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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Tomem lá, para não dizerem que não se assinalou a data: Invention of Love (2010)


("Invention o f Love", 2010. Animated short film. Autor: Andrey Shushkov)
O dia de S. Valentim e só mais uma data comercial como outra qualquer, tocando na "tecla" da  sensibilidade  humana ao  valor supremo do Amor , para promover mais algum consumo. Mas fica este filminho para quem gosta da   arte  da Animação. Valha-nos a Arte, a iluminar  este mundo obscurecido....
E louvem o Amor ,todo o amor , mas... todos  os dias, está bem? Sem data marcada. A Humanidade agradece.
"Alergia" (14-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

A Alegria volta dentro de momentos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Amigas que jamais desiludem! :)

( gatos- cartaz "clássico" de T. A. Steinlen)
QUE DIZER NESTE DIA?
Que é dia de Santo António, o casamenteiro e do sermão aos peixes, cansado de tentar em vão ensinar o que é importante a pessoas obtusas que não o queriam escutar? Bem fez em dirigir-se aos peixes, que mesmo que misteriosos, no seu deslizar prateado pelas águas e olhos inexpressivos, conseguem certamente ter mais sangue quente do que tantos " humanóides" que por aí andam disfarçados de gente de coração...
Vou dizer que é o dia  em que finalmente Portugal conseguiu vencer num jogo da fase final do Euro? Foi o santo lisboeta a deitar  água benta aos jogadores?
Não. Vou dizer que é o dia de duas amigas minhas que nunca me desiludem, apesar de algumas arranhadelas (mas sempre aos móveis).
Perdoem as minhas outras amigas, mas este dia é delas. Que me ensinaram a ser mais paciente, que me demonstraram o quão digno é um gato, que dá fidelidade e carinho mas que quer igual respeito. Quem diz que os gatos são traiçoeiros, não os conhece e não convive com eles. O que não se deixam é enganar por falsidades. Tomara que elas tivessem estado  mesmo a meu lado para me aconselharem , aos seu jeito, perante quem se revelou de uma crueldade ingrata,injustíssima, estúpida e até paranóica. As minhas amigas gatas teriam de pronto bufado e arranhado psicopatas. Patas de gata a arranhar com generosidade o outro tipo de "patas", de "patia" , de "doença" triste e vil...
As minhas gatas são sábias a 100%. Eu não. Longe disso.Mas continuo a aprender com elas. A valorizar um raio de sol, uma boa sesta, uma alegre brincadeira.
Que posso eu oferecer-lhes neste dia, além dos mimos do costume?
Um jantar de peixinho? Uma escovadela extra?
Já aqui postei aquele cartaz(acima) que me lembra um pouco a compleição de ambas, mas não chega...
Talvez este livro de Poemas... não para lhes ler em voz alta, pois já me fizerem perceber que detestam que lhes leiam alto. Preferem que se cante, ou um som suave de piano.
(capa de "O Livro dos Gatos", de T. S. Eliot; ilust. Axel Scheffler)
Este é um Clássico da literatura, poemas dedicados aos gatos, ou aos "gatos em cada um de nós", de T.S. Eliot (VER AQUI a referência ao original). O mesmo que deu origem ao libretto da  famosíssima ópera rock de Andrew Lloyd Weber, "Cats". Finalmente em edição portuguesa (ed. Vega) e que contém algo de curioso: como a Poesia é quase intraduzível, o livro contém um opúsculo incluso com os poemas originais em Inglês.
E vejam como o Poeta bem nos "explica" os gatos no que são e no que NÃO são, por exemplo, num excerto do poema "Tratamento dos Gatos"(as minhas amigas merecem bem  o trabalho de  transcrição):

Há neste livro Gatos tão diversos
Que tenho agora esta opinião:
Quem já o leu ficou habilitado
A entender-lhes formas e feitios.
O que já sabem chega para ver
Que semelhantes são, Gatos e nós
E outras pessoas, afinal dotadas
De maneiras diferentes de pensar.
Há uns que são loucos, outros com juízo
Há uns que são bons, outros são ruins
Alguns são melhores e outros nem isso--
Mas de todos se fez um retrato em verso.
Em ocupações ou divertimentos
Os seus nomes próprios foram indicados
Bem como os seus modos e meio também
Mas
    como devem pessoas dirigir-se a Gatos?
Vou, pois , avivar a vossa memória;
Deixem-me dizer: GATO NÃO É CÃO.
Cão faz de conta que gosta de brigas,
Ladra muita vez, é raro morder,
Em termos gerais, o cão não é mais
Do que dizem  ser um pobre diabo.
(Não é esse o caso do cão pequinês
E outras perversões da raça canina,)
Por via de regra, o Cão de bom tom
Sempre se dispõe a ser um palhaço,
Não sabe fingir um ar afectado
E chega a perder toda a compostura
Deixa-se enganar com facilidade,
Basta que lhe façam festas no pescoço,
Carinho no dorso, afago na pata,
Dá pulos até, de satisfação.
Simplório completo e bonacheirão,
É obediente às ordens e vozes.
Que fique bem claro, volto a dizer:
Um Cão é um Cão... UM GATO É UM GATO.
(...)
( o poema continua, falando da conquista da confiança dos gatos com alguns pitéus...)

(àparte, isto me faz pensar: embora goste de cães sou pessoa mais   "de gatos" do que "de cães". Porém constato que para os outros se calhar, embora tendo muito "de gato", devo ter mais "de cão"... :(()
Eis a versão original, se preferirem(O POEMA ORIGINAL,  e em Inglês, não é completo pois corta toda a passagem que aqui leram sobre os CÃES! O que acontece em todas as versões online não adaptadas para letra das canções! O que prova que até os estudantes americanos devem estar a fazer análises por uma versão truncada, bem mas pelo menos dá para lerem o resto do poema. mesmo  que assim perca o seu sentido total...):
Finalmente, satisfaço-lhes a curiosidade, vós, visitantes. Aqui estão elas, as maninhas, na foto mais recente, bastante ensonadas e ternurentas, pois foi a forma de se deixarem fotografar quietinhas:

     (c) Margarida Alegria, in blog "Alegrias e Alergias"  (26-4-2012)
E agora vou dar-lhes o dito jantarinho, pois, embora boas amigas, pacientes, jamais esquecem uma promessa. Podia falhar-lhes,sem problemas de maior, mas não mereceriam tal desfeita! :))
Margarida Alegria (13-6-2012, in  blog "Alegrias e Alergias)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

R.I.P. para mais um Gibb: Robin


(BeeGees- HowDeep is yourLove" . live 1998)
Mais uma morte na música,  e mais    um falecimento  trágico de outro  dos  irmãos  Gibb .  Robin Gibb, o loiro,  aqui no centro do palco. Com 62  anos,  de pneumonia, depois  de anos de resistência  a  um cancro.
Agora já só resta  Barry.("Staying alive"..)
Canções delicodoces, uns falsetes irritantes na época do disco, é verdade, mas algumas canções para a história  da  música popular. Como   esta, com que remato, por agora, o tema do posts de ontem.
E...este serão , como diz  a outra canção, " I started  a joke..." , mas....
R.I.P. Robin...

