sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A "Ver" com ouvidos de ouvir

Como é viver sem nunca ter visto a cor do céu, o rosto das pessoas, o mundo que nos rodeia?
Uma excelente grande reportagem da TSF, "Vermelho da Cor do Céu" (2011), de Ana Catarina Santos e  sonoplastia de Luís Borges,que nos transporta para o mundo de quem é invisual desde nascença.
Como "VÊEM" tudo? O que gostariam mais de poder ver ? De que cor é os seus sonhos?
Para melhor acompanhar esta reportagem radiofónica, aconselha-se a que vendem ou fechem os olhos e atentem às vozes, às personalidades que nelas são retratadas. A foto aqui é apenas circunstancial.
 A NÃO PERDER!Para ficarmos com uma noção nova e diferente do que é a diferença e de como as cores e a sua importância podem ser  sentidas de outra forma. E de como a nossa pobre noção de Beleza é tantas vezes, como dizem os ingleses "skin deep", superficial.
Para repararmos como somos tantas vezes na Terra uns pobre patetas repletos de "riquezas" que desvalorizamos, mas a tactear em desentendimentos, guerras e até em tontas infelicidades.
(Aproxima-se o Natal, fico uma sentimental, pois para mim o importante nesta data não são as prendas ou a "hipocrisia" proclamada por alguns, tantas vezes bem mais hipócritas do que essa ideia feita, mas o encontro dos Humanos com o seu Eu mais profundo, através de verdades como o encontro e o riso das crianças.A verdade do  nosso lado de Criança também. Festejando o aniversário de uma criança que veio  pobre e desamparada a um mundo hostil, mas felizmente ainda repleto de gente boa e confiável.Era com essa gente que ele contava para mudar o nosso modo de viver. É em pessoas com capacidade de serem bondosas e capacidade de sentirem "por dentro dos outros"que eu quero contar, não desejando mal nenhum às restantes, ... mesmo que por vezes fosse melhor que algumas  se engasgassem a saborear uma pipa de m**** da sua própria colheita "vintage".
Sim, lamechas e exagerado nalguns pontos, eu sei. Fora de moda. Nem sempre as maiores verdades estão na moda, num mundo pejado de máscaras.Esta reportagem ajuda a tirar a máscara. Basta fechar os olhos,  ou pôr uma venda.OUÇAM. "VEJAM")
Margarida Alegria (16-12-2011)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Confiemos na Música dos portugueses! :)


(We Trust "Time (Better Not Stop)"-  Portugal- 2011)
Novas gerações  de bons músicos portugueses não cessam de nos supreeeender pela positiva. Mesmo que cantem em Inglês. São questões de marketing e de internacionalização . Compreensível num país pequeno e periférico como o nosso.
Por exemplo: quem é que não ouvira já esta canção na rádio, não ficara logo encantado e contagiado e depois não ficou surpreendido  ao descobrir que era criação de portugueses? (um pouco ao jeito  do ministro Álvaro , perante as maravilhas de produção portuguesa, naquela feira de artesanato).
Divulgarei outros grupos portugueses interessantes, nos próximos tempos, porém destaco esta do grupo We Trust. Há quem os compare aos "Air", mas desculpem lá os "Air"... este som, os arranjos e a voz são melhores (sem toques de...  Art Sullivan, entendem?)
Dá vontade de escutar mais do que uma ou duas vezes seguidas. Tem uma sonoridade soberbamente positiva e ao mesmo tempo tranquila, ao mesmo tempo para dançar e para contemplar. Uma espécie de banda-sonora para a Esperança e para a frescura de cada dia novo.
E o video (que não me parece ser filmado cá, o realizador tem nome nórdico...) também está à altura, pois não abafa em demasia todos os ambientes que possamos ter imaginado para a música.
Não paremos de incentivar e escutar a música feita em Portugal!  E não só os fados .:)
"Better not stop"!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Homenagem ao Calimero original!




("Calimero- o nascimento")


Faleceu ontem o autor do Calimero, famosa personagem do cinema de animação italiano.


Aqui divulgamos o primeiro episódio criado por Carlo Peroni, infelizmente em versão dobrada em Francês, por falta de opção.


Todos devem recordar da sua infância, este pintainho preto de voz lamuriosa e casca de ovo na cabeça. Em Portugal tornaram-no famoso as versões em Italiano e em Inglês. "It is an injustice, YES, it is!".


Podemos dizer que o Calimero que hoje também desaparece um pouco foi o patrono da maioria de nós, que também temos esse lado de sofredores de Injustiça, e então em Portugal muito mais, por..."JUST BECAUSE I'M LITTLE! Yeah!!!".


Este post é portanto dedicado ao Calimero, ao seu autor e também ao lado Calimero que há em cada um de nós. Mas como o pintainho acabava por saber ver o lado bom de algumas coisas, equilibrando a sua lágrima com um sorriso final, graças a escutar os sábios conselhos do galo seu pai, acho que já serão extra-calimeros aqueles que se queixam por tudo e não por serem discriminados, aqueles que chegam à paranóia de se sentirem perseguidos até por quem mais com eles se preocupa. A esses "super-mega-hiper- CHORImeros", só resta sugerir: cresçam! Saiam do ovo da fantasia e encetem o caminho da vida, como o pequeno e corajoso Calimero de voz rouca! Mesmo que por vezes tenham de enfrentar algumas injustiças. E elas não hão-de faltar... só que isso é viver, enfrentar as frustrações, saber distinguir a realidade do delírio persecutório.


"Alergia" (14-12-2011)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

É arrecadar a triplicar! :(

(Al Capone, gangster de Chicago, EUA, nos anos 30 do séc.º XX)

Não conseguirei precisar bem por que razão me surge esta imagem de Al Capone à ideia, a propósito da duplicação e triplicação das taxas moderadoras nos Hospitais Públicos, SAP e Centros de Saúde portugueses.

Será a ultra-violência da medida, especialmente para a Classe Média, eterna vítima deste tipo de "metralhadas? Será o modo subreptício como estas medidas vão saindo à baila, para depois a decisão final sair de forma abrupta, não negociada e ainda mais pesada do que se havia debatido nos OCSocial? Será a sensação de estarmos a ser mais uma vez roubados de forma agressiva, assaltados e deixados ao desamparo? Será um certo esgar e trejeito de boca habituada a charuto e olhar de soslaio que muitas vezes asociamos ao "mafioso" típico, que nos recorda alguém que tem voz mansa mas que é impiedoso nos ataques, como era o caso de Al Capone?

Será tudo isso junto?

