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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Detalhes de um dia memorável (dia de Pérola) :) Apenas fotos com legendas, pois o blogger continua a impedir-me de redigir (?!)

O Livro... ;)


Um dos recantos que convidavam a ler após a apresentação...



E um sorriso urbano ao pôr-do-sol... (c) fotos Margarida Alegria (Novembro de 2013)


domingo, 24 de junho de 2012

Mas afinal tanto espião para quê? ;P

(Pete Sellers, encarnando o célebre Inspector Clouseau da série de filmes da "Pantera Cor-de-Rosa")
Só aqui uma dúvida que me faz "espécie": afinal não temos tanto espião português cheio de "gadgets", em três organismos diferentes, mais espalhados  e a gastar o orçamento  de Estado pelo mundo do que os consulados ou embaixadas (parece que há espiões  portugas em Moçambique, em Timor -Leste,  e possivelmente no Timbuktu..)? E não têm  eles tanta perícia  em funcionar com telemóveis e e-mails...? E, depois de tanta polémica sobre o que andavam a fazer, talvez para vencer o ócio, como fazer recortes (clips) de notícias e  pesquisas no Google sobre ex-presidentes americanos, sobre candidatos a agentes,  e até investigações de uso privado sobre a idoneidade da senhora que queria vender a um aspirador a outra (sim! li nos jornais que fora uma das tarefas do tal espião Carvalho!), não acham que agora têm finalmente uma tarefa decente e séria a levar para a frente?
Refiro-me, caso não entendam ainda, ao tentar descobrir a veracidade ou não da fuga de informações para o recente exame de Português do 12º ano. NÃO CONCORDAM QUE ISTO SIM é uma missão importante e de Estado para os serviços secretos portugueses? Saber SE houve fuga e DE ONDE partiram os famosos SMS que alunos de Norte a Sul do país alegam ter recebido dois dias antes da Prova? (uns julgando ser uma piada, outros até tendo acreditado).
Não será facil a quem gasta tanto em sistemas sofisticados tratar de cruzar os dados e ver a origem das mensagens? Ou os detectores dos super-espiões só abarcam o envio de sms para o ministro Relvas, ou  o que buscam é apenas cusquices algo da vida privada dos jornalistas e outros cidadãos , para pessoas como Relvas não hesitarem em ameaçar jornalistas com a sua divulgação pública?
Vamos: altura de fazerem um brilharete!
Isto  despoleta a possibilidade de anulação e repetição do Exame para os pobres alunos. E põe em causa a seriedade do GAVE (e ,por extensão, do Estado) e do muito sofisticado e sigiloso sistema de há décadas para a produção de exames! Há que descobrir se foi apenas um palpite divulgado ou se foi  informação com conhecimento de causa. Um "Exameleaks".
Ou  será que até espiões como o Inspector Clouseau, o Johnny English ou o Maxwell Smart fariam melhor figura e trabalho melhor do que os  nossos?
Ou será que primeiro ainda pensam, por questões de hábito,  em colocar escutas no túmulo de Camões para sondar se ele foi mesmo o autor de "Os Lusíadas" e  se terá escrito o tal Canto VI que saiu no exame?! ;)
Margarida Alegria (24-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Novidades do Mundo Educativo...

