Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens

domingo, 29 de maio de 2016

A Música (dos) que nos deixam ( recordando os Acoustic Alchemy)

Descobri finalmente um video com os pioneiros da banda de smooth jazz Acoustic Alchemy. Aqui, num excerto do Documentário "Best Kept Secret".
Esta banda, mais precisamente um dueto de guitarras com a sua banda de apoio, foi-me apresentada quase por acaso pelo Sr. Vítor da saudosa loja Tubitek, através do CD "Against the Grain" de  1994. Logo tratei ir encontrando o resto da discografia, encantada pela frescura e inteligente mistura de géneros dos instrumentais que compunham , desde o flamenco à bossa nova, passando pela música das Caraíbas, músicas com "toque" de Django Reinhart e até música clássica (o belíssimo "Arc en Ciel", por exemplo).
O grupo começou,penosamente (porque desenvolviam um género pouco popularucho /pouco in na altura do pós-punk) em 1981,mas só gravou o primeiro álbum em 1987, "Red Dust  and Spanish Lace", onde surgiu a primeira versão deste tema que aqui apresento ,"Mr Chow", descrito por alguns críticos como "Chinese jazz reggae" porque precisamente mistura o ritmo do reggae com elementos da música chinesa.
A publicação desses primeiros discos só se deu graças ao emprego que o dueto-- Nick Webb (guitarra de cordas de aço) e Greg Carmichael (guitarra cordas de nylon)-- conseguiu de músicos residentes nas viagens de algumas companhias de aviação, nomeadamente a Virgin Airlines ou a American Airlines. Imaginem isso hoje, na época das  companhias low Cost que nem um pacote de amendoins oferece...
De qualquer forma,  este dueto durou até 1998, ano da morte do malogrado N. Webb (o membro do duo que aqui explica como compuseram o tema),  quarenta e poucos anos, a 5 de Fevereiro,vítima de um galopante cancro pancreático. 
No entanto, nesse mesmo ano ainda lançaram mais um álbum, "Positive Thinking", Já com Webb muito doente e todos os músicos fechados uma ou duas semanas numa casa em Bath, para levarem o novo naipe de excelentes temas a bom porto. Webb estava tão fraco que já não conseguiu tocar na maioria das sessões de gravação, como explica Carmichael no  folheto do próprio álbum, mas não desistiu de dar apoio para que os seus amigos músicos acabassem o que havia a fazer. 
Assim se vê o que é um verdadeiro músico, alguém que ama a sua arte acima de tudo, apesar de ser um dedicado pai de família, não se agarrando a lamentações sobre o Destino e agarrando a Vida até ao fim, mesmo que a contas com A maldita doença!
Hoje o grupo continua, com  Carmichael   a fazer dueto com outro guitarrista e acompanhados por outros membros da banda, mas  deixo-vos aqui com o virtuosismo humilde daquele que foi o principal mentor e compositor do grupo, com esta música que perdura em frescura e garra. Intemporal. Até sempre, Nick Webb.

domingo, 12 de maio de 2013

Efemérides: Bernardo Sassetti - Um ano volvido...


(Bernardo Sassetti, Tema de "Alice", filme de Marco Martins)
No  passado dia 10 fez um ano sobre a trágica e prematura morte de  Bernardo Sassetti  (n.24-6-1970, f. 10-5-2012), talentoso compositor   e   pianista  clássico e  de jazz, artista multifaceado.
Se bem se devem  lembrar, caiu no  abismo , quando buscava os melhores ângulos para  as suas  fotos( para uma exposição   que preparava),numa falésia no Guincho...
 Ah Bernardo, antes  tivesse   ficado pelo piano....
 Mas parece que era assim, inquieto  e com sede do belo da vida.
Vi-o pessoalmente  de raspão (conhecido de amigos meus) e pareceu-me de enorme simplicidade e doçura, como são quase sempre as grandes almas e boa parte dos  melhores artistas. Os músicos de formação clássica  tendem a ser ensimesmados e distantes, mas não parecia ser o seu caso: não  havia nele qualquer pose  de superioridade. O que confirmei   numa deliciosa entrevista de TV que vi mais tarde com ele, paciente e simpático, até com um histriónico Goucha.Um abrir de coração perante as câmaras de uma candura desarmante, até.
Não queria deixar de lembrar a data.
Fica aqui, para memória futura uma das suas composições, quando de certeza teria tantas mais para criar nos anos vindouros: o Tema de "Alice", filme  de Marco Martins, a meu ver, aliás, um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos e de sempre. Esta música consegue transmitir e sublinhar de forma inesquecível a  busca angustiante e incansável de um pai pela pequena filha desaparecida, numa Lisboa vista invulgarmente pelo seu lado da indiferença e frieza de grande metrópole. Quem vê o filme, tem neste seu tema homónimo, para além das notáveis actuações, dos planos, das cores, da construção invulgar, um dos principais aspectos inesquecíveis. Recomendo.
E agora volto para a minha "nuvem", que ainda tenho muito trabalho à espera...
Para sempre, Bernardo Sassetti.
Margarida Alegria (12-5-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 21 de abril de 2013

Mais Música, para outro dia de sol e para tentar esquecer as patifarias da semana que passou