Uma diferença há: no tempo da "lei Seca" nos EUA, quando Capone aumentou a sua fama e acção criminosa, a sua técnica e a dos restantes "gangsters" consistia em chantagear os lojistas, cobrando "Taxas" coercivas ao grupo (percentagens dos lucros, até) em troca de "protecção" contra o banditismo. Claro que os bandidos que atacariam, em caso de não pagamento, seriam os membros do próprio grupo protector. Recentemente tivemos casos desse tipo de chantagem em Portugal, por exemplo no caso das "Noites Brancas" no Porto, em relação a bares e "boites" de divertimento nocturno. Mas , apesar de tudo, Al Capone e os outros gangsters "davam" um serviço em troca: a tal "proteccção" aos seus "sócios" forçados. Já no caso das novas Taxas moderadoras da Saúde, o aumento e o dinheiro "sacado", ou, como se diz agora, "arrecadado"não corresponderá a um aumento da qualidade de serviço, a algo A MAIS que se dá em troca.

Os governantes bem podem alegar que aumentará o número de pessoas isentas, mas a constantemente martirizada classe média , a que terá de pagar essas Taxas, nada terá a "protegê-la".

Desta forma, os objectivos, a meu ver são dois, mas nenhum deles será o anunciado desejo de MODERAR a corrida às "falsas" urgências. O primeiro motivo será, como é óbvio, arrecadar mais uns milhões de Euros à custa dos mesmos e à custa dos rendimentos do trabalho de quem já desconta bem em impostos para que haja um bom Serviço Nacional de Saúde.(SNS) O segundo motivo, a chamada agenda escondida, será levar as pessoas a fazer as contas, ver que fica mais barato ir às urgências dos Hospitais PRIVADOS (por exemplo, até agora, tinham taxas moderadoras de pouco mais de 3 Euros, enquanto as dos CS públicos eram de 2,25 Euros). Em consequência, os serviços públicos ficarão um pouco aliviados, em princípio (pois decerto que depois serão afastados dos sistema mais alguns profissionais da Saúde, através da desmotivação e más condições de trabalho... para arrecadar mais milhões, é claro!), mas o SNS ficará muito desvalorizado e será cada vez menor o investimento do PIB nesse sector (mais milhõezinhos para os mercados), acabando por gradualmente se degradar, desprestigiar até ficar reduzido a um serviço de Misericórdia para os pobrezinhos, lugares onde possam ir morrer e fazer curativos às chagas. Retrocederemos, portanto, não dois séculos apenas, mas até ao tempo da caridosa Dona Leonor, no séc. XVI. Tirando o facto de ter menos dinheiro investido nos hospitais do que nesse tempo áureo da nossa História.

Não duvidem: estas medidas pretendem sobretudo desmantelar e desinvestir e no Serviço público, seguindo anacronicamente o exemplo funesto de Margaret Thatcher no Reino Unido, há umas décadas, que empurrou milhões para a miséria e para viver nas ruas. O tal "inevitável" rumo para o empobrecimento preconizado pelo nosso PM de tom sério , em feroz e insensível defesa dos ideais do neoliberalismo, com as políticas de "corta gorduras" (expressão até já em desuso em França e outros países que antes tinham experimentado essa via) mas as gorduras do músculo das populações. O apoio às negociatas privadas dos bens essenciais da população, ainda naquela fé quase cega (e já vista como ineficaz, na crise do Sub-prime em 2008 ) de que o Sistema se auto-regula, libertando o papel do Estado não se sabe afinal para quê (para que é que fica "livre" o Estado, se perde o papel para o qual foi criado ao longo de gerações?).

Não exagero, pois ainda hoje surge também a notícia de que os já protegidos Bancos, muitos deles co-autores desta Crise, vão ver os seus impostos AINDA MAIS REDUZIDOS, E POR 20 ANOS, os coitadinhos,para compensar a generosa oferta ao Estado dos fundos de pensões de reforma dos seus funcionários (e com ele o transferir das responsabilidades, uh , uh...!). E é isto dividir os sacrifícios por todos?! Bem se estava a ver que lá viriam à baila as restantes contrapartidas desse negócio ruinoso com a Banca!

E vem agora dizer o nosso PM PPC, na sua bela voz de barítono, que até foram moderados nos aumentos, pois ainda não atingem o "plafond" do que poderiam cobrar(Ver aqui também, no "Expresso"), segundo as normas do Tribunal Constitucional. Lá está, a velada ameaçazinha a quem se queixar no país. Por isso não se admirem pela foto que aqui coloco. Desculpem, mas é como se sente quem é mais uma vez "assaltada" com estas notícias e já não tem idade ou saúde para emigrar... Não concordam que, no fundo, só falta um pouco mais, talvez as metralhadoras e o charuto, a estes rostos todos, do PM, do ministro da pasta, dos comentadores favoráveis a estas medidas inconstitucionais, ou do próprio TC "colaboracionista", que se sintetizam na imagem que nos vem à mente, depois de mais este ataque aos bolsos?

"Alergia"(12-12-2011)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Nos 103 milagrosos anos de Manoel de Oliveira!


(Manoel de Oliveira  dança com "Sweet and Tender" aos 99 anos)

Muitos  Parabéns  a  Manoel de Oliveira, que completou hoje103 anos!
Cineasta, antigo corredor de automóveis (no famoso carro de  idealização  fabrico portuense, "Edfor", de Eduardo e Jorge Ferreirinha), trapezista de circo e atleta na juventude, até galã de cinema, em incursão breve.
 Cineasta ( Aniki Bobó , Douro Faina Fluvial, Francisca, Vale Abraão,Vou para casa...)por causa da paixão pela vida e pela literatura(Régio,Camilo, Pe A. Vieira,Agustina...). Corredor "de fundo" da longevidade, trapezista dos sonhos, a desafiar  a Morte, galã charmoso de muitas  gerações, com o seu chapéu branco, como vemos neste pequeno e delicioso video, um eternamente jovem de fazer corar a tantos bem mais novos que ele, de muitas gerações.
Sobretudo um espírito livre, fruidor do bom que tem a vida e que continua sempre a planear e  a fazer os seus filmes, sem se deter perante os entraves reais ou imaginários à capacidade de o conseguir. Um português  exemplar, de melancolia e poesia, mas também de inabaláveis Esperança, Fé e Contemplação.
Mais um que devia ser candidato de Portugal ao Património da Humanidade, aprecie-se mais ou menos a sua obra, pois é sem dúvida uma personalidade especial e original, como se vê, por exemplo, nas sua entrevista  a (conversa com) João Benárd da Costa.
Continue a dançar para nós muitos anos, Mestre! :)
Margarida Alegria (11-12-2011)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O "Alergias" no "Público"! :))