sábado, 19 de maio de 2012

Do Amor... Texto da parte 1 (de 2)- o filme pessimista

(Imagem de um catálogo de vendas: sim! Existe papel-higiénico com esta decoração! E... por que não?)
Este é o texto que completa e acompanha a visualização do filminho "amargo" de Don Hertzenfeldt do último post ("Do Amor... Aperitivo da parte 1 de 2..." Clicar AQUI para ver), que não junto  só pela razão técnico-blogueira que aí expliquei.
 E  então? Viram o Filmito? Ficaram alarmados com tanto pessimismo? Ou outros acharão que o filme animado tem um negro mas profundo realismo?
Vou ser mais suave que D.H., embora este seja o primeiro de dois posts (ou 2 e meio) sobre o tema, o que, como expliquei traduz o lado "alérgico", menos alegre sobre o mais citado  e glosado sentimento que existe. O lado também, por inerência, mais cerebral e analista.
 A meu ver, visto nesta óptica mais negra, o problema maior é que para uma boa parte do mundo o Amor deixou de ser um simples sentimento, como devia. Ou seja, algo que nos faz sentir e leva outros a sentir. Algo que, em vez de compartimentar e isolar, deveria inundar quem  o sente.
Don H. vê essa ausência de sentimento na palavra e avisa-o logo de início. Não só ao alertar que é um "bitter film" (amargo) mas também ao usar  para título a expressão francesa, tantas vezes a única expressão que tantos conhecem da Língua Francesa e que de imediato nos remete para a condescendência romântica  dos  mais experientes perante situações mais ou menos patetas e nos traz à memória os incansáveis namoradeiros "Pepe LePew", doninha dos Looney Tunes, ou Maurice Chevalier de musicais cor-de-rosa.  Alguém vê um cachorro a rondar uma cadelita e exclama: "Ah, L'Amour!", alguém surpreende um beijo inocente de dois infantes "Ah, L'Amour!", alguém repara em meninas aos gritinhos histéricos em redor de mocitos em Morangadas com Açucar,ou  alguém testemunha um cavalheiro a oferecer um ramo florido a uma dama, ou ainda alguém se surpreende com uma mulher a pregar um estalo a um marmanjo que lhe deu um piropo, "Ah, L'Amour!" L'Amour... L'Amour...!...expressão que envolve  em papel crepe e lantejoulas qualquer situação geral que evoque Primavera e corações inflamados!
Desde logo, portanto, Don H. nos empurra para o artificialismo de muito "Amor" que há por aí, a partir do título.
 Senão vejamos, muito sucintamente as peripécias: o pobre rapaz do filme encontra várias mocitas (não importam os nomes ao caso), possivelmente num tipo de contacto que corresponde a várias fases da vida. De cada vez vai sendo mais cuidadoso com o que diz e de cada vez recebe reacções piores (em forma de torturas atrozes) e menos comunicativas, pois elas parecem ter já as suas feridas (como ele) e terem também "evoluído"(?) na forma como vêem o seu relacionamento com o sexo oposto. Assim, o moço, chamemos-lhe Zé, primeiro tenta o normal convívio de amigos como aproximação e a menina não quer ser incomodada ( primeira adolescência); depois tenta, junto de outra, indagar sobre os sentimentos , pois sabe que as meninas gostam de falar neles. Logo ela NÃO revela os sentimentos e reclama que "precisa de espaço" (eles e elas, como tantas vezes se nota,  andam em tempos de necessidades sentimentais diferentes); depois  o Zé tenta agradar à vaidade doutra, gabando-lhe os sapatos, mas ela "só quer amizade!" (elas começam a tentar adivinhar intenções); depois o "Zé" pergunta as horas a outra que sai logo a "disparar"  (literalmente!) e nem responde; já "escaldado"  o  Zé tenta apenas cumprimentar outra mulher, mas ela entende isso com avanço atrevido. Até que ele diz a uma a frase mágica, sem cumprimentos nem nada, "Tenho dinheiro!" com a resposta que se vê: de imediato ela "ama-o!" Final Feliz !
Em suma, Don H. chama as mulheres no seu todo(por esta ou outra ordem) de "ariscas", egoístas, comodistas,frias, insensíveis, e... interesseiras. Ah, mas devem ter reparado na outra mulher do filme de que não falei... Pois. Ou seja, corrigindo: D.H. diz que elas são tudo isso em conjunto, ou pelo menos uma destas coisas... ou então são gordas e/ou feias. Uma ironia  do autor, nas entrelinhas, é que quem sabe se não seria nessa tal feia e gorda que encontraria o verdadeiro Amor e compreensão....
(Não venham os homens depois reclamar: ai elas são umas chatas histéeeeeericas!)
Por sua vez, o filme acaba por dar uma imagem do homem como "adaptável" aos vários estilos delas, nas diversas tentativas de as abordar/conquistar. Assim, mais ou menos pela ordem do filme, o nosso "Zé" apresenta-se como: amigo sociável (1ª abordagem), sensível, lisonjeiro, casual/natural e depois apenas educado e neutro. Não resultando, acaba por se revelar calculista e gabarola, para suscitar o  tal lado interesseiro das mulheres e... é bem sucedido!
(Não venham depois as mulheres reclamar: ai eles são uns vaidosos insensíiiiiveis!)
Claro que é uma caricatura, mas uma caricatura asperamente aproximada de muita verdade que se vê por esse mundo fora. E, como avisei no post anterior, é uma visão que se pode aplicar a eles e elas, ou seja, se em vez do Zé tivessemos a Josefina a falar com o João, o Vando,o Jack etc do seu percurso de vida. Pode parecer estranho o que digo, na Era da total liberdade da escolha, mas o certo é que, e basta repararem nos nomes e caras (tão "botoxadas") impressos em qualquer revista cor-de-rosa da praça, os casamentos de conveniência e de combinação de interesses entre famílias nunca acabaram, aliás estão ai pujantes como nunca (e numa coisa D. H. engana: que se a Gorda e/ou feia reclamar que tem dinheiro rapidamente terá uma fila de pretendentes!).
E fora das combinações familiares das "élites", temos também a camada dos e das interesseiros/as em toda a  sua força de novo. Não só o interesse básico pelo dinheiro, mas também ou alternando pelo status e pela fama, pelo nome sonante, pelas portas que abre, pelo bons e saudáveis genes que pode trazer. Não só para casamentos, mas já em namoros (que tantas vezes não redundam no casório): ele  namora a mais inteligente para  o ajudar nos estudos, a mais elegante para ser invejado  em festas, a mais organizada para o tornar organizado. Ela namora o mais relacionado para vir a  ter bons empregos, o mais bonito para causar inveja às amigas, o  mais solícito para a aturar nas birras.
E como a partir das aparências se cria todo um rol de ilusões! Eles bem as iludem de serem bem sucedidos se tiverem um bom relógio nem que vivam de esquemas, elas iludem-nos de que são ricas se tiverem um bom jipe, nem que vivam à custa dos papás, eles iludem-nas de que são inteligentes por terem um blackberry e "Tuítarem", elas iludem-nos de que são inteligentes , se fumarem estilosamente e debitarem as chamadas "postas de pescada" politicamente (in)correctas.

