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domingo, 8 de julho de 2012

Só sabe cortar na Educação e na Saúde, sr.Passinhos?- Passos Coelho exijo uma resposta.... JÁ!


(do canal Pedro Frias TV-"Passos Coelho exijo uma resposta... JÁ!")

Recomendo o visionamento,VIVAMENTE!
Coloca  vários dedos na ferida  "Fundações".
Para que não venha  o nosso suposto Primeiro Qualquercoisa  dizer que ao não poder cortar/roubar  nos subsídios   da  Função  Pública, terá de fazer mais cortes na Educação e na Saúde, tentando assim acirrar portugueses  mal informados contra os funcionários .É inadmissível da parte de um senhor que tanto fala na necessidade de união e de sacrifício de TODOS os portugueses.
Pedro Frias não teve meias palavras e fez uma bela pequisa, NUM dos capítulos apenas em que se devia realmente cortar financiamentos. Mas  claro que isso seria  para uma governação inteligente   e corajosa  e  não  para  uma  fanática  e armada em forte contra os mais fracos.

domingo, 17 de junho de 2012

MEC (o outro) sobre o EURO (o outro)...

(Cristiano Ronaldo falha  (mais ) um golo contra a Dinamarca, no Euro 2012, de forma clamorosa..) foto de "A Bola.pt

Bem, o MEC do título é o que presta, o  Miguel Esteves Cardoso e o Euro  mencionado é o que ainda pode vir a ser bem sucedido, o campeonato Euro(peu)  de futebol.
Diz ele, no início da sua crónica sobre o Euro 2012, a propósito do jogo de Portugal contra a Dinamarca:
"O plano de Paulo Bento era genial-- e funcionou. Cristiano Ronaldo foi brilhante a desviar as atenções enquanto os colegas marcavam os golos.
O plano era marcar três golos e ganhar. Qualquer golo que Ronaldo marcasse, caso não atingisse o  objectivo de dar a impressão de que o único marcador português não conseguia marcar um único golo, seria um bónus.
É preciso ver o jogo do ponto de vista dinaarquês. A ideia que Paulo Bento quis dar era de serem os adeptos portugueses a sofrer. Até caímos no engodo. Sofremos mesmo. Assim colaborámos na alucinação colectiva: que Portugal ia acabar por empatar e até perder o jogo. E porquê? Porque tinhamos sido habilidosamente manipulados a pensar que, sem um golo de Ronaldo, não poderiamos ganhar, Quando, na verdade, era precisamente sem um golo de Ronaldo a única maneira de ganharmos. (...)"
 (MEC /Miguel Esteves Cardoso, 14-6-2012, in "Público")

Mais palavras para quê? é o delicioso humor de MEC (o MEC que tem humor e valor), na mais perfeita  e doce ironia! :))
..............»»»»»»»»»»..........
E  hoje, continuará o sonho ou vamos voltar à realidade?
Hoje dia em que estão na berlinda dois Euros: o de Futebol, para afagar o ego nacional e o Euro que cada vez mais falta nos nossos bolsos. Fecharam há pouco as urnas na Grécia, que decidem (ou não?) a sua continuação na Moeda Única da U.E.
Uma pergunta: ganhando o partido "Syriza", será que desta vez os senhores de Bruxelas vão respeitar as opções dos gregos, ou vão uma vez mais pressionar para repetição de eleições?
E outra pergunta, aos nossos meninos "bem comportados" de cá: ainda estão à espera que a Espanha consiga melhores condições para o seu resgate para renegociar o nosso, bater um pouco o pé como a Irlanda? Ou estão à espera do resultado do jogo Portugal-Holanda, para calcularem se o  Zé Povo vai continuar calado e entretido e ganham mais um tempo para instalarem a abolição de Direitos e a ditadura total?
Alergia (17-6-2012, in  blog"Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Educação: Equações importadas e "efervescências" caseiras

Como servi no anterior POST AQUI, à laia de aperitivo, nada como um bom borbulhar para tudo se animar por milagre.
Essas "borbulhas", propostas por Mário Nogueira,-- líder do mais representativo sindicato dos professores, a FENPROF--, deverão ser, no seu entender, umas tais de "BORBULHAS de CONTESTAÇÃO"(sic,não é invenção minha!), ou seja, uma espécie de guerrilha suave de iniciativas pontuais e "salpicadas" pelo país fora, à vez.
A FENPROF começou em Coimbra, ontem, num volumoso borbulhar de ...umas 70 pessoas.  No Sábado borbulharão no Porto e por aí fora.
Em suma, um misto de protestos em mini-manifestações (as grandes e nacionais, com o tempo, veríamos, ainda segundo MN) e borbulhas "efervescentes" de um Jacuzzi que fariam "cócegas" ao Ministério/MEC, mas que todos sabemos, por experiência dos últimos anos de pesadelo, apenas serviriam para deixar o MEC e o Crato  mais "relaxados" e ´mais tonificados, depois das cócegas que tais "borbulhas" lhes viessem a fazer inicialmente. Depois de verificar que a luta docente e da restante comunidade Educativa não iria até às últimas consequências.
Assim sendo, tudo se inclina para que o MEC interprete a palavra "BORBULHAS" no sentido epidérmico,  de "ACNE" passageira, e então em vez das borbulhas de Jacuzzi, ou sequer de uma alka-selzer que revigore a luta docente e que nos alivie o mal estar nas Escolas-- aumentado por mais uma vaga de "despachite-aguda" das últimas semanas--, teríamos antes uma imagem mais nítida assim:

                                    
A "Clínica Crato-Dermoestética" aplicaria , nas maçadoras borbulhas,diversas camadas, em semanas consecutivas, de legislação e despachos gordurosos e enriquecidos com extractos de laranja e Liberalitus-Vera, com base numa antiga fórmula matemática usada por alquimistas da  Burocratolândia. Há quem diga que essa fórmula está ultrapassada e é contestada, mas  em Portugal nada como repetir bons erros, desde que sejam traduzidos do estrangeiro. Foi-nos certamente vendida antes de ser deitada fora, numa boa estratégia de reciclagem e reutilização do Mundo Moderno.
As borbulhas, depois de umas negociações/de uns entendimentos com os sindicatos, seriam finalmente sujeitas a uma "profunda limpeza de pele", fazendo com que a essência de laranja penetrasse e  nas camadas mais vulneráveis das borbulhas, anulando-as, deixando isoladas as borbulhas mais teimosas e activas, até se extinguirem por completo. Extinguirem-se, ou através da facultação de "um lugar ao sol" (e como o sol faz bem à cútis com borbulhas), ou sendo reabsorvidas pela novas camadas de pele.
Bem,esta parte foi mais dirigida a professores e suponho que quem não é professor neste momento não entendeu (quase) patavina e terá de reler aqueles parágrafos depois. Passo a explicar.
Nas últimas semanas, o Ministério da Educação e Ciência (MEC), mantendo a boa tradição criada por Maria de Lurdes Rodrigues, tem invadido as escolas com quilos de legislação, despachos e 1ªs, 2ªs, etc versões de propostas de formulação da reorganização Curricular, tendo até conseguido a proeza de vir agora contrariar o que estava acordado com alguns sindicatos, em relação à duração mínima dos tempos lectivos,só para dar um exemplo.
Outro exemplo é o novo Estatuto do Aluno, que saltou para os jornais para baralhar os cidadãos, não estando ainda negociado com ninguém, nem tendo sequer sido escutado o Conselho de Escolas (órgão consultivo com os representantes dos Directores). E saltou para os jornais ainda não estando pronto, no bom estilo de lançar umas tochas inflamadas para testar a opinião pública, como a de  os pais de alunos indisciplinados ou faltosos irem pagar multas pelo comportamento dos filhos, perderem subsídios que tenham, e por aí fora.
Estando ainda os professores a tentar entender  esse Estatuto e as estranhas matrizes de Reorganização Curricular enviadas aos poucos em constantes versões corrigidas, tanta papelada teve ,há dois dias (5 de Junho), o" ponto de rebuçado", com a publicação em Diário da República, de um Despacho "surpresa" não negociado com ninguém. O já famoso "DESPACHO-NORMATIVO nº13-A/2012", que poderá consultar AQUI, em versão PDF.
Podem ler ainda aqui uma das notícias que tentaram traduzir o rebuscado despacho para os cidadãos:
Pois bem, o que está a deixar professores, directores e escolas em geral à nora é não só a a ambiguidade de alguns artigos, mas principalmente uma EQUAÇÃO arrevesada que o MEC inventou , aliás, traduziu de outras paragens, E que no blog "CORRENTES" se explica muito bem, dentro do que é possível entender (CLICAR AQUI).
Aí aparece, entre outras siglas da fórmula, o EFI (o que se vê que é importação estrangeira, pois explicam a sigla como "Indicador de Eficácia Educativa"), que é o resultado de uma fórmula complicada,  calculado a partir dos resultados de uma avaliação externa e de uma avaliação interna de cada escola. no fundo com base nos famosos Rankings calculados nas classificações de Exames nacionais e sua diferença em relação aos resultados internos.
Explicado e sintetizado para "leigos": consoante o tal "Indicador de Eficácia Educativa" de cada escola, esta ganharia, numa espécie de Meritocracia distorcida e  invertida e para Totós, o DIREITO a ter mais horas extra de crédito para actividades extra-lectivas.
As escolas sempre tiveram um crédito de horas extra a distribuir pelos docentes, para além das horas para as aulas das disciplinas. Esse crédito era mais ou menos distribuído irmamente por todas as escolas, pelo Ministério, e eram usadas pelas escolas para aulas de apoio, clubes e outras actividades para alunos com dificuldades ou para enriquecimento curricular de todos. Dava-se a situação caricata de , por exemplo,uma escola com imensos alunos do Ensino Especial (e não "apenas" os casos de dislexias e dificuldades gerais, mas casos complicados de paralisia cerebral e outros) ter  o mesmo crédito de horas de outra escola sem esses alunos e portanto, enquanto a primeira esgotava o seu crédito em aulas para esses alunos Especiais, na segunda sobravam mais horas para dar aulas de apoio e recuperação a alunos com  dificuldades nas disciplinas!
A certa altura o crédito foi sendo cada vez mais reduzido (Orçamento  de Estado oblige...) e era calculado com base no número de horas que os professores mais velhos tinham de redução de horário lectivo(por desgaste da profissão que até o regime forreta salazarista reconhecia existir), tendo esse crédito passado a ser usado nessas actividades de apoio, garantidas por esses professores que tinham menos turmas. Até aqui, portanto, havia desequilíbrio nessas quotas de horas, pois dependia da antiguidade dos professores do  quadro de cada escola.
Agora a lógica legislada, ou despachada, é profundamente ridícula e contraditória, embora venha com roupagens de "aumento da autonomia das Escolas! É a seguinte: uma Escola com maior grau de "E.F.I.", como por exemplo muitas das escolas Privadas e outras públicas em zonas nobres que estão nos tops dos "rankings" (muitas vezes graças a manobras várias de selecção dos alunos que admitem a exame!), vai ter direito a um... MAIOR CRÉDITO DE HORAS para actividades extra-curriculares!
DÁ PARA ENTENDER?!
Ou seja,   os alunos com mais dificuldade e/ou em escolas e turmas mais "difíceis" vão ficar com poucas ou nenhumas horas disponíveis para terem aulas de apoio para melhorarem os seus resultados,nem que seja ao menos a Matemática  ou Português. E os alunos de meios que já têm mais facilidade em pagar a explicadores por fora vão ter MAIS direito a horas na sua escola de elevado "EFI", possivelmente para clubes de culinária Gourmet ou para actividades extra de Golfe ou de Equitação!
Não. Não  dá para entender.
Os directores das escolas mais "Cotadas"(e por extensão os próprios autarcas) nesta nova forma de darwinismo social terão, em consequência, direito e autonomia a contratarem mais professores para as "suas" escolas. E depressa se transformam nuns colégios selectivos "públicos", pois cada vez mais arranjarão maneira para estarem nos tops, arredando ou convidando a sair os alunos com mais dificuldades. Baralhando e tornando a dar: terão mais créditos porque estão nos tops e continuarão nos tops... por terem mais créditos a valorizar os alunos.
Deve entender o MEC que isto é um prémio para a excelência, para  o Mérito e não sei que mais, mas mais não passa de uma forma encapotada de acentuar as desigualdades. É como dar um prémio a quem já está bem alimentado e saudável, sendo o prémio...mais e excelente comida e mais remédios e vitaminas. Deixando-se os que estão mais fracos a definhar, de CASTIGO por não terem saúde e não estarem em forma.
A que havemos de chamar isto? Fascismo? Eugenismo neo-liberal? Parvoíce de uma cambada de seres infantis e fanáticos que escreveram este Despacho?!
Criminosos, também, inclino-me a concluir, se insistirem a levar este "aborto" para a frente, passe a comparação.
Mesmo que disfarçado como autonomia. Mais um presente envenado ao estilo mariadelurdesco, isso sim.
É verdade, pois outra coisa que pretendem é também  transferir o ónus de novos despedimentos de docentes e outro pessoal que não se enquadre no resultado a fórmula do EFI-e-etc, do Ministério para as Escolas e seus directores. E pergunto: os directores é que são os patrões destes funcionários do Estado?! Ah, pois, tudo caminha para o sacudir dos ombros do Estado do pesado fardo da Educação dos cidadãos. Podemos então deixar de pagar impostos,senhores governantes,  já que temos de pagar tudo por fora, das estradas, aos transportes, da Saúde à Educação dos filhos?
Ainda só li excertos do Despacho,procurei ajuda para entender algumas das mirabolantes normas, mas esta amostra devia já alertar não só docentes como os PAIS e EDUCADORES e população em geral.
E não, caro Mário Nogueira, já não nos bastará andar a gerar "BORBULHAS" por aí, aos poucos até chegarem as férias  de Verão que estão quase á porta, para deixar o MEC a rir uma vez mais de tal tipo de mobilização. Não chegam providências cautelares onde tribunais nos dão razão para logo serem ignorados e desobedecidos pelo MEC.
Há agora razões para um Tsunami, como já disse, para uma mobilização geral que já devia ter existido, de professores, alunos, pais e todos os cidadãos preocupados com esta infâmia criada por "Jovens Turcos" iluminados e mais uma vez  desconhecedores da realidade do país em que vivem. Para que o que lentamente e em muitas décadas tinha melhorado do Ensino não seja deitado borda fora, de vez! Para não retrocedermos dois séculos para a época da revolução industrial onde as crianças não iam à escola e eram "carne para canhão", em  minas, em fábricas esconsas e guerras.
Vou aqui colocar o link para a Petição contra o despedimento de 25 mil docentes que está calculado com estas manobras, mas isso só não chega para fazer ver ao país que a revolta não deve ser só de professores, pela sua dignidade e trabalho, mas  deve ser geral, nacional e até europeia, porque afecta uma vez mais e ainda com mais força o futuro dos nossos jovens, da nossa Educação, do nosso país!
Se assim não se mexerem e  se não ousarem mobilizar todos os docentes e o País, os sindicatos bem se poderão ofender com a alegoria que redigi nos primeiros parágrafos e bem podem protestar que não cederam nisto ou naquilo! Se não forem (ao estilo dos desgovernantes) "PARA ALÉM DAS BORBULHAS" de protestos e tribunais, todos ficarão de vez com a estranha sensação de que as famosas "Borbulhas" que desejavam afinal  eram as de uma garrafa de champanhe a abrir, após  um serão de conversações e Pizzas no Ministério (em salas separadas...como daquela outra vez,em 2010, com Isabel Alçada).
Champanhe a abrir e a saltar para taças, para festejar um qualquer débil  novo "memorando de entendimento", um qualquer "acordo" por  "um prato  de lentilhas" vazio. E não poderão protestar que os docentes desconfiem de que cedem devido a acordos secretos inconfessáveis por parte dos representantes sindicais que nos deviam defender...
(Nota: tenho amigos dos sindicatos e há muitos representantes sindicais que respeito e que sei serem muito sérios e empenhados. Mas por favor não desbaratem de novo a moblilização que já tiveram em mãos em 2008 e que poderão ter de novo, se tiverem "garra" até ao fim, como se vê por terras de Espanha, França e outros, tantas vezes com problemas menores em mãos. E os docentes não devem desmobilizar mais uma vez por razões mesquinhas da sua vidinha! A Escola Pública e a Educação estão a levar a última estocada de  morte e demolição! TEMOS DE IMPEDIR esta nova barbárie!).
AQUI em baixo o LINK para assinarem a PETIÇÃO. Já é um passo e é simples de fazer, mas não, não basta.
Vamos unir-nos! Nós cidadãos preocupados. Senão, as borbulhinhas não passarão de "efervescências" gasosas e passageiras, "Burbujas de Amor", como Canta o Juan Luis Guerra.
(e os "leigos" agora podem reler o início do texto e já entenderão melhor).
Margarida Alegria (7-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Do it Rover, c'mon! Good dog!

