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domingo, 21 de abril de 2013

Mais Música, para outro dia de sol e para tentar esquecer as patifarias da semana que passou

(Minta & the Brook Trout, "Falcon"- do álbum "Olympia"-2012)
Sim, sei que tenho um texto prometido há muito. Sobre filmes. Já está pronto, falta afinar uns detalhes. Mas aviso já que é grandito, para ler  e meditar todo, ou salteado, como preferirem. Fiz questão de o apurar o mais que pude.
Quanto a assuntos de Educação, ainda esta semana acabou de sair a Portaria com o número de vagas nas Escolas para o concurso nacional de professores. Uma autêntica anedota! E uma grande maldade, mais uma machadada para derrubar a Escola Pública, pois quase só tem vagas "negativas", que perece não corresponderem ao que os directores transmitiram ao MEC, nem às necessidades das Escolas. Números FALSOS, portanto. Alguém acredita que , com a quantidade de professores que se reformaram recentemente e com o número de alunos que (ao contrário do que quem fazer crer) NÃO diminuiu significativamente (de resto houve é "engenharia" manipuladora pela tutela, de aumentar os alunos por turmas, alterar a estrutura curricular sem qualquer lógica pedagógica, agregar escolas a monte e sem tino...Mas nem isso explica a rídícula soma de apenas 618 vagas abertas, ou "positivas", perante um número de 12 mil vagas "negativas", ou a fechar. 12 mil?! Bandalhos mentirosos!). Ou seja, o que querem é que os professores com vínculo ao ministério, ou do quadro de Escola, se vejam obrigados a concorrer, ao anunciarem falsamente a eliminação do seu posto; depois, esses irem para longe e ficarem em vagas precárias noutras escolas, ou nem isso (desembocando, dessa forma artificial, na mobilidade especial por dois anos, até serem simplesmente despedidos sem direito a indemnizações, após 20, 25, 30 anos de serviço público no ensino!); e depois, em Setembro, contratar professores precários, muito mal pagos, para as vagas que surgirão entretanto (com a saída dos efectivos que ERAM necessários!) para assim acabar a estabilidade da Escola Pública e, com isso, degradar ainda mais a Escola Pública, firme propósito dos últimos MEC, pelo menos desde 2005.
Mas, da parte de um ministro que se revelou mais uma fraude, um embuste, que cede a tudo no massacre aos funcionários públicos pelo Ministério das Finanças... -- um ministro que, depois de assegurar que não existiria mobilidade especial na Educação e que agora encolhe os ombros e justifica o volte-face cm um mero: "Vivemos no mundo em que vivemos"(sic)--, outra coisa não seria de esperar, que o anúncio de um concurso nacional nestes moldes, que esta FARSA!
É tudo tão nojento, que nem apetece falar mais nisto, por agora. Querem destruir o País, derrubando a qualidade do seu Estado social, a base fundamental das sociedades europeias e a razão máxima para ser admissível o pagar de impostos, num país democrático.
Fica , para acompanhar mais um dia de Primavera soalheira, a música que se vai fazendo em Portugal, desta vez com um grupo recente , mas muito interessante. É dos que canta em Inglês, e, para fazer jus à vitalidade dos músicos nortenhos, é um projecto do Porto, "Minta & The Brook Trout", guiado pela voz (excelente) de Francisca Cortesão e de um bom gosto geral de todos os seus músicos. Vi algures a autoria do video, mas já não encontrei essa versão no Youtube, desta vez. É preciso divulgarmos o que de bom se faz por cá, antes que até os músicos comecem a emigrar também...
Fiquem pois, embalados, com "Falcon".
Mais uma alegria, numa semana de "alergias".
Até logo.
Margarida Alegria (21-4-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os birrentos e a decisão do Tribunal Constitucional