Com alguns  comentários,mais curtos ou mais extensos, várias das últimas novidades do Mundo da Educação em Portugal (os títulos são os links, como habitual):
Tudo bem, assim a frio, não será daí que virá maior mal ao mundo. Mas... é PARA QUÊ?
 É só para não ficarem umas disciplinas a "rir-se" das outras? É para transformar a escola em aulas de preparação para testes? É para verdadeiramente aferir o sistema? É só para melhor penalizar... digo,  "avaliar" os docentes? É mesmo por um maior rigor nas aprendizagens, ou é para dar mais um filão de negócio a centros de explicações, a centros criadores de testes, quem sabe se a correctores externos de testes (pagos a peso de ouro, ao contrário dos escravos do sistema, já que cada vez confiam menos nos docentes que o próprio MEC emprega)? Ou é para dar apenas a IMAGEM de rigor? Ou é, muito provável hipótese no reino da pseudo-meritocracia e do novo darwinismo social-- destes boys que sempre foram amparados e cunhados nas  suas próprias vidas --a forma de fazer a triagem(já lhes ouvi mais que uma vez este termo) entre "castas"de cidadãos cada vez mais cedo?
Como disse acima, acho que ,a haver subjugação constante a exames, ao menos que seja a tudo (mas mesmo tudo!), para depois não se dizer que umas disciplinas valem mais que outras. Resta saber  se é no Sistema da Examocracia, a juntar ao da Bu(r)rocracia já vigente, que vai a Educação Portuguesa plantar as suas raizes, como se fosse uma panaceia Universal, ou se afinal sempre se traçam ou não metas e propósitos gerais educativos, uma noção clara do que se entende  por Educar os alunos na plenitude de seres humanos que são (e não apenas activadores de uma ínfima parte dos seus cérebros, excluindo a criatividade e a arte, por exemplo). A ver vamos em que dá mais esta "Pré-medida " assim lançada para o alarme dos jornais e TVs.
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Algumas alunas/os  do 12º ano,do Porto, criaram um "movimento" de protesto contra os exames nacionais. E esta, hen? Começaram a colar cartazes e pelo Facebook querem alargar o protesto a todo o país. Dizem que não é pelo facilitismo, mas antes pelo contrário, para que o Sistema seja mais justo (por exemplo nos tantas vezes aberrantes critérios de correcção) e  sobretudo de Avaliação Contínua e não continue a favorecer quem tem mais possibilidades económicas e/ou de apoio:
Vamos ver no que dá, mas , a haver protestos contra o que seja, estes já não devem ser só da parte dos professores e seus sindicatos, senão só consideram que estamos a ser "corporativos"...
Espera-se igual energia dos Encarregados de Educação. E espera-se que os autarcas, por seu lado , não usem só os custos educativos como chantagem contra o corte de verbas do Governo central para os seus Municípios. Se têm vereadores da cultura e da Educação, estes deveriam lutar, também e sobretudo, pelas questões EDUCATIVAS.
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E esta que vai continuar polémica:
O ministro diz que é para situações temporárias e não para criarem as famosas "Turmas de Nível" discriminadoras. Se for assim, pode resultar, julgo que será um pouco como  o sistema das  chamadas "Assessorias" já usado por certas Escolas. Isto desde que permitam um verdadeiro trabalho em co-docência, com condições e tempos para tal e não um dividir de turmas entre os desgraçados que leccionam a estes grupos difíceis até ao fim da carreira, para aliviar outros que poderão continuar com as mal disfarçadas turmas de élite dentro da mesma escola. Sempre houve esse sistema subterrâneo e sempre existirá ( nos meus tempos de estudante eram as famosas turmas da manhã, nem que o resto dos Ano de Escolaridade fosse todo no turno da tarde) mas há que limar as arestas desse tipo de manobras, em vez de atirarem as decisões todas para directores que variam em bom senso, sentido de justiça e até em grau de preocupação com a verdadeira evolução dos alunos. E fazer tudo para consolidar uma verdadeiro combate à indisciplina, que esse sim seria meio caminho andado para combater o insucesso, num curículo que nem é assim tão exigente, como constatam os mais diversos alunos ucranianos, moldavos e russos imigrantes, que quando cá chegam fazem um brilharete!
Porém, uma medida destas, vinda de um MEC que preconizou turmas de 30 alunos, alunos com NEEs aos molhos integrados em turmas grandes e mega-agrupamentos escolares(ai é "Unidades Organizacionais que se diz, não é? Já há novo logotipos na forja?), parece apenas um paliativo para se poder dividir um pouco algumas turmas noutras mais pequenas e minorar o descalabro...
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E outra curiosidades:
Pergunta: MAIS AINDA?!?! Pois pedem para o "se(c)tor privado"... ainda se pedissem para as Escolas em geral... :///
E, já agora, não querem ainda mais subsídios do Estado? Não chega aquilo em que foram aumentados este ano, ao arrepio dos conselhos da famosa "Troika"?
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E ainda:
Ups!!! Sorry! Ai isto é em Timor-Leste... Por momentos julguei ler um dos chavões que também se usavam por cá até não há muito tempo. E até uma canção do "desaparecido" cantautor de protesto, Sérgio Godinho de sua graça. A comparar com a  letra dessa canção, só faltam estes items aos Timorenses, pois a Paz e o Pão por lá já não devem faltar a rodos (a paz eu sei que resiste, graças a homens de Paz como Xanana, já o pão...).Bem, pelo menos os timorenses não perdem de vista quais são os bens essenciais a um povo, nem que seja por ideal de campanha política. Por  Portugal, nem isso. Já só têm os ideiais de: liberalização dos despejos, negócios na Saúde e Educação,ou seja, Habitação,  Saúde e  Educação só para alguns. (que suponho serem  os "esforçados" não piegas e não preguiçosos e que querem pôr Portugal a "mexer"--- hum...  os "portugueses-mexias"?--, a acreditar nos lindos anúncios de Galps-criança, CGDs e outras empresas "autónomas" e destemidas, criadas com belos fundos comuns dos nossos impostos....). Adiante...
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O que diz a Associação de formadores de adultos sobre o programa "Novas Oportunidades":
ASSOCIAÇÃO FAZ AVALIAÇÃO DIFERENTE DO GOVERNO ÀS NOVAS OPORTUNIDADES
( in Público, ontem))
Concordo, em vários pontos com o que dizem. Por razões que um dia aqui explanarei. Isto de andar a saltar de Programa e programa e experiência em experiência educativa, sem nunca fazer o balanço verdadeiro das situações nem sondar "as bases" é um dos grandes males do país e do nosso Sistema. E não é só com as NO. O que houve neste caso foi criar mais uma "comissão liquidatária"  das NO, sem mais, com um parecer do Instituto Superior Técnico que nunca me lembro de ter sido citado como acompanhante deste Programa ou outros, a extinguir tudo de uma assentada. Ou como se para avaliar o Ensino Básico fosse só pedir pareceres de profs Catedráticos das Universidades distantes, ups! isso é o que fazem sempre também, não é?... pois. Darei outro exemplo, mais "chão". É como se, para avaliar a beleza da Branca de Neve, fossem buscar a opinião, nem sequer dos seus pares, ou dos príncipes, ou do espelho Mágico, mas dos Duendes subterrâneos da sub-cave da Fossa das Marianas, ou os feiticeiros estrábicos das ilhas Bora-bora, ou até, quem sabe, da rainha má sua madrasta!
As NO tinham muitos defeitos e sou das primeiras a dizer, mas havia que aproveitar o que prestava e deitar fora o resto e não defraudar mais uma vez os cidadãos nas suas expectativas. Há formandos que não mereciam estas N.O., mas há muitos outros de inteligência e capacidades (que não tiveram hipóteses de estudar mais noutros tempos) que agora se poderão de novo retrair a completar os seus estudos. Ah, mas se vão todos emigrar, ou se vão para caddies  de golfe ou empregados de resorts, isso também já não interessa, pois não? Balanços para quê? Isso até nem os próprios Ministérios fazem às suas despesas, para quê "balançar"?
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E se lessem um título como o que se segue, sobre os Exames nacionais que começaram ontem:
FIABILIDADE DOS CORRECTORES DOS EXAMES NACIONAIS POSTA EM CAUSA (sem link)
 o que pensariam?
Exacto! "Coisa e Tal", Correctores = Professores, esses malandrecos não são "fiáveis",e tal...Ai Céus! o que vai ser agora?!
Pois bem, era essa a chamada de primeira página (em papel) para a notícia que vinha no seu interior, de título um pouco diverso...
"RESULTADOS DOS EXAMES NÃO DEPENDEM SÓ DO QUE OS ALUNOS SABEM" (sem link)
Bastante diferente, não lhes parece? Estiveram mal, senhores do "Público"!Não se faz...
 A notícia fala entre outras coisas
de um estudo no Reino Unido sobre a fiabilidade dos Exames, sobre a falta de avaliação mais completa por parte de perguntas como as de escolha múltipla(um dia me dedicarei a discorrer sobre esse primor educativo) e , pelo que entendi, acaba por salientar a importância do bom senso Humano na correcção das perguntas de maior desenvolvimento, por contraste com um mais desumanizado e apertado critério de correcção de questões que se pretendiam mais imparciais! E esta? Traduzindo: no fundo as perguntas que implicam o "justifique" etc avaliam melhor as reais capacidades dos alunos e são sujeitas a uma maior abertura na correcção e daí até a menos perguntas consideradas totalmente erradas. E que a Matemática , como a Português e outras disciplinas, o abuso de perguntas de escolha múltipla (incentivado pelo Ministério ao longo dos últimos anos, sublinhe-se) deveria recuar, para dar lugar a questões que pusessem os saberes em prova, como na Gramática, ou os problemas Matemáticos. Mas posso ter lido mal e não sei se a notícia online estará diferente, Ei~la, esta já com Link:
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E esta para relaxar um pouco:
"CADA EXAME DEMORA ENTRE 12 a 14 SEMANAS a SER CONCEBIDO"
(ionline)
Bem... tendo em conta o tempo e esforço de... concepção, é caso para nos perguntarmos, nesse caso, quantos meses terá tido a sua... "GESTAÇÃO"! :))))
Pobres professores ligados ao GAVE...
hum... cof cof...adiante...
(Já para a correcção, não importa que os professores percam as suas férias,sejam obrigados a frequentar acções de formação "sobre correcção", sem  qualquer préstimo e sem dispensa de aulas, em tempo delas,  ou que acumulem tarefas sem direito  a ajudas de custo... quantas horas e pestanas "queimadas"...)