                      (Excerto do jornal "Público", de 9-12-2011, secção "blogues em Papel" P2, pág.ª 2)
Tcharammmmm!!! :)))
Qual não foi a minha surpresa, há bocado, ao dar com um excerto de um post aqui do "Alegrias e Alergias", na secção "blogues em papel", do destacável  P2 do "Público" ! :))
Já não fui a tempo de sacar da babete, mas partilho aqui a satisfação e a digitalização do texto seleccionado.
É uma passagem do meu post de ontem, dia 8 de Dezembro, sobre a polémica da barragem do Tua e de como pode afectar e levar à desclassificação como Património Mundial , pela UNESCO, do Alto-Douro Vinhateiro.
A minha surpresa foi duplamente estimulante, tendo em conta que este blogue tem apenas pouco mais de um mesito de existência (nasceu a 30 de Outubro de 2011). :)))
Abraços a todos os que nos têm acompanhado , com encorajamento para a criação do blogue, com simpáticos comentários e, sobretudo, com a leitura dos textos e cartoons aqui publicados.
Dedico este post à minha amiga "Hurtiga", grande bloguista do "Vade Retro" e ainda do "Sinistra Ministra" que infelizmente não poderá comemorar nesta Terra tal "Alegria", mas que sei que soltaria uma das suas gargalhadas cristalinas, com um comentário bem disposto a propósito. Saudades e obrigada, Amiga, tão precocemente roubada à Vida! 
 (Hurtiga: é pequena a compensação em relação ao Post que tinha criado e publicado, pelo teu Aniversário, a 21 de Maio passado, no blogue "Precisamos de Ti", que era uma espécie de Memorial, para mim e mais algumas pessoas, mas  recentemente apagado e truncado com estranha maldade por quem o "administra", por razões que me ultrapassam e escapam à Razão, à Lógica, ... a Tudo. Deixaram apenas a foto  que te tirara um ano antes e até comentários foram "para o espaço". Conto isto aqui pois já me cansei que me façam dessas crueldades e acabe por me calar, a troco de alguma Paz e  do espírito e esforço de Reconciliação. Mas como isto te envolve e algo que eu escrevera em tua homenagem e Memória,  desta vez não me calo e deixo aqui registada a delirante malfeitoria/ "lapso(??)! Aguardo que a Justiça e a Lucidez acabem por triunfar!...)
Pronto! Diante de tanta coisa menos simpática que se passa no Mundo, já ganhámos hoje baterias novas para continuar o Blogue!
E por falar, se gostarem destes textos, adiram ao blogue, como seguidores, ALI  na coluna AO LADO DIREITO, ou através da Google Rede Social, ou através da Networkedblogs/Facebook (basta estar ligado ao FBook e clicar no botão azul, sob as fotos, em "follow this blog"). E adicionem-nos aos favoritos, claro. ;)
E aqui está o link para o post completo de onde foi seleccionado o texto que surge no "Público":
Margarida Alegria (9-12-2011, "Alegrias e Alergias")
(ups! Ia escrever só umas palavras mas acabei por me alongar de novo! Desculpem! :))

Economia à moda das "tias"?

Não me apetece perorar muito longamente sobre este caso das declarações de José Sócrates em Paris, sobre o que é a Dívida e o que é suposto entender de Economia.

A meu ver ,esse senhor devia ficar lá em Paris muito caladinho , de nariz nos livros (nem que fosse a fingir estudar e a jogar Farmville às escondidas) e dar graças aos Céus e à inapta Justiça Portuguesa não ter sido chamado a prestar contas pelas tropelias várias que fez. Não só antes de ser o responsável -mor pelo Governo da República, como também SOBRETUDO pelo que fez ao país e ao erário nacional enquanto chefiou os seus dois Desgovernos.

Perante o seu inusitado regresso às luzes da ribalta, uns alegam que contradiz agora o que defendia antes, quando governava. É certo. Outros dizem que estará a tenta "apalpar o pulso" ao que lhe resta de popularidade ou ódio dos seus compatriotas (até me custa usar esta palavra, por ter incluso que ele possa ser um "patriota"!). Para mais tarde concorrer a PR (Deus nos livre de mais essa má-sorte!), palpitam. Outros ainda crêem que está a tentar dirigir o PS à distância, mostrando ao in-Seguro como se faz uma oposição musculada. Pode ser, mas seja qual for a hipótese ,que mude depressa de ideias, pois a sua facies e sua má-memória ainda hão-de criar muitos enjoos por este Portugal, pelo menos pela parte de Portugal que ainda tem vergonha na cara. Mesmo os votos que comprava com subsídios vários não sobreveveviriam a mais PECs, quando a torneira fechasse.
Quanto ao que andou a dizer lá em Paris sobre a o que era uma "Dívida" (Ver AQUI) e que parece que hoje tentou esclarecer na TV-- momento que felizmente perdi!-- que "As dívidas não eram para ser pagas , mas para ser geridas" e que querer pagar as dívidas públicas era "coisa de criança", acrescento apenas mais um ponto de vista que passo a expor.

Claro que os países de Economias mais fortes ,como os EUA, a França ou... cof cof... a "cumpridora" Alemanha, são bem conhecidos como sendo os maiores devedores. Certo. Isto porque também , por serem economias mais fortes ,têm os maiores índices de confiança junto dos credores de que não falirão e de que irão pagando as dívidas.

Diz o senhor ex-Primeiro Ministro que aprendeu isso em Economia... Bem, sendo engenheiro técnico, não sei que cadeira foi essa de Economia. Deve ser Economia Técnica. E, se estudada e aprendida aos fins-de-semana, --para uma pessoa tão assoberbada em trabalho em sociedades de negócios vários, cargos políticos desde jovem e cursos de aperfeiçoamento-- atrevo-me a sugerir que possa ter sido um Curso rápido em 5 lições e cocktails para "Tias", como algumas que existem para as bandas de Cascais e da Foz do Douro. Daquelas que vão, directamente ou através da empregada Maria, às mercearias e outras lojas, abastecendo-se do bom e do melhor e, com displicência dizendo à saída, já com a velha Maria dobrada ao peso dos carros de compras:

"-- Sr. Fulano (nome do lojista),ponha na conta, que mais tarde venho pagar!"
E sai depressa, antes que o Sr. Fulano possa retorquir à Madame que já está a dever a "conta" há seis meses! Ou que sequer tenha conta aberta naquela loja (verídico!).

