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segunda-feira, 12 de março de 2012

B-D: NUM deiCHam U Varito faJer nada! (regresso da série Jejé e Companhia...)

(c) Margarida Alegria (12-3-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
PRONTO! Eis aqui o Cartoon tão anunciado, já há uns dias na verdade...
Antecipo com ele o aguardado regresso da Série "Jejé e Companhia", agora evidentemente centrado no "Clube do Pepê", seu amiguito de brincadeiras nacionais, embora o Jejé, que dizem estar num colégio semi-interno parisiense, ainda possa vir a fazer algumas reaparições e estragos (este dos cartoons, pois o "modelo" esperemos que não!).
Relembro aos mais distraídos que o blog já tem uma página das primeiras aventuras da série (uma separata, digamos). Basta ver no cimo do blog, depois do cabeçalho: há uma barra com o nome de páginas independentes e uma delas, à direita, é a do "Jejé e Companhia". A página ainda está incompleta e em construção, mas já dá para conhecer ou reconhecer a pequenada!
Neste cartoon  de hoje surgem uns novos miúdos , o Varito e o Vitinho... ah sim, e o Migas! Como poderia esquecer! Seria inevitável!
Mas o Varito é o centro desta  prancha  de B-d. Espero que apreciem, pois deu mesmo uma trabalheira e pude fazer acabamentos com uma tecnologia melhor à mão.
A Alergia já dissertou neste blog sobre as desventuras do ministro Álvaro, em três dos posts mais populares: 
Com a sua originalidade de governante deixada para a posteridade em um cartoon ("Ideias em Movimento") já dei  o meu contributo para "homenagear" o pobre Álvaro . Mas era o Álvaro adulto e o restantes desgovernantes também adultos. Com esta versão de  crianças, tendo em conta o estilo que andam a adoptar, talvez o retrato seja mais justo.
Tenho a ressalvar que até tenho certa simpatia, vá lá , certo carinho maternal até pelo nosso Álvaro, pese embora as críticas que aqui se fazem ao seu estilo. Perante o tom sinistro e de jovens avelhados dos outros, o Álvaro é até uma lufada de ar fresco. Pela sua  quase enternecedora ingenuidade, pelo tom entusiasta e bonacheirão em mangas de camisa, pelo desconhecimento que demonstra do país real, mas apesar disso, tal como tantos emigrantes, com mais amor pelo país do que outros seus colegas, que só querem obedecer cegamente à Troika.
O único crime maior do ministro Álvaro é ter sido como Ícaro e não ter medido as consequências de voar alto demais, não vendo sequer como não seria possível juntar num só ministério TANTAS pastas! Não impôs as suas condições ao Primeiro Ministro, que assim o lançou às feras, foi vaidoso ao ponto de achar que podia dar conta de tão gigantesco recado... e agora parece tarde demais para bater o pé. Falam por aí que o vão "empontar" para embaixador da OCDE, não sei. Se sim, até teremos saudades. Para já temos a demissão do seu secretário de Estado da Energia (LEIAM AQUI).
Vejam AQUI as notícias que há uma semana originaram toda a agitação governamental, caso não as conheçam ainda.
Em homenagem ao Álvaro, a quem tantos poderes têm vindo a ser retirados de forma traiçoeira, em vez de simplesmente remodelarem tudo e voltar a separar os Ministérios do seu Super-Ministério, aqui fica portanto uma versão do que poderia ter  acontecido quando menino, com as grandes marotices do Pepê , do Vitinho e dos outros, pois afinal as pessoas crescem mas no fundo não mudam muito, pois não?
Divirtam-se um pouco... é o que nos vai restando...
Margarida Alegria (12-3-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O padeiro da minha rua e as empresas públicas de transportes

