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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dia 2 de Março faz ouvir a tua Inquietação e defende a Democracia !- Inquietação - Camané e Dead Combo


(Camané e Dead Combo- "Inquietação"; versão de 2012 do  Poema e Música de José Mário Branco; animação : Ryan Woodward; montagem: Rui Ramusga)
Uma canção e um Manifesto
Há muito que não deixava música portuguesa por aqui. Vou redimir-me. E que música!
Já tinha escutado esta versão da "clássica" e fabulosa "Inquietação" de José Mário Branco, mas só  no início  de Janeiro surgiu um video no youtube, felizmente original e com bom gosto  e proporcional ao poema    e   ao quase fado.
Camané dá a voz , os Dead Combo acompanham.
Melhor tema não podia haver, para ir lembrando o próximo dia 2 de Março, sábado, onde o Movimento "Que se lixe a troika" convida todo o país a sair à rua e fazer escutar a sua voz, já que há quem pense que só temos direito a voz de quatro em quatro anos, em eleições rotineiras , e que de resto temos de ouvir, calar... e pagar, pagar sempre mais. Não por alguma dívida que tenhamos contraído, mas por uma que foi contraída em nosso nome e que agora nos sangram em impostos e taxas várias, com juros de agiotagem, enquanto os responsáveis continuam protegidos, à solta, a fazer "das suas", a lucrar com a desgraça do país, que se humilha sem soberania, sem esperança, sem a atenção dos governantes que haviam prometido justiça e por todos zelar.
Não podemos  continuar a deixar que falem em nosso nome e depois ainda nos acusem de "censura", quando em manifestações pacíficas o povo canta  "Grândola Vila Morena", como forma de protesto. Decerto estariam mais preparados para bater em quem atira pedras ou parte montras, como noutros países, do que em quem usa formas de resistência pacífica, protestos imaginativos. Mas é este o caminho: o da resiliência, o do protesto a moer-lhes o juízo, o da Não-violência.
Violência existe, mas essa é a que vemos neste sistema cada vez mais desigual e desequilibrado que nos leva a alma e os bens. Violento é o espírito da escassa minoria que nos quer remeter à escravatura em versão do século XXI, que nos quer limitar à miséria, a um Futuro sem opções, sem saídas. Um Futuro... "sem-abrigo".
Vivemos tempos de inquietação, mas não devemos confudi-la com o Medo, que tanto nos querem impôr. Ainda temos voz: vamos portanto para os centros das nossas cidades e mostremos, nestas manifestações, que somos de tal forma o tal "Melhor Povo do Mundo" (nas palavras hipócritas do tributário-mor do "reino"), que rejeitamos esta  forma de gerir um país, a despejar tudo em buracos sem fundo de bancos meliantes e   de especuladores vampirescos. O "melhor povo" que rejeita  esta distorção da democracia , num regime que nada respeita: nem as promessas feitas, nem sequer a Constituição, a nossa lei básica que esses políticos juraram cumprir.
O "melhor povo do mundo" tem os PIORES políticos do mundo, que não o merecem, que  agora terão de escutar, sem "filtros" nem distorções dos "fazedores de opinião" das TVs e jornais, esses tudólogos que argumentam que o povo " não entende as mensagens de quem governa", que é tudo questão de  melhorar a "COMUNICAÇÃO" das medidas carrascas que nos vão despejando em cima.
 Comuniquemos nós. NO dia 2 de Março, o povo português, presente nos seus cidadãos de todas as condições e lugares, irá ,ele agora, COMUNICAR melhor aos (des)governantes e restantes políticos ---que ainda não parecem ter entendido as mensagens, nem do dia 12 de Março de 2011, nem do dia 15 de Setembro de 2012, nem de todas os outros protestos feito ao longo das últimas décadas-- que os portugueses não aguentam mais austeridade, aliás, o roubo institucionalizado transvestido de austeridade, que os portugueses estão saturados de políticos demagogos e/ou corruptos, de políticos mentirosos e sem sentido de serviço e sacrifício pelo país, de "economistas"-videntes que tratam as pessoas como números, de governantes que resolvem todos os problemas indo buscar aos bolsos  dos que menos podem (aos seus impostos, ao corte dos seus salários,  que já  eram dos mais baixos da Europa, aos subsídios escassos dos carenciados, às pensões dos idosos, aos fundos que deveriam ser para cuidar de doentes e de crianças) o dinheiro de que precisam para as suas megalomanias,ou para o favorecimento dos negócios dos seus amigos e dos mais poderosos. Os portugueses não querem mais que a política, a que deveria ser o "serviço da cidade", da Polis,  esteja subserviente perante o poder económico, sobretudo diante do poder  financeiro especulativo, o ramo da "economia" que nada produz e que é sempre o mais sôfrego, o mais insaciável, o mais dominado pela cobiça, precisamente por ser o que menos entende quanto custa  sonhar, produzir , criar riqueza num país. 
Os portugueses desprezam, com proporcional e retribuída sanha, os senhores (sempre os mesmos) da alta Finança que despoletou esta "crise", a nível Mundial e a nível nacional, aproveitando-se de políticos corruptos (ou simplesmente estúpidos) para sugar as posses de países inteiros,-- e dentro destes dos bens   dos seus cidadãos,  do haveres de  famílias e de pequenas empresas--, de forma a compensar as suas irresponsáveis movimentações/apostas de dinheiro. Portugal não quer mais ser comandado por quem joga na roleta da bolsa  e das negociatas com o dinheiro dos outros.
Portugal, terra do "melhor povo do Mundo", com quase 900 anos de existência (e já habituado, em momentos mais graves, a rejeitar  e até a "defenestrar" os que escolhem  trair o seu povo, para o vender a poderes exteriores), não quer que continuem a vender as suas melhores  e  mais lucrativas empresas ao desbarato,  a vender o seu território a outros, a vender a sua mão-de-obra a preço de escravo, emigrante ou dentro de portas.
 O que foi conquistado nas últimas décadas, as melhorias sociais, de nível de vida, a maior equidade e os direitos sociais do 1º Mundo, foram até sugeridos  e incentivados pela Europa dita solidária que nos queria integrar como povo igual,  a mesma Europa que tivera vergonha de Portugal e dele se arredava , nos 48 anos da ditadura salazarista (ou esquecem todos os países do mundo ocidental que tinham  cortado relações diplomáticas connosco nessa época?). Esse progresso económico e social, ainda longe do ideal, não foi um favor, uma benesse da vida, caída simplesmente das nuvens, mas algo que pagámos bem caro, com  aumento de preços, com carestia de vida, com o nosso próprio suor,  com o abandono forçado de agricultura, de pescas e de outras fontes produtivas, com todas as vantagens que o nosso progresso trazia também aos que cá nos queriam vender os seus bens.
 Diziam-nos que tinhamos de melhorar qualificações, melhorámos; tinhamos de incentivar a  melhor formação dos jovens, incentivámos; tinhamos de aumentar a esperança de vida da população, aumentámos. Já então eramos os  tais "bons alunos", embora já então medrassem no nosso meio os "cábulas" da política caciquista e corrupta que cada vez mais se instalou e minou os poderes nacionais. E afinal para quê? Agora dizem estes mesmos e os outros que temos de regredir, pois alegadamente viveramos "acima das nossas possibilidades". E, curiosamente, muitos dos que  agora se reclamam os "bons alunos" da troika, batendo hipocritamente no peito e impondo o castigo  beato e parolo da "prevaricação" a todos, são   muitos dos mesmos que antes copiavam,  dos que não estudavam e preparavam os seus esquemas de cábulas, dos que, rindo-se nos protegidos "aeródromos" das suas carteiras,  atiravam aviõezinhos  bem "tecnoformados"  à cabeça e à paciência dos outros alunos. 
Não deixaremos que se continue a confundir uma sensata poupança e o honrado pagar de dívidas, preocupações  de povo honesto e calmo que somos,  com o idolatrar da  austeridade cega e só para alguns, com estas políticas de destruição de direitos e de   REimplantação da pobreza, esse delírio doentio de uma minoria resguardada dela,  resguardada também , com todas as manhas, das leis macabras que cria para os outros.
A nossa Inquietação e a nossa voz têm de ser expressivas neste sábado, deixando de vez o medo , ou  a  indolência frente à TV. Comecemos a  preparar os cartazes,  a afinar  a voz para os cânticos, a dar a "corda os sapatos" para caminhar ao lado dos  nossos concidadãos em indignação, nossos iguais em dignidade ferida,  enquanto temos ainda um País, mostrando o quanto o queremos defender da espoliação e da humilhação, do estatuto de protectorado. 
Vamos pelas ruas e exijamos, cada vez mais, uma nova maneira de vivermos a democracia, exijamos aos políticos que sejam responsáveis e prestem contas pelo que decidem. Mostremos que não somos um povo adormecido nem muito menos resignado. Mostremos que entendemos muito bem o sentido das medidas homicidas que nos querem impor, que os portugueses estão longe de serem os burros de carga e os parvos porque os tomam alguns senhores do país. E digamos que NÃO queremos, medidas dessas, COMUNIQUEMOS-LHES (já que são duros de ouvido e de senso) que os governos devem ser para  servir Portugal e o seu povo não para  deles se servirem  e abusarem. Portugal não é deles, nem dos credores, Portugal é a " nação valente e imortal" que celebramos em Hino. (Um Hino nacional, "A Portuguesa". Já ouviram falar , senhores da troika e troikistas? )
Mostremos que queremos o nosso Futuro, a nossa Liberdade a nossa Vida. Incerta  e inquieta que possa ser  a Vida nestes momentos de coragem ,de mudança, de resistência ao mal que não queremos,  ela só pode continuar se de rosto levantado e sem medo, em cidadania participante e solidária.  E, tal como canta a "Inquietação"... "essa coisa é que é linda!".
Margarida Alegria (26-2-2013, in blog "Alegrias e Alergias")

