" nem de sociedades ponto Verde e já a minha mãe procurava  ensinar-nos a reciclar, a filhos e alunos, procurando vidrões e as farrapeiras que recolhiam papel. Muita viagem fiz com ela a descobrir aonde ainda existiria uma "Farrapeira" nas redondezas!
Já a tinhamos menos em casa, mas continuava a ser a Nossa/ MINHA Mãe, assim como agora é a avó mimada pelos netos. Então era ela a poder a partilhar os seus próprios dramas diários, o aborrecimento por ter precisado de ralhar a um aluno, a felicidade pela aula com experiência de dissecação ou  de microscópio que correra muito bem , mas sempre sempre ainda  com tempo para nós. Só não tinha muito... para ela.

Claro que nem sempre o relacionamento com ela foi "rosas"! Claro que houve  discussões e choque de gerações, como com todas as mães. Tinha de haver. As gerações encontram-se e prolongam-se, mas estão irremediavelmente apartadas pelo Tempo: há modos de pensar que se adaptam e mudam e a MINHA Mãe acabava por aceitar as mudanças, mas nós também não a obrigávamos a pertencer à nossa geração. Queriamos nela  a senhora da geração anterior, a Mãe que era  e também amiga, mas não a amiga com vergonha de mostrar a sua autoridade de mãe. E longos anos já de ... pai e mãe em simultâneo. Quantas vezes não tinha a razão do seu lado, mas ganhava a discussão, graças a sua poderosa capacidade de argumentação... só no fim pensávamos: "'pera lá! Mas EU é que estava certa!".
( Poderia ter sido também uma boa advogada...!). :))
Já o meu pai era o sonhador romântico que nos ensinava a gostar de livros , de desenho e banda-desenhada, de aprender sempre  muito pelos livros e  a ter sempre curiosidade em aprender tudo. Era, como bem diziam, um homem bom como já "não se fabricam" e...enciclopédico. Uma lâmpada fundia e com a lâmpada na mão o meu pai explicava como funcionava, apontando para os filamentos e porque falhara. Enquanto durava a explicação, a minha mãe, a educadora prática, ia buscar uma lâmpada nova e colocava-a. Complementavam-se. O meu pai, ao contar contos de fadas, era preciso e romântico nos detalhes, fiel à história, do príncipe e da princesa, das Fadas,  do coelhinho que ia às couves e ficava sem casa. A minha mãe, por seu lado, para escândalo do rigor meu pai , fazia-nos delirar com os detalhes inesperados que introduzia nas histórias: o coelhinho ia às couves mas de permeio parava num recanto para... fazer cocó! ENA! ahahah! delirio e risos nossos, protestos do meu pai! O meu pai cantava muito bem, voz de barítono bem colocada, mas para canção de embalar, sobretudo se estivessemos com febre, tinha de ser a nossa mãe e mais ninguém, sempre a mesma cantilena sem letra (oh larô Larô. Larito...), fora de afinação não por má voz mas por uma cicatriz no ouvido, mas SÓ ela a podia cantar! Mais tarde descobrimos , num filme clássico , a preto e branco,que a anónima melodia era de... uma marcha militar!
Era  e é , portanto,  muito especial, a minha mãe. Talvez nos devesse ter obrigado a certas coisas, mas pelo menos obrigou a tantas  outras que muito agradeço: o sair do reduto do lar para ir a campos de férias formativos no Verão, para me tirar um pouco da "casca" e conhecer jovens de todo o país, sobretudo realidades diferentes ( conheci adolescentes com uma visão arejada e culta que tomara agora a tanto deputado de aviário quem nem sabem o nome dos preisdentes); obrigar a apanhar os autocarros para a baixa e ir a pé para a escola, obrigar a comermos tudo do prato, sem caprichos, nem que levássemos horas...

