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domingo, 16 de junho de 2013

SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES: descubra as diferenças


(Paulo Guinote e Couto dos Santos na SICnotícias 11-6-2013- recolhido pelo Calimero Sousa)
Quer apreciem ou não os blogues de professores, ou os professores -bloggers e todo os seu estilo, as suas opiniões e feitios, ao verem este video   , este debate de há quase uma semana, ficarão rapidamente dissipadas as dúvidas sobre quem é que aqui defende os alunos e  a Escola Portuguesa .E qual destes dois homens mais falta  faz para a causa educativa e simplesmente domina  o TEMA Educação. 
Claro que o senhor que esbraceja na parte direita do ecrã ( só faltado dar alguma cotovelada à jornalista Ana  Lourenço) até podia ser "apenas" engenheiro   e não ter, como o seu interlocutor,  um Doutoramento em História da Educação. Não viria daí mal ao Mundo, pese a fama injusta que outro certo senhor deu aos engenheiros em Portugal, nos últimos  seis anos. Mas deveria  ter um mínimo de....
Convido os leitores, portanto a procederem a um simples passatempo de DESCUBRA AS DIFERENÇAS (para além das origens regionais detectadas na pronúncia, mas isso é pouco relevante): à vossa esquerda no ecrã, um homem calmo, a esperar a sua vez para falar, a argumentar fundamentadamente, com dados precisos e bem analisados, a saber ripostar aos absurdos dos argumentos contrários, a explicar tudo com clareza, correcção, firmeza. Do lado direito do ecrã, um homem exaltado, que desdenha e fanfarrona, com argumentação mal enraizada, dados genéricos, a "baralhar estações", como dizem no Brasil, a interromper constantemente, a recorrer até ao insulto e à menorização do outro... só vendo e ouvindo.
O primeiro é professor e vai fazer greve a avaliações e dias de exame, até não sendo  grande apologista de greves e manifestações, por sistema. Mas, quando o outro não o interrompe, tenta explicar as razões dos professores que vivem a realidade extenuante da Escola Pública(que se degrada)...na sua escola. É ele Paulo Guinote, professor do Ensino Básico (História e Português) e autor do blogue "A Educação do meu Umbigo". O segundo apenas argumenta o que é da cartilha quase "oficial" de ataque a esta greve: que as greves são manipulação dos sindicatos e não do interesse dos professores, que os alunos coitadinhos vão a UM exame e depois regressarão (NESSE DIA- parêntesis meus) para casa sem o ter feito, ai o transtorno das  famílias e das férias familiares!-- (férias familiares? E cerca de 20 mil ou mais professores que se arriscam com estas medidas que querem  a serem despedidos ou mandados para horários precários, de terra em terra, na tal "mobilidade especial" agora chamada com cinismo de "Requalificação" ,nem que tenham 20 ou 30 anos de serviço e contrato mais antigo e efectivo com o ministério e com uma escola? E não, não há professores a mais. O MEC é que nos dois últimos anos "fabricou" manobras de eliminação de horários para uns e sobrecarga para outros, até eliminando disciplinas importantíssimas, agregando escolas diferentes e distantes à força  ). Esse tipo de cartilha para atacar os professores é a que circula por todo o tipo de comentadores, políticos e, como neste caso-ex-governantes. Sim, faltava esclarecer isso, sabia? O homem que esbraveja à direita já foi.... (isso, não leu mal na legenda!)... MINISTRO DA EDUCAÇÃO. Chama-se Couto dos Santos e agora por aí anda noutros cargos muito importantes, públicos e privados. Ponham-lhe os "respeitosos" cabelos brancos de volta para castanhos e uns óculos grandes de massa, um casaco aos quadrados... sim! ESSE! Escusado lembrar que foi um péssimo Ministro, daqueles de refugo que por vezes os partidos desencantam, ainda muito novinho, mas isso não seria defeito, não fosse a proa e termos que usa, que aqui vêem, que tão mal corresponde a uma função ministerial em geral e  muito menos à pasta em questão (de EDUCAÇÃO! relembro de EDUCAÇÃO!!!). Já não sei de certeza se foi a este que os estudantes universitários mostraram os jovens "assentos" com letras "NÃO PAGO", no tempo de imposição de aumento das propinas, mas penso que sim. O Paulo Guinote diz, no video, os anos em que o cavalheiro "ministrou".
Perante isto, para além de tantas outras razões, quem de entre os docentes ainda tiver dúvidas quanto à justiça desta greve, cujas datas foram ditadas pelo MEC , ao ter começado a impor, quase sem negociações, estas medidas economicistas NESTA ÉPOCA do ano  e não noutra, esperando ter tudo aprovado à sorrelfa, no Conselho de Ministros (se calhar à noite ou em pleno Agosto) e ter a via de "trânsito" ou de despedimento pronta em Setembro para  entregar aos docentes , quando estes voltassem das suas escassa pausa de Verão (sempre em época alta, a mais cara...ultimamente por casa...), não sei de que mais argumentos está à espera para sacrificar estes dias de salário...