(pronto,  entusiasmei-me e fui por aqui fora, mas até mais haveria a dizer, como sabem. Dia 2 não há desculpa: há manifestações em quase todas as capitais  de distrito e noutras cidades: até em Madrid,em  Londres e em Boston! CONSULTAR AQUI os locais e as horas, para já em 35 cidades).
 Não nos devemos unir apenas para  o Futebol...DIA 2 de MARÇO, vamos mostrar que os CORAÇÕES dos portugueses batem em uníssono, pela HONRA  E FELICIDADE das nossas vidas e  pelo ORGULHO no noso  país !

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Continuando a matança do porco...mealheiro! :(

Para já ainda a digerir o ANÚNCIO das novas medidas de hoje à tarde, via ministro Vítor Gaspar.
Como se previa, mais impostos, devolver um subsídio de um lado, para o retirar logo por outra via e mais uma taxa IRS extra blablá, para além da alteração (para pior) dos seus escalões.
Cobrar ao capital não resultante do trabalho? ah... depois logo se vê, quem sabe...
E ainda aqui:Forte aumento do IMI em 2013 e 2014 (e as outras medidas, in Público)
Depois da sangria do porco, já falta pouco para a "matança" para ainda tentarem  aproveitar a pele e os ossos...
Ah, mas de certeza que este nosso porco-mealheiro nacional,  "sangrado" e quebrado  por quem pouco ou nada amealhou nele, vai ter-- para além da orelheira, das tripas, dos pés para banquetes de coentradas dos "Mercados"--, uma boa víscera  extra para aproveitar (talvez para remédios, que não para os nossos): um repleto FEL, com a amargura acumulada por este povo paciente.
ATÉ QUANDO?!
(volto já, com algo mais a dizer...mas cada vez custa mais, numa época em que já não há quase palavras para classificar tanto roubo e tanta injustiça...)
"Alergia" ( 3 de Outubro de 2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Enquanto decorre o Conselho de Estado, um Prelúdio Musical:Cantiga para quem Sonha - Luiz Goes


(Luiz Goes,Cantiga  para quem  Sonha"; video de  Cristina C. Gil,2011)
Na homenagem tardia a Luiz Goes ,falecido há dois dias , o maior dos intérpretes de Fados de Coimbra (e mais famoso,exceptuando  José Afonso).
Há muitos anos que não escutava este tema um dos mais cantados nos Campos de férias, para além  do"Canto Moço" do referido Zeca Afonso.
A letra é sempre actual  e adequada aos dias que correm não acham?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Anteontem: Segunda Vigília Pela Educação(17-9-2012-Sic)



(Vigílias no Porto e em Coimbra contra a nova estrutura curricular, formação de mega-agrupamentos e pela vinculação dos professores contratados, dia 17 de Setembro de2012,  notícia na SIC)