fotos (c) Margarida Alegria (2-3-2013, Porto)
E pronto. Já aí está a vingançazinha dos meninos birrentos do governo e seus satélites, depois de terem estado  a afiar as facas e a chorar baba e ranho no fim-de-semana (nem os acalmaram serem assoados pelo grande  e alvo lenço do comentador da sua ala política, Marcelo Rebelo de Sousa, que  lhes explicou que uma medida do TC tinha de ser acatada, paciência), depois do Tribunal Constitucional(TC) ter declarado anticonstitucionais (o que todos menos esses meninos já previam) várias medidas constantes no Orçamento de Estado para 2013. Nomeadamente, o corte do subsídio de férias dos funcionários públicos (que, lembro, não é um bónus para além dos 12 salários, mas uma compensação para os magros salários praticados e para o facto de não serem pagos semanalmente), a medida que o TC tinha deixado passar no orçamento do ano passado, só porque o ano já ia avançado; o corte desse subsídio aos reformados e pensionistas ; e, talvez a medida mais torpe de todas, a taxa extra sobre os ("luxuosos", se calhar...) subsidios de desemprego e de doença.  Faço minhas as palavras requintadas de João Quadros e Bruno Nogueira no programa de humor de hoje do Tubo de Ensaio. (na mouche!) na rádio TSF.
Pois bem, hoje passou o período de curto luto desses inqualificáveis revanchistas e anti-democráticos políticos pela decisão do TC. Um luto muito agitado diga-se, que mais lembrava um funeral cigano, com carpideiras a preceito que, em vez de se vestirem de negro e rasgarem os xailes, vestiam fato e gravata e bradavam nas TVs contra o TC e mostravam gráficos e quadros do que se devia agora cortar . Leia-se: do que se devia cortar no Estado social,  isto é, Saúde, Educação, Segurança social, ai que coincidência! Já nas PPPs e Rendas imensas das empresas de fornecimento de energia, nas Consultadorias para pensar pelos  Ministérios, nos Institutos quase fantasma,nos "Observatórios" para cada treta e nos subsídios a Fundações privadas?? nem pensar!.
Os portugueses conseguiam ouvir de suas casas, mesmo com TVs desligadas, a gritaria desses arautos do neoliberalismo austeritário, quer os de cá quer os de Bruxelas ou de Berlim, já muito aflitos e também chantagistas,  dessas carpideiras do "custe o que custar" a bater no peito e a rasgar as vestes:
-Aiiiiiiiiiiiaiiaiaiaiiaiaiaiii! Minha mãeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Ai que mataram o meu paiiiiiiiii Orçamentoooooooooo!
-Aiiiiiiiii que agora  estamos com os calores e à falta de leque vamos é pegar naquele relatório do FMI, aquele cheio de erros e dados manipulados e desatualizados e que já estava no lixo e vamos abanar-nos com isto! Aiiiiiiiiiiii meu irmão Gaspar, meu irmão Coelho, que ficaram órfãos do Pai orçamento!!! Ai que ele ia bater mais e mais nos portugueses e  até podia  ser ilegal e estar cheio de erros e contas mal feitas, mas era o Orçamento dos Orçamentos! Que importa se ia matar  e arruinar mais portugueses? aiiiii que estava tudo a ir tão bem! tantas empresas mais a fechar, coisas tão lindas e perfeitas, tanto "minino" boy a arranjar tacho junto dos ministérios!
E lá distante os ventos traziam mais lamentos bem audíveis:
-Aiiiiiiiiiiii Ke Portugal vai desobedecerrrrrrrrr à austeritaaaaaaaT! Aiiiiiiii Meu Deus, a minha vida e carreiraaaaaa, a minha avó eleiçãozinhaaaaaaa aqui no meu país, que era tão kerrrrrida!!! Aiiiiiiii...
-Aiiiiiiii que Portugal não vaiiiiiiiiii querer continuar a ser tão sangradiiiiiiinho como era! Aiiiiiiii, minha mãe lagarde, que isto nãooooo se faz, nós tão keriiiidos e tão compreensivos para os bons alunos e cheios de pena e de lágrimas de crocodilo pelos desempregados portugueses! Aiiiiiiiiiiiiiiiiaiaiiaiaiaiia!
Passado o funeral e sacudida a última lágrima, o maior órfão do Pai Orçamento Inconstitucional de Estado 2013, o menino Vítor Gaspar, tomou uma resolução. Depois de acender uma vela e rezar pela alma da mais recente santa Margaret, pedindo assim inspiração a essa padroeira da Austeridade,-- protectora dos sem-abrigo do Reino Unido, ontem falecida e já canonizada no templo  de Bruxelas (mesmo que fosse contra a União Europeia)-- fechou-se no gabinete e, ao fim de escassas horas, ao contrário do sucedido no Vaticano, saiu da  chaminé vingativa  da sua caneta um espesso fumo negro de decisão tomada. Negro de mais morte e de mais destruição: redigira e assinara um despacho.
 O que ordena no despacho? O bloqueio,isto é, o congelamento,  com mínimas excepções (  o pagamento de salários, o custear de actos jurídicos e de casos já em processamento) , das despesas correntes  dos ministérios (já tão esmifradas), sem autorização prévia do Ministro das Finanças. Dele e apenas dele, o Todo-Poderoso e dono da razão!
( Bem, mas afinal não estava tudo a ir por bom rumo e a " correr como previsto", nao fora o acordao do TC? Como previsto para quê? para quem? E congelar os gastos dos ministérios por causa de um chumbo que iria apenas contribuir com um 0,5 % do PIB? As dúvidas são legítimas)
Em poucas horas e de entre as várias reacções, o   presidente dos Reitores, António Nóvoa, já veio dizer que isso pode "congelar" por completo o futuro das Universidades ( laboratórios, papel, comida nas cantinas), o Bastonário da Ordem dos Médicos já responsabilizou o Ministro das Finanças, caso venham a morrer doentes nos hospitais, fruto desta medida ciclópica (mesmo que em tom suave, pedindo bom senso e que o governo terá de escolher entre manter vivos os portugueses ou renegociar o Memorando com a Troika). Para já, mesmo antes desta medida, já se tinha a notícia de que a vacina do BCG para as crianças estava esgotada e indisponível... Se agora o refornecimento estiver pendente da assinatura do maquiavélico Gaspar, o que sucederá?
Nem há mais palavras! Não escutam ninguém, estão cegos de fanatismo austeritário, o que cada vez mais aumenta a convicção de alguns de que fazem isto não porque acreditem piamente que vão salvar Portugal com estas medidas, mas porque estão completamente subservientes aos que servem de  verdade: os que querem arruinar os países mais pobres da Europa, para assim conseguirem mais proveitos para os que estão a enriquecer com esta "Crise".
Tanta estupidez, tanta cegueira, tanto fanatismo, já perdeu toda a tolerância da maioria dos portugueses.
No passado dia 2 de Março, por entre os muitos cartazes  de manifestantes que se destacavam e alguns que fotografei, estava o que vemos acima, a explicar a Gaspar o que era isso do Bom Povo Português: "Somos ordeiros,não somos  cordeiros - Chega de sacrifícios!".
Entendam: o povo é tolerante e calmo, mas não quer ser levado para um matadouro que não serve a ninguém (só aos que lucram do costume, os "intocáveis" do sistema financeiro e político e mesmo assim, no médio e longo prazos, até esses perderão).
Para o Gaspar, havia um cartaz apropriado, adequado a quem já só vê os seus modelos e está fora da realidade, quem se injecta de teorias económicas suicidas, delira em "trips" de despachos vários, sentindo-se todo-poderoso, um cartaz que agora se começa a entender melhor:
(c) Margarida Alegria (2-3-2013, Porto)

Às tantas... quem sabe ? :(

Margarida Alegria ( 9 de Abril de 2013, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sugestões: Retrospectiva de cinema documental- Kim Longinotto "Histórias no Feminino"