Um país onde um indivíduo como o da direita chega facilmente a ministro, por via do mero cartão partidário (e o tipo de arregimentação continua até hoje!) . saltando depois para  o "mérito"(?) de uns tachos e panelas que o continuam a elevar até ao auge comprovativo do  famoso "Princípio de Peter"; e onde um Paulo G., com curso, mestrado, doutoramento e livros publicados, conferências e estudos vários....tem de penar em horários cada vez mais pesados ano após ano, embora se desmultiplique em outra actividades cívicas pela Educação-- não saindo dessa aparente "cepa torta"  só porque se quer manter de espírito crítico e independente, sem "coloridos" a algemá-lo...-- é de facto, um país doente. E funcionando assim, instala-se mais facilmente a corrupção, a menorização do verdadeiro mérito, o convite a se ficar caladinho ou a emigrar... Um país assim não sairá desse círculo vicioso, regido por demagogos mentirosos e subservientes a interesses económicos (que esbulham a pátria a alta velocidade), se ninguém com mais coragem der um murro na mesa e disser basta a todas as medidas que estão a empobrecer o país, a roubar-lhe a soberania, a humilhá-lo.
Como nos tempos da ministra de Educação de má memória, Maria de Lurdes Rodrigues, no seu reino de Terror entre 2005 e 2009, --com uma continuação versão mais "light" da escritora que dá pelo pseudónimo-nome de Isabel Alçada, mesmo nas funções de Estado--, O MEC está a querer dar ao País todo o exemplo de esmagamento e humilhação  da Escola Pública e dos professores, nos seus mais básicos direitos, para que depois nem os outros funcionários Públicos nem os restantes portugueses descontentes ousem continuar a protestar contra os (des)governantes. O José Pacheco Pereira comparou esta Guerra contra os professores com a guerra de Thatcher, no R.Unido, contra os mineiros, nos anos 80, precisamente diabolizando os sindicatos e os outros representantes  destas profissões que ainda resistiam/resistem. A tal senhora que  deu cabo do melhor que tinha o seu país e que estes meninos desgovernantes tanto parecem admirar e querem imitar (mas sem inteligência, só com costas quentes internacionalmente. Ao menos ela era corajosa...), 30 anos depois... é bem próprio do nosso constante atraso nacional: até a imitar "modelos" estrangeiros chegamos atrasados, imitando o que já foi contestado e até  abandonado e muitas vezes apenas requentado em outras paragens....
Amanhã, Nuno Crato acabou de dizer, mantém-se marcado o exame de Português de 12º ano (e o de Latim). Vamos dar-lhe a devida resposta, não comparecendo. O direito à greve sobrepõe-se à convocatória ridícula que o MEC mandou fazer a todos os docentes e até... aos directores. Nem o colégio arbitral nem o tribunal administrativo a que o MEC recorreu lhe deu cobertura a "serviços mínimos" ou requisições civis. Espero que todos os colegas não se deixem intimidar, nem com passageiras(a meu ver patéticas, convenhamos, perante uma situação bem mais grave!) "penas" pelos miúdos (poderão estudar mais , rever matérias, ninguém lhes tira  ou destrói o que estudaram), ou medo de retaliações (?!) num país que ainda se diz democrático e respeitador das leis.
Portugueses: o país também é nosso e somos mais que  esta minoria que nos quer culpar (a todos) dos roubos  ao erário nacional feitos por certas élites corruptas e transformar num protectorado de  mão-de-obra escrava! teremos do nosso lado o direito Internacional e o o Tribunal dos Direitos Humanos, caso haja atropelos à lei. Lembro também: um trabalhador substituir outro que fez greve, num conjunto imenso de "suplentes" impreparados e recrutados à força é ILEGAL.
Pensem. E vejam o debate e esclareçam-se, no que o senhor esbracejante e rude do video permitir que se oiça. Querem que eternamente pessoas como essas continuem a ocupar o poder e os lugares fundamentais do nosso belo país?! Acham que é FADO luso ter que continuar a ter o país minado por toda essa trupe de interesses e de pessoas que não amam o seu país, a sua cultura, a sua educação, o bem estar dos portugueses ,mas só  querem chegar ao poder ,  ao dinheiro público que sugam, às benesses que reservam e acumulam para si e para os seus?
Pensem bem, portugueses, antes de embarcarem no atirar de pedras de uns tantos, que dominam a opinião publicada, contra os professores e contra os Funcionários da Administração Pública em geral (que só "gastam", com salários que recebem pelo trabalho,10% do PIB, abaixo da média da UE, ao contrário do que apregoam) , em demonização manipuladora que o esperto olho do Zé Povinho já percebeu há muito. Percebeu... mas resta o MEDO. Os professores estão a perdê-lo... Porém o MEDO está sobretudo na cabeça das pessoas e só domina quem o deixar.
Tanto se tem falado em "Ponto de viragem para o país. Amanhã sim, pode ser o verdadeiro PONTO DE VIRAGEM.
Margarida Alegria (16-6-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
( NOTA:  como vêem, retomo hoje alguma postagem, após mais de um mês de interregno, por falha de Internet . Não poderei postar muito, por várias razões, sobretudo de trabalho, mas tentarei ir colocando umas coisitas...)

