Mostrar mensagens com a etiqueta estrangeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta estrangeiro. Mostrar todas as mensagens

sábado, 23 de junho de 2012

Indisposições gregas... Pudera!!! :/

Ainda dentro do espírito sanjoanino que norteou o post anterior, não quero deixar passar este dia sem um breve comentário de uma notícia com escassas horas e que muito me afligiu.
Pois não é que logo no primeiro dia da sua legislatura , ou seja, ontem, o novo Governo Grego de Samaras sofreu logo duas baixas temporárias?
Não, desta vez não foi qualquer escândalo, mas questões de saúde. O próprio Primeiro -ministro, Samaras, que tanto pedira ajuda a Deus para tentar a tarefa impossível de governar coma super-austeridade imposta, teve um DESCOLAMENTO DE RETINA e deve estar neste momento a ser operado. Por sua vez, o  seu ministro DAS FINANÇAS teve no mesmo dia uma  indisposição, com fortes dores abdominais e desfalecimento. Ao que conseguiram para já apurar, parece que foi um caso de EXAUSTÃO extrema!
Leiam aqui a notícia:
Daqui os nossos votos de melhoras!
Mas, como sempre nos prezamos aqui a apontar caminhos de análise e pistas sobre msitérios diversos, atrevo-me a dar como quase certas as razões seguintes para tais desditas:
- Por um lado, o Ministro das Finanças terá ficado exausto, ao ver  de novo as muitas regras draconianas impostas ao povo grego pela "Troika" e deve ter estado 24 horas a queimar as pestanas a tentar delinear alguma proposta que possa amaciar os verdugos estrangeiros. Daí a não ter descansado nada, certamente sem se alimentar, o que resultou nas tais dores abdominais e desmaios de exaustão. Entretanto, enquanto estiver a soro, poderá ganhar tempo para enfrentar as feras...
- Por outro lado, o Primeiro -ministro terá descolado a retina por um dos seguintes motivos, ou por ambos:
A) esteve também a ler e reler o contrato com a Troika, com especial atenção a todas as letras pequeninas e ficou "com os olhos em bico", não tendo a retina(muito patriota)  aguentado tal agressão;
B) Tinha de partir nesse dia (e assim evitou!), para Gdansk, na Polónia, para assistir ao muito simbólico jogo Alemanha-Grécia dos quartos-de-final do Euro 2012, vendo-se assim obrigado a encontrar logo ao primeiro dia  a  Angela Merkel e ainda por cima a partilhar com ela  (e com o lacaio Platini) a tribuna de honra! E ter de aturar as explosões de emoção(?) da kaiseina teutónica, como a que vemos na imagem abaixo... Já viram DO QUE ELE SE LIVROU?! Esperto, este Samaras. Assim ainda consegue ser operado com honras de Estado antes de dar vez ao PM seguinte e se livra de suportar o nariz empinado, os brindes de cerveja e  os eflúvios axilares da senhorita (basta olhar para a cara do Platini, que até queria que a equipa germânica ganhasse)...
Em suma, ambos os ministros no fundo tiveram uma grande ALERGIA! :))

 ( a foto não tem som, mas deve estar a gritar "Deutsche uber Alles!!"- enshuldigung, não sei colocar o trema no U, no pc...)
(OK, posso ter sido um tanto mázita para a senhora, que é sobretudo grande vítima da sua tacanhez e falta de visão, mas , já que está a contribuir em força para que toda a Europa vá à falência e à desgraça, não merece muitas complacências ; e o espírito justiceiro de S. João, que sobreviveu no deserto  com uma dieta  quase só de gafanhotos e acabou de cabeça  cortada,  estará sempre do lado dos mais desfavorecidos. Ele  de bom grado gritaria hoje à Mekel ao boys do  G-Sachs e aos  nervosos Mercados: "Arrependei-vos e convertei-vos!")
Margarida Alegria (23-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O MacNata

(Declaro publicamente que este, na imagem, é um pastel de nata comum e não a receita exclusiva do Pastel de Belém lisboeta)

O castiço Ministro Álvaro, de Economia e outras coisas mais, que aqui no blogue foi tema de um dos meus primeiros posts (VER AQUI) voltou à sua fase de rosto sorridente e cabeça a fervilhar de ideias, digamos, originais. Andava o senhor tão sossegadito, quando resolveu voltar a fazer aquilo em que era especialista, antes de tentar governar várias pastas ministeriais.Dar palpites e palestras.