A tal  a que  não pude ir.. :(((
100 participantes  no Porto e 30 em Coimbra?! :(
E  também decorriam em Braga e em Lisboa....porque não mencionaram? A mesma apatia docente de sempre pelas bandas da capital! Concordam com estas políticas que estão a destruir   a Escola Pública?! Custa muito sacrificar 4 horas   e  abdicar das novelas? Não há meio de entender... Na Educação, tal como na luta contra as "desmedidas" das Finanças nacionais, precisamos   de ser persistentes a manter acesa a chama destes  protestos ...
Ah... mas muitas pessoas gostam de milagres e de salvadores instantâneos, não é?
Esquecem  a lição fundamental: nas Causas, como na nossa Vida, o nosso "Salvador" devemos ser nós próprios, mas tomando parte  no que se organiza de interacção entre pares.... Até os bandidos das  quadrilhas ,  financeiras ou outras, sabem isso muito bem.
É como dizia "o outro": o Bem venceria, se os bons dedicassem tanto empenho ao Bem quanto os maus dedicam ao Mal. (a frase não é  bem assim, mas fica a ideia. O autor é muito famoso mas agora passou-me...).
Amanhã dedico mais tempo a reflectir sobre estas iniciativas de Professores, com fotos da primeira Vigília, em Julho passado. Agora estou demasiado desiludida, embora ao mesmo tempo contente com a dignidade e a participação variada que pude ver nas imagens (alunos, pais... vá lá...) Força, MJ , I. , JP e restantes amigos/as.
Ai Portugal, Portugal.... :((
Deixo aqui o texto do Comunicado desta  segunda Vigília:
"Estamos aqui para provar ao senhor Ministro da Educação e à sociedade civil que estamos unidos e que acreditamos na escola pública, numa escola para todos e não apenas para alguns;
- Estamos aqui para dizer, neste que foi o PRIMEIRO DIA DE AULAS em muitas escolas, que as coisas não estão bem nas Escolas e que é necessário contar a toda a gente o que realmente se passa dentro delas:
- Tal é a desorganização nas escolas que muitos dos horários dos docentes foram concluídos até à última hora;
- Existem professores com 10 ou até mais turmas, cada uma podendo ter até 30 alunos, o que poderá perfazer cerca de 300 alunos por professor;
- Que esse elevado número de alunos por turma compromete seriamente o apoio individualizado aos mesmos, o seu sucesso educativo e inclusive fomentar casos de indisciplina. A própria OCDE refere num relatório divulgado há dias que o aumento do número de alunos por turma piora o nível da educação;
- Constatar que existe uma escola dirigida por uma política de medo, cujos professores são seus reféns;
- Que os mega-agrupamentos, escolas que custaram milhões ao erário público, não têm dinheiro para pagar os seus custos operacionais mensais. Estas escolas, com milhares de alunos sem a supervisão devida, em vez de se regerem por uma proximidade entre direção, professores, alunos e restante comunidade educativa, são cada vez mais desumanizadas.
- Estamos aqui porque um dos grupos mais afetados a nível de estatística do desemprego são os professores, que de um ano para o outro… deixaram de poder trabalhar, embora sejam necessários nas escolas. Aliás, Nuno Crato tem referido repetidamente que, nos últimos anos, o número de alunos tem diminuído, apresentando esta justificação para o corte no número de professores este ano letivo. No entanto, os dados oficiais DESMENTEM esta justificação ministerial: a Direção-Geral de Educação refere que o número de alunos aumentou nos últimos 3 anos; também a OCDE prevê um aumento de 10% dos alunos entre os 15 e os 19 anos, em 2015, em comparação com a última década. Isto, já para não falar no número de alunos que, devido à crise económica que vivemos, tem passado do ensino privado para o público.
- Estamos aqui para dizer BASTA… Não somos os bodes expiatórios da crise. Esta situação em que milhares de professores se encontram é o fruto de políticas educativas falhadas de sucessivos governos e dos seus experimentalismos.
- Estamos aqui para contestar as políticas educativas que são erradas, puramente economicistas e que, visto sermos nós que as colocamos em prática diariamente nas escolas, queremos ser ouvidos e queremos desde já a REVOGAÇÃO DA REVISÃO CURRICULAR e um AMPLO DEBATE sobre o assunto.
- Estamos aqui, neste movimento cívico, para demonstrar a nossa INDIGNAÇÃO e decidir o que queremos fazer com a nossa LUTA e ouvir-vos a vós: Professores, encarregados de educação e restante sociedade civil porque, seja aqui ou de outra forma, entre a inação e a ação, nós preferimos a ação.
Para terminar, gostaria de dizer que estou com a terrível sensação de que, iniciado o ano letivo e ultrapassada a oposição inicial dos mais resistentes, se os professores deste Portugal não demonstrarem que estão descontentes com as políticas educativas deste Governo, os que estão fora do sistema não passarão de distantes memórias e a Escola Pública, tal como a conhecíamos, desaparecerá.
Digamos de uma vez por todas: BASTA."

sábado, 11 de agosto de 2012

apresentação da Plataforma pela Educação


Pode transmitir algo de tímido, este video de lançamento público,mas, como em tudo, devemos privilegiar  o Conteúdo em vez da Forma.
Há por aí muitos lutadores  "especializados" mas  que o são apenas a  partir do sofá, ou, com dizia uma querida amiga e colega minha,  infelizmente já noutra dimensão, "escondendo-se por detrás de um teclado". Tanto  neste caso como em outras situações das suas tristes vidas.
Há quem seja mais ou menos telegénico.  Mais ou menos eloquente.  O   importante é que cada um faça a sua parte, revele união e dê o seu contributo para o esclarecimento do País sobre o que se está a  passar de ANORMAL no mundo educativo, sob a capa de um procedimento "Normal".
Há muito para andar e   sofrer, no   Ano Lectivo que se aproxima. Aqui há uma  grande vontade  de  luta com gente dentro.
 Falta   apenas  a adesão dos restantes professores e de quem mais se   precupe com a Escola Pública.  Esquecendo estilos e divisões...
Força!
E aqui fica o Link para o blogue da Plataforma:
http://escolapublicappe.blogspot.pt/
Novo link para a Plataforma, agora no Wordpress(Obrigada Isabel Moura):
http://plataformadeeducacao.wordpress.com/

sábado, 4 de agosto de 2012

30 mil+ 15 mil... não falta muito para "gasear" com o desemprego os 200 mil... :(