sábado, 4 de maio de 2013

CARTOON: Kem Ké um Xuápe? (Série Jejé e Companhia)

(c) Margarida Alegria (Maio de 2013)- a imagem ficou muito reduzida, neste espaço. Clicar sobre a imagem para ler melhor

Há muito que não publicava um cartoon da série destes garotos... ia dizer "reguilas", mas acho que já estão no patamar do delinquente.
Este é o primeiro de um conjunto de cartoons a que chamo internamente de "Clandestinos" (um dia talvez explique melhor). Digo apenas que tenho descoberto que, quando se tenta aproveitar os tempos mortos de alguns momentos de  tortura  taylorista, é bem mais fácil ocupá-los com a criação de cartoons do que com a criação de texto.
Um cartoon coaduna-se melhor com a constante interrupção, pois está desde logo desenhado na íntegra na nossa cabeça antes de o passarmos para o papel. Depois, em períodos de 10 minutos ou menos ,intervalados, lá vamos fazendo o esboço geral da imagem, depois o desenho mais detalhado, depois o passar a tinta, por vezes o colorir.
Com a escrita é diferente. Por mais pensada que tenhamos a ideia  antes de chegar ao papel, depois o escrito ganha vida própria e temos de estar em total concentração e abstracção em relação ao que nos rodeia. Uma interrupção pode deitar por terra o desenvolvimento de uma ideia nova ou da estrutura de uma frase... um pouco como estar num belo sonho e ter de acordar de repente, tentando depois, em vão, tactear por entre palavras e imagens às quais queremos voltar. É de facto verdade aquela ideia que se tem de que é preciso retirarmo-nos do mundo, para uma cabana isolada, na companhia do papel e caneta e uma panela de sopa. De outra forma torna-se tudo  muito mais lento. Mesmo se estivermos diante do computador, como agora estou, temos de evitar todas as distracções, e então da possibilidade de intercalar com outras tarefas nem falar: é quase impossível!
Falando em escrita, fiz agora um intervalo de passatempos mais interessantes que as nacionais aflições com estes constantes sobressaltos com o nojo e o banditismo de punhos de renda que todos os dias nos é despejado pelas notícias. E cá vim publicar o meu cartoon "clandestino" de há dois dias.
Ontem foi  mais uma inenarrável comunicação de cortes e sangria aos cidadãos pelo nosso PM (ver  e ouvir AQUI).
O ar seráfico do dito bem tentava abafar os escândalos da semana, de entre os quais se destacou a descoberta que actuais e antigos governantes incentivaram (ora como governantes ora como "gestores" de empresas públicas, -- eles fazem "swap" de funções nas danças das cadeiras-- especialmente na área dos transportes)  mais uns  contratos ruinosos ( ruinosos  para o Estado,claro!) com empresas financeiras (G-Sachs,- por falar nisso,  alô Borges, mais um boneco na colecção! -- JPMorgan, Santander... lalará...), contratos que dão pelo nome de "SWAPS". O Tribunal de Contas alertava há anos para os perigos destes contratos, mas como costume ninguém lhe deu ouvidos...
Ver aqui uma das notícias (que remete para outras, para quem quiser, como para este detalhe AQUI):
"Perdas potenciais com "swaps" reduzidas em 500 milhões" (in Público, 30-4-2013)
Não entendo muito disso, mas parece que um "swap" é mais uma daquelas habilidades nas quais , caso a coisa corra mal, quem paga o buraco é o Estado (leia-se, os cidadãos). Este governo, vá lá,  até afastou dois secretários de Estado perante a divulgação do escândalo, mas outros tantos terão continuado em funções e apenas se vê a ponta do Icebergue, que , como costume, envolve todos os partidos do chamado "Centrão" que vão alternando no poder. Agora tentam renegociar esses contratos, para minorar os danos, mas pelo que se sabe ,para já, a desgraça ronda os 3 mil milhões de Euros. Coisa pouca, ou, como dizem os americanos... "amendoins".
O que são 3 mil milhões, perante um buraco a pagar na vez dos bandidos do caso BPN de uns ... 7 mil milhões (mas sempre a aumentar)?
Mesmo para isso, entende-se agora, é que os nossos jovens desgovernantes insistem  em fazer um corte PERMANENTE do orçamento do Estado Social, na casa dos 4 mil milhões (soube-se ontem que subiram a parada para 4.800 milhões...). Assim , roubando ainda mais pensionistas e funcionários públicos, mandando mais uns milhares para o desemprego ( mais 30 mil, para já, ao que chamam "rescisões amigáveis", fora os que seguem para mobilidade especial como se não passassem de sapatos velhos a deitar fora),aumentando a idade da reforma,  cortando ainda mais na qualidade da Educação, da Saúde, da Segurança social, haverá mais de 4 mil milhões de Euros POR ANO, para gastar à "tripa forra" nestes "erros" de gestão, nestes casinos paralelos de jogo com dinheiros públicos e em muitas outras negociatas mais ainda por inventar pelos amigos  "empreendedores" do privado. Ou entendi mal a jogada?
É difícil ainda conseguir fazer humor no meio desta pirataria sem freios, mas ainda é das atitudes que nos podem manter de cabeça erguida. Tinha de fazer este cartoon.
Agradeço, para a ideia do cartoon, ao Carlos Fonseca do blogue Aventar, onde este explicou as principais diferenças entre os diferentes tipos de "Swap".
Pronto: agora volto para  finalizar os meus escritos, bem mais interessantes , sobre personagens humanamente muito acima destes políticos e gestores de trazer por casa, sobre situações muito mais cheias de Esperança, sobre lugares de vida até mais complicada a certos níveis, mas onde há ainda quem ouse resistir e mudar o que está errado.Tive de interromper a sua conclusão há quase dois dias--- as tais interrupções inconvenientes de outras tarefas e solicitações!-- e quero que fique como o imaginei. Tem sido um texto construído com paciência,aos poucos,  ao longo de vários dias, quase "tijolo a tijolo",  pois os seus temas são muito mais elevados e nobres que estas autênticas poeiras nojentas e tóxicas lançada por um (resto de) país, por  uma democracia decrépita e por uma Europa em  rápida erosão.
Margarida Alegria (4-5-2013, in blog "Alegrias e Alergias")
É verdade: este foi o Post nº 300 do blog!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Às 20h de hoje, os Vampiros voltaram a atacar em força...

(c) Margarida Alegria (2 de Março de 2013, Porto)
... (por via televisiva e nas ondas da rádio).
E ainda há quem defenda este tipo de medidas homicidas (e suicidas) e os seus executores desvairados?

