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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Às 20h de hoje, os Vampiros voltaram a atacar em força...

(c) Margarida Alegria (2 de Março de 2013, Porto)
... (por via televisiva e nas ondas da rádio).
E ainda há quem defenda este tipo de medidas homicidas (e suicidas) e os seus executores desvairados?

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Continuando a matança do porco...mealheiro! :(

Para já ainda a digerir o ANÚNCIO das novas medidas de hoje à tarde, via ministro Vítor Gaspar.
Como se previa, mais impostos, devolver um subsídio de um lado, para o retirar logo por outra via e mais uma taxa IRS extra blablá, para além da alteração (para pior) dos seus escalões.
Cobrar ao capital não resultante do trabalho? ah... depois logo se vê, quem sabe...
E ainda aqui:Forte aumento do IMI em 2013 e 2014 (e as outras medidas, in Público)
Depois da sangria do porco, já falta pouco para a "matança" para ainda tentarem  aproveitar a pele e os ossos...
Ah, mas de certeza que este nosso porco-mealheiro nacional,  "sangrado" e quebrado  por quem pouco ou nada amealhou nele, vai ter-- para além da orelheira, das tripas, dos pés para banquetes de coentradas dos "Mercados"--, uma boa víscera  extra para aproveitar (talvez para remédios, que não para os nossos): um repleto FEL, com a amargura acumulada por este povo paciente.
ATÉ QUANDO?!
(volto já, com algo mais a dizer...mas cada vez custa mais, numa época em que já não há quase palavras para classificar tanto roubo e tanta injustiça...)
"Alergia" ( 3 de Outubro de 2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Flutuações... para o MEC

(esquis flutuadores, daquelas invenções  malucas de todos os tempos...)
Acabado de divulgar, no blogue do Paulo Guinote, um Comunicado do MEC sobre os concursos de Mobilidade de professores. Um texto que é involuntariamente humorístico, nas justificações, nos dados(?) e no "choradinho" apologético que faz.
Clicar AQUI para o post no blogue " A Educação do Meu Umbigo".
Entre outras coisas  o gabinete do MEC alega a famosa "Flutuação demográfica e de população escolar".
Pois... agora a culpa é das mães (como se viu no post imediatamente anterior, aqui no "Alegrias e Alergias")... ou da falta delas... Voltamos à discriminação das mulheres via institucional.;)
Dizem as notícias de hoje  que há mais 2254 profs. obrigados a concorrer ao concurso de Mobilidade interna (DACL) do que no ano passado, mas devido às tais FLUTUAÇÕES e a uma... "melhor gestão de recursos".
E  dizem ainda que o que fizeram  foi obrigar as escolas a dizerem os professores que não teriam horário completo (ainda antes de as turmas estarem feitas, não se saber quantas turmas havia, antes das transferências habituais de alunos, antes de tudo!). E dizem-no como prova de eficiência! e não (como foi) como ausência de competência sobre o funcionamento do trabalho nas escolas e sua organização e não (COMO FOI!) um inútil exercício de terror e de tortura em fazer muitos mais concorrer, depois num mês retirar mais alguns dessas listas de proscritos e... no início do ano lectivo, é mais que certo, quase todos a voltarem para as escolas de origem, por óbvia falta de vaga nas outras(daahhh!!) e muitos mais professores a serem necessários nas escolas e a reduzir essa lista (mas já não aos olhos do POVO, que entretanto vai  lendo notícias parvas de que esses profs andaram a fazer desperdiçar o Erário Público ( as fundações, ah essas não... e as PPPs, coitadinhas...) e a roubar lugar aos mais novos!
GESTÃO DE RECURSOS(???) ou malabarismos para fazer desaparecer disciplinas e horas de docência empobrecendo o currículo e o País,  para poupar uns tostões para dar a especuladores insaciáveis?!
Flutuações?... ou pôr milhares de professores a flutuar na instabilidade e na precariedade, depois de DEZENAS de anos de serviço o país?!
Parecia mal colocar-lhes simplesmente "UM PAR DE PATINS", por isso optam  por estas "Flutuações" de demografia , flutuações de ordens e contra-ordens, flutuações de argumentação. À falta dos patins, optam por uns "Esquis Flutuantes", para  esses docentes se equilibrarem como puderem durante os escassos anos próximos (até serem despedidos!), na grande quantidade de ÁGUA metida pelo MEC,  mais ou menos de propósito! No mar revolto de uma Crise empolada por quem vive à custa dela...
Um mar de vómito completo que estes Young Turks sem qualquer sensibilidade ou mérito suscitam! :(
Veremos se a maré não mudará...
"Alergia" (17-8-2012, in blog "Algrias e Alergias")