(Minta & the Brook Trout, "Falcon"- do álbum "Olympia"-2012)
Sim, sei que tenho um texto prometido há muito. Sobre filmes. Já está pronto, falta afinar uns detalhes. Mas aviso já que é grandito, para ler  e meditar todo, ou salteado, como preferirem. Fiz questão de o apurar o mais que pude.
Quanto a assuntos de Educação, ainda esta semana acabou de sair a Portaria com o número de vagas nas Escolas para o concurso nacional de professores. Uma autêntica anedota! E uma grande maldade, mais uma machadada para derrubar a Escola Pública, pois quase só tem vagas "negativas", que perece não corresponderem ao que os directores transmitiram ao MEC, nem às necessidades das Escolas. Números FALSOS, portanto. Alguém acredita que , com a quantidade de professores que se reformaram recentemente e com o número de alunos que (ao contrário do que quem fazer crer) NÃO diminuiu significativamente (de resto houve é "engenharia" manipuladora pela tutela, de aumentar os alunos por turmas, alterar a estrutura curricular sem qualquer lógica pedagógica, agregar escolas a monte e sem tino...Mas nem isso explica a rídícula soma de apenas 618 vagas abertas, ou "positivas", perante um número de 12 mil vagas "negativas", ou a fechar. 12 mil?! Bandalhos mentirosos!). Ou seja, o que querem é que os professores com vínculo ao ministério, ou do quadro de Escola, se vejam obrigados a concorrer, ao anunciarem falsamente a eliminação do seu posto; depois, esses irem para longe e ficarem em vagas precárias noutras escolas, ou nem isso (desembocando, dessa forma artificial, na mobilidade especial por dois anos, até serem simplesmente despedidos sem direito a indemnizações, após 20, 25, 30 anos de serviço público no ensino!); e depois, em Setembro, contratar professores precários, muito mal pagos, para as vagas que surgirão entretanto (com a saída dos efectivos que ERAM necessários!) para assim acabar a estabilidade da Escola Pública e, com isso, degradar ainda mais a Escola Pública, firme propósito dos últimos MEC, pelo menos desde 2005.
Mas, da parte de um ministro que se revelou mais uma fraude, um embuste, que cede a tudo no massacre aos funcionários públicos pelo Ministério das Finanças... -- um ministro que, depois de assegurar que não existiria mobilidade especial na Educação e que agora encolhe os ombros e justifica o volte-face cm um mero: "Vivemos no mundo em que vivemos"(sic)--, outra coisa não seria de esperar, que o anúncio de um concurso nacional nestes moldes, que esta FARSA!
É tudo tão nojento, que nem apetece falar mais nisto, por agora. Querem destruir o País, derrubando a qualidade do seu Estado social, a base fundamental das sociedades europeias e a razão máxima para ser admissível o pagar de impostos, num país democrático.
Fica , para acompanhar mais um dia de Primavera soalheira, a música que se vai fazendo em Portugal, desta vez com um grupo recente , mas muito interessante. É dos que canta em Inglês, e, para fazer jus à vitalidade dos músicos nortenhos, é um projecto do Porto, "Minta & The Brook Trout", guiado pela voz (excelente) de Francisca Cortesão e de um bom gosto geral de todos os seus músicos. Vi algures a autoria do video, mas já não encontrei essa versão no Youtube, desta vez. É preciso divulgarmos o que de bom se faz por cá, antes que até os músicos comecem a emigrar também...
Fiquem pois, embalados, com "Falcon".
Mais uma alegria, numa semana de "alergias".
Até logo.
Margarida Alegria (21-4-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 14 de abril de 2013

SOL! SOL ! SOL! Aqui está ele! :)

(The Beatles- Here Comes the Sun)
A chegada do sol não traz só por si o ânimo, mas ajuda muito!
E desta vez não é intermitente, nem tímido, mas em todo o seu solene e espreguiçado esplendor, com todos o cortejo de  pássaros que o celebram e  com cada rebento novo das árvores a rutilar!
Quando apenas a escuridão parece vencer, os  raios quentes do nosso amigo Sol  lembram-nos que nada é "inevitável" e que essa ideia do "não há alternativas" não passa de um embuste escuro e invernoso que nos querem impor para sempre.
Bom Domingo de Sol, amigos!
Comecemos por saborear este momento, arejemos a casa e o espírito. Depois, logo se vê...

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Uma musiquinha... Lenine -" Paciência" (Acústico ) (1º de 3 posts do dia)

O link para o video está AQUI- estranhezas do Youtube...- Lenine- "Paciência" (versão acústica HD), com a participação da harpista Cristina Braga

Não há fome que não dê em fartura, como se costuma dizer. Depois de um período  ora com  falta de tempo ora com dificuldades para postar, hoje vou tentar postar três vezes, dê no que der, depois de mais um insucesso de blogger ontem.
Para começar, depois de algumas horas de "batalha" e de ouvido semi-atento ao debate do Parlamento sobre a moção de censura do PS, um  post com um pouco de Paciência, que é a música adequada ao dia, como foi em outros. Abaixo deixo a bela letra da canção do brasileiro Lenine, se quiserem cantarolar.
A PACIÊNCIA é um bem cada vez mais raro. Por acaso  costumo ter bastante, mais do que deveria, até, mas cada vez mais -- e em especial nos últimos anos -- vou concluindo que nem sempre compensa.
Explico: geralmente  a Paciência-- com as situações, com as atitudes, com as outras pessoas e até connosco próprios-- é uma espera esperançosa que algo mude, com o tempo e com esta resposta de Paz que é a paciência. Uma situação exasperante pode acabar por passar, apenas por sermos pacientes; uma criança que faz birra acaba por acalmar, se tivermos paciência; a atitude negativa de alguém pode "baixar as armas" perante a nossa paciência. Em suma, aspectos dessincronizados e negativos da Vida podem vir a ser suavizados, anulados e até transformados no seu oposto, apenas pela paciência constante, resiliente.
Porém nem sempre tal se verifica: a situação pode ainda piorar, porque insensível à nossa paciência e tolerância; a criança caprichosa pode reagir de outra forma, fazendo birra ainda maior e mais abusiva; a pessoa "armada" de atitude negativa pode interpretar a nossa paciência  como sinal de que tudo pode (continuar a)  fazer e que não precisa de mudar nada...
E por isso às vezes digo "Basta!", não vale a pena. Políticos demagógicos continuarão a cumprir as suas agendas de interesses oportunistas e rotineiros, situações difíceis tenderão a degradar-se, pessoas com as quais se desperdiçou paciência e compreensão confirmam que nada entenderam e que não vale a pena gastar nem mais palavras, nem mais tempo, nem mais paciência. Está entranhado em todos eles e em todas essas atitudes que não sabem ou simplesmente nem querem mudar, ora por tola "estratégia", ora por incapacidade, ora por mera estupidez. Ou por isso tudo junto.
Exceptuando com crianças pequenas, que ainda não têm algumas aptidões para se auto-avaliarem, não se pode ajudar quem não quer ser ajudado, não adianta ter paciência com quem não a entende, não adiantam gestos de compreensão para quem em tudo vê ciladas e segundas intenções. Para quem só se vê a si próprio, ou nem isso (apenas a sua distorcida auto-imagem). Dar alguma coisa a quem não sabe receber e a quem nada sabe dar (sem ser por interesse) é um total desperdício. Nem que seja dar os nossos ouvidos, a nossa atenção, o nosso perdão e paz, a nossa simples paciência.  Há quem nunca aprenda,  quem nunca aprenderá, quem se recuse a aprender e a reconhecer. E que,ainda menos que reconhecer, pelo contrário distorce (triste...só se engana a si mesmo).  E há situações , atitudes e pessoas que  só por milagre se modificarão.
E pronto, já perdi palavras demais com este tema, mas ainda remato o texto   a partir da balada.
Como canta Lenine, "a vida é tão rara"... notamos que o mundo quer de nós "um pouco mais de paciência", vamos recusando a pressa absurda da vida que "não pára", "fazendo hora",no entanto, apesar de  toda a paciência que nos esforçamos por ter, concluímos que não é muito o tempo que temos para perder e há muitas outras estradas fantásticas e/ou misteriosas à nossa espera.
"A vida é curta!", disse alguém. Pois.
E ficamos uns minutos a olhar para o horizonte, a lembrar tanta coisa estranha e absurda do mundo à qual demos a  paciência e que não a mereceu. Depois, sentados à soleira da nossa vida esforçada, suspiramos e acabamos a encolher os ombros, pacientemente...
( e abaixo segue a letra)
(talvez lá para meio deste mês volte a ter mais paciência, quem sabe...)
Margarida Alegria (3 de Abril de 2013, in blog "Alegrias e Alergias")