(c) Margarida Alegria (12-7-2012, Lisboa, Manifestação de Professores, um dos cartazes mais visionários e eloquentes)
Por vezes, quem critica o sistema que se está a criar no País, de autêntica diabolização de algumas profissões, especialmente de todas as que são da Função Pública ,-- a "origem" de todos os problemas, segundo os políticos neoliberais e seus comentadores e jornalistas encartados-- é visto como "exagerado" e alarmista.Mas tem razão. Assim, temos de facto a nítida perseguição e crítica negativa a profissões ns quais  a população (pelas sondagens) até confia mais do que em todas as outras. As outras em que precisamente o povo MENOS confia (poíticos à frente, mas também advogados e... jornalistas).
Temos a perseguição e o calcar aos pés dos professores, dos enfermeiros, dos médicos, também dos polícias e dos bombeiros e de todos os funcionários de repartições em geral, vistos ainda com uma imagem à séc-XIX, uns aduaneiros com brilhantina, mangas de alpaca e ronceirice atrás de um guichet gordurento, o que já está longe da realidade, na maioria dos casos. Calca-se desta forma a Função Pública (FP)deixando passar ao lado, sem reparos, a multidão de assessores e outro funcionários que entram directamente para o poder na FP, via nomeação no Diário da República, sem se saber as verdadeiras qualificações e passando até a chefiar funcionários de carreira e longa experiência que acabam por ter de acatar os seus dislates e disfarçar e compor com muito trabalho a incompetência desses boys e girls. Muitos dos FPúblicos ficam até arrumados em prateleiras, não porque estas  sejam douradas, mas porque são incómodos, porque mais contestatários e MUITO competentes. Aí está o desperdício e "as gorduras" do Estado a cortar: recolocar à frente os  funcionários mais competentes e experientes e cortar as novas gorduras dos boys recrutados. Mas não, claro... o que interessa é a propaganda para fora e não a melhoria dos serviços.
Quanto aos professores, depois dos ataques à sua dignidade pela sinistra Maria de Lurdes e depois reforçada, sob a capa de sorrisos, por Isabel Alçada, temos agora o novo triturador dos docentes, o Crato, o tal que queria implodir o MEC antes de ser Ministro. Afinal o que quer é implodir a Escola Pública, derrubando um dos seus pilares fundamentais, os professores. Com manobras d gabinete, sem negociação,  de manipulação dos recursos (aumento de alunos por turma, fim de desdobramentos de turmas em aulas  de Ciências experimentais, fim de cursos de adultos e limite de ofertas de turmas de Cursos profissionais, alteração de Currículo, associação de escolas em "Mega-agrupamentos" , redução do ensino artístico a uma nota de rodapé no Currículo, bem como de Ed. Física e do desporto escolar, etc etc.. com aumento extra-legal do nº de horas lectivas de uns professores, para deixar outros em "horários-zero" "custe o que custar"...). E no meio disto tudo, tentando mais  uma vez virar professores contra professores: fazendo crer que quem tira vaga aos docentes contratados com muito anos de serviço, são os professores do Quadro e ainda mais anos de serviço...mas agora obrigados a concorrer à mobilidade interna. E levando esses professores do Quadro virar as costas aos profs contratados, para salvar o seu lugar no sistema, numa guerra do "salve-se sem puder".
Retomando o início do texto, quem compara a guerra aos f. Públicos com a colocação de Judeus e outros em campos de exterminação, --para serem gaseados(os mais fraco para a escravaturas: doentes, mais exaustos,mais velhos etc) ou escravizados até ao limite das forças-- não é assim tão exagerado. A "luz ao fundo do túnel" de bancarrota que os nossos desgovernantes financeiros buscam parece ser mesmo o  levar para a exclusão e o extermínio Professores e restante F. Pública não "creditada" com equivalências dadas por cartões partidários ou da "cunha".
Pois não são professores, médicos, enfermeiros... profissionais que ingressam numa carreira por REAL MÉRITO e por concurso e não "pela porta do cavalo"?
Defender a Função Pública (a verdadeira) é defender a isenção da defesa dos cidadãos que aí podem ver o apoio às suas queixas e problemas, o que não acontece  se lidarem apenas com programas de computador (que bloqueiam, vão abaixo, estão mal programados...) sem alma e com dirigentes -boys incompetentes.
No caso dos Professores: já nos haviam colocado no braço a "estrela amarela" daqueles que "não queriam ser avaliados como os outros" (uma , ou duas neste caso, mentira repetida, tanto o  é que....), uma tremenda mistificação que se disseminou em 2008, perante o choque de se ver pela primeira vez 70 ou 80% dos professores  de todo o país a protestar em Lisboa. Melhor, já haviam conseguido, como fizeram os nazis hitlerianos, que os próprios professores  desenhassem e colocassem a sua própria estrela, pois infelizmente por vezes tantos docentes são os piores carrascos para si próprios e para os colegas.Sabem do que falo: muitos correram a pedir  avaliação e aulas assistidas e a querer "Excelentes" de papelão e a serem "bufos" dos outros colegas, como se fossem concorrentes! Isso foi uma   autêntica "estrela amarela " símbolo do nosso complexo de inferioridade. 
O ministro explica que esses professores sem turmas atribuídas vão ser todos "Necessários ao sistema"(?), vão ter "Ocupações nas escolas em actividades lectivas ou de apoio ou outras (???) Be, também chamaram a Dachau e a Auschwistz... campos de Trabalho, de reabilitação, de reeducação, no fundo uma forma de OCUPAR os judeus inúteis e os tornar aproveitados pelo "sistema", nem que depois fosse  recolhendo os seus cabelos  e dentes , ou curtindo a sua pele. E nesse campos também "promoveram" alguns dos prisioneiros a vigilantes dos seus semelhantes, pois os soldados não conseguiriam sozinhos impedir as revoltas. MLRodrigues criou a função de Directores e até de prof "Titulares". E mais tarde surgiram os "professores avaliadores"....A sede de poder e a vaidade tenta muita gente...
Agora faltava a "Solução Final", semelhante à de Hitler. Ela já está aí em marcha: agora mandam uns 13.300 professores do quadro (sairam ontem os resultados provisórios(Leia AQUI "Os números consolidados!" as contas feita pelo blog "Pé ante pé", incluindo uma primeira coluna que mostra quantos dos professores estavam MESMO em horário zero no ano de 2011, para comparação) para uma falsa situação de horário zero, para dizerem ao mundo que esses estavam "há anos a mais no sistema" ( e sabem quais dos grupos mais afectado, para além de EVT e ET? É sobretudo  o Português e também as Ciências e a Matemática!(isto é que é valorizar o que chamava de "disciplinas essenciais", Sr. Ministro?). A esses juntam-se um milhar e meio e tal que foram excluídos desse concurso, alegando que não são "professores da carreira" (muitos foram parar a essa lista por engano!). E juntemos-lhes os que para já ficaram com pelo menos seis horas lectivas no horário, continuando nas escolas. Juntando a pelo menos 30 mil, dos 40 mil professores contratados que concorreram a vagas que sobrassem nas escolas... veja-se a "sangria" forçada que está no corredor da morte do desemprego! Isto quando em 2006 a própria MLR dizia que tinhamos à justa os professores necessários aos sistema (e já faltavam tantos , em algumas disciplinas que agora são trocadas, pelos licenciados, por carreiras na investigação!).
Contas, por alto mas não longe da lista dos docentes (com muitos anos de serviço, repita-se, alguns com 50 e até 60 anos de idade!) prontos a serem "gaseados", nos falsos chuveiros de serem "necessários ao sistema", como tenta tranquilizar o Ministro: 30 mil dos contratados + 15 mil dos "efectivos" agora "horários-zero", ou melhor  "0+/0, 5"= 45 mil funcionários para o lixo, de entre  100 ou 200 mil os que os Troikas e os empresários mamões no Estado querem que se alcance...
Pensem nisto, docentes e outros membros da FP. Se agora não é altura de denunciarmos isto , de sermos UNIDOS e de lutar contra estes planos de extermínio, quando será a hora?
Ah pois, mas ,porém, todavia, contudo....
Ai querem conjunções? ORA! :/
(está a ser um longo e penoso Verão, mas em Setembro é que virá a canícula. Temos de a saber enfrentar e vencer.)
 Margarida Alegria (4-8- 2012, in blog "Alegrias e Alergias")

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vigília pela Educação - Porto- zelando por um "jardim" em perigo...