As decrépitas mercearias dos senhores Fulanos deste mundo lá vão acumulando o prejuízo , juntando pepelinhos de "Deve" nos fundos de amplas gavetas, até não caberem mais em espaço ou bolor e os tímidos Srs Fulanos ganharem coragem por apresentar a conta. Normalmente, quando o fazem ,as senhoras ficam ofendidas e dizem que não pode ser tanto e lá pagam uma pequena parte, ou nenhuma, dizendo que vão levar os papéis ao contabilista ou ao marido, para verificarem se não estão a ser "roubadas"! E as Tias deste estilo vão continuando a dar as suas festas e a "governar" a casa com base dessa tal tipo de "Dívida eterna" defendida por Sócrates . E , atenção, este tipo de credor não representa o especulador modernaço dos "mercados", mas o verdadeiro e tradicional fornecedor que apara os calotes deste modo de... fazer Economia! Este senhor Fulano , no fundo somos também nós, contribuintes que se vêem endividados por acção de terceiros!

E afinal, o que leva o merceeiro a vender fiado a estas "Tias" e não ao pobre cliente de salário mínimo, mas honesto? Pois, lá está, é a tal "credibilidade" . A do nome de família, a do se vestir bem, a dos antepassados terem pago contas certas, a de viverem há muitas gerações no bairro, a de recomendarem a loja às amigas (algumas lá pagam a pronto!) e... até o pavor a que se irritem e ameacem com a Justiça e os fiscais (!!!), coisas do estilo em que muitas "tias" são "useiras e vezeiras", para escaparem à raia das responsabilidades, incutindo temor aos que podem ter queixas delas.

Em Resumo: quando JS se referia à Economia que aprendeu, foi essa, a das dívidas eternas dessa casta de Tias, que entretanto lá levam as mercearias à falência, compensam o que não gastam em compra de bons sapatos ou vestidos,caso das mais "jet-set", ou sacodem os casacos de pele traçados e perfumados a naftalina, caso das mais caseiras.

Só que há um senão: um dia até essa conta aparece e alguém sofre o prejuízo.

J.S. depois explicou que para países pequenos como o nosso era impossível pagar a Dívida. Ou pelo menos toda. Verdade, para qualquer país, pequeno ou "grande". Já quanto ao "ir gerindo" alegremente a dívida,será precisamente o contrário. Os mais pequenos têm menos Crédito. Pode parecer estúpido e injusto,para países de gente honesta e trabalhadora, mas é o que acontece. Portanto, o que JS também esqueceu, sublinho, é que Portugal não pertence a esse Clube elitista de Países-Tias, que passam quase incólumes perante os maiores calotes. Esses, reúnem-se assiduamente em "Cimeiras" badaladas e cada vez mais improdutivas, dos G-8. G-20, G-3 ou G-2 à lá Mercozy, mas que , imitando o estilo das Tias da linha ou Foz, só arranjam e debatem dinheiro para os pobrezinhos se for em festanças. Daí essas cimeiras serem ultimamente muito domingueiras e todas com os pés bem debaixo da mesa, não a mesa de negociações mas a dos banquetes, sempre bastante "frugais", isto é, e à base de produtos naturais como as trufas , o caviar e requintes do mesmo preço.

Não, Portugal nunca pode ter essa Economia "à Tia", nem que ela seja defendida por muitos teóricos e levada a cabo em muitas economias. E ,mesmo que tivesse, claro que a dívida um dia tem de ir sendo paga!

"TÁ A VER, querido?"

Bem, agora... Xô.. Xô...! Vá estudar filosofia, vá, menino! "Caturreira!"
"Alergia" (9-12-2011)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Salvar o Património em "2 em 1"...


 ("Linha do Tua, património por classificar" 2008- om música portuguesa variada: S. Legião,  A Naifa..)