A Agência de notação financeira /Rating Fitch, de nome anglófono mas de origem francesa (há mercenários em todos os ramos, para quê a admiração) veio agora gabar o plano de privatizações do governo português e dizer que estamos no bom caminho. Também disse que , segundo os seus cáculos (?)- "científicos", supomos-- os bancos portugueses ainda vão precisar de mais uns bons  mil  milhões de Euros  para se calçarem, digo, financiarem e estabilizarem...
Curiosamente vêm também  "alertar" que a Caixa Geral de Depósitos é um "risco orçamental" para o país.
Bom, E eu pensava que ,pelas notícias que têm vindo a lume,  o maior risco orçamental vinha dos belos contratos blindados e lesivos ao Estado das famosas PPPs (Parcerias Público Privadas).
É curioso que não tenham opinião sobre o que se soube agora, que nos contratos das portagens das ex-scuts os maiores beneficiados foram os BANCOS e as concessionárias, em prejuízo do Estado, levando os contribuintes a pagarem por TRÊS vias! (VER  e ouvir AQUI: "TC enganado pela "Estradas de Portugal")
Estes palpites da Fitch são de hoje, ainda se desconhece a reacção dos governantes. Mas o mais provável é ficarem muito contentes, seguirem todos os "conselhos" como é costume, irem até além do aconselhado e ,para além de se equilibrarem nas patinhas traseiras a abanar a cauda, farão o pino e contorcionismo como o cão da foto. Depois, abanarão de novo a cauda e receberão mais um torrão, digo, uma "tranche" de "empréstimo".
Já há "estudiosos" alemães a sugerir que vendamos o ouro e a s "jóias de família"... Não não as do pobre cão: referm-se ao famoso ouro de Salazar e aos nossos tesouros artísticos e património, que deveriam ser empenhados... :((
Uma pergunta que se faz há muito tempo: não seria um bem para todos a extinção/ ilegalização. só para bom começo, destas agências de Rating (cujos maiores accionistas são bancos estrangeiros, como o G.-Sachs) ?
Ah pois, são necessárias não sei para quê... coisas de "economistas"...
Entende-se assim toda a extensão da expressão "Mundo Cão".
"Alergia" (31-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 19 de maio de 2012

Do Amor... Texto da parte 1 (de 2)- o filme pessimista

(Imagem de um catálogo de vendas: sim! Existe papel-higiénico com esta decoração! E... por que não?)
Este é o texto que completa e acompanha a visualização do filminho "amargo" de Don Hertzenfeldt do último post ("Do Amor... Aperitivo da parte 1 de 2..." Clicar AQUI para ver), que não junto  só pela razão técnico-blogueira que aí expliquei.
 E  então? Viram o Filmito? Ficaram alarmados com tanto pessimismo? Ou outros acharão que o filme animado tem um negro mas profundo realismo?
Vou ser mais suave que D.H., embora este seja o primeiro de dois posts (ou 2 e meio) sobre o tema, o que, como expliquei traduz o lado "alérgico", menos alegre sobre o mais citado  e glosado sentimento que existe. O lado também, por inerência, mais cerebral e analista.
 A meu ver, visto nesta óptica mais negra, o problema maior é que para uma boa parte do mundo o Amor deixou de ser um simples sentimento, como devia. Ou seja, algo que nos faz sentir e leva outros a sentir. Algo que, em vez de compartimentar e isolar, deveria inundar quem  o sente.
Don H. vê essa ausência de sentimento na palavra e avisa-o logo de início. Não só ao alertar que é um "bitter film" (amargo) mas também ao usar  para título a expressão francesa, tantas vezes a única expressão que tantos conhecem da Língua Francesa e que de imediato nos remete para a condescendência romântica  dos  mais experientes perante situações mais ou menos patetas e nos traz à memória os incansáveis namoradeiros "Pepe LePew", doninha dos Looney Tunes, ou Maurice Chevalier de musicais cor-de-rosa.  Alguém vê um cachorro a rondar uma cadelita e exclama: "Ah, L'Amour!", alguém surpreende um beijo inocente de dois infantes "Ah, L'Amour!", alguém repara em meninas aos gritinhos histéricos em redor de mocitos em Morangadas com Açucar,ou  alguém testemunha um cavalheiro a oferecer um ramo florido a uma dama, ou ainda alguém se surpreende com uma mulher a pregar um estalo a um marmanjo que lhe deu um piropo, "Ah, L'Amour!" L'Amour... L'Amour...!...expressão que envolve  em papel crepe e lantejoulas qualquer situação geral que evoque Primavera e corações inflamados!
Desde logo, portanto, Don H. nos empurra para o artificialismo de muito "Amor" que há por aí, a partir do título.
 Senão vejamos, muito sucintamente as peripécias: o pobre rapaz do filme encontra várias mocitas (não importam os nomes ao caso), possivelmente num tipo de contacto que corresponde a várias fases da vida. De cada vez vai sendo mais cuidadoso com o que diz e de cada vez recebe reacções piores (em forma de torturas atrozes) e menos comunicativas, pois elas parecem ter já as suas feridas (como ele) e terem também "evoluído"(?) na forma como vêem o seu relacionamento com o sexo oposto. Assim, o moço, chamemos-lhe Zé, primeiro tenta o normal convívio de amigos como aproximação e a menina não quer ser incomodada ( primeira adolescência); depois tenta, junto de outra, indagar sobre os sentimentos , pois sabe que as meninas gostam de falar neles. Logo ela NÃO revela os sentimentos e reclama que "precisa de espaço" (eles e elas, como tantas vezes se nota,  andam em tempos de necessidades sentimentais diferentes); depois  o Zé tenta agradar à vaidade doutra, gabando-lhe os sapatos, mas ela "só quer amizade!" (elas começam a tentar adivinhar intenções); depois o "Zé" pergunta as horas a outra que sai logo a "disparar"  (literalmente!) e nem responde; já "escaldado"  o  Zé tenta apenas cumprimentar outra mulher, mas ela entende isso com avanço atrevido. Até que ele diz a uma a frase mágica, sem cumprimentos nem nada, "Tenho dinheiro!" com a resposta que se vê: de imediato ela "ama-o!" Final Feliz !
Em suma, Don H. chama as mulheres no seu todo(por esta ou outra ordem) de "ariscas", egoístas, comodistas,frias, insensíveis, e... interesseiras. Ah, mas devem ter reparado na outra mulher do filme de que não falei... Pois. Ou seja, corrigindo: D.H. diz que elas são tudo isso em conjunto, ou pelo menos uma destas coisas... ou então são gordas e/ou feias. Uma ironia  do autor, nas entrelinhas, é que quem sabe se não seria nessa tal feia e gorda que encontraria o verdadeiro Amor e compreensão....
(Não venham os homens depois reclamar: ai elas são umas chatas histéeeeeericas!)
Por sua vez, o filme acaba por dar uma imagem do homem como "adaptável" aos vários estilos delas, nas diversas tentativas de as abordar/conquistar. Assim, mais ou menos pela ordem do filme, o nosso "Zé" apresenta-se como: amigo sociável (1ª abordagem), sensível, lisonjeiro, casual/natural e depois apenas educado e neutro. Não resultando, acaba por se revelar calculista e gabarola, para suscitar o  tal lado interesseiro das mulheres e... é bem sucedido!
(Não venham depois as mulheres reclamar: ai eles são uns vaidosos insensíiiiiveis!)
Claro que é uma caricatura, mas uma caricatura asperamente aproximada de muita verdade que se vê por esse mundo fora. E, como avisei no post anterior, é uma visão que se pode aplicar a eles e elas, ou seja, se em vez do Zé tivessemos a Josefina a falar com o João, o Vando,o Jack etc do seu percurso de vida. Pode parecer estranho o que digo, na Era da total liberdade da escolha, mas o certo é que, e basta repararem nos nomes e caras (tão "botoxadas") impressos em qualquer revista cor-de-rosa da praça, os casamentos de conveniência e de combinação de interesses entre famílias nunca acabaram, aliás estão ai pujantes como nunca (e numa coisa D. H. engana: que se a Gorda e/ou feia reclamar que tem dinheiro rapidamente terá uma fila de pretendentes!).
E fora das combinações familiares das "élites", temos também a camada dos e das interesseiros/as em toda a  sua força de novo. Não só o interesse básico pelo dinheiro, mas também ou alternando pelo status e pela fama, pelo nome sonante, pelas portas que abre, pelo bons e saudáveis genes que pode trazer. Não só para casamentos, mas já em namoros (que tantas vezes não redundam no casório): ele  namora a mais inteligente para  o ajudar nos estudos, a mais elegante para ser invejado  em festas, a mais organizada para o tornar organizado. Ela namora o mais relacionado para vir a  ter bons empregos, o mais bonito para causar inveja às amigas, o  mais solícito para a aturar nas birras.
E como a partir das aparências se cria todo um rol de ilusões! Eles bem as iludem de serem bem sucedidos se tiverem um bom relógio nem que vivam de esquemas, elas iludem-nos de que são ricas se tiverem um bom jipe, nem que vivam à custa dos papás, eles iludem-nas de que são inteligentes por terem um blackberry e "Tuítarem", elas iludem-nos de que são inteligentes , se fumarem estilosamente e debitarem as chamadas "postas de pescada" politicamente (in)correctas.