terça-feira, 17 de julho de 2012

Interlúdio Musical- A revolta contra quem não sabe o que é solidariedade-THE SMITHS-Heaven Knows I'm Miserable Now


(The Smiths "Heavn Knows I'm Miserable Now")
Música que bem exprime, em parte da letra, a estupidez total e a falta de solidariedade que existe neste momento, da parte de alguns professores, tanto nas Escolas como nas redes sociais, que dirigem os "mísseis" para o alvo errado, o colega do lado,-- contratado, do Quadro, o mais velho, o mais novo, o que está assim ao assado, que é mais ou menos disto e daquilo,- esquecendo que o principal Alvo das críticas deveria ser quem ao longo destes anos(e agora mais que nunca)  todos tem gerado as maiores confusões  e políticas lesivas para a Educação a vários niveis : O Ministério da Educação. E com isso esquecem o tal poema de Brecht, aquele que diz  que ontem e hoje levam uns, que não nós, mas amanhã  poderá tocar-nos/lhes a vez!
O "being miserable " que sinto é não especificamente por mim. mas por esta falta de Visão, de inteligência e de mera Humanidade, da parte de quem se diz educador e agente da Cultura. E digo isto tanto a nível da instituição que representam, como a algum nível PESSOAL de "seres humanos"(?) que pude testemunhar, descobrir e/ou confirmar...
Aqui fica a letra com destaque para as frases mais ilustrativas da forma como tanto MEC(empregador) como  alguns docentes (e outros seres não docentes ou dEcentes)  tratam os demais  como descartáveis.

  I was happy in the haze of a drunken hour
But heaven knows I'm miserable now

I was looking for a job, and then I found a job
And heaven knows I'm miserable now

In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?

Two lovers entwined pass me by
And heaven knows I'm miserable now


I was looking for a job, and then I found a job
And heaven knows I'm miserable now

In my life
Oh, why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?

What she asked of me at the end of the day
Caligula would have blushed


"You've been in the house too long" she saidAnd I (naturally) fled


In my life
Why do I smile
At people who I'd much rather kick in the eye ?

I was happy in the haze of a drunken hour
But heaven knows I'm miserable now


"You've been in the house too long" she saidAnd I (naturally) fled


In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?
..............««««««««««««..............


Margarida Alegria (17-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 14 de julho de 2012

Um Cognome não basta (Manif de Professores de 12 de Julho)

