( o cartaz da fenprof para a manifestação é feioso, por isso optei por esta foto , que me parece bem mais eloquente...)
Sim, a foto sintetiza aquilo em que o MEC quer transformar os professores, como outro Ministério, o da da Saúde, quer transformar médicos e enfermeiros.
Num caso e noutro, a intenção é reduzir pessoal dos quadros, passando a falsa mensagem à Troika de que se quer reduzir na "despesa" (quem trabalha agora é mera despesa, carne para canhão dos gráficos dos que nada produzem e só contemplam mas que lucram com esses "estudos"). Assim, uns e outros passam a ser uns tarefeiros à hora, para suprir necessidades temporárias ou residuais, ou o raio-que-os-parta que lhe chamam a essa nova forma de esclavagismo. Cidadãos DESCARTÁVEIS, como bem afirma o cartaz, correndo daqui para acolá "à jorna". Como descreveu bem um médico chefe de serviço, que explicou que este sistema agora delineado pelo MS lembrava aqueles trabalhadores que décadas atrás esperavam na praça, aguardando que viesse um capataz para seleccionar uns tantos para lhes dar trabalho nesse dia (lembram-se do "Há lodo no cais", com Marlon Brando? Muitos desses contratadores eram até autênticas máfias de intermediários). Como a contratação sazonal para as vindimas, como a contratação de asiáticos, mundo fora, para colheitas. Só nos faltará pagarem com a sopa lavradeira, a malga de vinho, a côdea de carcaça e a cebola para comer ao dente. Daí a proposta de textos como "a Moleirinha"(pela estrada fora, toc toc toc...), de regresso aos poemas escolares sugeridos pelas recentes Metas de Aprendizagem. Interlúdio (dos sonhos destes pirosos Young Turks lusos): Que lindos e românticos são os pobrezinhos! Há que voltar a esse Portugal idílico de gente saudável calçada com tamancos (esquecem que só os usavam para não serem multados pelos polícias , esses portugueses rurais que chegavam às cidades...) . Os filhinhos dos políticos-gestores de empresas de Folclore e dos administradores de tretas para off-shores depois poderão levar-lhes o tostãozinho,aos filhos dso pobres enfermeiros pagar uma gorjeta pelo Natal ao professor primário, ou ofertar um par de camisas novas e de golas engomadas ao médico precário.
Continuando. O argumento da poupança é falso, pois o Estado continua a pagar, agora indirectamente, a essas empresas de contratação temporária, ou outsourcing, que ficam com a parte "de leão" que lhes convém(no caso dos enfermeiros, davam a estes menos de 40% ") do total alegando "grandes despeeeesas" (???), no fundo apenas por recolherem nomes e currículos e ver quem se sujeita ao preço mínimo, degradando e proletarizando estas profissões, que, dizem os inquéritos e estatísticas, apesar dos esforços de alguns governantes em as desacreditar, sempre foram das mais valorizadas e respeitadas pela população e geral.
O argumento da poupança é falso, pois basta ver que as derrapagem na gestão hospitalar aumentou, em vez de diminuir, desde que começaram as Parcerias Público -Privadas/leia-se sobretudo com bancos como o BES) de Hospitais.
Por outro lado, esse sistema proto-amexicanado dessas agências a contratar enfermeiros, médicos e professores (já houve disso, para as famosas Actividades Extra-Curriculares impostas por Lurdes Rodrigues e muitos ficaram sem receber longos meses...), só revela mais uma vez o desprezo para com o bem estar e qualidade de vida dos cidadãos, alegando que até para isso, a famosa e manhosa lei da "oferta e da procura" dos Mercados se pode aplicar. Como se fosse tudo igual ao "litro". Esquecendo que tanto em hospitais como em escolas são fundamentais as equipas estáveis e de qualidade, que possam oferecer o melhor serviço, salvando vidas, num caso, combatendo a ignorância, no outro. Será então o reino da instabilidade: do... agora vem um professor, no ano seguinte vem outro, sem continuidade, agora chega o médico que só "leva" X por hora e o utente que se dê por satisfeito...mesmo que depois não possa o seu caso continuar a ser acompanhado pelo mesmo médico e que os pacientes sejam cobaias de mão em mão, provavelmente em mãos cada vez mais inexperientes e baratinhas...
