quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

"Desinaugurar" Portugal (Um Louco Pós- Natal 2)

Eu bem queria que quem nos desgoverna me deixasse tempo para acabar os textos da série "Um Louco Pós- Natal", baseados ainda na nova teoria de emigração de Passos Coelho e Miguel Relvas na famosa entrevista e depoimentos vários. Mas não: cada cavadela, cada minhoca, como se costuma dizer. Todos os dias, a quase todas as horas, saltam para a ribalta mais personagens pitorescas para nos assegurar, em forma vagamente humana, que Portugal está mesmo entregues "aos bichos". Vou portanto alterar o rumo de um dos rascunhos e transformar este texto no "Louco Pós-Natal parte 2". No fundo, são confirmações do que já planeava dizer.

Primeiro, surge a desumanidade da opinião de Manuela Ferreira Leite, ontem. A senhora, uma septuagenária (atente-se!)normalmente sensata, alega que os portugueses com mais de 70 anos deveriam pagar do seu bolso as hemodiálises (que custam cerca de 500 Euros cada uma)! Não sugeriu aos septuagenários da nossa élite política que abdicassem de alguns dos seus 500€ X muitos dos seus salários e benesses, ou reformas douradas, para financiarem boas centenas de diálises de muitos concidadãos. Não! A sua triste lógica é: ter chegado aos 70 anos já é uma sorte, esses hemodialisados anciãos são um peso para o Estado, por isso escolham pagar ou deixem-se morrer e não aborreçam mais o SNS. Lógica em segundo plano: se tiveres dinheiro, tens direito a cuidados de saúde. Se não o tiveres, azar o teu!

Pergunte-se à senhora: afinal para que são os descontos obrigatórios para muitos subsistemas de saúde e para que servem os impostos que pagamos? Deveriam para assegurar ao menos estes três aspectos: pagar as estradas e as ruas onde circulamos(para o trabalho, por exemplo...), a Educação que nos leva mais longe nas "estradas" da Vida e a Saúde que nos ajuda a poder apreciar e assegurar ambas as "caminhadas". Razão têm as associações de hemodialisados ao exigirem as desculpas de MFL! O cidadão parece agora reduzido ao seu papel de produtor/não produtor e encarado como "gordura" por este desumano sistema neoliberal que se vem depressa instalando no nosso Estado e em certas cabeças acéfalas, mas isto é demais! Que não vá para a frente a lei da Eutanásia, senão a terceira Idade ficará (ainda mais) tramada! Ou pelo menos, uma certa 3ª Idade, a não bafejada pelo acumular de pensões vitalícias e doiradas.

Segundo facto: hoje, em Palmela, foi desligado o primeiro dos vários Emissores analógicos de TV, no avançar da última fase da substituição da rede analógica pela TDT.

Foi emocionante escutar o relato transmitido pela TSF (escutar AQUI... !), onde o sempre voluntarioso ministro Relvas apelou a um tal engenheiro Paulino para que procedesse ao corte. Fê-lo por videoconferência(com muito ruído electroestático!), julga-se que em TDT, e o seu apelo é realmente de entusiasmar o patriota que há em cada um de nós! :))

Por sua vez, outro "cromo" do humor (ainda um tanto analógico) e da tecnologia, o presidente da ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações...aquilo que serve para...hã... coiso... quer dizer... enfim, tachos...) declarou todo pimpão que aquele evento deveria ser considerado uma "Desinauguração" (do Analógico), pois a TDT já havia sido iniciada há bastante tempo. Foi lindo!

O certo é que esse neologismo usado por Amado da Silva, se só terá provocado um sorriso amarelado aos circundantes e a paródia sibilina dos locutores da TSF, ao menos deu para atribuir um nome ao tema que eu queria desenvolver neste texto.

Por um lado (e bem sei que A. Silva se referia ao encerrar do analógico), fugiu-lhe a boca para a verdade: no fundo, os nossos Governantes e seus organismos satélites só encerram ou observam e fazem relatórios, nunca dando nada a ninguém. O mesmo A.S. explicava há pouco que o nosso TDT estaria peparado para uns 7 canais de TV e com o tempo ficaria apto para 14 (ao perguntarem-lhe porque não tinhamos 14, ou 30 ou mais canais em TDT, como outros países, totalmente grátis para os cidadãos). Argumentava que para já só poderiam ser os 4 canais que tinhamos analógicos ( a justificação foi vaga e esfarrapada), mas que para futuro, quem sabe... Não , não dão nada a ninguém... solidifica as já grandes suspeitas de muitos de que os futuros 10 canais extra serão em troco de alguma taxa mensal, a pagar à PT a quem foi entregue o negócio, escandalosamente!

Por outro, este novo termo confirma o que os desgovernantes dos últimos anos têm feito, começando em Sócrates e continuando em Coelho e Relvas, incluindo até muitas das acções de desmantelamento da nossa economia nos anos 90 áureos da entrada na CE(E), por Cavaco Silva, o que eles têm vindo a fazer, dizia eu, é a verdadeira DESINAUGURAÇÃO de PORTUGAL.

Cavaco desinaugurou a Agricultura e as Pescas, em troca de umas estradas onde melhor pudessem entrar os produtos espanhóis , franceses e alemães.

Sócrates desinaugurou maternidades e serviços de urgência. Depois, com ajuda de MLR, desinaugurou milhares de escolas rurais,algumas delas recentemente restauradas(e pelos próprios pais!), concentrando os ensonados pequenos em "caixotes escolares" e tendo em mira a destruição da Escola pública e futuras privatizações, alegando dar em troca a "banda larga" (pífia, como se verificou), umas lancheiras de nome "Magalhães" (que duraram ainda menos que a viagem de circumnavegação do seu "padroeiro") e uma suposta melhoria de instalações, incluindo ginásios que em muitos casos ainda faltam.