(C) Margarida Alegria (Porto, 18-7-2012, Pr.da República)
Finalmente a foto-reportagem da Vigília pela Educação, no Porto (de 18 para 19 de Julho, entre as 19h e as 12h do dia seguinte, na Praça da República). Depois de muitas peripécias e problemas de rede,durante alguns dias, consegui agora  fazer um primeiro post com algumas das imagens captadas e breves legendas/apontamentos. Não são mais, as fotos, pois a bateria da máquina não aguentou até à madrugada.
Logo já sairá novo post com reflexões sobre o evento.Que espero/todos esperamos que tenha sido apenas um arranque de  muitas mais acções de protesto e de sensibilização do País-- e também de uma união muito maior entre TODOS os docentes,-- em defesa não só dos seus postos de trabalho como sobretudo em defesa do Ensino Público de qualidade.
Nesta primeira foto, captada durante a primeira hora da Vigília, o empréstimo espontâneo e providencial de um  megafone por  um cidadão que por ali passou, ajudou a esclarecer um dos objetivos da Vigília: a assinatura de uma Carta Aberta ao ministro Nuno Crato. NO arranque do evento, a que assistiram diversos jornalistas e algumas estações de TV, o número rondava a centena e meia de docentes, mas muitos transeuntes (alguns até ciclistas, como podemos ver) quiseram demonstrar a sua concordância como protesto, assinando também. A forte presença dos professores de EVT, dos mais lesados com as (des)medidas do MEC, sublinhava-se em laivos de amarelo, mas estiveram presentes colegas de todas as áreas e disciplinas, desde (alguns) professores contratados de entre os milhares  que agora são jogados para o desemprego, aos docentes com décadas de serviço e do Quadro das escolas que serão agora descartados para "horário Zero", passando por imensos que nem são agora directamente ameaçados com a mobilidade especial, mas que quiseram destacar a sua solidariedade. Vários docentes reformados, até, que, se fossem egoístas nem precisariam de se "incomodar" em ali estar,mas que sabem que a expressão "Um por todos e todos por um " não pode ser em vão.
Ao todo, naquelas horas, com mais ou menos tempo disponível para marcar presença (o trabalho nas Escolas ainda ocuparia muitos na manhã seguinte), terão passado umas 900 pessoas. Foram mais de seiscentas as assinaturas da Carta, entre docentes e cidadãos que por lá passaram, considerando que muitos só não assinaram pois não se aperceberam da pequena mesa que se rodeava da multidão.
Mais poderiamos ser? Muitos dos mais afectados ficaram petrificados e desanimados em casa? Sem dúvida. Mais seremos para a próxima, que, aproveito para  anunciar, será às portas da DREN, amanhã, dia 24 de Julho, pelas 17 horas (pedem que as vestes sejam brancas, mas claro que não é obrigatório!). Em Coimbra o protesto junto à DREC será no dia 25 e em Lisboa será no dia 27, à porta do Ministério, na Av. 5 de Outubro (sempre às 17 h).
Para além disso, numa sugestão do João P. Soares, embora alguns já tenham entrado em férias oficiais, os docentes pelo país poderiam pedir a convocação de reuniões Gerais e/ou de Departamento com quem ainda "por cá "andasse", para que se pudessem delinear estratégias para o arranque do Ano Lectivo, de verdadeiro protesto nacional DENTRO das escolas, de forma a demonstrarmos ao MEC que todos os docentes somos poucos, uns sem os que partem, para que o Sistema possa ser de verdadeira qualidade e excelência que é tão apregoada poe sucessivos governos e Ministérios! Docentes e directores têm de se mostrar colegas e unidos de uma vez por todas.Tais reuniões esta semana ainda, ou até ao fim do  mês. Que tal? PASSEM a PALAVRA, por favor. Não podemos deixar tudo esmorecer até Setembro...
(C) Margarida Alegria (Porto, 18.7.2012)
Tantos colegas de ET e de EVT "escorraçados" por um Currículo novo que despreza as artes! Ou, nas palavras bacocas do ministro , o pensamento de que o "desabrochar da criatividade" não se pode verificar antes de se saber ler, escrever e fazer contas (!!!). Que rica visão da Educação, sim senhor...
O caso da colega A.: quase 32 anos de dedicação -- a uma carreira onde o que menos importa é o "carreirismo" de competir com os outros, mas o educar crianças e nelas ter de se centrar--, para depois escutar de governantes insensíveis e inexperientes que... já não precisam dela para nada?
Que "janelas" de "oportunidade"(no desemprego) podem existir para quem já estava nos últimos anos de uma profissão altamente especializada e de formação específica, Dr. PPC?
(C) Margarida Alegria (Porto, 18-7-2012)
Ao fim de, respectivamente, 10 e 12 anos de serviço como professoras contratadas (por um Estado que é o primeiro a saber explorar a precariedade e que nega o que seria legal de se efectivar após três anos),  as colegas que acenderam estas velas poderão tentar outros rumos de vida, quem sabe até emigrar como o Primeiro-Ministro desistente ou o turbo-licenciado Relvas aconselham.
Mas fiquem sabendo que 10 anos nesta profissão docente significam muitas horas de aprendizagem e especialização, são já muitos anos de experiência que um país ainda em Desenvolvimento deveria não desbaratar. Mas o MEC continua insensível a esta realidade, sem rumo numa política coerente de Educação, ao longo de décadas, mas especialmente nos últimos 10 anos. O frutuoso saber aproveitar da experiência dos mais velhos para irem passando o testemunho aos mais novos também não interessa  aos últimos três Ministérios que nos desgovernaram, pela forma como humilharam os docentes e fizeram milhares requerer a reforma antecipada, profundamente revoltados e desiludidos.
Empregarem docentes ou uns  meros guardadores de crianças deve ser tudo igual nas mentes de quem toma as rédeas do Ministério..."No pasa nada", como dizem os outros...
(C) Margarida Alegria (Porto,19-7-2012)
Já após a meia noite, nas horas de maior afluência (acabado as tarefas na escola, jantados...), entre as 22h e a 1h, o anunciar do ponto de situação das diversas Vigílias  a decorrer nas várias capitais de Distrito (Lisboa, Coimbra, Aveiro, Vila Real, Braga, Faro, Viseu.... e até... Guimarães, embora não sendo cap. de Distrito, mas como Capital da Cultura 2012).
Pena que muitos tenham pensado que a vigília era só dia 18 à noite e tantos tenham esquecido que, caso não pudessem então teriam toda a manhã do dia seguinte para  "Vigiar". Bem, os docentes são ainda uma classe muito intimidada para as questões que tratam da luta pelos seus direitos, talvez porque os empurraram sempre para o olharem sempre para os seus alunos primeiro.
Vamos aprendendo, paciência. Da próxima haverá mais gente, como já disse. Desde que todos metamos na cabeça que, Professores e Escolas se identificam mutuamente , pelo que excluir os primeiros destrói as segundas , sem remédio. Uma Escola não se limita a um belo edifício equipado, mas vazio  de gente e da sua "alma". E a alma da escola está em professores(sim senhores, não vamos em cantigas, está em nós também !) e alunos. Só quando todos entendermos isto é que nos deixaremos de complexos de inferioridade, que nos intimidam perante críticas externas à mínima greve ou iniciativa pela classe em si que ousamos. Daí até nos termos metido em manifestações aos sábados, para não "prejudicar alunos". E depois, que lucrou a Educação com isso se, ao voltarmos para as escolas ,fomos cedendo a todas as medidas e pressões como se nada se tivesse passado?
Sem nós, docentes, as escolas não funcionam, as crianças e jovens não aprendem verdadeiramente. Pelo mundo fora já há o alerta: o factor humano é o que mais pesa no apetrechamento das Escolas e na melhoria dos resultados. Não devemos ter receio de parar agora, de protestar e confrontar todos estes insultos à nossa dignidade, se metermos na cabeça que o temos de fazer  tem de ser feito AGORA, para que o Futuro não fique hipotecado para sempre. E qualquer ser pensante sabe que,depois, o tentar reparar o que ficar "estragado" será mais duro e mais caro do que travarmos agora este carro Educativo desgovernado para o precipício da precariedade e para o mercantilismo...
(C) Margarida Alegria (Porto, 19-7-2012)
Perto das três da manhã. A cidade dorme. Velas formando símbolos  e letras ( amor, infinito, E de educação, EVT...) e  decorando o jardim, vão mantendo acesa a chama da Esperança que ainda nos resta e marcando a presença da Vigília, entre as dezenas  que vão podendo ficar, tendo todas estas luzes sobrevivido ao orvalho da noite sob a guarda de  um número que poderia dar título a uma aventura dos cinco , de Enid Blyton: quatro docentes "maduros" e um cão. Mas. como cantava Zeca Afonso, se "houver uma praça de gente madura" não haverá só "gaivotas em terra" nem ,acrescento eu, pessoas que se deixam atemorizar e/ou se conformam com o que é inaceitável...
Chegada a manhã, lá se apagaram as velas a pedido da chefe de manutenção do jardim. Os jardins querem-se despojados de tudo o que não seja árvores relva e flores. Sim. Entendemos o zelo de quem quer fazer a parte que lhe cabe pelo país. Nós também gostariamos que o nosso jardim (dos docentes) que é a Escola Pública  estivesse apenas centrada no desabrochar das flores que são os nossos alunos, livre de todos os papéis e "adereços" vários (partidários, economicistas...) com que quem está fora delas insiste em atulhá-la. E que tantas vezes não nos vissemos obrigados a  lutar contra as "pragas" burocráticas com que tentam infestar as suas "árvores" , o trabalho docente de ensinar.
Comecemos agora, ainda vamos a TEMPO, a exigir com todas as letras, que de uma vez por todas  possamos ser escutados para as decisões que são tomadas para o "nosso jardim": A ESCOLA PÚBLICA.
(bem... disse que ia apenas escrever legendas, mas fugiu-me neste post já o teclado para a reflexão... Mas já sabem como sou,eheh...e no habitual estilo colorido e um tanto dadaísta graficamente..)
Margarida Alegria (23-7-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sábado, 14 de julho de 2012