domingo, 13 de janeiro de 2013

Esta noite SONHEI COM A EDP!!! :((

            A sério!
Nunca tinha tido pesadelos com este tipo de assuntos,mas aconteceu. Sonhei com a EDP, ou melhor, com uma sua factura.
É simples de relatar:
Chegava-me por estes dias uma conta da electricidade. "Outra?!", exclamava eu.
De facto, ainda há pouco tinha chegado a última factura e aquela parecia ser um lapso de serviços, ou uma mudança imprevista do prazo da factura seguinte. Eu ficava aflita, pois era um imprevisto no orçamento do mês. Pois, como todas sas facturas dessa empresa, engano ou não, tinham uma obrigatoriedade inexorável e impiedosa que eu não conseguiria combater (lembro-me sempre de uma das suas funcionárias, perante os juros de mora cobrados um dia, num suposto atraso meu a pagar, quando a factura chegara atrasada-- aqui em casa não se vai nisso de débitos directos...- "Não temos nada com isso. A EDP é uma empresa, com os seus compromissos." (leia-se centrada nos lucros certos e indiferente ao peso do justo serviço aos cidadãos).
Acordei então, nessa aflição, como sempre se acorda dos pesadelos. Não que não tivesse, por ora, meios para pagar uma nova factura, caso ela viesse, mas pois, tal  como no caso da "EDP é uma empresa", também cidadãos como eu não podem viver de incertezas mês a mês, já bastando aquelas contas inesperadas no mecânico ou um ou outro livro mais caro que se compre (um luxo, ou talvez possamos apelidar de luxo-bife,na imagem dos nossos desgovernantes e seus subservientes acólitos). Acordei , portanto, a pensar no dinheiro que ainda me restava na conta até ao fim do mês... e isso é felizmente uma preocupação que, para já, raramente me domina, pois sou poupada nos gastos, nunca vivi "acima das minhas possibilidades", longe disso.
Acordar de madrugada a pensar em dinheiro e em contas não tem piada nenhuma, nem que essa situação tenha tido origem onírica.
Dizem que os sonhos partem de misturas do que vimos, vivemos e sentimos quando acordados.
Lembrei-me então daquela senhora, em reportagem de TV de ontem, que recebera uma avaliação para IMI de mais 400 euros, numa casa de décadas avaliada como se tivesse 14 anos. Nem as facturas do que pagara de IMI pela casa, desde 1990, o que provava a antiguidade do imóvel, lhe valiam perante a insensibilidade cega da máquina trituradora do Estado, que nunca lhe respondera às reclamações (ou apenas no tal "Ah, está escrito pela Autoridade Tributária, tem de ser..."). Ia ter de contratar um solicitador para colocar o caso na Justiça. E recebia apenas uma pensão de cento e poucos euros!
E lembrei-me da aflição em que têm andado empresas e cidadãos, sem saberem quanto lhes vai ser pago em Janeiro, por o mesmo Estado  lambão ,que impôs cortes e aumentos de impostos, não tratou de fornecer os dados de cálculo para as entidades patronais quanto ao que deveria ser cortado e quanto aos duodécimos a serem considerados ou não.
Os cidadãos também têm a sua economia caseira, as suas despesas e compromissos mensais, mas são assim tratados por quem decidiu unilateralmente tanto esbulho fiscal.
Daí talvez a minha síntese destes e outros casos para um sonho, onde o Estado  e a sua injustiça sanguessuga se transformou na EDP ( e I wonder why logo essa empresa, tão coladita às benesses do estado, não é? LOL).
Hoje sonhei com a EDP... e não foi um sonho bonito. :(
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sei que este blog é essencialmente de humor, mas hoje o humor a existir surge só mesmo amargo, ou muito "analógico".
E por falar nisso, como expliquei no post mais abaixo sobre o concurso de blogs do "Aventar" ("votem! Votem!"), as votações estão suspensas até amanhã, lá nesse blog, por razões técnicas. Amanhã voltarei a fazer um post para as votações.
E aqui não houve imagem, também devido a problemas técnicos.
Mais logo segue-se um outro post, sobre outro assunto. Até loguinho.
Margarida Alegria (13-1-2013, in blog "Alegrias e Alergias)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Poema que inspira o Orçamento... :(

"Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais
Para qual fui injusto – eu, que as vou comer a ambas?"
Alberto Caeiro, Poemas

 
Em tempos de ultimação do novo Orçamento de Estado para 2013, por um governo da área popularmente chamada "laranja", surge-me a toda a hora a memória deste minúsculo poema "solto" de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), ao estilo de um "Aiku".
O dilema pessoano é também o nosso. As medidas em preparação, a especificar o já anunciado por Vítor Gaspar, vão saindo aos bochechos para as notícias, para assustar primeiro quanto à quantidade cortada e depois dar um alívio ridículo de  uns milímetros da colocação da faca do Ministério das Finanças.  Cortam daqui, aparam ali, mais ou menos percentagens de imposto aumentado, mais ou menos milhares de contratados "reduzidos" da Administração Pública (com prioridade mais uma vez para os já "esmifrados" professores, já o revelaram). Vem agora o Relvas a deitar a água na fervura antes da reunião com os parceiros sociais, depois de esses números, de 40 ou 50 mil funcionários contratados a prazo na lista do próximo corte terem sido entregues a esses parceiros, horas antes.Que não serão esse números! Não sabe quais, mas um bocado abaixo! Muito abaixo? Não pode dizer! Hummmmm...... Serão "apenas" 49 mil?Ou  então umas meras 49.999 vítimas?(LER AQUI). Corte não cirúrgico, mas  a eito, irracional.
E isso que interessa? Vão cortar e vão, pois já não sabem mais onde buscar tostões, estes "extremamente  inteligentes" que nem uma casa devem saber gerir. Espalham , agoirentos, o "slogan" manipulado de que  o empréstimo da Troika e os cortes a que esta obrigou servem para nos pagar salários e pensões, mas têm mãos largas como lezírias no que toca  àqueles grande nacos fornecidos à vontade para bancos em geral e BPN( criminoso, falido, nacionalizado,  anunciado como já vendido) em particular. Para certas áreas falam-se de somas astronómicas a rodos,enquanto que  para a Saúde, a Educação, a Segurança Social , --ao que diz o Governo as áreas a que se destinam os nossos impostos(?!)--, quase que vão directamente aos porta-moedas de cada um para nos roubar...
E diz o PM que este Orçamento será mais justo, porque mais "equitativo" (a fazer ricochete  revanchista à anterior  censura pelo Tribunal Constitucional...)....
Como diz Caeiro, de que interessa um imaginário "rigor" no corte, se é para tudo ser comido, mais tarde ou mais cedo?
Estamos todos a ser comidos, roubados, espoliados!
Não tenham dúvida. Quem não o reconhecer é porque também está a ser comido... por parvo.
Em vez de irmos saudavelmente ao mercado em busca de laranjas e de quem queira trocar produções, agora são uns outros "mercados" que esfregam as mãos, esperando ambas as metades da laranja portuguesa suculenta. E esfregam também as mãos  e lambem os beiços para pré-saborear os "bifes" e outros ingredientes do cardápio: a  carnuda Espanha, a  requintada Itália,  o frutado Chipre,  um dia o lombo da França...
E os patéticos desgovernantes do país e da Comunidade Europeia como serventes mordomos do banquete criminoso e injusto.
Até Caeiro, na sua busca de justiça simétrica, deve ter sido mais preciso e justo no corte que estes desgovernantes, não tenham dúvida também.
(esperemos que se venham a engasgar com os caroços...)
Margarida Alegria (9-10-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Continuando a matança do porco...mealheiro! :(

Para já ainda a digerir o ANÚNCIO das novas medidas de hoje à tarde, via ministro Vítor Gaspar.
Como se previa, mais impostos, devolver um subsídio de um lado, para o retirar logo por outra via e mais uma taxa IRS extra blablá, para além da alteração (para pior) dos seus escalões.
Cobrar ao capital não resultante do trabalho? ah... depois logo se vê, quem sabe...
E ainda aqui:Forte aumento do IMI em 2013 e 2014 (e as outras medidas, in Público)
Depois da sangria do porco, já falta pouco para a "matança" para ainda tentarem  aproveitar a pele e os ossos...
Ah, mas de certeza que este nosso porco-mealheiro nacional,  "sangrado" e quebrado  por quem pouco ou nada amealhou nele, vai ter-- para além da orelheira, das tripas, dos pés para banquetes de coentradas dos "Mercados"--, uma boa víscera  extra para aproveitar (talvez para remédios, que não para os nossos): um repleto FEL, com a amargura acumulada por este povo paciente.
ATÉ QUANDO?!
(volto já, com algo mais a dizer...mas cada vez custa mais, numa época em que já não há quase palavras para classificar tanto roubo e tanta injustiça...)
"Alergia" ( 3 de Outubro de 2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Vigília frente a Belém: algumas reflexões enquanto decorre o Conselho de Estado