Agora Passos Coelho continua a obra de desinauguração, levando essa miséria não só ao sector público como à iniciativa privada, onde ela existia. Desinauguração de mais escolas, de mais hospitais, de serviços fundamentais para os cidadãos (enquanto continuam a não desinaugurar tantas PPP, IP, comissões e outro tachos). Não vejo mal em acabar com o Observatório da Violência nas Escolas (que pode ser levado a cabo por tanta gente que enche o MEC na 5 de Outubro), , mas os tachos nas dres continuam, só para dar um exemplo. Desinauguração, sobretudo dos DIREITOS dos cidadãos consagrados na Constituição e desinauguração dos SALÁRIOS como fonte de sobrevivência digna, através de cortes (leia-se roubos) de subsídios que compensavam o baixo nível dos mesmos , de cortes em percentagens cada vez mais substanciais dos 12 salários anuais, aumento brutal de impostos e de despesas (energia, transportes). Desinauguração de empresas nacionais de valor para todos e a custo sobreviventes, como a CP, a TAP, os CTT e todas aquelas que tencionam desinaugurar junto de chineses e outros compradores.

Nas pequenas e médias empresas, dando apenas uma vista de olhos no meu bairro, já consigo contabilizar, pelo menos, a DESINAUGURAÇÃO de uma papelaria/tabacaria, três ou quatro restaurantese/ou cafés, um talho, duas mercearias e dois cabeleireiros. Ah e até uma loja chinesa(sem quaisquer familiares a render a guarda)!

Na sua famosa entrevista já aqui analisada em quatro textos (sendo este o quarto e faltando um), o Primeiro -Ministro PPC veio, finalmente, desinaugurar a desinaguração a seguir planeada: o desinaugurar dos portugueses como habitantes de Portugal, aconselhando quem tem habilitações (ou não) a emigrar. Ficará o país para alguns turistas de luxo, para pessoas na miséria que os sirvam, para velhos a morrer sem apoios de saúde (nem sequer hemodiálises!) e de qualidade de vida e para os que para cá imigraram e não quiseram ou puderam voltar às suas terras, muitas vezes optando pela via do banditismo, pois os seus empregos também foram "desinaugurados"!

A única coisa que continuam a inaugurar em força são os tachos para os amigos, as prebendas, os favores políticos , aventalados ou não.

Bem pode o ministro Álvaro, da Economia, apregoar as qualidades do pastel de nata português ou do churrasco do "Nando's"(África do Sul, ai de novo o conselho à emigração). Portugal desinaugura-se dia-a-dia e não tarda fecha, com uma tabuleta a disfarçar, alegando "encerrado para obras, devido a ... desinauguração".

(sobre a palestra "empastelada" falarei a seguir).

"Alergia" (12-1-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Também fizemos um post sobre aventalados! ;)

Como Blogue que se preza, o "Alegrias e Alergias" vem aqui apresentar o seu post sobre Maçonaria, aventais e aventalados!

Como o debate já foi longo na blogosfera e nos OCSocial, resta-nos acrescentar as "aparas" que apanhámos aqui e ali, ao nosso estilo, de vermos pequenos pormenores que escapam mas que muitas vezes são bem mais eloquentes que reportagens ditas sérias.

Por exemplo, um dos pormenores a destacar foi a reacção de alguns figurões dos grandes partidos a estas trapalhadas das lojas maçónicas-totós- para- principiantes tipo "Mozart", "Abade da Serra", "Prometeu , etc.

Assim, Mário Soares, no seu proverbial à vontade, asumiu ter sido maçónico mas já não ser, porque fora de moda (ou seja, entenda-se,agora já alcançou tudo o que quis, mesmo sem a influência das Lojas e das Mercearias e por isso está-se nas tintas). E afirma não ver problema nenhum em os políticos declararem obrigatoriamente que são maçons. Já Almeida Santos (olha quem!) e o Vate do PS, Alegre, ficaram indignados, alegando ser um atentado à Liberdade, um regresso ao fascismo , querer obrigar a tal declaração! Pois... um, porque se indigna contra tudo, pelo menos de garganta, com a sua voz romântica e profunda. O outro porque receará que descubram o que o tem afinal levado a ter tanto prestígio político ao longo de tantos anos, sendo afinal sempre um nº 2 sem responsabilidades de maior... Só que escusava de se afligir. Já toda a gente sabe, assim como os seus lados de sombra são já quase mitos urbanos em Portugal (caso fossem mitos...).

Por outro lado descobrimos que há guerras entre lojas antigas e consagradas, as que vêm já do pós revolução francesa e da Primeira República, guerras entre si e agora entre essas mais famosas e estas de maçons-mirins, com nomes ainda mais pitorescos. Portugal tem o direito de conhecer os padrões e bordados dos seus aventais, para saber se são tão arreigados na defesa dos bons valores como alegam.

Confirmámos assim que todas estas lojas têm os tais apertos de mão secretos, reuniões secretas, frases secretas, juras secretas. Portugal tem o direito de saber se essas juras não colidem com o juramento que tantos deles fazem à Nação, quando ao assumirem cargos públicos "Juram por sua honra cumprir a missão que lhes foi confiada.etc e tal...". Não venham dizer que é algo do foro privado, pois não é o mesmo que pertencer a uma colectividade de matraquilhos ou de columbofilia, ou ao clube do vestido de Chita. Ou sequer é o mesmo que o "Clube do Bolinha", onde "menina não entra".Embora até pareça, pois ali menina não entra muito na jogada,"mêmo"!!!

Ao ver tanta indignação e tanto ritual, o que chegamos é a duas principais conclusões:

- 1ª-Que, uma sociedades que nasceram secretas em tempos de repressão, ao longo de mais de dois séculos, deixaram de fazer sentido em tempos de Liberdade, ou seja, desde o 25 de Abril;

-- Que o anti-clericalismo que afinal estava por detrás de tanto ingresso nas lojas de Maçonaria não passava de inveja e deslumbramento pelo próprio clero: as vestes quase sacerdotais, os rituais, as reuniões tipo Missas laicas, os valores humanísticos defendidos, os graus de progresso na estrutura e a crença num tal de Grande Arquitecto, a substituir o Deus que tanto desprezam! Assim, compreende-se melhor PORQUE ALEGAM QUE DECLARAR PUBLICAMENTE A PERTENÇA À MAÇONARIA É UMA INTERFERÊNCIA NO FORO PESSOAL! Claro! Ficam ofendidos pois ser maçon não é, como dizem muitos, pertencer a um clube, a uma confraria ou associação! Ser maçon é pertencer a uma... RELIGIÃO. Daí o secretismo: a Maçonaria no fundo é uma espécie de religião, mas como tanto proclamam a anti-religião e o laicismo, têm vergonha de o admitir.