Todos falam em crise. E da austeridade que devemos ter, dos sacrifícios que devemos fazer e blablá. Muitos (mas nem todos) sofrem a crise. O comércio de produtos que não os de luxo é um dos que mais está a sofrer com a crise , em Portugal.
O padeiro da minha rua , nos últimos anos, tem visto o preço da farinha subir em flecha. O padeiro da minha rua há vários anos que não aumenta o preço do pão, para manter a clientela, ao não reverter o preço da farinha no preço do pão.
O padeiro da minha rua, viu agora a percentagem do IVA dos bens essenciais aumentar muito. O padeiro da minha rua, mesmo assim, procura não reflectir ese prejuizo no preço final da sua produção. Não quer perder clientela, que sabe estar sujeita também à crise e às dificuldades.
O padeiro da minha rua , desde que a crise se começou a sentir no País, tem visto  diminuir a afluência de clientes à hora do pequeno-almoço, à hora do lanche e até à hora do cafezinho após o almoço. Em compensação, o padeiro da minha rua fornece artigos para almoços ligeiros, que leva os clientes a tomarem algumas refeições na padaria.
O padeiro da minha rua conhece boa parte dos clientes pelo nome, acolhe-os com um sorriso e simpatia, adivinha-lhes os gostos e por vezes faz sugestão de novos produtos.
O padeiro da minha rua poderia ter diminuido drasticamente a produção de pão e outros artigos, a pretexto da quebra de vendas e da Crise. Em vez disso, o padeiro da minha rua procura inventar novos produtos (novas variedades de pão, de bolos, pastéis, sandes...) que agradem aos clientes e correspondam às suas necessidades.Reaproveita pão que sobra mais seco e faz torradas especiais que vende de manhã em pequenos almoços muito mais baratos para que os clientes mais carenciados, tantas vezes idosos e de magras reformas, possam continuar a dar o seu "arejo" de café e de convívio com vizinhos. .
Na padaria da minha rua, todos os funcionários são extremamente simpáticos e rápidos a servir, fazendo valer bem o lema de que um cliente satisfeito é um cliente que regressa e que  "o cliente tem sempre razão". Se alguém se queixa de algo com fundamento, é o primeiro a reconhecer que o produto não agradou e a tentar compensar o deslize.
O padeiro da minha rua consegue manter os funcionários e quando tem dificuldade em arranjar padeiros para os fornos ele mesmo mete mãos à obra, querendo experimentar o fabrico de novos produtos para testar a sua qualidade e dificuldade. Uns são patrões, outros são funcionários, mas o padeiro da minha rua consegue criar o espírito de equipa necessário para que todos sintam incentivo em manter a padaria em funcionamento, como se a crise pudesse passar ao largo. Quando a sala se enche, qualquer uma das funcionárias que servem às mesas ficam visivelmente satisfeitas pela afluência, dizendo "tomara todos os dias!". Os clientes, satisfeitos, quase todos pessoas remediadas, tentam dar-lhes umas gorjetas de vez em quando e até não se importam de partilhar a mesa quando a sala está cheia e vem uma senhora comos netos  e que se arriscaria a esperar algum tempo!
Que relação tem o padeiro da minha rua, com as empresas de transportes públicos do título?
Pois bem, para além de também sofrer a crise, dá para perceber que o padeiro da minha a rua sabe ver que a maneira de ultrapassar a dita crise não é  simplesmente cortar ou reduzir, mas enfrentar o problema com criatividade  e trabalho! Poderia limitar-se a aumentar os preços, reduzir todos os produtos apenas às carcaças e cafés, mas tem a inteligência e o talento de (VERDADEIRO) bom gestor que, em vez de se fechar num gabinete a produzir gráficos e estudos, mete literalmente a "mão na massa" para ultrapassar as dificuldades. Poderia limitar os seus horário de atendimento, podendo despedir pessoal e ter menos encargos, porém sabe que quer manter o interesse no que vende, marcar diferença e não espantar a clientela para outras paragens que apresentem maior e mais variada oferta.
Pronto, já devem estar a entender o paralelismo. Tudo o que o padeiro da minha rua  tem feito para superar a crise (NOTA: mesmo nem sempre tendo pastéis de nata à venda!) é o oposto do que os toscos (não merecem outro epíteto não acham?) dos administradores das empresas de transportes públicos têm feito, com a  tosca desculpa da crise e da subida de preço dos combustíveis. Tanto CP (Comboios portugueses), como Carris, STCP, Metro de Lisboa e do Porto, têm vindo a obedecer aos conselhos "liquidatários" de uns outros toscos, de uns ditos "grupos de trabalho" (certamente pagos a peso de ouro...). Assim, em vez de procurarem diversificar a oferta e atrair novos utentes, tudo têm feito para os afastar e concluirem que, gastar por gastar, mais vale viajar de automóvel e sair à porta do trabalho...