Lenine - "Paciência"

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...
Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
2x:
Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não pára não...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dia 2 de Março faz ouvir a tua Inquietação e defende a Democracia !- Inquietação - Camané e Dead Combo


(Camané e Dead Combo- "Inquietação"; versão de 2012 do  Poema e Música de José Mário Branco; animação : Ryan Woodward; montagem: Rui Ramusga)
Uma canção e um Manifesto
Há muito que não deixava música portuguesa por aqui. Vou redimir-me. E que música!
Já tinha escutado esta versão da "clássica" e fabulosa "Inquietação" de José Mário Branco, mas só  no início  de Janeiro surgiu um video no youtube, felizmente original e com bom gosto  e proporcional ao poema    e   ao quase fado.
Camané dá a voz , os Dead Combo acompanham.
Melhor tema não podia haver, para ir lembrando o próximo dia 2 de Março, sábado, onde o Movimento "Que se lixe a troika" convida todo o país a sair à rua e fazer escutar a sua voz, já que há quem pense que só temos direito a voz de quatro em quatro anos, em eleições rotineiras , e que de resto temos de ouvir, calar... e pagar, pagar sempre mais. Não por alguma dívida que tenhamos contraído, mas por uma que foi contraída em nosso nome e que agora nos sangram em impostos e taxas várias, com juros de agiotagem, enquanto os responsáveis continuam protegidos, à solta, a fazer "das suas", a lucrar com a desgraça do país, que se humilha sem soberania, sem esperança, sem a atenção dos governantes que haviam prometido justiça e por todos zelar.
Não podemos  continuar a deixar que falem em nosso nome e depois ainda nos acusem de "censura", quando em manifestações pacíficas o povo canta  "Grândola Vila Morena", como forma de protesto. Decerto estariam mais preparados para bater em quem atira pedras ou parte montras, como noutros países, do que em quem usa formas de resistência pacífica, protestos imaginativos. Mas é este o caminho: o da resiliência, o do protesto a moer-lhes o juízo, o da Não-violência.
Violência existe, mas essa é a que vemos neste sistema cada vez mais desigual e desequilibrado que nos leva a alma e os bens. Violento é o espírito da escassa minoria que nos quer remeter à escravatura em versão do século XXI, que nos quer limitar à miséria, a um Futuro sem opções, sem saídas. Um Futuro... "sem-abrigo".
Vivemos tempos de inquietação, mas não devemos confudi-la com o Medo, que tanto nos querem impôr. Ainda temos voz: vamos portanto para os centros das nossas cidades e mostremos, nestas manifestações, que somos de tal forma o tal "Melhor Povo do Mundo" (nas palavras hipócritas do tributário-mor do "reino"), que rejeitamos esta  forma de gerir um país, a despejar tudo em buracos sem fundo de bancos meliantes e   de especuladores vampirescos. O "melhor povo" que rejeita  esta distorção da democracia , num regime que nada respeita: nem as promessas feitas, nem sequer a Constituição, a nossa lei básica que esses políticos juraram cumprir.
O "melhor povo do mundo" tem os PIORES políticos do mundo, que não o merecem, que  agora terão de escutar, sem "filtros" nem distorções dos "fazedores de opinião" das TVs e jornais, esses tudólogos que argumentam que o povo " não entende as mensagens de quem governa", que é tudo questão de  melhorar a "COMUNICAÇÃO" das medidas carrascas que nos vão despejando em cima.
 Comuniquemos nós. NO dia 2 de Março, o povo português, presente nos seus cidadãos de todas as condições e lugares, irá ,ele agora, COMUNICAR melhor aos (des)governantes e restantes políticos ---que ainda não parecem ter entendido as mensagens, nem do dia 12 de Março de 2011, nem do dia 15 de Setembro de 2012, nem de todas os outros protestos feito ao longo das últimas décadas-- que os portugueses não aguentam mais austeridade, aliás, o roubo institucionalizado transvestido de austeridade, que os portugueses estão saturados de políticos demagogos e/ou corruptos, de políticos mentirosos e sem sentido de serviço e sacrifício pelo país, de "economistas"-videntes que tratam as pessoas como números, de governantes que resolvem todos os problemas indo buscar aos bolsos  dos que menos podem (aos seus impostos, ao corte dos seus salários,  que já  eram dos mais baixos da Europa, aos subsídios escassos dos carenciados, às pensões dos idosos, aos fundos que deveriam ser para cuidar de doentes e de crianças) o dinheiro de que precisam para as suas megalomanias,ou para o favorecimento dos negócios dos seus amigos e dos mais poderosos. Os portugueses não querem mais que a política, a que deveria ser o "serviço da cidade", da Polis,  esteja subserviente perante o poder económico, sobretudo diante do poder  financeiro especulativo, o ramo da "economia" que nada produz e que é sempre o mais sôfrego, o mais insaciável, o mais dominado pela cobiça, precisamente por ser o que menos entende quanto custa  sonhar, produzir , criar riqueza num país. 