Mais tarde ou mais cedo, a questão da manutenção do Douro como Património Mundial iria dar polémica, apesar de já classificado pela Unesco. Mas isso não  aconteceu pelas razões que me levavam  a temer tal humilhação para o nosso País.
Em Portugal tratam-se este tipo de situações um bocado como certos alunos tratam os exames. Decora-se tudo muito  bem  na véspera, fazem-se trabalhos muito lindos com imagens a 4 cores,entrega-se o trabalho, ou "despeja-se" (é mesmo a gíria estudantil) a matéria no exame  e está "feita a coisa". Resta esperar a classificação. E quase tudo é para esquecer,depois, em vez de ser para aprender.
Da mesma forma com estas candidaturas: convocam-se os pareceres dos melhores especialistas, fotografa-se e documenta-se tudo, argumenta-se brilhantemente, faz-se o volumoso "dossier"  em papel de luxo e espera-se.
Como normalmente o "alvo" da candidatura é mais que merecido e está a precisar de ser salvo das garras da Humanidade, lá vem a classificação de Património da mesma, há regozijo, aplauso e... que tudo surja em seguida por obra e graça dos mais esforçados dos seus defensores, sem grande estratégia nacional. Como em tanta outra coisa, sem uma Visão Global e integrada do problema agora em mãos.
  De seguida há muitas reportagens mais ou menos ofegantes no local, todos ficam a conhecer televisivamente os melhores recantos daquele tesouro nacional(veja-se agora a febre do fado, como eu  em receava, AQUI ... eu não dizia?!), os particulares mais vivaços publicam em livro um sem número de fotografias recentes e antigas daquele lugar paradisíaco, de preferência por altura do mais perdulário Natal, ficamos a conhecer em várias poses as personagens castiças do local, desde a vendedeira de figos ou de mantas ao velho pastor e ao seu cão, passando pelo "Emplastro" da aldeia mais típica e fica todo o país muito orgulhoso.
Numa segunda fase, começa a poeira a assentar e um ou outro grupo de mais endinheirados , também vivaços, tentam criar uns estabelecimentos hoteleiros e atracções turísticas extra. Começam a surgir os disparates: um parque aquático numa bela encosta, um hotel que, em vez de representar a riqueza arquitéctónica da região, usa apenas os seus "materiais nobres", cobra preços proibitivos (para ser selectivo, claro, nada de populaças! Nem de "emplastros" ou vendedeiras) e que ilumina tudo a tons de sépia escura, de forma a não deixar o turista ler, que  o que deve é comer e beber(e , se calhar, não conseguir ler o preçário...).
Enquanto isso, os promotores da ideia, ou pelo menos os que restam nos organismos, tentam organizar tudo para que não caia no descalabro, proibindo o que conseguem quanto aos estragos paisagísticos, tentando criar normas que levem para a frente o local homenageado, para que não se desvirtue a sua essência. Batem muitas vezes com o nariz em muitos entraves, que incluem os exageros turísticos de quem antes  entregara a zona ao esquecimento, mas que agora... se está sempre "a lembrar", com novos projectos mirabolantes prontos a descaracterizar a zona.
No caso do Douro Património Mundial da Humanidade, valham alguns organismos e seus paladinos e o bom senso também de muitos dos vitivinicultores que sempre souberam a maravilha que ali se "escondia" ao Mundo, mantendo as tradições paisagísticas e culturais na parte que lhes toca.
Por outro lado, ainda,o  que era fundamental e até obrigatório fazer, segundo a Unesco, seria um "Plano de  Gestão da Região", que como também é tradicional por cá, já existia no papel, mas ainda não estava a ser aplicado.
Porém, com tudo o que falha e tudo o que ajuda a manter a qualidade e genuinidade desse Património, há um pequeno pormenor que ninguém pode precaver: os governos centrais do País e os caprichos dos seus líderes. Desta vez,como em tanta outra desgraça,  o algoz foi o Governo de Sócrates, com a sua "paixão" magalhanesca pela tecnologia e pela palavra "moderno", que para o seu PM significava tudo o que se ligasse à corrente e tivesse luzinhas a piscar, desde os defuntos pc "magalhães" aos quadros interactivos,  passando pelos carros eléctricos particulares e por aquelas empresas de bombas térmicas a fingir de fotovoltaicas. Tudo o que implicasse vestir de vez em quando uma fatiota azul, um capacete e uns óculos de protecção, ao visitar  uma empresa , "moderna" está claro, de onde saia satisfeito a dizer "porreiro, pá!" e clamar novos postos de trabalho (em princípio, até à deslocalização seguinte) e um amanhã glorioso perante os microfones dos O.C Social.
Portanto, neste caso não foi o seu sucessor, PPCoelho, a errar. Foi o Governo de Sócrates que deu luz verde ao projecto da barragem do Tua, zona vizinha do  Alto Douro vinhateiro(galardoado como Património Mundial), em troca de uns insignificantes Gigawatts. Destruindo a linha histórica  de comboio do Tua , incomparável no Mundo, e,  com a  construção da barragem, destruindo uma paisagem que infelizmente nunca vi em directo, mas que  quem viu diz ser inesquecível e de cortar a respiração.
Deixo aqui um video feito aquando da reabertura da linha do Tua, já em automotora moderna, em 2008, que permite espreitar um pouco essa beleza. Mais tarde deram-se os misteriosos descarrilamentos, por falta de manutença ou outra razão, o encerrar da linha que tanta gente servia e o desmantelar da mesma, por sucateiros de autorização duvidosa (mas isso já são casos de tribunal).
Hoje surgiu então esta notícia como uma "bomba" para o nosso brio português:
"Barragem do Tua põe em risco Património Mundial no Douro" (Público, 7-12-2011)
 Agora,  o que é irónico é que a classificação do Douro, ou a sua Desclassificação está em causa,mas  não por certas asneiras feitas no local, pela voragem do lucro ou da estupidez; e a continuação da construção da barragem do Tua está em Xeque, mas não devido (directamente, pelo menos) aos continuados protestos dos Ambientalistas e milhares de portugueses contra esse crime.
Quem vem por em causa a manutenção da Classificação do Douro é a própria Unesco, pela mão dos seus peritos, chamados para a avaliação regular da situação. E são eles e o seu parecer que deixam nas mãos do novo  governo a sensatez que será parar a construção da barragem.
  Explicando: embora o vale do rio Tua não pertença já à área classificada pela Unesco (aliás, mereceria a sua própria candidatura!), é bem visível das encostas do Douro, estragando o conjunto paisagístico!
Assim: se a barragem for para a frente, podemos perder um importantíssimo trunfo turístico Nacional. E em vez de ser destruido "apenas" um tesouro ambiental e paisagístico são destruídos DOIS!
Portanto, Sr. PM, Srª Ministra Cristas e senhor ministro Álvaro, não há que hesitar! Tenham rasgo, bom senso e ajam como jovens  ousados que (ainda) são! E como verdadeiramente "modernos" como devem ser. Pare-se a obra no Tua e salve-se e reabilite-se o que se pode, num país onde um dos maiores coletes de salvação é o Turismo.  Onde um dos maiores tesouros irrepetíveis e únicos é a beleza natural. Sr. ministro: aquilo é tão belo que... "nem parece Português"! Ainda é mais belo que o Canadá, atrevo-me a dizer!
E optem também por não ficarem amarrados a mais esta asneira da precipitação "determinada" do governo anterior. Já basta a dívida pública que então inchou!
Façam o que é boa política e boa escolha. Qual Souto Moura a  tentar disfarçar o impacto paisagístico da obra, qual quê! Vai ficar-nos tudo muito mais caro, a curto, médio e longo prazos.
Há teorias que já de si são discutíveis, mas no que respeita ao nosso Planeta Azul não se aplicam.A Natureza, depois de  destruída e empobrecida, não se revigora como  Fénix das cinzas. Quando isso aconteceu foi quando o Homem desapareceu do Horizonte.
Senhora ministra do Ambiente, salve o Tua! E, ao fazê-lo, vai ser então como certos champôs "2 em 1": salva o Tua... e o Douro também! E ainda poupa! Poupa!!!! *
Margarida Alegria (8-12 -2011)
* e arrecadam  mais uns milhões em breve, vão ver!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Infâmia! (quando o telefone toca...)