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E finalmente, uma notícia que deixa a todos mais tristes, neste quase Paraíso(?) à beira mar plantado:
"Constança, disléxica, não conseguiu concluir o Exame de Língua Portuguesa"
(in Público)
Fosse este país um outro qualquer mais decente, tal notícia causaria estranheza pela relevância dada. Mas como devem estar a par dos últimos tempos,uma notícia polémica , esta "Constança, disléxica" foi o centro de uma polémica, pois o Júri Nacional De Exames , contrariamente a outros anos lectivos e em cima da hora, veio fazer desta menina o exemplo do que julgam os seus tristes membros ser o "rigor" e igualdade, etc., não cedendo ao pedido da sua mãe para que tivesse a prova de Língua Portuguesa de 9º Ano  em sala à parte, com o enunciado do texto lido em voz alta por um professor(o que sempre fora facultado a alunos como ela). Os professores que acompanharam não foram ouvidos, nem os Professores do ensino Especial, nem a Associação de Dislexia, nem tão pouco a Direcção Regional de Educação respectiva, todos a favor do pedido a aluna. Já o Ministro Crato lavou as mãos "à Pilatos" e remeteu a decisão para esse JNE, que considerou que a meia hora extra a que diversos alunos têm direito bastava para suprir as dificuldades. Gente que não sabe que há Dislexias e Dislexias e que foi indiferente a todos os pareceres especializados (médicos até) que defendiam o direito da aluna ao que solicitara! Crato. responsável máximo pelo MEC,  poderia ter desbloqueado a situação, mas chutou para o lado, preferindo o seu périplo de embaixador da "Educaciolândia" , com palestras e visitas e fugazes  comentários a  eventuais mudanças no seu Reino.
Por mim, desde que há muitos anos vi que, para alunos com deficiência auditiva, a  bitola de  direitos extra era a rotineira receita  de  meia-hora extra de exame, já nem sei que mais possa espantar sobre  este sistema...
A Mãe de Constança  não desiste e vai levar o caso a Tribunal, não já pela sua "Constância, disléxica" (e como lhe ficou o cognome!), mas por todos os meninos que no futuro possam vir a estar na sua situação. Pelos "Manuéis, disléxicos" pelas "Marias, disléxicas" e todos os restantes cidadãos que tiveram o azar de nascerem portadores de alguma deficiência ou diferença, neste Reino das maravilhas da Inclusão...
Votos de coragem à Constança e à sua Mãe! Podem dizer os rezinzas do costume que há outros que não tiveram essas benesses anteriormente, mas é porque não tiveram o espírito de iniciativa nem se mexeram por  um movimento de pais e mães de "Constâncias" e se calhar deveriam ter lutado como esta senhora, uma Cidadã em pleno.
Margarida Alegria (19-6-2012, in Blog "Alegrias e Alergias")
E.... por falar em rezinzas, venham daí os "antónios anónimos" que preferem comentar o tom colorido (dadaísta, não acham?, para um país de educação Gugu-Dadá como o nosso)  desta súmula comentada de notícias, a apresentarem opiniões e ideias sobre os temas.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sociedade Civil contra a indiferença Linguística (II)

... Outro desses textos (como mencionei no POST ANTERIOR) é (mais) uma rutilante Crónica de Miguel Esteves Cardoso (o MEC bom, como aqui já salientei...). Destas vez sobre a hipocrisia de certas expressões, que manipulam a Língua, convertendo negociatas em eventual Solidariedade e Sentimentos. E como há quem brinque com os sentimentos alheios só por interesse próprio, a nível empresarial ou pessoal! Acho nojento e denunciarei essas situações quantas vezes me for possível, tanto em qustões sociais como particulares. Há quem opte por assobiar e olhar para o lado, mas ,pelo que tenho descoberto da vida, há quem combater fogo com fogo, como os bombeiros sapadores, combater falsos sentimentos com alertas aos inocentes.
Neste caso, embora saiba que pouca gente perece ralar-se com estas coisas, MEC opta por denunciar o que já revoltou muita gente em altura de campanhas solidárias (lembrem-se da famosa Leopoldina e dos seus discos):

(peço desculpa pela inclinação do texto. mas não tive muito tempo para a digitalização).

