Mostrar mensagens com a etiqueta Independência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Independência. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de abril de 2013

No dia da Liberdade portuguesa

(o principal herói do 25 de Abril de 1974, Salgueiro Maia,sempre humilde, um entre os seus, com o cravo que se tornou no símbolo de uma revolução pacífica)

25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo 

Onde emergimos da noite e do silêncio 

E livres habitamos a substância do tempo

(Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas", 1977)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
E contrasta tudo isto com o discurso do Presidente da República, que  nem consegui escutar até ao fim, para não vomitar, numa tristonha comemoração oficial dos 39 anos da revolução.
Por Deus! Um discurso apenas em redor dos "ajustamentos", do "programa de reestruturação", da Economia (leia-se, Finanças), da "necessidade de consensos socio-políticos" ( e ao apelar a tal usando  um tom de voz de uma sanha exaltada e clubística que lembra um seu discurso revanchista de tomada de posse e os famosos discursos no congresso do seu partido, quando subiu ao poder, fingindo uma inocente viagem à Figueira da Foz só para fazer a rodagem do carro!). E as taxas de não -sei- quê e o enjoativo "regresso aos mercados", e a "limitação da dívida pública", com umas breves lágrimas choradas pelo desemprego e as dificuldades, e o resgate pela troika como inevitável... e "economês", economês e mais economês, desse de excel e de regras de mercado que já deveria ter percebido que é um modelo económico global que está ultrapassado e moribundo e está a destruir a Europa...
Mas é como tantos políticos e outros vulgares membros de "elites", que não entenderam ainda quais são as verdadeiras e mais fundas inquietações dos portugueses, que vêem morrer a sua democracia, a Liberdade, as suas modestas vidas transformadas em Infernos por via destas teorias da austeridade. E o Próprio PR a defender quer não há via alternativa (?!)  e a deitar números e percentagens e "indicadores" disto e daquilo, como se fosse o fundamental ou sequer tivesse verdadeira ligação à realidade dos cidadãos. Outro político pequenino como a maioria  que o rodeava na Assembleia e que enxameia o país, um político mesquinho e cheio de "recadinhos", sendo a maioria dos que deu para os partidos da oposição (especialmente o PS) e os que reclamam a demissão do governo e de eleições, lembrando que o poder efectivo do país que ajudou a vender e subjugar, o poder da "Troika" (que vezes sem conta mencionou, e como "legítima", num discurso do Dia da Liberdade!), irá continuar a prevalecer, "seja quem ganhe as eleições" (como disse, assim mesmo!)...Quem sempre foi tão calculista para a sua própria reeleição, ao longo do seu percurso pelo poder, em todas as medidas que tomou e discursos que fez na vida, agora apelava, hipocritamente, ao ser importante não se guiarem por "calendários eleitorais"... ah, "bem prega Frei Tomás"...
Em suma, inqualificável, mesquinho, ridículo de tanto jargão economicista, um discurso que não parecia escrito por um Presidente que nos devia representar a todos, DEFENDER a nossa democracia, a nossa independência, a nossa Liberdade, mas que poderia ter saído da pena ou do teclado de um qualquer Vítor Bento ou equivalente, daqueles "especialistas" das teorias  cegas que nos têm arrastado para o abismo, daqueles que lamentam muito o aumento do desemprego, mas que o consideram um mero "efeito secundário" (sim, V. Bento dixit!) das "necessárias" medidas de austeridade.
Uma sombra negra, cega e facciosa em forma discursiva, no Dia em que havia que apelar aos valores supremos da ainda jovem democracia, à Esperança fundada na Liberdade e na identidade nacional e não nos números.
Ironicamente, uma nuvem escura e crispada, num dia de sol que nos foi hoje presenteado...
 Não sei qual terá sido a reacção dos diferentes partidos a este discurso, nem me interessa. Só sei que sinto, escutando-o como cidadã "comum", que Portugal merecia melhor!
Ao menos a Natureza e a radiosa Primavera contradisseram-no, com coros de pássaros e céu azul, comemorando o "dia inicial inteiro e limpo" dos versos de Sophia e apontaram-nos um outro caminho que não esse do conformismo aos ditames de ditaduras externas e financeiras dos mercados  "nervosos" e duma UE desorientada: o céu e o sol aconselharam-nos, tal como esse outro poeta, José Régio, a um "SEI QUE NÃO VOU POR AÍ".
--Optemos sempre e sempre pelo caminho da Democracia e da Liberdade,-- pareceram-nos alertar em uníssono a luz, o céu, os pássaros, o sol!
"Alergia" (25-4-2013, 39º aniversário da Revolução dos Cravos em Portugal, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dar a palavra a quem vive as situações e sabe (e não a opinionmakers de pacotilha):Opinião Pública Paulo Guinote SICn.