 Relembro, a propósito, uma famosa  passagem de uma das excelentes crónicas de Miguel Esteves Cardoso ( talvez em "A Causa das Coisas"...), parafraseando: que o Homem português costuma namorar as mais giras, conversar com as mais inteligentes e casar com as que não são nem muito inteligentes nem muito giras, para "não dar muito nas vistas"! (perdoem-me a referência todas as casadas!). Poderia  agora acrescentar que, em contrapartida, nós, mulheres portuguesas, só queremos é namorar (ou "TER" namorado), seja ele como for, para não ficarmos atrás das demais e  por estarmos, mulheres, em maioria percentual na população(e ai se vier uma guerra!), e diria que a portuguesa  muitas vezes nem conversa com ele senão em monosílabos, a não ser que também entenda de futebol; e  que por fim casa com um que lhe ofereça alguma companhia, alguma segurança e  uma aliança e que raramente é o mais bonito ou mais inteligente. O que depois resulta em também belas estatísticas de divórcios, de violência doméstica e ... em maridos com pneus e  quem não sabem cozinhar um ovo.
Exagero de estilo e  pessimista meu, reconheço! Há que ser justa que  agora as gerações mais novas, pelo que  tenho visto , vêm melhorando nalgumas dessas estranhas bitolas: eles já se esforçam por continuar giros e elegantes para elas, nem sempre com horas no ginásio, mas pelo menos com o seu jogo de futebol de praia aos domingos, ou com os seus percursos de bicicleta de manhã, encolhendo a barriguita dentro daqueles ousados calções de licra e escondendo a cabeça (e tantas vezes o cérebro, quando em magote masculino aos dichotes pelo caminho), escondendo a cabeça dizia eu , sob aqueles capacetes que... parecem assim como que umas arrastadeiras mais modernaças e de marca. E já não se envergonham perante a inteligência delas e  (alguns) acabam por fugir a sete pés das que são apenas caprichosas ou sem opinião. Já há cooperação nas tarefas domésticas e maior diálogo. Só falta maior segurança (nacional) para conseguirem planear um futuro e criar raízes...
Em suma,ele já não  cai naquele maniqueismo de esperar que a companheira seja OU sua criada OU a  sua nova mamã (de que falava a canção "Etelvina" de Sérgio Godinho).
Posto tudo isto, volto ao ponto inicial: que o problema focado no filme resulta de já  termos deixado de ver o AMOR como sentimento puro, mas tantas vezes o vermos como o fantasioso "Amour", ou, o que é pior, como sinónimo de tantas outras coisas, sejam  OUTROS sentimentos sejam trampolins  mesquinhos de interesses vários que em nada se aproximem Dele, Amor.
Deixa por vezes de ser Amor, para ser Medo da solidão, deixa de ser Amor para ser vontade de dominar alguém, deixa de ser Amor, para ser companhia para o tédio, deixa de ser Amor, para ser interesse económico, deixa de ser Amor, para ser apenas vaidade de se sentir amada/o por alguém, mesmo que sem noção de retribuição. Deixa de ser considerado um sentimento, tanta vez para ser um negócio: de dinheiro, de afectos, de inseguranças; de invejas e vaidades. Afinal, não se usa tanto aquelas expressões (importadas!) canhestras de "FAZER Amor", de Compra  e Venda de (horas de) Amor, de "Técnicas de Amor", de "drogas do Amor", com se alguma vez um SENTIMENTO (repito!) puro e bom pudesse ser um FABRICO, um COMÉRCIO, um ARTESANATO, mera QUÍMICA sexual,  como se toda a sua grandeza  e liberdade pudessem ser escalonadas, compartimentadas e aprisionadas na frieza rude  de meros compêndios Económicos ou de  uma Engenharia New-Age!
Por isso mesmo me demorou o desenvolvimento deste tema, sugerido pela querida  blogger "Pérola", porque  o considero um tema importante demais e porque é um sentimento que vejo a ser tão conspurcado a toda a hora. É simples, mas ao mesmo tempo demasiado complexo. Saliento , no entanto, que é pelas mesmas razões que tanto admiro e encorajo quem eu vejo ter uma relação amorosa bonita e límpida, o que felizmente existe,  relação feita não só de paixão e de carinho, mas de compreensão mútua e de diálogo, de suave harmonia e de cumplicidade silenciosa. Seja do jovem par de namorados entrelaçados e de ar doce, seja do casal adulto que forma uma família, seja do par de velhinhos que se ajudam mutuamente a calçar as pantufas...
 Por isso, há que respeitar o Amor e não o banalizar,nem por palavras nem por atitudes, só assim o fazendo merecer todos os encómios e pergaminhos que vêm de tempos remotos, em forma de poemas, romances escritos ou em película,nas telas de pintores e  nas pautas de canções, onde é de longe o tema mais glosado!
Tanto Don Hertzfeldt, no seu filme como eu, neste textito, pretendemos não um mero ironizar sobre o Amor, mas demonstrar como ele é tão maltratado e desviado do seu justo caminho, sob as mais diversas capas, os mais repugnantes disfarces. Sim, o Amor existe e o seu Poder é grande, mas só poderá cumprir o seu papel de transformador e embelezador do Mundo  se não o desviarmos por caminhos de mero egoísmo, de interesse próprio e de falta de harmonia e de coragem.
Agora devem entender a razão da escolha da imagem que inicia este post, não? De tão "decorativa" que se tornou a palavra Amor, de tão adulterado o sentimento, só faltava mesmo, como se pode ver, terem-no colocado como folhas de papel ( não sei se  folha dupla e locionada!)... usado para fins não muito nobres, ou pelo menos, digamos, não muito elevados! Isto tanto tomando o coração como símbolo do Amor pessoal como do Amor Universal! Livra! Se é  para representar o coração órgão então que o substituam por... intestinos ou bexigas em miniatura! :))
Por ter sido levado por outros caminhos,
por tanta gente, é que em pleno século XXI d.C, com tanta forma de Comunicar e de viajar e conhecermos a Vida, continuamos tão ou mais distantes uns dos outros que nos primórdios do Ser Humano
e, embora sem cacetes ou machados em sílex, ainda achamos que uma boa paulada em novo estilo e atitude "de caça" ao par equivale a um acto de  verdadeiro Amor e paixão.

Por termos levado o Amor por outros caminhos, quer individual quer universalmente, é que hoje nos encontramos de novo nesta situação absurda como Humanos, de novo cercados por Ganância, Fome e Guerras, quando podiamos ter uma Terra bela povoada pelo Amor, a Partilha e a Paz.
(pronto, "Pérola", espero que este texto já preencha pelo menos uma parte da "encomenda" temática, deixando a parte mais interior e lírica para uma segunda "dose"... Longo, como seria de calcular. Julgo que me deve ter escapado um ou outro argumento ao que tencionava dizer, mas, para já deixei uma ideia do que sinto e penso sobre o assunto, na sua globalidade).
Margarida Alegria (19-5-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

Do Amor...- Aperitivo da Parte 1 de 2 (o filme pessimista)


(" Ah, L'Amour", animação de Don Hertzfeldt. 1995)
Respondendo  ao desafio da "Pérola", que  me propôs o Tema (complexo).
Primeiro o filme Pessimista, versão mais  "alérgica" a certas evidências da  realidade, que terá logo à noite a versão textual pois é ada vez mis dificil   blogar  texto  com Videos!
Fica o aperitivo, sendo que o protagonista pode ser em vice-versa, com uma Ela dirigida a Eles! A "moda" é igual...
Até já!

domingo, 6 de maio de 2012

Minha Mãe

(Madame Vigée-Lebrun , auto-retrato com a sua  filha.- Museu do Louvre)