A CP encerra linhas, acaba com muitos horários de comboios, encerra estações (algumas belíssimas!) e apeadeiros, destrói linhas históricas e turísticas (muitas já do tempo do rei D. Pedro V, um  homem de visão, que as inaugurou), vende  à sucata carris e comboios, só não conseguiu pôr a patacos e exportar comboios antigos( para museus lá fora), autênticas relíquias históricas, porque, ironicamente, uma associação internacional de trabalhadores ferroviários lembrou que fazer isso  sem avisar o Estado era proibido na U.E.!
 Muitas terras de interior ficaram sem comboios, para mais em locais onde nem alternativa rodoviária existe. Há poucas  ou nenhumas carreiras, em horários absurdos, quanto muito. Lembremos que a Rodoviária Nacional foi extinta há poucos anos, deixando grande vazio de concorrência. Depois diz o nosso PR para regressarmos ao meio rural? No comboio " Intercidades", ainda há pouco, acabou o serviço de bar (algo de básico para viagens de longo curso!), tudo porque a empresa concessionária acabou seu contrato e mais ninguém parecia interessado, devido às regras apertadas da ASAE...E não sairia mais económico à CP ter o seu próprio serviço de bar(como devia ter em tempos...) , já que é um direito  mínimo dos  seus utentes? Esta mania de fazer contratos externos por tudo e por nada não tem levado muitas empresas a melhor serviço ou sequer a poupar mais. E aquela de privatizar o que dá lucro, caso da parte que foi desmembrada da CP e transformada em outra empresa, a dos transportes de mercadorias
Nas cidades, os transportes públicos estão a seguir o mesmo caminho: diminuem os horários,  os autocarros alteram os percursos de forma estúpida que não agradam aos interesses dos utentes, queriam até acabar com transportes após a meia-noite, quando há muita gente que regressa do trabalho ou dos grandes Centros depois dessa hora. Pode parecer uma medida ao estilo da  fada madrinha da Gata Borralheira, para fazer os meninos e meninas regressarem cedinho a casa para  não perderem o sapatinho e depois "moirarem" cedo no trabalho do dia seguinte. Mas seria também uma medida para fechar os centros aos cidadãos que vivem nos subúrbios, mais uma maneira espúria de  afastar  esses Borralheiros dos centros de decisão e também dos centros de... protesto futuro.
Queixam-se que têm prejuízo, no entanto ,quando apresentam as contas, vemos é que têm... escasso lucro, o que é diferente. E vemos também que o que faz gastar mais a essas empresas, o que realmente lhes introduz prejuizo, é a multiplicação de administradores bem pagos (no lugar da meia-dúzia que bastaria), com frota automóvel de luxo e outras mordomias--- e não os mecânicos, guarda-freios, motoristas que despedem. sobrecarregando horários de outros. Nem tão pouco é a menor afluência de utentes em certos horários (que se compensam com as horas de ponta) e certas linhas, mas a má gestão de recursos, a falta de criatividade, a cada vez mais diminuta  oferta que afasta tanto utente.
Agora sobem os preços dos bilhetes em flecha, acabam ou reduzem de forma violenta os passes sociais (ASSUNTO Já debatido AQUI), tiram todo e qualquer incentivo a viajar em transportes públicos, vão perder os utentes idosos e os estudantes, vão contribuir para o esvaziamento e vida das ruas e até do comércio que resta, devido a essas subidas proibitivas...com se alguma vez os preços dos passes possam cobrir as subidas constantes dos combustíveis.
 Em suma, riscam do seu vocabulário a expressão "TRANSPORTE PÚBLICO". esquecendo que este não é feito para dar lucro, como  o negócio particular mas tantas vezes mais "público" do padeiro da minha rua, mas para dar alternativas sensatas para a deslocação dos cidadãos que pagam impostos, compensando também aqueles que não os podem pagar. Os transportes, a par da Saúde e da Educação básica, é um dos serviços de Bem comum que deveriam ser conservados e incentivados , a bem da mobilidade e da tão adorada Economia.
 Se os cidadãos tiverem melhores e mais eficientes transportes, as localidades, grandes ou pequenas, manter-se-ão vivas e a economia não será uma palavra estática. Mass esses génios, esses "cérebros" não conseguem ter essa visão. Ou então até vêem mas faz parte do plano geral de levar as empresas à desgraça para depois serem recapitalizadas publicamente e "salvas" por privatizações de embuste...Porém essa é a perspectiva mais pessimista das intenções dessas sumidades dos grupos de "trabalho". Por mim dou-lhes o beneficio da dúvida de agirem assim por mera estupidez...
E depois devem querer o milagre do aumento de afluência quando se limitam a, para compensar tanto CORTE, fazer belos cartazes e anúncios de rádio a dizer "Viaje de comboio. Poupa tempo ...e bláblá"...! Poderiam bem poupar em publicidade, se , como o padeiro da minha rua, tivessem amor e criatividade no negócio que gerem, não buscando o prejuízo, mas lembrando-se que estão a prestar um serviço e que o cliente, rico, pobre ou remediado, deve ser prioritário.
Bem... e se querem saber onde fica a Padaria (bem real!) da minha rua--- pois  não digo.
 É um segredo bom que toda a  vizinhança prefere guardar! :))
Margarida Alegria (10-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O MacNata