(c) Margarida Alegria (12 de Julho de 2012, Lisboa), in  blog "Alegrias e Alergias"
Difícil encontrar palavras suaves  neste momento,  senão  as que fazem eco das "etiquetas" que anexo. De resto, já expliquei que chegasse no post  imediatamente anterior, como em outros...
Este senhor(foto acima), todos os seus acólitos  do seu Ministério, o Governo a que pertencem, são autênticos Monstros vendidos ao poder Financeiro e seres sem espinha dorsal curvados às benesses que possam advir de um poder  mascarado e apátrida que nos tirou o que restava de soberania.
Podem os sindicatos terem criado um Cognome, para mais um Ministro "inominável" e sem palavra, mas já não há Cognomes que abarquem tanto desrespeito dos Governantes eleitos pelos cidadãos e pelo País que deveriam honrar e proteger acima de tudo! (e não os sugar  "para além da Troika" ou dar cabo deles "custe o que custar").
Como num ano  inteiro não tiveram qualquer respeito, também não terei pruridos  por esses senhoritos, autómatos  sem ideais nem verdade,  no que aqui desabafarei.
Destruir desta forma ,com a machadada ainda mais forte de todas, o que ainda ia segurando o Bom senso e a divulgação do Conhecimento no nosso Sistema Educativo, ou seja, OS PROFESSORES, enquanto, em simultâneo, resmas de governantes incultos e bu(r)rocratas vão desfilando , ano após ano, pelos gabinetes da  5 de Outubro, é não só um acto de agressão a um dos grupos mais qualificados do país, como um incomensurável acto criminoso contra a infância e a juventude de Portugal e, por extensão, contra todo o nosso Futuro nacional.
Que uns estrangeiros quaisquer, altos e que falam um Inglês atípico e macarrónico ,que só percebem de números e de moedas, vulgo "troikas",  mandem fazer isto e aquilo, inclusivé destruir um bom Sistema Nacional de Saúde e um Sistema Educativo que apesar de tudo ainda funcionava com muito mais qualidade que noutros países (julgam que os doutorados e bolseiros espalhados pelo Mundo são predominantemente gerados no "exigente" ensino Privado?! Estão redondamente enganados, suas... Amibas burocratas, seus  desgovernantes jovenzitos a cheirar a fraldas mas também a naftalina como velhos-precoces e a formol como cangalheiros de um belo País!)-- que estrangeiros que vivem em cofres  como o Tio Patinhas pensem assim,  já por si é aviltante....mas  ver decisões destas de quem se diz Português, de quem diz quer o melhor para o seu país, de quem fala em "metas de excelência" e "mérito", mas depois tira dinheiro e emprego a quem trabalha e a quem estudou para distribuir  mais benesses por uns boys de pacotilha  com diplomas sorteados em rifa e pelos eternos "donos de Portugal"?!
Não sabem mesmo o que andam a fazer! OU, se sabem , ainda são duplamente criminosos e traidores.
Seja como for, a VOSSA hora há-de chegar e, com a pressa com que andam em rapar os bolsos aos cidadãos de sempre, essa hora estará, --e espero  que esse acto de justiça não tarde--, mais perto do que pensam.
E isto inclui todos os "poltrões" e "poltronas" que, de uma forma ou de outra  antes  e agora se cala(ra)m,  estejam mais acima ou abaixo da hierarquia com que estrangularam a democracia  nas Escolas, ou  que ao longo dos anos foram sendo coniventes e colaboracionistas na implantação deste hediondo plano de Destruição da Escola Pública, pelo menos de há  oito anos a esta parte....(sinistra Lurdes, não estás esquecida!)
Despedir professores contratados ano após ano, há 10, 15, 20 anos?
Mandar concorrer e voltar a pedinchar vaga de horários a professores do Quadro de Escola, já  exaustos sacrificados ao longo das carreiras,  dizer-lhes ao fim de  20, 25, 30 anos de serviço ou mais que já não sobra horário para eles (enquanto se atucham turmas com 30 alunos em salas   onde cabem  mesas apenas  para 20 ou 22, num país que continua a precisar de melhorar os seus índices de escolaridade) ?! Não é nem Humano, nem Lógico, nem ao menos ..."Matemático"!
Solidariedade  e coragem a todos os colegas afectados, lembrando a quem não o foi que a lei do "salve-se quem puder" de nada servirá. Há mais que nunca urgência em tentarmos ser unidos: não podemos sucumbir perante mais estas "desmedidas"!
Voltarei mais logo, pois para já estou demasiado revoltada com o meu País que só nos sabe explorar os melhores anos de dedicação subvalorizada  e que cospe em cima dos seus educadores...
Por agora  deixo mais estas duas fotos, de entre os eloquentes e amargos cartazes da Manifestação dos Professores,  para que todos meditem e ACORDEM!
 Professores apáticos e restantes Cidadãos: ACORDEM!
Margarida Alegria (14-7-2012. in Blog "Alegrias e Alergias")



(c) Margarida Alegria (12-7-2012, Lisboa)


(c) Margarida Alegria (12-7-2012, Lisboa)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Amanhã: a vez dos professores...