Porém não existem "cursos" para se ser mãe e pai. Todos erram, todos erramos, não há pais perfeitos, por melhores que sejam. Àparte  o caso daquelas mães desnaturadas que envenenam os filhos, "Mãe só há uma" e todos devemos estimar e acarinhar as nossas Mães, por muitos choques que  tenhamos com elas. Tudo porque é a NOSSA Mãe e Ponto final.
Acredito que as mães fazem o que sabem pelos filhos. Cabe-lhes fazerem o melhor que podem segundo as circunstâncias. Sobrevivemos às agruras da Vida com elas, por causa delas, apesar delas, por vezes. Mas é assim há gerações e gerações. Não devemos imputar-lhes as nossas frustrações. No meu caso sempre nos demos bastante bem, talvez por afinidade de feitios, embora não chegue ao seus calcanhares de "Sábia", mas também fez sempre menos cerimónia comigo do que com os meus irmãos, o que não é propriamente uma vantagem, bem longe disso. Mas foi assim que a Vida se traçou...
 Tantas e tantas recordações soltas! (que não quero que se percam na linha do Tempo) Também as dos gestos inesperados e especiais que tinha, com toda a sua generosidade, rasgos ousados do fundo da sua timidez: o deixar que muitas crianças amigas nossas vizinhas lá passassem tardes inteiras ,almoçassem e até experimentassem connosco cozinhados para lanches, a sujar a cozinha. "A sua casa deve ter mel!" Dizia-nos uma vizinha e amiga. O trazer o netito do merceeiro lá a casa para o garoto ver o que era um computador, então o ZX-Spectrum do meu irmão; como moveu mundos e fundos para ajudar uma senhora  quase desconhecida que estava para ser despejada da casa que sub-alugava (descobrindo a existência da APAV, então a dar os primeiros passos); as longas horas de conversa a tentar aconselhar amigas minhas que  a procuravam para desabafarsobre as suas dúvidas na escolha do curso;  e atitudes para  com completamente desconhecidos, como daquela vez em que havia uma greve de transportes e, subindo de carro uma longa avenida, se condoeu e parou para oferecer e dar boleia a uma  humilde avó  que subia o passeio a custo a pé com os seus netos!
Tantos e tantos momentos que jamais esquecerei. A MINHA Mãe, minha grande confidente e Amiga. A boa vizinha, a professora querida de outros, mas a MINHA Mãe...
Hoje já não aparenta a "mulher de armas" que foi. Os anos, as noites mal dormidas, a exaustão de a todos atender acabam por pagar o seu preço.
É um passarito jovial e diz sempre que" tudo é maravilhoso", desde o acordar, até algo que saboreia, da alegria em cumprimentar as meninas da caixa do supermercado até à amorosa  criança com quem mete conversa. "Foi tão bom falar consigo!".exclama, "como é tão bom tomar este café aqui!".  Raramente tem um momento "para baixo". Com a vida que levou, o problemas que nunca cessaram de lhe bater à porta, as autênticas tragédias que sofreu,  teria muitos motivos por ter desistido de lutar, por ter desanimado e deprimido em tantas alturas,para se tornar amarga e revoltada,  mas foi sempre a campeã da resistência.
Como tenho saudades dos seus conselhos, das recordações que me narrava e como me teriam sido tão úteis mesmo agora, essas conversas, eu feita adulta (que remédio!), em tantas ocasiões que vivi!
Hoje quem a vê nem sonha  que passou  o que passou, todos gostam de vir retribuir os beijinhos e abraços e cumprimentos que distribui por conhecidos e não-conhecidos com quem nos cruzamos, conseguindo pôr muito sorrisos em muita cara macambúzia que se ilumina depois da perplexidade inicial quando saúda! Agora tantos quase desconhecidos  vêm perguntar pela mãezinha, aquela senhora que distribui cumprimentos e elogios por quem passa , aquela que agora é de novo menina, onde descobrimos, com espanto, a garotita traquinas  e dançarina que deve ter sido antes de se tornar na jovem e mulher sensata e mais reservada.
Apesar de todas as mossas da vida, posso concluir que a MINHA Mãe, foi e é uma mulher feliz, sem rancores para com tudo aquilo com que a vida  a surpreendeu. Ela é sem dúvida a Nossa/Minha grande Heroína, o nosso modelo de vida, em toda a sua simplicidade e franqueza. Reina nela uma  tranquilidade luminosa, não derivada  de  qualquer  irresponsabilidade ou inconsciência mas precisamente por ter a mente limpa de remorsos, por ter procurado fazer sempre o que é bem, sem maltratar os semelhantes.
Ensinou-nos a ver o mundo com compaixão e  a sabermos distinguir que nem todos têm o que têm só graças ao "mérito", como se diz agora, que há muitas voltas na vida e que o Ser humano merece ser bem tratado não por ser inteligente ou famoso,ou por ter  sorte no destino,  mas porque é um nosso "irmão",  que com todos devemos ser atenciosos e justos, embora não devamos pactuar com o que vemos de errado.
Hoje goza o descanso de ser" filha" dos filhos  e de  ser avó ,agora ela apoiada, acarinhada, mimada até, uma "menina" linda sempre fresca e jovial, com pequenas rugas e manchas da idade quais marcos no mapa da sua vida quase sempre imprevisível. As mãos mais enrugadas mas sempre grandes, agora já com tratos de manicure.
 Mas sobretudo sempre e sempre aquele sorriso e aquela "presença que ilumina"  cada lugar onde entra!
 Muito mais havia a recordar, mas o texto vai longo e já tive que o "costurar". Acarinhem  e louvem as vossas mães neste dia, mas, usando a expressão do  meu pai, contra ventos e marés, esta foi e é  não uma qualquer e não a VOSSA, mas " a MINHA Mãe".
Margarida Alegria (6-5-2012, Dia da Mãe, in blog "Alegrias e Alergias")
(POST Scriptum: eu sei que fiz batota com a data da postagem, tendo passado dois dias desde que  escrevi o seu miolo até postar de facto, depois de tanto acrescentar, remendar e cortar ao texto. Tenham lá paciência. De cada vez que vinda rematar o post acabava a recordar mais coisas de lágrima no olho e a acrescentar detalhes, muitos dos quais acabei por retirar. Afinal, sempre é um texto sobre a MINHA Mãe, condescendam... A imagem que escolhi era, se a memória não me trai, uma das que surgia nas  tampas das caixas de chocolates que a minha mãe reaproveitava para guardar carrinhos de linhas).