(imagem de "Pink Saris", 2010, de Kim  Longinotto)
Apenas tempo para alertar para um ciclo de cinema (Documentário) que anda em tournée por Portugal desde a semana passada.
No Porto decorreu entre os dias 28 e 30 de Março, no cinema Passos Manuel, promovida pela Associação "Zero em Comportamento". Vi quase todos e RECOMENDO VIVAMENTE.
Trata-se de um total de sete filmes da britânica Kim Longinotto, uma das mais marcantes e premiadas  documentaristas da actualidade, que tem percorrido parte do mundo a retratar histórias pungentes e muito humanas de pessoas que, nos seus  países (Irão, Quénia, Índia, Japão, Reino Unido...), lutam por uma maior dignidade de vida e pelos direitos dos mais desprotegidos, nomeadamente de mulheres e crianças. Daí esta retrospectiva ter sido baptizada de "Histórias no Feminino", pois a maioria dos protagonistas destas histórias reais são mulheres de "fibra" dispostas a mudar algo em seu redor (embora alguns dos  filmes "naveguem" por outros temas, como poderão ver).
Tradicionalmente o cinema de Kim Longinotto é associado ao chamado "Cinema Directo" ou Cinema vérité,  caracterizado por não assentar em grandes efeitos estilísticos nem ser construído com base num guião prévio. Pode parecer árido e simplista e retrair quem já não aprecia tanto assim os documentários, preferindo enredos complicados,lágrimas e acção... da ficção.
Mas desenganem-se. Como a realizadora constata e muitos de nós também sabemos,  quase sempre a realidade ultrapassa e supera a ficção. O aparente estilo "neutro"  de Kim L. é compensado com a forma sensível e próxima como filma aquelas pessoas e os seus dramas, conseguindo-nos transportar para os espaços onde as situações decorrem, dentro ou fora de portas, e tornando-nos testemunhas das suas "batalhas". A própria autora explica que não quer , com estes filmes, dizer  aos espectadores COMO e o QUE  devem pensar sobre os filmes que vêem, mas que "estejam" presentes e VIVAM aquelas emoções, construindo depois as suas próprias reflexões.
Fui a uma sessão, só por curiosidade, mas acabei por ir a (quase) todas as outras. Os filmes envolvem-nos e torcemos, como em qualquer filme, pelas heroínas e heróis daqueles dramas dos dias de hoje. Querem lágrimas, acção, emoções várias, expressividade humana, diálogos mais perfeitos do que os de ficção, personagens inesquecíveis? Gostam de  ver  filmes "de tribunal", filmes com música e dança, filmes  de abraços, discussões ou ternura, filmes policiais até? Pois nestes documentários vão tendo quase tudo isto. Arrumem de vez o preconceito quanto ao que podem pensar que vai ser "apenas" um documentário, dos ilustrativos e mais rotineiros, habituados a ter desses "aos quilos" nas TVs por cabo ou em reportagens de noticiários. 
Temas  mais duros como o divórcio litigioso e quase proibido, a violência nos bairros citadinos,  a opressão das mulheres fechadas em casa, o abandono de crianças, a excisão genital feminina, mas também momentos de carinho, de risos, de declarações de amor , de reconciliação e perdão, de humor hilariante, até. Em suma: a Vida  diante dos nossos olhos, mesmo que por vezes em situações extremas, contrabalançadas com a  doce "normalidade" e os suaves sonhos comuns a todos os humanos, em qualquer parte do Mundo. Aquilo passou-se, aquilo passa-se, ainda, nos dias de hoje, algures num recanto deste planeta Terra e há um enredo bem real de  grandes ou pequenas vitórias pessoais e/ou socio-culturais ali em jogo!
 Acreditem: dei cada minuto por bem empregue e saí daquela sala de cinema mais "rica" e forte por dentro, como todos os que tiveram a sorte de ver pelo menos um daqueles filmes.
 Em Lisboa começará HOJE, dia 4 de abril,  às 21.30h, no CINEMA-CITY Alvalade, decorrendo a retrospectiva até Domingo, dia 7 de Abril, inclusivé.
Consultar  AQUI (link para o Cinema ) os horários e preços, mais económicos que os de outros filmes (dos dias 5 a 7 serão projectados dos filmes por dia, um às 19h e outro às 21.30).
Em Lisboa  após a maioria dos filmes, decorrerão debates com o público e especialistas convidados em várias áreas (Jurídica, social, cinematográfica). No Porto tivemos a sorte de as conversas sobre os filmes terem a presença central  e simpatiquíssima da própria Kim Longinotto, que conhece cada "frame" e cada personagem dos seus filmes como as palmas da mãos. (ora tomem lá, lisboetas!) ;)
O primeiro filme é o que está aqui retratado, "Pink Saris" , de 2010, e foi o único que "perdi".
Nele a realizadora (como habitual apenas com o apoio de um técnico de som e alguém para traduzir) acompanha  Sampat Pal, uma activista dos direitos das mulheres , líder do grupo Gulabi Gang, que percorre  a região de Uttar Pradesh, no norte da Índia, em apoio às mulheres vulneráveis e maltratadas  e  na mediação dos seus dramas familiares .

Depois da etapa Lisboeta, os filmes  farão um périplo pelo país, estando para já  garantidas as passagens por Joane, por Viseu, Barcelos e Ponta Delgada.
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Amanhã publicarei aqui  as minhas impressões mais detalhadas  --as tais reflexões que Kim L. espera que os fruidores da sua obra venham a construir -- sobre os filmes que vi e que dificilmente esquecerei. Estes filmes são a prova como as Artes e as causas sociais estão longe de estar separadas, podendo interligar-se e entreajudar-se de forma subtil e contribuir para um Mundo melhor e mais justo.
Margarida Alegria (4-4-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

ADENDA( dia 7-5-2013):Ainda pensava eu que tinha anunciado as sessões de Lisboa um tanto em cima da hora. Pois bem, alguns dos filmes têm andado por aí, como foi o caso ontem ,6-5-2013,  de "The Day I Will Never Forget". Passou em Viana do Castelo, às 14.30h (ontem). Quando foi anunciado no jornal?... ONTEM... :(
(Está para breve a publicação do texto que prometi. Os maiores dos contratempos... que colidem com o não querer um texto "às três pancadas"...).

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dia 2 de Março faz ouvir a tua Inquietação e defende a Democracia !- Inquietação - Camané e Dead Combo