Na conferência "Made in Portugal" , promovida pelo Diário de Notícias, fez uma longa dissertação sobre as qualidades e também os dramas existenciais do nosso ainda tão ignorado produto português que dá pelo nome de Pastel de Nata.

Ler e escutar em directo este longo discurso empastelado (mas sem toques de canela):
"Santos Pereira: porque é que não conseguimos exportar o pastel de nata?"
(Jornal de negócios)
E a ideia básica? O Ministro Álvaro conta a história comovente e de abrir o apetite de como ,na África do Sul ,um empreendedor português conseguiu criar uma cadeia dos seus frangos de churrasco (diz o ministro que é um produto "português" -???), a cadeia "Nando's". Um pouco ao estilo, explica também Santos Pereira, como a cadeia McDonalds com o "hamburguer". de seguida parece assegurar a pés juntos que nunca nenhum português conseguiu exportar dessa forma o nosso excelente Pastel de Nata!

Deixarei de lado a explicação básica ao ministro de como se diferencia um pastel de um frango com piri-piri ou de um plastificado cheeseburger (perguntava ASP o que tinha de diferente um pastel de nata desses dois outros alimentos.Só se nunca provou nenhum deles).

Posto isto, as palavras de ASP soam logo como um equívoco, por quem esteja mais atento ao que se passa no Mundo. O Ministro Álvaro parece não só ter descido ontem do avião, vindo de longos anos no Canadá, como parece ter vivido de forma eremítica na Universidade de Vancouver, sem acesso às notícias de Portugal, apesar de escrever longos livros sobre este seu país.Talvez seja como criar mundos míticos nas obras de ficção científica ou New-Age...

Antes de mais, parece fazer uma confusão entre o mais geral Pastel de Nata, produzido em quase tudo que é padaria ou pastelaria em Portugal, e o mais exclusivo "Pastel de Belém", de receita secreta e existente apenas na famosa pastelaria da zona lisboeta desse nome. Este, como sabemos, tem uma receita familiar restrita a muito poucas pessoas, um pouco ao estilo de juramento que os artesãos da Idade Média faziam. Já o Pastel de Nata tem variantes e graus de excelência país fora, mais ou menos folhado, consoante o fabricante.

Se o Ministro se referia ao Pastel de Belém, então cometeu um acto de apropriação pública de um artigo privado, já que este governo tanto defendem os direitos adquiridos dos privados empreendedores. Nesse caso foi incorrecto, pois não consultou os autores do mesmo nem sondou as suas perspectivas, quase que apoucando o grande sucesso que têm cá, sem precisar de exportar, com constantes fornadas a sair e a serem servidas. E, já que há que desenvolver também o Turismo, vejamos noutro prisma: se o turista americano ou japonês tivesse uma cadeia de pastéis de nata ao virar da esquina na sua cidadezinha, talvez pensasse duas vezes antes de gastar dinheiro a vir a Portugal e encontrar cá exactamente o mesmo que encontra em todo o lado. Mais depressa defenderia eu que levássemos uma boa cadeia de restaurantes de comida Portuguesa a fazer frente à hegemonia desenxabida e coberta a ketchup da comida dos MacDonalds, mundo fora! Para que aprendessem o que é comer bem e viessem cá experimentar ainda maior variedade. Acaso não sonhamos ver um rodeo texano a sério, escalar os Alpes a sério, comer comida mexicana... no México ,etc etc? Interessa exportar, é certo, mas também interessa importar turistas para virem apreciar aquilo que é único em Portugal... mas VINDO ELES cá!