Tenho estado a adiar a publicação sobre um dos acontecimentos mais ABJECTOS e cruéis da semana. Mas mesmo assim não tenho palavras que consigam exprimir todo o asco, a revolta a solidariedade para com quem foi alvo de tal atitude noticiada um  pouco por cada jornal do país.
Já AQUI noticiara o anúncio de cortes no Ensino da Língua Portuguesa no Estrangeiro, feito há escassas semanas.
Adivinharam com certeza: refiro-me ao facto de, esta semana, várias dezenas de professores portugueses, já residentes noutros países terem recebido POR TELEFONE (!!!!) o AVISO de que seriam dispensados, sem mais, a PARTIR DE JANEIRO DE 2012 !
Ler aqui a notícia completa:
Mais se me revolveram as entranhas ao ler o relato compungido, em reportagem alargada da mesma jornalista do Público, Clara Viana ( ontem, dia 3 de Dezembro de 2011), de vários casos de colegas  de Português que foram assim, posso usar o termo, alvo de puro e simples MOBBING (Assédio laboral psicológico) por parte do Ministério do Negócios Estrangeiros e  do Instituto Camões. Infelizmente a reportagem está apenas em versão de papel, pelo que não a poderei "linkar" aqui.
Basta, porém dizer, que entre a descrição do  total desamparo de quem vai ficar sem qualquer sustento para pagar casa e vida nos países para onde se haviam mudado "de armas e bagagens"(Suíça, Espanha...) e  de quem até  percorria com entusiasmo entre 5 a 100 km diários, para leccionar em várias localidades, salta à vista o estado entre a revolta e a desorientação,de profissionais diante da forma, repito, NOJENTA, VIL e DESUMANA como  (essas professoras) foram informalmente (?) despedidas, sem qualquer precisão quanto aos seus direitos e futuro("ninguém se digna responder" às angústias e dúvidas  quer destes professores quer dos seus alunos, diz uma das vítimas).
Retiro apenas umas frases da reportagem entitulada:
"No dia 30 de Novembro fui chicoteada por telefone" (pág.ª 14).
-" Desabei. Chorei. Vi a minha vida virada do avesso! (...) nessa noite não dormi. Penso em mim e em todos os que estão como eu a sofrer por algo que não cometeram".(professora despedida, 47 anos)
-"Sem reacção, sem voz, sem força para me aguentar de pé, apenas consegui perguntar quais foram os critérios para a minha selecção. A resposta foi ambígua e pouco clara. (...)Voltar a Portugal? Como posso voltar? Em Portugal não tenho escola. Em Portugal eu e o meu marido não temos trabalho.Em Portugal não tenho habitação(...) Sinto-me profundamente revoltada e injustiçada. " (outra das professoras, com marido e dois filhos pequenos);
-"Os  meus sentimentos, neste momento, são de desespero, de raiva, nem sei explicar, por que não é assim que se fazem as coisas. Fui despedida por telefone:«Lamento mas o seu contrato acaba a 31 de Dezembro...»" (terceira vítima que testemunha, de 40 anos, divorciada, com a filha a  seu cargo).
- "Se a senhora tem alunos, porque a mandam embora?(...) Não vai pelo menos acabar o ano lectivo connosco? (...) Nunca mais vamos ter aulas de Português?" (algumas das perguntas dos alunos que vão subitamente ficar sem professora)
Mais um grupo de vítimas de medidas administrativas tomadas em cima do joelho e sem critério aparente e claro!
E afinal o outro , Mestre, secretário de Estado da Juventude e do Desporto não aconselhava a emigrar, que os portugueses sem perspectivas saissem da sua "zona de conforto"?(Ver ESTE post do blogue) Afinal em que ficamos?
Para além da minha revolta e solidariedade para com todos estes  professores, 49 no seu total (para já?), só me vêm à cabeça, repetidamente, as palavras cantadas por Pero Marques, o marido tonto e "chifrudo" de Inês Pereira, na Farsa teatral com o nome desta, de Gil Vicente. Enquanto ela,oportunista e espertalhona, às suas cavalitas, coloca duas longas  lousas nas orelhas dele, ao jeito das de um jerico, e faz troça do ingénuo, o pobre (predecessor da personagem mártir Zé Povinho?), vai repetindo o refrão que ela dita:
"Pois assi(m) se fazem as cousas!"...
Exacto. Em Portugal, aos doces portugueses...
... "assim se fazem as cousas"...
Margarida Alegria (4 de Dezembro de 2011)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Não perca esta exposição!

                                                         ("Paixão Selvagem")


As cores, a energia e a ternura destes quadros falam por si. Não deixe de visitar esta exposição da Pintora Linda Girassol, minha amiga Olinda, para admirar toda a exuberância daquilo a que costumo chamar Arte "Afro-alentejana"!Está a decorrer, desde o início de Novembro (até final de Dezembro) em Grândola, no Espaço Garrett, aqui também retratado, para ajudar à orientação.
Em breve inaugurará outra a Norte, que tratarei então de noticiar.
Se quiser saber mais, consulte aqui o seu blogue.
Mais uma vez um abraço e os Parabéns, Olinda!