(Camané e Dead Combo- "Inquietação"; versão de 2012 do  Poema e Música de José Mário Branco; animação : Ryan Woodward; montagem: Rui Ramusga)
Uma canção e um Manifesto
Há muito que não deixava música portuguesa por aqui. Vou redimir-me. E que música!
Já tinha escutado esta versão da "clássica" e fabulosa "Inquietação" de José Mário Branco, mas só  no início  de Janeiro surgiu um video no youtube, felizmente original e com bom gosto  e proporcional ao poema    e   ao quase fado.
Camané dá a voz , os Dead Combo acompanham.
Melhor tema não podia haver, para ir lembrando o próximo dia 2 de Março, sábado, onde o Movimento "Que se lixe a troika" convida todo o país a sair à rua e fazer escutar a sua voz, já que há quem pense que só temos direito a voz de quatro em quatro anos, em eleições rotineiras , e que de resto temos de ouvir, calar... e pagar, pagar sempre mais. Não por alguma dívida que tenhamos contraído, mas por uma que foi contraída em nosso nome e que agora nos sangram em impostos e taxas várias, com juros de agiotagem, enquanto os responsáveis continuam protegidos, à solta, a fazer "das suas", a lucrar com a desgraça do país, que se humilha sem soberania, sem esperança, sem a atenção dos governantes que haviam prometido justiça e por todos zelar.
Não podemos  continuar a deixar que falem em nosso nome e depois ainda nos acusem de "censura", quando em manifestações pacíficas o povo canta  "Grândola Vila Morena", como forma de protesto. Decerto estariam mais preparados para bater em quem atira pedras ou parte montras, como noutros países, do que em quem usa formas de resistência pacífica, protestos imaginativos. Mas é este o caminho: o da resiliência, o do protesto a moer-lhes o juízo, o da Não-violência.
Violência existe, mas essa é a que vemos neste sistema cada vez mais desigual e desequilibrado que nos leva a alma e os bens. Violento é o espírito da escassa minoria que nos quer remeter à escravatura em versão do século XXI, que nos quer limitar à miséria, a um Futuro sem opções, sem saídas. Um Futuro... "sem-abrigo".
Vivemos tempos de inquietação, mas não devemos confudi-la com o Medo, que tanto nos querem impôr. Ainda temos voz: vamos portanto para os centros das nossas cidades e mostremos, nestas manifestações, que somos de tal forma o tal "Melhor Povo do Mundo" (nas palavras hipócritas do tributário-mor do "reino"), que rejeitamos esta  forma de gerir um país, a despejar tudo em buracos sem fundo de bancos meliantes e   de especuladores vampirescos. O "melhor povo" que rejeita  esta distorção da democracia , num regime que nada respeita: nem as promessas feitas, nem sequer a Constituição, a nossa lei básica que esses políticos juraram cumprir.
O "melhor povo do mundo" tem os PIORES políticos do mundo, que não o merecem, que  agora terão de escutar, sem "filtros" nem distorções dos "fazedores de opinião" das TVs e jornais, esses tudólogos que argumentam que o povo " não entende as mensagens de quem governa", que é tudo questão de  melhorar a "COMUNICAÇÃO" das medidas carrascas que nos vão despejando em cima.
 Comuniquemos nós. NO dia 2 de Março, o povo português, presente nos seus cidadãos de todas as condições e lugares, irá ,ele agora, COMUNICAR melhor aos (des)governantes e restantes políticos ---que ainda não parecem ter entendido as mensagens, nem do dia 12 de Março de 2011, nem do dia 15 de Setembro de 2012, nem de todas os outros protestos feito ao longo das últimas décadas-- que os portugueses não aguentam mais austeridade, aliás, o roubo institucionalizado transvestido de austeridade, que os portugueses estão saturados de políticos demagogos e/ou corruptos, de políticos mentirosos e sem sentido de serviço e sacrifício pelo país, de "economistas"-videntes que tratam as pessoas como números, de governantes que resolvem todos os problemas indo buscar aos bolsos  dos que menos podem (aos seus impostos, ao corte dos seus salários,  que já  eram dos mais baixos da Europa, aos subsídios escassos dos carenciados, às pensões dos idosos, aos fundos que deveriam ser para cuidar de doentes e de crianças) o dinheiro de que precisam para as suas megalomanias,ou para o favorecimento dos negócios dos seus amigos e dos mais poderosos. Os portugueses não querem mais que a política, a que deveria ser o "serviço da cidade", da Polis,  esteja subserviente perante o poder económico, sobretudo diante do poder  financeiro especulativo, o ramo da "economia" que nada produz e que é sempre o mais sôfrego, o mais insaciável, o mais dominado pela cobiça, precisamente por ser o que menos entende quanto custa  sonhar, produzir , criar riqueza num país. 
Os portugueses desprezam, com proporcional e retribuída sanha, os senhores (sempre os mesmos) da alta Finança que despoletou esta "crise", a nível Mundial e a nível nacional, aproveitando-se de políticos corruptos (ou simplesmente estúpidos) para sugar as posses de países inteiros,-- e dentro destes dos bens   dos seus cidadãos,  do haveres de  famílias e de pequenas empresas--, de forma a compensar as suas irresponsáveis movimentações/apostas de dinheiro. Portugal não quer mais ser comandado por quem joga na roleta da bolsa  e das negociatas com o dinheiro dos outros.
Portugal, terra do "melhor povo do Mundo", com quase 900 anos de existência (e já habituado, em momentos mais graves, a rejeitar  e até a "defenestrar" os que escolhem  trair o seu povo, para o vender a poderes exteriores), não quer que continuem a vender as suas melhores  e  mais lucrativas empresas ao desbarato,  a vender o seu território a outros, a vender a sua mão-de-obra a preço de escravo, emigrante ou dentro de portas.
 O que foi conquistado nas últimas décadas, as melhorias sociais, de nível de vida, a maior equidade e os direitos sociais do 1º Mundo, foram até sugeridos  e incentivados pela Europa dita solidária que nos queria integrar como povo igual,  a mesma Europa que tivera vergonha de Portugal e dele se arredava , nos 48 anos da ditadura salazarista (ou esquecem todos os países do mundo ocidental que tinham  cortado relações diplomáticas connosco nessa época?). Esse progresso económico e social, ainda longe do ideal, não foi um favor, uma benesse da vida, caída simplesmente das nuvens, mas algo que pagámos bem caro, com  aumento de preços, com carestia de vida, com o nosso próprio suor,  com o abandono forçado de agricultura, de pescas e de outras fontes produtivas, com todas as vantagens que o nosso progresso trazia também aos que cá nos queriam vender os seus bens.
 Diziam-nos que tinhamos de melhorar qualificações, melhorámos; tinhamos de incentivar a  melhor formação dos jovens, incentivámos; tinhamos de aumentar a esperança de vida da população, aumentámos. Já então eramos os  tais "bons alunos", embora já então medrassem no nosso meio os "cábulas" da política caciquista e corrupta que cada vez mais se instalou e minou os poderes nacionais. E afinal para quê? Agora dizem estes mesmos e os outros que temos de regredir, pois alegadamente viveramos "acima das nossas possibilidades". E, curiosamente, muitos dos que  agora se reclamam os "bons alunos" da troika, batendo hipocritamente no peito e impondo o castigo  beato e parolo da "prevaricação" a todos, são   muitos dos mesmos que antes copiavam,  dos que não estudavam e preparavam os seus esquemas de cábulas, dos que, rindo-se nos protegidos "aeródromos" das suas carteiras,  atiravam aviõezinhos  bem "tecnoformados"  à cabeça e à paciência dos outros alunos. 
Não deixaremos que se continue a confundir uma sensata poupança e o honrado pagar de dívidas, preocupações  de povo honesto e calmo que somos,  com o idolatrar da  austeridade cega e só para alguns, com estas políticas de destruição de direitos e de   REimplantação da pobreza, esse delírio doentio de uma minoria resguardada dela,  resguardada também , com todas as manhas, das leis macabras que cria para os outros.
A nossa Inquietação e a nossa voz têm de ser expressivas neste sábado, deixando de vez o medo , ou  a  indolência frente à TV. Comecemos a  preparar os cartazes,  a afinar  a voz para os cânticos, a dar a "corda os sapatos" para caminhar ao lado dos  nossos concidadãos em indignação, nossos iguais em dignidade ferida,  enquanto temos ainda um País, mostrando o quanto o queremos defender da espoliação e da humilhação, do estatuto de protectorado. 
Vamos pelas ruas e exijamos, cada vez mais, uma nova maneira de vivermos a democracia, exijamos aos políticos que sejam responsáveis e prestem contas pelo que decidem. Mostremos que não somos um povo adormecido nem muito menos resignado. Mostremos que entendemos muito bem o sentido das medidas homicidas que nos querem impor, que os portugueses estão longe de serem os burros de carga e os parvos porque os tomam alguns senhores do país. E digamos que NÃO queremos, medidas dessas, COMUNIQUEMOS-LHES (já que são duros de ouvido e de senso) que os governos devem ser para  servir Portugal e o seu povo não para  deles se servirem  e abusarem. Portugal não é deles, nem dos credores, Portugal é a " nação valente e imortal" que celebramos em Hino. (Um Hino nacional, "A Portuguesa". Já ouviram falar , senhores da troika e troikistas? )
Mostremos que queremos o nosso Futuro, a nossa Liberdade a nossa Vida. Incerta  e inquieta que possa ser  a Vida nestes momentos de coragem ,de mudança, de resistência ao mal que não queremos,  ela só pode continuar se de rosto levantado e sem medo, em cidadania participante e solidária.  E, tal como canta a "Inquietação"... "essa coisa é que é linda!".
Margarida Alegria (26-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