 Relembro, a propósito, uma famosa  passagem de uma das excelentes crónicas de Miguel Esteves Cardoso ( talvez em "A Causa das Coisas"...), parafraseando: que o Homem português costuma namorar as mais giras, conversar com as mais inteligentes e casar com as que não são nem muito inteligentes nem muito giras, para "não dar muito nas vistas"! (perdoem-me a referência todas as casadas!). Poderia  agora acrescentar que, em contrapartida, nós, mulheres portuguesas, só queremos é namorar (ou "TER" namorado), seja ele como for, para não ficarmos atrás das demais e  por estarmos, mulheres, em maioria percentual na população(e ai se vier uma guerra!), e diria que a portuguesa  muitas vezes nem conversa com ele senão em monosílabos, a não ser que também entenda de futebol; e  que por fim casa com um que lhe ofereça alguma companhia, alguma segurança e  uma aliança e que raramente é o mais bonito ou mais inteligente. O que depois resulta em também belas estatísticas de divórcios, de violência doméstica e ... em maridos com pneus e  quem não sabem cozinhar um ovo.
Exagero de estilo e  pessimista meu, reconheço! Há que ser justa que  agora as gerações mais novas, pelo que  tenho visto , vêm melhorando nalgumas dessas estranhas bitolas: eles já se esforçam por continuar giros e elegantes para elas, nem sempre com horas no ginásio, mas pelo menos com o seu jogo de futebol de praia aos domingos, ou com os seus percursos de bicicleta de manhã, encolhendo a barriguita dentro daqueles ousados calções de licra e escondendo a cabeça (e tantas vezes o cérebro, quando em magote masculino aos dichotes pelo caminho), escondendo a cabeça dizia eu , sob aqueles capacetes que... parecem assim como que umas arrastadeiras mais modernaças e de marca. E já não se envergonham perante a inteligência delas e  (alguns) acabam por fugir a sete pés das que são apenas caprichosas ou sem opinião. Já há cooperação nas tarefas domésticas e maior diálogo. Só falta maior segurança (nacional) para conseguirem planear um futuro e criar raízes...
Em suma,ele já não  cai naquele maniqueismo de esperar que a companheira seja OU sua criada OU a  sua nova mamã (de que falava a canção "Etelvina" de Sérgio Godinho).
Posto tudo isto, volto ao ponto inicial: que o problema focado no filme resulta de já  termos deixado de ver o AMOR como sentimento puro, mas tantas vezes o vermos como o fantasioso "Amour", ou, o que é pior, como sinónimo de tantas outras coisas, sejam  OUTROS sentimentos sejam trampolins  mesquinhos de interesses vários que em nada se aproximem Dele, Amor.
Deixa por vezes de ser Amor, para ser Medo da solidão, deixa de ser Amor para ser vontade de dominar alguém, deixa de ser Amor, para ser companhia para o tédio, deixa de ser Amor, para ser interesse económico, deixa de ser Amor, para ser apenas vaidade de se sentir amada/o por alguém, mesmo que sem noção de retribuição. Deixa de ser considerado um sentimento, tanta vez para ser um negócio: de dinheiro, de afectos, de inseguranças; de invejas e vaidades. Afinal, não se usa tanto aquelas expressões (importadas!) canhestras de "FAZER Amor", de Compra  e Venda de (horas de) Amor, de "Técnicas de Amor", de "drogas do Amor", com se alguma vez um SENTIMENTO (repito!) puro e bom pudesse ser um FABRICO, um COMÉRCIO, um ARTESANATO, mera QUÍMICA sexual,  como se toda a sua grandeza  e liberdade pudessem ser escalonadas, compartimentadas e aprisionadas na frieza rude  de meros compêndios Económicos ou de  uma Engenharia New-Age!
Por isso mesmo me demorou o desenvolvimento deste tema, sugerido pela querida  blogger "Pérola", porque  o considero um tema importante demais e porque é um sentimento que vejo a ser tão conspurcado a toda a hora. É simples, mas ao mesmo tempo demasiado complexo. Saliento , no entanto, que é pelas mesmas razões que tanto admiro e encorajo quem eu vejo ter uma relação amorosa bonita e límpida, o que felizmente existe,  relação feita não só de paixão e de carinho, mas de compreensão mútua e de diálogo, de suave harmonia e de cumplicidade silenciosa. Seja do jovem par de namorados entrelaçados e de ar doce, seja do casal adulto que forma uma família, seja do par de velhinhos que se ajudam mutuamente a calçar as pantufas...
 Por isso, há que respeitar o Amor e não o banalizar,nem por palavras nem por atitudes, só assim o fazendo merecer todos os encómios e pergaminhos que vêm de tempos remotos, em forma de poemas, romances escritos ou em película,nas telas de pintores e  nas pautas de canções, onde é de longe o tema mais glosado!
Tanto Don Hertzfeldt, no seu filme como eu, neste textito, pretendemos não um mero ironizar sobre o Amor, mas demonstrar como ele é tão maltratado e desviado do seu justo caminho, sob as mais diversas capas, os mais repugnantes disfarces. Sim, o Amor existe e o seu Poder é grande, mas só poderá cumprir o seu papel de transformador e embelezador do Mundo  se não o desviarmos por caminhos de mero egoísmo, de interesse próprio e de falta de harmonia e de coragem.
Agora devem entender a razão da escolha da imagem que inicia este post, não? De tão "decorativa" que se tornou a palavra Amor, de tão adulterado o sentimento, só faltava mesmo, como se pode ver, terem-no colocado como folhas de papel ( não sei se  folha dupla e locionada!)... usado para fins não muito nobres, ou pelo menos, digamos, não muito elevados! Isto tanto tomando o coração como símbolo do Amor pessoal como do Amor Universal! Livra! Se é  para representar o coração órgão então que o substituam por... intestinos ou bexigas em miniatura! :))
Por ter sido levado por outros caminhos,
por tanta gente, é que em pleno século XXI d.C, com tanta forma de Comunicar e de viajar e conhecermos a Vida, continuamos tão ou mais distantes uns dos outros que nos primórdios do Ser Humano
e, embora sem cacetes ou machados em sílex, ainda achamos que uma boa paulada em novo estilo e atitude "de caça" ao par equivale a um acto de  verdadeiro Amor e paixão.