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pausa Musical: Fio Da Vida



("Fio da Vida"", Rodrigo  Leão, cantor convidado: Thiago Pethit, 2011)
Enquanto  não   sai novo  post, este serão  ainda, uma  música do mais  recente   e  superlativo álbum  de  Rodrigo Leão,   "A Montanha  Mágica". Vale a pena escutar.
Por  mais tempestades que  revolvam o mar, nada nos  pode roubar os bons  momentos nem a  importância  dos  sonhos.
Tudo passa, só o  Bem  praticado   e o  recebido  ficam....
O  resto   " É  SÓ POEIRA",  é só escolhos  e as mãos "cheias de nada" de fantasmas.
Até já!

terça-feira, 1 de maio de 2012

José Mattoso: uma belíssima entrevista a não perder!

(José Mattoso, foto recente, in Público)

Aqui está uma entrevista fantástica que todos deveriam ler! Dada pelo Historiador e pensador português José Mattoso, ao "Público" (publicada em 29-4-2012).
Sobre o país, das formas de sentir a crise, a infantilidade de pensamento de tanta gente... EXCELENTE! (e também está toda online!):
"JOSÉ MATTOSO:  O "GOVERNO DO POVO" FAVORECE QUEM JÁ TEM O PODER"
A sério! Leiam, que vale a pena! Valham-nos os sábios!

25 de Abril - Es.Col.A -para quem ainda duvida que foi/é marcante- 2


("25 de  Abril 2012- Re-ocupação da Es.Col.A da Fontinha")
O SEGUNDO VIDEO, com  a síntese  da "Reconquista" da   Escola  da Fontinha, no Porto, no dia da Liberdade.
Es.Col. A = Espaço Colectivo Autogestionado.
Não  deveriam todos  os Portugueses  passar  a  recuperar  e   a  gerir para  o bem comum  os  Espaços  Públicos negligenciados?
Ou vamos ficar só a ver ladrões de BPNs e PPPs a sugar os bens  e os  impostos do país?! Votar de quatro em quatro anos, pagar malfeitorias de colarinho branco , jamais  ver a justiça a impor-se e... calar (ou apenas resmungar)?
ATÉ QUANDO?

25 Abril, Es.Col.A -Para quem duvida que foi/é marcante! - 1

("Es.Col.A- a democracia vai  encher a Fontinha"-25-4-2012)
Aqui vai o primeiro de dois videos (e há muitos mais na Net), para quem ainda põe em dúvida  de que foram  milhares  de  populares  a  apoiar o "EsCol.A" ( sem truques  audoviuais, foi ao  correr  das   gentes!)
Amanhã  partida  da Fontinha, às 15 horas  para participar nas  Comemorações do 1º  de Maio, nos Aliados.
Às  11h elaboração de cartazes.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Escola da Fontinha: Uma nova Forma de Comemorar Abril


fotos (c)Margarida Alegria 2012 (Porto, 24-4-2012)
Encontro de MEDITAÇÃO PELA MUDANÇA, promovido pelo Mov. "Es.Col.A", no Porto, ontem, às 18.30h, frente à Câmara Municipal.
Para uma mudança real de mentalidades. Pela verdadeira Liberdade, a Democracia,a verdadeira Paz e  a Tolerância. Acreditando que serão mais e mais, semana após semana.
Foi Singelo, foi bonito, foi harmonioso e com verdadeira contemplação, com Silêncio ao fim da tarde, enquanto carrinhas recheadas de polícias no "quentinho" aguardavam, talvez também em "meditação" para um tipo de manifestação com o qual não contavam. Dois ou três jornalistas, também baralhados quanto ao que haviam de dizer, perante algo que foge às frases feitas dos tablóides (violência? Selvagens? "Anarquistas"? Tolerância zero? Onde estavam?!).
Foi uma pequena e saborosa conquista de quem é da Paz. Esperando que corações de pedra, acoitados no edifício da Câmara, acabem por abrir os olhos à razoabilidade, deixando prosseguir o Projecto da Escola da Fontinha. "Envolva-se!", não é o que diz uma campanha das autorizadas que anda aí?
Muito mais tenho a dizer, mas fica para um momento de maior tranquilidade e mais tempo. Prometo relatar com detalhe o que senti, vivi e pensei!
Por ora o convite está aberto a todos os cidadãos que apoiam este projecto, para que se juntem frente às respectivas Câmaras municipais, numa hora de Meditação e Silêncio, todas as terças-feiras. "Agua mole em pedra dura...".
foto (c) Margarida Alegria/2012 (Porto, 24-4-2012, Meditação pela Mudança- "Es. Col.A")
UM segundo CONVITE, daí a urgência deste post: HOJE, DIA DA LIBERDADE, pelas 15horas, os amigos do Movimento reunem-se na Praça da Batalha. Festejarão o 25 de Abril, com um percurso pela cidade até à Escola que os une. (LEIAM AQUI O CONVITE).
Não há melhor maneira que celebrar a Liberdade, no Norte!
A não ser que prefiram a rotina  das farturas, das cantorias na Praça (ontem já a ensaiar...) e  dos discursos de circunstância, como tantos hoje na A. R.! 
Iniciativas destas é que tornam "Portugal credível", a "mobilização dos cidadãos" frutuosa, (como apregoou Cavaco..., pensando apenas na imagem para os mercados e para a "estranja" merkeliana...) Isto é que é a verdadeira COESÃO SOCIAL!
VIVA O 25 de Abril! Bom Feriado a todos!
Margarida Alegria (in blog "Alegrias e Alergias", 25-4-2012)

domingo, 22 de abril de 2012

O cromossoma da Poesia na Floresta da Vida?