(pronto,  entusiasmei-me e fui por aqui fora, mas até mais haveria a dizer, como sabem. Dia 2 não há desculpa: há manifestações em quase todas as capitais  de distrito e noutras cidades: até em Madrid,em  Londres e em Boston! CONSULTAR AQUI os locais e as horas, para já em 35 cidades).
 Não nos devemos unir apenas para  o Futebol...DIA 2 de MARÇO, vamos mostrar que os CORAÇÕES dos portugueses batem em uníssono, pela HONRA  E FELICIDADE das nossas vidas e  pelo ORGULHO no noso  país !

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Excelência" do ensino Privado?!-A reportagem sensação do dia:Dinheiros públicos, vícios privados


(Dinheiros Públicos, vícios privados" , reportagem TVI de Ana Leal, 3-12-2012, via blogue "Aventar")
Foi a reportagem-choque  de hoje, no "Repórter TVI". Não a vi directamente, acabei de  visionar online e, mesmo já contando com algo de grave,  fiquei ainda assim estupefacta e revoltada. Apenas a "ponta do icebergue" da escandalosa promiscuidade entre políticos /ex-governantes e os lucros de grupos privados  obscuros, neste caso da área  da Educação (??). Parabéns à jornalista Ana Leal e aos corajosos professores e pais que deram a cara, para denunciar a pouca-vergonha.
É esta a propagandeada "excelência" e  boa gestão  das  escolas privadas  que os nossos desgovernantes querem promover, destruindo a Escola Pública? Quem entrega os filhos a dirigentes como os que aparecem na reportagem?  A quem não inspira confiança nem sequer para lhe comprarmos um rádio de pilhas?
E o Ministro ainda lhes deu MAIS dinheiro, mal chegou ao poder e contra o parecer da própria Troika (que nem sonharia com estes escândalos bem portuguesinhos)?
Falta de verbas para o essencial, para poder comprar carros de luxo e outras empresas, pressão para fabricar notas e manipular rankings, contratos ilegais, exploração laboral, ameaças... há de tudo um pouco, mas, como disse, muito mais podridão deve existir para além do que aqui se aflora.
A não perder e a divulgar, por todos que ainda andam ceguinhos  e confiantes na bondade e nas "privadas virtudes" da entrega de tudo o que é público a mãos " mais competentes" privadas! É o que se vê nesta reportagem, que mais uma vez nos dá vómitos de pertencermos ao mesmo país que certos senhores que dele se apoderaram sem pejo, para "se governarem". Passando por todos os quadrantes do centrão, que o bolo da Educação é mais um naco apetitoso para a vampirização de Portugal, tal como antes a Saúde e também o apoio a idosos, ou seja, os tais três pilares do Estado Social que uns fedelhos acenam querer Refundar/Afundar.
Pronto , fico por aqui. Vejam e divulguem o mais que possam...E que não caia no esquecimento.
Margarida Alegria (3-12-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

CARTOON:Feriados (4º e último na série de 4)"A verdadeira razão para alguns patrões quererem abolir os feriados"