O meu pai tinha uma forma linda e carinhosa de tratar a própria mãe ( minha avó, portanto).
A minha avó não era uma pessoa fácil. Muito autocentrada, tirânica até, nunca "ligou meia" aos netos ,contradizendo a ideia que se tem de "avozinha" (felizmente tinhamos outra, mas que nos durou muito menos...). Talvez apenas a neta mais velha tenha recebido uma prendinha dela, nos primeiros anos. Não se lembrava de nos fazer um carinho, era imperial, de dentro do seu arrebitado  metro e 40cm ; e  só falava de si: das classificações que tivera,dos cargos que tivera, das propriedades que tivera e sonhava ter, do que fizera, do elogio que um tal bispo lhe tecera... histórias que escutávamos todos os santos domingos e já sabiamos de cor.
O meu avô era, por contraste e equilíbrio,não tenho dúvidas, um Santo. Um Santo quase silencioso e sofredor. Profissionalmente fora seu superior e tivera  ainda melhor currículo, mas só tinha olhos para ela, deixando-a brilhar sozinha, contemplando-a embevecido do cimo do seu quase "o dobro" de altura. Mesmo assim os filhos veneravam-na e moviam céus e Terra por ela.
Ouvi sempre o meu pai a tratá-la, não apenas por "Mãe" (jamais por "Mamã", que não se usava!), mas ou por "Mãezinha" ou, o que era mais especial e delicioso , por "MINHA MÃE". Ele era "Oh, minha mãe, não faça uma coisa dessas!", "Minha mãe, sente-se aqui.", "Minha mãe deixe que eu trato disso."..
Aquele determinante possessivo fazia a diferença e reequilibrava o paradoxo espalmado naquela senhora. Fora mulher de armas e excelente profissional, mas à família não dera vida fácil, por feitio, embora cumprindo todos os deveres inerentes. Concluo, portanto, que deve ter sido uma boa mãe, pois para tantos filhos -- que em pequenos muito enfeitara com laçarotes e cabelos frisados "à menina", em foto de os embaraçar para o futuro(aguardando sempre por uma filha, que acabou por chegar) --continuava a ser a "MINHA Mãe". Não era a mãe de outros, não era uma mãe qualquer: a mãe era DELES e de mais ninguém.
Os meus irmãos e eu, tivemos, quanto a mim, uma sorte muito maior, quanto à Mãe que "os Fados" nos atribuiram, não só porque era e é a NOSSA/MINHA Mãe, não só porque foi uma professora exemplar, uma mãe dedicada e atenta, mas porque além disso foi e É ainda (graças a Deus!) uma pessoa de excepcional Humanidade. Talvez graças, também, à acção da SUA Mãe...
Como me disse um dia  uma amiga que a conhece e foi sua colega: "A tua Mãe é daquelas pessoas que ilumina uma sala  , quando entra!"
E tem razão.
 Ilumina, não como certas pessoas que têm daquelas atitudes imperiais em altas vozes e como  que "se fazem  anunciar" à chegada, mas por trazer sempre um conforto bom com a sua  mera presença. Longe de a atitude do "Cheguei vi e venci", pois até é bastante tímida ( agora com a idade, menos...), mas por recentrar tudo o que é importante, quando chega, mesmo que nada diga.
 Ilumina não só porque é bonita (e é-o , sem dúvida, não o digo por ser a "MINHA" Mãe...) e não só porque tem um sorriso rutilante e inesquecível, mas porque do seu interior brota um sentido optimista mas muito franco de ver as coisas, de encarar os problemas. Não um optimismo pateta de "laissez faire", mas aquele que resulta de olhar os outros com a atenção e o respeito que merecem, seja de que condição social for, fosse o estado de espírito dominante soturno que estivesse na dita "sala". Apesar da carga de problemas que carregava na vida, podiam estar todos a falar, por exemplo, da maçada da chuva, quando chegava e chamava a atenção para as flores que brotavam, o arco-íris que não tardaria, isto metaforicamente falando, claro.
Por isso lhe imploraram a certa altura para dirigir um Conselho Directivo numa escola difícil, no pós-revolução, pois  era a única que conseguia conciliar todos, mas a todos também ouvir e fazer justiça e levar a escola a viver para o que devia: ensinar (coisa que agora se está a perder de novo, a destruir,com a reentrada da política nas escolas via "directores" e Conselhos gerais cheios de autarcas).
 Dava-se bem com colegas da sua geração, mas era acarinhada e recebida em braços pelos colegas mais novos, que sempre se sentiam à vontade ao pé dela, ultrapassando barreiras de idade e de pontos-de-vista. Era capaz de dar um raspanete a uma funcionária por uma tarefa trapalhona, para mais tarde ser coberta de beijos e recordada com veneração pela mesma, tudo porque também sabia fazer o elogio justo na devida hora e tratava todos como seres humanos e iguais que somos na Criação.
Quando as pessoas diziam como era bonita, logo corrigia que a irmã, essa sim era bonita,-- realmente uma estampa de revista, de feitio mais coquette e rainha dos bailes. Porém quem via a minha mãe raramente a esquecia (não esquecia qualquer uma das duas!) , talvez pelo expressivo olhar, talvez pelo sorriso acolhedor, por todo um conjunto, uma presença com personalidade. Sendo considerada uma Sensata amiga, uma pacata filha e irmã, sempre tivera vários pretendentes a arrastar-lhe a asa, mas não ligara a nenhum, o mesmo acontecendo, curiosamente ao meu pai, com imensas a fazer-lhe olhinhos, mas mantendo-se respeitoso, distante e sonhador. Um dia, embora já se conhecessem através de irmãos, o meu pai fez com ela o trajecto a pé até à Biblioteca para onde ambos iam estudar em pós-licenciaturas, voltaram a fazer tais percursos (devidamente anotadinhos em agenda/mini diário, como mais tarde, nós filhos,  viemos a descobrir, espantados!) e foi um Amor para a vida. Mas isso é outra história...:)
A minha Mãe teve de largar os seus projectos de carreira universitária, seguiu o meu pai por vários recantos perdidos do "mundo" e do País, criando a família com uma notável vocação de Mãe. De Educadora.
Portanto, neste dia da Mãe, que poderia  ser num outro qualquer do Ano, este post não é, tenham lá paciência, dedicado a todas as mães, mas sobretudo à mãe que é a minha: à MINHA Mãe.
Impossível de sintetizar tudo o que foi e é para nós, seus filhos( vou fazê-lo saltitando no tempo, em vagas, centrando-me nas partes felizes): enquanto era "apenas" dona de casa, era a mãe atenta mas não excessivamente controladora, aquela a quem voltávamos , para contar os nossos pequenos dramas. Sabia sempre dar-nos um bom conselho, ajudava-nos a "ler" o que viveramos na escola. Incentivava-nos a nos abrirmos, sem forçar. A Lermos o mundo. Ver notícias em casa não era um tempo de silêncio: gostávamos desde cedo de comentar o que viamos, expor dúvidas pelo que se passava, interpretar as incoerências da Humanidade. Os nossos pais, ao contrário de muitos, incentivavam-nos a conversar às refeições, que eram quase sempre tempos vivos, proveitosos e alegres, como testemunhavam os nossos amigos.
Por vezes o voltar para a mãe era apenas para corrermos silenciosos para o seu abraço imenso, para lhes darmos as mãos, as suas enormes e confortáveis mãos que ,por vezes geladas da má circulação e de pouco tempo para  manicures, envolviam as nossas mais pequenitas.
Era os pedaços de papelão embebidos em água para nos sarar os "galos" na testa e lá parávamos o choro e andávamos a passear todos contentes até o papelão secar e cair. Um tinha um galo... todo o "rancho" pedia um papelão para os "galos" imaginários e solidários!
Era a supervisão distante dos trabalhos de casa, só maior para quando houvesse dúvidas, mas sempre atenta a que não fizessemos batotas nas contas, nas provas dos nove...
Nunca andou a aborrecer professores, a não ser que visse que algo nos angustiava e queria alertar os docentes para isso. Mas o professor era sagrado e deveriamos respeitar todos, por mais diferentes que fossem, tivessem o método que tivessem. Errados que pudessem estar, pois temos de conhecer todos os lados de um mundo assimétrico, nem sempre justo.  Dizia-nos:" se estiverem com dúvidas nas matérias, peçam-me ajuda, veremos o que se pode fazer, nem que eventualmente precisem de explicações, embora eu saiba que são todos inteligentes e não têm motivos para ter negativas. Mas AI DE VÓS que eu venha a saber que foram mal educados com algum professor ou funcionário! Para isso não há desculpa possível!"
Era o escutar as nossas fantasias, enquanto mascava as pontas das linhas ou com alfinetes na boca, enquanto nos costurava um vestido, cosia bibes, aplicava joelheiras e cotoveleiras na roupa dos meus irmãos, transformava um vestido numa saia de alças para as meninas, ou um velho vestido das meninas num vestidinho "novo" para as nossas bonecas.
Era a sua arte de receber as outras "madames" e ter de aceitar convites para chá quando preferiria estar connosco, mas também  a capacidade de conversar com as pessoas mais humildes.
Há poucos meses revisitámos uma nossa antiga casa e foi debruçar-se à janela do que fora o "quarto da costura", foi um regresso no Tempo: curiosamente o mesmo gesto que tinha diariamente, para espreitar se as nossas brincadeiras no quintal estavam a decorrer sem sarilhos.
O meu pai defendia que a nossa casa era em primeiro lugar para ser gozada por nós e só depois para os outros, por isso não era nunca daquelas casas-museu exageradamente perfeitas, que as crianças não podem percorrer no dia-a-dia. No entanto, faziam sempre o possível para que tivessemos sempre um recanto para nós, para desarrumarmos à vontade e brincarmos(coisas que agora tantos pedo-psiquiatras aconselham mas então era a sua sabedoria de pais que intuia): um quartito "de brinquedos", um anexo de quintal, uma grande sala na cave, um jardim-- houve sempre alguns espaços para nós nas casas que habitámos. Cabiam lá os nossos brinquedos, as nossas aventura imaginárias a imitar séries de TV, as festitas de adolescentes, os muito  e variados animais domésticos. De galinhas a gatos, de peixes a ratinhos brancos, de pombos a... salamandras(nem tudo ao mesmo tempo, calma!). Apenas demorámos a  que deixasse termos um cão, pois fora mordida em criança, mas lá acabámos por ter um, que até salvou de morrer e ao qual se dedicou com alma  de enfermeira Nightingale, até durar muitos anos mais! Para tudo dirigia a sua carência profissional da Biologia, desforrando-se no cuidar das plantas, no incentivar-nos a construir um lago minúsculo para rãe e girinos. Chegou a operar o papo de uma galinha!
Quando achou que já cresceramos bastante e viviamos numa cidade, foi leccionar (e em bom tempo o fez, antes de passar a ser "pai e mãe", como dizia...) e então repartiu a sua sabedoria e o seu sorriso maternal por muitas crianças, que passaram a venerá-la e às ciências, fazendo aulas de campo, observando os frascos que levava de casa com os nossos bichinhos apanhados no campo e já em formol-- do qual se destacava aquele que chamávamos de "Clerasil", um sapo gigante! Os meninos traziam-lhe os livros que tinham em casa sobre animais e a Natureza, tantos deles prendas de aniversário antes nem sequer abertas ou exploradas, e muitos enveredaram pela via científica pelo que neles a MINHA Mãe despertou, como mais tarde tantas vezes o testemunharam em encontros fortuitos. Biólogos, médicos, mas também juizes e  de outras áreas que tanto hesitaram se seguiriam letras ou Ciências. Foi das primeiras a dedicar bastante tempo a ensinar aos meninos o que era habitat e Ecologia. Ainda não havia quaisquer anúncios   televisivos de macacos "Gervásios" nem de sociedades ponto Verde e já a minha mãe procurava  ensinar-nos a reciclar, a filhos e alunos, procurando vidrões e as farrapeiras que recolhiam papel. Muita viagem fiz com ela a descobrir aonde ainda existiria uma "Farrapeira" nas redondezas!
Já a tinhamos menos em casa, mas continuava a ser a Nossa/ MINHA Mãe, assim como agora é a avó mimada pelos netos. Então era ela a poder a partilhar os seus próprios dramas diários, o aborrecimento por ter precisado de ralhar a um aluno, a felicidade pela aula com experiência de dissecação ou  de microscópio que correra muito bem , mas sempre sempre ainda  com tempo para nós. Só não tinha muito... para ela.