(Declaro publicamente que este, na imagem, é um pastel de nata comum e não a receita exclusiva do Pastel de Belém lisboeta)

O castiço Ministro Álvaro, de Economia e outras coisas mais, que aqui no blogue foi tema de um dos meus primeiros posts (VER AQUI) voltou à sua fase de rosto sorridente e cabeça a fervilhar de ideias, digamos, originais. Andava o senhor tão sossegadito, quando resolveu voltar a fazer aquilo em que era especialista, antes de tentar governar várias pastas ministeriais.Dar palpites e palestras.

Na conferência "Made in Portugal" , promovida pelo Diário de Notícias, fez uma longa dissertação sobre as qualidades e também os dramas existenciais do nosso ainda tão ignorado produto português que dá pelo nome de Pastel de Nata.

Ler e escutar em directo este longo discurso empastelado (mas sem toques de canela):
"Santos Pereira: porque é que não conseguimos exportar o pastel de nata?"
(Jornal de negócios)
E a ideia básica? O Ministro Álvaro conta a história comovente e de abrir o apetite de como ,na África do Sul ,um empreendedor português conseguiu criar uma cadeia dos seus frangos de churrasco (diz o ministro que é um produto "português" -???), a cadeia "Nando's". Um pouco ao estilo, explica também Santos Pereira, como a cadeia McDonalds com o "hamburguer". de seguida parece assegurar a pés juntos que nunca nenhum português conseguiu exportar dessa forma o nosso excelente Pastel de Nata!

Deixarei de lado a explicação básica ao ministro de como se diferencia um pastel de um frango com piri-piri ou de um plastificado cheeseburger (perguntava ASP o que tinha de diferente um pastel de nata desses dois outros alimentos.Só se nunca provou nenhum deles).

Posto isto, as palavras de ASP soam logo como um equívoco, por quem esteja mais atento ao que se passa no Mundo. O Ministro Álvaro parece não só ter descido ontem do avião, vindo de longos anos no Canadá, como parece ter vivido de forma eremítica na Universidade de Vancouver, sem acesso às notícias de Portugal, apesar de escrever longos livros sobre este seu país.Talvez seja como criar mundos míticos nas obras de ficção científica ou New-Age...

Antes de mais, parece fazer uma confusão entre o mais geral Pastel de Nata, produzido em quase tudo que é padaria ou pastelaria em Portugal, e o mais exclusivo "Pastel de Belém", de receita secreta e existente apenas na famosa pastelaria da zona lisboeta desse nome. Este, como sabemos, tem uma receita familiar restrita a muito poucas pessoas, um pouco ao estilo de juramento que os artesãos da Idade Média faziam. Já o Pastel de Nata tem variantes e graus de excelência país fora, mais ou menos folhado, consoante o fabricante.