Já tinha bem adiantada uma outra reflexão que estava a redigir sobre a Educação e a Vigília (e outras iniciativas) por ela, mas hoje é uma espécie de dia D num salto em frente na nossa Democracia. Tem prioridade, pois, falar dos eventos deste dia e o texto sobre a Educação ficará bem para o fim-de-semana, junto a uma boa mão cheia de novos Cartoons ( desta vez é garantido, de tantos que já estavam rascunhados e outros mais recentes!) .
Decorre neste momento, há mais de duas horas (desde as 17h), no Palácio de Belém, uma reunião do  nosso Presidente com o seu Conselho de Estado, sobre a Crise dos últimos 15 dias.
À porta do palácio, nos jardins, à mesma hora, começou uma Vigília dos cidadãos, enquanto decorrer a reunião. Parece que começaram por entoar o "Acordai!", do maestro Lopes Graça, bem como os slogans principais da Manifestação nacional do passado dia 15. Deles se destacarão provavelmente o "Queremos a nossa vida de volta"....ou "gatunos!".
E o "Cavaco escuta, o Povo está em Luta!":
Por estar longe e impossibilitada de estar lá ou em outras vigílias ou acções um pouco por todo o país( Aliados no Porto, Évora, Faro, Aveiro..), optei por ACENDER UMA VELA, desde a hora do início da reunião e ouso a pequena sugestão  para que façam o mesmo em vossas casas. Podem não ser 21  como as pessoas que estão no Conselho de Estado (CE), mas uma ou duas, simbolicamente,para que haja bom senso respeito pelo povo  e amor ao país naquelas cabeças pensantes em Belém.
 O PR e outros políticos andaram toda esta semana a simular que a verdadeira razão do Conselho de Estado (CE) foi a "Crise política institucional" entre os dois partidos da Coligação PSD/ CDS-PP. Mas os portugueses espertos, a larga maioria , exceptuando o PM e alguns ministros, sabem perfeitamente que o que fez tremer os políticos foi a inequívoca recusa da continuação da Austeridade nestes moldes desvairados,  na Manifestação Nacional  do passado sábado, convocada pelo Facebook e sem manipulações partidárias,pelas ruas das principais cidades de Portugal. Cerca de UM MILHÃO de cidadãos de todas as condições sociais , idades e quadrantes políticos fez ouvir a sua voz.
Durante esta semana, políticos e alguns comentadores e cronistas andaram a disfarçar a coisa e a tentar desviar as atenções para as intrigas palacianas dos partidos e desgovernantes: que ministrosXPT e O concordavam ou não com as medidas anunciadas no dia 7 de Setembro por Passos Coelho, que pensava o PSD, que pensava Seguro e o PS, que pensava o parceiro de coligação, CDS-PP e, sobretudo, o seu líder,Paulo Portas, que ,no dia seguinte à manifestação, depois de um teatral "Tabu" sobre se alinhara ou não nas medidas, aproveitou para surfar na Onda da Manifestação. Tarde de mais já, a meu ver, pois saltou à vista o seu oportunismo "ao estilo de Maquiavel" e não o patriotismo que apregoava. Se não concordava, não deixaria que se fizesse tal anúncio. Se PPC fez o anúncio para dar o caso por consumado , à revelia de qualquer Concertação social e aconselhamento (o que me parece ter sido a razão da escolha estranha da data e hora, não tendo a Troika terminado a sua 5ª avaliação então!), então Portas deveria ter-se pronunciado logo e não esperar que a medida "colasse" e passasse despercebida aos cidadãos que eles julgavam anestesiados....
Já antes, A J Seguro, do PS, demorara séculos a reagir ao anúncio das (des)medidas.
Por seu lado, os ministros passavam culpas entre si, sacudindo responsabilidades na iniciativa, ficando Mota Soares, ministro da Solidariedade e  Segurança social mais entalado, mas outros andando nas bocas das notícias, em passa culpas igualmente entre os dosi partidos da coligação. Uma tristeza de se ver e que comprovou que a maior parte vive em tal redoma da politiquice partidária que não entendeu NADA do que o povo reclamara na Manifestação!
Paralelamente, PPC, Gaspar e até o pequeno Secretário de Estado, Moedas de sua graça, insitiam na "bondade" da sua nova receita para bem empobrecer o país, em entrevistas e colóquios vários: PPC dizia que  não vai alterar mas pode vir a "modelar" o aumento da TSU (Taxa social Única) para os trabalhadores, ficando de fora os mais pobrezinhos (até aos 700 euros de salário) e deixando o corte para os "ricaços" que ganham 700 Euros ou mais(classe média, como sempre, claro...)! Vítor Gaspar, que chamou à "modelação" outro "palavrão" que agora não  recordo..., na Alemanha, cinicamente ao seu estilo, gabou o civismo dos portugueses nas manifestações e teve a LATA de dizer que os cidadãos não pediram  o fim da intervenção da  Troika, mas o apressar das medidas de austeridade para depressa pagarem a dívida! (!!!!!!!!!!!!!!!). Deverá ganhar o prémio de tradutor do ano, o Gaspar! Por sua vez o Moedinhas,que rebaptizou a "Modelação" da TSU de "calibragem",  numa palestra aos empresários, passou um ralhete aos muitos empresários que haviam criticado a alteração da TSU! Alegou que esses eram as empresas pouco dinâmicas, que temiam que esta medida fosse colocar à sua frente os outros empresários mais arrojados, como o Governo gosta, que aproveitariam bem a medida! Foi de arregalar os olhos ver a reportagem e escutá-lo e ver as risotas disfarçadas dos presentes! :///
Ontem os partidos da coligação reuniram-se e resolveram... criar uma CCC, Comissão de Coordenação da Coligação, ou seja, um "grupo de trabalho" para se espiarem e controlarem uns aos outros. Lindo!
Entetanto, lá remendaram mais umas medidas, para taxar os bens de luxo. Corajosos, hen?: passaram a taxa de 25% para uns fortes e implacáveis... 26,5%!!! UAU!!!! Mas incluem nesses bens taxados... as Contas a Prazo! UAU... suponho que todas! Equidade! Equidade!