NOTA:Há uns meses, numa reportagem, um maçon explicava que, se na Assembleia da República estivessem em causa valores maçons contra valores de um partido, quem era na maçonaria unia-se a outros maçons de outros partidos contra a própria sugestão de voto do seu partido, caso a disciplina de voto o permitisse! E dizem a democracia portuguesa não estar em causa com isto?

Bem, admitam, rapazes (e algumas raparigas): têm uma religião que põem à frente de qualquer outro valores ou compromissos! Se o fizerem, aqui o "Alegrias e Alergias" dá-lhes de brinde a sugestão de vários AVENTAIS interessantes para renovarem o guarda-fatos da Loja, de acordo com as últimas modas de estilistas de cozinha.

AQUI ESTÃO(mini-catálogo):



O AVENTAL DE CHEFE, ao estilo Don Corleone. Para qualquer Loja, mas talvez mais adequado às lógicas Clássicas de cinquentões grisalhos de voz rouca e baixa, múltiplas reformas douradas do Estado e múltiplos cargos em Administrações de Empresas Público Privadas, tenham já presença chinesa ou não. Especialmente indicado para os bem parecidos, ao estilo Brando, mas que não se importem de engolir sapos, nem de colocarem algodões na boca. E que detestem cavalos...



AVENTAL À MINHOTA: Aconselhado aos maçons das gerações acima dos sessenta, mas que tenham um feitio menos autoritário, Que sejam, até mais bonacheirões e afáveis. Os que preferem andar nas áreas da cultura, embora com um pezito conveniente na política. O lenço na cabeça é opcional, consoante queiram ou não ocultar a careca. Os ouros, à parte os anéis , para serem osculados como os dos bispos, devem estar modestamente representados, sem arrecadas ou filigranas sumptuosas. Não vão às vezes serem acusados de enriquecimento ilícito!

AVENTAL IRREVERENTE/Jovenzinho: para membros das Lojas-mirins, tipo Mozart ... ou Loja Lady Gaga. Costumam fazer furor entre a rapaziada. As esposas e namoradas não acham tanta piada, mas de qualquer maneira nem ficam a saber (menina não entra, lembra-se?). Esse tipo de Loja fica assim entre o clube de bridge e bisca lambida e... as despedidas de solteiro. Há também a opção sem ligas. Se a esposa encontrar o avental, ofereça-se para lavar os tachos, para disfarçar. Assim como assim, também na política os seus cargos serão primeiro lavar os tachos dos outros (leia-se, branquear no Parlamento ou nos jornais) antes de terem um tacho como deve ser.

AVENTAL DE LAVADEIRA. Ao estilo Beatriz Costa na Aldeia da roupa branca, este avental tem um aspecto mais discreto, modesto até. Para quem serve então? Para qualquer loja, mas para aqueles maçons que são jornalistas ou opinadores oficiais, nas tvs, jornais, certos blogues afectos a interesses e regimes. Também adequado para meninas. Não muitas, mas só para dar um ar mais democrático. Como dá para descobrir, pelo nome, servem para ajudar a lavar em espaço público (dos "tanques públicos" da nossa pequena aldeia) as porcarias que outros maçons fazem e dizem, explicando, justificando e até minimizando a sua importância, em casos extremos. A frase secreta, segundo a nossa primeira investigação, é "passa-me o sabão" ou então "água fria da ribeira...". Quando mais acalorados, arregaçam o avental até às virilhas e fazem fosquinhas a outras lavadeiras do outro lado do rio. (costume semelhante aos atestados pelos antropólogos tipo Leite de Vasconcelos, a propósito das lavadeiras "normais", que não usavam roupa interior...).


AVENTAL DE EMPREGADA, ou DE MARIA. Para os maçons que se dedicam aos serviços secretos profissionalmente. Este avental assegura um bom e barato disfarce: qualquer latagão barbudo e de largo queixo, ao vesti-lo, será de imediato confundido com uma inocente adolescente vinda das berças , com acne e a falar "achim". Mesmo a presença de buço ajuda à caracterização. Tirem apenas os piercings.




AVENTAL DE CHE(F)- para maçons de esquerda mais radical, caso existam.





AVENTAL COM COELHINHOS- Para maçons da nova Direita, mais ultraliberal! Ficam tão queridos e mimosos! E ligam bem com qualquer tom de cabelo!





AVENTAL RATINHO CEGO (inspirado na cantilena tradicional inglesa dos "Three blind Mice")-

Para maçons ditos de Esquerda, mas no fundo que gostam de optar por seguir cegamente qualquer gabarola arrivista que se proclame líder insubstituível. Já que há lojas com nomes mitológicos, este poderia ser para a tal LOJA Prometeu, mas na Variante Prometeu -mas-não-cumpriu-só-esbanjou. Ou a loja Sócrates... ah, mas esse não era herói mitológico, pois não? foi bem real... da filosofia... (não consegui arranjar uma cópia maior. Quem o digitalizou devia ser um tanto míope...).

Finalmente um AVENTAL DIFERENTE, também tradicional como os outros, mas não adequado a qualquer maçon que se preze e queira enriquecer e trepar socialmente.Depois a parte par´dica do nosso "catálogo" , vem o item de seriedade.Chamar-lhe-ei, AVENTAL LAURA COSTA. É uma homenagem à senhora com esse nome e que assinou este desenho(confirmar assinatura ao lado, em baixo). Alguns lhe reconhecerão o estilo como a artista que, nos anos 60 e 70, ilustrou livros de contos de fadas, agendas domésticas, jogos, calendários e até papéis de embrulho. De forma alguma deve ter sido maçon. Esta ilustradora portuense, que ajudou ao prestígio de editoras e da Majora, dpois de longos anos de trabalho, viveu os seus últimos dias da sua vida em quase indigência, com ajuda de vizinhos, pois , como acontece a quem trabalha nesta área, a precariedade vem de longe: a ilustração é paga à peça e sem se ficar com direitos de reedição. Não há descontos para a Segurança Social, nem existiam à época PPR ou seguros para velhice. Assim, sem apoio de empregadores ou de Lojas semi-políticas, bem se pode ter um trabalho meritório, enquanto se aguenta e se enriquece os outros, como fez a D.ª Laura Costa. Curioso é agora a sua obra perdurar, em catálogos de Internet, como se os desenhos tivessem nascido do ar... A minha homenagem será então perpetuá-la um pouco também, com este seu desenho aqui no blogue. Ou pelo menos enquanto a blogosfera continuar livre.