Claro que nem sempre o relacionamento com ela foi "rosas"! Claro que houve  discussões e choque de gerações, como com todas as mães. Tinha de haver. As gerações encontram-se e prolongam-se, mas estão irremediavelmente apartadas pelo Tempo: há modos de pensar que se adaptam e mudam e a MINHA Mãe acabava por aceitar as mudanças, mas nós também não a obrigávamos a pertencer à nossa geração. Queriamos nela  a senhora da geração anterior, a Mãe que era  e também amiga, mas não a amiga com vergonha de mostrar a sua autoridade de mãe. E longos anos já de ... pai e mãe em simultâneo. Quantas vezes não tinha a razão do seu lado, mas ganhava a discussão, graças a sua poderosa capacidade de argumentação... só no fim pensávamos: "'pera lá! Mas EU é que estava certa!".
( Poderia ter sido também uma boa advogada...!). :))
Já o meu pai era o sonhador romântico que nos ensinava a gostar de livros , de desenho e banda-desenhada, de aprender sempre  muito pelos livros e  a ter sempre curiosidade em aprender tudo. Era, como bem diziam, um homem bom como já "não se fabricam" e...enciclopédico. Uma lâmpada fundia e com a lâmpada na mão o meu pai explicava como funcionava, apontando para os filamentos e porque falhara. Enquanto durava a explicação, a minha mãe, a educadora prática, ia buscar uma lâmpada nova e colocava-a. Complementavam-se. O meu pai, ao contar contos de fadas, era preciso e romântico nos detalhes, fiel à história, do príncipe e da princesa, das Fadas,  do coelhinho que ia às couves e ficava sem casa. A minha mãe, por seu lado, para escândalo do rigor meu pai , fazia-nos delirar com os detalhes inesperados que introduzia nas histórias: o coelhinho ia às couves mas de permeio parava num recanto para... fazer cocó! ENA! ahahah! delirio e risos nossos, protestos do meu pai! O meu pai cantava muito bem, voz de barítono bem colocada, mas para canção de embalar, sobretudo se estivessemos com febre, tinha de ser a nossa mãe e mais ninguém, sempre a mesma cantilena sem letra (oh larô Larô. Larito...), fora de afinação não por má voz mas por uma cicatriz no ouvido, mas SÓ ela a podia cantar! Mais tarde descobrimos , num filme clássico , a preto e branco,que a anónima melodia era de... uma marcha militar!
Era  e é , portanto,  muito especial, a minha mãe. Talvez nos devesse ter obrigado a certas coisas, mas pelo menos obrigou a tantas  outras que muito agradeço: o sair do reduto do lar para ir a campos de férias formativos no Verão, para me tirar um pouco da "casca" e conhecer jovens de todo o país, sobretudo realidades diferentes ( conheci adolescentes com uma visão arejada e culta que tomara agora a tanto deputado de aviário quem nem sabem o nome dos preisdentes); obrigar a apanhar os autocarros para a baixa e ir a pé para a escola, obrigar a comermos tudo do prato, sem caprichos, nem que levássemos horas...