Mais outro "determinado" como um rolo compressor! :((

Já tivemos seis longos anos da "determinação" socretina. Pensava que a forma como o país acabou por ficar farto desse estilo de (des)governar tivesse bastado para que futuros governantes ENTENDESSEM que o suave povo português até tem a mania de apelar à memória do "botas" Salazar, mas que no fundo não gosta de ser comprimido por medidas de "meia bola e força", só pelo voluntarismo afogueado de um qualquer ministro ou secretário de Estado, movido apenas pela sua vontade de mostrar quem manda, ou pelo menos a de mostrar que se é "determinado" e "decidido" (Céus! Não ficámos todos fartinhos destes dois adjectivos para justificar medidas impensadas e perdulárias de Sócrates, MLR, e restante aquipa de buldozzers insensíveis?!).
 No entanto, bastaram quatro ou cinco escassos meses de novo Governo para nele surgirem herdeiros desse tipo de atitude e casmurrice! E de haver uns ministros de agora a "clonar" os de outrora. Já muitos associaram a colagem do M. da Economia ao antigo da mesma pasta, Pinho dos "corninhos na AR", ou dos cortes de V. Gaspar a seguir as mesmas PECadas, digo, pegadas do seu antecessor Teixeira dos Santos. E saltou à vista de também existir uma espécie de "ministro sombra" ou clone do próprio PM. De Sócrates, até no vestir e na gravata será escusado lembrar quem era, o "braço direito" de S., Silva P, mais "soft". E havia outro de compleição diferente, mas que tomava o papel do "musculado" do governo, aquele que era Santos mas  também Silva,  SS como por vezes apelidado. Era o que bradava gostar de "malhar nos sujeitos e sujeitas" que lhes fizessem frente. Um pouco como antes existira J. Coelho, a coadjuvar Guterres. Tudo igual em estilo. Poderiamos recuar mais em desgovernos...
Temos portanto um ministro Relvas e de muita coisa junta, que engloba a reforma administrativa, mas que parece ter um pé em cada uma das outras pastas, pois não hesita em saltitar perante os microfones dos OCSocial, para opinar sobre tudo.
Pois hoje o voluntarioso e palrador Relvas... levou uma vaia monumental. E de quem? Dos representantes da Associação Nacional de Freguesias, reunidos em Congresso. (Ver AQUI).
E o motivo? Diz que não vai recuar perante o já decidido no estudo do famoso "Livro Verde" sob a sua tutela e juntar Freguesias a monte e a eito como aí está sugerido, em trabalho nitidamente de gabinete e de régua e esquadro.Nivelar tudo por igual, como se pudesse "juntar a bota com a perdigota", debaixo de um rolo compressor centralista!
  Fazer tal coisa sem escutar os autarcas e as populações é não só de grande insensibilidade como de uma FALTA DE VISÃO absoluta!
Ainda domar os gastos das Autarquias e evitar, por exemplo, que as empresas municipais  se multipliquem inutilmente, é aceitável e aconselhável, num país quase falido. Mas apagar freguesias enormes e com identidade muito própria, unindo-as a outras que também não "as querem" (e que portanto as secundizarão), cortando muitas vezes o último laço que une as populações ao interesse pelo seu país e pela política é uma grande estupidez, a não ser que a intenção seja mesmo a de evitar as mobilizações locais para futuro. E, se for esse segundo caso, então as medidas, patrocionadas pelo "Livro Verde" para as freguesias, serão puro terrorismo de Estado.
O desenvolvimento do Poder Local, o poder Autárquico, foi dos aspectos mais bem conseguidos e frutuosos da revolução do 25 de Abril. Apesar do multiplicar de alguns monos  arquitectónicos, das fontes luminosas e das rotundas em algumas localidades, apesar dos  autarcas "dinossauros" que o sistema permitiu e de alguns autarcas que engrossam os cadastros na polícia, com sacos azuis e malabarismos diversos, foi mais o que as localidades ganharam do que perderam.As nossas localidades de  grande, média e pequena dimensão estão, de uma maneira geral, mais bonitas, mais limpas, mais restauradas,mais ordenadas, com mais vida. As que estão a ficar despovoadas tentam promover a atracção a novos habitantes, as mais populosas sabem que funcionam melhor se as suas populações tiverem melhores habitações e melhores estradas e também alguns divertimentos e atracções culturais.
Que o governo central tente conter despesismos, sou a primeira a aplaudir. Mas isso não será acabando a eito com freguesias, que afinal até são o parente pobre do poder local. Mas são a âncora do cidadão, não importa a idade, que quer que a sua voz seja escutada e não apenas auscultado de quatro em quatro anos, em eleições que já pouco lhe dizem. Jamais esquecerei aquela senhora de idade , de uma aldeia esquecida nas montanhas, a reclamar ao Presidente da Junta a colocação de um novo telheiro no lavadouro público. E o pobre homem a responder que não tinha dinheiro, mas a escutar e registar a queixa, tão válida como a dos cidadãos dos  grandes munícipios ao reclamar uma piscina municipal. E via-se que a senhora sabia que alguém a considerava.
Aliás,tantas vezes o maior despesismo e fraca eficiência vem mais da parte do poder Municipal (mais longe da fiscalização das populações) do que do poder das freguesias!
A estratégia centralista, em teia-de-aranha, já levada avante em larga escala pelos governos socráticos, é profundamente errada, destrutiva e anti-democrática. E quem se reclamava diferente perante os eleitores, não deveria dar agora mais e mais do mesmo! Isto não é bairrismo. Vivi em muitas localidades de diferente dimensão,sem ganhar raizes de bairrismo mas o tempo suficiente para observar o que é despesismo das autarquias e o que é bem feito por elas. Fui a primeira a ir à minha junta alertar para o corte de árvores desnecessário e assassino por engenheiros mandatados por uma câmara e um projecto mais "global" do qual não se apurava o responsável. E sei que esse gesto(que hesitaria em ter se a freguesia fosse gigantesca) levou a salvar pelo menos outras árvores saudáveis que já estavam marcadas para a morte prematura. E isso só se verificou porque existia a minha freguesia, com funcionários interessados e competentes e o "poder de baixo para cima" funcionou.
Muitas freguesias têm hoje excelentes postos de atendimento, inclusivé para tratar de documentação. Criam centros de dia e creches, não constroem bairros sociais mas  cuidam dos seus espaços comuns e verdes e batalham para que zonas mais periféricas dos municípios sejam escutadas. E as pessoas,os cidadãos portugueses, dos mais novos aos mais velhos, têm ideias a sugerir, têm opiniões a ter em conta tem o amor à sua terra, às suas ruas e ao clima humano das suas freguesias, que podem fazer a diferença entre tomar decisões PRECIPITADAS e optar por alternativas mais criativas, mais consensuais e tantas vezes até mais económicas.
Matar algumas freguesias é matar a alma de algumas pequenas localidades e matar algum associativismo. Dizer que a identidade cultural de, por exemplo, uma zona piscatória é "bairrismo", só porque os seus habitantes não sentem nada em comum com a nova freguesia, outrora campos e quintas, à qual vai ser anexada, chamar mero "bairrismo" à  indignação dessa Freguesia é de uma estreiteza mental, a toda a largura e comprimento ( a três dimensões, até!) que não lembra a alguém que tenha a noção da antiguidade da nossa identidade portuguesa e da nossa cultura variegada!
Se é para poupar, atrevo-me a dizer, até, que talvez o tal super-poderoso Poder central é bem mais despesista, perdulário e inútil que o poder local! Quem é que andou a dar dinheiro  público a bancos fraudulentos? Quem é que cria tanto Instituto Público, tanta comissão de estudos e tanto Observatório de Dá-cá-aquela-palha? Quem é que nem sequer faz o balanço anual das suas contas (já que o Estado afinal é uma Empresa!), em Dezembro ou Janeiro?
 Aliás, se e fossemos a ver, taco a taco, quem saía a perder no serviço aos cidadãos?
O poder autárquico cria lojas do cidadão... o Poder Central fecha-as. O poder Local cria creches.. o Poder Central fecha maternidades e escolas.  O poder Local vai conhecendo os seus concidadãos, falando com eles até na rua. O poder Central, esse, compra carros blindados de milhões para andar a alta velocidade e rodeia-se de "gorilas", mandando para o cesto dos papéis ou arquivando as reclamações e apelos mais deseperados do cidadão comum, deixando os ouvidos para os "lobbies" do costume.
O poder local ajuda a angariar cabazes solidários para os mais carentes. O Poder Central vai cobrando impostos (para fazer mais estradas por onde entram os camiões espanhóis)... e espera que instituições de voluntários como o Banco Alimentar e a Cáritas vão fazendo o resto!
 Espero que um rasgo de lucidez passe pelos olhos vivaços e nervosos do Ministro Relvas e que  este ESCUTE os MUNICÍPIOS escute as FREGUESIAS, sem "determinações" doentias e precipitadas, pois está em causa um dos pilares da nossa Democracia e da nossa Identidade como País. Lembre-se dos ditados populares: "a pressa é má conselheira", "quanto mais depressa mais devagar"...
 E lembre-se que frequentemente querer poupar leva a gastar mais, porque, se um dia quiserem inverter a situação tudo será muito mais CARO!
Pois o BARATO SAI CARO, tantas vezes!
Margarida Alegria (3-12-2011)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