(c) Margarida Alegria Outubro/2012 (in blog "Alegrias e Alergias")
Passo aqui só para postar o há longo tempo prometido 4º e último Cartoon da série sobre os Feriados e das verdadeiras razões para tanta urgência na abolição dos mesmos.
Os três primeiros abalançavam-se pelas possíveis motivações  secretas e "freudianas" do tão voluntarioso Ministro Álvaro da Economia.
De tantas coisas que se pode resolver numa Concertação social, tirar Feriados ao massacrado Povo Português deve ser realmente a medida mais urgente e eficaz...
Lá está: é  mais outra a mostrar o espírito castigador e revanchista deste desgoverno. Não nos bastava ouvirmos a palermice de que "vivemos acima das nossas possibilidades", nestes anos de Democracia. Aliás esse "nós" abrange assim confortavelmente o "eles", corruptos e/ou irresponsáveis perdulários, num manto diáfano generalista que assim ajuda a os encobrir, a ajudar os verdadeiros responsáveis a fugirem, uma vez mais. Não bastava isso. Insensíveis e cruéis, tinham  que dizer ao povo que agora também não tem direito a períodos de descanso e alguns folguedos. É como aqueles pais que, para além de cortarem a mesada dos filhos todos, só porque um deles andou a estragar a mobília , não contente, os impede de ir brincar para o jardim ou ver televisão durante um ano. Pois...mas o que vemos é que o tal  filho prevaricador é  precisamente o que normalmente até se consegue escapar pela janela e arranja maneira de ir ver TV na casa do vizinho... Os bem comportados, esses, incapazes de desonestidades, lá cumprem o castigo todo, "custe o que custar".
É este tipo de espírito castigador de beatas de sacristia bolorentas e de hipocrisia pré-democracia que impera agora nos mandantes do país e  na sua trupe de seguidores fanáticos e/ou bem pensantes(bem de meninos-bem, não de inteligência). A teoria do "inevitável"...mas onde o que é inevitável para uns é menos inevitável para os outros, parafraseando  os Animais  da "Quinta" de  Orwell. Curioso também que os que mais vejo apoiar estas medidas suicidas e empobrecedoras do país, foram precisamente os que primeiro trataram de pôr a salvo os seus bens,transferir os dinheirinhos. Afinal confiam nestes jovens génios "iluminados", nestes "Young Turks" à portuga, ou não?
Adiante. Aqui estão os links para os anteriores cartoons/posts da série, seguido de outro que fiz há um Ano, quando se pensava que era então o último Dia de Todos os Santos como feriado, em Portugal:
- Cartoon: Feriados( 1 de 4...)o Varito Ké xer miniztro...
Este novo Cartoon fecha a série com a perspectiva patronal.
Acaso as confederações patronais acreditam mesmo que menos uns feriados vão melhorar significativamente a Produtividade? A Produtividade está a baixar(o índice da COMPETITIVIDADE,por seu lado, é um índice de que se tem falado pouco mas que é, segundo os BONS economistas, o índice principal de que as medidas estão ou não a fazer avançar o país... não estão, pois Portugal tem baixado nesse Ranking!), porque neste contexto não há quem invista e arrisque e os que arriscavam estão a ser sugados. Mas também não é pelos "altos" (???) salários cá praticados e que de forma tão lesta querem baixar, também de forma disfarçada por esta coisa dos "feriados" a mais, que a produtividade subirá. Os nossos feriados não são mais que na maioria dos países prósperos e isso é uma mentira que só quem não investiga um pouco engole acriticamente. Mas já falei disso. E também já disse que a ignorância é uma das nossas maiores desgraças. Muito português aceita tudo acriticamente, por ignorância ou por preguiça crédula.
Claro que este cartoon é uma caricatura, mas perante uma tão grande estupidez na proposta desta medida, por pessoas que para outras coisas são tão manhosas, só pode ter por detrás uma verdadeira razão parecida com essas ilustradas...
E o certo é que muito patrão, que ora é "Viciado em trabalho" ora arranja outras formas de descansar sempre e quando quer, não entende como é importante para as famílias das classes mais humildes terem os seus feriados para o "passeio dos tristes", para um tempo com filhos e netos, para o descanso numa vida sem tréguas. Não entendem como as tradições, religiosas ou outras, são momentos revigorantes que melhor podem ajudar quem trabalha a encarar o seu trabalho como uma missão também feliz e não como um simples fardo quase esclavagista. E não entendem os ciclos dos dias, das Estações, da Comunidade que esses dias marcam.
O acabar com estes feriados, sejam´"só" quatro, fossem eles 10, fosse apenas só um, é a meu ver um dos maiores disparates, como o foi há uns anos (felizmente medida abandonada) aquilo de acertarmos o relógio pelo meridiano da Europa Central e não pelo nosso, que levou a um descalabro biológico de sonos na população, especialmente nas crianças... então lá se entendeu, vá lá, que há outros valores e riquezas para alé do  dos endeusados "Mercados". E pensar que o Mundo deve centrar-se em redor dessa ditadura e caprichos dos mercados é o erro fundamental que está a destruir a Europa e a Economia Global. Confundir Economia com especulação dos Mercados é a maior estupidez que aí grassa, da qual um dos primeiros adoradores que me lembro foi o nosso Presidente (há uns anos,quando era PM,  ao contrário do sensato povo português interrogado nas ruas lisboetas, Cavaco a congratular-se por um bêbado irresponsável chamado Ieltsin ter tomado o poder na Rússia, pois então  os russos entrariam numa "Economia de Mercado"(sic! C.S. dixit!) e bláblá! Vi e ouvi e não esqueço tal dislate cultural...).
Mas mais estúpido do que as manhas de Patrões que, como é evidente, nas Concertações tentam puxar "a brasa à sua sardinha", é a estupidez de um governo imaturo, inculto e impreparado, que aceita tal sugestão como séria, como aceita a "seriedade" tantas medidas parvas e inadmissíveis que a Troika lhes lança, "atirando o barro à parede"!  Se A Troika sugerisse que o fundamental era oferecermos em sacrifício de fogueira as nossas crianças e passarmos a não beber água  mas a consumir só cerveja alemã, para não irritar os mercados... estes garotos no dia seguinte iriam proclamá-lo como medidas salvadoras, no Parlamento! Pelos vistos esta rapaziada dos tais "bons alunos" (leia-se, alunos graxistas e acríticos, não BONS alunos mesmo!), agarra em todo o barro atirado que se lhes cola nas paredes cerebrais e faz logo um "fresco" de "reformas" com nomes pomposos como "Refundação" (quando à Reforma das Fundações disseram nada...), como "calibragem" de orçamentos, "ajustamentos"... e com, ao falarem em "Refundação do Memorando", querem dizer "Revisão do Estado social e da Constituição " às três pancadas e com cábulas feitas pelos troikas! Ou seja... Estes governantes não obedecem a uma Constituição Portuguesa, mas a um... Memorando! Que estão a fazer ainda à frente da nossa República? Já não são legítimos!
Em suma, mais estúpido que uma proposta leviana do patronato é a estupidez de quem aceita a proposta como válida e construtiva. Alguns vinham há anos propondo sempre essa "medida", como o requinte da salvação da Economia. Nenhum governo lhes deu crédito. Estes miúdos aceitaram logo. Nem quero imaginar se, para além  de cairem submissamente  nas garras da merkelina e da troika,caem  ainda nas garras de um qualquer vígaro daqueles das feiras e ladrões de velhinhos! Ainda tornarão lei a vacina nacional com "banha-da-cobra"!!!
Epa...mas já fizeram isso mesmo não foi? levaram uma maioria eleita e céptica de um Parlamento dito democrático a votar a "droga" viscosa que é este Orçamento de Estado para 2013, levaram o País a obrigar os velhinhos a entregar parte das pensões e os desempregados a ficarem sem parte dos subsídios... vão taxar a torto e a direito tudo o que mexe e mais os imóveis (que menos se conseguem mexer). Querem maior engolir à força do "Elixir da Curta Vida" do que este pelos Portugueses?! O Doutor Doxley, o Doutor Menguela e os profs Karambas  deste mundo passeiam-se por São Bento! Socorro!
Bem, consolem-se com o cartoon que sempre é mais ligeiro que estas realidades trágicas.
Fico por aqui e foi já com grande esforço que acrescentei estas palavras. Mas ,pelo que está a acontecer à velocidade da Luz no País, tinha de o  dizer, mesmo a  bastante  custo.
O resto do prometido fica para o Fim-de-semana, se já estiver  totalmente o.k....:(
Margarida Alegria (2-11-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
(Adenda; onde falo de Produtividade, acrescentei a referência ao índice da COMPETIVIDADE, pois era a esse que me referia quando falava da  sua relevância para as estimativas económicas, mais do que o de produtividade. Confundi as duas palavras, desculpem...)

sábado, 15 de setembro de 2012

15/SETEMBRO/2012 - UNIDOS CONTRA A TROIKA, TODOS NA RUA!