(programa Opinião Pública da SIC, com Paulo Guinote, dia 24-7-2012)
Em tempos de plena guerra aberta  entre professores e MEC , é bom e  ao menos algumas vozes  que são convidadas pelos  Órgãos de Comunicação Social serem de quem está efectivamente "no terreno" (isto é, numa Escola), com as vantagens adicionais e não deprezíveis de,  neste caso, terem doutoramentos  não relvados" na área da Educação, uma  inteligência arguta e uma "suada" independência. Caso de Paulo Guinote, professor do ensino básico  e blogger.
Mais uma  vez estamos a ver o MEC a  empurrar os sindicatos para o canto alegando que com eles só trata de assuntos salariais, como disse há dias o Ministro Crato, num fraseado demasiado mariadelurdesco  e arrogante (argumentou  que falar com os Pais, com os sindicatos ou com os directores, sobre a Educação portuguesa, são coisas diferentes, tendo tentado armadilhar a reunião conjunta pedida por todos estes, para... reuniões separadas...enfim, manhas, nas quais desta vez todos - sindicatos de professores, Rep. de pais, sindicato dos inspectores--evitaram cair, com uma união como já não se via!...).
Urge portanto "contra-atacar" em várias frentes, sobretudo esclarecendo a POPULAÇÃO que esta "guerra" não é algo de corporativo, como sempre nos atiram à cara os comentadores que nada entendem do Tema Educação, mas que sobre tudo comentam, tarefeiros para toda a obra... Estamos sim perante um grave ataque à Escola Pública de qualidade --como a que tinhamos,apesar de tudoo que havia ainda a melhorar; quem dizia o contrário já eram os "jornaleiros" do regime central, a preparar terreno e a virar a opinião pública contra os professores, de há 10 anos a esta parte, pelo menos.
Se transformarem os docentes em ( ainda mais) precários trabalhadores à jorna e /ou à hora, como estão a fazer aos enfermeiros, alimentando mercantilismos, poderemos dizer adeus à Escola Pública verdadeira e democrática. Poderemos dizer adeus ao direito de todos os jovens cidadãos terem acesso aos estudos.
Uma dessas frentes será portanto dar voz aos professores que conhecem o sistema por dentro das Escolas, nos órgãos de comunicação e por outros meiso possíveis.
Outra será , em cada Escola, apelar à verdadeira solidariedade dos directores e de todos os docentes que ainda estão na ilusão que escaparão a este dilúvio de leis criminosas, não se trata de estar em jogo apenas cargos ou empregos, mas a Escola Pública, repito.
Urge também chamar à razão os representantes dos Pais, que parecem finalmente estar do nosso lado nesta questão fundamental.
Como disse acima, o MEC tenta mais uma vez isolar os sindicatos num suposto estatuto de  meros negociadores salariais. Felizmente parece que alguns desses sindicatos, caso da Fenprof, parece terem acordado de certa letargia em que se encontravam, adormecidos que haviam sido pelas propostas falsas mas de voz maviosa de Isabel Alçada e mais recentemente por certo tom dito "afável" deste novo ministro. Foi mais um logro, como já se vê. Então colaboremos , professores,com os sindicatos naquilo que sabem organizar bem, como as concentrações que estão a decorrer esta semana, como os comunicados e as providências cautelares e as manifestações, mas não fiquemos por aí.
Dentro das Escolas temos de pensar em formas efectivas e originais de paralisar o arranque do novo ano lectivo, não esquecendo que mais vale "prejudicarmos" um pouco alguns dias lectivos dos alunos, do que os condenar para sempre a um sistema instável e de triagem totalitária, a um sistema onde não possam sonhar mais alto e onde as portas para muitas crianças se fechem desde muito jovens, por falta de opções educativas de verdade, por não terem meios económicos ou por passarem a ter falta de professores, com os que restam completamente exaustos e sem paciência.