Não, este belo avental não cabe em nenhum anafado maçon oportunista...

"Alergia" (11-1-2012, in blog "Alegrias e Alergias")























Entre traições : agora nem há folga para as costas!



(Amy Winehouse- "Between the Cheats", 2011, do álbum póstumo "Lioness Hidden Treasures")

Olá! Sentiram a minha falta? Não me esqueci que fiquei a dever os prometidos posts da série "Um Louco Pós-Natal", como este AQUI, depois da série de três de "um Louco Pré-Natal" (consultar o arquivo de Dezembro de 2011). Faltam portanto dois.

No entanto, para "aquecer o ambiente", deixo por agora a música genial da Amy Winehouse, em publicação póstuma. Seria do novo álbum que estava a preparar,antes da sua trágica morte aos 27 anos.

A razão da escolha? Ser uma música magnífica, ao melhor de Amy e ... falar de batotas, traições.

Claro que a cantora, com todos os seus problemas dos quais sobressaiam a toxicodependência de drogas e álcool (tendo este último acabado por a matar), estava a falar das tontas facadas nas costas entre pessoas instáveis, no plano amoroso, salientando as fases ,entre longas listas de traições , como momentos líricos e de certa paz.

Por outro lado,vejo no tema um bom mote para o que este nosso novo desgoverno tem feito, especialmente pela mão de Passos Coelho e do seu braço direito Vítor Gaspar: o não nos darem SEQUER qualquer tipo de tréguas entre os momentos de traição. Neste caso, as facadinhas são dadas nas costas e peito dos portugueses, através da sucessiva quebra das promessas eleitorais, no caso de PPC ( e ainda há quem o defenda que, coitadinho, ainda mal teve tempo para governar? Ai é? Mas já teve tempo, a velocidade de cruzeiro, para delapidar uma série de direitos constitucionais e fazer precisamente o oposto que prometeu, como aumentar todos os impostos e cortar /roubar salários! Sim, roubar, pois NÃO somos todos responsáveis pela crise, não! Por mim falo, pois NÃO vivia acima das minhas possibilidades!) e através das sucessivas medidas de austeridade anunciadas e impostas por Gaspar. É que mal deram uns escassos 9 dias do novo ano de "folga" aos bolsos portugueses, para virem com anúncio de NOVA batota, NOVAS (ou "velhas") medidas de austeridade só porque receberam os fundos de pensões dos bancos, uma outra BATOTA que já se saberia ser muito prejudicial ao erário nacional.( ver a notícia: "Governo admite medidas adicionais este ano para compensar desvio" e ler também os comentários, para entenderem a indignação...)

Não deram um tempo mais longo para o traído Portugal retemperar forças e acumulam cortes ainda mais velozmente que a sucessão de PECs do anterior governo. Criticavam, mas seguem exactamente a mesma cartilha de "traição" ao país. A cartilha do empobrecimento, sem ideias para o desenvolvimento económico. Só que não lhe chama "traição". Chamam-lhe "desvio".

Pode parecer forte a analogia, mas de facto é assim que o povo português que tem pago a crise se sente: traído, apesar de cumpridor, como lhe pediram.O governo age como um casanova malandrão, que num dia promete não mais ter motivos para pedir o perdão do seu querido Portugal e não mais precisar de lhe pôr os "palitos" ou espetar a facadinha traiçoeira, mas que depois, mal vira a esquina do Ano Novo, sente os "calores" do cio neoliberal e do aventureirismo de D. Juan sem rumo ou ideias e lá vem o novo "balde de água gelada" sobre o Portugal paciente! Provavelmente, o governo julga que, ao ver tanta tolerância e resiliência do Portugal quase apático, pode continuar a "adornar" eternamente a cabeça da Nação com um belo par de chifres de austeridade até à miséria, ao suicídio como país.

Só que isso não acontecerá. Em momentos de crise e de desespero, quando levado ao extremo, Portugal deu sempre a volta por cima, escolheu novos chefes, revoltou-se, atirou traidores janela abaixo, mostrou que estava farto. Há que saber ler a História, que pode não se repetir, mas que reflecte o que acontece à Humanidade quando abusada e vilipendiada em contínuo.

Não sabemos como será, mas sabemos que, quando vier, a mudança não agradará a quem andou a governar mal, a corromper o poder e/ou a defender medidas estúpidas e indefensáveis. Senhores "noivos-governantes": enquanto houver tempo, mudem de rumo e de fés cegas em políticas que NÃO funcionam e apenas conseguem ser contra as pessoas honestas. As pessoas, as tratadas imbecilmente agora como "gorduras" financeiras, um dia deixarão de ter tolerância e compreensão. Ainda vão a tempo. Depois não se queixem de quem se cansou de traições.

Dedico , portanto, esta música aos traidores que o são quase por tradição. Por um lado, aos que o são nas suas vidas amorosas, que gostam de, com infantilidade, arriscar pôr enfeites cranianos aos seus companheiros/companheiras, trocando levianamente o carinho e amor de uns por prazeres passsageiros e venais de outros. Mas tal dizem que é algo de patológico na maioria das situações, no caso deles,os psicólogos chamam-lhe o "complexo de D. Juan", no caso delas, resumem tudo ao termo "histeria". Há que ter alguma complacência. Cada um sabe das asneiras que faz e não me compete julgar. Já no caso dos governantes que gostam de fazer dessas traiçõezinhas ao país com o qual estabeleceram um compromisso por alguns anos, não se pode ser tolerante. O caso já é connosco, os governados, só nos apetece pôr-lhes os tarecos à porta, mandá-los dar uma volta até não mais. Parecem mesmo desses que gostam de trair e maltratar as esposas ( que têm tentado tudo para os fazerem felizes, sem grandes indignações e protestos) e depois, todos submissos, fazem todas as vontadinhas às amantes "duronas"!

Sendo assim, que vão pedir asilo aos únicos a que parecem ser fiéis, esses "amantes" com quem traíram o povo. As Merkéis queridas que os aturem, as Mania do Défice que lhes aqueçam os pés e... faço votos que o terceiro e maior "derriço", aquele pelo Mercado Nervoso, o único junto do qual estes nossos governantes parecem querer ter CREDIBILIDADE, o mimoso mercado credor, vá de vento em popa! Porém sem ser às custas do dinheiro de Portugal ,que a tantos portugueses inocentes custa a ganhar. Se querem preservar o romance com esse instável e caprichoso Merkado Kredor, que o sustentem do seu bolso, ou do bolso das suas clientelas! :((

Agora todos em coro com a Amy: "Between... the cheats... Ohooooh...!..."(a canção, ao menos, é deliciosa!)