Por outro lado, se se refere (como parece) ao Pastel de nata em geral, então é porque anda muito mal informado e assessorado e deu uma palestra no improviso total naquela conferência. Fique sabendo que há VÁRIAS empresas portuguesas que fabricam, congelam e exportam pastéis de nata (claro que não é o mesmo, mas..) há padarias de portugueses um pouco por todo o mundo que fabricam e divulgam com sucesso o pastel de nata, há poucos anos surgiu, inclusivé, em pleno centro de Londres um café que servia bicas à portuguesa e pastéis de nata que faziam furor, que se tornaram depressa na coqueluche das élites londrinas, incluindo a Madonna, que então aí residia.

Por isso, fique sabendo o ministro Álvaro que não descobriu a "pólvora" das exportações! Fica-lhe bem ser entusiasta e, como ministro, incentivar essas iniciativas, mas não lhe compete borbulhar de ideias fantásticas para os outros, se a forma de levar para a frente essas iniciativas não tiver políticas de apoio por parte do nosso governo! Faz lembrar o que acontecia , há muitos anos, em certos Conselhos Pedagógicos de Escola: um qualquer grupo (agora Departamento) disciplinar dava belas sugestões para outros executarem. Por exemplo, o grupo de Ciências sugeria para actividade de Escola que o grupo e Educação Visual fizesse uns cartazes etc e tal... Estão a ver a bronca e a reacção natural?

Eu bem sei que era uma palestra, por isso num belo estilo de desenvolvimento académico, mas escutar o nosso Alvarito foi mais penoso do que ver um aluno a improvisar um discurso, numa aula de debate e desenvolvimento de ideias (do estilo: "como é que eu faria para melhorar a reciclagem na minha escola?"). E também agasta um pouco quem ouve o estilo um pouco sobranceiro e quase em tom de censura (parece dizer: por que raio é que vocês estúpidos portugueses não se lembraram de uma coisa destas? Não há UM só que tenha feito isto! Se querem investimento externo mexam-se!- Ouçam e reparem no tom!!!). O que era importante era o ministro dizer de que forma tenciona dar apoios concretos, por exemplo de desburocratização, para que os portugueses possam concretizar essa e muitas mais ideias como essa, tanto para exportar, como para desenvolver as economia interna. A ele cabe pensar nessas medidas, a não ser que queira mudar a carreira para a de padeiro. Aos empresários portugueses é que cabe ... empreender!

De realçar ainda: os portugueses que conseguiram exportar produtos portugueses ou dar a provar as iguarias portuguesas lá fora fizeram-no por sua própria conta e risco. Pelo que deu a entender, o tal senhor do "Nando's" vive na África do Sul. Faz parte da economia desse país. Enriquece-se a si e aos países onde se implantou. Os churrasqueiros de Portugal, por seu lado, fazem a sua vida por e aguçam apetite dos portugueses que cá vivem. Antigamente havia as remessas dos emigrantes para Portugal, muitas vezes bem generosas, mas depois de algumas falcatruas às poupanças de anos dos pobres emigrantes (lembro por exemplo o triste caso da Caixa agrícola Açoriana onde gerentes desonestos deixaram sem nada uma série de emigrantes, sendo o caso, como costume, sido arquivado, ou algo semelhante...), os portugueses da diáspora passaram a guardar o seu dinheiro nos países de acolhimento e apenas a virem cá de férias. O ministro Álvaro tem alguma estratégia na manga para inverter essa situação? Para fazer com que invistam EM PORTUGAL o dinheiro que ganham no estrangeiro com os seus "Pastéis de Nata"?

Não concordo com o que fez Alexandre Soares dos Santos, do "J. Martins/Pingo Doce". Foi falta de solidariede para com os portugueses que não podem procurar noutros países da Europa condições melhores e menos "instáveis"para os seus investimentos. Caberia a A. S. Pereira imaginar leis para melhorar o que se passa, que, por exemplo obrigasse os bancos portugueses a ajudar as empresas portuguesas com... o dinheiro da Troika que foi emprestado para todos os portugueses!