Se o Ministro se referia ao Pastel de Belém, então cometeu um acto de apropriação pública de um artigo privado, já que este governo tanto defendem os direitos adquiridos dos privados empreendedores. Nesse caso foi incorrecto, pois não consultou os autores do mesmo nem sondou as suas perspectivas, quase que apoucando o grande sucesso que têm cá, sem precisar de exportar, com constantes fornadas a sair e a serem servidas. E, já que há que desenvolver também o Turismo, vejamos noutro prisma: se o turista americano ou japonês tivesse uma cadeia de pastéis de nata ao virar da esquina na sua cidadezinha, talvez pensasse duas vezes antes de gastar dinheiro a vir a Portugal e encontrar cá exactamente o mesmo que encontra em todo o lado. Mais depressa defenderia eu que levássemos uma boa cadeia de restaurantes de comida Portuguesa a fazer frente à hegemonia desenxabida e coberta a ketchup da comida dos MacDonalds, mundo fora! Para que aprendessem o que é comer bem e viessem cá experimentar ainda maior variedade. Acaso não sonhamos ver um rodeo texano a sério, escalar os Alpes a sério, comer comida mexicana... no México ,etc etc? Interessa exportar, é certo, mas também interessa importar turistas para virem apreciar aquilo que é único em Portugal... mas VINDO ELES cá!

Por outro lado, se se refere (como parece) ao Pastel de nata em geral, então é porque anda muito mal informado e assessorado e deu uma palestra no improviso total naquela conferência. Fique sabendo que há VÁRIAS empresas portuguesas que fabricam, congelam e exportam pastéis de nata (claro que não é o mesmo, mas..) há padarias de portugueses um pouco por todo o mundo que fabricam e divulgam com sucesso o pastel de nata, há poucos anos surgiu, inclusivé, em pleno centro de Londres um café que servia bicas à portuguesa e pastéis de nata que faziam furor, que se tornaram depressa na coqueluche das élites londrinas, incluindo a Madonna, que então aí residia.

Por isso, fique sabendo o ministro Álvaro que não descobriu a "pólvora" das exportações! Fica-lhe bem ser entusiasta e, como ministro, incentivar essas iniciativas, mas não lhe compete borbulhar de ideias fantásticas para os outros, se a forma de levar para a frente essas iniciativas não tiver políticas de apoio por parte do nosso governo! Faz lembrar o que acontecia , há muitos anos, em certos Conselhos Pedagógicos de Escola: um qualquer grupo (agora Departamento) disciplinar dava belas sugestões para outros executarem. Por exemplo, o grupo de Ciências sugeria para actividade de Escola que o grupo e Educação Visual fizesse uns cartazes etc e tal... Estão a ver a bronca e a reacção natural?

Eu bem sei que era uma palestra, por isso num belo estilo de desenvolvimento académico, mas escutar o nosso Alvarito foi mais penoso do que ver um aluno a improvisar um discurso, numa aula de debate e desenvolvimento de ideias (do estilo: "como é que eu faria para melhorar a reciclagem na minha escola?"). E também agasta um pouco quem ouve o estilo um pouco sobranceiro e quase em tom de censura (parece dizer: por que raio é que vocês estúpidos portugueses não se lembraram de uma coisa destas? Não há UM só que tenha feito isto! Se querem investimento externo mexam-se!- Ouçam e reparem no tom!!!). O que era importante era o ministro dizer de que forma tenciona dar apoios concretos, por exemplo de desburocratização, para que os portugueses possam concretizar essa e muitas mais ideias como essa, tanto para exportar, como para desenvolver as economia interna. A ele cabe pensar nessas medidas, a não ser que queira mudar a carreira para a de padeiro. Aos empresários portugueses é que cabe ... empreender!