Por termos levado o Amor por outros caminhos, quer individual quer universalmente, é que hoje nos encontramos de novo nesta situação absurda como Humanos, de novo cercados por Ganância, Fome e Guerras, quando podiamos ter uma Terra bela povoada pelo Amor, a Partilha e a Paz.
(pronto, "Pérola", espero que este texto já preencha pelo menos uma parte da "encomenda" temática, deixando a parte mais interior e lírica para uma segunda "dose"... Longo, como seria de calcular. Julgo que me deve ter escapado um ou outro argumento ao que tencionava dizer, mas, para já deixei uma ideia do que sinto e penso sobre o assunto, na sua globalidade).
Margarida Alegria (19-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 5 de fevereiro de 2012

CARTOON: O "Ponto de Viragem"...

(c) Margarida Alegria (5-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias)
Novo cartoon, como estava prometido há uns dias. Este a propósito de várias declarações, dentro e fora do país, do nosso M. das Finanças, V.Gaspar, que tanto diz que fora descoberto um "desvio colossal" (herdado) na despesa que obrigou a fazer cortes... "colossais", no Orçamento de Estado para 2012 , como 9 dias após o início de 2012 já diz que as previsões do défice do Orçamento vão falhar( seria de 5,4% em vez de 4,5%), como  depois descobrimos que essa falha se deve às medidas drásticas que tomou(incluindo a absorção dos fundos de pensões da banca), que desequilibraram as despesas, com a quebra das receitas. E mais tarde sabemos por um relatório internacional bem abafado que previa a inevitabilidade desse desequilíbrio da balança, pois é o que acontece a quem não toma medidas de incentivo económico e só toma medidas que vão secar as fontes da receita, nomeadamente de quem paga impostos do trabalho.Uffff!
Há escassos dias(dia 19 de Janeiro)  anunciou aos senhores da "Troika" que Portugal estava,em 2012, a chegar a um Ponto de Viragem de melhoria económica após a recessão, mas de imediato  os chamados mercados secundários lhe vieram contrariar essa teoria...
Enfim, seja como for, parece que quase todos os portugueses e muitos estrangeiros já constataram aonde leva esse caminho de Austeridade só pela austeridade. --Qualquer dona de casa sabe que nada vale poupar apenas e gastar do mealheiro das crianças. É preciso ter fontes produtivas e criativas por onde entre o dinheiro, ou a despensa esvazia-se depressa.--E o destino não é  digamos, famoso. Pena que tenham de arrastar todo o Portugal para o Abismo, por simples excesso de Fé nas teorias extremistas que aprenderam na realidade virtual dos seus gabinetes e reuniões de jovens políticos....
Margarida Alegria (5-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O MacNata

(Declaro publicamente que este, na imagem, é um pastel de nata comum e não a receita exclusiva do Pastel de Belém lisboeta)

O castiço Ministro Álvaro, de Economia e outras coisas mais, que aqui no blogue foi tema de um dos meus primeiros posts (VER AQUI) voltou à sua fase de rosto sorridente e cabeça a fervilhar de ideias, digamos, originais. Andava o senhor tão sossegadito, quando resolveu voltar a fazer aquilo em que era especialista, antes de tentar governar várias pastas ministeriais.Dar palpites e palestras.

Na conferência "Made in Portugal" , promovida pelo Diário de Notícias, fez uma longa dissertação sobre as qualidades e também os dramas existenciais do nosso ainda tão ignorado produto português que dá pelo nome de Pastel de Nata.

Ler e escutar em directo este longo discurso empastelado (mas sem toques de canela):
"Santos Pereira: porque é que não conseguimos exportar o pastel de nata?"
(Jornal de negócios)
E a ideia básica? O Ministro Álvaro conta a história comovente e de abrir o apetite de como ,na África do Sul ,um empreendedor português conseguiu criar uma cadeia dos seus frangos de churrasco (diz o ministro que é um produto "português" -???), a cadeia "Nando's". Um pouco ao estilo, explica também Santos Pereira, como a cadeia McDonalds com o "hamburguer". de seguida parece assegurar a pés juntos que nunca nenhum português conseguiu exportar dessa forma o nosso excelente Pastel de Nata!

Deixarei de lado a explicação básica ao ministro de como se diferencia um pastel de um frango com piri-piri ou de um plastificado cheeseburger (perguntava ASP o que tinha de diferente um pastel de nata desses dois outros alimentos.Só se nunca provou nenhum deles).

Posto isto, as palavras de ASP soam logo como um equívoco, por quem esteja mais atento ao que se passa no Mundo. O Ministro Álvaro parece não só ter descido ontem do avião, vindo de longos anos no Canadá, como parece ter vivido de forma eremítica na Universidade de Vancouver, sem acesso às notícias de Portugal, apesar de escrever longos livros sobre este seu país.Talvez seja como criar mundos míticos nas obras de ficção científica ou New-Age...

Antes de mais, parece fazer uma confusão entre o mais geral Pastel de Nata, produzido em quase tudo que é padaria ou pastelaria em Portugal, e o mais exclusivo "Pastel de Belém", de receita secreta e existente apenas na famosa pastelaria da zona lisboeta desse nome. Este, como sabemos, tem uma receita familiar restrita a muito poucas pessoas, um pouco ao estilo de juramento que os artesãos da Idade Média faziam. Já o Pastel de Nata tem variantes e graus de excelência país fora, mais ou menos folhado, consoante o fabricante.