( o cartaz da fenprof para a manifestação é feioso, por isso optei por esta foto , que me parece bem mais eloquente...)
Sim, a foto sintetiza aquilo em que o MEC quer transformar os professores, como outro  Ministério, o da  da Saúde, quer transformar médicos  e enfermeiros.
Num caso e noutro, a intenção é reduzir pessoal dos quadros, passando a falsa mensagem à Troika de que se quer reduzir na "despesa" (quem trabalha agora é mera despesa, carne para canhão dos gráficos dos que  nada produzem e só contemplam mas  que lucram com esses "estudos"). Assim, uns e outros passam a ser uns tarefeiros à hora, para suprir necessidades temporárias ou residuais, ou o raio-que-os-parta que lhe chamam a essa nova forma de esclavagismo. Cidadãos DESCARTÁVEIS, como bem afirma o cartaz, correndo daqui para acolá "à jorna". Como descreveu bem um médico chefe de serviço, que  explicou que este sistema agora delineado pelo MS lembrava aqueles trabalhadores que décadas atrás esperavam na praça, aguardando que viesse um capataz para seleccionar uns tantos para lhes dar trabalho nesse dia (lembram-se do "Há lodo no cais", com Marlon Brando? Muitos desses contratadores eram até autênticas máfias de intermediários). Como a contratação sazonal para as vindimas, como a contratação de asiáticos, mundo fora, para colheitas. Só nos faltará pagarem com a sopa lavradeira, a malga de vinho, a côdea de carcaça e a cebola para comer ao dente. Daí a proposta de textos como "a Moleirinha"(pela estrada fora, toc toc toc...), de regresso aos poemas escolares sugeridos pelas  recentes Metas de Aprendizagem. Interlúdio (dos sonhos destes  pirosos Young Turks lusos):  Que lindos e românticos são os pobrezinhos! Há que voltar a esse Portugal idílico de gente saudável calçada com tamancos (esquecem que só os usavam para não serem multados pelos polícias , esses portugueses rurais que chegavam às cidades...) . Os filhinhos dos  políticos-gestores de empresas de Folclore e dos administradores de tretas para off-shores depois poderão levar-lhes o tostãozinho,aos filhos dso pobres enfermeiros pagar uma gorjeta pelo Natal ao professor primário, ou  ofertar um par de camisas novas e de golas engomadas ao médico precário.
 Continuando. O argumento da poupança é falso, pois o Estado continua a pagar, agora indirectamente, a essas empresas de contratação temporária, ou outsourcing, que ficam com a parte "de leão" que lhes convém(no caso dos enfermeiros, davam a estes menos de 40% ") do total alegando "grandes despeeeesas" (???), no fundo apenas por recolherem nomes e currículos e ver quem se sujeita ao preço mínimo, degradando e proletarizando estas profissões, que, dizem os inquéritos e estatísticas, apesar dos esforços de alguns governantes em as desacreditar, sempre foram  das mais valorizadas  e respeitadas pela população e geral.
O argumento da poupança é falso, pois basta ver que as derrapagem na gestão hospitalar aumentou, em vez de diminuir, desde que começaram as Parcerias Público -Privadas/leia-se sobretudo com bancos como o BES) de Hospitais.
Por outro lado, esse sistema proto-amexicanado dessas agências a contratar enfermeiros, médicos e professores (já houve disso, para as famosas Actividades Extra-Curriculares impostas por Lurdes Rodrigues e muitos ficaram sem receber longos meses...), só revela mais uma vez o desprezo para com  o bem estar e qualidade de vida dos cidadãos,  alegando que até para isso, a famosa e manhosa lei  da "oferta e da procura" dos Mercados se pode aplicar. Como se fosse tudo igual ao "litro". Esquecendo que tanto em hospitais como em escolas são fundamentais as equipas estáveis e de qualidade, que possam oferecer o melhor serviço, salvando vidas, num caso, combatendo a ignorância, no outro. Será então o reino da instabilidade: do... agora vem um professor, no ano seguinte vem outro, sem continuidade, agora chega o médico que só "leva" X por hora e o utente que se dê por satisfeito...mesmo que depois não possa o seu caso continuar a ser acompanhado pelo mesmo médico e que os pacientes sejam cobaias de mão em mão, provavelmente em mãos cada vez mais inexperientes e baratinhas...