(Sigur Ros, "Svefn-g-englar")
HOJE É  DIA DA TERRA (22-4-2012). Vão estranhar este post. Na verdade, àparte esta introdução, ele foi escrito há precisamente UM MÊS...e  UM DIA. Por razões diversas, o blog tem rascunhos vários por publlcar, ou porque  faltava completar o texto, ou porque  algo   ficou por formatar, ou até por distracção...
Por isso  aqui começa  a  reciclagem devida.  Mas vai  a tempo, tendo em conta  mais  uma comemoração  dedicada  à  bela Terra que  habitamos.  Hoje mesmo soubemos,com amargura,  que os Bancos  Alimentares contra a Fome  estão  a entrar em ruptura, em Portugal, isto num Planeta fértil  e de abundância!  Há   "algo de podre no Reino da  Dinamarca", diria Hamlet.
Por isso  temos urgência em descobrir   alternativas   harmoniosas ao  caminho  de Miséria e de  Silêncio que   seres  loucos e gananciosos querem  traçar para  99%  da Humanidade.  O  post  de Primavera que aqui publico tenta  dar   o  seu  contributo  para  a noção de  que  TER o  Mundo  já teria o  que bastasse, não  fosse a Cupidez (e a Estupidez...). Só falta  aprender a SER e a PARTILHAR. Ou, como diz a canção de Burt Bacharach "What the World needs now is Love, sweet Love..."
E afinal  é justo este atraso : só há poucos dias começou mesmo a Primavera, depois de longa e anormal seca, tivemos a chuva de Inverno atrasada e de facto sentimo-nos em Primavera, com o famoso "Abril águas mil"!
(ah... e escrever esta introdução, com o novo editor do Blogger , que parece inimigo dos videos, foi mais penoso e demorado do que fora escrever  todo o post, quando teclar as palavras não se procedia ao ritmo alentejano de uma lesma picada pela mosca de tsé-tsé, por sua vez sedada com um frasco inteiro de de calmantes ainda mais fortes do que o Vítor Gaspar parece tomar antes de fazer cada discurso na A.R....)
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Como juntar três DIAS Mundiais num só?