As últimas horas do feriado condenado oficialmente

(Miguel de Vasconcelos é defenestrado, em 1640)


Sobre o Dia da Restauração, que hoje se comemora oficialmente talvez pela última vez, já disse tudo o que pensava, há precisamente um ano, num detalhado texto noutro blogue,AQUI:

"É DENTRO DE CADA UM QUE COMEÇA A RESTAURAÇÃO E A REVOLUÇÃO" ( Nota:se quiserem comentar é fazê-lo aqui, pois esse blogue já está fechado)

... Não altero uma única vírgula desde então. Aí está tudo o que penso sobre a importância da Mudança, da Liberdade, da Revolução pessoal e da Restauração (da liberdade e de nós próprios). Pois a revolução mais difícil é a da vida de cada um e a Restauração começa dentro de cada um de nós. Daí falharem tanto os consensos.

De resto, vou comentar agora um pouco a estupidez hipócrita e pura do querer abolir os feriados. Aí vai.

Há muitos países no Mundo, desses dos ditos exemplares e mais prósperos, tanto na Ásia como pela Europa, que têm tantos ou mais feriados que nós. Se estes não coincidem entre países e atrapalham as exportações e contactos, então é uma questão de as empresas organizarem melhor as suas agendas. Se é por mais umas horas de trabalho, é contraproducente e com pouco peso efectivo. É ridículo. Ainda acabar com algumas tolerâncias de ponto e "pontes", aceito, ou poderá ser algo a combinar entre o patronato e os seus funcionários, caso a caso.

Mas abolir feriados e andar a debater em aflição tonta, pois afinal todos eles são importantes para as populações, histórica ou religiosamente, é absurdo. O que ainda por cima leva a prevalecer a guerra de lobbies (ou de "Alecrim e Manjerona" !), como agora entre os republicanos e os monárquicos, se é mais importante o 5 de Outubro ou o 1 de Dezembro, se a Nossa Senhora da Conceição é uma "santa" mais poderosa do que a da Assunção ou Vice-versa! Afinal, não é a mesma Nossa Senhora? E não é o mesmo país?

Julgo que é mesmo uma discussão contraproducente, que só vai tirar as poucas hipóteses de descanso a muita gente e, a curto e longo prazos vai deprimir ainda mais o país em crise.

Será fácil aos gestores de empresas, o patronato em geral, defender o fim dos feriados, visto que eles próprios podem ter um horário mais flexível, onde até as simples viagens de negócios proporcionam algum desanuviar das rotinas do trabalho. Já o operário fabril ou o funcionário administrativo não tem essas hipóteses. E, como já aqui disse em posts anteriores, há mais vida para além dos mercados, da crise financeira e das dívidas. Há que conseguir tempos para a família, o lazer e desporto, a cultura, ou simplesmente para o sonhar.

Por isso subscrevo as palavras de muitos depoimentos num artigo do Público de hoje(versão papel), que tem por título "com menos feriados Portugal fica mais pobre" (por Ana Dias Cordeiro) ou ainda com este AQUI, no mesmo jornal.


Mas não apenas por questões de patriotismo, --que será bacoco até num país moribundo que permite ser comandado por uma Troika, que diz COMO se deve governar o país para obter o dinheiro para lhe pagar...-- mas por questão de direitos dos cidadãos, como expliquei acima, e por achar sobretudo que não é a abolição de feriados, nem dos 13 existentes, que vai incentivar a Economia ou aumentar a produtividade. E é uma porta aberta para depois o patronato vir a reclamar a abolição do fim-se-semana à inglesa, ou a redução das férias, ou o fim das férias pagas... é só iniciar este tipo de medidas que o neoliberalismo serôdio e voraz vigente levará tudo à frente, aumentando as já "colossais" desigualdades entre os portugueses!


O 1 de Dezembro marca a INDEPENDÊNCIA do país. Ou afinal acham que não foi importante? Hum... talvez tenham razão: estariamos um pouco melhor se tivéssemos continuado a ser espanhóis. (suspiro)


A Independência pela mão de D. Afonso Henriques já deixou de ser comemorada, com a força do 1 de Dezembro, provavelmente. Mas o 25 de Abril não foi o mesmo tipo de libertação! Muito menos o 5 de Outubro, porque afinal, em termos de mentalidade, continuámos a ser um povo monárquico no sentir, com uma minoria republicana nas cidades e nas elites. Basta ver como até tivemos um Presidente da República, republicano dos cinco costados, que foi comparado a um Rei durante os seus mandatos. Sim! Mário Soares! Lembram-se? :))

Já os feriados religiosos, embora muita gente já não os cumpra em rituais, às vezes é o que resta de festa e de identidade e pausa da lavoura no interior de Portugal, já tão abandonado e empobrecido. Não destruamos ainda mais a cultura tradicional do país nem as ocasiões de reencontro de famílias e comunidades!


Para além de irmos dar uma terrível machadada na indústria de pirotecnia, uma das únicas em que conseguimos competir com os chineses! ;)


E não é em chineses que nos querem transformar a todos, com estas medidas patetas de "gestão" tosca e pouco imaginativa ?!


Então deixem-nos as festas e as pausas sem as quais corremos o perigo de deixarmos de ser portugueses, pachorrentos mas criativos, e passarmos a ser cinzentões como algumas de sociedades soturnas sem sol. Essas que até no saber viver dos povos do Sul estão ultimamante a admirar o exemplo para arrepiar o estilo de vida, antes apenas de trabalho. A saber aproveitar mesmo os momentos de sol que não têm em igual abundância.

Cá para mim, os povos "troikas" de nariz empinado para com os países "PIIGS", estão ansiosos para que estes se tornem neles, sem tempo que não para o trabalho... para depois poderem ser ELES mais como nós somos. Só que esse é um segredo bem escondido que não revelam aos seus obedientes servos/bons alunos de Portugal! Ai pois é! Deve ser esse o "plano"! Admirem-se!!! ;)

(e ainda um detalhe: como poderemos, futuramente, compreender e saborear o termo "defenestrar", se abolirmos a lembrança do 1 de Dezembro?!) :))

"Alergia" (1 de Dezembro de 2011, dia da Comemoração da Restauração da Independência de Portugal)