Ideias de negócios temos todos,senhor ministro! Porém muitas delas têm de ficar em projecto, pois os entraves de impostos e de papelada são tantos que desanimam até muitos dos mais resistentes. E para exportar há que contar também com o proteccionismo dos países para onde queremos exportar. Mesmo sendo da UE, sabemos que quase todos eles os têm, encapotados de formas mil. Por isso faz mais sucesso o pastel fabricado e feito lá, do que instalar uma espécie de franchising do Pastel de Nata, como ASP sugeria, ou do pastel de bacalhau, ou do arroz de sarrabulho. Desde logo surgiriam os entraves por influência de outras cadeias, surgiriam os rumores de contra-informação: se dizem que os hamburgers da MacDonalds tinham minhocas e dedos humanos... os nossos amarelos e tostados pastéis de nata seriam acusados de conter o quê? E quantos malefícios à saúde fariam, para os fanáticos da macrobiótica? ... Não seria impossível, mas, como franchising... não passariam a ser produzidos pelos locais e a reverter para as economias locais? Será que nos dariam tantas facilidades nos EUA como eles têm cá? Já temos franchisings nacionais de lojas de sopa e de comida tradicional. Exportar isso seria assim tão linear?

Para já, o que temos conseguido "exportar" facilmente, porque infelizmente temos excedentes, é a clientela para tachos, como vimos agora com a "novela" dos cargos da EDP, onde até aos chineses forretas conseguimos impingir produtos de alto valor acrescentado , nas palavras de um deles (Catroga) equivalente a jogadores de futebol como o Cristiano Ronaldo. São produtos bem pagos, multidisciplinares como o canivete suíço, e com larga capacidade para acumularem muitos salários ao mesmo tempo. Temos portanto o MacCatroga, a MacCardona (soa até bem, não?), o Kentuky Fried Pinto, o Braga King de Macedo. Tudo bem acompanhado de molhos especiais Light ou Spicy.

Afinal ,talvez Álvaro Starbucks Pereira tenha razão! Pensando bem, bastará muita força de vontade, uma boa ideia dos nossos teóricos ou práticos que cá preferem encher os bolsos com trabalho quase escravo de uns(para depois investirem fora; não me refiro ao ministro Álvaro, mas a certos milionários trabalhadores da nossa pátria, que também exportam as suas sedes) e muitos ovos de galinhas... espanholas.

Em frente pela ideia inédita do Ministro Álvaro! Uma ideia que parecia "empastelada" mas... Se afinal até já conseguimos exportar... MagNatas, basta uma simples letra (e muita "letra" à moda do Álvaro) para exportarmos o ... MacNata! :))

Cadeia de franchising "MacNata"... "me aguarde"!

"Alergia" (12-1-2012, in Blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Economia à moda das "tias"?

Não me apetece perorar muito longamente sobre este caso das declarações de José Sócrates em Paris, sobre o que é a Dívida e o que é suposto entender de Economia.

A meu ver ,esse senhor devia ficar lá em Paris muito caladinho , de nariz nos livros (nem que fosse a fingir estudar e a jogar Farmville às escondidas) e dar graças aos Céus e à inapta Justiça Portuguesa não ter sido chamado a prestar contas pelas tropelias várias que fez. Não só antes de ser o responsável -mor pelo Governo da República, como também SOBRETUDO pelo que fez ao país e ao erário nacional enquanto chefiou os seus dois Desgovernos.