Sociedade Civil contra a indiferença Linguística (I)

O jornal "Público" em papel apresenta hoje diversos textos onde a preocupação com questões Educativas e da Língua Portuguesa são "sacudidas" pela Sociedade Civil. Um deles é a famosa "Redacção- Declaração de Amor à Língua Portuguesa", a brilhante sátira escrita por Teolinda Gersão e divulgada há dias aqui no "Alegrias e Alergias" (ena! Adiantámo-nos ao "Público"! UAU!). LER AQUI (clicar).
Outro é o texto excelente de Madalena Homem Cardoso, sobre a invariância de género na Língua Portuguesa que a "PresidentA"  brasileira Dilma tanto quis impôr. O parágrafo final, então, é de génio (ou  será géniA?).Não coube o título, que é:

IndiferentOs
e ignorantOs

quinta-feira, 14 de junho de 2012

"Declaração de Amor à Lingua Portuguesa" (Teolinda Gersão)


UM TEXTO imperdível, que circula pela Internet, de Teolinda Gersão!

Teolinda Gersão (escritora)

«
Tempo de exames no secundário,os meus netos pedem-me ajuda para estudar português.Divertimo-nos imenso,confesso.E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.
Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam.E depois de rirmos espero que nós,adultos,façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa
Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.
João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).
                                          (Teolinda Gersão ) »        
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Mas não é que é quase  assim, como TG coloca o problema, fora umas brincadeiras  mais hiperbólicas?É para ver como esta disciplina anda a ser massacrada por constantes disparates programáticos e "desgovernânticos".
(recebido por mail. Muito obrigada, querida Sílvia!)
                                            
(imagem da Net:  os chamados "Cupcakes Cerebrais",  queques criados para alegrar festas de Halloween. A sério!  O que se descobre!!!Para mim  simbolizam bem  o  que  o ME/MEC tem andado todos estes anos a criar: histórias de terror  com os Programas de Português, fazendo as crianças engolir muitos destes bolos e saladas cerebrais que dão o nó na cabeça de qualquer um!)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Gírias ambíguas!

Quando se ensina os vários registos de uma Língua ( por exemplo, linguagem corrente, cuidada, popular...), muitas vezes, para exemplificar as várias gírias que podem existir, consoante uma profissão ou ocupação, leva-se os alunos a procurarem em seu redor exemplos do uso de gíria. Facilmente chegam a exemplos da gíria futebolística (esférico, penálti, cartão vermelho...) ou do toureio (lides, alternativa..) ou dos estudantes, dos pescadores, dos economistas...
Muitas vezes acabo , por tique profissional, a espreitar exemplos do jornal, como por exemplo a curiosa secção de bridge do "Público". É toda um outro idioma, para que não conhece o jogo, como eu. Não só as "vazas" e as "mãos", mas o "Este", "Oeste", o "morto" e uma coisa estranha chamada..."cheleme"(?!).
Pois bem, embora não com esse propósito, lá passava eu  os olhos pela dita secção, quando me deparei com algo que me preocupou... E que me levou a passar a ter mais cuidado quando levar excertos desses para os alunos pesquisarem palavras.
Eu explico melhor: é inevitável que na leitura de qualquer texto insuspeito os alunos, por questões de ambiguidade dos termos, desatarem a rir baixinho. E por vezes a situação adensa-se perante cada palavra nova, que pode ter uma nova acepção, no constante variar e enriquecer... do calão usado pelos jovens...Quase sempre novidade para os adultos menos insinuados por ambientes "marginais".
Vou dar uns exemplos inóquos que me sucederam. Numa certa zona do país, os alunos não podiam ler a referência a uma qualquer "casa amarela" ,que, Fumfumfum(risos), é  por ser o nome dado aí à casa "dos loucos/manicómio".Outros desatavam na gargalhada perante meras referências gastronómicas num qualquer  inocente texto que tivesse mais de  40 anos, mas cujos peixes e outras espécies zoológicas tinham adquirido, com o tempo, novos contornos, "sabores"  e conotações, enfim, uma nova "patine"...Fum fum Fum Fum fum fum...
Pois bem, vejam lá o texto do bridge de hoje, a explicar certas jogadas. Será só minha impressão,por excesso de "calo",  ou a leitura disto numa aula poderia dar para o torto?
Vejam um primeiro pedaço, por comparação, bastante normal e até com certa poesia e elevação:
-"Um belo naipe numa mão com 17 pontos de honra. Sendo demasiado forte para uma simples intervenção em 1 espada, este tipo de mãos tem  de começar por um  dobre de chamada."Tudo bem aqui, concordam? Incompreensível para leigos, mas ainda bem assim... pois já o outro excerto...bem.  Ora espreitem (nem coloco relevos nem cores para não influenciar):
-"Ás e Rei de paus para a balda de uma copa da nossa mão, pau cortado com Ás de trunfo! Espada para a Dama e um pau firme para a balda da última copa da nossa mão. A partir do momento em que a defesa corte um pau, não lhe restará mais do que um trunfo, e nós extrairemos esse trunfo assim que jogarmos um trunfo para o Rei do morto, que permitirá também o encaixe  dos restantes paus firmes para a balda dos ouros pendentes."
 ENTENDEM AGORA  a minha dúvida? Agora imaginem os alunos a lerem isto numa aula...É uma autêntica salada de duplos sentidos! Ou até já nem seja, segundo "modas novas"...
Já nem sei se a maroteira está nos que redigiram o texto, na forma estranha de alguma tradução, se está apenas em quem lê. Mas que nunca dera com uma passagem deste estilo... E aí confesso, de  ter já escutado tantos Funfunfuns perante textos o mais inocentes, já hesito perante um destes e nem sei se a malícia esteve só em mim, perdida a ingenuidade para tanto novo  e inesperado calão surgido ao longo dos anos!
Seja como for, por precaução, passarei a seleccionar com extremo cuidado até as passagens sobre um simples, mas pelos vistos animado(?)  jogo de bridge! É que até as exclamações do texto me soam suspeitas e ambíguas! E então a intensa frase final...
Concordam que pode ser um "drama"?
Ufff!
Margarida Alegria (5-6-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
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( NOTA:  Embora com a maior consideração por todos os meus leitores e/ou amigos, dedico este post à memória da minha amiga "Hurtiga", uma amiga à maneira e que sei que deliraria com este tipo de post, para mais sendo da sua área profissional. Pois os bons amigos, leais e justos, jamais se esquecem, se formos honestos connosco próprios.
A Hurtiga era uma pessoa sem desconfianças tontas, amiga do seu amigo, uma pessoa querida e dada aos outros,  de eleição. Não merecia  algumas "pauladas" que levou da vida....Só a vi profundamente magoada uma vez. Diferente de triste; ou de revoltada, pois isso vi outras vezes. Magoada. E com mágoa... revoltada. E como entendo isso! Ela não merecia e...de coisas minhas eu perdoo, mas em relação a ela não perdoo. Mas há quem faça dessas e depois ande por aí com toda a inconsciência, a fazer das suas uma e outra vez, sem pejo ou remorso... Será que só eu é que me preocupo com questões dessas? Já não existe palavra, empatia, remorsos, consciência? Bem ,adiante: este post é também para ti, querida Hurtiga! Espero que o saboreies onde estás! Felizmente bem longe  de onde virão a estar -- e de onde estão já...-- as pessoas malvadas e "Mega-egoístas" que têm uma estranhíssima ideia de "sobrevivência" e de solidariedade ou fraternidade!).