"Alergia" (10-1-2012 in blog "Alegrias e Alergias")

domingo, 8 de janeiro de 2012

Cartoons: frases e passos do Ano de 2011

                                ((c) Margarida Alegria, Janeiro de 2012)
Outro Cartoon, este sobre uma das frases polémicas do Ano de 2011. Pela boca do próprio Primeiro Ministro, PPCoelho, e que resume qual a sua filosofia (?) política ultra-neoliberal: que devemos empobrecer primeiro, para depois "renascermos das cinzas", como país, como a ave Fénix mitológica.
Resta saber se, depois de  PPC aconselhar a  empobrecer e a emigrar quem não quer empobrecer e definhar por cá,  restará alguém para aumentar a produção do país, como desejava o ministro Álvaro (pondo-o até como condição para voltar a aumentar o mísero salário mínimo que temos!).Se restará alguém, ou sequer os seus ossos para essa "resurreição" milagrosa.
Restarão talvez aqueles políticos que mais nada sabem fazer, bem como os tachistas, os boys e bóias... decerto que nada de criativo e produtivo pode sair desses "cérebros", normalmente de meninos amparadinhos e sem uma ideia para o bem de Portugal.
Depois não se queixem se, em vez dessa Fénix, brotar uma explosão social dessas cinzas, por aqueles que não tiverem mais nada a perder. Por vezes bem gostaria que acontecesse a estas "luminárias" insensíveis aquilo que acontece no romance "o Príncipe e o Pobre" de Mark Twain, onde essas personagens , "sósias", trocam de lugar, aprendendo o Príncipe o que era a vida e a miséria do seu povo. Só assim  veio a tornar-se um melhor governante. Era esse o milagre político que eu desejava para 2012(ao menos!), já que para rotativismos inconsequentes de quem se deixa mandar pelo exterior já temos que baste...
(há mais cartoons na calha. Entretanto, comentem estes aqui, reajam nas opções abaixo do post e votem na sondagem deste blogue,  na coluna ao lado direito. em cima)
Margarida Alegria (8-1-2012, in blog "Alegrias e  Alergias")

Cartoon: figuras "de Nível Lixo" do Ano 2011

                                        ((c) Margarida Alegria, Janeiro de 2011)
Agora  mais cartoons para fazer a súmula do Ano de 2011. Neste caso sobre os figurões Internacionais, dos mais influentes no Mundo inteiro, mesmo que aleguem nos tribunais que as suas famosas avaliações são meras OPINIÕES. Assim também eu...
O certo é que foram dos criminosos que ajudaram a  desenvolver a crise do Subprime nos EUA, em 2008. E agora estão de unhas e dentes no ataque ao Euro e às economias Europeias (e não só). E lá vão, "cantando e rindo".
Só não se entende como é que países dirigidos por pessoas adultas continuam a dar crédito a estas "agências de notação financeira",não optando por  criar as suas próprias agências de Estado, ou simplesmente proibindo a sua existência, por já se ter provado mais que uma vez não se regerem nem por ciência de rigor, nem por critérios honestos e imparciais (são seus accionistas muitos dos maiores financeiros interessados em enriquecer graças a esta crise).
É um mundo cada vez mais absurdo...
(comentem, reajam com as opções abaixo, participem na sondagem que está na coluna direita deste blogue. Será depois "cientificamente" analisada, com mais rigor que o das "agências de notação"...)
Margarida Alegria (8-1-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Em dia de Reis: doismileoito - Bife de Natal


(doismileoito , "Bife de Natal", video oficial e caseiro, do Natal de 2010)
Como tinha prometido, continuamos a divulgar a boa música  nova que se faz  em Portugal.
Neste caso, para comemorar  o quase despercebido Dia dos Reis, o dia da Epifania,/ Revelação, que em austeridade já nem obriga ao bolo-rei, revelamos uma musiquinha mimosa de Natal do grupo "Doismileoito". A letra é um tanto simplória, mas corresponde ao que muitos sentimos e nos vão dizendo: que a festa do Natal, ou pelo menos o seu ambiente e as prendas, já não é/são para nós, adultos. Eis portanto uma canção sobre a angústia e constatação de que já não somos mais meninos. A parte inicial da música lembra melodias que já conhecemos, mas a secção instrumental natalícia dos arranjos compensa a relativa modéstia de uma pequena canção nitidamente de desabafo. O video, esse, é  uma Animação deliciosa.
Dedicado ao que há de criança perdida no Mundo em cada um de nós.
E post especialmente dedicado  a um músico português de outra geração, Pedro Osório, falecido ontem e que tinha ainda muito para dar, como se viu o seu último disco, um lindíssimo legado que anda se esforçou por nos deixar (mas que coragem, agora olhando aos escassos meses que lhe faltariam...!), "Cantos da Bailónia", a partir dos seu ricos arquivos musicais, que logo no seu lançamento, divulguei AQUI, com "O Beijo do Sol".
Descanse em Paz, Maestro Osório. E Obrigada! A Música Portuguesa continuará e bem entregue (claro que não incluo a pimbalhada nem os jingles do Pingo Doce e afins...).
E boa carreira aos Doimileoito, pelo ano Doismiedoze fora  e  muitos mais ...

Cartoon: Até no Inferno devem escutar destas!

                (c) Margarida Alegria, Janeiro de 2012, in blog "Alegrias e Alergias"
Outro Cartoon,  da nova leva para o Novo Ano de 2012.Sem muitos comentários, apenas o nosso palpite que, no Inferno como na Terra, os pobres funcionários públicos serão sempre os primeiros a "ser comidos" por quem manda. E ainda por cima sempre sob chuva de críticas de quem desconhece aquilo pelo que passam e não percebe que vai ser o seguinte....
Confirmando que, como julgo que foi Sartre a dizer, no fundo, "O (maior) Inferno são os Outros".
E se são...pelo menos alguns. Apanha-se cada chamuscadela infernal às vezes...
(se apreciaram, se têm sugestões... comentem, não demora muito... ou "Reajam", aqui em baixo, com cruzinhas... E votem na sondagem que está ao lado direito, no blogue, até ao fim do mês, para a Alergias depois poder fazer a análise da mesma muito à sua maneira, muito rigorosa, coisa e tal e até talvez insurgente, quem sabe...)
Margarida Alegria (6-1-2012, in blog "Alegrias e Alergias")

Cartoon: Prenda de Noite de Reis...