Se o Ministro se referia ao Pastel de Belém, então cometeu um acto de apropriação pública de um artigo privado, já que este governo tanto defendem os direitos adquiridos dos privados empreendedores. Nesse caso foi incorrecto, pois não consultou os autores do mesmo nem sondou as suas perspectivas, quase que apoucando o grande sucesso que têm cá, sem precisar de exportar, com constantes fornadas a sair e a serem servidas. E, já que há que desenvolver também o Turismo, vejamos noutro prisma: se o turista americano ou japonês tivesse uma cadeia de pastéis de nata ao virar da esquina na sua cidadezinha, talvez pensasse duas vezes antes de gastar dinheiro a vir a Portugal e encontrar cá exactamente o mesmo que encontra em todo o lado. Mais depressa defenderia eu que levássemos uma boa cadeia de restaurantes de comida Portuguesa a fazer frente à hegemonia desenxabida e coberta a ketchup da comida dos MacDonalds, mundo fora! Para que aprendessem o que é comer bem e viessem cá experimentar ainda maior variedade. Acaso não sonhamos ver um rodeo texano a sério, escalar os Alpes a sério, comer comida mexicana... no México ,etc etc? Interessa exportar, é certo, mas também interessa importar turistas para virem apreciar aquilo que é único em Portugal... mas VINDO ELES cá!

Por outro lado, se se refere (como parece) ao Pastel de nata em geral, então é porque anda muito mal informado e assessorado e deu uma palestra no improviso total naquela conferência. Fique sabendo que há VÁRIAS empresas portuguesas que fabricam, congelam e exportam pastéis de nata (claro que não é o mesmo, mas..) há padarias de portugueses um pouco por todo o mundo que fabricam e divulgam com sucesso o pastel de nata, há poucos anos surgiu, inclusivé, em pleno centro de Londres um café que servia bicas à portuguesa e pastéis de nata que faziam furor, que se tornaram depressa na coqueluche das élites londrinas, incluindo a Madonna, que então aí residia.

Por isso, fique sabendo o ministro Álvaro que não descobriu a "pólvora" das exportações! Fica-lhe bem ser entusiasta e, como ministro, incentivar essas iniciativas, mas não lhe compete borbulhar de ideias fantásticas para os outros, se a forma de levar para a frente essas iniciativas não tiver políticas de apoio por parte do nosso governo! Faz lembrar o que acontecia , há muitos anos, em certos Conselhos Pedagógicos de Escola: um qualquer grupo (agora Departamento) disciplinar dava belas sugestões para outros executarem. Por exemplo, o grupo de Ciências sugeria para actividade de Escola que o grupo e Educação Visual fizesse uns cartazes etc e tal... Estão a ver a bronca e a reacção natural?

Eu bem sei que era uma palestra, por isso num belo estilo de desenvolvimento académico, mas escutar o nosso Alvarito foi mais penoso do que ver um aluno a improvisar um discurso, numa aula de debate e desenvolvimento de ideias (do estilo: "como é que eu faria para melhorar a reciclagem na minha escola?"). E também agasta um pouco quem ouve o estilo um pouco sobranceiro e quase em tom de censura (parece dizer: por que raio é que vocês estúpidos portugueses não se lembraram de uma coisa destas? Não há UM só que tenha feito isto! Se querem investimento externo mexam-se!- Ouçam e reparem no tom!!!). O que era importante era o ministro dizer de que forma tenciona dar apoios concretos, por exemplo de desburocratização, para que os portugueses possam concretizar essa e muitas mais ideias como essa, tanto para exportar, como para desenvolver as economia interna. A ele cabe pensar nessas medidas, a não ser que queira mudar a carreira para a de padeiro. Aos empresários portugueses é que cabe ... empreender!

De realçar ainda: os portugueses que conseguiram exportar produtos portugueses ou dar a provar as iguarias portuguesas lá fora fizeram-no por sua própria conta e risco. Pelo que deu a entender, o tal senhor do "Nando's" vive na África do Sul. Faz parte da economia desse país. Enriquece-se a si e aos países onde se implantou. Os churrasqueiros de Portugal, por seu lado, fazem a sua vida por cá e aguçam apetite dos portugueses que cá vivem. Antigamente havia as remessas dos emigrantes para Portugal, muitas vezes bem generosas, mas depois de algumas falcatruas às poupanças de anos dos pobres emigrantes (lembro por exemplo o triste caso da Caixa agrícola Açoriana onde gerentes desonestos deixaram sem nada uma série de emigrantes, sendo o caso, como costume, sido arquivado, ou algo semelhante...), os portugueses da diáspora passaram a guardar o seu dinheiro nos países de acolhimento e apenas a virem cá de férias. O ministro Álvaro tem alguma estratégia na manga para inverter essa situação? Para fazer com que invistam EM PORTUGAL o dinheiro que ganham no estrangeiro com os seus "Pastéis de Nata"?

Não concordo com o que fez Alexandre Soares dos Santos, do "J. Martins/Pingo Doce". Foi falta de solidariede para com os portugueses que não podem procurar noutros países da Europa condições melhores e menos "instáveis"para os seus investimentos. Caberia a A. S. Pereira imaginar leis para melhorar o que se passa, que, por exemplo obrigasse os bancos portugueses a ajudar as empresas portuguesas com... o dinheiro da Troika que foi emprestado para todos os portugueses!

Ideias de negócios temos todos,senhor ministro! Porém muitas delas têm de ficar em projecto, pois os entraves de impostos e de papelada são tantos que desanimam até muitos dos mais resistentes. E para exportar há que contar também com o proteccionismo dos países para onde queremos exportar. Mesmo sendo da UE, sabemos que quase todos eles os têm, encapotados de formas mil. Por isso faz mais sucesso o pastel fabricado e feito lá, do que instalar uma espécie de franchising do Pastel de Nata, como ASP sugeria, ou do pastel de bacalhau, ou do arroz de sarrabulho. Desde logo surgiriam os entraves por influência de outras cadeias, surgiriam os rumores de contra-informação: se dizem que os hamburgers da MacDonalds tinham minhocas e dedos humanos... os nossos amarelos e tostados pastéis de nata seriam acusados de conter o quê? E quantos malefícios à saúde fariam, para os fanáticos da macrobiótica? ... Não seria impossível, mas, como franchising... não passariam a ser produzidos pelos locais e a reverter para as economias locais? Será que nos dariam tantas facilidades nos EUA como eles têm cá? Já temos franchisings nacionais de lojas de sopa e de comida tradicional. Exportar isso seria assim tão linear?

Para já, o que temos conseguido "exportar" facilmente, porque infelizmente temos excedentes, é a clientela para tachos, como vimos agora com a "novela" dos cargos da EDP, onde até aos chineses forretas conseguimos impingir produtos de alto valor acrescentado , nas palavras de um deles (Catroga) equivalente a jogadores de futebol como o Cristiano Ronaldo. São produtos bem pagos, multidisciplinares como o canivete suíço, e com larga capacidade para acumularem muitos salários ao mesmo tempo. Temos portanto o MacCatroga, a MacCardona (soa até bem, não?), o Kentuky Fried Pinto, o Braga King de Macedo. Tudo bem acompanhado de molhos especiais Light ou Spicy.

Afinal ,talvez Álvaro Starbucks Pereira tenha razão! Pensando bem, bastará muita força de vontade, uma boa ideia dos nossos teóricos ou práticos que cá preferem encher os bolsos com trabalho quase escravo de uns(para depois investirem fora; não me refiro ao ministro Álvaro, mas a certos milionários trabalhadores da nossa pátria, que também exportam as suas sedes) e muitos ovos de galinhas... espanholas.

Em frente pela ideia inédita do Ministro Álvaro! Uma ideia que parecia "empastelada" mas... Se afinal até já conseguimos exportar... MagNatas, basta uma simples letra (e muita "letra" à moda do Álvaro) para exportarmos o ... MacNata! :))

Cadeia de franchising "MacNata"... "me aguarde"!