Compreendem agora o que se passa?
Há um destruir do estado social e o próprio Primeiro-Ministro veio ameaçar sem muitos véus que ao não poder cortar em subsídios, cortariam ainda mais a eito na Saúde e na Educação, pois nem lhes passa nas fanáticas cabeças cortar em mordomias do Terreiro do passos, digo, do Paço, em institutos e Fundações parasitas, em contratações de assessores do partido, em material do exército ou em PPPs.
A partir de Setembro o MEC, para além de medidas arrepiantes de ataque à qualidade da Escola Pública já aqui ventilados, tenciona mandar para o desemprego cerca de 25 mil professores contratados, muitos com dezenas de anos de serviço, mas eternamente precários (e venham lá dizer que a função Pública tem mais estabilidade face ao privado... Só se for o tipo de alto funcionário/assessor introduzido politicamente que o sr. conhece pelos corredores do poder, Dr. Vasco Pulido Valente!) e irão uns 7 a 8 mil docentes  DOS QUADROS DE ESCOLA ficar sem horário, em chamado horário zero, depois obrigados à mobilidade, depois de mais de duas dezenas de anos de serviço prestado! Todos esta sangria de docentes, não porque não façam falta, mas por diversos malabarismos de agregação de escolas, encurtar de currículos e outros.
Já  agora se vê o descalabro nas escolas, quando o pessoal auxiliar (agora com o pomposo nome de "Assistentes Operacionais") é reduzido do número de efectivos, vindo uns contratados dos centros de emprego num dia, para passados poucos meses terminarem o contrato, virem outros que os alunos nem docentes conhecem, ainda não habituados às regras internas, sem o sentido de pertença à escola, acabando por descartar responsabilidades várias. O que isso tem gerado em insegurança para os alunos, em conflitos, em ausência de espírito de corpo" dos funcionários, mesmo que muitos até sejam esforçados e merecessem continuar...
Estão a ver o que pode vir a ser isto com MÉDICOS que têm de observar utentes e prescrever tratamentos, e enfermeiros que nos atendem ou que têm de ser enviados para tratamentos ao domicílio e dar remédios, ou professores que  têm de diagnosticar dificuldades e  formar gradualmente os alunos , acompanhando os seus progressos nos saberes?
Não. Pelo que  planeiam,  querem transformar os hospitais públicos numa espécie de  albergarias medievais para doentes sem apoio,com  cuidados mínimos,  destruindo todo o brilhante progresso conseguido pelo SNS. Querem transformar as escolas  públicas em armazéns diurnos para  os meninos  não aprenderem muito e não cairem na delinquência. Querem dizer que fazem as tais de  "Reformas Estruturais" , quando não passam de formas de Destruição de estruturas, Implosão, não da burocracia do MEC (como vociferava N Crato antes de ser Ministro), mas  a implosão da Escola Pública, dinamitando os seus mais fortes pilares, alicerces que foram em todos  de  múltiplos governos e reformas experimentais  de insânia nos anos de Democracia: OS PROFESSORES.
POR ISSO, MESMO QUE PAREÇA POUCO E QUE HAJA DIVISÕES
PENSO QUE DEVERIAMOS ESTAR TODOS LÁ: amanhã, dia 12 de Julho, 15horas, no Rossio, em Lisboa.
deixo, para incentivar, o link de uma bela carta aberta aos professores, publicada por uma mãe e blogger, Ana Amorim Dias, no blogue Sapo -Mulher: UMA CARTA AOS PROFESSORES
Até amanhã então, colegas, Pais....
..............................
Eu vou. Quem não quiser ir por isto ou aquilo que não vá, não é obrigado. Há uns filmes por aí, uma tarde de praia, uma TV sempre ligada e, para os que nem dessas ocupações mais ou menos saudáveis gostam, há entretenimentos didácticos e para todas as estações,  para pessoas entediadas, petulantes  ou  dondocas,  do género desta (uma  mera sugestão, passe a publicidade):
despejar para o fígado e para o cérebro uns bons copázios deste