                        ((c) Margarida Alegria,6-1-2012, in blog "Alegrias e Alergias")
Como Prendinha de Noite de Reis... Ups! "Incompleta"! :))
Cá para mim o maroto do rei pôs o Ouro "no Prego" e não quer dizer!
Começando assim, em Ano Novo, a série de cartoons já exclusivo para o "Alegrias e Alergias".
Entretanto podem ir espreitando as páginas de arquivo do blogue, para já ainda só uma, com cartoons criados para outras paragens (Facebook, Blogues...)
E daqui a poucos minutos sai outro cartoon muito especial, dedicado aos funcionários públicos e seus críticos. (Está tudo programado,nesta era simplex!).
Estão cansados de política "pura" ou do humor por palavras? pois aqui vai a "bonecada", ou, como se costuma dizer... "Entendeu ou precisa que lhe faça um desenho?"
E como ainda dizia um outro (um politiquinho dos que anda agora bem abrigado dos holofotes): HABITUEM-SE!
(e... comentem, cliquem nas opções abaixo, votem na sondagem na coluna da direita... comuniquem! É fácil! Se não tiverem perfil google ou blogger, escrevam como anónimos e depois assinem... há muitas opções! Aceito também sugestões, mas para já não temos mail aberto para o blogue).
Agradecida! :)
Margarida Alegria (6~1~2012, in "Alegrias e alergias")

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Paz da qual não somos donos

( desenho de Pablo Picasso, um de vários sobre a Pomba da Paz)
A Paz é sem dúvida um dos maiores e mais belos valores do Mundo. Uma preciosidade, um tesouro. E por isso a devemos conservar num cofre  resistente,chamado coração. É um bem muito frágil, que agora está aqui, mas de repente parece evaporar-se.
Assim também o perdão, sentimento tão fora de moda. Por vezes juramos para nós próprios e para os outros: desta não perdoo, NUNCA mais! Fazemos contas a supostos "débitos e créditos" de quem nos magoou, "encerramos" contas e balanços. No entanto, esquecemos que o Perdão, tal como a Paz, não é um sentimento como outros. Como os maiores sentimentos que existem, não é só um sentimento, mas uma atitude. E, tal como a Paz, não é nem pode ser nossa exclusiva pertença. É algo que só faz sentido repartindo.
Há lá tantas palavras que se expliquem a si próprias como "PERDOAR"? Deriva de "donare">doar > dar com um prefixo que significa "ao longo de". Por isso  Perdoar é DAR, pelo nosso caminho no mundo, é dinâmico, é "IRMOS DANDO", não uma atitude que se esgota num dado momento. E como tudo que podemos dar, é porque foi algo que também nos foi dado (por Deus, pela Vida, pelo Acaso cósmico,como bem entendam conforme a crença pessoal ou sua ausência). Não é totalmente nosso, o Perdão. É algo que está de passagem, ao nosso cuidado e que só faz sentido se o repartirmos, passando-o adiante. Por isso dificilmente nos cabe a nós negá-lo a ninguém. Se podemos voltar a ser magoados? Com certeza. A única certeza , talvez, nesta aventura que é a Vida. Não acredito que a Vida deva ser Sofrimento. Mas também não é um mecanismo pré-programado. Se tudo fosse previsível, devendo nós fechar o coração ao risco de dar e de perdoar, de sofrer,  de arrepender,de reconciliar, a nossa Vida não seria um andar ao vento e ao sol, com tudo que tem de bom e de menos bom, mas um negócio unipessoal de sentimentos, talvez com coisas apenas amenas, mas sem crescimento. E acredito também que a Vida é constante aprendizagem, crescimento. E para isso precisamos dos outros. Mesmo daqueles que, pela lógica, achamos que são perfeitamente dispensáveis no nosso caminho. Omitir isso não seria caminhar, mas parar na beira do caminho à espera de ver passar o eventual desfile ideal da nossa Vida. Estagnando, assim.

            ( desenho de Pablo Picasso, também sobre a Paz. Não recordo os títulos)

De igual modo a Paz. Não é um bem particular, uma tranquilidade, com que às vezes a confundimos. Pode ser isso, mas deve também ser acção: o acolher quem quer ser acolhido, o escutar quem quer ser ouvido, o deitar para trás das costas o que é menos importante, entre "mortos e feridos".
Imagino a Paz como uma grande taça de frágil cristal, cheia de água que sacia, mas que, para se equilibrar, só consegue ser transportada se por várias pessoas. Depende de um esforço CONSTANTE, ATENTO, conjunto. Com tropeços e "pataratices" no caminho. Mas sempre com espaço para mais um "carregador" que venha por bem e tenha sede dessa Paz. A Paz não nos pertence. Devemos procurar repartir a parte que nos coube em sorte,  a quem a pedir, para que ela vença nos corações humanos e no Mundo! Só assim  os libertaremos.
Viva o Novo Ano! Viva a Paz !
( um texto "pinga"-- expressão da minha família que significa "lamechas"---, eu sei, mas escrito sob a influência suave de um solzinho simpático que raia lá fora e cá dentro!) :)
Margarida Alegria (5-12-2012, in "Alegrias e Alergias")

Concurso do "Aventar":Blogs do Ano 2011

Está decorrer o Concurso de "blogs do ano", organizado pelo "Aventar", com várias categorias, por temas. Ver aqui o  calendário, o regulamento e o modo de inscrição e de votação:  "Blogs do Ano 2011".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Why can't we be friends?