Os portugueses desprezam, com proporcional e retribuída sanha, os senhores (sempre os mesmos) da alta Finança que despoletou esta "crise", a nível Mundial e a nível nacional, aproveitando-se de políticos corruptos (ou simplesmente estúpidos) para sugar as posses de países inteiros,-- e dentro destes dos bens   dos seus cidadãos,  do haveres de  famílias e de pequenas empresas--, de forma a compensar as suas irresponsáveis movimentações/apostas de dinheiro. Portugal não quer mais ser comandado por quem joga na roleta da bolsa  e das negociatas com o dinheiro dos outros.
Portugal, terra do "melhor povo do Mundo", com quase 900 anos de existência (e já habituado, em momentos mais graves, a rejeitar  e até a "defenestrar" os que escolhem  trair o seu povo, para o vender a poderes exteriores), não quer que continuem a vender as suas melhores  e  mais lucrativas empresas ao desbarato,  a vender o seu território a outros, a vender a sua mão-de-obra a preço de escravo, emigrante ou dentro de portas.
 O que foi conquistado nas últimas décadas, as melhorias sociais, de nível de vida, a maior equidade e os direitos sociais do 1º Mundo, foram até sugeridos  e incentivados pela Europa dita solidária que nos queria integrar como povo igual,  a mesma Europa que tivera vergonha de Portugal e dele se arredava , nos 48 anos da ditadura salazarista (ou esquecem todos os países do mundo ocidental que tinham  cortado relações diplomáticas connosco nessa época?). Esse progresso económico e social, ainda longe do ideal, não foi um favor, uma benesse da vida, caída simplesmente das nuvens, mas algo que pagámos bem caro, com  aumento de preços, com carestia de vida, com o nosso próprio suor,  com o abandono forçado de agricultura, de pescas e de outras fontes produtivas, com todas as vantagens que o nosso progresso trazia também aos que cá nos queriam vender os seus bens.
 Diziam-nos que tinhamos de melhorar qualificações, melhorámos; tinhamos de incentivar a  melhor formação dos jovens, incentivámos; tinhamos de aumentar a esperança de vida da população, aumentámos. Já então eramos os  tais "bons alunos", embora já então medrassem no nosso meio os "cábulas" da política caciquista e corrupta que cada vez mais se instalou e minou os poderes nacionais. E afinal para quê? Agora dizem estes mesmos e os outros que temos de regredir, pois alegadamente viveramos "acima das nossas possibilidades". E, curiosamente, muitos dos que  agora se reclamam os "bons alunos" da troika, batendo hipocritamente no peito e impondo o castigo  beato e parolo da "prevaricação" a todos, são   muitos dos mesmos que antes copiavam,  dos que não estudavam e preparavam os seus esquemas de cábulas, dos que, rindo-se nos protegidos "aeródromos" das suas carteiras,  atiravam aviõezinhos  bem "tecnoformados"  à cabeça e à paciência dos outros alunos. 
Não deixaremos que se continue a confundir uma sensata poupança e o honrado pagar de dívidas, preocupações  de povo honesto e calmo que somos,  com o idolatrar da  austeridade cega e só para alguns, com estas políticas de destruição de direitos e de   REimplantação da pobreza, esse delírio doentio de uma minoria resguardada dela,  resguardada também , com todas as manhas, das leis macabras que cria para os outros.
A nossa Inquietação e a nossa voz têm de ser expressivas neste sábado, deixando de vez o medo , ou  a  indolência frente à TV. Comecemos a  preparar os cartazes,  a afinar  a voz para os cânticos, a dar a "corda os sapatos" para caminhar ao lado dos  nossos concidadãos em indignação, nossos iguais em dignidade ferida,  enquanto temos ainda um País, mostrando o quanto o queremos defender da espoliação e da humilhação, do estatuto de protectorado. 
Vamos pelas ruas e exijamos, cada vez mais, uma nova maneira de vivermos a democracia, exijamos aos políticos que sejam responsáveis e prestem contas pelo que decidem. Mostremos que não somos um povo adormecido nem muito menos resignado. Mostremos que entendemos muito bem o sentido das medidas homicidas que nos querem impor, que os portugueses estão longe de serem os burros de carga e os parvos porque os tomam alguns senhores do país. E digamos que NÃO queremos, medidas dessas, COMUNIQUEMOS-LHES (já que são duros de ouvido e de senso) que os governos devem ser para  servir Portugal e o seu povo não para  deles se servirem  e abusarem. Portugal não é deles, nem dos credores, Portugal é a " nação valente e imortal" que celebramos em Hino. (Um Hino nacional, "A Portuguesa". Já ouviram falar , senhores da troika e troikistas? )
Mostremos que queremos o nosso Futuro, a nossa Liberdade a nossa Vida. Incerta  e inquieta que possa ser  a Vida nestes momentos de coragem ,de mudança, de resistência ao mal que não queremos,  ela só pode continuar se de rosto levantado e sem medo, em cidadania participante e solidária.  E, tal como canta a "Inquietação"... "essa coisa é que é linda!".
Margarida Alegria (26-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

(pronto,  entusiasmei-me e fui por aqui fora, mas até mais haveria a dizer, como sabem. Dia 2 não há desculpa: há manifestações em quase todas as capitais  de distrito e noutras cidades: até em Madrid,em  Londres e em Boston! CONSULTAR AQUI os locais e as horas, para já em 35 cidades).
 Não nos devemos unir apenas para  o Futebol...DIA 2 de MARÇO, vamos mostrar que os CORAÇÕES dos portugueses batem em uníssono, pela HONRA  E FELICIDADE das nossas vidas e  pelo ORGULHO no noso  país !