Há dias já se ouviu o próprio P-M a dizer que a opinião pública não estava contra as medidas que tomava, que quem o criticava era apenas a "opinião publicada". Usou inclusivé o mesmo argumento de Sócrates, quando P-M, de que quem o vaiava na rua não era a população, mas pessoas manipuladas pelos sindicatos, que o perseguiam a si e aos seus ministros, quando se deslocavam  pelo país. O mesmo senhor dissera antes de ser eleito que Jamais iria sacrificar mais o país, que jamais alegaria isto ou se justificaria com aquilo... (quem te viu e quem te vê). Por isso não esperemos resolver tudo pela via sindical: temos de abrir os olhos aos pais e restantes cidadãos , que nem sabem o que espera os seus filhos no ano lectivo que se avizinha, onde turmas com alunos a mais e professores com turmas /alunos a mais verão, a seu lado , salas novas vazias (de escolas restauradas) e professores humilhados sem turmas! Querem maior absurdo  e desperdício que este?
Escutem atentamente este programa, que é muito bom e elucidativo, embora alguns dos muitos temas arrolados e importantes tenham ficado de fora por falta de tempo.
Há também a vantagem de, contra o que é habitual, os  cidadãos comentadores deste programa serem de qualidade superior a outros em outras ocasiões, ou seja, mais esclarecidos e atentos do que a média de sexagenários que costumam ocupar as manhãs a telefonar para o Opinião Pública, passando tantas vezes ao lado do tema central e optando pelas queixas pessoais sobre as "suas dores reumáticas" e/ou a invocar  o "dótor" Salazar...
Por falar em terceira idade-- e com todo o respeito  e carinho que os idosos me suscitam quase sempre-- há coisa de dois dias um programa informativo de um dos canais por cabo (SIC, TVI?) convidava dois  sábios anciãos do país, que ilustram sintomaticamete o que eu disse acima. Não vi o programa, mas parece que foi confrangedor a quem tentou captar alguma substância do dito. Convidados: António Barreto e Manuela Ferreira Leite. Um ex-ministro da agricultura de há décadas ,  hoje intelectual de gabarito e dirigente de uma fundação que será a obra mais condigna do rei do pingo Doce. A segunda sendo  ex-ministra das Finanças, ex-diversas coisas mais e também ex-ministra (das Finanças)da Educação, de uma época em que teve de ser chamada para tapar o buraco de um cargo que ninguém queria, por ser braço de confiança do PM de então. Parece que mostraram estar mais "a leste" dos problemas educativos actuais do que se esperava, um refugiando-se nas suas teorias gerais sobre a Educação caso vivessemos num paraíso suíço  e outra refugiando-se nas suas recordações de infância, tal como todas as avós fazem para falar "do seu tempo" aos netinhos. Barreto espalhou-se um pouco a menos, mas foi confrangedor também.
Se outros "entendidos" estavam já de férias para acudirem ao programa, milhares de docentes que têm este ano as suas férias irremediavelmente estragadas se ofereceriam de bom grado para comentar toda esta desgraça e incompetência do MEC, conseguindo DE FACTO elucidar os cidadãos em vez de os incitar ao "Zapping" ou convidar a uma soneca...
Só para dar um exemplo citado por quem assistiu a estes "comentadores": Manuela Ferreira Leite admirava-se com tanta algazarra pela criação de turmas grandes e recordou com saudades os tempos liceais em que era a aluna "número trinta e tal" de uma turma enorme. Acredito: suponho que era também no tempo dos uniformes e em que as alunas tinham de alinhar pelos quadrados do corredor para entrar na sala, o tempo das aulas de  lavores  da Mocidade Portuguesa para tricotar casacos para os bebés pobrezinhos, o tempo dos professores que ditavam a "aula", digo, A LIÇÃO, e procediam ao acompanhamento "individualizado" e  à avaliação "continua" dos alunos através de "chamadas orais", enquanto marcavam o ritmo com o longo e pesado ponteiro de madeira do quadro. Nos intervalos, Manuela desembrulhava o pãozinho com marmelada e, chegada a casa, tinha pudim Boca doce para sobremesa e, depois de fazer os deveres, jogava à "macaca" no quintal. Sim, suponho que não tenha sido nada de especial pertencer a uma turma de Trinta-e-tal nesses tempos, onde possivelmente nem professores nem contínuas a tratavam sequer por Manuela, mas talvez por "menina Leite" ou por ... aluna nº 30 e tal". Era tudo igual, não fazia mal nenhum. O número bordado na bata tristonha tudo resolvia e bastava para a conhecer e identificar. Lá nos seus saudosos tempos de menina, dos tempos... talvez do Reinado de D. Maria Primeira, ou por aí... Perante tão belo passado quem quer saber das complexas realidades dos jovens alunos do Presente?
Margarida Alegria(26-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Europa- Um novo idílio de poses e beijocas? ;)