(Muppett Show , de Jim Henson,"Why can't We Be Friends"- do episódio 401)
Gosto especialmente deste video , desta versão da canção. Ora façam  o  favor de ver  recordar e sorrir.;)
E agora é ler devagar:
É uma verdade incontestável  que as guerras não fazem bem a ninguém, a não ser aos  que enriquecem com ela ( os que tantas vezes as causam, com calculismo e irresponsabilidade, por estarem protegidos à sombra de qualquer bananeira,  longe da frente das batalhas). E mesmo assim, avaliados os danos, estes são sempre bem mais pesados do que quer que  se possa ter lucrado.
Sempre gostei muito dos Marretas ,da época áurea do seu Show, tendo este video em particular um valor extra que não vou especificar. Mas  isso é para mim, pois tenho vindo a aprender que aquilo que valorizamos é  muitas vezes apenas um interesse passageiro  ou mera curiosidade para outros, até um instante de mero divertimento fútil. Deveriamos todos,seres humanos, uma mesma espécie, andarmos numa sintonia comum,  ou pelo menos  num número diferente da mesma frequência , hertziana ou..."Heart-ziana", no que respeita a certa harmonia de ideais, de sonhos.
Porém tal não acontece: julgamo-nos mais perfeitos uns que os outros, com mais razão uns que os outros, desprezando os pontos comuns que desenham a frágil Paz. E daí tão facilmente surgirem as guerras, colectivas ou privativas.
Um povo julga-se superior e mais "cumpridor". GUERRA. Um outro acha-se no direito a um certo terrritório. GUERRA. Um país quer obrigar outro a fazer algo. GUERRA. Outro quer impor aos restantes a sua cultura, a sua forma de ver o mundo... GUERRA. Sempre e sempre se encontram as dissidências, apesar de tantos organismos (pagos a peso de ouro e cheios de pergaminhos e comendas) que são criados para tentar manter, senão a união, pelo menos a paz e o não-confronto.
   Se isso é entre povos, que dizer então entre pessoas? Um implica com a cara do outro... GUERRA. Outro leva a mal o que Um disse: GUERRA. Um perde a paciência e resmunga com Outro: GUERRA. Outro resmunga e perde a paciência com Um: GUERRA. Um tem gosto musical diferente, usa roupa diferente, não quer o mesmo penteado, acha que o outro desafina sorri pouco ou fala pouco, sorri muito ou fala muito... tudo e tudo pode ser motivo para encontrar diferenças, quebrar pontes, por vezes tão a custo construídas, mas de bela arquitectura. Tudo é pretexto para Guerra, para tonto desentendimento, para atitudes radicais e pouco frutuosas... Como depois reclamar pela paz no Mundo, por ideais gloriosos e pomposos, ao nível Universal, se depois só há espaço nos corações e nas mentes para a desconfiança do vizinho, para a zanga com o colega, o corte com o familiar, a fúria com quem é amigo?
Isto só mostra como o ser Humano é pequenino, face à grandeza que tem em mãos, a grande  responsabilidade  de tomar conta de um Mundo que não merece. Mas mesmo assim tem esse poder, o de estabelecer harmonia na Terra, de desenvolver uma Humanidade mais justa. Só que precisa de descer do pedestal e agir CADA DIA que passa. A Paz não é um bem absoluto que guardamos no bolso, ou sequer num cofre. A Paz constrói-se e conquista-se, tantas vezes no meio de lágrimas e do esquecer dos orgulhos ocos e mesquinhos.
  Sempre pensara assim. Só que nos últimos tempos descobri que na Vida funcionamos como um grupo de remadores de um grande barco. Porém com uns virados a remar para um lado, estando  outros a remar para a direcção oposta. Não me refiro a lados políticos, mas dos rumos da paz. Cheguei à teoria pessoal que ,enquanto uns  seres humanos  (ou povos inteiros) nascem para tentar conciliar, --construir laços, tentar não fazer grandes ondas (para além dos debates de opinião) com uns e com os outros, tentando encontrar os tais pontos comuns que nos unem --, outros parece que nasceram em e para as guerras, ou pelo menos para os constantes desentendimentos e conflitos, vendo  ofensa no mínimo que é dito, procurando significados ocultos e/ou perversos nos "discursos" mais claros e transparentes, revirando cada pedra em busca de serpentes, enquanto não reparam na verdadeira serpente, a mais venenosa, aquela que se instalou nos seus corações: a serpente da desconfiança, do medo, da escuridão. E é essa "serpente" que, tal como no mito bíblico,em momentos de crise,leva a trair a promessa,  leva a trair a confiança do que se contou, do que se confiou de muito pessoal(não  coisas genéricas, mas muito concretas e privadas!). No ano que passou deparei com essa "serpente" a dominar algures e... não foi bonito.Creio que se deve a feridas pessoais, mas gostaria bem que tal "serpente" fosse erradicada e posta num" Museu do que Não é Importante"...Porém, como li outro dia, a propósito da amizade, não é  que existam pessoas a  não MERECEREM a nossa amizade(quem somos cada um de nós, de especial?).São pessoas que não estão PREPARADAS para a nossa amizade. Infantilidade, talvez. Insensibilidade, quem sabe. Medo de viverem SEM conflitos, a hipótese mais provável. Assim como há povos que demoram séculos a estarem preparados para viverem em paz. Portugal, por exemplo, não demorou muitos séculos a aprender, embora muitas vezes substitua a paz activa pela apatia colectiva e fatalismo.
Em suma: é mesmo muito difícil isto da convivência entre pessoas e povos, mas não é tarefa impossível, se todos remarmos na mesma direcção, a da paz e do bem comum, seja qual for o abismo de ideologias,  de tradições, de feitios e de percursos pessoais.
Às vezes é preciso virem uns bonecos, uns fantoches peludos como os Marretas, para nos lembrarem quanto os conflitos são ridículos e inúteis e que mais valia entoarmos uma canção e andar a lançar alegres fulminantes. Reparem que quem abriu fogo "a sério" foram os velhotes resmungões, ou seja, as gerações mais caducas, que já pouco têm a perder! Foi sempre assim na História do Homem e os Marretas parodiam isso na perfeição. Mas somos geralmente cabeças muito DURAS!
Vivemos dias negros na Europa e no Mundo, há quem fale em (mais!) guerras mundiais no horizonte (para não variar...) e há quem diga que se deveria saltar à frente do Ano de 2012, que agora começa. Discordo: cada etapa é precedida de outra e mesmo as mais difíceis devem ser superadas, para não nos "excluirmos" da corrida. Apesar de tudo acho que só será um ano Negro se o permitirmos.
A nível Geral, será difícil evitarmos os momentos de desânimo e até algum desespero. Mas esses já nem bem me interessam tanto, pois, bem ou mal, a Humanidade tola cá vai sempre continuando a fazer "das suas" na Terra.
 Já a nível pessoal, no que a mim e aos mais próximos diz respeito, familiares , amigos ,  vizinhança, julgo que PODEMOS FAZER a DIFERENÇA, sim.E com ela melhor enfrentar o Ano Negro Nacional e internacional. Especialmente no que respeita aos amigos. Há quem diga que a amizade é o que de mais belo e altruísta existe no mundo, pois que totalmente GENEROSO e sem atitudes de "interesse". De facto: até no Amor as pessoas buscam qualquer coisa em troca, seja intimidade, companhia, protecção, o ser centro da atenção para alguém. No amor de mãe/Pai, é o orgulho de transmitir os genes, de perpetuar, o revermo-nos nos filhos. Mas na Amizade não: haja embora momentos mais graves e outros mais leves, momentos de afastamento e outros de convívio, o que se busca no amigo é só a sua amizade. Patético por vezes, eu sei! Olhem para aquele/aquela "palerma" que está ali.Com pouco em comum comigo, aparentemente. Não me era nada, não o/a conhecia de parte alguma e, num certo momento, tornou-se meu amigo/minha amiga! Milagre! 
Não falo dos "conhecimentos", dos contactos", ou sequer da amizade popular em redes sociais.Não são "caçadores-de-talentos" ou  especialistas em relações públicas, mas tornam-se um pouco especialistas... em nós. Falo de quem é capaz de gostar de nós, mesmo com alguns defeitos de parte a parte, sem saber bem porquê e por outro lado sabendo, sem explicar; pessoas que, mesmo depois de distância de meses ou anos, nos recebe de braços abertos, como se nos tivessemos visto já "ontem", alguém que não nos  mede pelo aspecto (alto/baixo/magro/gordo...), que não liga nenhum "radar" para ver segundas intenções ocultas, alguém pronto a escutar, mas em quem podemos confiar, alguém que escutamos também com paciência e carinho, mesmo que não possamos ajudar.Alguém que tenta aceitar e entender mesmo o quase inaceitável e incompreensível em nós. Mesmo que discutamos por vezes, acabando a rir-se connosco. Pessoas a quem podemos simplesmente dizer, com a nossa presença: Estou aqui. Alguém se preocupa. Conta comigo. E sei que também contigo posso contar. Podemos conversar. Ou podemos escolher o silêncio eloquente. De uma ou outra forma estaremos a "Dizer-nos".
Pois a Amizade comunica sempre, na própria amizade. Gratuita, mas por vezes difícil. Altruísta, para que aprendamos melhor a dar. E a SER.
Desejo mais uma vez um Excelente Ano de 2012 a todos,em especial aos amigos, lembrando que, para a PAZ que nele queremos, devemos repartir o que somos, procurar conservar o que está bem,  burilar o que está menos bem,  remendar o que se estragou (estamos em contenção e poupança, recorde-se!:)), enfrentar CADA DIA e cada situação com coragem e força... sempre tendo a PAZ como objectivo principal e COMUM. Denunciando e tentando sarar as alergias, porém jamais esquecendo de viver  e "saborear" as alegrias! :)
Obrigada, Marretas "fofinhos"!
(e , bolas! lá ia eu escrever só umas palavras, mas sou assim, às vezes: "chatinha" mas bem intencionada... Tenham lá paciência para me aturarem um pouco em 2012, ano novo em folha. Ai ai...)
Margarida Alegria (4-1-2012 in blogue "alegrias e alergias").