Tendo a Primavera começado ontem, por questões de acerto do ano bissexto, por tradição é o dia 21 de Março a marcar essa estação, com os festejos do dia da Árvore/da Floresta. Por outro lado, hoje é também o dia Mundial da Poesia. E, para completar o belo ramo, é também o dia Mundial da Trissomia 21, normalmente designado por Sindroma de Down.
Como se conjugam estas efemérides diversas?
Ora... quem tenha tido o privilégio de conviver com alguma criança ou jovem com Trissomia 21, facilmente o associa à Poesia. E , se pensar com qual das Estações do Ano poderia(m) ser associado(s), conclui que seria indubitavelmente a Primavera, algo de fresco, inocente e alegre, sempre pronto para a novidade do Mundo. E se pensam que os portadores de Síndrome de Down são por acaso uma espécie de Ramos defeituosos de uma Árvore , na Floresta que é esta vida, pois estão redondamente enganados.
Estes ramos, estas crianças, são sim dos que mais se abrem ao Sol e à beleza de cada dia. Só quem não os conhece pode pensar o contrário. O seu cromossoma extra, não é uma excrecência, mas um bónus que não sabemos ainda interpretar devidamente. Não temos capacidade... E porquê?
Julgo que já aqui disse que acredito que todos temos o nosso lugar no mundo. Todos temos defeitos, mas também qualidades. Pois as crianças com Trissomia 21, tendo falhas intelectuais e dificuldades de aprendizagem, têm muito do que falta a tantas e tantas crianças ditas "normais". Uma mãe de um rapaz com T 21, o mais velho de vários filhos, confessava um dia que ele era o único de todos que rapidamente percebia quando ela, mãe, estava triste, mesmo que ela o procurasse ocultar. Logo se dispunha a animá-la. Ou seja, o coração maior que o habitual, característica física da maioria de pessoas com esse síndrome e que contribui  quase sempre para a sua morte precoce(com vinte, trinta, quarenta anos), esse coração FÍSICO corresponde, a meu ver, a um também MAIOR CORAÇÃO ESPIRITUAL, a uma maior empatia, quase silenciosa, a uma muito maior capacidade de amar livre e incondicionalmente. Essas crianças e jovens têm uma sensibilidade extraordinária para viverem cada momento, daí serem sempre tão alegres, imensamente generosos e, no fundo, valorizarem o que mais importante deveria ser na vida.
Por isso me revoltam os novos discursos sobre o aborto pré e pós-parto de casos como este, quando sei que , para além de serem crianças que merecem tão ou mais amor que outras que vêm ao mundo, são também crianças que sabem dar tanto ou mais Amor que as outras. Sem truques, sem calculismos. Podem ter birras como as outras, mas não daquelas de medir o pulso aos pais. Não conhecemos afinal tanta "boa" gente que nasceu física e mentalmente "PERFEITA" e que depois se vem a revelar "deficiente" em  capacidade de Amar, em egoísmo, com atitudes de uma total ausência de Empatia e capacidade de ver os outros como seres iguais? Vejam, só por mero exemplo, o caso do monstruoso assassino em série Norueguês, Andreas Breivik, nascido num dos países que mais acarinham a educação para a Paz. Vejam todas essas crianças tão perfetinhas e acarinhadas pela família que se tornaram "pessoas" insuportáveis e  até malignas porque não vêem além do seu umbigo! Tantos pais que com esforço e sacrifício criaram os filhos, bem alimentados física e culturalmente, que agora não têm uma palavra deles, tantas mães-coragem que correram até perigo de vida e que com resiliência passaram a sua gravidez de risco a aguardar o bebé, que conseguiu nascer perfeito, mas que mais tarde veio a andar em constante conflito com a família, os pais, o mundo inteiro... QUE RAIO DE  "PERFEIÇÃO" é ESSA? A criança com Síndrome de Down é que é a "Imperfeita"?
Tenho algum à vontade para falar disto. Há uns anos largos (e hoje ainda me pergunto como tive tanta genica então!), convivi com muutas crianças com este e outros problemas (autistas, por exemplo..) naquilo que hoje se chamaria voluntariado mas que então não era promovido das televisões. Uma vez por mês, participava na animação cultural dos convívios de uma das associações de apoio às famílias com filhos "especiais". Aos sábados acabava as aulas ao fim da manhã, apanhava o comboio, almoçava algo a correr e às 3.30 da tarde lá estava a fazer teatro de fantoches, a ajudar em actividades diversas (cantar, pintar, fazer jogos...). Era muito bom, mas nem sempre consegui continuar nesse ritmo, infelizmente. Mas nunca mais esquecerei. Sei que alguns ainda estão vivos e bem, de outros perdi o rasto. Admirei como nunca aqueles pais e senti o que eles sentiam, vendo como aquelas crianças e jovens eram realmente uns corações de amor e de alegria especiais. Há muitas e muitas situações que não esquecerei: o silêncio atento e para mim estranho de quando assistiam às fantochadas (com formas de viver e reagir diferentes, sem dúvida!), a forma como nos abraçavam e reconheciam, a L. a estender uma bolacha ao fantoche, o T., imaginativo, a fazer de maestro elegante perante o ecrã em branco para a projecção de um diaporama, o entusiasmo do V., a inteligência do pequeno M., o abraço terno, silencioso e de agradecimento, por detrás do biombo dos fantoches, do pequeno  J., autista geralmente  ansioso imparável, a demonstrar como podia que estava a gostar do teatro. ... Não, jamais esquecerei, pois são as memórias boas que merecem ser recordadas. dessas crianças nunca tive um desgosto, um gesto de impaciência, uma palavra cruel...
ANORMAIS, chamam-lhes? ATRASADOS? Pois...Estão mais avançados do que tantos de nós estamos, mas não sabemos conviver com essa diferença...Daqui mando um abraço a todos eles, estejam onde estiverem e espero que estejam felizes, apesar de todas as falsas Inclusões de que possam ter sido vítimas com as medidas do Mda Educação dos últimos anos...
Pra eles e todos os leitores, vai portanto o   belo video (de novo os Sigur Ros!) que revela como estas pessoas são lindas e puras e ainda o Poema de Árvore e Primavera, do contista e romancista moçambicano Mia Couto. Entrelaçando todas estas datas, pois o cromossoma 21 é quem sabe o cromossoma da renovação Humana que esperamos, um cromossoma misterioso cheio de Poesia, uma clareira luminosa na Floresta escura da Vida.
Boa Primavera!
"Alergia",( in blog"Alegrias e Alergias" 21 de Março de 2012)

ÁRVORE
cego
de ser raiz

imóvel
de me ascender caule

múltiplo
de ser folha

aprendo
a ser árvore
enquanto
iludo a morte
na folha tombada do tempo

 MIA COUTO (Março/1985)




quinta-feira, 19 de abril de 2012

ESCOLA DA FONTINHA: para quê MATAR ESTA IDEIA?