"Alergia" (12-1-2012, in Blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 8 de janeiro de 2012

Cartoons: frases e passos do Ano de 2011

                                ((c) Margarida Alegria, Janeiro de 2012)
Outro Cartoon, este sobre uma das frases polémicas do Ano de 2011. Pela boca do próprio Primeiro Ministro, PPCoelho, e que resume qual a sua filosofia (?) política ultra-neoliberal: que devemos empobrecer primeiro, para depois "renascermos das cinzas", como país, como a ave Fénix mitológica.
Resta saber se, depois de  PPC aconselhar a  empobrecer e a emigrar quem não quer empobrecer e definhar por cá,  restará alguém para aumentar a produção do país, como desejava o ministro Álvaro (pondo-o até como condição para voltar a aumentar o mísero salário mínimo que temos!).Se restará alguém, ou sequer os seus ossos para essa "resurreição" milagrosa.
Restarão talvez aqueles políticos que mais nada sabem fazer, bem como os tachistas, os boys e bóias... decerto que nada de criativo e produtivo pode sair desses "cérebros", normalmente de meninos amparadinhos e sem uma ideia para o bem de Portugal.
Depois não se queixem se, em vez dessa Fénix, brotar uma explosão social dessas cinzas, por aqueles que não tiverem mais nada a perder. Por vezes bem gostaria que acontecesse a estas "luminárias" insensíveis aquilo que acontece no romance "o Príncipe e o Pobre" de Mark Twain, onde essas personagens , "sósias", trocam de lugar, aprendendo o Príncipe o que era a vida e a miséria do seu povo. Só assim  veio a tornar-se um melhor governante. Era esse o milagre político que eu desejava para 2012(ao menos!), já que para rotativismos inconsequentes de quem se deixa mandar pelo exterior já temos que baste...
(há mais cartoons na calha. Entretanto, comentem estes aqui, reajam nas opções abaixo do post e votem na sondagem deste blogue,  na coluna ao lado direito. em cima)
Margarida Alegria (8-1-2012, in blog "Alegrias e  Alergias")

sábado, 19 de novembro de 2011

Políticos "em papas": para infantilizar ainda mais a nossa democracia?



Tivemos uma semana de debates sobre o Orçamento "troikano" para 2012, no Parlamento.

Porém, essses debates parecem ser cada vez menos relevantes,talvez porque tudo já está mais ou menos decidido para levar Portugal à total recessão, como confirmaram, nesta mesma semana, as Conferências de Imprensa do Ministro (sinistro) Gaspar e do trio de funcionários da "Troika" que cá vieram carimbar mais um cheque de empréstimo.

Estes senhores estrangeiros --o da segunda conferência, pois o da primeira não descobri ainda se é estrangeiro ou não, com a lendidão com que escolhe as palavras em Português e as soletra e ainda na forma colorida como cria neologismos (lembram-se do recente "conflituacional"?) --explicaram, por entre copos de água,que nos portáramos bem pois eramos um povo "bom"(menino) e que como prémio extra deveríamos empobrecer ainda mais até à escravidão. Não sabemos o que fizeram depois da conferência, se desta vezes foram a pé ou de carro, mas de certeza que receberam por seus turno os seus próprios cheques gordos e abalaram de avião, para os seus países bem comportados do Norte.

Posto isto, todos estes debates no Parlamento, com o enfraquecimento da Oposição sobretudo devido à pose suave-"violenta" do inseguro Seguro(qual prato nº 33 de galinha "agri-doce" de restaurante chinês), acabam apenas por servir de entretenimento, com forte colaboração e gáudio das edições e selecções feitas pelos OCSocial, contribuindo para o enriquecimento não do debate político mas do anedotário nacional.

Salientaram-se as gaffes insensíveis do "fim da crise " do Ministro Álvaro, o "só por cima do meu cadáver" do ministro Crato e, num final de semana em grande, a questão da fruta para bebés da ministra Cristas.

Poderia haver alguma razão de parte a parte no debate, mas a forma como foi destacado o caso, não ficando nós a saber quais as medidas de fundo para reabilitar a nossa agricultura, só por exemplo, levam a crer que a indigência da política nacional já está a raiar, senão um "grau-zero" do ridículo, pelo menos um "grau-lactente" da relevância.

E mais, a questão do IVA a 23% que englobava também os problemas mais graves da restauração e da Cultura, ficou quase literalmente, abafada por PAPAS!

Assim, o deputado Tó Zé Seguro defendia que os boiões de papas de fruta para bebé não deveriam ver a taxa de IVA aumentada para os 23%, ao que a ministra Sãozinha Cristas retorquiu que em épocas de crise era bem mais saudável voltar a dar fruta natural às crianças, fruta taxada a 6%. Agora parece que o Tó Zé volta a insistir no não elevar do IVA das papas (ler:SEGURO DEFENDE MANUTENÇÃO DO IVA NA RESTAURAÇÃO ALIMENTAÇÃO PARA BEBÉS E CULTURA, in Público) e ficamos com a cabeça quase "em papas" só para saber como vai continuar a saga, e se vão ou não chamar uma equipa da Nestum e da Cérelac para escreverem um parecer, ou, à falta desses especialistas, uma equipa liderada por , sei lá, João Duque, pois até já deve ter tido filhos pequenos.

Foi sem dúvida o momento mais emocionante (bem, àparte aquele em que o ME disse que só por cima do seu cadáver aboliria a História e a Geografia das escolas-- hum, realmente, se morresse não poderia tomar depois essa medida... ah, mas punham lá outro não é? E um que não se importasse de ser iconoclasta e de profanar sepulturas! hug...Drácula a futuro ME?!), ver os jovens Tó Zé e Cristas em debate! O primeiro a arremessar à segunda um boião de papa, em gesto eloquente de "abstenção violenta" e a segunda a contra-atacar com uma maçã Golden reluzente.... talvez com a ajuda , ao estilo funda de David, de uma das gravatas que mandou retirar do seu Ministério! Não sei. Não vi o debate, mas deve ter sido exuberante.

Agora a sério: isto foi para infantilizar ainda mais a política portuguesa?

"Alergia" (19-11-2011)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Passes de transportes: primeiro velhos e crianças?

(O texto não é curto, mas acho que vale a visita, vá lá. não sejam preguiçosos, esqueçam os programas dos gordos na TV!)Todos os dias continuam a sair notícias de pasmar e revoltar, sobre as medidas "iluminadas" de governação, supostamente tomadas para arrecadar mais uns tostões para satisfazer a querida Troika e levá-la a dar uma festa na cabeça dos nossos ministrinhos por serem tão bons "alunos", como outrora Cavaco Silva nos tornou os "bons alunos" a desmantelar a nossa já modesta Economia.


São tantas e tantas as notícias , a fazer tal comichão e a provocar tanta tosse e espirros, que o difícil é o seleccionar as mais substanciais para comentar (sim,que a nós não nos pagam os posts ,como pagam a presença de comentadores e de comediantes na TV ... e há bem mais que fazer!). Enfim, a que mais me arrepios tem dado, sem dúvida foi esta, já com meia dúzia de dias: a de que vão terminar os descontos nos passes de estudantes e de idosos, a partir de Janeiro de 2012.





Então passemos à minha análise de não "especialista" em Economia, mas com algum traquejo de observação da vida e das pessoas:

- O objectivo é levar os portugueses a poupar mais?! Como, se até os "escapes" para poupança lhes são assim roubados? Ou não vai haver muito menos depósitos a prazo e poupanças, ao fazer os cidadãos gastar mais em transportes, ora usando carro próprio com gasolina de preço escandaloso, ora não tendo a vantagem de transportes públicos mais assessíveis e alternativos?