MAS QUE É ISTO? Tanta coisa diziam que  Hollande iria ser diferente de Sarko e que não se deixaria cair no canto da mini-sereia teutónica... E agora já os vemos aqui em apalpadelas de ombros, em jeito de dança, certamente antecedido de uma beijoca em que a senhora se tem revelado perita?
Ah, bem. Parece que se festejavam ontem os 50 anos da reconciliação  do "eixo Franco-alemão" (ou germano-francês? Senhoras primeiro...), depois de uma   terrível guerra com a origem em factores que muitos tendem a esquecer, para mal de toda a Europa.
De qualquer forma, o Presidente gaulês que se ponha atento, pois foi com estas falinhas mansas que a kaiserina conquistou as boas graças de todos os outros. Só o Berlusconi, embora não recusasse os xoxos da dama, disse cobras e lagartos da sua feminilidade, em expressão  bem a seu jeito "bordelesco" , que não cabe aqui repetir num blog-toda-a-família.
Hollande já tivera um aviso divino, como todos se lembram, quando partiu em visita para Berlim, umas horas depois de ser eleito. S. Pedro , santo sem papas na língua, enviou-lhe uns raios ao avião onde viajava, a comitiva teve de voltar para trás, mas o teimoso não percebeu o recado e foi mesmo de comboio.
Que se ponha agora "a pau" também noutra dimensão, a conjugal, pois a nova esposa já demonstrou ser muito ciumenta e não estar para graças,  tendo fustigado até a ex-senhora Hollande, uma tal Ségolene. Ele que veja atentamente o que aconteceu ao seu predecessor. Primeiro foram uns encontros românticos à chuva, qual serenata de países "bem -comportados" (cof! cof! cof!...):
Depois a cumplicidade foi aumentando, com centenas de fotos a testemunhar cada momento do romance, tornando cada jornal diário e notícia de mais uma cimeira , alimentada a  champanhe e trufas, em ferozes concorrentes das revistas "Hola!" e "Caras".
 O tema das cimeiras, que invariavelmente era inconclusivas e de que já falámos aqui (Post: "Olha o cochicho..."), acabava por estar intrinsecamente relacionado com as ditas trufas, pois , como se sabe, esse alimento gourmet é raro e caríssimo, pois tem de ser procurado nas florestas e campos com o trabalho árduo de porcos (em inglês PIGS , e  que em Eurolandês se lê "PIIGS", que parece que é uma sigla das iniciais dos países mal-comportados da zona Euro). Estão a perceber porque é fundamental incluir as trufas no menú das cimeiras , embora estejamos todos em crise e o Mundo passe fome?
O certo é que,  de cimeira em cimeira europeia, pontuadas por muitas visitas avulsas do moço a Berlim, perante a complacência da sua esposa-diva Bruni, que então se lamentava e baladas tristes que gravava em disco, o espertalhão do Sarkozy lá ia conseguindo que a moça ,Ângela de sua graça, fechasse os olhos às contas menos certas francesas. Esquecia-se que a beneficiária era ela, valquíiria beijoqueira, pois assim conseguia um aliado numa outra economia forte na Europa e não a colocariam como má da fita exclusiva.
 Para aguentar tanta osculação, a cerveja de Munique e a água de... Vichy lá estariam para esfriar os ânimos e falar do dinheirinho/Euro, que era o que importava segurar.
Fique um exemplo então dos diversos ósculos sacrificiais trocados entre as partes (e repito, de entre centenas de fotos que o testemunham):
Este cerimonial beijocal também se verificou em outras latitudes, nomeadamante com o sacerdote Bush Filho:

Ou mais recentemente (que remédio!) com um ex.-G. Sachs que ela própria pressionou para substituisse o tal devasso italiano de má memória. Eis aqui Merkel e Mario Monti na última cimeira, selando com um beijo as ideias que ele conseguiu que ela compreendesse:

Já no caso de Hollande.... Não sabemos se aquela cumplicidade de ontem foi um apenas uma gentileza da comemoração dos 50 anos de Paz, ou se foi um ceder, finalmente, do chamado "presidente normal"`aos encantos misteriosos da Lorelei dos blasers coloridos (julgo que já terá experimentado toda a escala cromática a esta hora, tendo agora de começar a optar pelos estampados ou pelas fatiotas mais ousadas tipo Gaultier).
Para já, aqui no "Alegrias e Alergias", atrevemo-nos a formular uma hipótese, a partir de uma foto que também vem publicada hoje no jornal "Público". No meio das comemorações, terá soprado um inesperado Euro, não o do futebol (que a senhora não ganhou), não o da moeda (que está ela e todos em riscos de perder), mas um mais prosaico vento de Leste, a quem os compêndios antigos chamavam "Euro" (por contraste ao Austro ou ao Bóreas). E se calhar esse terceiro Euro transformou em força o visual sempre colegial da senhora, dando-lhe um novíssimo penteado, assim:

,,, e quem sabe se não terá sido isso que cativou finalmente  o proverbial romantismo de um francês discreto mas pinga-amor, como o Presidente Hollande?
Alergia (9-7-2012, im blog "Alegrias e Alergias")

segunda-feira, 18 de junho de 2012

E agora, Grécia, mãe da Democracia?


(Cena final do filme "Zorba,  o Grego"de 1964)
E Agora, Grécia?  Diferença de uns 2%  entre o "Nova  Democracia" vencedor  e o "Syriza", mas equivalentes a mais uns 50 deputados, aproximadamente. Não entendo estas contas....
Agora vão ter entendimento forçado? vão sair do Euro? E se sairem...  o   Euro colapsa? E nós, pouco solidários povos dos PIIGS  do Sul, achamos que nada disto é connosco?
Talvez termine tudo como este  filme, final mais   simbólico do que  seria de imaginar na altura: tal como estas personagens, os gregos, com a austeridade estúpida  e avassaladora, podem ter perdido tudo, mas sobra ainda o ritmo para dançar !
E esta dança não parece ter chegado ao fim.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

As últimas horas do feriado condenado oficialmente

(Miguel de Vasconcelos é defenestrado, em 1640)


Sobre o Dia da Restauração, que hoje se comemora oficialmente talvez pela última vez, já disse tudo o que pensava, há precisamente um ano, num detalhado texto noutro blogue,AQUI:

"É DENTRO DE CADA UM QUE COMEÇA A RESTAURAÇÃO E A REVOLUÇÃO" ( Nota:se quiserem comentar é fazê-lo aqui, pois esse blogue já está fechado)

... Não altero uma única vírgula desde então. Aí está tudo o que penso sobre a importância da Mudança, da Liberdade, da Revolução pessoal e da Restauração (da liberdade e de nós próprios). Pois a revolução mais difícil é a da vida de cada um e a Restauração começa dentro de cada um de nós. Daí falharem tanto os consensos.

De resto, vou comentar agora um pouco a estupidez hipócrita e pura do querer abolir os feriados. Aí vai.

Há muitos países no Mundo, desses dos ditos exemplares e mais prósperos, tanto na Ásia como pela Europa, que têm tantos ou mais feriados que nós. Se estes não coincidem entre países e atrapalham as exportações e contactos, então é uma questão de as empresas organizarem melhor as suas agendas. Se é por mais umas horas de trabalho, é contraproducente e com pouco peso efectivo. É ridículo. Ainda acabar com algumas tolerâncias de ponto e "pontes", aceito, ou poderá ser algo a combinar entre o patronato e os seus funcionários, caso a caso.

Mas abolir feriados e andar a debater em aflição tonta, pois afinal todos eles são importantes para as populações, histórica ou religiosamente, é absurdo. O que ainda por cima leva a prevalecer a guerra de lobbies (ou de "Alecrim e Manjerona" !), como agora entre os republicanos e os monárquicos, se é mais importante o 5 de Outubro ou o 1 de Dezembro, se a Nossa Senhora da Conceição é uma "santa" mais poderosa do que a da Assunção ou Vice-versa! Afinal, não é a mesma Nossa Senhora? E não é o mesmo país?