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro- sugestões

Mais um dia, mais uma efeméride... chego a pensar quantos dias nos terão deixados livres de comemorações.
Hoje é o Dia Mundial do Livro (e também dos Direitos de Autor). Não concordo que juntassem as duas causas numa só, pois a segunda pode tirar o protagonismo devido à primeira, mas é para o que estamos... A causa do dinheirinho a colar-se a tudo (embora concorde que é fundamental respeitarmos os Direitos de Autor, mas, quando pessoas que se diziam amigas usam excertos ou textos nossos para impressionar terceiros e confundir autorias e manipulam o que é nosso... já nem digo nada!).
Sugestões portanto? Aqui vai:  tendo em conta a proximidade do Dia da Liberdade, em Português é sempre bom reler "Os Lusíadas", não tanto pelas suas passagens mais épicas e heróicas da gesta dos Descobrimentos ou das batalhas, mas os excertos que correspondem às reflexões do Poeta, normalmente no início e no final de cada Canto ("capítulo") . Aí  Luís Camões discorre pelo que na sua época empobrecia e degradava Portugal, com centro na Cobiça e na Inveja dos nacionais, na Arrogância dos poderosos sem brilho, por contraste com os luminosos heróis da nossa História. Continuam actualíssimas as suas palavras.
De livros de autores estrangeiros, podemos regressar a um fantástico escritor, Herman Hesse, e ao seu fundamental "Siddhartha", sobre a história do "fundador" do Budismo. É lindíssimo, não muito longo e lembrei-me dele pois anda aí mais uma nova edição deste clássico. E ajuda a meditarmos sobre a grandeza do Homem e da luta que ele tem de fazer no dia-a-dia pela Paz e pela contemplação do Mundo.
Respeito bastante o Budismo, bastante perto do Cristianismo, embora considere que a principal diferença é que se baseia apenas no aperfeiçoamento pessoal e secundariza muito a preocupação com o bem colectivo e social. Mas deveriamos aprender um pouco sobre todas os aspectos enriquecedores de cada religião, de mente aberta, quer sejamos religiosos ou não, crentes ou não. E a história do percurso peculiar do príncipe Siddhartha é acima de tudo uma belíssima descoberta  de um homem de si mesmo, além de ter uma leveza e inquestionável beleza de escrita.
Duas obras incomparáveis, intemporais, que nos relembram a sempre enorme grandeza do Homem num mundo que percorre e questiona.
Mas claro que todos os dias deveriam ser Dias Mundiais do Livro. Que mais se pode dizer? É um planeta insensato e gosta de meter tudo em prateleiras etiquetadas, neste caso, deixando ao LIVRO... meia "prateleira"...

Margarida Alegria (23-4-2012, in Blog "Alegrias e Alergias")
Nota: preparem-se para amanhã e no dia 25 saborearem mais uns cartoons! E então o do feriado julgo que será "de antologia", modéstia à parte...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Anti-AO: e a bola de neve cresce e cresce! ;)

(cães "bola-de-neve"- escolhi a imagem porque a achei digna de divulgação! :)))

A "Bola de neve" anti-AO continua a rolar! :))
Como já o desejava neste Post AQUI, uns e outros , nos vários pontos de Portugal e do mundo da CPLP, vão saindo da casca para criticar a viva voz o rocambolesco "Novo" Acordo Ortográfico '90.

Primeiro, nos anos mais recentes, restavam vozes isoladas, destacando-se a luta legislativa e corajosa de João Pedro Graça e da sua ILC contra o AO. Havia petições a correr online, olimpicamente ignoradas pelos governantes (incluindo deputados). Havia a resistência do jornal Público e de outras publicações, não adoptando a nova grafia, que lembremos, ainda não é lei de facto, não tendo sido o AO, lembremos também, assinado por todos os países da CPLP. Mas o resto definhava: numa estranha metáfora do que se passa a nível de quase toda a (ausência de) resistência geral no país, as pessoas lá se iam conformando, encolhendo os ombros, "ai enfim, ELES é que mandam... que é que havemos de fazer...?". Mais revoltante era a forma como tantos professores, especialmente de Português, já se submetiam e até tentavam convencer os outros da bondade do AO, com comparações que nada têm de semelhante com o "ph" de "Pharmacia" abolido pelo acordo de 1947! Eu sei que a grande pressão que sofremos com a ameaça da aplicação do AO em exames estava pendente, mas foi incrível e vergonhosa a forma subserviente como a chamada Associação de Professores de Português, aliás dirigida por alguém que não cursou Poetuguês na Faculdade, se curvou perante o AO, quase desde o início da polémica. E quando falo na ausência de acção de muitos professores de Português, refiro-me ao não partirem deles, tantas vezes, os protestos escritos e abaixo-assinados. Deveria ter surgido uma recusa conjunta em aplicar o AO, no meio de tanta indefinição ( tanto da situação como sobretudo das incongruências linguísticas geradas pelo novo AO)...