Perante o seu inusitado regresso às luzes da ribalta, uns alegam que contradiz agora o que defendia antes, quando governava. É certo. Outros dizem que estará a tenta "apalpar o pulso" ao que lhe resta de popularidade ou ódio dos seus compatriotas (até me custa usar esta palavra, por ter incluso que ele possa ser um "patriota"!). Para mais tarde concorrer a PR (Deus nos livre de mais essa má-sorte!), palpitam. Outros ainda crêem que está a tentar dirigir o PS à distância, mostrando ao in-Seguro como se faz uma oposição musculada. Pode ser, mas seja qual for a hipótese ,que mude depressa de ideias, pois a sua facies e sua má-memória ainda hão-de criar muitos enjoos por este Portugal, pelo menos pela parte de Portugal que ainda tem vergonha na cara. Mesmo os votos que comprava com subsídios vários não sobreveveviriam a mais PECs, quando a torneira fechasse.
Quanto ao que andou a dizer lá em Paris sobre a o que era uma "Dívida" (Ver AQUI) e que parece que hoje tentou esclarecer na TV-- momento que felizmente perdi!-- que "As dívidas não eram para ser pagas , mas para ser geridas" e que querer pagar as dívidas públicas era "coisa de criança", acrescento apenas mais um ponto de vista que passo a expor.

Claro que os países de Economias mais fortes ,como os EUA, a França ou... cof cof... a "cumpridora" Alemanha, são bem conhecidos como sendo os maiores devedores. Certo. Isto porque também , por serem economias mais fortes ,têm os maiores índices de confiança junto dos credores de que não falirão e de que irão pagando as dívidas.

Diz o senhor ex-Primeiro Ministro que aprendeu isso em Economia... Bem, sendo engenheiro técnico, não sei que cadeira foi essa de Economia. Deve ser Economia Técnica. E, se estudada e aprendida aos fins-de-semana, --para uma pessoa tão assoberbada em trabalho em sociedades de negócios vários, cargos políticos desde jovem e cursos de aperfeiçoamento-- atrevo-me a sugerir que possa ter sido um Curso rápido em 5 lições e cocktails para "Tias", como algumas que existem para as bandas de Cascais e da Foz do Douro. Daquelas que vão, directamente ou através da empregada Maria, às mercearias e outras lojas, abastecendo-se do bom e do melhor e, com displicência dizendo à saída, já com a velha Maria dobrada ao peso dos carros de compras:

"-- Sr. Fulano (nome do lojista),ponha na conta, que mais tarde venho pagar!"
E sai depressa, antes que o Sr. Fulano possa retorquir à Madame que já está a dever a "conta" há seis meses! Ou que sequer tenha conta aberta naquela loja (verídico!).

As decrépitas mercearias dos senhores Fulanos deste mundo lá vão acumulando o prejuízo , juntando pepelinhos de "Deve" nos fundos de amplas gavetas, até não caberem mais em espaço ou bolor e os tímidos Srs Fulanos ganharem coragem por apresentar a conta. Normalmente, quando o fazem ,as senhoras ficam ofendidas e dizem que não pode ser tanto e lá pagam uma pequena parte, ou nenhuma, dizendo que vão levar os papéis ao contabilista ou ao marido, para verificarem se não estão a ser "roubadas"! E as Tias deste estilo vão continuando a dar as suas festas e a "governar" a casa com base dessa tal tipo de "Dívida eterna" defendida por Sócrates . E , atenção, este tipo de credor não representa o especulador modernaço dos "mercados", mas o verdadeiro e tradicional fornecedor que apara os calotes deste modo de... fazer Economia! Este senhor Fulano , no fundo somos também nós, contribuintes que se vêem endividados por acção de terceiros!

E afinal, o que leva o merceeiro a vender fiado a estas "Tias" e não ao pobre cliente de salário mínimo, mas honesto? Pois, lá está, é a tal "credibilidade" . A do nome de família, a do se vestir bem, a dos antepassados terem pago contas certas, a de viverem há muitas gerações no bairro, a de recomendarem a loja às amigas (algumas lá pagam a pronto!) e... até o pavor a que se irritem e ameacem com a Justiça e os fiscais (!!!), coisas do estilo em que muitas "tias" são "useiras e vezeiras", para escaparem à raia das responsabilidades, incutindo temor aos que podem ter queixas delas.

Em Resumo: quando JS se referia à Economia que aprendeu, foi essa, a das dívidas eternas dessa casta de Tias, que entretanto lá levam as mercearias à falência, compensam o que não gastam em compra de bons sapatos ou vestidos,caso das mais "jet-set", ou sacodem os casacos de pele traçados e perfumados a naftalina, caso das mais caseiras.