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Da Verdade- Intervalo musical: Kings Of Convenience - Misread


(Kings of Convenience, "Misread", álbum- Riot on an Empty Street)
Uma das minhas descobertas musicais nos últimos anos, este dueto norueguês, com uma canção das que mais me toca, pelas mais diversas razões (já a terei postado?).
Um" intervalo" musical antes da saída do  outro dito post mais que anunciado,  remisturado e repensado, mas que me está a "doer" muito para finalizar, nestes tempos de "chumbo" e frieza social (e vai  acabar por sair uma bela porcaria).
Não se deixem iludir pela suavidade da melodia de toques simonandgarfunkelianos e de bossa nova. A letra  "arranha-nos", até com desarmante franqueza , tocando o que mais deveria ser essencial entre as pessoas: todas deveriam ter uma simplicidade-base que evitasse o acabarem tantas vezes a  "tresler" o que os outros dizem ou fazem, na difícil tarefa da comunicação.
Há coisas que também me confundem assim: descobrir com dor que nem sempre as minhas/nossas palavras são interpretadas com o sentido que lhes quis(emos) dar; descobrir que valores como a lealdade, ou  como o amor à verdade, nem sempre  têm o mesmo peso para outros, aqueles em quem confiávamos(os restantes pouco importam), como o que têm para nós. 
Descobrimos isso, vem  o choque, a desilusão, tentamos ultrapassar tudo de coração aberto, como escrevendo em folha limpa. Uma e outra vez. É uma luta que gostaríamos que fosse desnecessária na vida, um sofrimento extra no que esperávamos serem  doces oásis secretos  nos desertos de outras guerras, as rotineiras, as  obrigatórias.
 Mas acontecem. E estas são as batalhas mais importantes, tantas vezes, elas sim, "acima das nossas possibilidades".
 Para traçarmos a fronteira, para sabermos aquilo pelo que vale a pena oferecermos a nossa  alegria ou dor, resta-nos olhar para o que pode ajudar a estabelecer a diferença entre verdadeiro e falso:"A friend is not a means (...)/ Friendship is an end ". E todos os mais nobres sentimentos  e causas deviam ser assim: um FIM em si, não um MEIO para se obter alguma coisa....
É menos linear do que parece...
Eis que os KOC também devem ter razão quando cantam: " the loneliest people / were the ones who always spoke the truth"... -- lá está,  essas pessoas ingénuas arriscam "o pescoço" no veloz mundo das aparências assépticas, por fazerem a "diferença", ao se atreverem a "confrontar a indiferença".
Aí temos o mais árido dos  desertos , que nos tenta invadir o coração de ventos frios e da poeira dos séculos:  A INDIFERENÇA. 
Não devia fazer parte do nosso itinerário. Tentemos, pois,  seguir outro trilho...
(Ressalva: entendendo eu    essa Verdade  com o significado de Transparência, sinceridade ; e não  de rudeza descarada).
Margarida Alegria (19-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias").
Fica a letra:
                                                               "Misread"
If you wanna be my friend
You want us to get along
Please do not expect me to
Wrap it up and keep it there
The observation I am doing could
Easily be understood
As cynical demeanour
But one of us misread...
And what do you know
It happened again

A friend is not a means
You utilize to get somewhere
Somehow I didn't notice
friendship is an end

What do you know
It happened again

How come no-one told me
All throughout history
The loneliest people
Were the ones who always spoke the truth
The ones who made a difference
By withstanding the indifference

I guess it's up to me now
Should I take that risk or just smile?

What do you know
It happened again
What do you know

sábado, 8 de dezembro de 2012

Música pela calada da noite- "Nick Drake- Riverman"


(Nick Drake- River man, 1969. Video de 2004)
Nick Drake. Génio falecido prematuramente há 38 anos e alguns dias (26 escassos anos e tanta canção mágica, sem "lixos"!). Apenas nasceu numa época em que quem queria viver da música tinha de andar em reboliço de concertos  e não apenas no recato do estúdio... Se fosse hoje...
Ainda nos nossos dias se discute o significado desta e de outras letras misteriosas. Quem é o Homem do Rio? E o  que é o plano para o "lilac time"?
Mas todos-- pelo menos os  que tiverem uma costela poética e uma mão cheia de  dias de silêncio neste mundo de rumor e lágrimas-- entenderão alguns dos versos, que aqui deixo destacados a negrito.
Música serena, ou nem tanto, para preparar para os posts de amanhã e da semana.
Boa noite.

River Man


Betty came by on her way
Said she had a word to say
About things today

And fallen leaves
Said she hadn’t heard the news
Hadn’t had the time to choose
A way to lose
But she believes

Gonna see the river man
Gonna tell him all I can
About the plan
For lilac time

If he tells me all he knows
About the way his river flows
And all night shows
In summertime

Betty said she prayed today
For the sky to blow away
Or maybe stay
She wasn’t sure

For when she thought of summer rain
Calling for her mind again
She lost the pain
And stayed for more

Gonna to see the river man
Gonna to tell him all I can
About the ban
On feeling free

If he tells me all he knows
About the way his river flows
I don’t suppose
It’s meant for me

Oh, how they come and go

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Depois do Rio, o Mar... (Música para o serão)


The Waterboys- This is the Sea"
Como    a letra da canção  sugere, a vida não é apenas como (segundo a vulgar analogia) um belo  e simples rio, por onde fluimos com os nossos projectos, sonhos e receios, com maior  ou menor corrente, mas desaguando pacificamente no Oceano.
Há  Eras e momentos  marcantes da vida individual e/ou colectiva em que, sem que nos tivessemos equipado com bóias ou coletes,  damos por nós  directamente    no mar  , longe do nosso trajecto fluvial, sem cais que nos acolha...
Portugal, a Europa, boa parte de nós... encaramos um momento desses.
Incerto, medonho, avassalador...
Pensaramos saber tudo da nossa própria navegação.

 "But that was the River... This is the Sea.."
Enfrentemo-lo pois, olhando a onda de frente. Poderemos sair um tanto machucados e molhados. Só não sejamos condescendentes com monstros que nos sonham tragar,  com as rochas  mais duras e escorregadias que não são porto seguro, nem com as voláteis medusas, viscosas e traiçoeiras teias marítimas.
Um arrepio percorre-nos a espinha, mas assim como rio era "nosso", assim também será o Mar.
"Behold the Sea!"
Boa noite...
"Alergia" (6-11-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Aqui a letra:
"This is the Sea"
These things you keep
You'd better throw them away
You wanna turn your back
On your soulless days
Once you were tethered
And now you are free
Once you were tethered
Well now you are free
That was the river
This is the sea!