Após a pedrada no charco da medida rebelde de Vasco Graça Moura (LER AQUI)no Centro Cultural de Belém a que passou a presidir (aqui também noticiado), a bola de neve recomeçou a rolar: seguiu-se a Faculdade de Letras de Lisboa a retirar também o conversor ortográfico dos seus computadores. Mais tarde um jornal angolano e outro em Macau vieram posicionar-se ostensivamente contra o AO. *

Há dias a própria Academia de Ciências (AC)se pronunciou(não encontro agora a reportagem da tv). Academia essa cujo dirigente (?), o português Malaca Casteleiro foi, juntamente com o já falecido linguista brasileiro Houaiss, o principal criador deste atamancado Acordo, sendo que a versão original de 1990, depois corrigida face às maiores críticas, incluia aquela ideia peregrina de acabar com os acentos nas palavras exdrúxulas (lembram-se?! Pois. O certo é que o estrago estava feito... ainda hoje muita boa gente pensa que o AO serve para "acabar com os acentos-- leia-se TODOS!-- das palavras).

O que disse agora a AC, pela voz de outro seu membro? Que a imposição do AO feita na resolução da Assembleia e pelo Governo socretino não deveria ter ido para a frente, pois os governantes nem sequer consultaram a AC sobre a urgência de generalizar a aplicação da AO. Que a própria AC se admirara com tanta pressa dessa imposição pela via política....(!!!) Ou seja, chego à conclusão que o nosso azar nacional foi o senhor M. Casteleiro ter andado tão entusiasmado a visitar o Brasil, talvez ourado pelos encantos tropical, nos idos anos 90, trazendo em troca, no bolso, o famigerado AO! ...:P

Agora temos um novo paladino, desta vez na área das leis, o que nos deixa mais esperançosos, pois são os juristas que têm uma substancial parte do poder em Portugal. Noticia de hoje, no Público:




Diz que a nova Ortografia fere a Constituição da República e que "uma língua não se muda por decreto.". Apresentou, por isso, uma queixa na Provedoria de Justiça.

O novo paladino chama-se Ivo Miguel Barroso e é professor de Direito na FDUL.

Continuemos portanto a fazer o que está ao nosso alcance e esperemos que mais organismos e individualidades de destaque tomem posição contra o absurdo AO- Ver a sintese da situação nesta notícia AQUI-- (pois infelizmente é o que ajuda um protesto como este a ter maior impacto, num país tão mal informado e ainda tão conformado).

E que a bola de neve seja como aqueles dois cães a escoltar alegremente o AO para fora dos textos do Português! ;)

"Alergia" (13-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias").
* Obrigada, Ana C.!

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ADENDAS, em 14-2-2012 (para quem ainda não estiver convencido sobre a argumentação Anti-AO). Os destaques a negro são meus:

- Retirado da excelente crónica de Nuno Pacheco, do Público de ontem, dia 13:

Excertos do longo editorial do "Jornal de Angola"-- "Sabemos que somos falantes de ums Língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular.Do "português tabeliónico" aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades."

"Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula."

"O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é "contaminada" pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o Português seja uma língua de trabalho da ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras."

- De Paulo Franchetti, critico literário, escritor e professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Brasil), em entrevista ao blogue "Tantas páginas"-- "O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente mal feito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos talvez dcorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras)"; e " A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo , agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de de grafias duplas permite inclusive a criação de híbridos"; E ainda "Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita do material didáctico adquirido pelas famílias, adequação dos programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas."

Também no Diário de Notícias de 13 de Fevereiro (em papel), foi publicado um artigo de opinião conjunto dos professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, José de Faria Costa e Francisco Ferreira de Almeida, que apresenta a argumentação jurídica contra a adopção do novo AO( talvez demasiado jurídico para os "leigos", com termos rebuscados da jurisprudência como "postergar normas cosntantes","se justifica,quanto antes sobrestar na decisão". Infelizmente não há versão online, mas retiro apenas umas passagens pequenas: "A língua deve ser olhada e valorada como um território de tendencial espaço livre de direito"; e "Com o Acordo Ortográfico, Portugal , acometido de um juridiciante voluntarismo excessivo, tristemente capitulou perante um patente abastardamento da língua portuguesa, coonestando, à guisa de autoflagelação, uma arremetida contra importante vertente do seu riquíssimo -- velho, de quase nove séculos -- património histórico e cultural."

"Autoflagelação" é um termo adequado: até parece que devemos ter vergonha de a nossa ortografia ser mais "antiquada" ou "menos moderna", expressão tão acarinhada políticos como Sócrates, um dos principais responsáveis por esta apressada implementação do AO na Administração , nos escritos, nas escolas.... Mais uma trapalhada socretina que urge desfazer. Ou vão, como em tantas outras políticas erradas desse senhor, dar o triste facto como consumado e não mexer? Se é para poupar dinheiro, mais vale não estar agora a inventar uma nova estrutura de Administração local, dando cabo das Comissões de Coordenação (CCDRs) e Freguesias, armados em "aprendizes de feiticeiro" de realidades que não dominam (para "cortar gorduras"... inventaram MAIS UM INSTITUTO Público, o do "Território"?! Pois...). Parar o Disparate Ortográfico sairá bem mais barato ao país que isso. E sobretudo será um gesto de identidade Cultural para toda a CPLP. Senhor Secretário de Estado , escritor e editor, J. Viegas: onde pára? Senhor MEC Crato, inimigo de "eduquês" e de utras formas de estupidez, pelo que proclamava: não se pronuncia? Ah, certo... quem tem de decidir é a Troika, a troika esqueceu-se de falar nisto, não foi?.