Julgo que é mesmo uma discussão contraproducente, que só vai tirar as poucas hipóteses de descanso a muita gente e, a curto e longo prazos vai deprimir ainda mais o país em crise.

Será fácil aos gestores de empresas, o patronato em geral, defender o fim dos feriados, visto que eles próprios podem ter um horário mais flexível, onde até as simples viagens de negócios proporcionam algum desanuviar das rotinas do trabalho. Já o operário fabril ou o funcionário administrativo não tem essas hipóteses. E, como já aqui disse em posts anteriores, há mais vida para além dos mercados, da crise financeira e das dívidas. Há que conseguir tempos para a família, o lazer e desporto, a cultura, ou simplesmente para o sonhar.

Por isso subscrevo as palavras de muitos depoimentos num artigo do Público de hoje(versão papel), que tem por título "com menos feriados Portugal fica mais pobre" (por Ana Dias Cordeiro) ou ainda com este AQUI, no mesmo jornal.


Mas não apenas por questões de patriotismo, --que será bacoco até num país moribundo que permite ser comandado por uma Troika, que diz COMO se deve governar o país para obter o dinheiro para lhe pagar...-- mas por questão de direitos dos cidadãos, como expliquei acima, e por achar sobretudo que não é a abolição de feriados, nem dos 13 existentes, que vai incentivar a Economia ou aumentar a produtividade. E é uma porta aberta para depois o patronato vir a reclamar a abolição do fim-se-semana à inglesa, ou a redução das férias, ou o fim das férias pagas... é só iniciar este tipo de medidas que o neoliberalismo serôdio e voraz vigente levará tudo à frente, aumentando as já "colossais" desigualdades entre os portugueses!


O 1 de Dezembro marca a INDEPENDÊNCIA do país. Ou afinal acham que não foi importante? Hum... talvez tenham razão: estariamos um pouco melhor se tivéssemos continuado a ser espanhóis. (suspiro)


A Independência pela mão de D. Afonso Henriques já deixou de ser comemorada, com a força do 1 de Dezembro, provavelmente. Mas o 25 de Abril não foi o mesmo tipo de libertação! Muito menos o 5 de Outubro, porque afinal, em termos de mentalidade, continuámos a ser um povo monárquico no sentir, com uma minoria republicana nas cidades e nas elites. Basta ver como até tivemos um Presidente da República, republicano dos cinco costados, que foi comparado a um Rei durante os seus mandatos. Sim! Mário Soares! Lembram-se? :))

Já os feriados religiosos, embora muita gente já não os cumpra em rituais, às vezes é o que resta de festa e de identidade e pausa da lavoura no interior de Portugal, já tão abandonado e empobrecido. Não destruamos ainda mais a cultura tradicional do país nem as ocasiões de reencontro de famílias e comunidades!


Para além de irmos dar uma terrível machadada na indústria de pirotecnia, uma das únicas em que conseguimos competir com os chineses! ;)


E não é em chineses que nos querem transformar a todos, com estas medidas patetas de "gestão" tosca e pouco imaginativa ?!


Então deixem-nos as festas e as pausas sem as quais corremos o perigo de deixarmos de ser portugueses, pachorrentos mas criativos, e passarmos a ser cinzentões como algumas de sociedades soturnas sem sol. Essas que até no saber viver dos povos do Sul estão ultimamante a admirar o exemplo para arrepiar o estilo de vida, antes apenas de trabalho. A saber aproveitar mesmo os momentos de sol que não têm em igual abundância.

Cá para mim, os povos "troikas" de nariz empinado para com os países "PIIGS", estão ansiosos para que estes se tornem neles, sem tempo que não para o trabalho... para depois poderem ser ELES mais como nós somos. Só que esse é um segredo bem escondido que não revelam aos seus obedientes servos/bons alunos de Portugal! Ai pois é! Deve ser esse o "plano"! Admirem-se!!! ;)

(e ainda um detalhe: como poderemos, futuramente, compreender e saborear o termo "defenestrar", se abolirmos a lembrança do 1 de Dezembro?!) :))

"Alergia" (1 de Dezembro de 2011, dia da Comemoração da Restauração da Independência de Portugal)