Portanto,  uma semana vergonhosa esta, para os governantes, a culminar esta manhã no Parlamento, onde PPC parecia o desaparecido José sócrates seu antecessor, mas em versão mais suave: o gabar-se da DETERMINAÇÃO, o culpar de tudo os seus antecessores (em parte verdade, mas algo que prometera não fazer), o autismo em relação às questões colocadas pelos deputados, a graxa desmedida e questões combinadas com os deputados da coligação... uma tristeza. Seguro esteve um bocado mais dinâmico que o habitual, mas não se consegue descolar da sua imagem de "abstenção violenta" com que foi deixando passar más leis  laborais e outras, nem o fantasma do desvairado Sócrates e de como nunca teve a coragem de o enfrentar a sério quando devia...
Espero que os Conselheiros de Estado tenham eles compreendido na totalidade o sentir do País, pelo menos pelos muitos mais anos de vida em média e bastantes mais anos de experiência política, muitos deles em tempos agitados. Que façam valer o que custam a Portugal , na reunião, que espero que seja longa, discutida e suada e não um cházinho de "tias" da nação.
No entanto não espero grande coisa deste CE. Daí acender a vela que mencionei. A ver vamos.
Que se lembrem que o que os portugueses, sob o pretexto de um PM e Governo obcecados em serem vistos como "bons alunos" da Troika "lá fora", não admitem continuar a ser usados como COBAIAS, ratinhos de laboratório para experiências de macroeconomia nunca testadas, nem em pequena escala, muito menos num país inteiro!
Não tenho tenho grande esperança nestes conselheiros, onde grassam tantos que têm enriquecido e vivido às custas do Sistema da nossa democracia (vá lá, já não são Conselheiros Almeida Santos nem Dias Loureiro!).
Poucos são os mais impolutos, caso de um Ramalho Eanes, que recusou ascender a Marechal com as sua prebendas, ou talvez o Provedor de Justiça, ou o presidente do Tribunal de Justiça . Embora lento e dúbio em tantas decisões.
Até a sorridente e ainda jovem Presidente da Assembleia é uma das recordistas de políticos  Reformados no activo. E ainda outra senhora, ex-ministra da saúde que outrora se deveria ter demitido e julgada por cumplicidade no caso dos hemofílicos que morreram (vítimas dos lotes de sangue contaminado com VIH/SIDA, com conhecimento da senhora, lembram-se?). E há ainda os fanfarrões jardinescos,ou os comentadores encartados mas que fugiram de responsabilidades de  exercerem o poder,  ou todos os que já governaram nestes 38 anos e que foram iniciando  este processo de destruição de direitos... que tenham devoção pelo Pais agora e esqueçam os seus próprios interesses, ao menos pensando nos netos, não concordam?
E há os casos daqueles mais oportunistas embora com algumas qualidades noutros domínios, caso de LF Menezes que de certeza vai dar ainda mais graxa a PPC, para que este o continue aapoiar para concorrer a Presidente da Câmara do Porto...
Os pesos na balança da Sabedoria  no CE não caem muito a favor da Soberania do Povo...
Fala-se em remodelação do Governo... Que adiantaria?!
Usar o Gaspar como bode expiatório e remodelá-lo
 ?! Areia para os olhos! (alguns jornais já lhe estão a "fazer a folha", os mesmos que antes o achavam o máximo e um Guru. Não simpatizo com o senhor, não o acho "kiduxo" na lentidão, mas sempre o achei cínico e  li a sua  "lentidão" como mera sobranceria pelos deputados e pelo povo, do alto da sua famosa folha Excel (hoje parece que levou toda a parafrenália para explicar as suas ideias e números, em Power points e plasmas), no entanto, penso que ali o mais fanático é PASSOS COELHO, pois Gaspar é apenas um frio técnico que experimenta em modelos. Fanático , ignorante e deslumbrado com Merkel e estes gurus da Escola Godman-Sachs, repito, é Coelho! Escrevam!
Também não alinho com a tal calibragem da TSU. O truque do costume: anúncio alarmista... "calibragem" nuns detalhes para manter a Canga sobre o Zé-povo e classe Média...Comparem quem mais paga TSU entre os trabalhadores europeus. Só a Alemanha e a Áustria, mas com outras compensações e regalias!
ALGUMAS IDEIAS:
Cortem nas mordomias do estado, "desblindem" os contratos perdulários das PPPs, deixem de pagar às fundações particulares e cobrem alguns impostos a parte delas. Especialmente as fictícias para fugir aos impostos(a cada 12 dias nasce uma nova fundação, e, Portugal e não costumam ser fiscalizadas, uma festa!). Acabem com as que não têm mecenas ou verbas próprias!
Não permitam que as empresas coloquem a sede em países estrangeiros e taxem o dinheiro que "voa" para off-shores, incentivando quem deposita cá.
 Passem a ir de transportes públicos para os ministérios. Deixem de contratar consultores de luxo externos e aproveitem a muita qualidade de tantos funcionários que estão já a Administração Pública e que são exemplo de dedicação generosa e honesta à causa pública. Diminuam os salários e ajudas de Custo aos assessores e gestores públicos. Deixem de pagar o buraco do BPN e do BPP... Renegoceiem os prazos e juros da dívida e separem o que é mesmo dívida Pública do que é dívida privada emcapotada, fazendo-a pagar por quem a criou. E prendam os políticos e gestores mais criminosos nos buracos criados, confisquem-lhes os bens, em vez de continuarem a mentir  e acusar os cidadãos honestos de terem vivido Acima das suas possibilidades! Os desgovernantes é que têm andado a viver à custa do Estado e  a gozar connosco ACIMA das NOSSAS possibilidades!E dizem que não damos alternativas? Eis aqui algumas!
Em suma, senhores conselheiros,
não se deixem levar nas conversas dos mesmos de sempre e pensem que se aprovarem disparates, o povo vai voltar a dizer ainda com mais força:
(e sugiro aos portugueses que, caso a pantominice continuar,que coloquem um pano negro ou branco com a palavra "basta" às varandas, como quando se colocou a bandeira portuguesa nos futebóis. E até um acrescento, parafraseando o célebre "qual das palavras "Não Há dinheiro" não entendeu?".... de V. Gaspar: "Qual das letras da palavra "BASTA" é que não entenderam?"
Por agora, como milhões de portugueses, cá fico à espera, com as minhas velitas acesas de alguma esperança, na minha vigília.....
Margarida Alegria (21-9-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 15 de setembro de 2012