(optei pela imagem do cartaz antigo, neste caso de azulejos, que povoava as esburacadas estradas nacionais, pois fica mais "Rétro", mais de acordo com a época da" Moleirinha" e dos pobrezinhos à jorna do passado)
Margarida Alegria (11-7-2012, in  blog "Alegrias e Alergias")

segunda-feira, 2 de julho de 2012

De regresso ao trabalho Infantil? :(

(uma foto que havia recolhido à espera da melhor ocasião: trabalho infantil num país asiático)
Este post já não é tão digerível (descontando a alta qualidade dos posts nele linkados). De facto, depois dos aperitivos humorísticos do post anterior, serão até uma sopa algo indigesta...
Pois não é que o nosso Ministério do Crato (já nem chamo da Educação), está a pensar, segundo a entrevista desse senhor ao  semanário "Expresso", em aplicar a via profissional já para alguns alunos... do 5º Ano de escolaridade?
5º ANO ,senhores! CRIANÇAS! Com 10 anos!
Onde estão os "Daniéis  Oliveiras" e outros que bradam contra o simples regresso do exame da "4ª classe"(4º Ano)? Não acham que ISTO é que é verdadeiramente preocupante?
E depois? Esses pequenos aprendizes irão esperar uns anos pela entrada no mundo Laboral de que estão impedidos? Ou então mudarão a lei para os empregar? Ou vão trabalhar à socapa, a coser sapatos dentro de garagens "em família" como já tantos fazem, só que agora com honras de certificado  da via profissionalizante e fechar dos olhos do Estado e, por extensão, da sociedade?
Ou será para lavar as mãos de ensinar a escrever e a saber de Ciências ou História àqueles que já estão marcados para uma triagem de castas com que estes jovens desgovernantes a cheirar a mofo tanto sonham?
Será que o tal exame do 4º ano procederá à tal triagem (termo já muito usado pelos defensores da falsa "excelência"), com resultados previsíveis para alunos com menos meios de apoio cultural e do interior, que regressarão assim ao obscurantismo salazarento de saber assinar e umas letras e basta?
Há algo de muito perigoso aqui. E, como diz o colega e blogger Paulo Trilho Prudêncio no  seu excelente "Correntes"(ver link do post abaixo), pode haver já a noção de que alguns não vão muito longe nos estudos, mas desistir assim um País de educar as sua crianças? E repito, CRIANÇAS.
Há pais incultos que até esfregarão as mãos de contente de início, mas isso não será o mesmo que mandá-los de volta aos campos para ajudar os pais no pastoreio e na agricultura.
Não podemos permitir que tal ideia criminosa vá para a frente! Se não se consegue educar uma criança de uma forma, dê-se a volta e insista-se. Eduquem-se os pais, eduque-se de uma vez o País dos adultos, mas não se cortem assim "as pernas" às novas gerações, para além das de agora a quem se sugere a emigração.
Bem, nada melhor do que dar a palavra a dois bravos bloggers que o exprimiram bem melhor. O Paulo T. Prudêncio, no "Correntes":
"E QUE TAL NO 1º ANO?"
E o Zé Morgado, no "Atenta Inquietude":
Textos a não deixar de ler, absolutamente (descansem, são mais pequenos que os meus...)!
Não podemos permitir que ideólogos ainda de cueiros e protegidos toda a vida em ambientes mais favoráveis à sua ascensão escolar incitem Nuno Crato a alinhar nestas políticas criminosas.