( Segundo despejo da Escola da Fontinha,no Porto, hoje 19/4/2012, num triste "estilo" a que a PSP parece querer vir a habituar os portugueses...!)
NÃO DÁ PARA ENTENDER qualquer razoabilidade ou possível argumento na atitude de Rui Rio e da Câmara do Porto em relação ao Projecto "Es. Col.A", na antiga Escola do Bairro da Fontinha, no Centro do Porto (perto da R. de Santa Catarina)!
Hoje mandou as "feras" em que se estão a transformar os nossos agentes da polícia despejar de novo a Escola, não só do grupo de jovens e adultos "Okupas" que criaram o projecto, como dos muitos populares habitantes da zona que apoiavam e aplaudiam o Projecto. VERGONHA!
Foi muito feio: muita violência policial indiscriminada (até mulheres e velhos... o costume!), três presos , quatro feridos e um homem que quase se imolou pelo fogo, depois de se ter regado com gasolina!
A reportagem da RTP, há um ano tão simpática e solidária para com o Movimento (ver o video que linko adiante), também teve retoques de capataz censurador e nojento: termina dizendo que, como se recusavam a pagar uma renda, o Movimento ocupara a escola "de forma VIOLENTA e SELVAGEM" (palavrinhas mágicas que incutem agora aos submissos repórteres! NOJOOOO!). Não senhores! Foi ao contrário: a ocupação foi feita ANTES, com paz e discrição, com muito trabalho de restauro e embelezamento! A violência veio DEPOIS,da PSP e PMP, como hoje se pôde ver, com o VIOLENTO maltratar de cidadãos que ali estavam e foram despejados sem aviso legal,e com o despejar , esse sim SELVAGEM e cheio de desprezo, dos móveis, materiais de trabalhos manuais e criações das crianças pela polícia Municipal , do alto da varanda(!!!)que a reportagem de hoje mostrou aos olhos de todos! REVOLTANTE! Por ora não a posso postar aqui, mas assim que estiver online fá-lo-ei.
A notícia abriu os noticiários do dia, mas fica-se com a sensação que era apenas o "aperitivo" que foi servido aos telespectadores: apontar uns supostos "hippies" , gente pacífica e imaginativa desdenhada pelas nossas pirosas élites, a levar bordoada da Polícia, como se fossem perigosos meliantes foragidos! Para os portugueses saberem o que os pode esperar, caso não fiquem quietinhos e conformadinhos às austeridades troikadas necessárias para sustentar o Covil de bandidos de luxo que é/foi o BPN , ou a insaciável banca especuladora que desvia a ajuda económica nacional ,ou para outros "projectos" mais "patrióticos"...
O prato principal das "News"? Claro, o charmoso e "altruísta" evento divulgado uns minutos depois, um tal de "Cascais Restaurant's Week", ou lá como se chama (muito nacional gastronomicamente , a acreditar no título), que até dá umas contribuiçõezinhas para a pesquisa do Cancro da Mama (certamente enquanto serve amêijoa radioactiva vietnamita em "cama" de legumes transgénicos ou bife de cachalote em extinção em "redução" de trufas gourmet ,com pinhões e mel de abelhas assassinas, ou algo parecido...), talvez a famosa quantia "Leopoldinesca"/"Continentesca" de "UM EURO" por cada refeição que custa módica quantia de... 20€ ("apenas"!- disse o repórter!). Num país onde tanta gente já passa fome, estes "apenas!" são chocantes. UM NOJO!
Adiante. Tenho acompanhado com certa regularidade esta polémica da Escola da Fontinha, tenho divulgado e subscrito a iniciativa e apoiado aquela bela ideia, mas confesso que tenho andado mas arredada dos últimos desenvolvimentos. Deveria ter participado em actividades mais concretas no terreno, mas a "vidinha" por vezes troca-nos as voltas e admito que não me empenhei com uma dose maior de solidariedade e proximidade. Há um mês soubera que a permissão da Câmara para a ocupação fora prolongada até ao fim de Abril e depois talvez até ao fim deste ano Escolar (segundo uma das últimas papeladas enviadas pela Câmara ao Movimento), por isso foi com certa surpresa que vi hoje estas tristes notícias.
Sim, bravo Dr. Rui Rio! Agora que com a Crise se noticia também que está de novo a crescer o consumo e tráfico de drogas, certamente que acabou de dar um belo contributo para que mais toxicodependentes tenham um abrigo para se injectar, com a vantagem que agora já está tudo muito limpo e tudo restaurado, sem lhe ter custado um único tostão, ou seja, já está tudo pronto a ficar de novo emporcalhado, abandonado e devidamente vandalizado.
Bem. Faço agora "Rewind" muito rápido, para quem não está por dentro do que se passa: há quase precisamente um ano, um grupo de cidadãos, portugueses e estrangeiros, ocuparam uma escola primária no coração do Porto, escola encerrada há cinco longos anos e que apenas servia de esconderijo a toxicodependentes e sem-abrigo, estando já num estado lastimável (ver as fotos da reportagem que linko mais adiante).
Como se sabe, as escolas de Primeiro Ciclo são da responsabilidade das Câmaras Municipais, portanto não correspondem exactamente à designação de "propriedade privada". São um bem do Estado, ou seja, de todos nós. Também conhecemos todos casos onde jovens estudantes "okupam" casas devolutas, algumas bem centrais, mas têm a condescendência gentil dos proprietários que apenas não querem grande exibição do facto no exterior. Fazem o que bem querem lá dentro e até vão ajudando o espaço a não se degradar mais nem a ser vandalizado. Ora o grupo do "Projecto Es.Col.A da Fontinha", como se passou a designar o grupo de ocupantes da abandonada (repito!) escola, nem sequer ocupou o estabelecimento para seu proveito próprio. Fê-lo para criar algo de BOM e BELO para os habitantes daquela zona tão negligenciada. Aqueles cidadãos restauraram a escola ( NÃO DEIXEM DE VER O VIDEO da RTP AQUI, de Maio do ano passado ), limpando-a,pintando-a e reparando tudo, com os SEUS PRÓPRIOS MEIOS, e começaram a organizar actividades para as crianças e outros habitantes do bairro: apoio escolar, cursos diversos...
E assim se fez um espaço atractivo, útil e bom, a custo ZERO para a autarquia. Até em segurança o Bairro da Fontinha ganhou com isto, como é claro de ver.
Isto em Abril de 2011.Passado um mês, ao aperceber-se do facto, o Presidente da Câmara resolveu mostrar "músculo" de quem "manda" (?!) e ordenou o despejo da Escola. Mas, mesmo "tripeiro" sendo, não devia esperar a reacção dos habitantes do Bairro e da cidade, que reza a História que perante Injustiça à frente do nariz não deixa os créditos por mãos alheias: os moradores da Fontinha iniciaram então uma campanha à qual aderiu boa parte da Cidade e até do resto do País. Foram feitas manifestações e petições para que devolvessem o espaço ao "Es.Col.A". Cresceu um belo movimento, até com um blog (VER O BLOGUE AQUI, onde aliás estão as últimas notícias sobre o caso e o espanto que tomou o despejo selvagem e a actuação vandalizadora das forças policiais!). Queriam de volta os okupas, concordavam com eles, achavam magnífico o seu trabalho... (ver também na reportagem "linkada" acima) .
Perante tal protesto solidário, Rui Rio rendeu-se às evidências e permitiu a continuação da ocupação até ao final desse ano escolar e/ou até ter algum projecto alternativo para o espaço. Claro que não teve nenhum (para além da gestão Tio Patinhas de Rio, vêem-se por acaso muitas iniciativas culturais ou educativas da autarquia portuense?!), a ocupação e as felizes actividades foram-se prolongando. O Bairro estava feliz...