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Um diálogo "FURTuoso"?! Pois não!(a mensagem de Ano Novo do Presidente)

Da Mensagem de Ano Novo de ontem do Presidente da República , Cavaco Silva, o habitual. Só escutei uns excertos de mais este apelo à concórdia  social e à equidade dos sacrifícios fiscais por parte de quem lavrou boa parte do terreno (já que  tanto se dedica à lavoura) onde agora o ultra-liberalismo descarado está a semear apressado. (Ver aqui: "Cavaco Silva quer agenda para o crescimento da economia e do emprego", in Público)
Quanto ao que  dele será escutado por parte dos governantes, retenho os conselhos para irem "além do rigor orçamental" (o que facilmente será interpretado como um  ainda maior aperto do cinto, indo "além da Troika"!) e também para um tal  de "diálogo fURtuoso"(?!... foi o que escutei...). Ora para isso não era precisa mensagem, pois os desgovernantes actuais já deram um bom avanço a esse tipo de "diálogo" com os cidadãos, continuando o que se dera início com os PECs 1 a 4 do anterior governo, como exemplificado neste "cartoon", que a "Alergia" teve a amabilidade de publicar, em Janeiro de 2011, no blogue "Uma Aventura Sinistra":
                                       (Margarida Alegria (c) Janeiro de 2011)
Há quase um ano,quando saíu este cartoon, estava em causa a  "taxa de redução remuneratória", famoso eufemismo para um roubo do Estado aos funcionários públicos, "taxativamente" (passo o trocadilho) inconstitucional.
Agora os protagonistas do "assalto" são outros, de ar mais simpático, "sincero" e até sério, mas com novos furos exigidos para os cintos dos (sempre os mesmos)  contribuintes: o aumento de horas de trabalho, cortes nos direitos laborais, congelamento de salários, aumento de impostos (IRS, IVA...), subtracção dos 13º e 14ª meses ( subsídios),os cortes em pensões de reformas dos remediados e idosos, a manutenção das reformas vitalícias de luxo de quem ainda tem muitos tachos, a venda ao desbarato das empresas estatais mais lucrativas e cruciais,mais portagens, mais assessores imberbes, institutos e "grupos de trabalho" pagos a peso de ouro, o aumento brutal de transportes e da energia...
Em vez de mensagens preocupadas  e para demonstrar que está realmente atento ao sofrimento do país e às (des)medidas de austeridade, o Presidente deveria cumprir o seu papel de árbitro e enviar para o Tribunal Constitucional, todas as leis bárbaras que são criadas a ritmo , já não de tango, mas de "Fox-trot" dos loucos anos 20, pela neoliberal de Passos Coelho, V. Gaspar e acólitos. E que  para mais nada  tem servido senão para...auto-de-FÉ da classe média e dos que apenas vivem dos rendimentos do seu trabalho.
Se Cavaco Silva cumprisse esse dever, em defesa do povo que deveria representar, já daria  um  RECADO  MUITO MAIS FORTE ao Governo. assim, este até agradece e prossegue o seu próprio estilo  "fURtuoso " de dialogar com os parceiros sociais e com o País.
Margarida Alegria, 2/1/2012