Porém não existem "cursos" para se ser mãe e pai. Todos erram, todos erramos, não há pais perfeitos, por melhores que sejam. Àparte  o caso daquelas mães desnaturadas que envenenam os filhos, "Mãe só há uma" e todos devemos estimar e acarinhar as nossas Mães, por muitos choques que  tenhamos com elas. Tudo porque é a NOSSA Mãe e Ponto final.
Acredito que as mães fazem o que sabem pelos filhos. Cabe-lhes fazerem o melhor que podem segundo as circunstâncias. Sobrevivemos às agruras da Vida com elas, por causa delas, apesar delas, por vezes. Mas é assim há gerações e gerações. Não devemos imputar-lhes as nossas frustrações. No meu caso sempre nos demos bastante bem, talvez por afinidade de feitios, embora não chegue ao seus calcanhares de "Sábia", mas também fez sempre menos cerimónia comigo do que com os meus irmãos, o que não é propriamente uma vantagem, bem longe disso. Mas foi assim que a Vida se traçou...
 Tantas e tantas recordações soltas! (que não quero que se percam na linha do Tempo) Também as dos gestos inesperados e especiais que tinha, com toda a sua generosidade, rasgos ousados do fundo da sua timidez: o deixar que muitas crianças amigas nossas vizinhas lá passassem tardes inteiras ,almoçassem e até experimentassem connosco cozinhados para lanches, a sujar a cozinha. "A sua casa deve ter mel!" Dizia-nos uma vizinha e amiga. O trazer o netito do merceeiro lá a casa para o garoto ver o que era um computador, então o ZX-Spectrum do meu irmão; como moveu mundos e fundos para ajudar uma senhora  quase desconhecida que estava para ser despejada da casa que sub-alugava (descobrindo a existência da APAV, então a dar os primeiros passos); as longas horas de conversa a tentar aconselhar amigas minhas que  a procuravam para desabafarsobre as suas dúvidas na escolha do curso;  e atitudes para  com completamente desconhecidos, como daquela vez em que havia uma greve de transportes e, subindo de carro uma longa avenida, se condoeu e parou para oferecer e dar boleia a uma  humilde avó  que subia o passeio a custo a pé com os seus netos!
Tantos e tantos momentos que jamais esquecerei. A MINHA Mãe, minha grande confidente e Amiga. A boa vizinha, a professora querida de outros, mas a MINHA Mãe...
Hoje já não aparenta a "mulher de armas" que foi. Os anos, as noites mal dormidas, a exaustão de a todos atender acabam por pagar o seu preço.
É um passarito jovial e diz sempre que" tudo é maravilhoso", desde o acordar, até algo que saboreia, da alegria em cumprimentar as meninas da caixa do supermercado até à amorosa  criança com quem mete conversa. "Foi tão bom falar consigo!".exclama, "como é tão bom tomar este café aqui!".  Raramente tem um momento "para baixo". Com a vida que levou, o problemas que nunca cessaram de lhe bater à porta, as autênticas tragédias que sofreu,  teria muitos motivos por ter desistido de lutar, por ter desanimado e deprimido em tantas alturas,para se tornar amarga e revoltada,  mas foi sempre a campeã da resistência.
Como tenho saudades dos seus conselhos, das recordações que me narrava e como me teriam sido tão úteis mesmo agora, essas conversas, eu feita adulta (que remédio!), em tantas ocasiões que vivi!
Hoje quem a vê nem sonha  que passou  o que passou, todos gostam de vir retribuir os beijinhos e abraços e cumprimentos que distribui por conhecidos e não-conhecidos com quem nos cruzamos, conseguindo pôr muito sorrisos em muita cara macambúzia que se ilumina depois da perplexidade inicial quando saúda! Agora tantos quase desconhecidos  vêm perguntar pela mãezinha, aquela senhora que distribui cumprimentos e elogios por quem passa , aquela que agora é de novo menina, onde descobrimos, com espanto, a garotita traquinas  e dançarina que deve ter sido antes de se tornar na jovem e mulher sensata e mais reservada.
Apesar de todas as mossas da vida, posso concluir que a MINHA Mãe, foi e é uma mulher feliz, sem rancores para com tudo aquilo com que a vida  a surpreendeu. Ela é sem dúvida a Nossa/Minha grande Heroína, o nosso modelo de vida, em toda a sua simplicidade e franqueza. Reina nela uma  tranquilidade luminosa, não derivada  de  qualquer  irresponsabilidade ou inconsciência mas precisamente por ter a mente limpa de remorsos, por ter procurado fazer sempre o que é bem, sem maltratar os semelhantes.
Ensinou-nos a ver o mundo com compaixão e  a sabermos distinguir que nem todos têm o que têm só graças ao "mérito", como se diz agora, que há muitas voltas na vida e que o Ser humano merece ser bem tratado não por ser inteligente ou famoso,ou por ter  sorte no destino,  mas porque é um nosso "irmão",  que com todos devemos ser atenciosos e justos, embora não devamos pactuar com o que vemos de errado.
Hoje goza o descanso de ser" filha" dos filhos  e de  ser avó ,agora ela apoiada, acarinhada, mimada até, uma "menina" linda sempre fresca e jovial, com pequenas rugas e manchas da idade quais marcos no mapa da sua vida quase sempre imprevisível. As mãos mais enrugadas mas sempre grandes, agora já com tratos de manicure.
 Mas sobretudo sempre e sempre aquele sorriso e aquela "presença que ilumina"  cada lugar onde entra!
 Muito mais havia a recordar, mas o texto vai longo e já tive que o "costurar". Acarinhem  e louvem as vossas mães neste dia, mas, usando a expressão do  meu pai, contra ventos e marés, esta foi e é  não uma qualquer e não a VOSSA, mas " a MINHA Mãe".
Margarida Alegria (6-5-2012, Dia da Mãe, in blog "Alegrias e Alergias")
(POST Scriptum: eu sei que fiz batota com a data da postagem, tendo passado dois dias desde que  escrevi o seu miolo até postar de facto, depois de tanto acrescentar, remendar e cortar ao texto. Tenham lá paciência. De cada vez que vinda rematar o post acabava a recordar mais coisas de lágrima no olho e a acrescentar detalhes, muitos dos quais acabei por retirar. Afinal, sempre é um texto sobre a MINHA Mãe, condescendam... A imagem que escolhi era, se a memória não me trai, uma das que surgia nas  tampas das caixas de chocolates que a minha mãe reaproveitava para guardar carrinhos de linhas).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Postal do Dia S. Valentim... ;)



("Anti-Valentine's Day- Lovebirds", por "pbrain8", 2007)

Andava à cata de poemas ou algo que marcasse mais uma efeméride, neste caso a do comercial Dia de S. Valentim que agora começa, quando deparei com este video!...

Eu nem sabia que havia postais Anti- S .Valentim--- :))

Ora vejam...Boa noite!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"It's a Good Life, If you Don't Weaken..."