Um Cognome não basta (Manif de Professores de 12 de Julho)

(c) Margarida Alegria (12 de Julho de 2012, Lisboa), in  blog "Alegrias e Alergias"
Difícil encontrar palavras suaves  neste momento,  senão  as que fazem eco das "etiquetas" que anexo. De resto, já expliquei que chegasse no post  imediatamente anterior, como em outros...
Este senhor(foto acima), todos os seus acólitos  do seu Ministério, o Governo a que pertencem, são autênticos Monstros vendidos ao poder Financeiro e seres sem espinha dorsal curvados às benesses que possam advir de um poder  mascarado e apátrida que nos tirou o que restava de soberania.
Podem os sindicatos terem criado um Cognome, para mais um Ministro "inominável" e sem palavra, mas já não há Cognomes que abarquem tanto desrespeito dos Governantes eleitos pelos cidadãos e pelo País que deveriam honrar e proteger acima de tudo! (e não os sugar  "para além da Troika" ou dar cabo deles "custe o que custar").
Como num ano  inteiro não tiveram qualquer respeito, também não terei pruridos  por esses senhoritos, autómatos  sem ideais nem verdade,  no que aqui desabafarei.
Destruir desta forma ,com a machadada ainda mais forte de todas, o que ainda ia segurando o Bom senso e a divulgação do Conhecimento no nosso Sistema Educativo, ou seja, OS PROFESSORES, enquanto, em simultâneo, resmas de governantes incultos e bu(r)rocratas vão desfilando , ano após ano, pelos gabinetes da  5 de Outubro, é não só um acto de agressão a um dos grupos mais qualificados do país, como um incomensurável acto criminoso contra a infância e a juventude de Portugal e, por extensão, contra todo o nosso Futuro nacional.
Que uns estrangeiros quaisquer, altos e que falam um Inglês atípico e macarrónico ,que só percebem de números e de moedas, vulgo "troikas",  mandem fazer isto e aquilo, inclusivé destruir um bom Sistema Nacional de Saúde e um Sistema Educativo que apesar de tudo ainda funcionava com muito mais qualidade que noutros países (julgam que os doutorados e bolseiros espalhados pelo Mundo são predominantemente gerados no "exigente" ensino Privado?! Estão redondamente enganados, suas... Amibas burocratas, seus  desgovernantes jovenzitos a cheirar a fraldas mas também a naftalina como velhos-precoces e a formol como cangalheiros de um belo País!)-- que estrangeiros que vivem em cofres  como o Tio Patinhas pensem assim,  já por si é aviltante....mas  ver decisões destas de quem se diz Português, de quem diz quer o melhor para o seu país, de quem fala em "metas de excelência" e "mérito", mas depois tira dinheiro e emprego a quem trabalha e a quem estudou para distribuir  mais benesses por uns boys de pacotilha  com diplomas sorteados em rifa e pelos eternos "donos de Portugal"?!
Não sabem mesmo o que andam a fazer! OU, se sabem , ainda são duplamente criminosos e traidores.
Seja como for, a VOSSA hora há-de chegar e, com a pressa com que andam em rapar os bolsos aos cidadãos de sempre, essa hora estará, --e espero  que esse acto de justiça não tarde--, mais perto do que pensam.
E isto inclui todos os "poltrões" e "poltronas" que, de uma forma ou de outra  antes  e agora se cala(ra)m,  estejam mais acima ou abaixo da hierarquia com que estrangularam a democracia  nas Escolas, ou  que ao longo dos anos foram sendo coniventes e colaboracionistas na implantação deste hediondo plano de Destruição da Escola Pública, pelo menos de há  oito anos a esta parte....(sinistra Lurdes, não estás esquecida!)
Despedir professores contratados ano após ano, há 10, 15, 20 anos?
Mandar concorrer e voltar a pedinchar vaga de horários a professores do Quadro de Escola, já  exaustos sacrificados ao longo das carreiras,  dizer-lhes ao fim de  20, 25, 30 anos de serviço ou mais que já não sobra horário para eles (enquanto se atucham turmas com 30 alunos em salas   onde cabem  mesas apenas  para 20 ou 22, num país que continua a precisar de melhorar os seus índices de escolaridade) ?! Não é nem Humano, nem Lógico, nem ao menos ..."Matemático"!
Solidariedade  e coragem a todos os colegas afectados, lembrando a quem não o foi que a lei do "salve-se quem puder" de nada servirá. Há mais que nunca urgência em tentarmos ser unidos: não podemos sucumbir perante mais estas "desmedidas"!
Voltarei mais logo, pois para já estou demasiado revoltada com o meu País que só nos sabe explorar os melhores anos de dedicação subvalorizada  e que cospe em cima dos seus educadores...
Por agora  deixo mais estas duas fotos, de entre os eloquentes e amargos cartazes da Manifestação dos Professores,  para que todos meditem e ACORDEM!
 Professores apáticos e restantes Cidadãos: ACORDEM!
Margarida Alegria (14-7-2012. in Blog "Alegrias e Alergias")