E dedico este post ao "Vitinho", meu doce antigo aluno do 7º Ano, hoje certamente um pintor ou trolha por aí.
Na altura, pela lei de limite de idade de trabalho que o permitia e como Directora de Turma novinha sem arcaboiço para conseguir persuadir o pai, embora o tentasse, nada pude fazer para impedir o severo homem de o levar embora da Escola ao fim do 1º período de aulas, aproveitando-se das notas ainda fracas do filho.... Via-se que o pai só cedera a muito custo deixar o  seu rapaz estudar e de pronto se agarrara às várias negativas para lhe desfazer o sonho em três tempos, ou seja, em menos de três meses.
Ainda hoje vejo o rapaz, esperto mas tímido e  frágil ,no primeirio dia do 2º Período, no primeiro tempo do dia, aula de despedida de mim e da turma( o pai lá lhe permitira.Depois ia logo para casa).
Os outros alunos, todos vindos de meios rurais, não muito bons alunos, mas esforçados  e cheios de ternura, dedicaram aquela aula ao Vitinho. Embora decorresse a matéria mais ou menos como programada--ele fora uma surpresa e claro que suavizei muito o ritmo, mas sendo uma aula como as outras, como ele queria que fosse para guardar consigo--, pediam para ele ler, para ele ir ao quadro,para ter a última aula em honra do "seu Vitinho". foi um pequeno rei de atenção, apesar de ter sido sempre acarinhado anteriormente por todos. A meio da aula, à hora ordenada pelo pai, despediu-se e pediu para sair. As colegas lavadas em lágrimas, a Marisa, a delegada e mais refilona olhava em frente e tentava disfarçar a raiva e o choro com sobrolho franzido e moreno, lábio tremente no seu ar habitual de amuo. Outros evitavam olhar de novo para o rapaz, alisando os livros.
À porta da sala,o Vítor futuro aprendiz de  pintor, que já não o "nosso" Vitinho(e não também o  dos desenhos animados para embalar crianças),  pára uns instantes antes de um último adeus geral. O seu corpo franzino de 13 anos, herdado de gerações de fome,  recorta-se esguio com a porta aberta a emoldurá-lo:
-"...Será que depois poderei voltar aqui para os visitar, S´Tôra?" Fiz o sorriso mais rasgado que consegui.
-"Claro que sim, Vítor, Vitinho, claro! Vem cá visitar-nos sempre que quiseres!". 
Arregalou os enormes olhos azuis, numa esperança infantil e sorriu também, com ar de  consolo rasgado. Um certo alívio no seu súbito abandono escolar. E partiu.
Como podem imaginar, jamais voltou. :(
Ficou-me sempre aquela imagem dele emoldurada pela porta, aguardando a minha resposta. Tudo que lhe pudera dar fora uma esperança de Final feliz para a criança que ainda era. Tudo o que o País lhe tinha para dar era o fim de sonhos de uma vida melhor que a do seu também franzino pai, dobrada ao trabalho precoce.
Não. Não quero ver o regresso do país de" Vitinhos" ou pior. Se é para resolver dramas disciplinares que entravam o aproveitamento  da maioria, longe de impossível, que se criem estratégias de disciplina e de verdadeiro apoio, e não  medidas hipócritas e banalizadoras do abandono, que certamente até será  multiplicado entre  os mais desamparados e não entre os mais "malandros".
Margarida Alegria (2- 7-2012. in Blog "Alegrias e Alergias")
(e lamento a indigesta "sopa à Crato"... o resto dos pratos deste banquete de posts ficará para amanhã, como compreendem...)