15/SETEMBRO/2012 - UNIDOS CONTRA A TROIKA, TODOS NA RUA!



Com grande pena minha, desta vez estou impedida de ir. Com "peias" mesmo!
 Mas   o meu coração está com todos os meus concidadãos que se vão manifestar (a partir desta hora mesmo), com toda a justiça e indignação legítima que já tardava a vir à tona!
Então? Acham que há mais lugar para tolerância e contemplações? Eu não. Prezo muito a Justiça e revoltam-me os regimes e as pessoas que praticam a Injustiça, contra os seus governados, contra os outros seres humanos em geral, especialmente contra aqueles que mais pacientes são... Que querem, é um nervoso miudinho que me dá nessas situações e não me calo. Acabo a sofrer com isso, mas não me importo ("A razão mesmo vencida/ não deixa de ser Razão", como diz o poeta Aleixo). Blargh para todos vocês, seres injustos, social e pessoalmente! Nem que tenham a lata de se esconderem por detrás da mentira , da falsa valentia,da manipulação insensível e  da arrogância oca que aprenderam a cultivar  desde jovens nas vossas emproadas viditas...
Junto também dua excelentes cartas abertas que aí circulam. A ler. Sublinho que não são minhas, mas subscrevo-as, de duas gerações diferentes que são.Como diz o escritor Eugénio Lisboa numa das cartas, também eu me sinto "exilada no meu próprio país" e a sensação é horrível, creio que a maioria dos que aqui passam também o sentem. Usurpados nos nossos direitos de cidadania e Liberdade...
Aqui vou torcer para que os portugueses façam valer a Liberdade que nos resta neste protesto!
Obrigada Paula (video) e Sílvia (cartas). São umas querida amigas! Seres humanos Cinco Estrelas e não "pálidos" projectos de  seres humanos, desses infelizes feitos de papelão ou megabytes...
O cartaz da manif. em Lisboa(mas há mais umas dezenas de cidades a convocar, de Norte a Sul do país):

(riem-se de quê?! O  cínico e sinistro Gasparov rir-se-á ao ritmo zombie também? aqui parece bem celerezito, a gozar com Portugal de outra forma...)
E AS CARTAS:
1ª- "Vão-se foder"
"Descobri este texto de uma portuguesa de 32 anos, uma cidadã que diz o que sente e pensa a partir da sexta-feira passada. É um texto impressionante, que vivamente recomendo. Leiam, por favor, até ao fim.

"Vão-se foder.
Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso. Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se foder!
Trabalho há 11 anos. Sempre por conta de outrém. Comecei numa micro empresa portuguesa e mudei-me para um gigante multinacional.
Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objectivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 32 anos trabalho na minha área de formação, feliz com o que faço e com um ordenado superior à média do que será o das pessoas da minha idade.
Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo. Vivo bem, não sou rica. Os meus subsídios de férias e Natal servem exactamente para isso: para ir de férias e para comprar prendas de Natal. Janto fora, passo fins-de-semana com amigos, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educada a poupar.
Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter.
Sou uma pessoa de muitas convicções, às vezes até caio nalgumas antagónicas que nem eu sei resolver muito bem. Convivo com simpatia por IDEIAS que vão da esquerda à direita. Posso “bater palmas” ao do CDS, como posso estar no dia seguinte a fazer uma vénia a comunistas num tema diferente, mas como sou pouco dado a extremismos sempre fui votando ao centro. Mas de IDEIAS senhores, estamos todos fartos. O que nós queríamos mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se foder. Todos. De uma ponta à outra.
Desde que este pequeno, mas maravilhoso país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Nunca fui a uma manifestação. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”. Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se foder.
Matam-nos a esperança.
Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir neste parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que páram de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas? Quando é que acaba com regalias insultosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita?
Perdoem-me a chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho há 11 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia.
E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira.
Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam.
Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsído”. Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a puta de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD?
Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia!
Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se foder.
As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois.
As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos accionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a actual taxa de desemprego um flagelo? Que o é.
A sério… Em que país vivem? Vão-se foder.
Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos:
1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR.
2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe.
Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutadora, compreensiva… Até a mim me mataram a esperança.
Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem… Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário.
Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar.
Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: Vão-se foder"


2ª- CARTA DE EUGÉNIO LISBOA AO P.-M.
CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL

Exmo. Senhor Primeiro Ministro

Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.

Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito — todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.

Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.

A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.

Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.

Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.

Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.