Now
if you're feelin' weary
If you've been alone too long
Maybe you've been suffering from
A few too many
Plans that have gone wrong
And you're trying to remember
How fine your life used to be
Running around banging your drum
Like it's 1973
Well that was the river
This is the sea!
Wooo!

Now
you say you've got trouble
You say you've got pain
You say've got nothing left to believe in
Nothing to hold on to
Nothing to trust
Nothing but chains
You've been scouring your conscience
Raking through your memories
Scouring your conscience
Raking through your memories
But that was the river
This is the sea yeah!

Now
I can see you wavering
As you try to decide
You've got a war in your head
And it's tearing you up inside
You're trying to make sense
Of something that you just don't see
Trying to make sense now
And you know you once held the key
But that was the river
And this is the sea!
Yeah yeah yeah yeah yeah yeah yeah!

Now I hear there's a train
It's coming on down the line
It's yours if you hurry
You've got still enough time
And you don't need no ticket
And you don't pay no fee
No you don't need no ticket
You don't pay no fee
Because that was the river
And this is the sea!

Behold the sea!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Enquanto decorre o Conselho de Estado, um Prelúdio Musical:Cantiga para quem Sonha - Luiz Goes


(Luiz Goes,Cantiga  para quem  Sonha"; video de  Cristina C. Gil,2011)
Na homenagem tardia a Luiz Goes ,falecido há dois dias , o maior dos intérpretes de Fados de Coimbra (e mais famoso,exceptuando  José Afonso).
Há muitos anos que não escutava este tema um dos mais cantados nos Campos de férias, para além  do"Canto Moço" do referido Zeca Afonso.
A letra é sempre actual  e adequada aos dias que correm não acham?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Setembro aqui, de novo....


(c )Margarida Alegria(Setembro de 2012, Portugal)
Em breve (muito breve) terão muitos e novos posts. Prometo também resposta a todos os comentários simpáticos que aqui fizeram nos últimos dias.Tenho estado com pouca ou nenhuma net, o que me trocou certas "voltas", mas o que até virá por bem, apesar de tudo.
 Para já tem sido prioritário apanhar muito sol , enquanto não o taxam também. Estar perto de quem nos quer bem (pelo menos de alguns). Retemperar forças para tanto que aí já cai em catadupa e nos espera. Com o passar dos anos aprendi a relativizar. E aprendi amargamente e em anos  recentes a não voltar a me deixar ludibriar, em matéria de atitudes, de sentimentos.  Cada vez mais me capacito: se há algo que "odeie" é o Egoísmo, a Crueldade, a Arrogância. Formas requintadas e supremas de Estupidez.
E isto não e fazer-me de vítima: já fui vítima de  FACTO de muita coisa e de muitos "bandidos", mas não invento isso e  admito-o e ouso lutar a sério contra a iniquidade. Ao contrário de quem se faz  vítima a toda a hora (talvez para se dar importância que não tem)  e se julga alvo de perseguição(!!!) de todos os ângulos, mas depois diz que não tem vocação para esse papel (suspiro... enfim!)...Ao menos soubessem  fazer verdadeiros balanços de vida e corrigir os erros enquanto podem... sarar algumas feridas dos outros...Mas há quem se recuse a aprender e a se arrepender. Quem se julga "superior"(até com direito a medir o  amor armando-se em ser "hiper-sensível"..),  eterno e com  manha para ludibriar a boa vontade alheia, os ainda ingénuos. Verdadeiramente triste, essas "Almas"... sem Luz, quando poderiam ter sol, nem que fosse de Setembro. Vidas azedas  e desperdiçadas  por mera estupidez. Mas sempre com gosto   em magoar o demais.  Vidas fátuas que podem ter  verdadeiros  paladinos a seu lado, mas que os tomam por garantidos e os  desprezam em troca de quimeras superficiais. Felizmente são aberrações pouco comuns. Só podem ser...
Setembro está de novo aí, com a sua melancolia e  surpresa.
Aí estaremos também. Com coragem. Fiquem com David Sylvian.

domingo, 19 de agosto de 2012

Música para dias de Verão: Fernanda Takai - Diz Que Fui Por Aí (ao vivo)


(Fernanda Takai- Diz Que Fui Por Aí (ao Vivo)--DVD" Luz Negra", 2009?)
Esta música começou por ser um Samba, de Wilson Simonal com ritmo muito diferente. Depois (a malograda) Nara  Leão   transformou-a  em Bossa-nova, na versão mais famosa até agora.
Nesta variante, FernandaTakai , também vocalista do grupo  brasileiro Patu Fu, ,dá-nos  a versão suave e dulcíssima de balada,  qe alguns puristas julgam traidora do  original , mas que a  maioria apreciou.
Por vezes é difícil  dizer se uma versão é melhor que o original. Geralmente não o é, mas temos  de saber escutar.
Já no resto  da vida e especialmente  no que toca a pessoas,prefiro sem dúvida o original à cópia, a essência que  existe em cada um às  várias versões que as pessoas tentam dar de si próprias. Desnecessariamente. Não passam de máscaras e no fundo não escondem nada. Se calhar só o vazio.
Eu também vou andar por aí, como diz a letra descontraída da canção : e como só os brasileiros para aliarem uma bela melodia à leveza aparente das letras!-- Mas só aparente. Reparem que ,apesar do "andar por aí" parecer irresponsável, no fundo o que importa é o ir PENSANDO e pensando no que mais importa a cada um. O "Nela" de Simonal decerto era uma sua amada, mas para nós poderá ser algo mais amplo: a VIDA em geral, a Saúde, a FELICIDADE... enfim, o que mais valorizamos nos nossos passeios despreocupados pela existência estival (e não só).
Vou andar por aí, mas estarei sempre atenta, pois o essencial para mim não tem férias: Atenta à vida, à Educação em perigo, à Felicidade que nos foi prometida mas que se parece arredar para longe constantemente, pelo menos no que toca a alguma tranquilidade e segurança que haviamos conquistado com trabalho.
Não levo violão, pois o não tenho, mas vou andando com os olhos atentos às estrelas no céu, entre as nuvens.Às flores que brotam nos recantos esquecidos, aos seixos originais na areia e aos limos que se estendem em verdes e vermelhos salgados na água que vivifica e nos reduz à nossa pequena e justa  dimensão no Universo. 
Não creio ser "popular", mas sempre fui sociável , de forma sossegada,vá lá,  tenho não  digo "muitos" amigos mas bastantes e sempre a aumentar. Assim tento tratá-los sempre com carinho.Alguns mais próximos, outros mais distantes ... Alguns sei que são mesmo bons amigos, pois não fazem  inúteis "saladas  de desconfiança na cabeça" no que Eduardo Galeano denunciou , numa entrevista que  vi há dias, como um dos factores de empobrecimento da Humanidade: a (des)educação que existe para a desconfiança (que prolifera e que leva os humanos, irmãos em espécie e em sonhos,  a virarem as costas uns aos outros e a ficarem cada vez mais sós. Só com união e confiança sobreviveremos à vida dura que se agudiza, concordo com ele!)
Por isso, fiquem tranquilos,"irmãos"... Eu vou andar "por aí", num Verão de sol entimidado, tentando dar atenção aos "meus" e ao que importa, com Confiança q.b., convivendo no grau que posso, mas sobretudo, esquecendo todas as versões de mim que possa vir a tentar usar na Vida.
Pois a vida é só uma (para já!!!), a vida é curta.
A Vida é bela, apesar de tudo.
Mas optemos pela original.
Enxotemos as máscaras.
Bom passeio pelos dias de sol e muita Vida "por aí " a todos!
(pronto.. era só uma música e deu nisto...  tenham Paciência!) ;)
Margarida Alegria (19-8-2012, in blog "Alegrias e alergias")