Compreendem agora o que se passa?
Há um destruir do estado social e o próprio Primeiro-Ministro veio ameaçar sem muitos véus que ao não poder cortar em subsídios, cortariam ainda mais a eito na Saúde e na Educação, pois nem lhes passa nas fanáticas cabeças cortar em mordomias do Terreiro do passos, digo, do Paço, em institutos e Fundações parasitas, em contratações de assessores do partido, em material do exército ou em PPPs.
A partir de Setembro o MEC, para além de medidas arrepiantes de ataque à qualidade da Escola Pública já aqui ventilados, tenciona mandar para o desemprego cerca de 25 mil professores contratados, muitos com dezenas de anos de serviço, mas eternamente precários (e venham lá dizer que a função Pública tem mais estabilidade face ao privado... Só se for o tipo de alto funcionário/assessor introduzido politicamente que o sr. conhece pelos corredores do poder, Dr. Vasco Pulido Valente!) e irão uns 7 a 8 mil docentes DOS QUADROS DE ESCOLA ficar sem horário, em chamado horário zero, depois obrigados à mobilidade, depois de mais de duas dezenas de anos de serviço prestado! Todos esta sangria de docentes, não porque não façam falta, mas por diversos malabarismos de agregação de escolas, encurtar de currículos e outros.
Já agora se vê o descalabro nas escolas, quando o pessoal auxiliar (agora com o pomposo nome de "Assistentes Operacionais") é reduzido do número de efectivos, vindo uns contratados dos centros de emprego num dia, para passados poucos meses terminarem o contrato, virem outros que os alunos nem docentes conhecem, ainda não habituados às regras internas, sem o sentido de pertença à escola, acabando por descartar responsabilidades várias. O que isso tem gerado em insegurança para os alunos, em conflitos, em ausência de espírito de corpo" dos funcionários, mesmo que muitos até sejam esforçados e merecessem continuar...
Estão a ver o que pode vir a ser isto com MÉDICOS que têm de observar utentes e prescrever tratamentos, e enfermeiros que nos atendem ou que têm de ser enviados para tratamentos ao domicílio e dar remédios, ou professores que têm de diagnosticar dificuldades e formar gradualmente os alunos , acompanhando os seus progressos nos saberes?
Não. Pelo que planeiam, querem transformar os hospitais públicos numa espécie de albergarias medievais para doentes sem apoio,com cuidados mínimos, destruindo todo o brilhante progresso conseguido pelo SNS. Querem transformar as escolas públicas em armazéns diurnos para os meninos não aprenderem muito e não cairem na delinquência. Querem dizer que fazem as tais de "Reformas Estruturais" , quando não passam de formas de Destruição de estruturas, Implosão, não da burocracia do MEC (como vociferava N Crato antes de ser Ministro), mas a implosão da Escola Pública, dinamitando os seus mais fortes pilares, alicerces que foram em todos de múltiplos governos e reformas experimentais de insânia nos anos de Democracia: OS PROFESSORES.
POR ISSO, MESMO QUE PAREÇA POUCO E QUE HAJA DIVISÕES
PENSO QUE DEVERIAMOS ESTAR TODOS LÁ: amanhã, dia 12 de Julho, 15horas, no Rossio, em Lisboa.
deixo, para incentivar, o link de uma bela carta aberta aos professores, publicada por uma mãe e blogger, Ana Amorim Dias, no blogue Sapo -Mulher: UMA CARTA AOS PROFESSORES
Até amanhã então, colegas, Pais....
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Eu vou. Quem não quiser ir por isto ou aquilo que não vá, não é obrigado. Há uns filmes por aí, uma tarde de praia, uma TV sempre ligada e, para os que nem dessas ocupações mais ou menos saudáveis gostam, há entretenimentos didácticos e para todas as estações, para pessoas entediadas, petulantes ou dondocas, do género desta (uma mera sugestão, passe a publicidade):
despejar para o fígado e para o cérebro uns bons copázios deste
(optei pela imagem do cartaz antigo, neste caso de azulejos, que povoava as esburacadas estradas nacionais, pois fica mais "Rétro", mais de acordo com a época da" Moleirinha" e dos pobrezinhos à jorna do passado)
Margarida Alegria (11-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")