(c) Margarida Alegria (12-7-2012, Lisboa)


(c) Margarida Alegria (12-7-2012, Lisboa)

sábado, 30 de junho de 2012

Metas e "Lecas" - Ainda a Educação...

(Excelente cartoon  brasileiro,pescado na Net. Autor: Bibl (?))

Mais uns assuntos do "Mundo Educativo" (agora até quase soa a super-heróis e "Mundo de Aventuras"...)  um dos quais  tinha  ficado esquecido no post anterior sobre o tema (foi Lapso! foi lapso!!!):
Um é a carta dirigida à Direcção da FENPROF, missiva que já tem umas semanas....
Ei-la Aqui:

Diz respeito a professores as também a todos que se interessem pelo que está a suceder à Educação Nacional, pois é sobre o rumo torto das políticas Educativas (in blog:contra-a-escola.blogspot.pt, que não é contra a escola mas Contra o que está a ser feito contra a Escola, claro!).
Outro, este bem recente é o anúncio de que vai decorrer mais uma Manifestação Nacional de Professores, sob o lema "Contra o Desemprego" - Lembremos que  o MEC se prepara para "dispensar" cerca de 25 mil docentes(sem indemnizações, qual quê?),  sobretudo contratados (que o são há anos,precários portanto, contrariando a lei geral da contratação) deixando até muitos professores do quadro de Escola sem Horário, não porque não façam falta mas devido a una malabarismos para poupar dinheiro (popularmente, umas "lecas") que irá para o buracão BPN (então não vai a  Dívida do  arguido Duarte Lima e de outros ser suportada pelo Estado?!) ou para mordomias dos "lordes" que se abotoam com os dinheiros públicos. Ou seja, devido ao encavalitar de alunos em  turmas sobrelotadas, da organização de escolas em Mega-agrupamentos que trasformarão muitos professores em educadores itinerantes  e em aceleras nas estradas para saltar de escola em escola no mesmo dia, a transformação dos Currículos escolares não por critérios didácticos, mas para acabar com o número de horas de disciplinas e até com disciplinas inteiras....e por aí fora!
A Manifestação será portanto no próximo
 dia 12 de Julho, às 15h ,
 no Rossio, em Lisboa.
Julgo que seria excelente que também aparecessem Pais e alunos, pois está em causa a qualidade do Ensino de todos, a Escola Pública que se queria mais justa e com melhores meios para combater o atraso cultural e educativo e não esta "marmelada" liofilizada e baratucha (para poupar, muito mal, as tais "lecas") em que a querem transformar, ainda por cima sob o título cínico de "fazer Mais com Menos". Será. claro, conseguir muito menos com Muito menos!
O Cartoon que coloquei acima ilustra bem o que se pretende, a pretexto da "Troika" de costas largas e da austeridade. São medidas puramente FASCISTAS de criar educações diferenciadas-- para élites da treta e  o que julgam ser o resto da populaça--, transformar o nosso sistema, que tinha muito de melhor que outros em vários aspectos, numa oferta pública de Terceiro Mundo, como a que o Brasil e boa parte da América latina bem conhecem.
Agradeço e mando um beijinho para quem me alertou para estes dois eventos acima, a querida  amiga Isabel P. P..
Outro assunto é  o alerta para algo que se preparam para colocar em letra de lei em alta velocidade, também sem debate público: alunos com dificuldades, por exemplo no 4º Ano de escolaridade, para poderem passar de ano "menos mancos" terão as aulas prolongadas Julho fora, como se isso rendesse algum proveito. E será por conta de quem? não dizem, mas falam em grupos de alunos formados para o efeito e tudo indica que é para entregar essa recuperação aos escravos do costume, os  mesmos docentes que leccionaram todo o Ano Lectivo e que são assim postos também de castigo. Nem quero imaginar as guerras dos pais que costumam ir de férias logo em Julho e que já levaram a que até as simples matrículas deixassem de ser feitas dentro desse mês. O que vale a estas "desmedidas",-- que então com o calor estival e os famosos ares condicionados desligados, para poupar na conta eléctrica, vão ser algo de "destilante" em sabedoria e aprendizagem,--- é que muitos pais até já nem vão para fora de férias nos próximos anos e daí não haja para já muita polémica...
O último assunto é o das famosas "Metas de Aprendizagem" a várias disciplinas que o MEC finalmente divulgou aos professores, não sem antes fazer a devida propaganda nebulosa e vaga nos Órgãos de Comunicação Social, até pela voz do ministro Crato, que finge serem a quinta essência da novidade e da eficiência para a propalada "exigência". Anunciam como grande Inovação, mas quem olha para aquilo só vê mais do mesmo:
- Mais uma vez está a gerar confusão e protesto, pois essas "Metas" delineadas colidem com as que estavam a ser seguidas (e a equipa anterior do Ministério não foi consultada), colidem até com os programas (por exemplo há Metas para um ano lectivo que no Programa só consta para o ano lectivo seguinte, obras de leitura literária para os alunos de um ano que só podem ser apropriados para os alunos e a matéria do ano seguinte... por exemplo, "Auto da Barca do Inferno" na Lista de Português do... 8º ano em vez do 9º)..
- Mais uma vez os professores recebem estas mudanças tarde e a más horas vendo até normas e terminologia que contraria a do programa e as acções de formação  recentes sobre os novos Programas (mais uma vez há uns senhores catedráticos a quem entregam as tarefas destas coisas, completamente alheados das realidades escolares e de outras equipas e da opinião dos docentes... enfim, "capelinhas" de diferentes correntes científicas, por exemplo, gerando mais uma vez a instabilidade em quem terá de leccionar as matérias "in loco");
- Mais uma vez prazos apertados e desadequados para opinar e contrapôr, com exames a decorrer e escolas a terem de preparar novo ano lectivo que aí vem: até 23 de Julho! Ora nem mais! Só para depois poderm alegar que consultam, antes de publicar em Diário da República como fizeram com outras questões polémicas, como a Organização do Ano Escolar (já aqui referida) que deveria ser negociada e não foi!
- Mais uma vez a darem como novo e revolucionário algo que não o é! Parece que estão a inventar a Roda, mas é só um processo velho com novos títulos: agora chamam-lhes "Metas", com uma série de "descritores", mas há mais de uma década chamavam a isto "Objectivos específicos" da disciplina, para além dos gerais que havia para cada ciclo; depois veio nova moda e já não havia "Objectivos", mas as "Competências" e passavam-se longas horas em debate sobre o que eram uma coisa e outra! Agora voltam a ser tópicos do programa definidos ano a ano, não sendo os antes "objectivos mínimos " a alcançar, mas o ideais que se pretendem que todos  os alunos saibam (ora para isso havia os próprios Programas, não?), independentemente do nível classificativo que os alunos atinjam;
- Mais uma vez há incongruência, pois os novos programas estabelecem Metas por Ciclo e não por ano e estas Metas agora entregues pelo MEC estão distribuidas por anos lectivos e, como disse acima, sem o encadeamento , a cooordenação e a articulação que exigiriam.
Como disse, chegaram ontem em PDF e ainda terão de ser digeridos em alta velocidade e em época de exaustão docente...
Já não podemos fazer tudo! Apelo aqui à Sociedade Civil e sobretudo aos pais para que estejam alerta sobre o que estão a fazer às Escolas em geral e à Escola Pública em particular. Como mostra a anedota em cartoon, não tarda será mais o dinheiro que os pais gastarão em livros e cadernos para os filhos, do que aquele que o Estado dará, dos Impostos dos cidadãos, para pagar ao funcionamento das escolas, incluindo o material mais precioso e difícil de produzir: os Professores( que recordo serem profissionais  com formação superior,especializados e qualificados e não uns tarefeiros de ocasião!).
Por isso o meu apelo: mexam-se também, Pais e Encarregados de Educação, antes que seja tarde demais!
Margarida Alegria (30 de Junho de 2012, in blog Alegrias e Alergias")