(prancha de b-de das várias publicadas no blog "5Dias net", sobre esta causa, que aliás hoje dá notícias actualizadas também sobre o caso)

Em Dezembro,em Janeiro, depois em Março, novas investidas de prepotência e ameaça da Câmara regressaram, embora de argumentos válidos ou de projectos nada se vislumbrasse. Queriam cobrar uma renda mínima de 30 Euros ao Movimento, quando nenhuma das actividades eram para fins lucrativos. O argumento mais invocado pelo Pres. da Câmara é patético: que não podem "abrir precedentes"! Realmente que era uma acção meritória, bonita, pacífica, com vantagem social indiscutível, mas... e se todos se lembrassem do mesmo?
Pois... Que grande argumento, senhor Dr.! Ou seja, uma escola fecha, é vandalizada e torna-se num tugúrio... o exemplo pode ser seguido à vontade: outras escolas, fábricas, pavilhões e espaços são abandonados e depressa são ocupados por ratos e delinquentes, sem nada se resolver... Mas esse tipo de EXEMPLO pode ser seguido não é? Pois não macula a sacrossanta ideia de Posse de não- sei -o -quê -e -de- não -sei -quem. O país pode até ficar todo ao abandono e em ruínas, que a "dignidade" de quem desleixa e tinha a obrigação de cuidar não é posta em causa! se alguém altruísta se lembra de cuidar e recuperar, não para roubar propriedade mas para a tornar aberta e útil a todos, então o exemplozinho ... é proibido! É perigoso, não é? E toca a malhar em gente de Paz!
Repito: É VERGONHOSO!
A notícia mais fresca (escassas horas) é que 11 membros de uma corporação de bombeiros do Porto (batalhão de Sapadores) se queixou de ter sido enviada para o local, SEM FARDA e de CARA TAPADA, para fazer número, procedendo certamente a queixa contra a CMP (LEIAM A NOTÍCIA AQUI! in Público). A ilegalidade do processo multiplica-se...
E aqui o POST do blog do Movimento explicando a forma "escorregadia", malabarista e sem lisura como a Câmara foi tratando o assunto com o Movimento (que aceitava oficializar e legalizar o projecto!) e distorcendo as datas na Comunicação Social!
Pois bem, "não se pode deixar morrer esta Ideia" , slogan do "Movimento Es.Col.A". Aqui me têm também para fazer o que puder! Se este EXEMPLO deste Projecto de cidadania fosse mais seguido em todo o País e todo o Mundo, de certeza que tudo estaria melhor e não entregue a abutres.
Não me conformo a o ver quer os primeiros que voltaram a vandalizar a Escola foram os agentes da Polícia, afinal filhos deste povo, um grupo espezinhado e humilhado também...E parece que já emparedaram tudo! Não se sabe de uma iniciativa concreta que a Câmara tenha para o local (talvez a habitual especulação imobiliária? mas no local que é, nem para Hotel de Charme, tão em voga, serve!) , tudo o que quis foi ainda lucrar a posteriori um dinheirinho por um espaço que abandonara e desprezara! Não: isto não pode morrer assim! É ABSURDO!
"MUITA água ainda vai correr debaixo da ponte". Ou melhor: MUITA Água ainda correrá DESTA FONTE!
São causas destas que ainda valem a pena!
Viva o Movimento "Es.Col.A"!
"Alergia" (19-4-2012, in blog "Alegrias e Alergias")


terça-feira, 6 de março de 2012

Jack Johnson - better together


(Jack Johnson- "Better Together")
Uma música para desejar boa noite, de uma blogger cansada e apressada.
Amanhã saem dois posts fresquinhos. Um para resmungar com algo muito sério, outro para fazer sorrir (sim... e  em cartoon!).
Deixo a tranquilidade das ondas Havaianas  com a canção  optimista de Jack   Johnson.
Até amanhã.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ALERTA! É preciso fazer qualquer coisa!