De V. Exa., atentamente,

Eugénio Lisboa

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Flutuações... para o MEC

(esquis flutuadores, daquelas invenções  malucas de todos os tempos...)
Acabado de divulgar, no blogue do Paulo Guinote, um Comunicado do MEC sobre os concursos de Mobilidade de professores. Um texto que é involuntariamente humorístico, nas justificações, nos dados(?) e no "choradinho" apologético que faz.
Clicar AQUI para o post no blogue " A Educação do Meu Umbigo".
Entre outras coisas  o gabinete do MEC alega a famosa "Flutuação demográfica e de população escolar".
Pois... agora a culpa é das mães (como se viu no post imediatamente anterior, aqui no "Alegrias e Alergias")... ou da falta delas... Voltamos à discriminação das mulheres via institucional.;)
Dizem as notícias de hoje  que há mais 2254 profs. obrigados a concorrer ao concurso de Mobilidade interna (DACL) do que no ano passado, mas devido às tais FLUTUAÇÕES e a uma... "melhor gestão de recursos".
E  dizem ainda que o que fizeram  foi obrigar as escolas a dizerem os professores que não teriam horário completo (ainda antes de as turmas estarem feitas, não se saber quantas turmas havia, antes das transferências habituais de alunos, antes de tudo!). E dizem-no como prova de eficiência! e não (como foi) como ausência de competência sobre o funcionamento do trabalho nas escolas e sua organização e não (COMO FOI!) um inútil exercício de terror e de tortura em fazer muitos mais concorrer, depois num mês retirar mais alguns dessas listas de proscritos e... no início do ano lectivo, é mais que certo, quase todos a voltarem para as escolas de origem, por óbvia falta de vaga nas outras(daahhh!!) e muitos mais professores a serem necessários nas escolas e a reduzir essa lista (mas já não aos olhos do POVO, que entretanto vai  lendo notícias parvas de que esses profs andaram a fazer desperdiçar o Erário Público ( as fundações, ah essas não... e as PPPs, coitadinhas...) e a roubar lugar aos mais novos!
GESTÃO DE RECURSOS(???) ou malabarismos para fazer desaparecer disciplinas e horas de docência empobrecendo o currículo e o País,  para poupar uns tostões para dar a especuladores insaciáveis?!
Flutuações?... ou pôr milhares de professores a flutuar na instabilidade e na precariedade, depois de DEZENAS de anos de serviço o país?!
Parecia mal colocar-lhes simplesmente "UM PAR DE PATINS", por isso optam  por estas "Flutuações" de demografia , flutuações de ordens e contra-ordens, flutuações de argumentação. À falta dos patins, optam por uns "Esquis Flutuantes", para  esses docentes se equilibrarem como puderem durante os escassos anos próximos (até serem despedidos!), na grande quantidade de ÁGUA metida pelo MEC,  mais ou menos de propósito! No mar revolto de uma Crise empolada por quem vive à custa dela...
Um mar de vómito completo que estes Young Turks sem qualquer sensibilidade ou mérito suscitam! :(
Veremos se a maré não mudará...
"Alergia" (17-8-2012, in blog "Algrias e Alergias")


Mais uma bela carta-crónica: "Merceeiros e bombistas" (sobre o rumo da Educação e a suposta falta de crianças...)


(carta à directora do jornal "Público", 17-8-2012)
Já há umas semanas defendi aqui que algumas cartas`"ao director", neste caso à Directora, publicadas nos jornais são belos nacos de prosa e mereciam estatuto de crónica residente, mais depressa que os textos de certos políticos e  "comentadeiros" da nossa praça.
Neste caso, a de hoje de um correspondente habitual e sempre pertinente, Rui Silvares, da Cova da Piedade. E a propósito de uma campanha de desinformação que vai por aí e que, perante a falta de argumentos válidos, diz agora se há mais professores sem horário é porque há menos alunos, as senhoras portuguesas não têm bebés e coisa e tal...e não devido aos malabarismos curriculares do MEC. De um ano para o outro quase quintuplicar o número de professores sem horas lectivas (e que estavam por razões várias em outras funções nas escolas, ou destacados fora delas)?! As mães começaram a atirar as crianças ao mar? E logo no ano em que aumentam os alunos  nas escolas, até devido, entre outras razões ao alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º Ano e 18 anos de idade?
Por isso esta carta é mais pensada e informada do que o artigo de meia página publicado há dias (já a Silly season, só pode ser... com tanto cronista a ir de férias... Precisam de colaboradores? Textos para ocuparem as páginas e que sirvam mais do que para fingir que contêm ideias? Façam favor de contactar, senhores da redacção...) de um tal José Carvalho, com a etiqueta de "professor Universitário" e... "investigador de História" (??). Deve ser contra este que Rui Silvares aqui se indigna com razão, como já na quarta-feira se indignou Santana Castilho na sua crónica.
Esse senhor "investigador" (JC) parece ter nascido por volta de 1979, ainda um tanto imberbe, admitamos, mas mesmo assim sem justificação para tal arrazoado no seu texto "Professores Desempregados" . Decerto será um prof. Universitário nalguma U. Privada e de "equivalência relvada", pois é tão pobre  a sua argumentação e até a sua escrita que até muitos meus alunos apenas no 10º ano fariam melhor!
Anda de roda de uma suposta estatística que descobriu entusiasmado ( nas suas "investigações"? ) sobre a redução de número de nascimentos e nada mais, esquecendo factores como a imigração e todos os factos sobre alterações de leis da Educação e da organização já aqui apontadas noutros textos. E quanto ao estilo, paupérrimo tanto para um artigo como para um prof. do Ensino Superior (?!), termina numa espécie de "nha nhã nhã, tomem lá malandros, comunas e camaradas que o que há é menos crianças, pim!" -- a frase não é esta, não tenho agora o texto diante de mim, mas o tom e o remate era mesmo neste estilo, usando até o termo "camaradas" (sim!!!!!) e parecendo o outro do PS ( o advogado pequenino e sempre bem governadinho) com a frase famosa  do "Habituem-se!".
Na altura estive para comentar aqui e até para escrever à directora, mas depois achei que daria importância a um ser sem "sustância" e afinal havia que fazer  férias também a estes disparates... que por surgirem em Agosto até poderiam não ter grande eco. Mas felizmente S. Castilho e Rui Silvares tiveram paciência para tal. Agradeço-lhes!
São duas as linhas mestras, na estratégia "bombista"* de que fala Rui S.,  para preparar um futuro despedimento criminoso de professores , que ainda são bem precisos neste país ainda tão iletrado ( e pelo menos para formar melhores profs Universitários que esse sr. José Carvalho...):
- Alegar que de repente as crianças são menos (e até por isso justificam  o encerramento revoltante da MAC, "apenas" e  talvez  a melhor maternidade do país) enquanto abrem alegremente maternidades privadas com menor qualidade pelos arredores de Lisboa...);
- Alegar que os professores sem horário lectivo até já existiam(deviam a ndar escondidos nalguma arrecadação pelas escolas!), mas que agora divulgaram e não antes (mentira! Ainda o ano passado foram divulgados, com número contrastante com o de agora!) e que por isso esses profs veteranos estão a tirar lugar aos mais novos, os contratados. Mais uma vez o suscitar da Inveja nacional, sentimento que nunca e nunca baixa de cotação e que absorve as energias  dos cidadãos lusos que deveriam ir para a luta da defesa dos seus direitos, deixando-os assim na famosa "apatia"...
Apatia? Até um dia...:/

(* campanha preparada pelos "spin doctors" do governo para as informações vertidas para as notícias e acolitada por... "ácaros" como este dr. Carvalho de indigente análise.)