sábado, 28 de julho de 2012

Canta... para não chorar...(- Fantasia - Chico Buarque)


(MST "Fantasia",Chico Buarque; foto  da  capa: Sebastião Salgado)
Em dia de algumas  tristezas e algum desânimo, não tendo pé para muitas danças, resta cantar....

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Caetano Veloso - Alegria Alegria


(Caetano Veloso, "Alegria Alegria", ao vivo, 1975)
Da introdução  de uma entrevista recente a Albano Homem de Melo, jovem empresário :
 "Houve tempo em que achou que era   um erro grave não  saber jogar  bem  à bola. Depois, não ser inteligente. Agora, não ser boa pessoa."
Toda a razão! Tomara que todos pensassem assim. O Mundo seria  bem  diferente ...para melhor.
Precisamos de  construir isso todos os  dias das nossas vidas. 
 Não é simples.
Há muito ser  de mal com a vida  a tentar  leva-nos ao desânimo, à desistência dos príncípios   essenciais que nos tornam "gente".
E não nos deixemos levar pelas "imitações"...


terça-feira, 17 de julho de 2012

Interlúdio Musical- A revolta contra quem não sabe o que é solidariedade-THE SMITHS-Heaven Knows I'm Miserable Now


(The Smiths "Heavn Knows I'm Miserable Now")
Música que bem exprime, em parte da letra, a estupidez total e a falta de solidariedade que existe neste momento, da parte de alguns professores, tanto nas Escolas como nas redes sociais, que dirigem os "mísseis" para o alvo errado, o colega do lado,-- contratado, do Quadro, o mais velho, o mais novo, o que está assim ao assado, que é mais ou menos disto e daquilo,- esquecendo que o principal Alvo das críticas deveria ser quem ao longo destes anos(e agora mais que nunca)  todos tem gerado as maiores confusões  e políticas lesivas para a Educação a vários niveis : O Ministério da Educação. E com isso esquecem o tal poema de Brecht, aquele que diz  que ontem e hoje levam uns, que não nós, mas amanhã  poderá tocar-nos/lhes a vez!
O "being miserable " que sinto é não especificamente por mim. mas por esta falta de Visão, de inteligência e de mera Humanidade, da parte de quem se diz educador e agente da Cultura. E digo isto tanto a nível da instituição que representam, como a algum nível PESSOAL de "seres humanos"(?) que pude testemunhar, descobrir e/ou confirmar...
Aqui fica a letra com destaque para as frases mais ilustrativas da forma como tanto MEC(empregador) como  alguns docentes (e outros seres não docentes ou dEcentes)  tratam os demais  como descartáveis.

  I was happy in the haze of a drunken hour
But heaven knows I'm miserable now

I was looking for a job, and then I found a job
And heaven knows I'm miserable now

In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?

Two lovers entwined pass me by
And heaven knows I'm miserable now


I was looking for a job, and then I found a job
And heaven knows I'm miserable now

In my life
Oh, why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?

What she asked of me at the end of the day
Caligula would have blushed


"You've been in the house too long" she saidAnd I (naturally) fled


In my life
Why do I smile
At people who I'd much rather kick in the eye ?

I was happy in the haze of a drunken hour
But heaven knows I'm miserable now


"You've been in the house too long" she saidAnd I (naturally) fled


In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?
..............««««««««««««..............


Margarida Alegria (17-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 1 de julho de 2012

Música e Nostalgia com votos de boa Noite




(David Sylvian- Nostalgia,-- In Praise of Shamans, Tour, 1988)
Música para uma boa noite. Do "mestre" David Sylvian, "Nostalgia" (álbum "Birilliant Trees"), aqui num tour, mas numa perfeição de sonho, para música ao vivo. sem as tecnologias sonoras actuais...
A maioria das imagens do video consistem em excertos de outra "Nostalgia"(Nostalghia, 1983), o filme de Andrei Tarkovski.
Duas nostalgias, duas obras de arte, Três nostalgias, com a minha, a vossa, a nossa.
Boa noite!




segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tempo de prendas e de selos de Amizade-"Tonight we fly"


Tempo de finalmente postar um  selo daqueles oferecidos por gente simpática e querida, dedicado à música e aos amigos bloggers. Ei-lo :