Só que há um senão: um dia até essa conta aparece e alguém sofre o prejuízo.

J.S. depois explicou que para países pequenos como o nosso era impossível pagar a Dívida. Ou pelo menos toda. Verdade, para qualquer país, pequeno ou "grande". Já quanto ao "ir gerindo" alegremente a dívida,será precisamente o contrário. Os mais pequenos têm menos Crédito. Pode parecer estúpido e injusto,para países de gente honesta e trabalhadora, mas é o que acontece. Portanto, o que JS também esqueceu, sublinho, é que Portugal não pertence a esse Clube elitista de Países-Tias, que passam quase incólumes perante os maiores calotes. Esses, reúnem-se assiduamente em "Cimeiras" badaladas e cada vez mais improdutivas, dos G-8. G-20, G-3 ou G-2 à lá Mercozy, mas que , imitando o estilo das Tias da linha ou Foz, só arranjam e debatem dinheiro para os pobrezinhos se for em festanças. Daí essas cimeiras serem ultimamente muito domingueiras e todas com os pés bem debaixo da mesa, não a mesa de negociações mas a dos banquetes, sempre bastante "frugais", isto é, e à base de produtos naturais como as trufas , o caviar e requintes do mesmo preço.

Não, Portugal nunca pode ter essa Economia "à Tia", nem que ela seja defendida por muitos teóricos e levada a cabo em muitas economias. E ,mesmo que tivesse, claro que a dívida um dia tem de ir sendo paga!

"TÁ A VER, querido?"

Bem, agora... Xô.. Xô...! Vá estudar filosofia, vá, menino! "Caturreira!"
"Alergia" (9-12-2011)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Infâmia! (quando o telefone toca...)