Com grande pena minha, desta vez estou impedida de ir. Com "peias" mesmo!
 Mas   o meu coração está com todos os meus concidadãos que se vão manifestar (a partir desta hora mesmo), com toda a justiça e indignação legítima que já tardava a vir à tona!
Então? Acham que há mais lugar para tolerância e contemplações? Eu não. Prezo muito a Justiça e revoltam-me os regimes e as pessoas que praticam a Injustiça, contra os seus governados, contra os outros seres humanos em geral, especialmente contra aqueles que mais pacientes são... Que querem, é um nervoso miudinho que me dá nessas situações e não me calo. Acabo a sofrer com isso, mas não me importo ("A razão mesmo vencida/ não deixa de ser Razão", como diz o poeta Aleixo). Blargh para todos vocês, seres injustos, social e pessoalmente! Nem que tenham a lata de se esconderem por detrás da mentira , da falsa valentia,da manipulação insensível e  da arrogância oca que aprenderam a cultivar  desde jovens nas vossas emproadas viditas...
Junto também dua excelentes cartas abertas que aí circulam. A ler. Sublinho que não são minhas, mas subscrevo-as, de duas gerações diferentes que são.Como diz o escritor Eugénio Lisboa numa das cartas, também eu me sinto "exilada no meu próprio país" e a sensação é horrível, creio que a maioria dos que aqui passam também o sentem. Usurpados nos nossos direitos de cidadania e Liberdade...
Aqui vou torcer para que os portugueses façam valer a Liberdade que nos resta neste protesto!
Obrigada Paula (video) e Sílvia (cartas). São umas querida amigas! Seres humanos Cinco Estrelas e não "pálidos" projectos de  seres humanos, desses infelizes feitos de papelão ou megabytes...
O cartaz da manif. em Lisboa(mas há mais umas dezenas de cidades a convocar, de Norte a Sul do país):

(riem-se de quê?! O  cínico e sinistro Gasparov rir-se-á ao ritmo zombie também? aqui parece bem celerezito, a gozar com Portugal de outra forma...)
E AS CARTAS:
1ª- "Vão-se foder"
"Descobri este texto de uma portuguesa de 32 anos, uma cidadã que diz o que sente e pensa a partir da sexta-feira passada. É um texto impressionante, que vivamente recomendo. Leiam, por favor, até ao fim.

"Vão-se foder.
Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso. Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se foder!
Trabalho há 11 anos. Sempre por conta de outrém. Comecei numa micro empresa portuguesa e mudei-me para um gigante multinacional.
Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objectivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 32 anos trabalho na minha área de formação, feliz com o que faço e com um ordenado superior à média do que será o das pessoas da minha idade.
Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo. Vivo bem, não sou rica. Os meus subsídios de férias e Natal servem exactamente para isso: para ir de férias e para comprar prendas de Natal. Janto fora, passo fins-de-semana com amigos, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educada a poupar.
Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter.
Sou uma pessoa de muitas convicções, às vezes até caio nalgumas antagónicas que nem eu sei resolver muito bem. Convivo com simpatia por IDEIAS que vão da esquerda à direita. Posso “bater palmas” ao do CDS, como posso estar no dia seguinte a fazer uma vénia a comunistas num tema diferente, mas como sou pouco dado a extremismos sempre fui votando ao centro. Mas de IDEIAS senhores, estamos todos fartos. O que nós queríamos mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se foder. Todos. De uma ponta à outra.
Desde que este pequeno, mas maravilhoso país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Nunca fui a uma manifestação. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”. Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se foder.
Matam-nos a esperança.
Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir neste parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que páram de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas? Quando é que acaba com regalias insultosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita?
Perdoem-me a chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho há 11 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia.
E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira.
Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam.
Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsído”. Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a puta de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD?
Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia!
Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se foder.
As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois.
As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos accionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a actual taxa de desemprego um flagelo? Que o é.
A sério… Em que país vivem? Vão-se foder.
Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos:
1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR.
2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe.
Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutadora, compreensiva… Até a mim me mataram a esperança.
Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem… Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário.
Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar.
Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: Vão-se foder"


2ª- CARTA DE EUGÉNIO LISBOA AO P.-M.
CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL

Exmo. Senhor Primeiro Ministro

Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.

Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito — todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.

Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.

A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.

Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.

Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.

Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.

De V. Exa., atentamente,

Eugénio Lisboa

sábado, 4 de agosto de 2012

30 mil+ 15 mil... não falta muito para "gasear" com o desemprego os 200 mil... :(