"Alergia" (14-2-2012)




















quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Anti-AO: venha a bola de neve! :)

Outra boa Notícia! A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) já não tem instalado nos computadores o conversor ortográfico ( sujeito às regras do novo Acordo Ortográfico que, lembremos, ainda não está em letra de lei nem foi assinado pela maioria dos países da CPLP). Faz eco assim da medida interna tomada por Vasco Graça Moura no CCB, como AQUI já relatei.

Alegando o facto de a FLUL não ter posição oficial sobre o AO e por o Acordo ainda não estar completamente em vigor, o conversor foi desinstalado dos computadores da Faculdade e o Site da mesma já voltou à ortografia "tradicional".



Vamos! Agora resta às outras Faculdades, país fora, terem a mesma atitude, desinstalando dos PCs o que o Governo Sócrates mandou instalar à força , por manha e sem concurso, para dar o caso da generalização do AO como consumado!


Façamos isso nos vários organismos, até se saber ao certo se o Acordo estar mesmo generalizado aos países para os quais alegam que foi criado, resistindo a esta submissão linguística completamente a-científica da absurda lei do mais forte, impondo a incorrecção como norma a quem não a praticava. Quais consoantes surdas quais quê? Abolir consoantes que ajudam a sabermos quando abrir a vogal seguinte, na leitura? Escrever "Ator" (leriamos então "âtor") em vez de "actor", só porque brasileiros o fazem , quando outras línguas, Latinas ou não mantêm o "C"?! Bem , já falei disso tudo nos links que deixei no tal post....

Que mais gente e organismos tomem a atitude de VGMoura no CCB e da FLUL, para que o fenómeno cresça como BOLA DE NEVE GIGANTE e assim resista e derrube a prepotência de meia dúzia de linguistas e vários políticos, contra os protestos de muitos e muitos mais!

É a altura! Vamos a isso! :)

(Obrigada, Ana!)

(Nota: Este não é um post "piegas"! Além disso volto a dizer que esta letra é tipo Trebuchet, mas por opção minha e não por imposição governativa ou de DRE ou outro organismo... só por opção possível do "Blogger", claro...)

"Alergia" (8-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Anti-AO: uma boa notícia, no meio de tanta má! :)

Depois de tanta má notícia, a dar conta dos disparates desgovernativos, das maldades ultraliberais e desvairadas (depois da onda dos disparates e maldades desgovernativas socretinas), sabe bem ler, antes do fim-de-semana, uma boa notícia para variar.

O recém nomeado director do CCB (centro Cultural de Belém), Vasco Graça Moura, uma das individualidades há mais anos a opôr-se contra o Novo Acordo Ortográfico, não teve meias medidas. Chegado ao CCB, mandou retirar dos computadores a aplicação que converte a ortografia às pseudo-regras do novo AO , que , lembremos, ainda não é lei e ainda só foi assinado por Portugal, Brasil (com muita gente a contestar também) e Cabo Verde. Portanto, um AO cuja imposição a partir deste ano e até 2014 não tem qualquer cabimento.


Sobre este tema, já escrevi muito (nomes dos meses com minúscula?! palavras que tanto se podem escrever assim como assado, ou seja assim e assim para portugueses e assim E assado para os restantes falantes? Uma suposta imposição da fala sobre a escrita, a dificultar até quem quiser aprender a Língua Portuguesa sem ser para banalidades?! Claro, foi ideia que partiu de um senhor turvo de uma suposta Academia que quase nunca vem à superfície da sociedade, o mesmo que fez incluir palavras como "bué" no seu dicionário...?). Por isso é melhor lerem os três principais textos sobre o novo AO, que escrevi e publiquei no já encerrado "Uma Aventura Sinistra" (se quiserem comentar, é fazê-lo qui no "Alegrias e Alergias", s.f..f.):

- Sobre a imposição do AO: "Us noçus cridus "cobradores de fato" vão impor de FATO o desacordo ortográfico" ( de 9 de Dezembro de 2010)

- Sobre as confusões ortográficas que a precipitação deste AO têm gerado (na imprensa, por exemplo): "Novo Acordo Ortográfico: como ESPETAR a Língua Portuguesa" (de 19 de Dezembro de 2010); e

-Sobre o negócio gerado pela precipitação à portuga e à "socretine"da implementação do AO nos computadores, através do Conversor imposto oficialmente:

"Não há ponto/Acordo sem nó/negócio" (de 24 de Dezembro de 2010)

Já nessa altura o debate era aceso... espero que agora as pessoas se juntem a VGM neste protesto, com atitudes, nas respectivas funções. Para já Mota Amaral e outros deputados pelos Açores já questionaram se podem também abdicar da imposição do AO.

Vamos arrumar com esta aberração do AO de uma vez, enquanto a lei ainda não existe como tal, assinando a petição da Iniciativa Legislativa dos Cidadãos contra o AO (ILC contra o AO, ou ILCAO). É imprimir o formulário, preencher e enviar como indicado:
ILC contra AO- Impresso

Infelizmente a A. R. numa a titude anacrónica, só aceita petições para ILCs se quem assina o fizer e papel e incluindo número de eleitor... Mas não custa nada. Os selos ainda estão baratos, só se gastam uns minutos. É por uma boa causa...


O nosso PM parece que ficou irritado e incomodado com a questão, mas alegou que o CCB era uma entidade independente (pois,eh eh! Mas a nomeação é feita pelo governo...Ai que maçadoras estas questões).