Tenho estado a adiar a publicação sobre um dos acontecimentos mais ABJECTOS e cruéis da semana. Mas mesmo assim não tenho palavras que consigam exprimir todo o asco, a revolta a solidariedade para com quem foi alvo de tal atitude noticiada um  pouco por cada jornal do país.
Já AQUI noticiara o anúncio de cortes no Ensino da Língua Portuguesa no Estrangeiro, feito há escassas semanas.
Adivinharam com certeza: refiro-me ao facto de, esta semana, várias dezenas de professores portugueses, já residentes noutros países terem recebido POR TELEFONE (!!!!) o AVISO de que seriam dispensados, sem mais, a PARTIR DE JANEIRO DE 2012 !
Ler aqui a notícia completa:
Mais se me revolveram as entranhas ao ler o relato compungido, em reportagem alargada da mesma jornalista do Público, Clara Viana ( ontem, dia 3 de Dezembro de 2011), de vários casos de colegas  de Português que foram assim, posso usar o termo, alvo de puro e simples MOBBING (Assédio laboral psicológico) por parte do Ministério do Negócios Estrangeiros e  do Instituto Camões. Infelizmente a reportagem está apenas em versão de papel, pelo que não a poderei "linkar" aqui.
Basta, porém dizer, que entre a descrição do  total desamparo de quem vai ficar sem qualquer sustento para pagar casa e vida nos países para onde se haviam mudado "de armas e bagagens"(Suíça, Espanha...) e  de quem até  percorria com entusiasmo entre 5 a 100 km diários, para leccionar em várias localidades, salta à vista o estado entre a revolta e a desorientação,de profissionais diante da forma, repito, NOJENTA, VIL e DESUMANA como  (essas professoras) foram informalmente (?) despedidas, sem qualquer precisão quanto aos seus direitos e futuro("ninguém se digna responder" às angústias e dúvidas  quer destes professores quer dos seus alunos, diz uma das vítimas).
Retiro apenas umas frases da reportagem entitulada:
"No dia 30 de Novembro fui chicoteada por telefone" (pág.ª 14).
-" Desabei. Chorei. Vi a minha vida virada do avesso! (...) nessa noite não dormi. Penso em mim e em todos os que estão como eu a sofrer por algo que não cometeram".(professora despedida, 47 anos)
-"Sem reacção, sem voz, sem força para me aguentar de pé, apenas consegui perguntar quais foram os critérios para a minha selecção. A resposta foi ambígua e pouco clara. (...)Voltar a Portugal? Como posso voltar? Em Portugal não tenho escola. Em Portugal eu e o meu marido não temos trabalho.Em Portugal não tenho habitação(...) Sinto-me profundamente revoltada e injustiçada. " (outra das professoras, com marido e dois filhos pequenos);
-"Os  meus sentimentos, neste momento, são de desespero, de raiva, nem sei explicar, por que não é assim que se fazem as coisas. Fui despedida por telefone:«Lamento mas o seu contrato acaba a 31 de Dezembro...»" (terceira vítima que testemunha, de 40 anos, divorciada, com a filha a  seu cargo).
- "Se a senhora tem alunos, porque a mandam embora?(...) Não vai pelo menos acabar o ano lectivo connosco? (...) Nunca mais vamos ter aulas de Português?" (algumas das perguntas dos alunos que vão subitamente ficar sem professora)
Mais um grupo de vítimas de medidas administrativas tomadas em cima do joelho e sem critério aparente e claro!
E afinal o outro , Mestre, secretário de Estado da Juventude e do Desporto não aconselhava a emigrar, que os portugueses sem perspectivas saissem da sua "zona de conforto"?(Ver ESTE post do blogue) Afinal em que ficamos?
Para além da minha revolta e solidariedade para com todos estes  professores, 49 no seu total (para já?), só me vêm à cabeça, repetidamente, as palavras cantadas por Pero Marques, o marido tonto e "chifrudo" de Inês Pereira, na Farsa teatral com o nome desta, de Gil Vicente. Enquanto ela,oportunista e espertalhona, às suas cavalitas, coloca duas longas  lousas nas orelhas dele, ao jeito das de um jerico, e faz troça do ingénuo, o pobre (predecessor da personagem mártir Zé Povinho?), vai repetindo o refrão que ela dita:
"Pois assi(m) se fazem as cousas!"...
Exacto. Em Portugal, aos doces portugueses...
... "assim se fazem as cousas"...
Margarida Alegria (4 de Dezembro de 2011)

sábado, 12 de novembro de 2011

Mais cortes:desta vez...na Língua!

A notícia surge difusa, aqui e ali, posto que talvez o relato mais composto venha neste blogue : aicl- colóquios  da Lusofonia.
Desta vez o corte é nas turmas de ensino de Língua no Estrangeiro. Já custa comentar, perante a única visão "estratégica" sobre a Educação que parece direccionar os nossos  novos desgovernantes: empobrecer o país, inclusivé ao nível dos recursos Humanos, da difusão da nossa Língua e da nossa Cultura, tornando-nos parte da Nova Escravatura do "Dickat" fascizante que se vem insidiando em todo o Mundo. Neste caso, empobrecendo igualmente a cultura de quem se interessa pelo nosso país e nele busca novos horizontes.
Então os escravos acaso precisam de cultura e de ciência? Basta-lhe uma roupinha e algo para encher a barrriga, apenas o suficiente para ser operacional nos horários que se alargam, contra-corrente da evolução dos Direitos humanos e laborais dos últimos séculos. Destruir, em poucos anos, o que levou tantos anos, de tanto esforço e sofrimento de Homens bons e de paz!
Agora, cortam-nos a Língua, a seguir, se deixarmos, talvez venha a argola no nariz e a canga, para melhor nos submetermos....
É descoroçante..! :(((

sábado, 5 de novembro de 2011

O Português que esteve mais vezes na sala oval?




Todo o Portugal tem razão para regozijo! Cof cof... O "Expresso " e outros jornais noticiam que o nosso Presidente da República vai visitar Obama no dia 9 próximo. Muitos destes OC Social sublinham mesmo que será recebido na Casa Branca. E , dentro da Casa Branca, na Sala Oval! Na sala Oval! Sim!