De realçar ainda: os portugueses que conseguiram exportar produtos portugueses ou dar a provar as iguarias portuguesas lá fora fizeram-no por sua própria conta e risco. Pelo que deu a entender, o tal senhor do "Nando's" vive na África do Sul. Faz parte da economia desse país. Enriquece-se a si e aos países onde se implantou. Os churrasqueiros de Portugal, por seu lado, fazem a sua vida por e aguçam apetite dos portugueses que cá vivem. Antigamente havia as remessas dos emigrantes para Portugal, muitas vezes bem generosas, mas depois de algumas falcatruas às poupanças de anos dos pobres emigrantes (lembro por exemplo o triste caso da Caixa agrícola Açoriana onde gerentes desonestos deixaram sem nada uma série de emigrantes, sendo o caso, como costume, sido arquivado, ou algo semelhante...), os portugueses da diáspora passaram a guardar o seu dinheiro nos países de acolhimento e apenas a virem cá de férias. O ministro Álvaro tem alguma estratégia na manga para inverter essa situação? Para fazer com que invistam EM PORTUGAL o dinheiro que ganham no estrangeiro com os seus "Pastéis de Nata"?

Não concordo com o que fez Alexandre Soares dos Santos, do "J. Martins/Pingo Doce". Foi falta de solidariede para com os portugueses que não podem procurar noutros países da Europa condições melhores e menos "instáveis"para os seus investimentos. Caberia a A. S. Pereira imaginar leis para melhorar o que se passa, que, por exemplo obrigasse os bancos portugueses a ajudar as empresas portuguesas com... o dinheiro da Troika que foi emprestado para todos os portugueses!

Ideias de negócios temos todos,senhor ministro! Porém muitas delas têm de ficar em projecto, pois os entraves de impostos e de papelada são tantos que desanimam até muitos dos mais resistentes. E para exportar há que contar também com o proteccionismo dos países para onde queremos exportar. Mesmo sendo da UE, sabemos que quase todos eles os têm, encapotados de formas mil. Por isso faz mais sucesso o pastel fabricado e feito lá, do que instalar uma espécie de franchising do Pastel de Nata, como ASP sugeria, ou do pastel de bacalhau, ou do arroz de sarrabulho. Desde logo surgiriam os entraves por influência de outras cadeias, surgiriam os rumores de contra-informação: se dizem que os hamburgers da MacDonalds tinham minhocas e dedos humanos... os nossos amarelos e tostados pastéis de nata seriam acusados de conter o quê? E quantos malefícios à saúde fariam, para os fanáticos da macrobiótica? ... Não seria impossível, mas, como franchising... não passariam a ser produzidos pelos locais e a reverter para as economias locais? Será que nos dariam tantas facilidades nos EUA como eles têm cá? Já temos franchisings nacionais de lojas de sopa e de comida tradicional. Exportar isso seria assim tão linear?

Para já, o que temos conseguido "exportar" facilmente, porque infelizmente temos excedentes, é a clientela para tachos, como vimos agora com a "novela" dos cargos da EDP, onde até aos chineses forretas conseguimos impingir produtos de alto valor acrescentado , nas palavras de um deles (Catroga) equivalente a jogadores de futebol como o Cristiano Ronaldo. São produtos bem pagos, multidisciplinares como o canivete suíço, e com larga capacidade para acumularem muitos salários ao mesmo tempo. Temos portanto o MacCatroga, a MacCardona (soa até bem, não?), o Kentuky Fried Pinto, o Braga King de Macedo. Tudo bem acompanhado de molhos especiais Light ou Spicy.

Afinal ,talvez Álvaro Starbucks Pereira tenha razão! Pensando bem, bastará muita força de vontade, uma boa ideia dos nossos teóricos ou práticos que cá preferem encher os bolsos com trabalho quase escravo de uns(para depois investirem fora; não me refiro ao ministro Álvaro, mas a certos milionários trabalhadores da nossa pátria, que também exportam as suas sedes) e muitos ovos de galinhas... espanholas.

Em frente pela ideia inédita do Ministro Álvaro! Uma ideia que parecia "empastelada" mas... Se afinal até já conseguimos exportar... MagNatas, basta uma simples letra (e muita "letra" à moda do Álvaro) para exportarmos o ... MacNata! :))

Cadeia de franchising "MacNata"... "me aguarde"!

"Alergia" (12-1-2012, in Blog "Alegrias e Alergias")