É PRECISO AGIR, mostrar que as Escolas  em Portugal não podem continuar a viver num caldo de violência, intimidação e medo! Que nem a tutela nem as direcções podem continuar a varrer estas questões para debaixo do tapete!
Anteontem, um professor foi barbaramente espancado por (TRÊS) familiares de uma aluna à qual simplesmente mandara sair da sala de aula devido ao comportamento incorrecto (ver a notícia AQUI). A direcção da Escola abriu investigações,mas fecha-se "em copas" e não condena desde logo abertamente o sucedido(mesmo que depois deva apurar os detalhes dos factos) A Comunicação social, ou parte dela, anda atrás do escândalo e já está a criar confusão, emporcalhando o bom nome do professor, estimado por todos e que jamais agrediu aquela aluna ou outros, com testemunhos difamatórios  e "criativos"de alunos de cara tapada...
Toda a gente sabe como acabou o caso da investigação ao suicídio do professor da Escola de Fitares que, no ano passado, não resistiu à angústia de  ver e sentir as suas queixas na Escola serem sistematicamente ignoradas.
Há poucos dias, só este mês de Janeiro, duas professoras do mesmo departamento e da mesma escola em Coimbra também se suicidaram.
Entre os alunos também é o descalabro: o inquérito à morte do pequeno Leandro, o ano passado, por suicídio após iterado bullying de colegas maiores que ele... também foi arquivado, pelas constantes faltas de provas, a desculpa do costume.E a vítima acaba quase dada como culpada!
Como ele, milhares de alunos sofrem maldades dos seus colegas, há relatos e filmagens colocadas no Youtube e raramente resultam punições. Mesmo a tareia que umas adolescentes deram noutra, ostensivamente filmada, teve algumas penas em tribunal, mas suspensas... e o "cineasta" já de 18 anos e com reiterada história de delinquência, viu a pena suspensa , caso... reingressasse na Escola! Mal saiu do tribunal com tal perdão, insultou e pontapeou uma jornalista! E depois... tudo na mesma como a lesma! :((
Os funcionários não docentes também são vítimas e por isso já receiam intervir numa cena de pancadaria a que assistam, dentro da escola até, pois apanham também ou,  quando agem, tantas vezes são alvo de queixas por alunos e pais... chamados às direcções e  até processados. Já há muitos anos me dizia uma vez uma funcionária: " pois é... eu tenho filhos para criar, mais vale olhar para o lado do que arranjar chatices". Por essa altura parece que uma colega, ao deparar com alunos a fumar nas traseiras da escola, apanhara com um cigarro em brasa na cara, atirado por esses  "alunos". E agora ,com as troikices que gerem o país, até vão poupar tostões evitando a contratação de funcionários preparados pedagogicamente, colocando na sua vez, em constante rodopio temporário, adultos beneficiários de RSI,o tal serviço "comunitário" (de seis em seis meses?), tal como já vinha fazendo com pessoas do Fundo de Desemprego. Como vão as Escolas gerir mais essa vertente de instabilidade? Se algo correr mal, a nível da indisciplina escolar e inseguraça, em consequência de tais "colocações", a quem vamos pedir contas? Ao ministro-segurança-Portas? Ao ministro da Assistência, digo, da Segurança Social? Ao MEC Crato? Ao ministro Álvaro do (des)emprego?
Alunos, professores, funcionários auxiliares... todos vítimas da mesma violência, com vários estilos e matizes, mas tendo em comum o que o Sistema perverso permite,HÁ MUITOS ANOS mas a agravar-se sempre,  o tal  sistema que finge paixões por Educação e buscas de "excelência " e mérito...
Até quando vão continuar em crescendo notícias destas? Não é abafando-as que deixam de existir estas tragédias, esta tragédia profunda no nosso país doente. Só se fará algo quando houver um HOMICÍDIO em directo? (e nisto já nem classifico os  tais suicídios como homicídios indirectos, o que quase de certeza foram!).O professor agredido tem 63 anos e ficou com diversos hematomas, que o poderiam ter matado!
Deixo aqui  o link  do post divulgando o apelo feito por uma professora corajosa, publicado noutro blogue ("A Educação do Meu Umbigo"):
Professores, ou não, alunos ou não, pais ou não, temos de fazer algo como CIDADÃOS a ver mais este rombo revoltante no nosso Portugal. A pergunta é simples: o que  podemos fazer nós, cidadãos que nos indignamos com casos destes? (não incluindo propostas de retaliação com sovas semelhantes ou guerras étnicas...). Isto não é corporativismo! É tempo de os alunos pacíficos poderem ter um bom ambiente nas escolas. Para aprenderem e desenvolverem em harmonia todas as suas capacidades. Não pode toda a comunidade escolar ficar refém da indisciplina e da delinquência, dentro e fora da Escola!
Tinha quase prontos os novos cartoons, sobre outro assunto nacional, que tencionava publicar hoje aqui, mas considero esta questão mais urgente. Ficam para amanhã, que o humor não se perde. Por favor dêem sugestões para se tentar algo de concreto para enfrentarmos este problema. Já vimos que pouco ou nada podemos esperar dos poderes instalados, central ou localmente. É tempo da CIDADANIA  ter palavra e acção, a acção cívica esperada  por quem não se conforma com esta degradação. Meditem, divulguem, proponham, por favor...
Margarida Alegria (2-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")