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Última hora: Passos Coelho começa a deixar transparecer, cada vez mais, alguns tiques ditatoriais. Quer na forma como responde aos deputados, quer na fuga às perguntas concretas, quer na cada vez maior separação entre si e o sofrimento do povo que governa, quer no rosto , outrora sereno e cordato,que está a ficar cada vez mais sisudo, fechado, arrogante até. A lembrar-me a tal história do "Retrato de Dorian Gray", onde a pintura/retrato de Dorian ia ficando cada vez mais feio à medida que a pureza de D. se degradava. Antes tivesse PPC um retrato desses em casa e não se começasse a ver directamente no seu rosto o tipo de "envelhecimento" precoce dos que faltam às suas promessas sem pudor. Dos que ignoram ou querem ignorar o mal que fazem aos outros. Será o contrário, nos nossos dias: bem podem apresentar uma foto bem retocada e sem marcas nos cartazes e no Facebook. Os corações apodrecem velozmente.

E por que disse eu "Última hora"? Pois bem, anunciou também hoje que não haverá tolerância de ponto no Carnaval, já que estavam a querer cortar feriados e blá blá não fazia sentido...

E afinal... o outro lado da Economia, o TURISMO? A Economia, caro PPC não são só fábricas de sapatos ou de pasta de papel de Saraivas e seus amigos! Quantas localidades país fora conseguem cativar turistas e movimento às suas autarquias, com a organização dos corsos de Carnaval? E quem já tem marcação de pequenas pausas em turismo rural ou outro, nessa época? Vai compensar os cancelamentos hoteleiros e de transportes?

Vá! Força, caro P-M! Cavaco Silva lhe poderá dizer que tal negação do Carnaval foi o seu princípio do fim, há uns anos, no seu cargo. Hummm... estará a querer ser derrubado? Ou espera que a desculpa da austeridade a todo o custo vai continuar a "colar-se" na compreensão dos cidadãos, quando vêem ao mesmo tempo , tanto especulador a escapar a impostos, tanta nomeação milionária e dinheiro escoado no vazadouro do BPN? Ah e, outra questão, como quando foi da Não tolerância de ponto do Natal: o Parlamento vai trabalhar no Carnaval, ou faz daqueles retiros espirituais para os deputados irem às suas terras?

São só umas questões interessantes... não concorda?

(Ah e esta letra aqui usada foi Trebuchet*... tamanho único)

* Como mandam agora usar em todos os e-mails etc,de organismos oficiais! (o MEC, por exemplo) :P

(Nota: o terceiro e último texto da série "UM Louco Pós Natal"- ver arquivo de Dezembro e Janeiro-- não está esquecido, mas os vários elementos estão sempre a ser apurados e polidos, com base nos desatinos a ritmo diário das ideias para o país dos desgovernantes.Ufff! Está mesmo para breve!)

"Alergia" (3-2-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 27 de novembro de 2011

Património Mundial: CAMANÉ "Sei de um Rio"


(Camané  "Sei de um rio"- 2008)
Pouco a acrescentar ao grande entusiasmo que reina hoje por  Portugal e não só, pela declaração, pela  UNESCO, do Fado como Património Imaterial da Humanidade.
Da parte que me toca, talvez por não ser lisboeta, não cresci numa cultura de fadistas (só de tristes "fados"...). Em crianças,  eu  e os  meus irmãos parodiávamos, até, a pose  dos fadistas, nas nossas brincadeiras, com os seus xailes,  os seus olhos  fechados e  as suas nucas lançadas para  trás.  Os  meus pais  cantarolavam bastante, mas  eram  temas  de filmes ou romantismos brasileiros. Achávamos piada ao estilo da Hermínia Silva e seus àpartes, respeitávamos Amália e Carlos do Carmo.
Mas não era entender e sentir o Fado.
Depois crescemos.
Passei a apreciar o Fado dos estudantes de Coimbra, principalmente nas vozes de Luis Góis, Adriano Correia de Oliveira e José Afonso.
Já o fado lisboeta continuava... quase como aquela paixão alfacinha por comer caracóis: um mistério!
Levaram-me a casas de fados, escutei e respeitei. Porém não o conseguia viver por dentro, à parte alguma letra/poema mais bonito, o apreciar o som da guitarra.
Lá se vai envelhecendo e aprendendo com a vida, no entanto. E veio uma nova geração de fadistas e de autores de fados que refrescaram o género musical. E uma melancolia suavemente instalada começou a rimar com alguns fados, algumas vozes que os traduzem aos nossos ouvidos.
Um exemplo é Camané. Nem quem não entenda Português pode negar a limpidez desta voz, a beleza deste fado.
Que esta distinção da UNESCO sirva para ajudar a conservar o que já foi feito neste mundo do Fado , como a manutenção e pesquisa dos seus arquivos (lembro, por exemplo, o ressuscitar daquele fado de Amália, censurado pela Pide, de nome "O Medo", outro dos poucos que aprecio muito) ou o incentivo aos novos valores.
Por outro lado espero que não dê para aquelas reacções exageradas de extremos em que somos especialistas em Portugal, de termos agora uns largos meses a transmitir apenas fados e entrevistas a fadistas, de pôr os alunos das escolas a cantar fados, a estudar letras de fados, a fazer fantasias de fadistas e a construir casas de fados com fósforos, a levar as Joanas Vasconcelos do país a imaginar exposições de guitarras portuguesas  gigantes  feitas com colheres de pau ou com caricas... ou seja, a levar as pessoas a começar a "vomitar" fado pelas orelhas de forma a acabar por fazer uma campanha contraproducente que em pouco tempo ponha Portugal a dizer: "Oh! Outra vez Fado? Nããão!" :)))
  (O outro exemplo que me faz temer isso foi a febre pessoana aquando do centenário do nascimento de Fernando Pessoa! Falava-se de tudo do Poeta, desde a pose do chapéu às sus contas de lavandaria, mas esquecendo o abrir as sensibilidades para entender os seus poemas! O que valeu foi a intemporalidade e grandeza da sua poesia, que sobreviveu a essa "torrente"!)
Ah! E já aprendi a apreciar, ou mais ou menos, um ou outro pratinho de caracóis! :))