(c) Margarida Alegria (12-7-2012, Lisboa, Manifestação de Professores, um dos cartazes mais visionários e eloquentes)
Por vezes, quem critica o sistema que se está a criar no País, de autêntica diabolização de algumas profissões, especialmente de todas as que são da Função Pública ,-- a "origem" de todos os problemas, segundo os políticos neoliberais e seus comentadores e jornalistas encartados-- é visto como "exagerado" e alarmista.Mas tem razão. Assim, temos de facto a nítida perseguição e crítica negativa a profissões ns quais  a população (pelas sondagens) até confia mais do que em todas as outras. As outras em que precisamente o povo MENOS confia (poíticos à frente, mas também advogados e... jornalistas).
Temos a perseguição e o calcar aos pés dos professores, dos enfermeiros, dos médicos, também dos polícias e dos bombeiros e de todos os funcionários de repartições em geral, vistos ainda com uma imagem à séc-XIX, uns aduaneiros com brilhantina, mangas de alpaca e ronceirice atrás de um guichet gordurento, o que já está longe da realidade, na maioria dos casos. Calca-se desta forma a Função Pública (FP)deixando passar ao lado, sem reparos, a multidão de assessores e outro funcionários que entram directamente para o poder na FP, via nomeação no Diário da República, sem se saber as verdadeiras qualificações e passando até a chefiar funcionários de carreira e longa experiência que acabam por ter de acatar os seus dislates e disfarçar e compor com muito trabalho a incompetência desses boys e girls. Muitos dos FPúblicos ficam até arrumados em prateleiras, não porque estas  sejam douradas, mas porque são incómodos, porque mais contestatários e MUITO competentes. Aí está o desperdício e "as gorduras" do Estado a cortar: recolocar à frente os  funcionários mais competentes e experientes e cortar as novas gorduras dos boys recrutados. Mas não, claro... o que interessa é a propaganda para fora e não a melhoria dos serviços.
Quanto aos professores, depois dos ataques à sua dignidade pela sinistra Maria de Lurdes e depois reforçada, sob a capa de sorrisos, por Isabel Alçada, temos agora o novo triturador dos docentes, o Crato, o tal que queria implodir o MEC antes de ser Ministro. Afinal o que quer é implodir a Escola Pública, derrubando um dos seus pilares fundamentais, os professores. Com manobras d gabinete, sem negociação,  de manipulação dos recursos (aumento de alunos por turma, fim de desdobramentos de turmas em aulas  de Ciências experimentais, fim de cursos de adultos e limite de ofertas de turmas de Cursos profissionais, alteração de Currículo, associação de escolas em "Mega-agrupamentos" , redução do ensino artístico a uma nota de rodapé no Currículo, bem como de Ed. Física e do desporto escolar, etc etc.. com aumento extra-legal do nº de horas lectivas de uns professores, para deixar outros em "horários-zero" "custe o que custar"...). E no meio disto tudo, tentando mais  uma vez virar professores contra professores: fazendo crer que quem tira vaga aos docentes contratados com muito anos de serviço, são os professores do Quadro e ainda mais anos de serviço...mas agora obrigados a concorrer à mobilidade interna. E levando esses professores do Quadro virar as costas aos profs contratados, para salvar o seu lugar no sistema, numa guerra do "salve-se sem puder".
Retomando o início do texto, quem compara a guerra aos f. Públicos com a colocação de Judeus e outros em campos de exterminação, --para serem gaseados(os mais fraco para a escravaturas: doentes, mais exaustos,mais velhos etc) ou escravizados até ao limite das forças-- não é assim tão exagerado. A "luz ao fundo do túnel" de bancarrota que os nossos desgovernantes financeiros buscam parece ser mesmo o  levar para a exclusão e o extermínio Professores e restante F. Pública não "creditada" com equivalências dadas por cartões partidários ou da "cunha".
Pois não são professores, médicos, enfermeiros... profissionais que ingressam numa carreira por REAL MÉRITO e por concurso e não "pela porta do cavalo"?
Defender a Função Pública (a verdadeira) é defender a isenção da defesa dos cidadãos que aí podem ver o apoio às suas queixas e problemas, o que não acontece  se lidarem apenas com programas de computador (que bloqueiam, vão abaixo, estão mal programados...) sem alma e com dirigentes -boys incompetentes.
No caso dos Professores: já nos haviam colocado no braço a "estrela amarela" daqueles que "não queriam ser avaliados como os outros" (uma , ou duas neste caso, mentira repetida, tanto o  é que....), uma tremenda mistificação que se disseminou em 2008, perante o choque de se ver pela primeira vez 70 ou 80% dos professores  de todo o país a protestar em Lisboa. Melhor, já haviam conseguido, como fizeram os nazis hitlerianos, que os próprios professores  desenhassem e colocassem a sua própria estrela, pois infelizmente por vezes tantos docentes são os piores carrascos para si próprios e para os colegas.Sabem do que falo: muitos correram a pedir  avaliação e aulas assistidas e a querer "Excelentes" de papelão e a serem "bufos" dos outros colegas, como se fossem concorrentes! Isso foi uma   autêntica "estrela amarela " símbolo do nosso complexo de inferioridade. 
O ministro explica que esses professores sem turmas atribuídas vão ser todos "Necessários ao sistema"(?), vão ter "Ocupações nas escolas em actividades lectivas ou de apoio ou outras (???) Be, também chamaram a Dachau e a Auschwistz... campos de Trabalho, de reabilitação, de reeducação, no fundo uma forma de OCUPAR os judeus inúteis e os tornar aproveitados pelo "sistema", nem que depois fosse  recolhendo os seus cabelos  e dentes , ou curtindo a sua pele. E nesse campos também "promoveram" alguns dos prisioneiros a vigilantes dos seus semelhantes, pois os soldados não conseguiriam sozinhos impedir as revoltas. MLRodrigues criou a função de Directores e até de prof "Titulares". E mais tarde surgiram os "professores avaliadores"....A sede de poder e a vaidade tenta muita gente...
Agora faltava a "Solução Final", semelhante à de Hitler. Ela já está aí em marcha: agora mandam uns 13.300 professores do quadro (sairam ontem os resultados provisórios(Leia AQUI "Os números consolidados!" as contas feita pelo blog "Pé ante pé", incluindo uma primeira coluna que mostra quantos dos professores estavam MESMO em horário zero no ano de 2011, para comparação) para uma falsa situação de horário zero, para dizerem ao mundo que esses estavam "há anos a mais no sistema" ( e sabem quais dos grupos mais afectado, para além de EVT e ET? É sobretudo  o Português e também as Ciências e a Matemática!(isto é que é valorizar o que chamava de "disciplinas essenciais", Sr. Ministro?). A esses juntam-se um milhar e meio e tal que foram excluídos desse concurso, alegando que não são "professores da carreira" (muitos foram parar a essa lista por engano!). E juntemos-lhes os que para já ficaram com pelo menos seis horas lectivas no horário, continuando nas escolas. Juntando a pelo menos 30 mil, dos 40 mil professores contratados que concorreram a vagas que sobrassem nas escolas... veja-se a "sangria" forçada que está no corredor da morte do desemprego! Isto quando em 2006 a própria MLR dizia que tinhamos à justa os professores necessários aos sistema (e já faltavam tantos , em algumas disciplinas que agora são trocadas, pelos licenciados, por carreiras na investigação!).
Contas, por alto mas não longe da lista dos docentes (com muitos anos de serviço, repita-se, alguns com 50 e até 60 anos de idade!) prontos a serem "gaseados", nos falsos chuveiros de serem "necessários ao sistema", como tenta tranquilizar o Ministro: 30 mil dos contratados + 15 mil dos "efectivos" agora "horários-zero", ou melhor  "0+/0, 5"= 45 mil funcionários para o lixo, de entre  100 ou 200 mil os que os Troikas e os empresários mamões no Estado querem que se alcance...
Pensem nisto, docentes e outros membros da FP. Se agora não é altura de denunciarmos isto , de sermos UNIDOS e de lutar contra estes planos de extermínio, quando será a hora?
Ah pois, mas ,porém, todavia, contudo....
Ai querem conjunções? ORA! :/
(está a ser um longo e penoso Verão, mas em Setembro é que virá a canícula. Temos de a saber enfrentar e vencer.)
 Margarida Alegria (4-8- 2012, in blog "Alegrias e Alergias")