É requintado, não acham? É originalmente da blogger "Mar". Levem-no, se quiserem.Supostamente a tarefa anexa deveria ser  dedicar uma música por cada blogger que visitamos, mas vou fazer como a "Pérola" ,que me ofereceu  este, e dá-lo em geral aos gentis bloggers amigos que   visitam este  bloguito e que visito.... E já agora alargado a todos o meus amigos em geral, mas aos verdadeiros, distantes ou mais próximos.
Os Divine Comedy repetem-se aqui, mas nunca é demais relembrar ou dar a conhecer  um dos   melhores  compositores-cantores(e poetas!) das últimas décadas (e ainda tão injustamente  incógnito!) Neil Hannon. Esta música é a meu ver muito adequada ao proposto.
Como se  lê na letra que  aqui  junto (magnificamente  complementar do alento que a melodia nos dá!),  uma das maravilhas  que se guarda da vida que   sobrevoamos, acordados ou a dormir, são  os amigos. Mas eles são sempre somados e não substituídos uns por outros, como quem troca de blusa. Viver devia  ser, como diz uma frase famosa,(não sei de quem) "Amar as pessoas e usar os objectos e não  amar os os  objectos e usar as pessoas" (como muitos fazem).
Páro aqui o "parlapié" e deixo-vos com a canção inesquecível. Dedicada   a quem   a merece.
Boa Noite! VOEMOS, com as asas leves e puras da Amizade! :) ( E tudo bem colorido, hen?)


(The Divine Comedy,"Tonight We Fly",video  não oficial, de um fã, publicado por "teddyduchamp")

TONIGHT WE FLY

Tonight we fly
Over the houses, the streets and the trees -
Over the dogs down below;
They'll bark at our shadows
As we float by on the breeze.
Tonight we fly
Over the chimney tops, skylights and slates -
Looking into all your lives
And wondering why
Happiness is so hard to find.
Over the doctor, over the soldier,
Over the farmer, over the poacher,
Over the preacher, over the gambler,
Over the teacher, over the writer,
Over the lawyer, over the dancer,
Over the voyeur,
Over the builder and the destroyer,
Over the hills and far away!
Tonight we fly
Over the mountains, the beach and the sea
Over the friends that we've known,
And those that we now know
And those whom we've yet to meet.
And when we die
Oh, will we be that disappointed or sad?
If heaven doesn't exist,
What will we have missed?
This life is the best we've ever had!

(Neil Hannon /The Divine Comedy, in álbum "Promenade",1994)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A Certeza do Acaso na Divina Comédia da Vida...


(The Divine Comedy "The Certainty of Chance", Live at the Palladium 2008?)
Uma das minhas canções  favoritas de sempre, por um dos grupos míticos das últimas décadas, os britânicos (irlandeses do Norte) Divine Comedy, aqui ao vivo.
Há um video "oficial" que só há pouco descobri (VER e COMPARAR AQUI) e onde não aparecem algumas fífias que o nosso Neil Hannon dá nesta versão (entusiasmos, acontece...), um soberbo espectáculo com orquestra. Mas esse  outro video não incluia, como devia,  a  parte final com  a leitura  do poema (aliás  parece  um poema, mas  descobri que   é um excerto de um monólogo do  filme  "La Dolce Vita" , de Fellini) , um remate  importante, a meu ver.
Este tema acompanhar-me-á para sempre, pelas dezenas de vezes que o escutei, bem como a todo o álbum "Fin de Siécle" (1999), numa  das  fases mais duras da minha  vida. Canções que foram  a companhia ,  para além de um cão,de revolta e reflexões, com cada palavra  e nota  a ecoarem  nas paredes  de  uma casa  enorme e quase  vazia, povoada " de fantasmas".
Fases melhores vieram. O cão, que era velho mas ainda "rijo", morreu, ainda nessa  fase, como é tradição nos males que não vêm sós. Entretanto a vida avançou,  mudou, sobrevivi.
Muitas coisas mudaram "some forever, not for better", como cantavam  os Beatles.
E acertam, estes trovadores modernos. De  uma coisa   apenas   podemos ter certeza nesta  Vida: de  que  não há Certeza de  nada, talvez somente a Fé em algumas coisas e em algumas pessoas, sobretudo alguma Esperança  numa "Certeza do Acaso", como aqui se canta. Por mais  que nos  esforcemos por fazer o  está certo, por mais que procuremos  cumprir  a "nossa parte" a que nos toca na tal Sorte/  nesse Acaso.
Se calhar  será melhor irmos seguindo  os  conselhos das tais belas palavras  finais:
"We  need to  live  in  a state  of  suspended animation* , like a work  of  Art.
In a state of enchantment...
detached, detached..." (Ver o monólogo completo do filme AQUI, por escrito, vale a pena).
Por que  se ao menos nos encantarmos com o que descobrimos (na Natureza, nos outros, nas situações) não nos desencantamos tanto com o que vivemos (da Natureza Humana, dos outros, das situações...).
Boa tarde!
"Alergia" (24-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
*durante muito tempo entendi esta palavra "animation", como "admiration", o que também ficaria adequado...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

R.I.P. para mais um Gibb: Robin


(BeeGees- HowDeep is yourLove" . live 1998)
Mais uma morte na música,  e mais    um falecimento  trágico de outro  dos  irmãos  Gibb .  Robin Gibb, o loiro,  aqui no centro do palco. Com 62  anos,  de pneumonia, depois  de anos de resistência  a  um cancro.
Agora já só resta  Barry.("Staying alive"..)
Canções delicodoces, uns falsetes irritantes na época do disco, é verdade, mas algumas canções para a história  da  música popular. Como   esta, com que remato, por agora, o tema do posts de ontem.
E...este serão , como diz  a outra canção, " I started  a joke..." , mas....
R.I.P. Robin...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pausa Musical: Fio Da Vida



("Fio da Vida"", Rodrigo  Leão, cantor convidado: Thiago Pethit, 2011)
Enquanto  não   sai novo  post, este serão  ainda, uma  música do mais  recente   e  superlativo álbum  de  Rodrigo Leão,   "A Montanha  Mágica". Vale a pena escutar.
Por  mais tempestades que  revolvam o mar, nada nos  pode roubar os bons  momentos nem a  importância  dos  sonhos.
Tudo passa, só o  Bem  praticado   e o  recebido  ficam....
O  resto   " É  SÓ POEIRA",  é só escolhos  e as mãos "cheias de nada" de fantasmas.
Até já!