Se bem se recordam, foi com especial acrimónia que Cavaco Silva se gabava, há coisa de um ano, que fora o governante Português mais vezes recebido na sala Oval. Isto porque, oh, ofensa! Um qualquer presidente americano nunca o recebera na sala Oval, ao contrário dos seus antecessores americanos, que sempre haviam recebido o nosso Cavaco nessa sala (falamos da Sala Oval! Sim , da sala OVAL!), um deles, repito, não o recebera na sala Oval. Coisa de manias de presidentes americanos. Aquelas coisas dos melindres diplomáticos.


Mas agora tudo se compõe: há quase um ano, Cavaco recebeu B. Obama, com honrarias em Belém, mesmo que por breves instantes, aquando da sua passagem por cá, para ver como decorria a Cimeira da Nato. Não sabemos qual era o formato da sala, mas as honrarias foram tão grandes que, para parecermos quase como os países "lá de fora" até se gastou à tripa forra em carros blindados que não vieram e em fardamentos do mais sofisticado para a polícia de choque (uns 300 , pelo menos), que tratou de cercar "perigosos" manifestantes(uns cem, que mais tarde passaram a trezentos, com a junção de mais algumas pessoas, em soliariedade indignada), a uns quilómetros bons de distância da dita Cimeira.



Mas lá fizeram todos a figureta para as fotos: sorrisos, fatos e apertos de mão na cimeira, capacetes, botifarras e latas de gás à cinta nos sisudos bófias pela baixa lisboeta. Dizia eu que "quase" parecemos um país como "lá fora". não fosse uns desmancha-prazeres: os manifestantes, que comportaram com um civismo, uma contenção dos ânimos e uma resiliência não-violenta que estragou os planos de quem queria dar ordem para cacetadas ou dos jornalistas que haviam anunciado, sôfregos, a infiltração de uns nunca aparecidos "black blocks", ao que diziam uma espécie de grupo itinerante, qual circo, que supostamente costumava mostrar presença em manifestações pelo mundo, vestidos de negro e partindo tudo.


Como dizia, à parte este contratempo de uma manifestação plena de civismo e sentido cívico, que não apimentou os cocktails dos senhores da Nato, a troca de galhardetes correu bem entre os poderosos. Tanto que agora o nosso PR lá vai ter a sua retribuição de cortesia (ler AQUI), não tanto porque CS se possa contar entre os verdadeiramente "importantes" do mundo, mas possivelmente porque Obama ficou fã dos pastéis de Belém e pense que é a cara Maria que os confecciona (quem sabe se soube que a senhora só ganha 800 Euros e que por isso não pode ser a primeira dama).


Portanto, lá vai Cavaco retomar a sua série "record" de presenças na sala Oval (a sala oval !Oh! a sala Oval! -- Sim, pá aquela sala da tal Monica Lewinsky! Porreiro, pá!), ele o governante que mais vezes lá foi recebido, lá na sala Oval (falo da Sala Oval, evidentemente, na Casa Branca, aquela que tem uma... sala oval!).


Porém, tudo isto, em recorde para governantes, claro. No campeonato de governantes.


Pois se fossemos contar pelo "campeonato" das pessoas comuns, e conhecendo o peso da diáspora portuguesa, apostaria que a verdadeira campeã seria uma qualquer Senhora Rosa, empregada de limpeza portuga e emigrada nos "Estates", que , lá na "Sala Oval" já terá estado, a varrer, limpar e conhecer cada recanto...umas boas centenas de vezes! ;))


(e atrevo-me a perguntar: não terá sido a sua presença lá bem mais útil?)


NOTA: a comprovar o grande "interesse da notícia, esta adenda, das notícias do dia 10 de Nov.:

"Cavaco Garante a Obama que Portugal cumprirá metas com que se comprometeu" (in Público) !!!
Pergunta: e o PR americano acaso se rala com isso?! Ou é para de vez em quando se ir comparando... "nós não somos como Portugal!..." Haja paciência para isto tudo! :-/


"Alergia" (5-11-2011)