Não parece ter lógica, pois não? Isto desincentiva completamente o uso do transporte público(TP), que tinha voltado a aumentar nos últimos anos (metro, comboio, autocarro). Assim, entre o desconforto e falta de privacidade destes e o igualmente caro automóvel, muitos voltarão a tirar o último da garagem. Quem ganha? Apenas as gasolineiras. Mas como estratégia nacional é péssima ideia, pois o que o Estado poupa nisto vai gastar em compensações de cotas de emissões de CO2, para cumprir o Protocolo de Quioto.

- Bem. Segunda hipótese. O Governo considera que quem usa o "passe social" (bem, deixa de poder ter esse nome não é? a não ser pelo saudosismo) vai continuar a usar e portanto são mais uns euritos em caixa das empresas/do Estado, pois afinal esses malandrões todos andavam a passear à "pala" do generoso desconto concedido e até explicam que futuramente vão estudar que as pessoas venham a ter desconto de acordo com as possibilidades económicas e não todos por igual, os "malandros" dos velhotes e da malta nova, ora essa!

Perante isso eu ia retorquir : para que servem afinal os impostos? Não são esses já escalonados e precisamente para que algumas coisas sejam dadas a quem tem menos, mas que outras possam ser USUFRUÍDAS POR IGUAL? Ou agora irão cobrar mais taxas extra, de "utilizador-pagador" a quem frequenta jardins ou praias (ai que estou a dar ideias), com uma taxa extra-extra para os velhotes que lá vão dar milho aos pombos?! Não me venham com esta que tudo o que apreciamos na vida e a que temos direito tem de estar sempre na mesma proporção do nosso grau de riqueza financeira, pois, além disso, tanto pesa o mesmo e gasta o mesmo combustível num autocarro um velhinho pobre como um rico.
Mas ocorre-me acrescentar também: acaso acham que a idade é apenas "um posto", que os idosos no mundo e no nosso país em concreto têm uma vida maravilhosa, com belas reformas e cheios de saúde? Não merecem algumas benesses que os impeçam de ficar fechados em casa, já que andar em "charters" turísticos no Brasil já não é acessível?

Estava eu nestas cogitações, quando afinal me lembrei(um balãozinho ondulante de pensamento ao som de harpa, por favor!...) : aquela velhinha que subiu com tanta dificuldade naquele autocarro, afinal é uma Paris Hilton das nossas bandas e com mais rugas e menos silicone, que , por extravagância milionária se delicia em andar nos transportes para ABUSAR do seu passe, deleitada com os encontrões das travagens (que ela deve achar muito excitantes! cof cof...), consolada quando alguém mais jovem não lhe cede o lugar, ou quando é vítima de carteiristas (o que lhe deve proporcionar assunto de conversa para toda a semana, no seu clube de Bridge, junto das outras velhas excêntricas e oportunistas...).
E ainda me recordei das imagens de idosos que já vi em transpostes públicos: aquele casal de idade que o que quer é arruinar o País e não fazer sacrifícios pelo BPN e pelos especuladores, fingindo que apanha o metro para ir à única clínica médica onde ainda há acordo com a ADSE, esse oportunismo descarado dos Funcionários públicos, que descaradamente descontam uma boa fatia do seus salários para esse sistema! E pergunto-me que o velhinho composto, de olhos tristes e corcunda afinal não é mais que o "Ebeneeezer Scrooge" português, que anda nos Transportes por puro oportunismo, pois se calhar tem nas gavetas montes de acções (falidas) da antiga Torralta, uma colecção de velhas moedas e dizem-que- é-mas-é-um- milionário-mas-depravado pois adora andar nos TP, de preferência em horas de ponta, para sentir o doce odor-corporal e a gente, e depois voltar com essa recordação para o seu palácio com o seu mordomo Jarbas, onde depois saboreia um Porto e recorda deleitado os palavrões que escutou e as pisadelas que levou, até que lhe apareçam , como costume(ó, tédio!) os malditos Fantasmas dos Natais passados e dos Natais Futuros, a azucrinar-lhe a paciência!

E quanto aos jovens,já agora. Certamente são todos FALSOS estudantes e andam em transportes públicos, só porque é fixe e está na moda, só para enganar! Ai! Mas o ministro Álvaro e "sus muchachos" apanharam-nos! Ora tomem lá ficar sem descontos, "prontos"! Saiam da sua "ZONA de CONFORTO"!!! Toca a ir para a Escola de boleia com o papá, como fazem os meninos bem comportados (ai não têm carro? ... hum...os pais não têm trabalho? hã... ai não têm pai?... hum, bem, mas o Ministro diz que logo logo, já para o ano, a Economia e a crise começam a acabar... Ou é a crise que acaba... hã.. ou é a Economia...que recomeça... Ora, verifiquem os "indicadores" tá bem?! Quais indicadores? Hã... olhem , o meu - desta mão- RUA! para fora deste parêntesis, que já estão a pensar demais!!!)


- Por fim a última hipótese: a da Saúde. Não poupando nada, antes pelo contrário com esta medida, o Ministro Álvaro pretende abarcar sob a alçada do seu super-ministério... o Ministério da Saúde. Sim deve ser isso. É dois em um: os jovens passam a andar mais a pé, os velhinhos nem saem de casa e não se constipam e assim, saudáveis e quase "arianos", como agradará à lady Merkel, irão menos aos hospitais( a não ser se vítimas de atropelamentos, ou de facadas de assaltos, coisa pouca... da juventude...). Fica todo o Portugal contente. Pelo menos o "Poortugal", como já nos chamam por aí.


Vou dar uma sugestão, para os velhinhos avarentos mais enérgicos: pratiquem skate ou patinagem e poderão prescindir facilmente dos TP.


AGORA A SÉRIO (de novo): não sabe o governo, com tanto grupo de estudos de honorários milionários a avaliar as situações:


a) que os TP, tal como a Saúde e a Educação não foram criados para dar lucro;

b)que os maiores prejuízos nas empresas Públicas de transportes têm derivado da sua má gestão, até danosa, com estratégias sem nexo e gastos sumptuários nas administrações (frotas de luxo, etc, para os seus quadros-- extensos demais, enquanto cortam nos motoristas e mecânicos), que não se aplica simplesmente o ónus dos gastos nos bilhetes, pois por isso foram um investimento... PÚBLICO?
c) que nas zonas de interior, muitas empresas e carreiras de autocarros só existem durante o período Escolar, o que os outros habitantes aproveitam para usar, satisfeitos;mas que o fim destes descontos irá acabar com muitas destas carreiras, isolar mais estes jovens e também os habitantes de muitas aldeias? E sabiam ainda que esses jovens só podem usar esses autocarros "dentro" do seu horário oficial de estudantes, o que muito dificulta todo e qualquer tentativa dos mesmos em ir à escola para actividades extra-curriculares?

d) que mesmo os que optarem por ir para a Escola a pé, como faziam os nossos antepassados nos tempos da Guerra Mundial e do salazarismo, chegarão ao mesmo encharcados pelas chuvas, têm de ficar nela TODO O DIA e... isso não será uma boa medida preventiva de saúde (além de tudo o mais que já explanei)

Verificamos portanto, que as paragens de autocarro passarão, cada vez mais, a ser uns "monos" de mobiliário urbano a convidar ao vandalismo, locais ermos, cheios de publicidade e pouco préstimo, pois quem primeiro deveria cuidar da CAUSA PÚBLICA é o primeiro a dar-nos um "chuto" no traseiro e dizer: MALANDRO! A querer usar Transportes públicos? Arreda, seu DESPESISTA!

"Alergia" (16-11-2011)