(Dr. Sam  Vaknin, "The Indifference of the Narcissist")
A Indiferença como  arma de ataque do Narcisista. O video diz tudo sobre as reacções, geralmente  inadequadas das infelizes pessoas que sofrem desse tipo de Distúrbio de PersonalidadeSentem-se mal no Mundo e não descansam enquanto  não arrastam para  a angústia e até  depressão quem os rodeia. Especialmente aqueles que mais os acarinham e apoiam. Pode parecer bizarro, mas é assim  que agem. "Gostam" das pessoas só por uns tempos,com encanto e  de forma até exagerada e paternalista,para as desvalorizarem uns meses depois , passando à fase em que julgam,  pelos parâmetros do seu False-self (personalidade/máscara criada inconsciente mas meticulosamente em auto-defesa, para impressionar os desconhecidos), que os outros  são "fracos". Chegam depois a considerar  esses outros como "inimigos" , caso "ousem" confrontá-los com as suas múltiplas incoerências (pois essas suas "vítimas,pessoas de bom coração e  empáticas, não estão habituadas a tal  falta de lógica nas relações humanas).Os Narcisistas usam portanto a ATENÇÃO que  obtém dos outros, quer a positiva quer  a  "negativa" (por exemplo, críticas ou até o que  imaginam serem críticas, na sua  tendência paranóide) como um  toxicodependente usa uma DROGA: precisam sempre de nova "dose" e cada  vez mais  forte. Alguém que crêem  já domado deixa de ser um bom fornecedor da "Droga-atenção" (a simpatia e compaixão que deles obteve), pois na sua mania de superioridade(defendem-se,gabando-se de que são "especiais", "invulgares",sortudamente fora da normalidade, sendo no entanto bem rotineiros nos seus esquemas de vida) são incapazes de verem os outros como seres humanos seus  iguais  e portanto têm a convicção de que  amor ou amizade que aqueles lhes oferecem resulta sempre da  sua (dos narcisistas )"dedicada" conquista e não das próprias qualidades e generosidade afável desses "conquistados".
Aliás, detestam ver os outros felizes, ou pelo menos julgando-os mais felizes que eles próprios . Pois, no íntimo,  sentem-se sempre (e erradamente!) menores e têm grande falta de auto-estima, daí toda a agressividade  e desvalorização subsequente à fase de "conquista". Têm  tendência a idolatrar quem julgam importante social ou culturalmente, mas também a imagem e o brilho desses "Astros" acaba desgastada aos olhos dos narcisistas,devido ao tal sentimento de inadequação e de inferioridade que alojam nas suas  "profundezas".
E é por detestarem ver nos outros uma felicidade que pensam, no fundo, que lhes foi negada, que minimizam quem julgam serem pessoas Felizes e... dizem tantas vezes detestarem as Festas (como o Natal...). A tal falta de empatia...
Quem sabe se é por pensarem que o Natal festeja apenas o aniversário de uma criancinha distante e não o seu próprio....Quando o Natal, afinal,  celebra um momento único de Aliança (bem louca!) entre o Criador e parte da criação que o desiludiu.
Não são pessoas horríveis, mas muito complicadas e cerebrais em demasia, pelo que acabam sendo anti-sociais. A Perturbação Narcisista , ao que diz quem sabe, não tem cura, sendo uma "lesão" na construção da Personalidade. Mas os asmáticos e os diabéticos, por exemplo, também não têm cura, porém conseguem controlar o problema, com persistência e buscando apoio médico e da família, tratando o que é possível, fazendo uma vida saudável, repensando os seus limites. No entanto,  sempre com plena consciência desses problemas e limitações. Também o Narcisista patológico o  deveria fazer, procurando apoio, tendo terapia  regular, para reavaliar as suas (falsas)"crenças internas", a forma precipitada como interpreta os gestos e as palavras  dos outros e a Vida em geral. Reeducando-se. Não o fazendo,acaba por cair em profunda solidão, ao mesmo tempo hostilizando e/ou desprezando os demais, mas tendo a natural necessidade deles, não só  pela inata tendência gregária de qualquer ser humano, mas , em caso extremo, também por se ver em isolamento na tal "Ressaca" (Cold Turkey) que Sam Vaknin refere no final. É o que o faz, por vezes, tentar melhorar, porém caindo depressa nos mesmos erros assim que  recupera "doses de atenção"... :(
Acredito que, como tantos outros "puzzles" clínicos, o ser humano há-de levar a melhor também sobre este problema, que afecta cada vez mais gente, tanto os próprios como quem os rodeia -- e que tanta vez acabam por se afastar, a mais das vezes exaustos, por já não saberem ajudar e para se preservarem de mais desgaste provocado por essas irritadiças e caprichosas personalidades . Já não é questão de maior ou menor resistência ou paciência, mas de Libertação do círculo vicioso de algo que não depende só de quem ajuda ....
Sabe-se hoje que muito desse aumento do Narcisismo advém de uma sociedade cada vez mais Narcisista também, que cultiva o individualismo e o "salve-se quem puder", onde em vez de se dar uma boa  e breve"palmada" na hora certa na criancinha birrenta, se  resolve ora condescender com mimos exagerados, ora desprezar, dando o tal "tratamento do silêncio", a tal "Indiferença"  que o Dr. Vaknin explica brilhantemente no video e no seu livro e que depois a criancinha assimila como arma de defesa para si.
Sabemos que é difícil reverter o "pepino" mal torcido na infância, mas que não é totalmente impossível, graças à inteligência e vontade de superação do Homem. Há quem o tenha conseguido, com persistência e coragem, com auto-correcção diária e meditação, sobretudo com grande HUMILDADE e auto-conhecimento para evitar entrar de novo em deslumbre "suicida" perante um reflexo nas águas, que afinal NÃO é o seu verdadeiro EU: como fez, para sua desgraça, o Narciso do Mito, fechando-se ao Mundo e aos outros até definhar.
Só ele próprio pode inverter a sabotagem da sua vida. Com ajuda, mas com consciência de que é ele, Narcisista , e não o Mundo inteiro, que tem de optar pela  mudança.
Um dos exemplos de Narcisista que foi bem sucedido a superar-se é precisamente o Dr. Sam Vaknin, que agora ajuda os outros e conta o que aprendeu no livro: "Malignant Self-Love:Narcissism Revisited" e em diversos videos.
Acredito que quem for suficientemente inteligente, sem se tentar a ser manipulador, quem tiver humildade, sem cair na auto-comiseração, poderá enfrentar este problema, no dia-a-dia e levar uma vida mais harmoniosa e feliz e com o apoio da família e amigos, que aprenderá a valorizar e apreciar.Visto ser  um problema que, como já disse, não afecta só o próprio mas, em cadeia, muito mais gente, é esse um dos meus votos , utópicos mas não impossíveis, de um melhor Ano Novo para o Mundo!
( NOTA: o título do post foi roubado à já clássica embora recente graphic Novel homónima, do ilustrador canadiano Seth, editado pela "Drawn and Quartely". Uma maravilhosa obra de moderna banda-desenhada, de comover até às lágrimas, sobre a importância bem relativa de os nossos sonhos mais ambiciosos virem a coincidir com o nosso destino, para sermos felizes. Tal como diz o título, a vida pode ser boa, desde que não se fraqueje, entendendo-se o fraquejar  não pela ausência de orgulho mas pelo perder das perspectivas sobre o que é mais importante na vida e... por vezes, pelo  fraquejar...da mente. Belíssimo livro que recomendo e até vou relendo !)
E, para quem for narcisista,... aqui seguiu uma boa "dose de  atenção" (das "boas", sem qualquer ironia),por escrito e  com votos de Boas Festas! ;))
Margarida Alegria (28-12-2012)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal 1: qual quê "It's a Wonderful Life"?! :((