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Há mais engraxadores...

(C) Margarida Alegria /Junho 2012 ( Porto, Av. dos Aliados; foto de telemóvel)

Surpresa! Por estar de regresso e por o conteúdo do post ser muito menos fantasioso do que o  seu título possa sugerir.
Falo mesmo de "engraxadores", essa profissão em extinção, e não de "graxistas" essa característica que cada vez mais invade o mundo dos relacionamentos humanos.
Estes  outros são infelizmente assunto de imensos poste e transparecem nas notícias diárias.
Pois bem: há dias tirei esta foto, por algo que me chamou desde logo a atenção.
A profissão de engraxador, como disse acima e todos devem ter dado conta, estava a desaparecer. Mesmo no centro das grandes cidades, como é o caso, os que subsistiam viviam quase envergonhados e escondidos à "sombra"/entrada de alguns cafés, os tradicionais, que os outros já não aceitavam bem a combinação entre o cheiro a graxa e o  aroma dos  dinâmicos "capuccino" ou descafeinado.
Que me recorde, nesta zona do centro do Porto, nas últimas décadas, sobrava um, mais velhote, em estilo part-time para suprir alguma pensão, numa rua transversal. Ou até nem isso, pois à velocidade a que a fisionomia comercial tem mudado, tinham-se tornado invisíveis, os engraxadores. Para mais que não me apercebera se ainda existia algum, pois não  é serviço a que recorra pessoalmente, claro.
Ora as voltas que o mundo dá, em tempos de crise... Ao ver  o que está na imagem, não soube se me deveria animar pelo regresso das tradições, se deveria ficar confusa com o regresso na cápsula do tempo, ou se deveria arrepiar-me ainda mais pelo que perante mim comprovava o regresso da fome ao nosso País Livre já no século XXI.
Mas não era regresso no tempo. O café tradicional portuense, há umas décadas invadido pelo poderio da "McDonalds" lá estava para comprovar que continuavamos no Presente. O famoso  letreiro "M", imperioso, não permitia confusões. Os engraxadores antes sumidos, no entanto, lá estavam de volta, já sem acesso à sombra do café (os odores da pomada barata e dos 100% de suor viril, das  pobres cidades ibéricas de outrora, não se coadunariam com os odores modernos dos fritos e do 100% de carne de vaca, tão monotonamente universais nas cidades da próspera  Europa de hoje...).
Não era o tímido sobrante aposentado, nem talvez o seu herdeiro. Não era só um. Nem eram já dois. Nem tão pouco três, a famosa "conta que Deus fez". Contei, em escassa dezena de metros do mesmo quarteirão, da mesma fachada, QUATRO engraxadores a oferecer os seus préstimos. Ora contem (dois de cada lado do passeio).
Lado a lado com este regresso, outras "inflacções" por estas ruas: a da miséria,  a das lojas  tradicionais e célebres encerradas para sempre e sem aviso, a das fachadas entaipadas ou arruinadas. Conspurcadas com grafittis "modernamente" decadentes. E também a inflacção de mais pessoas a dormir no vão dos prédios, a de  mais pedintes repletos de chagas, em plena luz  do dia.
É isso que a fotografia testemunha. O que nela se vê e o que ela não captou. Numa manhã primaveril de Junho. Do ano de 2012. Século XXI no Porto, cidade da próspera  e democrática Europa que tantos  povos  distantes admiram.
No planeta Terra: o Planeta Azul que se diz habitado pela suprema inteligência de que há registo.  Planeta fértil, planeta de abundância. Entregue a estranhos habitantes aos quais  se costuma chamar ... Humanidade.
Margarida Alegria (28-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")