("It's  a Wonderful Life" de Frank Capra, nova versão para o Final, por "monta72", noYouTube)

Há bocado chorei de raiva,como não fazia há muito tempo...
Tinha ido visitar o "Berço da  Caridade",  a casa para bebés e crianças pequenas abandonadas, uma das várias casas pertencentes à obra fundada pelo padre Gil. Era algo a que estava habituada a fazer, com relativa regularidade quase anual, por  esta época. Não me envergonho de dizer embora nunca o tivesse contado a ninguém, para além  de familiares mais chegados (devemos ter vergonha de muitas coisas,mas jamais de nos lembrarmos dos outros),porém  agora preciso de o fazer: fazia-o há muitos anos, desde a minha adolescência, nesses tempos indo com amigos passar algumas tardes de sábado a brincar e lanchar com esses pequeninos e o grupo de senhoras que de alma e coração os criavam como de verdadeiros filhos fossem. Tinham uma vivenda confortável, em zona calma residencial da cidade, com quintal simpático e arborizado. A maioria eram bebés de colo mas havia sempre uma ou outra criança mais velhinha, aé aos 7 ou 8 anos . Centenas de crianças foram ali salvas da miséria e/ou da ausência de Amor e Carinho.  O termo "Caridade"da casa não representava a "Caridadezinha" de estilo Senhoras da Mocidade Portuguesa, como a que parece estar por aí em voga, de novo. Era a "Caridade" no sentido bíblico de S. Paulo, como sinónimo de Amor, aquela que vale mais que falar muitas línguas e que até ultrapassa a força da Fé e da Esperança.
Pois bem: chegada lá hoje, foi o choque! Pensei até que me havia enganado na porta e  percorri toda a rua. Mas era uma realidade: a vivenda, uma sólida construção dos anos 60, tinha as paredes laterais derrubadas, o portão estava selado a cadeado, o belo jardim abandonado. Na parede fronteira, um cartaz de "Vende-se", já desleixado.
Há algum tempo ouvira rumores que a obra estava em dificuldades financeiras, como tantas outras neste tempo de nojenta crise. Mas como sabia que a obra vivia apenas dos apoios que lhes davam as boas-vontades, confiei que não falhassem os gestos amigos que impedissem o pior. Frei Gil já falecera há muitos anos e a obra sobrevivera sempre, tanto esta casa como as outras para adolescentes e jovens.
Hoje porém, verifiquei que algo não correra tão bem e então as lágrimas correram-me, de raiva, como já disse, para com este mundo dominado por bestas. E chorei de raiva, também, por não me ter preocupado muito antes, pelo meu tipo de apoio apressado, fugaz, envergonhado e natalício, sem tempo para cuidar mais daquelas crianças ao longo do ano.
A zona é considerada nobre, sempre muito cobiçada pelos novos-ricos e pelos cultores do betão. Se bem me lembro a casa era cedida por um benemérito amigo, há já décadas e décadas. Ao observar a forma como agora estava tratada, não era difícil adivinhar o que acontecera, pois conheço dezenas de casos semelhantes: o dito benemérito lá falecera , chegara a "vez" de algum herdeiro distante e mais insensível que reclamara o que "era dele/a", a contar os tostõezinhos e o lucro. Lá despejara as pobres senhoras e as crianças(espero que ao menos com uma boa indemnização, mas duvido muito!), sem pudor, lá tentara as obras, num primeiro momento e não tivera dinheiro para tanto, tendo agora posto a casa à venda,  mais uma casa outrora bem cuidada e cheia de vida e risos entregue ao musgo do tempo e da ganância humana! Aquela casa era  e fora o lar de muitas crianças, agora é apenas um lugar. Um lugar esventrado e inútil.
O que mais me impressão causou, ainda para mais, foi não conseguir encontrar vizinhos que me soubessem explicar o que acontecera, para onde haviam mudado e Se tinham nova casa. Indaguei em algumas portas em redor e em moradores que passavam, mas ninguém sabia o que acontecera àqueles vizinhos há tantas décadas ali, num lugar que fora tão acarinhado por tantos. Só que já há alguns meses já por  lá não estavam.
É assim a memória do Mundo. É assim a sua capacidade de Atenção... E eu fora, indirectamente, cúmplice também ...:'((
Regressei a casa, desanimada, para ainda ver mais uma medida pseudo-troika dos desgovernantes, na calha para o ano que vem e já a saltar para os jornais:"Duração do subsídio de desemprego pode vir a ser reduzida até 75 %" (e isto até para desempregados acima dos 40 anos, hoje em dia já considerados não recicláveis pela maioria do nosso patronato).
E ainda a notícia de novos aumentos dos transportes, que se prevêem enormes! (mas que simpaticamente os desgovernantes dizem ser "SÓ" para Fevereiro). Grandes governantes!
São estes trastes  todos que nos custa aceitar como humanos que querem para sempre destruir o Natal e a vida das pessoas, estes herdeiros de casas que despejam sem um pingo de alma, todos esses especuladores do lucro que levam empresas e países à falência e  todos os seus ajudantes "Reis Magos", Gaspar, Pedro "Baltazar" e Relvas "Melchior.
Já nem me preocupam os "infelizes" que desprezam o Natal de outras formas, só porque são egocêntricos elevados à máxima potência, odiando o sentido do Natal junto dos seus, mas desejando boas Festas a desconhecidos, aos importantes e aos estrangeiros. Esses são patéticos,uns tristes, não há muito a fazer, se eles próprios não quiserem mudar, fazer Natal (para si, mas acima de tudo por o fazerem  PARA os OUTROS).
O que me apetecia, neste momento é que acontecesse a esses Tios Patinhas /Mr. Scrooge das altas Finanças e de muita Avareza,a todos esses comedores de dinheiro e heranças e aos seus amigos dos ratings e Bolsa, o que aquele criativo no  video  do Youtube acrescentou ao final do famoso "Do Céu Caíu uma Estrela" ("It´s a wonderful Life"), de Capra. ORA VEJAM ATÉ AO FIM! Pode parecer terrível, mas julgo que por vezes esses Monstros do Dinheiro, esses Srs Potter (o "Scrooge" do filme, o único que não se arrepende ou sente piedade pelos outros, pois substituiu o coração por um cofre). Confesso que seria um Natal mais justo  para todos, PELO MENOS UMA VEZ que fosse, malditos sejam! :(((não se assustem, segue já a mensagem mais positiva e natalícia para a quadra. Agora tinha de desabafar a minha amargura!)
Margarida Alegria (24/12/2011)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A verdade mais simples ao fechar :Nature Boy


(Nature Boy-After Effect Animation por"butterflyonmynose")
Para fechar em beleza o serão, uma lindíssima animação, que nunca me canso de admirar, um trabalho universitário feito com a  técnica de colagem,  ilustrando este clássico musical na voz de Nat King Cole. O tema "Nature Boy", por sua vez, inspirou-se no "Príncipezinho" de S.- Exupèry.
Esta pequena maravilha recorda-nos  a mensagem mais verdadeira e simples que  admitimos  com facilidade mas que tendemos, na prática,a desprezar: que, não importando quantas  voltas  possam sofrer  a  nossa vida e o Mundo, o Amor (pessoal e universal) é e será sempre o valor mais absoluto e ansiado pela Humanidade.
Bons sonhos!